quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

CASA-EU (poema rápido)

 Eu quero uma casa lotada de vento
Amalgamada de ares e ludicidades leves
Onde eu possa me sentir 
Um pouco mais além de mim
Ou um pouco menos aquém daquilo que pude ser
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Eu quero uma casa lotada de vento
Eu quero uma casa encharcada de etéreos
Onde eu possa me sentir
Cedendo a um convite natural
Que me convença a me tornar 
Um pleno qualquer 
De todas as coisas possíveis 
E não só um homem escravo 
De todas as coisas pensáveis
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Eu quero uma casa lotada de vento
Eu quero uma casa de paredes irrisórias
Eu quero uma casa-mundo sem solidões 
Onde eu possa me sentir
Um pouco mais liberto e descansado
Um pouco menos medroso e ansioso
E talvez um tanto amalgamado e superior 
Aos vazios que me gritam constantemente
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Eu quero uma casa lotada de vento
Eu quero uma casa lotada de seres comuns
Eu quero uma casa lotada de homens como eu
E que ela me carregue pela vida
Levando-me enfim
Levantado e exultante
Levado e lívido infante 
Leve e vívido 
Vivendo e aceitante
Daquilo que a inalterável vida
Fez do que me esperancei em ser
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Eu quero uma casa lotada de vento...
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

CHUVA/DEUS

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O momento mais bonito da chuva é o início dela.
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Acabei de presenciá-lo nesta recente madrugada.
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Dentro desta mesma linha de pensamento, aproveito para dizer que a lágrima mais satisfatória, é a primeira.
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E eu adoro senti-la!
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As duas são átomos nascentes de um desabar incontido.
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Uma é o peso dos céus. 
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Já a outra é o grito das profundezas humanas que se fazem, enfim, em exacerbada realização.
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Mas ambas são o descarrego momentâneo de algo que não se pôde mais segurar.
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Eu acredito que o prazer maior esteja no relance primeiro de cada uma delas. 
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E talvez todos nós, em nossas medíocres procuras, sejamos um bocado assim.
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Talvez sejamos, todos nós, carentes de uma instantânea e maior satisfação, entediados pela falida busca ignorante de uma impossível perenidade hedonista.
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O melhor momento do prazer não é a permanência dele, mas o instante preciso em que ele se satisfaz.
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O melhor momento do prazer é aquele instante pungente de alimentar o estômago da alma na primeira garfada, e talvez, nunca mais, igual a ela.
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Basta sentir: a primeira garfada é sempre a melhor!
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Ou, como dizem: “O melhor da festa é esperar por ela.”
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Eu acho que o cerne do prazer não está na felicidade, mas no dilatado momentâneo da recente descoberta anteriormente in-sabida!
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O gozo não dura por muito tempo!
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O cerne da satisfação não está em realizá-la, mas sim, no instante de inaugurá-la à vida.
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Mesmo a linda perenidade de desfrutá-la não tem a mesma intensidade do pueril encontro.
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Com tudo isso, permito-me inferir que, talvez anterior a DEUS, já existisse a carência de existi-lo.
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E talvez Deus seja escravo da eterna satisfação primária, presente somente no momento em que ele alimentou a novidade de se existir. 
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Como tudo que existe é o retrato de uma lógica anterior, eu acho que, antes de Deus, já existia a sede da existência.
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Agora me interrompo, pois fico, enfim, com estas inconclusas palavras... 
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POR ENQUANTO!!!
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P.s: A chuva já acabou e vou reabrir as janelas da minha casa!
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"Você não vê" a "CHUVA/DEUS"?

É interessantíssimo sentir a diferença de densidade existente entre a Música e a Literatura.
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A mudança nos ombros...
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O relaxar e contrair da energia acima do corpo.
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As diferentes acuidades dos olhos para com o ambiente.
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Amplitudes e precisões das profundidades próprias de cada uma desta duas artes que tanto me deliciam e me agoniam.
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A Música amplia e intensifica.
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A Literatura adensa e torna mais exato.
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Desfrutar/Realizar ambas em tempos próximos é um belo e dificultoso movimento interno para a alma...
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P.s: Ouvindo minha música "Você não vê" após escrever o texto "CHUVA/DEUS". Assim se justifica o título.
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