segunda-feira, 26 de agosto de 2019

UM NÃO-ODE À REALIDADE


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I
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Eu me sinto exaurido pela Realidade
E coloco-me em prantos
Goela adentro
Mundo afora
Vil tormento
Vem-me agora
Como um ator ao reverso
Em seu intenso interno palco
De nunca se aplaudir
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Eu me sinto exaurido pela Realidade
E o cotidiano
São rasuras do momento
Vacuidade, venoso vento
Inacabado sentimento
Mal cicatrizado experimento
Que me encharca
Na constante consciência do incômodo
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Eu me sinto exaurido pela Realidade
E os nódulos corpóreos
São cordas rígidas
Ignóbeis mordaças
Genitálias frígidas
Impulsivas pirraças
Maldades nítidas
Inomináveis desgraças
Que retorcem minha esperança
Enrijecem meus pulmões
E extinguem a pulsão do porvir
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II
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Oh dura Realidade de não moldar
Sensação estanque
Âncora incrustada
Inferno de Dante
Divindade errada
Constelação de desprazeres
Que adormecem a vida
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Oh dura Realidade de não moldar
Tua ditatorial presença
É agonia efervescente
Que me arrebata em descrença
Menospreza-me pendente
Cadavérica doença
Decrépita aguardente
Que traguei dos perdedores
Intriunfáveis homens subterrâneos
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III
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Realidade vilã
Tento em vão
Ensandecer tuas medidas
Despudorar tuas imperativas vaidades
Mas as regras de tuas engrenagens
Estão adormecidas profundamente
Num passado inalienável
De uma dimensão impensada
Na baía dos deuses ultrapassados
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Realidade vilã
Tuas fronteiras me afrontam
E descarregam nos meus ombros
As toneladas ansiosas
Da minha cruel imaginação
O palavreado incessante
De meu interno monólogo secular
A inquietude dos olhos côncavos
Em sua/minha vigilância perpétua
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IV
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Querida Realidade
O destino dos homens
Em mim não vinga
Por minhas mãos não flui
No meu olhar não brota
Sob meus pés se dilui
E a estrada se desbota
O meu toque não conclui
Meu ouvido não denota
Minha boca diminui
Minha perna não tem rota
Minha morte se conclui...
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(NA DUTRA, INDO PARA ITANHANDU
NO DIA 26/07/2019)
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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

O Avesso do Avesso



Música composta para o espetáculo "O Impostor Geral" do "Núcleo Sem Querer de Tentativas Teatrais", baseado no texto "O Inspetor Geral" de Nikolai Gogol.
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O AVESSO DO AVESSO - WAGNER PASSOS
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LETRA:
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Sou sim / Sim, sou
Vou e vim / Vim e vou
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Mares e terras por andando
Lugares vários em passando
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Andando por terras e mares
Passando em vários lugares
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Assim sou, Sou assim
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Aqui vejo eu pecados milhões
Sorri pouco que povo deste grilhões
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Milhões de pecados eu vejo aqui
Grilhões deste povo que pouco sorri 
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Rolada lágrima tanta
Calada pessoa quanta
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Tanta lágrima rolada
Quanta pessoa calada
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Assim sou não, Não sou assim
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Aqui ficar vou não (eu) não vou ficar aqui
Vivi já que o volta de quero (eu) quero de volta o que já vivi
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Real algo criar (devemos) criar algo real
Banal o mudar (podemos) mudar o banal
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Total mudança (faremos) mudança total
Ideal mundo no (pensemos) no mundo ideal
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Portanto agora peço sua atenção
Enquanto me imponho custosa missão
Não calo o que trago no fundo do peito
Pois isto que vejo é total desrespeito
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Ser vamos o que (criemos) o que vamos ser
Viver vamos e (queremos) e vamos viver
Fazer novo o (tentemos) o novo fazer
Vencer dia um (iremos) um dia vencer
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Verdade a encontro de (andemos) de encontro a verdade
Vontade e vida com (dancemos) com vida e vontade
Idade nova a (cantemos) a nova idade
Cidade nossa a (formemos) a nossa...
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Ser vamos o que criemos
Viver vamos e queremos
Fazer novo o tentemos
Vencer dia um iremos
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Verdade a encontro de andemos
Vontade e vida com dancemos
Idade nova a cantemos
Cidade nossa a formemos
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Assim somos não, Não somos assim
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Mas aqui vejo eu pecados milhões
Sorri pouco que povo deste grilhões
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terça-feira, 20 de agosto de 2019