quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Itanhandu é assim:

.
É ruim, mas é bão!
.
É bão, mas é ruim!
.
.
Um meio termo inteirim!
.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Alto risco - Maurício Tibúrcio

.
Livro de um escritor de Passa Quatro – MG.
.
Conta alguns casos vividos, ouvidos ou, porque não, inventados pelo autor. Histórias de consultório médico, sauna, bar, casos de família. Coisas pequenas, de uma página ou duas, em sua maioria.
.
Uma leitura leve, fácil, bem-humorada. Coisa pra ocupar o tempo de uma tarde de ócio.
.
Tem uma citação do livro neste endereço:
.
Não achei a imagem da capa ou uma foto do autor, pra seguir aquilo que geralmente integra um post de resenha de livro. Então, vai uma foto de Passa Quatro mesmo, já que algumas passagens narradas aconteceram lá.
.

(sem título II)

.
Outra das antigas...
.
.
.
.
Eu peço arrego pro aconchego que me toca
Sabes que digo, sabes que falo o que te provoca
Invento vidas, vivendo os tempos que o amor invoca
Sentindo as horas, fugindo das caras se um olhar nos foca
.
Corre, corre pra bem longe daqui
O choro insiste e teima sempre em me perseguir
Também essas horas nos fazem escravos do não fugir
Revendo as fotos, vivendo os tempos de só te servir
.
.
.
Eu ando sempre a correr
Andando em passos pelas ruas
Vivendo o medo de saber
Que essa manhã ainda é tua
.
A brisa toca, o tempo leva
A noite vence o nunca mais
O dia encerra a forma certa
Que a luz senil não mais refaz
.
Nos falta força, nos falta ar
Nos sobra o bonde que já partiu
O trem ao longe me faz pensar
Qual dos meus lábios não te sorriu
.
.
.
As cores deste céu bem me fazem pensar
Os muitos lindos lagos que existem adiante
Caindo alto as cachoeiras, vem beirando as montanhas
Desvendando os lugares de um sonho tão errante
.
.
.
As luzes seduzem os olhos castanhos
Que brilham de volta estranhos
Seduzem as horas, compasso do tempo
Que lento vai levando o sorriso sem tamanho
.
As estradas abertas viajam seus rumos
Sem rumo, sem prumo, em aprumo me arrumo
Rimando as notas cercadas de cores
Pavores das flores que nascem incolores
.
O vento balança sempre nossas redes
Deitadas a beira-mar
Pousando serenas nas sombras
Balançam leve, bem leve e devagar
.
As ondas limpam nossa face
Revelam o horizonte matinal
Seria simples se lembrassem
A vida feita sem um final
.
Canta, canta sempre com vontade
Teu canto revela tuas velas de fé
Lançando tuas chamas nos chama a bondade
Tão novas as vidas, alegres até
.
.
.
A alegria do canto
Renasce do pranto
Em meu coração
.
Seus olhos molhados
Me dizem calados
O sim do perdão
.
Se passas correndo
Me sinto perdendo
Teus passos em vão
.
Que vão de repente
Sabendo que a gente
É ciente do não
.
.
.

(sem título)

.
Tão simples assim serão nossos dias
De pura alegria e vontade de cantar
Espero ter de volta nossas voltas e viagens
Pra nunca mais o nosso canto dar lugar pro lamentar
.
Cores sempre vivas enfeitam nosso céu
Céu que toca a terra num beijo de horizonte
Libertas as cirandas, sei que posso ainda ser teu
Se entre nossas vidas desenharmos uma ponte
.
.
.
Poesia antiga também, nem sei de quando é. Provavelmente fazia parte de outra maior, daí eu dividi. A rima com a palavra "ponte"ficou bem forçada!!!
.

Intersecção

.
.
Poesia de mais de 6 anos atrás.
.
.
I (o geral)
.
.
Quando não se pode mais contar
Quantos olhos cabem entre os mundos
Nada mais é capaz de te fazer
Elevar o olhar na busca de piedade.
.
Sem que se perceba os impulsos de amor e ódio
Te escapam pelos atalhos do que é inútil
E o cotidiano vai ao longe e te foge à cabeça.
.
Nessas horas a rotina faz-se esquecer
Perdida no vácuo de quem dormiu por covardia
E os sorrisos desesperados
Se abatem sem sinceridade.
.
Abatido estava todo
Nos instantes passageiros
Dos errantes passageiros
Num momento liberdade.
.
.
II (a dois)
.
.
Vai-se ao longe a visão de um velho presente
Que ausente não percebe ter passado
Entre os vãos de mãos sem dedos
Que não tocam nem o ar
Que em vão rodeia o amor alado.
.
Não são mais importantes os por quês
As justificativas recíprocas se abundaram
Sufocando nossa sanidade a dois.
.
É latente em almas excluídas
A virilidade inconclusa de quem secou os olhares,
Murchou os enfeites
E se definhou em rodas de cirandas
Que ainda reluziam
A inocência da primeira mentira.
.
.
III (a separação)
.
.
São precisos aos concisos homens-lata
As calotas que norteiam novas curas
Novas carnes que ao menos sejam duras
Pois dores ricas de crescentes pensamentos
São tormentos, levam mentes às alturas.
.
.
IV (a vida)
.
.
Falsas meretrizes
Eram matrizes
Que nos tocaram por perdão.
.
Presentes rotinas
São meninas
Que nos matam sem razão.
.
Olhos que voam
Nos ecoam
Pra divina perdição.
.
Onde ao fundo
Está o mundo
Onde Deus é mesmo vão.
.
São intensos os tormentos de velhas frases
Jogadas soltas no ouvido menino
Que com o tempo se esclareceram
Nas pequenas falhas das coisas sem destino.
.
.
V (as putas)
.
.
A maternidade sensual de teus beijos escondidos
Me brotaram os desejos mais relevantes
Me botaram sem medo
Num mundo de controles desvairados
E de forças sem pudor
Que ainda me alimentam
Os fantasmas ditos esquecidos.
.
Nesses momentos é possível perceber
Quantos santos não te olham mais
Quantas preces já não lhe são dignas
Quantos pecados lhe dilaceram o peito
Por se saberem válidos e escolhidos.
.
Eu escolho os meus mais válidos pecados!
.
Vários sentidos vão além de uma parede estimulante
Muitos sons são mais que apenas ondas
E a sanidade é medida em minutos de espera.
.
Andam trilhos de andarilhos sem destino
E vagando foi meu bando da procura
Vê-se o brilho só no canto de um menino
Que marmanjo não tem anjo nem doçura.
.
.
VI (a lembrança)
.
.
Quisera tanto
Acreditar na pureza de teus poros
Na transparência de tuas lágrimas pequenas
Que saíam sem força.
.
Quisera tanto
Resgatar minha ignorância perdida
Pra poder dormir mais uma noite contigo
Sem ver-te habitando minhas insônias.
.
São vitais os vitrais de tais lembranças
Pras andanças que em tempos há de haver
Luzes-ares de fulgazes reentranças
Pois tais tatos, vícios novos hão de ter.
.
.
VII (a decadência)
.
.
Tantos vícios
Me mosterizam dentro de teu peito
Me aprisionam em calabouços esnobes
Que não me olham nem das janelas longínquas
Tantas foram as voltas de minha fé fraca
Embriagada de pavor
Que sutilmente brotaram as lágrimas
Que saltaram longe buscando as suas.
.
.
VIII (Fênix)
.
.
Mas é necessário um novo espaço
Pro sentido que quer se mudar
Pro viver não passível de um qualquer.
.
Minhas correntes se esmigalharam
Na presença do vento que não gostavas
E os farelos sentimentais
Alimentaram os pássaros meus amigos.
.
Os amores se dignificam
E encarnam novas formas
Pros meus olhos
Que não medem teus velhos mundos.
.
O impulso desmascarado e inconseqüente
Empurra o que houver de antigo
Ultrapassa e terra e o céu por vontade em si.
.
Vê-se o pulsar do sentimento e o que quiser que seja é.
.
Não há obrigação nem terceiros
Há o primeiro e o só
Eu em mim, enfim.

O singular que deseja e é plural.
.
É a aura do novo que me excita
É a onda dos apelos próprios que me intensificam.
.
Não se explica nem se replica
Só se percebe e nada mais.
.
O amor se desfaz em simples alimento de alma
Que já não quer ser diminutiva
Já que a carne suporta outros pecados
Pela crença na finitude da vida
(Vide meus antigos sonhos extintos).
.
São meus dias abundantes
Que me levam a crer na obsolência
De suas curvas presentes na terra dos homens.
.
Não digo que não quero
Nem tampouco nego nada que me propuser.
.
Digo apenas
Que me perdi no excesso de confiança
Que alimentei por acreditar nos meus 21 anos medíocres.
.
No entanto,
Já aquietei meus personagens vitais.
.
.
IX (o retorno)
.
.
Aquietei-os
Já que não se pode mais contar
Quantos olhos cabem entre os mundos.
.
Será eterno?
.
.
.
.
Que tamanho de poesia! Lembro-me que comecei no meu primeiro caderno que comprei depois do intercâmbio, logo que entrei na ESPM. Mais tarde passei as palavras pro Word, porque queria levar adiante a idéia. Gostava bastante dos versos iniciais: “quando não se pode mais contar quantos olhos cabem entre os mundos”. Ela estava toda desarrumada aqui numa pasta meio esquecida. Fui ajeitando agora e propondo os sub-títulos pra dividir e deixar mais fácil de entender. Hoje em dia, eu não seria capaz de escrever uma coisa assim. Acho que tenho um fluxo menor de palavras.
.
Chama-se Intersecção por ser exatamente isto o que acontece e que causa o verso principal, ou seja, “quando não se pode mais contar quantos olhos cabem entre os mundos” é porque houve uma Intersecção de realidades, de modos ou coisas do tipo. E a poesia narra exatamente isso. Uma Intersecção de momentos da vida numa grande mistura!
.
.
.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Nascente dos Sonhos (Post 777)


.
Esse poema é de 30/09/2003. Acho que escrevi no papel e depois passei pro word. Eu estava no primeiro semestre da faculdade e nem tinha o costume de escrever poesia no computador. Não sei porque nunca publiquei. Acho que por descuido mesmo. Não a percebia aqui e foi ficando... Ou às vezes via, mas não pensava em publicar. Mas agora vai!
.
.
.
No começo era o nada
Espalhado pelos contos
Como humildes sonhos calados
A esperar pelo nascer
O nascer de um novo dia
Ao final tudo é presente
Salpicados pelos ares
São migalhas desses sonhos
Que voam sempre, sem parar
Em todo lado, em toda forma
Dançam livres, são sem donos
Andam vagos como o vento
Soam tímidos pelos momentos
E sensatos pelos que pensam
Ao centro era a semente
Desabrocha com a chuva
O aconchego da nova terra
Dorme logo ao clarear
Fecha os olhos que passaram
Abre os outros para frente
Vem crescendo em novas horas
Veja os frutos dos pulsares
São pulmões do novo mundo
Alimento aos vagos choros
Flores ternas de estações
Sonhos brotam dos olhares.
.
.
.
.
Aliás, é uma poesia meio em conta gotas. Dá até pra fazer permuta entre os versos, tirar alguns, trocar de lugar outros. Acho que por isso não publiquei: ainda queria fazer uma permuta pra recriar. E foi isso que eu fiz agora. Peguei um e pulei outro, ajeitando, o mínimo possível, questões de concordância. Segue:
.
.
.
No começo era o nada
Como humildes sonhos calados
O nascer de novos dias
Salpicados pelos ares
Que voam sempre, sem parar
Dançam livres, são sem donos
Soam tímidos pelos momentos
Ao centro era a semente
O aconchego da nova terra
Fecha os olhos que passaram
Vem crescendo em novas horas
São pulmões do novo mundo
Flores ternas de estações
Espalhadas pelos contos
A esperar pelo nascer
Ao final tudo é presente
São migalhas desses sonhos
Em todo lado, em toda forma
Andam vagos como o vento
E sensatos pelos que pensam
Desabrocha com a chuva
Dorme logo ao clarear
Abre os outros para frente
Veja os frutos dos pulsares
Alimento aos vagos choros
Sonhos brotam dos olhares.
.
.
.
.
Agora pegando o primeiro, pulando 2 verso e indo assim até o fim, depois pegando o segundo verso, pula dois, pega mais um e assim por diante; e ainda depois, pegando o terceiro e fazendo a mesma coisa.
.
.
.
No começo era o nada
A esperar pelo nascer
Salpicado pelos ares
Em todo lado, em toda forma
Soam tímidos pelos momentos
Desabrocha com a chuva
Fecha os olhos que passaram
Veja os frutos dos pulsares
Flores ternas de estações
Espalhado pelos contos
O nascer de um novo dia
São migalhas desses sonhos
Dançam livres, são sem donos
E sensatos pelos que pensam
O aconchego da nova terra
Abre os outros para frente
São pulmões do novo mundo
Sonhos brotam dos olhares
Como humildes sonhos calados
Ao final tudo é presente
E voam sempre, sem parar
Andam vagos como o vento
Ao centro era a semente
Dorme logo ao clarear
Vem crescendo em novas horas
Alimento aos vagos choros
.
.
.
Wagner Passos de Sousa Pinto.
30/09/2003 - terça-feira
1:50 da manhã em São Paulo
.
Permutas feitas em 24/12/2010, às 00:10 em São Paulo.
.
.
.
Há outras maneiras de fazer, mas daí vai que vai! Nascente dos sonhos que continua brotando. É só escolher a sequência!!!
.

Poesia feia

.
Continuando as poesias antigas que não foram publicadas, aí vai mais uma. Bem horrível! Acho que não publiquei, na época (04/03/2006) por ser muito feia!!! Mas agora vai!
.

.

.
Luxo-Úria (EGO)
.
Eu não sei como eu cheguei até aqui
Eu sei que eu cheguei até aqui
E aqui não é nada de mais
Nem nada de menos
São apenas regos e cus vorazes
Chanas, checas, pintos, bocas
Seios, peitos, tórax, mamilos
Mamíferos, apenas mamíferos
Espécies iguais que nascem, crescem
Reproduzem e morrem.
.
O que eles mais fazem é a reprodução
Filhos, ninhadas, pencas de rencas
De filhotinhos chamados prazer
Sou tudo, sou antro de desejo
Que me invade, que eu invado outros tantos
Mas sou blasé acima de tudo
Sou blasé em relação ao que há de mais instintivos no ser que somos
.
Sou máquina de vem-e-vai
E vem e sai, esporra, mela
Cospe, mija
Cascata dourada ou
Cascata marrom-sangue, hemorróidas
Bosta, o caviar brasileiro
De tudo
Sou tudo e mais um pouco
Não me importo, não me tenho, tenho todos vocês em mim
.
Sem auto-estima
Sem nome, sem o que seja que quiseres
Me alimento, me ergo, me nomeio no teu olhar
Sou de tudo, já disse
O que me faz seguir em frente
É a possibilidade de rir
Gargalhar dos teus desejos
Vomitar depois de teus beijos
E saber-me mais, muito mais
Por ser tudo naquilo que você teme ser nada
E que por isso me paga caro
Pra poder acreditar no fundo do fingimento dos meus olhos
Quando digo que foi bom
Só pra receber seu sorriso burguês de 200 reais.
.............................

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

TURMAS DE PRETO / (ESFERAS)



.
Essa poesia eu fiz pra ler pra uns amigos de uma turma que eu tinha em Itanhandu, há alguns anos atrás. Nós éramos conhecidos como a: Turma de Preto. Essa poesia é do dia 20/07/2004. Eu nem tinha blog nessa época... Saudades do passado distante!!! Muitas saudades de um passado de felicidade tããão distante!!! Chorei ao ler e relembrar...
.
.
.
A gente corre por estradas siderais,
E mesmo que por horas
Pareçam impulsos banais,
A pluralidade de pensamentos únicos,
Unidos,
Faz do todo diverso
Uma diversa diversão única.
.
Como é bom sentir o vento
Como é bom gritar o fim
Chorar a gota
E intensificar os suspiros
Que mesmo não sendo últimos,
Se os fossem,
Seriam plenos...(Será?!)
.
A plenos peitos os pulmões se esvaziam
Em trocas aéreas instáveis;
Extensos gritos.
São bravos os ritos
Que enfrentam os mitos,
Falsos, medíocres
Perto de tantos grandes
Que quebram grades
Colosso de Hades
De uma mitologia própria
Não intolerante
Porém repleta de unicidade. (Olhares Angulares)
.
Singelas explosões
Que destroem conceitos.
Máquina trituradora de mediocridades.
Respeitáveis são as imperfeições
E não tóxicas as impurezas.
Personal-idade de trocas
Filtráveis gestos
Da natural influenciabilidade humana.
.
O todo se despedaça como a frágil voz
Veloz é o estilhaço
Que esparrama o asfalto
Nas almas lavadas,
Lavradas de vivências
Carências talvez...(talvez!)
É suprimento do eu no próximo
Que sempre (ou quase) mais próximo está.
Corpo único de almas diversas
Almas diversas num corpo só. (Por horas)
.
A mistura de tendências edificantes
Diversifica os mundos.
As trocas dos Eus,
Componentes do Nós
Amarram as cordas nos breus
Reciclando luzes coloridas (ou não):
Sentimentos, Pensares
Crenças, Maturidades
Tolerâncias, Sensibilidades
Que em metamorfose estão! (Sim!)
.
A gente corre por estradas siderais
Sentindo ventos velozes
Visserais vulcões de vozes
Amigas acima dos mares.
.
A gente corre por carcaças de convenções
Por poeiras de normalidades e rotinas.
Latrina da sociedade
Nos olhos do sol do meio dia
Refletido nas águas da praça corrigível,
Estável campo minado (Pode até ser!)
.
A gente corre por compassos quebrados
Extensas liberdades
De uma semi-libertinagem ponderada.
Transgressões de olhares
Que buscam o descompromisso do ver.
.
Escancarados são os campos minados
Onde a dança corre solta
Noite à dentro
Vida à fora
Numa eternidade finita
Inconscientemente esclarecida
Bonita
Porém não perfeita,
Válida
Porém não saciável,
Inebriante
Porém não profundamente,
Profunda
Porém não simples,
Complexa
Isso sim!
.
Que bom...
.
Esferas humanas
Numa esfera maior.
Quebra-cabeças imperfeitos
Incompletos e plurais
Não complementares (talvez!)
Porém sustentáveis
E vivíveis.
.
O dia-a-dia faz valer a pena,
As almas são grandes
As peles são penas
E os corpos alados
Alagados olhares da flor-maça.
.
A energia flui!
.
Por caminhos andados
Pelas horas oradas
Pelos cantos que em cantos encantam
Por momentos da harmonia dissonante
Pelos andantes sem lenço para chorar
Pelas pessoas sem documentos para se estabilizar
Pelas faces tão veladas no olhar
Pelos risos tão gostosos de se lembrar
.
Obrigado!
.
São campos que se abrem
São visões que se miram
São tantos múltiplos
Num número só.
.
São tantas as unhas roídas
São tantos os risos e choros
São tantas orelhas inocentes
São tantas as caras das nuvens
São tantos os sonhos em cultivo
Que às vezes me pego perdido.
Perdido no tanto de todos
Que invadem o mim!
.
Sim...
Acima de tudo
Há a profundeza dos singulares
Que escancaram o meu plural.
.
Sim...
Acima da estabilidade
Eu gosto da forma miscível
Dos abalos alheios
Que terremotam este aberto.
.
Sim...
Eu gosto de todos
Que muito mais do que uma mão é.
.
Vocês mexem comigo
Vocês me botam em pé-de-guerra
E isso não tem preço!
.
O preto da noite inunda as almas
Que se buscam.
Companheiros de aventuras
São os trovadores das montanhas
Que cavalgam pelos campos.
.
O preto da noite inunda os corpos
Vestidos de luto alegre.
O preto da pupila reflete o grupo
Que errante bóia no rio da vida.
.
É infinito o espaço tão negro
É grande o grupo que vivo
É riso na cara do medo
É flor do momento cativo
É uma as turmas do preto
.
Talvez seja excesso de dizeres
Talvez seja falta
Mas como não há a vacina do não doer
O melhor é viver intensamente
As coisas queridas como eterna
Pois na imensidão da luz do buraco
Mora o negro tempo
Que acabará (temporariamente)
Com as relações das almas
Entrelaçadas pelas vidas vindas
Sucessivas passagens que desafiam
O determinista final
Não para nós! (Será????????)
.
20/07/2004





Poesia por encomenda

.
Há muito tempo atrás fiz uma poesia por encomenda pra uma mulher que gostava da Xena. Nunca veio aqui pro blog, mas agora vai. Fica então uma homenagem às lésbicas... Notem que no final, deixei um recado velado pra moça que, na época, era meio recatada!
.
.
XENA – a mulher, a lenda... (12/10/2006)
.
Wagner Passos de Sousa Pinto
.
Guerreira respeitada pelas forças deste mundo,
Mulher de integridade e dureza no lutar,
Senhora dos poderes que dos deuses são fecundos,
Pois vêm de um céu divino renascente em além-mar.
.
Seus olhos são turquesas de doçuras e encantos
Que olham seus amores, seus andores, seu remanso;
E dançando bem faceira na fogueira em noite escura,
Libera seus desejos libertários de amargura.
.
Xena, a rainha das rainhas desta gente,
Mulher, a beleza da beleza mui valente,
Selvagem, a destreza de um golpe de repente.
.
Por isso, sonho que num sonho ela vem ao meu encontro,
E então, ponho os meus punhos a clamar o teu confronto
Que enfim, travo na paixão que em mim me amedronto.
.


Poema sem título

.
Estou fazendo uma limpeza aqui no meu computador e resolve postar textos que ainda não foram pro blog. Um deles, que acho que já foi postado mais eu não consigo achar, é esse que fiz no segundo ano de faculdade pra um trabalho de semiótica. Ele foi feito sem título, por isso vai continuar assim:
.
.
Eu estou consciente do meu conflito,
eu sinto o caos racional do meu ego.
Minhas vontades e virtudes,
minhas idéias e fisiologias.
“Eu penso por isso existo,
eu tenso por isso insisto”...
Se a poesia é domingo,
esta minha é segunda...
Da razão ao sentimento,
do impacto ao equilíbrio...
Meus olhos se arregalam,
e meu coração precisa do ar longínquo
pra dar de comer à neurônios pulsantes.
Oh deus, por que me abandonastes?
Oh Freud, por que não me explicas?
Eu invoco a inspiração camoniana
para expressar meus conflitos.
.
Tudo é tão minimalista
nesta minha cidade barroca,
como poço , como quero , como penso.
Penso se já não sei se sinto.
Sinto se já não amei , ou minto?
Sim , é mentira que já fui violada!
Não , não sejas demente
Se isto que sentes é dor vaginal,
é dor em sua mente!
.
Não , urgentemente penso.
Penso sobre diálogos carinhosos
Penso sobre vozes amigas
e sinto que sento exausta
num quarto medíocre
forrado por uma prole de porcelana...
.
Quebrada...
.
Afrodite, o que aconteceria
se não fosse assim?
Acredite, Atenas pensaria
sentir pena de mim!
.
A complexidade das relações,
das metáforas e analogias,
das orgias de um amor universal
Me põem em dias de cão.
.
Sim , vivo na terra de um cão
Esta é a sua Vila...
.
Ferida aberta que quero cutucar,
sou consciente do momento.
Sou persistente (ou demente?)
.
Quero sim arrastar essas minhas
correntes de dualidade urbano-bucólica.
Quero o bucolismo perverso
que me açoita
(masoquismo)
Não, preciso de ar!
Não quero que um saco plástico
Que embrulha presentes de Natal
( já nasceu deus menino - Grace’s a Deus )
me impeça de respirar.
Não quero barreiras.
.
Maldito conflito, abençoado sentimento racional!
Não me acho apesar de meus olhos,
já não falo por falta de ar.
.
Meu Deus a porta fechou?
Oh, Tômas, o gelo queimou?
... Não ... sim ... Sim ... não ... N -----
.
Se a balança é o meu antro atual,
desequilíbrio é a lei,
e a lei é a exceção.
Do fundo do meu coração,
ou do meio de minha razão...
Não sei , só que nada sei.
Só sei se nada sei.
E é por isso que daqui em diante
o conflito , é constante.
Na “arena da existência cotidiana”,
a neblina baixou,
atiçando os cachorros
que ladram mas não mordem.
.
Será???
.
(Poema baseado no filme DOGVILLE de Lars Von Trier)
.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Interessante!!!

.
Tomás de Aquino
.
1a. via - Primeiro Motor Imóvel
.
Tudo o que se move é movido por alguém, é impossível uma cadeia infinita de motores provocando o movimento dos movidos, pois do contrário nunca se chegaria ao movimento presente, logo há que ter um primeiro motor que deu início ao movimento existente e que por ninguém foi movido.
.
2a. via - Causa Primeira
.
Decorre da relação "causa-e-efeito" que se observa nas coisas criadas. É necessário que haja uma causa primeira que por ninguém tenha sido causada, pois a todo efeito é atribuída uma causa, do contrário não haveria nenhum efeito pois cada causa pediria uma outra numa sequência infinita.
.
3a. via - Ser Necessário
.
Existem seres que podem ser ou não ser (contingentes), mas nem todos os seres podem ser desnecessários se não o mundo não existiria, logo é preciso que haja um ser que fundamente a existência dos seres contingentes e que não tenha a sua existência fundada em nenhum outro ser.
.
4a. via - Ser Perfeito
.
Verifica-se que há graus de perfeição nos seres, uns são mais perfeitos que outros, qualquer graduação pressupõe uma parâmetro máximo, logo deve existir um ser que tenha este padrão máximo de perfeição e que é a Causa da Perfeição dos demais seres.
.
5a. via - Inteligência Ordenadora
.
Existe uma ordem no universo que é facilmente verificada, ora toda ordem é fruto de uma inteligência, não se chega à ordem pelo acaso e nem pelo caos, logo há um ser inteligente que dispôs o universo na forma ordenada.
.

De tempos em tempos

.
O que havia nas eras passadas que não existe mais?!
.
Um sorriso tranqüilo do artista medíocre
Que esvaiu-se em milhares de migalhas instáveis?!
.
Minguantes quimeras de um senil indigente
Que desvalido de gente deixou-se ceder?!
.
Olhares esparsos de luz e ventania sutil
Entoando melodias no entra e sai dos ares?!
.
O que havia nas eras passadas que não existe mais?!
.
Uma vontade de espaço que por mais residente
Não encontra reflexo possível na longa despedida?!
.
Um andar sereno de aspecto intransigente
Que sufocou-se sem necessidade num vazio agônico?!
.
Brincadeiras criativas de criaturas criadoras
Desprovidas de maldade e resultantes catástrofes?!
.
O que havia nas eras passadas que não existe mais?!
.
O que havia de haver e não pode mais existir?!
.

Poema semblante

.
Deito em meu leito
Levanto meu espanto
Sacrilégio meus ouvidos
Para perceber o som das horas
Que se passam em minha memória
.
O além do dia
O além da noite
O além da memória
.
Badalam colcheias vividas
Ressoam pausas sentidas
Vejo a clave da manhã de hoje despontando no céu
Os sustenidos dos passos nas ruas
Uma fermata feito almoço com amigos
Um sibilar de acontecimentos em Sol maior
.
Os minúsculos plantados
Repasso todos
Pergunto todos
Danço ao som de uma lembrança
Silenciosamente rítmica
.
Percorro cômodos vazios
Estradas entrecortadas escuras
Minha casa dorme como quem me quer aqui com ela
.
Faço vigorar em meu peito
O escárnio hereditário da disciplina contrária
Da corrupção dos momentos
Da extensão máxima do mínimo vivente
.
Não durmo cedo
Não durmo cedo
Não durmo cedo
.
Nunca!!!
.

Poema reverso (A morte do poema, em cena)

.
Na verdade
Toda poesia é uma sensação
.
Sensação
Que se traduz enquanto se mantém
.
Sensação
Que se mantém enquanto se traduz
.
A poesia é um mínimo ponto de exercício
Na realidade vívida de seu autor
.
É um vice-versa constante
Um vice-versa verso
Um vira verso reverso
A poesia é o reverso do verso
O verso contrário
O anti-verso
.
O antes de virar verso
.
A poesia habita somente
O limiar agora da pena que toca o papel
.
Só ali ela vigora pra nunca mais
.
A poesia é a palavra em potencial
A latência mão-dupla
O exercício de registrar
É a existência enovelando-se
.
A poesia só existe enquanto se escreve
Só há enquanto houver verbo
E o verbo é a sensação escrevente
O verbo é o exercício de desleixar
Deslexicar-se conscientemente
O vigorar do entorno decrescente
.
A pulsação em declínio
A entrega do fascínio
Todo poeta é um extermínio
.
Martírio convicto diminuto
Autoflagelação voluntária
.
A poesia é o silêncio em aproximação
É o silêncio espremendo a expressão
É o vazio expressando criação
.
O esquecimento do homem prolixo
Existência deixando de existir
O rastro do assassinato literário
Uma linha de pólvora limítrofe
Alvorada doentia esfumaçada
.
A poesia é um devir que se caça
.
Se caça e caçador siameses
No carrossel inteiriço de mim
Feito roleta russa solitária
.
O ato-poema exige respeito
Conforme forma seu leito
Seu leito de morte
Seu leito se mostre
Seu deito se deito em
.
Seu dente mostrado
Seu ventre exposto
No enterro do branco caixão
A celulose do campo derradeiro
.
A folha é um cemitério de idéias
.
A poesia é o suicídio vital
O envenenamento vitalício
Das estranhas exprimíveis
Uma injeção pervertida
Que no papel se aplica
.
A poesia só existe
Enquanto potencial poético
Resguardado no tempo
De ainda vir a ser
.
Escrevê-la é um erro fatal!!!
.
.
.
.
p.s: e assim mato mais um canto poético de mim...
.

Lista de livros que já li

.
No texto-resenha que fiz sobre o livro “Grande Sertão: Veredas” para o Senhor Laranja, jornal do Centro Acadêmico da ESPM, eu disse:
.
“Todo livro que eu leio eu escrevo alguma coisa sobre ele”. 12/05/06
.
Isso não era verdade, nem na época e nem depois disso ter sido dito.
.
Vi que falhei após escrever essa frase, já que nem tudo que li, passado o 12 de maio de 2006, foi resenhado.
.
Pensando mais um pouco, vi que poderia fazer cumprir isso, não só para depois, como também para além (antes) da data acima.
.
E foi então que fiz um levantamento de todos os livros que li, antes do intercâmbio, no intercâmbio e depois do intercâmbio, chegando até hoje em dia.
.
Fui me empolgando e lembrando de livros muito antigos, de quando eu tinha 8 anos e etc.
.
Criei até uma lista...
.
Depois disso, selecionei aqueles que valiam a pena serem resenhados, mas que não haviam sido, e me pus a escrever.
.
As resenhas vão ficar prontas aos poucos. Isso vai demorar um tempinho...
.
Logicamente que não me lembro de todos, mas uma boa parte deles está aqui. Principalmente os mais recentes, ou seja, aqueles que li de 2002 em diante, ano do meu intercâmbio.
.
São eles:
.
Antes do intercâmbio:
.
- Na primeira série, quando eu tinha 7 anos, teve uma festa do livro na Escola Estadual Felipe dos Santos e eu ganhei um livro que era 2 em 1, mas não me lembro o nome dele. Acho que esse foi o primeiro livro que eu li sozinho. Antes disso, eu ainda estava aprendendo a ler.
.
- Na segunda série, quando eu tinha 8 anos, o primeiro livro do ano que faria parte de uma ficha de leitura, se chamava:
.
1. A botija de ouro – Joel Rufino dos Santos (Simples e bonitinho. Contava a história de uma escrava faminta que começou a comer a parede da senzala e achou uma botija que, ao ser esfregada, fazia brotar moedas de ouro. O dono da fazenda, ou o capataz (não me lembro) pega a botija pra ele e esfrega gananciosamente. Isso faz com que as moedas pesem e afundem o homem no solo (acho que juntamente com sua casa), libertando os escravos)
2. Diário de classe – Bartolomeu Campos Queirós (poesias para crianças)
3. O filho das estrelas – Wilson Rocha (um menino que viajou numa espaço-nave, ou coisa assim)
4. Falando pelos cotovelos – Lúcia Pimentel Góes (um menino que fica imaginando coisas, tipo “O fantástico mundo de Bob”.
5. A Vassoura da Bruxa – Rosana Rios (a vassoura de uma bruxa estraga e ela tem que pedir pra uma fada consertar).
6. Vinda com a Neve – Odette de Barros Mott (uma história meio oriental de uma menina muito branca e etc).
7. O dicionário de Serafina – Cristina Porto (Uma menina faz um dicionário com palavras bonitas, tentando achar o significado de diversas delas).
8. Laurinha vai pro hospital – Jane Curruth (tenho esse livro desde quando eu ainda nem sabia ler)
9. O dentinho malcriado – Jane Carruth (um esquilinho fica com dor de dente)
10. Casa de vó – Guiomar de Paiva Brandão (fala de coisas de uma casa de vó, como bolo, o cheirinho da vó e etc).
11. O monstrinho medonhento – Mário Lago (história de um monstrinho que não sabe ser mau)
12. A menina da garrafa verde – Doris Beling Quintella (uma menina encontra uma garrafa e dentro dela tem outra menina)
13. Mikai Kaká – Hildebrando Pontes Neto (uma história indígena).
14. Dona Vassoura – Guiomar de Paiva Brandão (uma vassoura falando das coisas que tem que passar).
15. Juca das rosas – Lúcia Miners (um menino da favela que ajuda a mãe a levar e trazer trouxas de roupa).
16. O pássaro-da-chuva – Monique Bermond (um menino prende um pássaro e daí a aldeia dele passa por uma seca, até que ele solta o animal e volta chover).
17. O gato de botas
18. O teatro de sombras de Ofélia – Michael Ende (Lindo livro de uma senhora que adota sombras e ensina teatro a ela. Então eles saem representando grandes comédias e dramas em aldeias e cidades).
19. O rei bigodeira e sua banheira – Audrey Wood (um rei não quer sair de sua banheira e faz todos do castelo ir lá pra dentro).
.
Não sei se todos estes livros foram deste ano, mas, pelo menos são os mais infantis que eu já li. O último livro de 1992, foi:
.
20. O Menino de Olho D'Água - José Paulo Paes e Rubens Matuck (Um livro lindíssimo!! Com ilustrações maravilhosas, comentários do ilustrador e ensinamentos entre um velho e um menino). Um livro ganhador de muitos prêmios. (Será resenhado por ser muito bonito!)
.
No meio desses tiveram alguns que eu não consigo lembrar...
.
.
- Na Terceira, Quarta e Quinta séries, minha fase CDF, li diveeersos livros, mas também não me lembro de todos. Lembro que lia muito nessa época. Lia 2 vezes cada livro antes da ficha de leitura. Ficava lendo até tarde... Foi uma fase muito rica!!!
.
Segue uma lista com alguns livros dessa época:
.
21. Caça ao tesouro, Uma viagem ecológica – Liliana Iacocca e Michele Iacocca
22. Viajantes do Infinito – Flávia Muniz (Livro que dá nome a esse blog, porque foi o primeiro livro que me marcou e também porque o título era sugestivo para o projeto de blog que eu tinha na época que criei esse “canto em que a hora e a vez do canto se fez). (Será resenhado)
23. A ilha perdida – Não sei quem é o autor (Adorei esse livro! Conta aventuras numa ilha deserta no meio do rio Paraíba)
24. O mistério do 5 estrelas – Marcos Rey (História de mistério – assassinato talvez - num hotel chique e a investigação feita por um mordomo)
25. Histórias da Carochinha – Não sei o autor (Coleção de contos. Fiquei com medo do Barba Ruiva!!!)
26. O livro dos porquês – não sei o autor (Era uma tradução de um livro em italiano com perguntas feitas por crianças daquele país e respondidas por 2 jornalistas que selecionavam as mais interessantes e publicavam)
27. As sete faces da fábula – (Um livro meio chato. Primeiro é contada uma fábula, depois um autor desenvolve uma história que tenha a mesma moral da fábula que ele se baseou. Os autores - Fernanda Portela, Luiz Maria Veiga, Marcia Kupstas, Orlando Bastos, Paulo Sampaio, Ricardo Soares, Wagner Costa / As fábulas - "Os pés do pavão", "O gato e o macaco", "A águia e a coruja", "O lobo velho", "O cão e o lobo", "A raposa e as uvas" e "Os ratos e o sino do gato")
28. A Turma da Rua Quinze - Marçar Aquino (Investigação feita por uma turma de rua)
29. Garra de Campeão - Marcos Rey (Histórias de um rapaz que corria de moto e disputava o amor de uma mulher. Tinha um vilão, umas disputas com trapaças)
30. O Outro Lado da Ilha - José Maviael Monteiro (Pessoas vão para uma ilha que possui um lado desconhecido. Eles querem de qualquer maneira chegar até lá. Estudam o terreno e explodem uma pedra pra abrir um buraco para “o outro lado da ilha”. Depois disso, estranhos acontecimentos os ameaçam)
31. Pai sem terno e gravata – Cristina Agostinho (acho que o pai do menino perde o emprego e reaprende a viver).
32. O diário de Marisa – Maria Alice do Nascimento e Silva Leuzinger (descobertas de uma adolescente)
33. O diário de Marcos Vinícius - Maria Alice do Nascimento e Silva Leuzinger (descobertas de um adolescente)
34. É proibido miar – Pedro Bandeira (um cachorro que era meio gato)
35. Contos, mitos e lendas para crianças da América Latina (um livro de contos, mitos e lendas para crianças da América Latina. Afinal, com título tão grande como este, nem é necessário resenha ou comentário).
36. A reforma da natureza – Monteiro Lobato (algum personagem do sítio do Pica-pau amarelo resolve reformas árvores e animais).
37. Invasão de pensamento – Alina Perlman (uma menina que pensava demais).
38. O outro lado da história – Rosana Rios (uma inversão de contos de fadas).
39. A infância acabou – Renato Tapajós (passagens que levam um garoto a deixar de ser criança).
40. Sun and Light – Alair Alves de Carvalho (histórias em quadrinhos em inglês).
41. Em busca do templo perdido – Susannah Leigh (que de enigmas que devem ser decifrados pra poder chegar até o fim da história).
42. Flicts – Ziraldo (história das cores e de uma que fica meio esquecida).
43. Tantas histórias tem o tempo – Lino de Albergaria (mitos e fábulas de povos primitivos)
44. A bomba e o general – Umberto Eco e Eugenio Carmi (livro que fala do átomo que não queria fazer parte da bomba atômica).
45. Além do rio – Ziraldo (história do rio Amazonas).
46. Momento mágico – Guiomar de Paiva Brandão (fala de uma flor e de um beija-flor na ventania e insetos e coisas do tipo)
47. A constituição para crianças – Liliana Iacocca e Michelle Iacocca (fala dos direitos das crianças).
48. Poemas para brincar – José Paulo Paes (poemas bem humorados).
49. As viagens de Gulliver – adap: Cláudia Lopes
50. Uma professora muito maluquinha – Ziraldo (uma professora que fazia seus alunos gostarem de ler)
51. O menino maluquinho – Ziraldo (clássico)
52. A Grécia, mitos e lendas – Alain Quesnel, Jean Torton, trad: Ana Maria Machado (mitologia grega)
.
Têm muitos outros além desses, mas não consigo lembrar de jeito nenhum.
.
.
- Depois, na Sexta, Sétima, Oitava, Primeiro, Segundo e Terceiro colegial, eu tive uma fase de ler menos. Eu lembro que eu gostava de ler, mas não tinha disciplina pra isso.
.
Os livros dessa fase, são:
.
53. Os noturnos – Flávia Muniz (Tinha uns vampiros e umas cenas sensuais)
54. O último mamífero do Martinelli – Marcos Rey (É o caso de um cara explorando um hotel abandonado, as coisas que ele acha, o mundo que ele cria. Acredito que seja um refugiado da ditadura militar que, um belo dia, sai e vê as diretas já passando e coisas do tipo)
55. David Copperfield – Charles Dickens (Biografia de um rapaz que se torna escritor. Talvez seja o alter-ego de Charles Dickens. Lembro que ele sofria demais no início da vida, mas depois se ajeitava. Gostei muito!)
56. Romeu e Julieta – William Shakespeare (Adaptação: Isabel de Lorenzo) (Me comoveu as declarações de amor)
57. A maldição do tesouro do faraó – Sérci Bardari (Tinha ligação com Tutancâmon, uma maldição e um museu)
58. Um rosto no computador – Marcos Rey (Acho que era história de rackers – ou simplesmente um rosto na tela - e um paralítico que o vencia)
59. O noviço e Juiz de Paz na Roça – Martins pena (Adaptação: Martins Pena) (Livro em forma de peça de teatro)
60. Cyrano de Bergerac – Edmond Rostand (Rubem Braga) (Um esgrimista francês que era feio, narigudo, mais era o melhor de todos com a espada. O fim do livro é ele velho e acabado, mas ainda bom lutador e respeitado por todos)
61. Sexualidade, um bate papo com o psicólogo – Ênio Brito Pinto (Livro em forma de conversa, muito gostoso de ler)
62. Sonho de uma noite de verão – William Shakespeare (Adaptação: Ana Maria Machado) (Uma fantasia total numa floresta e seres imaginários)
63. O grande mentecapto – Fernando Sabino (Viagens de um doido por terras brasileiras. Lembro-me de uma cena muito linda que se passa em Congonhas do Campo, junto aos profetas de Aleijadinho, onde o Mentecapto tem visões e coisas do tipo, tudo muito bem escrito)
64. Para gostar de ler I – Crônicas de autores famosos
65. Para gostar de ler II – Crônicas de autores famosos
66. Para gostar de ler V – Crônicas de autores famosos
67. Brás, Bexiga e Barra Funda – Alcântara Machado (histórias paulistanas).
68. Auto da barca do Inferno – Gil Vicente (embate entre anjos e demônios).
.
Não me lembro de muitos outros livros dessa fase. E também não vou colocar livros de escola nessa lista.
.
No terceiro ano, lembro que li e escandiei, junto com um amigo, TODOS os poemas do livro:
.
69. Espumas Flutuantes – Castro Alves (Lindíssimo! Um super poeta que tivemos. Versos metrificados, rimas bem feitas, vocabulário vasto. Adorei!)
.
No intercâmbio (2002): (A partir desse ponto, todos os livro serão resenhados)
.
Voltei a ter disciplina pra ler, por isso essa fase está colocada como uma zona de separação. Procurei comprar uns livros, pegar com conhecidos e etc. Foi ótimo!!!
.
Os livros principais dessa fase, são:
.
70. Conto da ilha desconhecida – José Saramago
71. O banqueiro anarquista – Fernando Pessoa
72. Baía dos Tigres – Pedro Rosa Mendes
73. Death Poets Society – N. H. Kleinbaum (O único livro em inglês que li inteiro)
74. Diário Noturno – Gabriel, o pensador
.
Tem outros menores que eu não lembro, uns livros pequenos em alemão, coisas do tipo.
.
Depois do intercâmbio:
.
75. Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez (tem um texto falando coisas vagas)
76. Ensaio sobre a cegueira – José Saramago (só tem uma poesia sobre ele)
77. Fausto I - Goethe
78. Amar, verbo intransitivo – Mario de Andrade
79. Terras do sem fim – Jorge Amado
80. Intermitências da morte – José Saramago
81. Evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago
82. Primeiras estórias – João Guimarães Rosa
83. A grande arte – Rubem Fonseca
.
Talvez existam outros livros, mas eu não me lembro. Se estiver faltando, será um, no máximo dois...
.
Livros já resenhados:
.
Acho que o primeiro livro resenhado desse blog é:
.
84. A hora a estrela – Clarice Lispector. O título dessa resenha, na verdade, é: Macabéia...
.
Antes dele, escrevi coisas baseadas em livros, mas nada que pudesse ser chamado de “Resenha ou quase”.
.
Outros já resenhados:
.
85. Grande Sertão: Veredas – João Guimarães Rosa (primeira vez que eu procurei ir fundo numa resenha)
86. Perto do coração selvagem – Clarice Lispector (na minha opinião, é uma das melhores resenhas desse blog)
87. Manuelzão e Miguilim – João Guimarães Rosa
88. Vidas secas e Angústia – Graciliano Ramos (Estão juntas)
89. A maçã no escuro – Clarice Lispector
90. Dom Casmurro – Machado de Assis
91. Livro com os contos: “A cartomante”, “Uns braços”, “Conto de escola”, “O alienista”, “O espelho”, “Um homem célebre” e “A causa secreta” – Machado de Assis (Há uma resenha comparando ele com Guimarães Rosa, falando um pouco de Primeiras estórias)
92. Heloísa – Benita Carneiro
93. Pipas e Porões – Dilza Pino Nilo
94. O processo – Franz Kafka
95. A viagem do elefante – José Saramago
96. O filho Eterno – Cristóvão Tezza
97. Sagarana – João Guimarães Rosa
98. Dom Quixote – Miguel de Cervantes Saavedra
99. A metamorfose – Franz Kafka
100. Mensagem – Fernando Pessoa
101. Memorial do Convento – José Saramago
102. Bendições – Max de Figueiredo Portes
103. Madame Bovary – Gustave Flauber
104. A Fábrica – Danilo Ferraz
105. O assassinato e outras histórias – Anton Tchekhov
106. O coração das trevas – Joseph Conrad
107. Caim – José Saramago
108. Contos de amor, de loucura e de morte – Horacio Quiroga
109. Cândido ou O Otimismo – Voltaire
110. Os sofrimentos do jovem Werther – J. W. Goethe
111. Outra volta no parafuso – Henry James
.
São 17 resenhas que ainda precisam ser feita!!!
.
Não vou colocar prazo pra terminar isso e, se lembrar de outros livros, acrescentarei aqui.
.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Post 767 - Boing Blogger

A dor AÇÃO
.
Fui ver esta peça no Sátyros I, domingo, dia 12, às 21 horas.
.
Não achei informações no site da companhia para colocar aqui no blog. Li, em outro lugar, que a direção é de: Fabio Penna.
.
.
Achei a peça curta demais. Quando comecei a entrar no clima, já estava acabando, e acredito que não aconteceu só comigo. Prova disso, foi a impressão, muito clara, de que as palmas foram puxadas pelos atores.
.
Como disse um colega, é meio vazia de conteúdo. Unicamente apelativa, com cenas de pessoas nuas, chicotadas, velas no corpo, uma atriz coloca agulhas na carne (a parte mais impressionante!), mas ficou faltando o que viria depois do choque, depois de colocar o espectador contra a parede.
.
O que se coloca enquanto nos colocam contra a parede?!
.
Ou seja, restou um clima de: “E daí?!... Por que tudo isso?”
.
Ou melhor: “Coitada da moça que se picou!!!”
.
Entendo que o objetivo possa ser simplesmente causar incômodo, dizer pequenos textos com frases sobre a podridão humana, e tentar gerar, dentro do ouvinte, alguma identificação com tudo aquilo, desvelando instintos e perversões que desconhecíamos em nós.
.
Mas faltou peso!!!
.
Se um intuito arrojado não é cumprido, a decepção tende a ser maior!!!
.
Já vi os “100 dias de Sodoma” que tinha uma pegada parecida, mas possuía mais densidade nas figuras do elenco, indo assim, mais além. Já essa, não poderia ter parado onde parou.
.
Acho que a reclamação que levantei aqui, a respeito dela ser curta, tem a ver com isso e não com a duração em si. A impressão de ser curta tem pouco, ou nada a ver com o fato dela ter menos de uma hora. A peça poderia ter os minutos que teve e ser completa, deixando, ao término, uma sensação de fechamento.
.
Enfim...
.
Nas artes, por mais que se desconstrua, que se queira chocar, destruir, depravar, rearranjar, banalizar, esgarçar, distorcer, denunciar, deturpar, escrachar, delatar, refazer, desnaturar, inverter, contrariar, desvirtuar, instaurar, reimaginar, desmoronar, corromper, repavimentar, acusar, perverter, reciclar, acoimar, adulterar, apontar, culpar, fuder, entre outras coisas semelhantes, alguns elementos são imprescindíveis, milenares!!!
.
Ela ser curta tem a ver com texto, direção e atuação, imprescindíveis para um teatro com T maiúsculo.
.
Infelizmente, faltou tudo isso.
.
.
Pronto, falei!!!
.


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Doutor Fausto



.
Depois de um tempo lendo livros um pouco menores, resolvi começar “Doutor Fausto” do “Thomas Mann”. É um tijolo de mais de 700 páginas. Li umas 30, até agora. Estou achando bem interessante! Vai demorar pra acabar, mas não tenho pressa...
.
Aí vai um trecho:
.
“Eu gostaria de saber com que olhos teriam então observado àquele homem de Wittenberg que, segundo nos contava Jonathan, ideara, uns cento e tantos anos atrás, o experimento da música visível, que nos era às vezes apresentado. Entre os poucos aparelhos de física de que dispunha o pai e Adrian, existia uma chapa de vidro redonda, que adejava livremente e só no centro repousava num pino. Nela se reproduzia o referido milagre. Pois a chapa estava polvilhada de areia fina, e Jonathan a fazia vibrar, tocando-a de cima para baixo com um velho arco de violoncelo. Em virtude dessas oscilações, a areia deslocava-se e coordenava-se em figuras e arabescos assombrosamente precisos e variados. Essa visão da acústica, na qual se uniam atraentemente clareza e mistério, a lei e o pródigo, muito agradava a nós, os meninos; mas era também para alegrar o executante do experimento que amiudadamente lhe pedíamos que o repetisse.” Doutor Fausto – Thomas Mann
.


terça-feira, 30 de novembro de 2010

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

.
O último filme de Wood Allen, até agora.
.
Leve, despretensioso, um elenco muito bom (uns melhores do que outros, obviamente!), piadas gostosas de ouvir, um roteiro se solução final, nos remetendo de volta à vida.
.
Há uma cena feita em uma única tomada que acho que dura quase 10 minutos. Adorei! A câmera vai, volta, aproxima de um, abre pra dar passagem pra outro e assim vai por bastante tempo. Não sei bem exatamente quanto foi, mas me impressionou. Isso acontece por mais de uma vez e consegue nos aproximar bastante do clima do set de filmagem.
.
Há um pouco de crítica social, crítica ao quanto o ser-humano pode se envolver e se enganar, além de outras críticas mais passageiras, tudo leve e divertido!
.
Gostei!
.

XxXxXx


.
Ali-há-dois
.
Aliados
.



O cérebro

.
A estrutura cerebral é uma metalinguagem do pensamento.
.
É a base física de apoio e representação "visível" da natureza pensante.
.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vegetação rasteira anaeróbica: o poema


.
I (sufoco)
.
Num esforço épico de auto-expressão
De tentativa de ser o que sou
Eu esgarço desopilar
O que há de irretratável em mim
.
Mastigando aquilo que já pensava digerido
Remoendo as entranhas das tentativas
Que agora sei, fracassadas
Eu perdôo-me
Tento-me
Desesperadamente
Perdôo-me meus erros
E auxilio recausá-los
Para poder
Diferentemente
Convivê-los
.
A convivência incisiva de uma insistência solitária
.
Teimosia solidária!
.
Assim faço neste instante de fim de ciclo
Fim de ano
Fim de ponto
Ponto final
.
Fugindo às fugas e seus opostos
Fugindo aos meios e seus escapes centrifugo-desesperáveis
Fingindo não fugir fingido
Desmistifico
Qualquer possibilidade de categorização
Causaria-me recalques de culpa
Semblantes de subordinação
.
O mais longínquo horizonte é asfaltado!
.
Um simples sorriso sem vontade ou voltagem
Já seria suficientemente repugnante
Ao mínimo contraído deste ser-enclaustro
O asco incauto de ter me concedido erro tal
.
II (respiro)
.
Invasivo infinito insígnico intolerável instável insosso inconcluso incrustado inspirado
.
Externo estético exímio escolha estrutura espuma escarro estrada expiração
.
III (suspiro)
.
O próprio da tolerância
O campo aberto da paz
Me traz
Como que por vocação
Missão
À minha auto-concepção interna
.
Um ciclo desprovido de vontades
Um circuito fechado dominante
Uma lei inquebrável de exaustão
O trajeto mínimo dos dias
O colapso programado do sorriso
O soturno vicioso do mínimo-ser
O escondido recôndito que nunca quisera
.
IV (teimoso)
.
Almas e mais almas inquietas
Requebram ao som
Das mais descartáveis músicas
Enquanto isso
.
Eu observo a predominância
Das miniaturas que brotam do concreto
E ejaculam suas secreções por entre as classes
Os níveis escolares das besteiras
.
Eis o porquê de meus poemas!!!
.
São as ervas daninhas que vociferam
Estridentes tentativas de expressão vencida
A raiz contrária dos parasitas sem genética
O defeito estanque uterinamente trazido
.
Eis a definição dos meus poemas!!!
.
A má formação formidável da esmola em potencial
O real não modelável desta vã sabatina satânica
O um real imprestável de outro sujeito sujo
A vegetação rasteira anaeróbica que prolifera nos não-lugares
.
Eis para onde vão meus poemas!!!
.
Adeus-me!!!
.



Outra volta no parafuso – Henry James



.
Livro que promete demais, mas não cumpre!
.
No início é dito que será contada a história mais assustadora que um determinado personagem havia ouvido. Então, após esperarem trazer o manuscrito, dá-se início a leitura, em torno do fogo.
.
Mas não é legal! É chata!
.
A personagem principal tira conclusões estranhas dos fatos, conclusões que não me convenceram. As crianças presentes, que no início, eram exageradamente bondosas, depois se tornam estranhas, mas um estranho que não faz sentido dentro do que poderia ser estranho. Não faz sentido tamanho silêncio delas perante os acontecimentos do casarão e muito menos sentirem medo e não dizerem nada. Também não faz sentido o excesso de admiração que a babá tinha pelos 2 infantes.
.
Senti um desencaixe muito grande de idéias. Muitas coisas ficam abertas, sem explicação. Senti-me um pouco lendo Kafka! Aquela coisa de não saber se o autor teve a intenção de causar estranheza ou se simplesmente causa sem saber. Causa por ser, ele mesmo, estranho!
.
Não me cativou!
.
O ritmo narrativo não absorve o leitor e todo o sofrimento da personagem principal, a já referida babá, não convence. Não convence a determinação dela em vencer o acontecido, não convence os conflitos internos dela diante de uma situação que não tem nada de tão extraordinária e aprisionante assim. Até estão presentes elementos extraordinários, mas não faz sentido que ela tenha tanto temor pelas 2 crianças. São crianças apenas, por mais espertas que pareçam! Bastaria chegar até elas e perguntar abertamente sobre os acontecidos!
.
Vira um clima meio “crianças demoníacas”, sem, no entanto, causar medo algum!
.
O que dizem ser um ponto forte do autor, o alongamento do suspense, não é nada atrativo. Eu, pelo menos, não ficava com tanta vontade de saber quais eram as soluções para os pontos que ele havia deixado em aberto!
.
Outra coisa... Há um ligeiro excesso de idéias colocadas como apostos, enxertados. Exemplo:
.
- Eu vou, sim, até ali – senti-me demasiadamente heróica ao dizer isso – não preciso da tua opinião.
.
Não me agradou essas quebradas em que a própria personagem principal traçava comentários sobre a história que estava contando. Pareceu-me uma mulher pouco cativante!
.
Enfim, é só uma história estranha, chata!
.

domingo, 21 de novembro de 2010

Todo!!!

Todo homem se faz comum nas lágrimas

sábado, 20 de novembro de 2010

Consolou-me!!!

Faça


as


coisas


certas


por


gostar


da


beleza


e


não


por


medo


de


errar


e


ser


punido


!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu não vejo misericórdia em Deus!!!


.
Eu não vejo misericórdia em Deus.
.
Vejo somente um amórfico silêncio que empurra significações avulsas para que interpretemos ao gosto e capacidade de nossas criatividades. É sabedoria? Não... São apenas inverdades cristalizadas, temporárias, que duram o suficiente para serem substituídas por outras ignorâncias menores.
.
Eu não vejo misericórdia em Deus.
.
Vejo somente o não-ver, uma pluralidade medíocre de caminhos desconexos e caminhantes perplexos, perdidos, olhando para cima, imaginando uma grandiosidade que não faz questão nenhuma de aparecer e acalentar.
.
Eu não vejo misericórdia em Deus.
.
Não vejo docilidade nas coisas do céu. Para mim, é muito difícil ver alento naquele que nos olha de cima, ver brandura real naquele que, por tantas e tantas eras, nos fora apresentado como amálgama da vida.
.
Eu não sinto misericórdia em Deus.
.
Não sinto pelo tudo que passei, pelo tudo que senti e o muito que ainda sinto. Pelo que sei que passaram, pelo que sei que sentiram e pelo que sei que ainda sentem, pessoas próximas ou distantes.
.
Eu não ouço a misericórdia de Deus.
.
Só ouço a inquietude nascente de um silêncio brutal que enclausura uma ignorância dolorida. Dolorida e que por isso tentamos quebrar por invenções que nós mesmos temos que trabalhar, puxar raízes em possibilidades de vidas passadas, em palavras tortas que ouvimos e que insistem em nos calar.
.
Eu não ouço novidades sobre Deus.
.
Não sei porque carregamos tantas ignorâncias, porque desconhecemos tantas forças que agem sobre as multidões ou especificamente sobre cada um de nós. Não acredito que os pesos seriam aliviados caso soubéssemos, de relance, nossos carmas e coisas do tipo. Não consigo vislumbrar um porquê duradouro para o fato de ignorarmos, com tanta força, nossas vidas passadas. Na grande maioria dos casos, não nos chega nem um átomo daquilo que seria uma ponte importante para entendermos nossas dificuldades. Nada! Um silêncio mortal, estridente dentro de cada um. Por que é tão difícil atingir os critérios para receber algum esclarecimento desta natureza?
.
Eu não vejo misericórdia em Deus. Vejo uma tentativa de justiça, uma intenção de justiça.
.
A razão pode entortar tanto as coisas. Por que o livre-arbítrio não pode ser visto como simplesmente uma maneira do superior lavar suas mãos? Não me lembro de ter escolhido existir! Não me lembro de ter escolhido escolher!
.
Eu não consigo vislumbrar a misericórdia de Deus.
.
Nós somos os grandes heróis da existência. Não há nenhum herói maior a um ser, do que ele mesmo. O ser é sozinho, profundamente sozinho e, enquanto sozinho, pode ser chamado de Deus de seu próprio universo. Não há ninguém mais importante para uma pessoa do que ela mesma.
.
Existir não passa de eternas tentativas de ordenar o caos, o cosmos, atribuir leis de convívio nos mais diversos estágios, traçar procuras individuais de auto-transformação. Existir não passa de um tentativa de conquistar a adaptação de uma alma para adequar-se às silenciosas leis do útero da criação.
.
Como são silenciosas essas leis!
.
Eu não confabulo com esse silêncio vindo dos céus, com essa maneira de aparecimento pelas beiradas. Mas eles estão por aí - alguém poderia dizer! Mas, se pegarmos a realidade mais cabível ao encarnado, os contatos são muito espaçados, pontuais, sutis demais. Não entendo o porquê de tanta sutileza. Muitas hipóteses referentes à liberdade de crer ou não crer, livre-arbítrio e coisas do tipo, poderiam ser levantadas, mas, não poderiam ser elas apenas maneiras de se conformar com aquilo que se tem?! Não seria mais uma vez a criatividade humana agindo para apaziguar a realidade?!
.
São assuntos delicados!
.
Não sinto misericórdia em Deus!
.
Sinto que apenas se trata de um sistema de leis, imutáveis, e, porque não, leis criadas para estruturar o caos primitivo, leis que não servem à misericórdia, mas sim, à justiça das almas solitárias que buscam, pelo convívio com as outras, encerrar sua clausura, trabalhar os processos interiores que cabem somente a elas movimentar e assim se adaptarem aos padrões rigorosos de existência.
.
Isso não pode ser chamado de misericórdia. Isto é uma máquina de processamento de luz!
.
Por isso repito: não sinto misericórdia em Deus, sinto um silêncio profundo, e uma tentativa de justiça por parte daqueles que estão acima de nós.
.
Uma busca onde todos tateiam, às cegas, pelos caminhos, criados, também às cegas, por outros que vieram antes...
.
O caos é a ordem! E a ordem é o caos!
.
Assim é!!!
.


terça-feira, 16 de novembro de 2010

Rituais de Passagem

.
Deixe-me falar sobre uma coisa que me aconteceu no terceiro domingo de Agosto deste ano, dia 15. Sei que foi o terceiro porque aconteceu exatamente uma semana depois do segundo domingo daquele mês, data de comemoração do dia dos pais.
.
Neste dia, pela primeira vez, eu perdi uma pessoa que realmente era próxima de mim. Já perdi minha bisavó, que era muito chegada, mas, na época, eu tinha apenas 6 anos de idade e a noção de morte não me era tão clara. Lembro que chorei, senti sua falta, e até me aconteceu um episódio diferente no meio da noite de sua morte, quando acordei chorando, de repente, num horário próximo de seu óbito, mas, excluindo essas coisas, não foi uma morte tão presente.
.
O que não foi o caso, desta vez...
.
Já há 40 dias meu avô Menote Pinto de Sousa (na ocasião do registro de óbito, descobrimos que seu Sousa TAMBÉM não era com Z, como o de minha mãe, o meu, da minha tia e de meus primos, ao contrário do que pensávamos) estava muito mal, na UTI de São Lourenço, sobrevivendo somente devido à ajuda de aparelhos.
.
Na sexta-feira, dia 13 de agosto, uma entidade do centro de Umbanda que freqüento, havia me dito que ele já estava bem mais inclinado ao plano espiritual, que ao plano carnal e que entes queridos já o esperavam, o que indicava que ele desencarnaria em breve.
.
Mas realmente nós, da família, já estávamos bem apaziguados em relação à possibilidade disto acontecer.
.
No sábado, dia 14, fui a um festival de Jazz no Ibirapuera. Estava tomando umas cervejas com alguns amigos quando minha mãe me ligou e avisou que meu avô estava muito mal e que era bem provável que ele não resistisse. Fiquei alerta!
.
Nesta mesma semana, uns dias antes, minha mãe resolveu levar minha avó para visitá-lo na UTI, porque todos acreditávamos que ele estava somente esperando a visita de sua GRANDE companheira de uma vida toda, para poder ir embora. Minha avó, quando estava do lado dele, lhe disse que poderia ir e que tudo ficaria bem. Segundo minha prima, nessa ocasião ele balançou a cabeça, afirmativamente, como se, mesmo do fundo daquele coma aparente, ele tivesse ouvido e entendido o recado.
.
À partir daí ele começou a piorar totalmente, numa velocidade muito maior!
.
Mas mesmo com tudo isso, a notícia da morte é pesada. Mesmo com o todo o cenário que foi se montando ao longo dos 40 e poucos dias de internação, ouvir a notícia é um baque...
.
Voltando ao dia 14. Acabado o festival de Jazz, fui pra casa, deitei na cama e, perto das 11 e pouco da noite, meu celular tocou. Era minha mãe me dando a notícia de que meu avô Menote, o GRANDE Menote (quem o conhece sabe como ele era um grande homem), tinha morrido.
.
Eu ouvi, disse que iria pra Itanhandu logo cedo, no dia seguinte, desliguei o celular e chorei por alguns minutos. Mas choro sem dor, choro sem lamentação, nem revolta. Era só um choro de tristeza silenciosa.
.
Conversei um pouco mais com a pessoa que estava comigo e, depois de um tempo, dormimos...
.
No dia seguinte, logo cedo, toca meu telefone, era meu pai me avisando que um tio estava saindo pra Itanhandu em algumas horas. Ajeitei-me, e fui.
.
Lá chegando, fui direto pra casa, deixei minhas malas, e fui pra casa da minha avó. Ela estava lá, toda de preto, muito elegante, como sempre. Eu a abracei, falei pra ela ter força, abracei minha prima que estava com os olhos inchados e fui pro velório municipal.
.
Era, apesar de tudo, um dia lindo! Muito claro, um vento forte, um ligeiro friozinho e a cidade estava em festa. Era a abertura da exposição de gado do município. Achei aquilo bonito! O dia da morte do meu avô era um dia de festa, de alegria, afinal, ele sempre havia sido um homem que trazia alegria para todos. São apenas significações que nos passam pela cabeça e que ajudam a embelezar as passagens da vida.
.
O velório foi enchendo de gente, enchendo mais e mais. Empregados, que haviam trabalhado com meu avô no posto, choravam, familiares se abraçavam, amigos de pescaria, o próprio prefeito municipal, parentes distantes. Na rua os cavalos desfilavam, os carros de bois carregados de crianças rangiam longamente pela avenida principal. Ventava muito, levantando rodamoinhos no meio da rua.
.
Foi chegando a hora de ir para a missa e fechar o caixão.
.
Pode até parecer que não, mas estava um clima muito leve no velório. Uma calma pairava no ar. Um silêncio de respeito. Manifestações de carinho, abraços, beijos, muitas conversas, a cidade se esvaziando, após a passagem da comitiva, um clima de paz até que chegara a hora de partir.
.
O caixão foi fechado, houve choro e despedidas. Eu, meu primo Eric e minha mãe Heleni fizemos questão de carregá-lo até o carro que o levaria até a igreja. O carro partiu e nós o seguimos logo atrás. Fui de mãos dadas com minha mãe. Na minha cabeça passavam significados bonitos pra todo aquele ritual de passagem tão necessário e inevitável a todos nós.
.
A cidade em silêncio, só o vento se fazia ouvir. Uma claridade imensa, algumas portas semi-abertas daqueles comércios que abrem aos domingos. O cortejo em passos lentos. A ritualística da vida quando se encerra.
.
Chegada à igreja, eu e meu primo, novamente, fizemos questão de carregar o caixão até a frente do altar. Sentei-me do lado da Benita Carneiro, minha amiga e ouvi toda a missa com atenção. A igreja estava cheia. Devia ter umas 400 pessoas, ou mais, nos bancos. A maestrina do coral municipal, Marialva, e o Luiz Fernando, outro grande cantor da cidade, cantaram as músicas: Ave Maria e Canção da América. Até meu tio Zé Nilton, irmão do meu pai, cantou.
.
A Ave Maria foi maravilhosa, e soou no tempo exato para todas as pessoas que comungaram naquela ocasião.
.
Eu olhava sempre minha avó, minha mãe e minha tia. Ocupava-me em observar e pensar na beleza da vida que eles construíram juntos. Eu não ficava procurando pensar em coisas bonitas, significações belas para tudo aquilo. Eu simplesmente pensava. Era natural pra mim, naqueles instantes, pensar coisas bonitas. O que nem sempre acontece!
.
Depois da missa, ajudamos novamente, eu e meu primo, a carregar o caixão na saída da igreja. Saída foi um momento de extrema beleza que, mesmo a simples lembrança, já me emociona.
.
Era aquele entardecer sereno, o vento forte balançando as árvores, o dia claro que se encerraria em algumas horas. Era lindo! Todas as pessoas saindo em silêncio, o sol iluminando a igreja inteira pelos vitrais e também pelas portas principais, a praça vazia, as ruas se enchendo com as pessoas do cortejo.
.
Avistei minha professora de piano e lhe dei um abraço.
.
Segui para o cemitério. Uma fileira enorme de carros, as pessoas subindo a ladeira, estacionando os veículos. Cheguei até bem perto do túmulo e fiquei observando.
.
Eu sentia paz!
.
Permaneci abraçado com meu pai e minha mãe. A Gláucia, minha prima, minha tia Enedir e minha avô Cândida estavam juntas. O Eric permanecia próximo, junto da sua namorada.
.
O coveiro que é meu amigo e tem o apelido de Febre, um punk muito loko, mas de um coração imenso, nos olhava e só sabia repetir: É foda, né, Wagner!
.
Foi subindo a mureta, concretando a última visão do caixão. As pessoas foram saindo. Eu fui um dos últimos a sair. Já estava bem próximo de começar a anoitecer.
.
Desci a ladeira do cemitério, entrei no carro, em uma hora eu deveria voltar pra São Paulo, pois tinha um artigo para terminar e enviar por email até a meia noite do domingo, além de um outro trabalho que deveria ser terminado e entregue na segunda.
.
Fiquei pensando sobre a importância de viver esses rituais de passagem. Me lembro que não fui ao enterro do meu avô Chichico, pai do meu pai e isso me fez muita falta.
.
Parti para São Paulo com a certeza de ter feito minha parte que era velar o corpo do meu avô, levá-lo até a sepultura, estar junto com meus parentes e, principalmente, da minha avô, sua companheira de uma vida inteira.
.
Foi muito bonito! Se tivesse sido feio, dolorido, intragável, eu não teria escrito aqui.
.
Parecia-me que eu estava numa cena de um dos filmes do Fellini. Uma atmosfera meio Amarcord, comunidade interiorana, uma realidade banhada de arte, a ritualística da vida e da morte.
.
Pensei muito, durante aquelas horas, que não havia nada o que lamentar, pois temos a plena, PLENA convicção de que nada se acabou. Tudo terá uma continuidade em algum outro lugar. A história escrita por ele, Menote Pinto de Sousa, foi bela, extremamente bela. Passou-me pela cabeça que nós, seus parentes mais próximos, que ficamos aqui na Terra, devemos manter a honra do seu nome, continuar seguindo seu exemplo de vida, fazendo valer, respondendo e preservando sua imagem de homem.
.
Isso me fez chorar por algumas vezes durante aquelas horas. Chorei pela beleza da vida de um homem que tenho o orgulho e o privilégio de chamar de meu avô.
.
Não havia quem não gostasse dele.
.
Me lembro da última vez que ele foi cortar cabelo. Havia um menino, de uns 13 anos, sentado lá no barbeiro. Meu avô logo que chegou, sentou perto do garoto e começou a puxar assunto. O garoto não deu muita bola de início, mas meu avô não se intimidou. Continuo a fazer piadas e brincadeiras, até que ele foi se soltando, se soltando e, em 15 minutos, ele estava conquistado. Ao ir embora, o próprio rapazinho se adiantou em despedir e cumprimentar meu avô.
.
Agora, o mais comovente foram suas últimas palavras...
.
Umas semanas antes de ele morrer, eu, o Eric e a Gláucia (os 3 netos) fomos ao hospital para vê-lo. Nessa ocasião, ele já estava muito mal e estava meio sedado pra não sofrer com as dores causadas pelas feridas abdominais que ele tinha. Quando ele foi sair da UTI para entrar na sala de operações, a médica parou a maca, ele abriu os olhos, estava completamente debilitado, nem sei se ele tinha consciência de onde estava, de quem eram aquelas pessoas em volta dele, mas, MESMO ASSIM, ele virou, e disse uma coisa bonita, agradável e de bom humor. Nos elogiou dizendo que ali havia muitas pessoas bonitas. Não sei se sabia que éramos seus netos, não sei se tinha consciência do espaço, o que passou na cabeça dele, mas isso não importava. Tocou-me o fato de, mesmo antes de entrar numa mesa de cirurgia, estando completamente debilitado, ele disse uma coisa bonita, pura e que nos fez bem.
.
A última frase dele foi: “Nossa, quanta gente bonita!” Depois disso acho que ele nunca mais falou... Essa foi a última frase que ouvi dele, um elogio!!!
.
Lindo demaaaaais!!!
.
.


.
Os rituais de passagem
Deixar que o rio curta seu percurso
Indo além de onde podemos acompanhar
É a ritualística da vida
Os limites do espaço e do tempo
Os limites das fases que pertencemos
Somos sem fim e devemos assim crer
Um ciclo feito vida
O maior de todos os rituais
O homem enquanto templo de sua jornada
A alma enquanto resultado de si mesma
Ela que antes estabelecida dentro de um casulo
Fez-se mais e melhor
Foi capaz de tanto
Até que este casulo se desfaz
Descartável pelos momentos de crescimento
Desnecessário em pontos mais distantes
Dá-se a passagem
Saltos maiores são lançados
São os rituais de passagem
Os rituais de passagem
Rituais de passagem
De passagem
Passagem
.
Passou!!!
.
Mas aqui dentro sempre ficará!!!
.

Aniversário

.
Hoje Saramago faria 88 anos.
.

José e Pilar

.
Conta a história de amor de José de Sousa Saramago e de sua esposa Pilar Del Rio durante a escrita de seu penúltimo romance: A Viagem do Elefante.
.
Um filme que alterna momentos intimistas e outros de extrema agitação, mostrando a agenda lotada de compromissos de um senhor, acompanhado de sua mulher, bem como de uma senhora batalhadora acompanhada de seu marido.
.
Atmosferas meio paralelas são montadas em algumas partes, mostrando o casal em cenários diferentes, numa edição de imagem diferenciada, lançadas em palavras narradas por eles mesmos, o que me agradou bastante. Gosto desse clima meio “realismo fantástico”!
.
Reflexões sobre a vida, a morte, Deus, sua existência ou melhor, na opinião dele, (in)existência, são uma constante em torno da figura do escritor. Já Pilar fala sobre a força das mulheres, feminismo, a garra necessária para viver, a importância da razão vencendo as lágrimas, numa visão otimista da vida.
.
Saramago me parece um pouco pessimista. Não diria realista. Acho que ele se conformou com suas idéias de vida. Idéias duras que, naquela altura final, não o perturbavam, mas também não o acalentavam.
.
Sua figura é muito envolvente, muito simpática. Um senhor perspicaz, único Nobel da Língua Portuguesa, possuidor de um misto de placidez e inquietação constantes e que ele naturalmente exercia. Era possuidor de uma grande capacidade de falar de coisas existenciais de maneira muito simples e muito tocante. Suas palavras carregavam o peso de serem suas palavras.
.
Acredito que qualquer coisa, por mínima que ele dissesse, seria tocante!
.
Fazendo uma passagem geral sobre a película, há também relatos de muitas entrevistas concedidas tanto por um quanto por outro, é retratada a oficialização do casamento dos dois, ligeiras conversas sobre política, homenagens e mais homenagens ao escritor, o dia-a-dia de Pilar que era seu braço direito (e esquerdo), alguns percalços de saúde que atingiram Saramago, cenas de peças de teatro, exposições, autógrafos e mais autógrafos, óperas baseadas em sua obra, Saramago jogando paciência no computador.
.
É um documentário sobre a rotina de um casal ocupado.
.
Pilar era um pilar, não é difícil chegar a esse trocadilho! O autor precisava dela, sentia-se necessitado de sua proteção. Foi bonito ver essa troca. A todo tempo ela chamava por seu nome.
.
Na saída, diversas pessoas estavam chorando. Achei tocante!
.
Na última cena aparece Saramago, dizendo: “Pilar, te encontro em outro sítio”, ou alguma coisa assim. Sua feição ao dizer isso não estava muito boa. Acho que ele disse isso, um pouco, a sua revelia, mas posso ter tido uma falsa impressão.
.