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Há morte e vida sem ferida?
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Na casa dos espelhos
Reflexos contínuos das possibilidades do meu ser
Que se permite ser o não sendo de tantos
Em tantos outros mundos dos poucos
Numa mudança desvairada e liberta
Das cópias claras do descontínuo poeta.
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Na casa dos reflexos
Convexos me monumentam por piedade
Por saberem-se frágeis e dependentes da forma
Que passiva se transforma
Em cada re-forma e arranjo novo
Que se possibilita sem controle.
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Na casa destes seres
A multidão grita o mudo do então choque
Que se eterniza nas paredes laminadas
Responsáveis pela displicência da aura
Que na aurora ou noturna
Onipresencia-se.
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Na casa das tantas próprias
Um repetitivo de gestos se estende
Em tudo que a mim transcende
Tomando-se de vontades próprias
Que se-me-desapropriam de mim
Numa correnteza de inovações.
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Na casa minha em meus
Vãos de invalidade se aglomeram no relento
Iniciados do momento que não me sustento
E despenco em desespero sem esperança
Em forma de sono num feto afetado
Demolido pelos cantos num passar de dias.
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Na casa-eu os olhares se encaram
Nos tantos outros ares que me afagam
Em tantos outros cômodos que acomodo
Os tantos outros elementos do que há de vir
Deste eterno oposto indeciso que redijo-me
Vendo as cópias aos montes
De sorrisos que se re-flexionam
Numa ciranda humana de bondades
Que sei serem verdadeiras
No ato em extinção primeira
Pois o mundo interno meu
Já se basta de em vão almejar.
Mas teimoso um reflexo longínquo
Guardou o sorriso ultimato
E me matando como só eu em outro me mato
Impôs o retorno reflexivo
Num ondular de alegramento
Pelos corredores infinitos
Num amansar de tristezas
Que se aproximou incisivo
Me fazendo sorrir,
Me fazendo rendido e redimido
Perdido e rodeado de imagens vivas
Vivendo-se em cada novo mundo
Que se expandia
Dos outros lados das películas
Onde não me permitido ir.
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Sou reflexo eu enfim dessas carcaças
Que se sentem e se sabem libertadas
Que querem e estão dispostas a pedir
Que choram e encharcam o assoalho da morada
Que se movem e ventam em refrescagem.
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Sou carcaça eu enfim destes meus iguais que tanto em tudo por mim se fazem num pânico desvairado de coincidências num suspirar prolongado em reticências que se esvoaça pelos planos verticais de uma eterna redundância gerundiando um contínuo som anasalável ondulando pendulando ricocheteando em cantos e melodramas constipados adoecendo-se constantemente em ênes numa infinidade de mantras sentimentais que estando no crescente das latências terminam acabando se tornando abundâncias em petulâncias estridentes nas reentrâncias acabando inconcluindo em intolerância da paciência que em demência em estância se fazendo explodindo indo indo vindo e findo sublimando engrandecendo consumindo apodrecendo desfazendo acabando refazendo anasalando acorrentando implorando enlouquecendo avolumando não podendo se rendendo sangrando cortando chupando esfomeando esvaziando discutindo gritando berrando chorando morrendo...
para em silêncio poder descansar.
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Na ex-casa dos espelhos
A carnificina ainda sangra em carnes fedidas
Mas quando bem vindas não fedem as feridas
Pois o massacre destes tantos heróis suicidas
De volta trouxe as minhas tantas outras vidas
Que banhadas nas loucuras, encontravam-se todas perdidas.
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Na ex-casa dos reflexos
A visão derradeira desta nebulosa miragem
Que mirabolante se multiplicou em real viagem
Que agora derradeira-se em senil aterrissagem
Num aéreo porto santo de dourada carruagem
Que já galopa a segurança da pacífica estalagem.
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Na ex-casa daqueles seres
Meus fantasmas se arrependem da morte
E berram a raiva da arrogante sorte
Que condena-se humilhada ao suicídio do corte
Pois a força enganada desvelou-se em nada forte
E a cópia rejeitada extingui-se num sem porte.
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Na ex-casa das tantas in-próprias
Um vazio se engrandece
E faminto ao porão desce
Pra pedir ao diabo em prece
Que o fim dele se aprece
Para que espaço em fim tivesse.
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Na ex-casa dele em seus
Se é que ela existiu,
O chão em pó ruiu,
O telhado já caiu,
Ninguém viu
Mas o louco apenas dormiu.
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(- Boa noite-se longamente, por favor!)
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