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I
.
Eu
me sinto exaurido pela Realidade
E
coloco-me em prantos
Goela
adentro
Mundo
afora
Vil
tormento
Vem-me
agora
Como
um ator ao reverso
Em
seu intenso interno palco
De
nunca se aplaudir
.
Eu
me sinto exaurido pela Realidade
E o
cotidiano
São
rasuras do momento
Vacuidade,
venoso vento
Inacabado
sentimento
Mal
cicatrizado experimento
Que
me encharca
Na
constante consciência do incômodo
.
Eu
me sinto exaurido pela Realidade
E os
nódulos corpóreos
São
cordas rígidas
Ignóbeis
mordaças
Genitálias
frígidas
Impulsivas
pirraças
Maldades
nítidas
Inomináveis
desgraças
Que
retorcem minha esperança
Enrijecem
meus pulmões
E
extinguem a pulsão do porvir
.
II
.
Oh
dura Realidade de não moldar
Sensação
estanque
Âncora
incrustada
Inferno
de Dante
Divindade
errada
Constelação
de desprazeres
Que
adormecem a vida
.
Oh
dura Realidade de não moldar
Tua
ditatorial presença
É
agonia efervescente
Que me
arrebata em descrença
Menospreza-me
pendente
Cadavérica
doença
Decrépita
aguardente
Que traguei
dos perdedores
Intriunfáveis
homens subterrâneos
.
III
.
Realidade
vilã
Tento
em vão
Ensandecer
tuas medidas
Despudorar
tuas imperativas vaidades
Mas
as regras de tuas engrenagens
Estão
adormecidas profundamente
Num
passado inalienável
De
uma dimensão impensada
Na
baía dos deuses ultrapassados
.
Realidade
vilã
Tuas
fronteiras me afrontam
E
descarregam nos meus ombros
As
toneladas ansiosas
Da
minha cruel imaginação
O
palavreado incessante
De
meu interno monólogo secular
A
inquietude dos olhos côncavos
Em
sua/minha vigilância perpétua
.
IV
.
Querida
Realidade
O
destino dos homens
Em
mim não vinga
Por
minhas mãos não flui
No
meu olhar não brota
Sob
meus pés se dilui
E a
estrada se desbota
O
meu toque não conclui
Meu
ouvido não denota
Minha
boca diminui
Minha
perna não tem rota
Minha
morte se conclui...
.
.
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(NA
DUTRA, INDO PARA ITANHANDU
NO
DIA 26/07/2019)
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