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O que passa no fundo da cabeça é que é arisco. Não o pensamento quase oral, desses que palavras se encadeiam organizadamente na boca imaginária. Esses são simples de se controlar e definir o silêncio do horário. O pensamento do fundo que vem em blocos inteiros de sentido, às vezes sem palavras correspondentes, esses sim, são os mais fecundos e arredios. Esses dão nós, dão de comer a fantasmas e indeterminações. Esses eu os tenho como aos outros. Sempre. Desde o inaugurado momento do desquite do sono, até o mais derradeiro bailar da razão. Milhares de muitos, tempos e mais tempos de muitos. Os do fundo são os piores. Me raspam a nuca no repente. E são absolutos no instante. Me condenam a flutuar nas imagens, pessoas, fatos, imaginações. Sentidos contrários que desbotam a visão, me põem em cercanias de monstros e iluminações inéditas. Um desordem (sim, um) de rombos do cotidiano. Aspirações malignas, arrebatamentos bruscos de bondade ou o de pior de dentro. Coisas e mais coisas inescrevíveis, inexitantes. Fatais. Vigilância profunda os dominaria, eu sei. E consigo. Vigilância profunda ergue um edifício rígido na nuca, um ouriçado de constância. Ele ocupa o espaço da intuição errônea, induzida por natureza primeira, errata por mim. Me bastaria vigilância inteira? Humm. Mas nem sei se ainda falta querer profundamente. Não sei se me falta ou me sobra e, se sobra, deixe transbordar. Tão profundamente o querer deveria quanto o próprio estalo do silencioso profundo vívido. Daí sim colocaria modos meditáveis. Mas o profundo é vívido. E como vívido. Se profundo vívido, raso seria? Edifício de vigilância. Erguer e destruir o quê, se a desconstrução da construção secular já está encerrada? Erguer a desconstrução já finalizada, construir o repetimento do ainda mais antigo? Não sei se posto-me a prova. Deixe que esteja estando enquanto estiver sendo este benfazejo implícito, pois expoente. Assim penso, mesmo que agora despensando.
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