terça-feira, 23 de maio de 2023

VITRÔ

No reflexo inverso do espelho
Que a janela etérea me impacta
Vejo-me sendo a cidade
Feito ríspida simbiose análoga
E emergo-me intrínseco do sendo
Um escravo côncavo do trato
Perplexo restrito do descaso 
.
Em mim, sou o que não ocupo
Nela, sou o que não me caibo
Em sendo, sinto que não destoou
Se tendo, sinto que não possuo
.
Faço-me feito um desfato
Finjo-me pleno descaso
Planto-me feito feto incauto
Colho-me vítreo análogo
.
Sou indigesto percalço
Um despedaço granulado
Quase um espaço opaco
Que preservo escravo de fato
Posto que pouco me cravo