terça-feira, 26 de junho de 2012

O Céu e o Seu



“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua o mesmo
O que mudou foi tua maneira
De olhar pro seu céu
Mas ele permanece no véu exato
Que continua te reparando parado
Notando cada novo cintilar emotivo
De tuas velhas pupilas indomáveis

“Olha pro céu, meu amor”
Ele persiste sem nenhuma dor
O que o converte é o teu modo pessoal
De sentir a passagem dos dias
Os mesmos dias que continuam iguais
E continuam te determinando deposto
Perpassado seqüencialmente das horas
Em teus presentes semi-pressentidos

O céu nunca muda
Mas o seu céu é metamórfico humano

O céu nunca desaba real
Mas o seu céu pode te permitir lampejos de luzes animadas

O céu nunca chora
Mas o seu céu te conforta na chuva oportuna

O céu é lugar-presságio definido
Mas o seu céu está dentro da cercania de teu ser incógnito

O céu é transparência do ar sem fim
Mas o seu céu é muralha etérea do mais viscoso ego cadente

O céu nunca diz nunca
Mas o seu céu te nega conforme a capacidade de teus pulmões

Então...

“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua passando solene
No seu exercício do mesmo eterno adeus
Aos que não o entendem
O que mudou foi teu jeito de sentir
Que teus passos somente te permitem continuar
Na perseguição sentida perpétua
Deste ser que teima em ser magnificamente o mesmo




terça-feira, 5 de junho de 2012

Itanhandu 2001


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Há muito tempo que eu não escrevia uma poesia a mão. Essa debaixo talvez seja a única, até agora, neste ano de 2012. Uma poesia simples, meio desabafo!
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Como é, às vezes bom, estar completamente solto,
Não pensar em mudar o mundo,
Não se angustiar pelos mistérios da existência.
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Respirar simplesmente porque é automático,
Comer porque tem fome,
Beber porque tem sede,
Tocar piano porque sente vontade.
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Levantar cedo porque tua mãe te acorda
Mas isso não te dói muito.
Ir a escola porque é assim que a vida é.
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Cantar no coral porque lá estão seus amigos,
Lá é teu canto em comunidade.
Você não queria ser de outra turma,
Não queria ser visto de outra maneira,
Não queria amar e nem ser amado
Senão por aqueles que te amam
E você a eles!
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Você não gostaria de estar
Em outro tempo e nem em outro espaço
Dentro das possibilidades do Universo,
E, na verdade, você nem sabe que você não quer.
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Você simplesmente está naquele tempo,
Respira e sorri naquele espaço
E isso lhe parece natural
Simplesmente por não lhe parecer
Absolutamente nada de mais.
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É como a infância!
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É tudo porque não se pretende ser nada
E depois que passa,
Nota-se, tardiamente,
O quão total se foi
Justamente pelo descompromisso
De não ter que ser alguma coisa...
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São Paulo – 22/05/2012 - 7:23 A.M.
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