“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua o mesmo
O que mudou foi tua maneira
De olhar pro seu céu
Mas ele permanece no véu exato
Que continua te reparando parado
Notando cada novo cintilar
emotivo
De tuas velhas pupilas indomáveis
“Olha pro céu, meu amor”
Ele persiste sem nenhuma dor
O que o converte é o teu modo
pessoal
De sentir a passagem dos dias
Os mesmos dias que continuam
iguais
E continuam te determinando
deposto
Perpassado seqüencialmente das
horas
Em teus presentes semi-pressentidos
O céu nunca muda
Mas o seu céu é metamórfico humano
O céu nunca desaba real
Mas o seu céu pode te permitir
lampejos de luzes animadas
O céu nunca chora
Mas o seu céu te conforta na
chuva oportuna
O céu é lugar-presságio definido
Mas o seu céu está dentro da
cercania de teu ser incógnito
O céu é transparência do ar sem
fim
Mas o seu céu é muralha etérea do
mais viscoso ego cadente
O céu nunca diz nunca
Mas o seu céu te nega conforme a
capacidade de teus pulmões
Então...
“Olha pro céu, meu amor”
Ele continua passando solene
No seu exercício do mesmo eterno
adeus
Aos que não o entendem
O que mudou foi teu jeito de
sentir
Que teus passos somente te permitem
continuar
Na perseguição sentida perpétua
Deste ser que teima em ser magnificamente o mesmo
