É ruim, mas é bão!
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É bão, mas é ruim!
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Um meio termo inteirim!
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Esse poema é de 30/09/2003. Acho que escrevi no papel e depois passei pro word. Eu estava no primeiro semestre da faculdade e nem tinha o costume de escrever poesia no computador. Não sei porque nunca publiquei. Acho que por descuido mesmo. Não a percebia aqui e foi ficando... Ou às vezes via, mas não pensava em publicar. Mas agora vai!
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No começo era o nada
Espalhado pelos contos
Como humildes sonhos calados
A esperar pelo nascer
O nascer de um novo dia
Ao final tudo é presente
Salpicados pelos ares
São migalhas desses sonhos
Que voam sempre, sem parar
Em todo lado, em toda forma
Dançam livres, são sem donos
Andam vagos como o vento
Soam tímidos pelos momentos
E sensatos pelos que pensam
Ao centro era a semente
Desabrocha com a chuva
O aconchego da nova terra
Dorme logo ao clarear
Fecha os olhos que passaram
Abre os outros para frente
Vem crescendo em novas horas
Veja os frutos dos pulsares
São pulmões do novo mundo
Alimento aos vagos choros
Flores ternas de estações
Sonhos brotam dos olhares.
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Aliás, é uma poesia meio em conta gotas. Dá até pra fazer permuta entre os versos, tirar alguns, trocar de lugar outros. Acho que por isso não publiquei: ainda queria fazer uma permuta pra recriar. E foi isso que eu fiz agora. Peguei um e pulei outro, ajeitando, o mínimo possível, questões de concordância. Segue:
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No começo era o nada
Como humildes sonhos calados
O nascer de novos dias
Salpicados pelos ares
Que voam sempre, sem parar
Dançam livres, são sem donos
Soam tímidos pelos momentos
Ao centro era a semente
O aconchego da nova terra
Fecha os olhos que passaram
Vem crescendo em novas horas
São pulmões do novo mundo
Flores ternas de estações
Espalhadas pelos contos
A esperar pelo nascer
Ao final tudo é presente
São migalhas desses sonhos
Em todo lado, em toda forma
Andam vagos como o vento
E sensatos pelos que pensam
Desabrocha com a chuva
Dorme logo ao clarear
Abre os outros para frente
Veja os frutos dos pulsares
Alimento aos vagos choros
Sonhos brotam dos olhares.
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Agora pegando o primeiro, pulando 2 verso e indo assim até o fim, depois pegando o segundo verso, pula dois, pega mais um e assim por diante; e ainda depois, pegando o terceiro e fazendo a mesma coisa.
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No começo era o nada
A esperar pelo nascer
Salpicado pelos ares
Em todo lado, em toda forma
Soam tímidos pelos momentos
Desabrocha com a chuva
Fecha os olhos que passaram
Veja os frutos dos pulsares
Flores ternas de estações
Espalhado pelos contos
O nascer de um novo dia
São migalhas desses sonhos
Dançam livres, são sem donos
E sensatos pelos que pensam
O aconchego da nova terra
Abre os outros para frente
São pulmões do novo mundo
Sonhos brotam dos olhares
Como humildes sonhos calados
Ao final tudo é presente
E voam sempre, sem parar
Andam vagos como o vento
Ao centro era a semente
Dorme logo ao clarear
Vem crescendo em novas horas
Alimento aos vagos choros
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Wagner Passos de Sousa Pinto.
30/09/2003 - terça-feira
1:50 da manhã em São Paulo
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Permutas feitas em 24/12/2010, às 00:10 em São Paulo.
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Há outras maneiras de fazer, mas daí vai que vai! Nascente dos sonhos que continua brotando. É só escolher a sequência!!!
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Continuando as poesias antigas que não foram publicadas, aí vai mais uma. Bem horrível! Acho que não publiquei, na época (04/03/2006) por ser muito feia!!! Mas agora vai!
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Luxo-Úria (EGO)
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Eu não sei como eu cheguei até aqui
Eu sei que eu cheguei até aqui
E aqui não é nada de mais
Nem nada de menos
São apenas regos e cus vorazes
Chanas, checas, pintos, bocas
Seios, peitos, tórax, mamilos
Mamíferos, apenas mamíferos
Espécies iguais que nascem, crescem
Reproduzem e morrem.
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O que eles mais fazem é a reprodução
Filhos, ninhadas, pencas de rencas
De filhotinhos chamados prazer
Sou tudo, sou antro de desejo
Que me invade, que eu invado outros tantos
Mas sou blasé acima de tudo
Sou blasé em relação ao que há de mais instintivos no ser que somos
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Sou máquina de vem-e-vai
E vem e sai, esporra, mela
Cospe, mija
Cascata dourada ou
Cascata marrom-sangue, hemorróidas
Bosta, o caviar brasileiro
De tudo
Sou tudo e mais um pouco
Não me importo, não me tenho, tenho todos vocês em mim
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Sem auto-estima
Sem nome, sem o que seja que quiseres
Me alimento, me ergo, me nomeio no teu olhar
Sou de tudo, já disse
O que me faz seguir em frente
É a possibilidade de rir
Gargalhar dos teus desejos
Vomitar depois de teus beijos
E saber-me mais, muito mais
Por ser tudo naquilo que você teme ser nada
E que por isso me paga caro
Pra poder acreditar no fundo do fingimento dos meus olhos
Quando digo que foi bom
Só pra receber seu sorriso burguês de 200 reais.
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Há muito tempo atrás fiz uma poesia por encomenda pra uma mulher que gostava da Xena. Nunca veio aqui pro blog, mas agora vai. Fica então uma homenagem às lésbicas... Notem que no final, deixei um recado velado pra moça que, na época, era meio recatada!
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XENA – a mulher, a lenda... (12/10/2006)
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Wagner Passos de Sousa Pinto
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Guerreira respeitada pelas forças deste mundo,
Mulher de integridade e dureza no lutar,
Senhora dos poderes que dos deuses são fecundos,
Pois vêm de um céu divino renascente em além-mar.
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Seus olhos são turquesas de doçuras e encantos
Que olham seus amores, seus andores, seu remanso;
E dançando bem faceira na fogueira em noite escura,
Libera seus desejos libertários de amargura.
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Xena, a rainha das rainhas desta gente,
Mulher, a beleza da beleza mui valente,
Selvagem, a destreza de um golpe de repente.
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Por isso, sonho que num sonho ela vem ao meu encontro,
E então, ponho os meus punhos a clamar o teu confronto
Que enfim, travo na paixão que em mim me amedronto.
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A dor AÇÃO
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Fui ver esta peça no Sátyros I, domingo, dia 12, às 21 horas.
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Não achei informações no site da companhia para colocar aqui no blog. Li, em outro lugar, que a direção é de: Fabio Penna.
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Achei a peça curta demais. Quando comecei a entrar no clima, já estava acabando, e acredito que não aconteceu só comigo. Prova disso, foi a impressão, muito clara, de que as palmas foram puxadas pelos atores.
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Como disse um colega, é meio vazia de conteúdo. Unicamente apelativa, com cenas de pessoas nuas, chicotadas, velas no corpo, uma atriz coloca agulhas na carne (a parte mais impressionante!), mas ficou faltando o que viria depois do choque, depois de colocar o espectador contra a parede.
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O que se coloca enquanto nos colocam contra a parede?!
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Ou seja, restou um clima de: “E daí?!... Por que tudo isso?”
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Ou melhor: “Coitada da moça que se picou!!!”
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Entendo que o objetivo possa ser simplesmente causar incômodo, dizer pequenos textos com frases sobre a podridão humana, e tentar gerar, dentro do ouvinte, alguma identificação com tudo aquilo, desvelando instintos e perversões que desconhecíamos em nós.
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Mas faltou peso!!!
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Se um intuito arrojado não é cumprido, a decepção tende a ser maior!!!
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Já vi os “100 dias de Sodoma” que tinha uma pegada parecida, mas possuía mais densidade nas figuras do elenco, indo assim, mais além. Já essa, não poderia ter parado onde parou.
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Acho que a reclamação que levantei aqui, a respeito dela ser curta, tem a ver com isso e não com a duração em si. A impressão de ser curta tem pouco, ou nada a ver com o fato dela ter menos de uma hora. A peça poderia ter os minutos que teve e ser completa, deixando, ao término, uma sensação de fechamento.
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Enfim...
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Nas artes, por mais que se desconstrua, que se queira chocar, destruir, depravar, rearranjar, banalizar, esgarçar, distorcer, denunciar, deturpar, escrachar, delatar, refazer, desnaturar, inverter, contrariar, desvirtuar, instaurar, reimaginar, desmoronar, corromper, repavimentar, acusar, perverter, reciclar, acoimar, adulterar, apontar, culpar, fuder, entre outras coisas semelhantes, alguns elementos são imprescindíveis, milenares!!!
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Ela ser curta tem a ver com texto, direção e atuação, imprescindíveis para um teatro com T maiúsculo.
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Infelizmente, faltou tudo isso.
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Pronto, falei!!!
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Depois de um tempo lendo livros um pouco menores, resolvi começar “Doutor Fausto” do “Thomas Mann”. É um tijolo de mais de 700 páginas. Li umas 30, até agora. Estou achando bem interessante! Vai demorar pra acabar, mas não tenho pressa...
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Aí vai um trecho:
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“Eu gostaria de saber com que olhos teriam então observado àquele homem de Wittenberg que, segundo nos contava Jonathan, ideara, uns cento e tantos anos atrás, o experimento da música visível, que nos era às vezes apresentado. Entre os poucos aparelhos de física de que dispunha o pai e Adrian, existia uma chapa de vidro redonda, que adejava livremente e só no centro repousava num pino. Nela se reproduzia o referido milagre. Pois a chapa estava polvilhada de areia fina, e Jonathan a fazia vibrar, tocando-a de cima para baixo com um velho arco de violoncelo. Em virtude dessas oscilações, a areia deslocava-se e coordenava-se em figuras e arabescos assombrosamente precisos e variados. Essa visão da acústica, na qual se uniam atraentemente clareza e mistério, a lei e o pródigo, muito agradava a nós, os meninos; mas era também para alegrar o executante do experimento que amiudadamente lhe pedíamos que o repetisse.” Doutor Fausto – Thomas Mann
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I (sufoco)
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Num esforço épico de auto-expressão
De tentativa de ser o que sou
Eu esgarço desopilar
O que há de irretratável em mim
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Mastigando aquilo que já pensava digerido
Remoendo as entranhas das tentativas
Que agora sei, fracassadas
Eu perdôo-me
Tento-me
Desesperadamente
Perdôo-me meus erros
E auxilio recausá-los
Para poder
Diferentemente
Convivê-los
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A convivência incisiva de uma insistência solitária
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Teimosia solidária!
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Assim faço neste instante de fim de ciclo
Fim de ano
Fim de ponto
Ponto final
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Fugindo às fugas e seus opostos
Fugindo aos meios e seus escapes centrifugo-desesperáveis
Fingindo não fugir fingido
Desmistifico
Qualquer possibilidade de categorização
Causaria-me recalques de culpa
Semblantes de subordinação
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O mais longínquo horizonte é asfaltado!
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Um simples sorriso sem vontade ou voltagem
Já seria suficientemente repugnante
Ao mínimo contraído deste ser-enclaustro
O asco incauto de ter me concedido erro tal
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II (respiro)
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Invasivo infinito insígnico intolerável instável insosso inconcluso incrustado inspirado
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Externo estético exímio escolha estrutura espuma escarro estrada expiração
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III (suspiro)
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O próprio da tolerância
O campo aberto da paz
Me traz
Como que por vocação
Missão
À minha auto-concepção interna
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Um ciclo desprovido de vontades
Um circuito fechado dominante
Uma lei inquebrável de exaustão
O trajeto mínimo dos dias
O colapso programado do sorriso
O soturno vicioso do mínimo-ser
O escondido recôndito que nunca quisera
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IV (teimoso)
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Almas e mais almas inquietas
Requebram ao som
Das mais descartáveis músicas
Enquanto isso
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Eu observo a predominância
Das miniaturas que brotam do concreto
E ejaculam suas secreções por entre as classes
Os níveis escolares das besteiras
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Eis o porquê de meus poemas!!!
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São as ervas daninhas que vociferam
Estridentes tentativas de expressão vencida
A raiz contrária dos parasitas sem genética
O defeito estanque uterinamente trazido
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Eis a definição dos meus poemas!!!
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A má formação formidável da esmola em potencial
O real não modelável desta vã sabatina satânica
O um real imprestável de outro sujeito sujo
A vegetação rasteira anaeróbica que prolifera nos não-lugares
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Eis para onde vão meus poemas!!!
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Adeus-me!!!
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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Vejo somente um amórfico silêncio que empurra significações avulsas para que interpretemos ao gosto e capacidade de nossas criatividades. É sabedoria? Não... São apenas inverdades cristalizadas, temporárias, que duram o suficiente para serem substituídas por outras ignorâncias menores.
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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Vejo somente o não-ver, uma pluralidade medíocre de caminhos desconexos e caminhantes perplexos, perdidos, olhando para cima, imaginando uma grandiosidade que não faz questão nenhuma de aparecer e acalentar.
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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Não vejo docilidade nas coisas do céu. Para mim, é muito difícil ver alento naquele que nos olha de cima, ver brandura real naquele que, por tantas e tantas eras, nos fora apresentado como amálgama da vida.
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Eu não sinto misericórdia em Deus.
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Não sinto pelo tudo que passei, pelo tudo que senti e o muito que ainda sinto. Pelo que sei que passaram, pelo que sei que sentiram e pelo que sei que ainda sentem, pessoas próximas ou distantes.
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Eu não ouço a misericórdia de Deus.
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Só ouço a inquietude nascente de um silêncio brutal que enclausura uma ignorância dolorida. Dolorida e que por isso tentamos quebrar por invenções que nós mesmos temos que trabalhar, puxar raízes em possibilidades de vidas passadas, em palavras tortas que ouvimos e que insistem em nos calar.
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Eu não ouço novidades sobre Deus.
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Não sei porque carregamos tantas ignorâncias, porque desconhecemos tantas forças que agem sobre as multidões ou especificamente sobre cada um de nós. Não acredito que os pesos seriam aliviados caso soubéssemos, de relance, nossos carmas e coisas do tipo. Não consigo vislumbrar um porquê duradouro para o fato de ignorarmos, com tanta força, nossas vidas passadas. Na grande maioria dos casos, não nos chega nem um átomo daquilo que seria uma ponte importante para entendermos nossas dificuldades. Nada! Um silêncio mortal, estridente dentro de cada um. Por que é tão difícil atingir os critérios para receber algum esclarecimento desta natureza?
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Eu não vejo misericórdia em Deus. Vejo uma tentativa de justiça, uma intenção de justiça.
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A razão pode entortar tanto as coisas. Por que o livre-arbítrio não pode ser visto como simplesmente uma maneira do superior lavar suas mãos? Não me lembro de ter escolhido existir! Não me lembro de ter escolhido escolher!
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Eu não consigo vislumbrar a misericórdia de Deus.
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Nós somos os grandes heróis da existência. Não há nenhum herói maior a um ser, do que ele mesmo. O ser é sozinho, profundamente sozinho e, enquanto sozinho, pode ser chamado de Deus de seu próprio universo. Não há ninguém mais importante para uma pessoa do que ela mesma.
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Existir não passa de eternas tentativas de ordenar o caos, o cosmos, atribuir leis de convívio nos mais diversos estágios, traçar procuras individuais de auto-transformação. Existir não passa de um tentativa de conquistar a adaptação de uma alma para adequar-se às silenciosas leis do útero da criação.
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Como são silenciosas essas leis!
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Eu não confabulo com esse silêncio vindo dos céus, com essa maneira de aparecimento pelas beiradas. Mas eles estão por aí - alguém poderia dizer! Mas, se pegarmos a realidade mais cabível ao encarnado, os contatos são muito espaçados, pontuais, sutis demais. Não entendo o porquê de tanta sutileza. Muitas hipóteses referentes à liberdade de crer ou não crer, livre-arbítrio e coisas do tipo, poderiam ser levantadas, mas, não poderiam ser elas apenas maneiras de se conformar com aquilo que se tem?! Não seria mais uma vez a criatividade humana agindo para apaziguar a realidade?!
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São assuntos delicados!
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Não sinto misericórdia em Deus!
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Sinto que apenas se trata de um sistema de leis, imutáveis, e, porque não, leis criadas para estruturar o caos primitivo, leis que não servem à misericórdia, mas sim, à justiça das almas solitárias que buscam, pelo convívio com as outras, encerrar sua clausura, trabalhar os processos interiores que cabem somente a elas movimentar e assim se adaptarem aos padrões rigorosos de existência.
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Isso não pode ser chamado de misericórdia. Isto é uma máquina de processamento de luz!
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Por isso repito: não sinto misericórdia em Deus, sinto um silêncio profundo, e uma tentativa de justiça por parte daqueles que estão acima de nós.
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Uma busca onde todos tateiam, às cegas, pelos caminhos, criados, também às cegas, por outros que vieram antes...
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O caos é a ordem! E a ordem é o caos!
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Assim é!!!
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Conta a história de amor de José de Sousa Saramago e de sua esposa Pilar Del Rio durante a escrita de seu penúltimo romance: A Viagem do Elefante.
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Um filme que alterna momentos intimistas e outros de extrema agitação, mostrando a agenda lotada de compromissos de um senhor, acompanhado de sua mulher, bem como de uma senhora batalhadora acompanhada de seu marido.
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Atmosferas meio paralelas são montadas em algumas partes, mostrando o casal em cenários diferentes, numa edição de imagem diferenciada, lançadas em palavras narradas por eles mesmos, o que me agradou bastante. Gosto desse clima meio “realismo fantástico”!
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Reflexões sobre a vida, a morte, Deus, sua existência ou melhor, na opinião dele, (in)existência, são uma constante em torno da figura do escritor. Já Pilar fala sobre a força das mulheres, feminismo, a garra necessária para viver, a importância da razão vencendo as lágrimas, numa visão otimista da vida.
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Saramago me parece um pouco pessimista. Não diria realista. Acho que ele se conformou com suas idéias de vida. Idéias duras que, naquela altura final, não o perturbavam, mas também não o acalentavam.
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Sua figura é muito envolvente, muito simpática. Um senhor perspicaz, único Nobel da Língua Portuguesa, possuidor de um misto de placidez e inquietação constantes e que ele naturalmente exercia. Era possuidor de uma grande capacidade de falar de coisas existenciais de maneira muito simples e muito tocante. Suas palavras carregavam o peso de serem suas palavras.
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Acredito que qualquer coisa, por mínima que ele dissesse, seria tocante!
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Fazendo uma passagem geral sobre a película, há também relatos de muitas entrevistas concedidas tanto por um quanto por outro, é retratada a oficialização do casamento dos dois, ligeiras conversas sobre política, homenagens e mais homenagens ao escritor, o dia-a-dia de Pilar que era seu braço direito (e esquerdo), alguns percalços de saúde que atingiram Saramago, cenas de peças de teatro, exposições, autógrafos e mais autógrafos, óperas baseadas em sua obra, Saramago jogando paciência no computador.
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É um documentário sobre a rotina de um casal ocupado.
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Pilar era um pilar, não é difícil chegar a esse trocadilho! O autor precisava dela, sentia-se necessitado de sua proteção. Foi bonito ver essa troca. A todo tempo ela chamava por seu nome.
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Na saída, diversas pessoas estavam chorando. Achei tocante!
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Na última cena aparece Saramago, dizendo: “Pilar, te encontro em outro sítio”, ou alguma coisa assim. Sua feição ao dizer isso não estava muito boa. Acho que ele disse isso, um pouco, a sua revelia, mas posso ter tido uma falsa impressão.
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