quinta-feira, 27 de outubro de 2005

O elefante caiu na lama...

Escrevi dois posts, esse que é mais curto e o próximo que é bem longo. Apesar de não ter feito nem 3 dias que eu botei o outro mas não me importa. Já fazia um tempo que eu pensava em escrever um post como esse aqui, então tive um tempo e fiz, só que na hora de escrever a última maneira de dizer a frase “O elefante caiu na lama” eu fui inventar um história um pouco maior e foi indo, daí eu tive que dividi ela e botar num post separado porque senão ia ficar muito grande. Então é assim, esse post e o debaixo saíram da mesma idéia, ou seja, escrever as várias maneiras de se contar a frase ou o conteúdo da frase: O elefante caiu na lama...
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As maneira estão aqui:
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O elefante caiu na lama.
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O Jô Soares tropeçou na poça de água barrenta.
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O mensalão veio à tona.
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A vaca foi pro brejo.
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- Nossa Maria, cê não sabe o que me aconteceu. O motor do nosso carro fundiu lá na berada da estrada.
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- Papai, repeti de ano.
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Inflação retorna ao patamar de 50% ao mês.
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- Eu conheço uma piada suja e pesada...
- Ahhhhhh, quem não sabe qual é...
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- Mamãe, tô grávida...
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- Ai, vai, mais forte, mais forte, mais forte, vai, mais fundo, aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.
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- Não me diga que aconteceu isso no circo Amadeus & Cia que tava aqui na cidade?
- Pode crer que é isso mesmo.
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- OOOOOO, volta aí que o jipe do Bob atolou.
- Tá certo...
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ou
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- OOOOOO, volta aí que o jipe do Bob atolou.
- AAA, fala sério, desencana e deixa ele lá...
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Um mamífero com marfins adentrou bruscamente a terra molhada.
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Bicho de 7 cabeças.
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Era uma vez o Dumbo e ele deu um espirro e suas orelhas de desfizeram e todos os outros elefantes viram que ele era diferente.
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- Opsssssssssssss...
- Parados, mãos ao alto, isso é um assalto.
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Ou
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- Parados, mãos ao alto, isso é um assalto.
- Ihhhhhhh mermão, ladrão que é ladrão mermo não faix rima, ispedaça o verso. Vira teu verso agora pra cá que eu vou te moxtra como é que se assalta que nem macho.
- Uhhhhh, meu Deus, arromba meu banquinho beeem divagarinho please...
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- Toda turma Zero em comportamento... (frase clássica da professora Helena do Carrossel)
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Se tiverem paciência leiam o post debaixo.

O elefante caiu na lama II...

Outra maneira. Essa é uma crônica disfarçada de fábula capenga:
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- Sabe meu amor, eu tenho que te falar um negócio...
- O que é benzinho. Pode falar. Você sabe que eu sou um cara aberto a novas tendências, adoro quando você se abre pra mim. (Tradução: eu adoro quando você se abre pra MIM).
- Mas é uma notícia chata, sabe e você nunca quis me ouvir.
- Você sabe que isso é mentira.
- Hummm.
- Sabe, não sabe? Hein?
- Hummm.
- (Silêncio)...
- Bom, essa notícia é meio suja e pesada.
- Ah, essa é velha... O elefante caiu na lama. HAHAHAHAHA
- Não meu amor, eu não estou contando piadas (tradução: acorda pra vida seu executivo burro).
- O que você disse?
- Eu... nada não. É que você sabe que às vezes eu penso em voz alta. Mas olha, eu ainda preciso te contar uma coisa meio chocante.
- Então fala bem tranqüila aqui pro seu amor porque você sabe que eu tenho problema de coração... Essa vida de empresário acaba comigo.
- Tá bom. Olha eu gostaria de dizer que o Junior é o meu Junior...
- Ah benzinho, eu sei que você é meio possessiva e tudo mais, mas não precisa virar pra mim e falar uma frase desnecessária dessas. Eu também amo o nosso filho, só que do meu jeito de pai. E além do mais isso que você me disse não me causou nenhuma fisgada no coração. HAHAHAHAHA
- Humm...
- Ahhh...
- Então, você não tá entendendo... Ele é meu só meu todinho todinho meu.
- Ai meu bem, eu já te falei pra você se tratar dessas síndromes de posse que você tem. Quantas vezes você já me disse essa frase e até já tinha me prometido que não iria falar mais. Eu te pago uma psicóloga, faz umas análises, vai ser bom pra você e pro meu Junior também.
- Humm...
- Hein, o que você acha? Você anda tão abatida agora que eu tô reparando.
- Ahhhhh, então é assim. Agora você viu que eu tô precisando de umas ferias né. Nem nas minhas olheiras você reparou. Aposto que o decote da Denise sua secretária você sabe até quantos milímetros de silicone saltam pra fora dele né?
- Ah meu benzinho. Isso é uma mentira. Eu sou um homem tão... tão... ahhhh... HAHAHAHA é. Sou um homem seguro, bem sucedido, amado por todos...
- Metido, tem um ego inflado, seguro só se for escondido atrás do seu terno, sentado atrás de uma mesa enorme com um computador em cada ponta.
- HAHAHAHA, eeeeeeee, essa risada, eeeeeeeeeee, HAHAHAHAHA, eeeeeeeeeee, hummm................. eu te juro que essa risada não é de nervoso mamãe...
- Mamãe, você está me chamando de mamãe. Aquela velha imbecil que ainda liga pro seu escritório todo dia, que eu sei, só pra perguntar qual foi meu último ataque histérico e depois contar pras amigas dela lá do vigilantes do peso...
- Você anda espiando minha vida sua sei lá o que, sua calculadora sem bateria. HAHAHAHA...
- Calculadora sem bateria, ahhhh pelo amor de Deus. E se eu tô te espiando ou não, não te interessa.
- HAHAHAHAHA
- Olha, quer saber de uma coisa seu idiota.
- HAHAHAHAHA
- Pára de rir.
- HAHAHAHAHA
- AAAAAA
- HAHAHAHAHA
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- HAHAHAHAHA
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- HAHAHAHAHA
- Ai meu Deus. Não conta esse ataque para sua mãe não, por favor. Ela pode contar pra mãe da Claudinha e a Claudinha vai contar pras outras minhas amigas e elas não vão mais me chamar pra ir no clube das mulheres.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Opsssssssss.
- Opsssssssss.
- É benzinho desculpa. Não fica bravo comigo não, por favor. Eu te faço uma massagem.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Seu insensível. Depois diz que é mente aberta. Você é um insensível porque nem se sensibilizou quando eu disse pra não falar pra sua mãe. E é tão insensível que nem sentiu ciúmes de mim quando eu disse que fui no clube das mulheres com minhas amigas.
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Você não sente ciúmes de mim?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Aiiiii, olha como você é. Tô carente, tô feia, tô gorda. Tenho um marido que não sente ciúmes de mim e que só sabe rir quando está descontrolado e ouve umas verdades. AAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- EU VOU FALAR MESSSSMO. Eu vou falar toda a porra dessa verdade agora na sua cara e antes ter um banana esclarecido enterrado morto de enfarto que um pseudomacho vivo que se acha o padrão de homem correto mas que só sabe rir em situações novas. Ou seja, qualquer uma que não seja um cálculo de custo que muitos acham difícil, mas... Você está me ouvindo?
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- Que se foda o Junior que é só meu, meu meu meu e só. E não é nada de síndrome de posse da minha parte falar isso não. Aliás esse nome nem existe. Foi invenção da sua cabeça aritmeticamente quadrada de engenheiro padronizado na rotina. VIU...
- HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA
- E quer saber de uma coisa. O Junior não é seu filho. Aquele exame que você fez no urologista deu que você era estéreo, mas sua mãe como sempre deu a idéia de trocar os exames pra salvar sua auto-estima que aliás já foi longe demais.
- HAHAUAHAUHUAHUHULKSGDLKASLJATSLK.
- Você está me ouvindo, você é estéreo. O Junior eu consegui ter porque sua mãe comprou metade dele num banco de espermas. Ele é filho de um modelo inglês que possui QI elevado e tem uma das melhores genéticas do mundo.
- 32513514SEF,MSHGDMNSVR254132414*&¨%$&$@(&¨#)¨##
- Pára de falar em linguagem técnica.
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- Páraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
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- Benzinho, o que que aconteceu com você, hein?
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- Benzinho me responde. Parece que você tinha virado uma calculadora falante. Imagina só, acho que você também precisa de umas férias. Talvez a gente possa ir pra Paris. Vou contar pra Claudinha que a gente vai então tá bom? Vai ser o máximo viu. O que é que você acha de Paris?
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- Benzinho, não era pra você ficar assim todo caidinho e virado pro canto. Olha pra cá vai deixa o abajur em paz e além do mais você já arrumou o despertador pra amnhã. Vira vai.
-
- Amor?
-
- Amor vira vai.
Nisso entra o Junior no quarto e logo da porta ele vê a cara de seu pai virado pro seu canto da cama que dava pra entrada do quarto e fala.
- Mamãe, você e o papai são muito burros e feios. Eu já sei que você me comprou num banco de espermas e que sou filho de David Stranenberg e agora vou atrás da minha herança e de alguém que realmente esteja a minha altura.
- Meu filho o que você está dizendo? Você só tem 1 e meio de idade. Bem, pelo amor de Deus, fala alguma coisa, dê um jeito nesse menino.
-
- Ai Junior seu pai está muito rebelde ultimamente. Agora ele deu pra fazer gelo em mim.
- Mamãe, você é muito burra mesmo. Os egos seu e do meu pseudo-pai se debateram ferozmente nessa cama e eu pude perceber uma extrema dependência desse dele em relação à sua mãe. Isso Freud chamaria de complexo de Édipo. Vocês são tão simplórios.
-
-
- Já você mãe. Ah, aliás não te chamo mais de mamãe porque sei que essa minha fase primária acabou de passar nesses últimos 15 segundos.
-
-
- Já você mãe ou talvez senhora parideira biológica, você é muito esperta e sabia jogar com este cadáver aqui do lado como ninguém. Você dava a vulva e calava a boca dele, mas no fundo quem te saciava era o Dionísio nosso caseiro.
-
-
- E mais uma coisa, você é muito infantil.
- Olha aqui menininho, você mal aprendeu a andar e já vem falando comigo assim. Vem cá que você vai levar umas palmadas.
- Posso falar só mais uma coisa?
- O que, mas fala logo e por favor nada que seja complicado de se entender.
- O papai morreu de infarto fulminante causado pelo impacto da notícia somado ao esforço das risadas. Isso sobrecarregou sua veia coronária esquerda elevando a pressão sanguínea de maneira que sobrecarregou sua musculatura cardíaca. Musculatura essa que nunca foi das melhores, motivo o qual fez com que sua mãe, minha pseudo-avó, o superprotegesse durante toda a sua vida medíocre que acabou de se encerrar e se eu acreditasse em deus diria: que deus o tenha...
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Toma essa palmadinha pra você aprender seu menino malcriado.
- Conhé, conhé conhé....
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA, a minha fonte de renda e sexo seguro morreu
- Conhé, conhé. Quem essa parideira pensa que é pra bater nessa perfeição genética mundial que é a minha bundinha. Eu estou fudido pra falar um português chulo, mas é verdade, não conseguirei me desvencilhar dessa parideira. Agora que ela perdeu sua fonte de satisfação carnal primária, minha importância em sua vida pode aumentar em até 176%. Isso é um horror. Conhé conhé.
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- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- Conhé, conhé...
-
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
- Conhé conhé...
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E de repente o cadáver mimado, a puta malandra e o ego inflado disseram simultaneamente a moral da história:
- O elefante caiu na lama. ConhéAAAAAAAAA(Silêncio)Fim.........

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Capítulo 1...

- Sim respeitável público, dentro de instantes teremos aqui no palco o nosso querido Zacarias dos Trapalhões. É, vocês podem não acreditar, mas é verdade mesmo. Ele nos disse numa seção espírita que iria baixar em carne e osso aqui neste nosso planeta Terra e que ainda iria aparecer aqui com certeza, sem falta à meia-noite e já são 23 horas e 45 minutos. Vocês podem não acreditar, mas é a pura verdade. Nós aqui do circo Silver & CIA cumprimos o que prometemos. Sou dono deste circo, sou honesto e posso dizer que nenhum palhaço aqui nesta casa de Deus é ladrão de mulher.

Nisso levanta uma mulher com uma criança em cada braço e diz:

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

O dono do circo fingia que não estava escutando e ficava olhando pra cara da mulher com uma cara de “fala mais alto” misturada com “quem essa parideira pensa que é”.

A mulher que era decidida. Pegou as outras sete criancinhas que estavam perto dela e foi adentrando o picadeiro enfrentando alguns funcionários que queriam detê-la e enquanto falava muito alto pra todos ouvirem:

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

O dono do circo resmungou ao microfone debochando da mulher:

- Meu Deus, estou tendo um Dejavi de som, ou melhor, eu acho que eu tô tendo um dejaOUvi.

Mas o povo não achou muita graça não, já que a mulher estava muito brava e via-se na cara dela que ela não estava brincando.

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

No que a moça repetiu a mesma frase com a mesma entonação, tudo sonoramente idêntico, as pessoas começaram a reparar que havia alguma coisa errada no ar. Parecia que a mulher só sabia falar aquilo. Era como um gravador que se rebobinava automaticamente pra logo em seguida se repetir como se tudo naquele lugar tivesse retornado ao momento que aquela mulher tinha aberto a boca pela primeira vez.

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

Todos olharam para o dono do circo que já havia parado de fazer piadas e em cada rosto ele enxergou um pedido de resposta. A platéia parecia que apostava na resposta como única maneira de libertar aquele espetáculo de tempo em rodopios. E novamente.

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

As 7 crianças que não estavam no colo da mulher e que eram justamente as que já sabiam falar disseram:

- Olá pailhaço...

Silêncio...

- Olá pailhaço...

Silêncio.

- Quem disse que nenhum palhaço aqui é ladrão de mulher. Quem você acha que é o pai dessas crianças que eu carrego nos braços. Hein, responde?

A mulher e as crianças começaram a se mover como máquinas. Os bebês de colo caíram do colo e iniciaram um arrasto desesperador pela serragem do chão. Todos tremiam muito e não havia mais o que se fazer. O pânico baixou em toda a platéia e em todos os funcionários daquele circo. Todos tentavam se mover, mas nada saia do lugar. Era como num sonho quando se quer correr, mas não se sai do lugar.

Os bichos dormiam sossegados após seu trabalho diário de fingir inferioridade.

As crianças tremendo se espalhavam tremendamente e começavam a se aproximar do público, outras delas se aproximavam dos funcionários que se debatiam contra o ar tentando alcançar algum gancho aéreo pra encaixar os dedos que mais pareciam minhocas tentando entrar em terra seca.

O Dono do Circo...

O dono do Circo não sabia o que fazer quando os bebês agarraram seus calcanhares e começaram a babar na sua roupa de linho. Ele não podia mexer seu corpo só sua cabeça o obedecia, como as dos outros presentes. Ele chorou... Os bebês não tinham pupila mas seus olhinhos emanavam uma piedade descomunal.

Ele chorou.

O mundo não se movia mais.

E um segredo seria revelado pela mãe das 9 crianças.

Ia postar sobre um lugar que eu fui no domingo mas acabei fazendo esse texto. Escrevi ele porque não agüentava mais escrever viagens em primeira pessoa ou coisas mais ou menos pessoais em terceira pessoa ou textos sem compromisso nenhum. Comecei essa história também sem compromisso, mas conforme foi indo eu resolvi levar mais a sério e dar uma unidade pra ela. Só tem esse (entre aspas) capítulo (entre aspas) pronto. Não tenho nem noção do que vai vir, e espero conseguir continuar ou pelo menos lembrar e ter a disciplina de continuar. Escrevi um texto muito nada a ver pra colocar no dia do meu aniversário, mas vou colocar assim mesmo. Falou...

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Ixtorinha da Madre Cah Roxinha...

Era uma vez um camundongo aleijado do focinho que não podia comer folhas brancas de parreira. Um dia esse nosso bichinho sem focinheira e desvencilhado de gripes como a do frango asiático cabulou a aula de matemática porque precisava dar uma de ponta com a cara na água do rio Jordão lá da Etiópia e ele foi. Saiu galopando sem parar até chegar na curva dos ventos calientes e foi quando ele vomitou uma égua bípede que plantava bananeira e ainda conseguia lamber a quarta cratera de chocolate do planeta Minalva de Ocre. Era uma égua esplêndida, suas habilidades encantaram o nosso querido camundongo que se chamava Deswegen. O Deswegen convidou a égua para passar a régua (ahhhh) no traseiro dela e ela falou que só iria se pudesse levar 4 telefonemas e meio juntos para essa aventura de desvirginamentação de clitóris seguido de um arrombamento cancerígeno-cloacário e ele falou que nada feito e tudo foi feito. Passados 4,69 dias e vinte e um graus Celsius nasceram os filhotes que se chamavam Castanhola, Perimplotérico e o menorzinho inconcluso que tinha o nome de “Algo-que-não-vem-ao-caso”. Mas nada disso era necessário já que a égua era ainda mais desnorteada que a bússola que Cristóvão Buarque recebeu de seus avós Cristóvão Colombo e Chico Buarque que sem querer chegaram à América pensando que estivessem em Budapeste. È, meus caríssimos Irmãos e queridos guarda-corpos-em-almas-e-vice-versa, sabemos que folhas brancas e pretas se juntariam na calada da noite e já era, foi por isso que eu voltei sedento de paralelepípedos só pra engolir a gosma estelar. Era feito de calda de som a cor do verniz inodor, é verdade mesmo. Aliás, diga-se de passagem, os tapetes feitos pela dona Benta são extremamente resistentes e coloridos já que a mão que balança o berço é da professora de matemática que queria encontrar com o camundongo Deswegen pra lhe dizer que o rio Jordão não era na Etiópia, mas sim no mapa astral que se encontrava na sala de geografia analítica espiritual do fim do corredor terceira porta rente à diretoria de Vênus. Mas fazer o que né, alma de mundo é assim mesmo, toda frágil porque é feita de pedra Sabão, quem me disse isso foi o Camundongo Aleijadinho do focinho e das lepras que esculpiu os 12 profetas e muito mais, e ainda descoaclou a égua Congonhas Desvirginada Bípede da Silva numa manhã de segunda, mas que tinha mais cara de ano bissexto porque nascia o Grande Mentecápito. Só mais um pedido depois dos nenhuns antecedentes: não tentem achar sentido porque estará completamente fora do propósito deste texto, no mais é só alegria de revistas aquáticas que comandam a Microsoft via Anchieta-Imigrantes porque a curva de meio grau na escala Richter já era de insônia e dores nos Rins. Falou.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Tô sem paciência mermão.........

Tô sem paciência mermão... Paciência alguma me falta, já nenhuma me sobra. Vou falar umas coisinhas aqui só pra deixar de boa e ir mais pra logo ali adiante. Primeiro eu queria falar que eu não estou triste não. O penúltimo post acho que não era tão depressão assim não, quando eu escrevi o título “Mais uma daquelas” eu me referia às viagens do Viajantes e não aos momentos de tristeza e tal. Apesar de eu ter reclamado de muitas coisas e sei lá mais quantas, eu queria dizer que eu não tô triste, ou melhor, eu não sou triste. É claro que eu tenho momentos de tristeza, mas o que reina acima dela é a felicidade. Essa tal felicidade natural, espontânea, sem pretensões que tantas pessoas estão falando em seus blogs usando cada um a sua forma de acreditar nela e conseqüentemente a sua forma de exprimi-la. Eu falei dela também, mas eu ainda não tinha escrito nada aqui, por isso eu vou aproveitar a deixa de 2 comentários pra falar. Eu tenho umas tristezas de comprimidos, coisinhas pequenas que dão de abater a gente, mas nada que dure mais que um dia, ou tempo suficiente pra chegar a cansar de se estar triste. Tudo anda muito tranqüilo no meu mundo interno, o problema é o que vem de fora, ou melhor, o problema são as coisas que se tem que fazer no mundo de fora. Ultimamente até o que vem de fora e passa a fazer parte do mundo de dentro não me arregaça muito não. Coisas de horas, coisas que poderiam ser facilmente amenizadas, mas que por escolha a gente vive mais a fundo, e chora, e manda e-mail, e escreve poesias (tá me entendendo flowercat) porque é bom uma tristeza de ilha isolada como eu já disse aqui no blog. Não acho que os sentimentos sejam facilmente manipuláveis, quero só ver quando alguma coisa mais séria acontecer comigo se eu vou ter como escolher o momento de chorar ou o quanto chorar, mas acho que mesmo nesses momentos, haverá ainda por cima de todo o bolo de coisas geradoras de nós na garganta, um sentimento mais pleno e tranqüilo de quem sabe que no fundo o mais certo a se fazer é apenas ser o que se é, já que o resto não pertence a esse corpo de 85 quilos e essa alma de sei lá quantos anos e vindas de vidas. Agora outra coisa que eu queria dizer é que se o meu blog tiver pouco comentário eu vou passar a comentar só nos blogs de quem comentar no meu. Chamem isso do que quiserem, falem e xinguem até minha orelha ficar incandescente. Digam qualquer coisa que eu vou seguir um lema seguido por uma pessoa que eu gosto muito e ele é o: QIMI, ou melhor, essa é a abreviação dele, a frase verdadeira do lema é: QUE ME IMPORTA. É isso mermo mermão, tô sem paciência pra falta de comentário. É claro que eu não vou deixar de escrever aqui, porque eu já disse que eu escrevo pra mim, mas que meus comentários em blogs alheios vai diminuir, isso vai mesmo. Muito obrigado Gisele (indispensável), Davi que tarda mas não farta, Fran-cisne (rsss) que foi o milagre da vez e Pombo que dá umas passadas ligeiras. Falou e espero que na próxima vez eu produza um texto bem legal pra pôr aqui. Velhos tempos aqueles em que até diálogo de teatro ou poesias enormes eu tinha ou escrevia pra colocar aqui nesse Viajantes. Acho que vou pôr uma poesia que eu fiz hoje depois de sair de uma situação (do mundo exterior como eu disse mais acima) muito chata mesmo e tava precisando escrever. Ela não ficou tão legal, eu preciso dar uma ajeitadinha, mas vou pôr porque tô afim e esse, dependendo da hora, da coisa e de sua repercussão, é o melhor motivo para se fazer as coisas.
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Circo e Pão - Picadeiro do não
(Panis et Circensis)
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cada cara lacrimosa e oblíqua
daqueles seres sem sangue
me derretiam pensamentos
de desilusão e arrependimentos
que me escorriam como o suor
que me apertavam como a gravata besta
que me enrijeciam como a roupa xik
mas
sem cor
sem brilho
sem nada
.
o brilho das luzes era vesgo
era irrelevante
as cadeiras de couro
ainda mugiam
num átomo de liberdade bucólica
de grito tresloucado de cachoeira gelada
de vale dos lírios
ou onda dançante de mar trindade
.
as pastas caras protegiam curriculums de vidas moldadas
embelezavam falhas convencidas de se esconderem
apresentavam caras e vozes e frases e olhares sem reflexo confiável
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era como se a sala flutuasse no vácuo
.
não era possível apoiar
nem em batimentos de coração vizinho
não era possível suspirar
pra dizer uma necessidade a mais
fisiologias carnais irrelevantes
.
não era permitido nem ser
pois o melhor era o não ser
não havia questões
não havia eu
não havia eles
nem pronomes
todos éramos máquinas falantes
pessoas da sala de jantar
teatro de sombras de Ofélia
que dorme ainda na minha infância
de livro de cabeceira
viajando no infinito da cômoda
de sonhos a-comodados
.
cascas de peles
e processamentos de molduras
moldes de ângulos retos, perfeitos
encaixe de almas
não me convenceriam
nem em dois mil anos
a acreditar na lágrima mais instantânea
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eu não tinha chão
eu não tinha cor
eu não tinha criança
eu não tinha eu
eu não tinha meus olhares
eu não tinha meu coração
eu não tinha minhas crenças
eu não tinha ninguém de nós
eu não
e só
sem tudo
sem nada
.
aquilo era a negação e seu picadeiro
circo e pão
sala e não
o negativo total
sem vez de positividade
esquerda
escuro
escudo
esquivo
esqueço
escasso
cansaço
regaço
dormência
piedade
piada
pífio
passado
UFA!!!!
.
tudo que a vida trás ela leva
tudo que o mundo criou ele abate
tudo que o sonho cultiva ele inebria
tudo que o homem maquia vira máscara
palhaços de circo
picadeiro reverso
.
todo brilho nos olhos não foi emoção
foi razão monetária
capitalista idiota
sem humanidade
sem arte
sem música
sem Deus
sem natureza
sem amor
sem nada
.
essas pessoas da sem-sala-de-jantar
estão cada vez mais senzala-de-sonhar.
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Um abraço pra todos...