Em cada cadência desvairada dessas palavras, não é o dito que me faz ir além. Não tenho muito o que falar. Como dizem por aí, se não tens o que contar, se cale. Mas pra mim não é bem assim que funciona. Nem a necessidade de dizer coisas, nem a relevância das palavras ditas me fazem continuar por essas linhas. O ato, para mim, se resume no fazer, no simples fazer sem vez, sem revolta, sem altos e baixos. O ato deve ser justificável nele mesmo quando isso não implica outrens que não sejam este daqui. Não necessito sentimentos pra escrever palavras. Vazias, confesso, mas palavras são e bastam agora. Somente palavras. Um monte delas, um monte daquelas que já escrevi um dia, mas que secaram de um tanto, ou ao menos se especificaram um bocado tanto que se resguardaram medrosas dentro de um local mais inatingível que há muitos anos atrás. Caso isso me acontece, isso fato se faz. Fato concreto, sentido. O que sinto posso manipular, manipulo pensamentos, sensações, dizeres, e coisas avulsas, mas alguns fatos são concretos e, mesmo quando afastados com força, retornam teimosos. São danados os fatos afastados. Já disseram palavras sobre isso. Me lembro, mas não sito. Se sito, incito. Insisto, resisto e persisto mais os meus. Uns vários, outros muitos de quando em quando. Ondas diversas. Já passou épocas de desvarios juvenis, mas como fazê-los comportados, se desvarios os são. São como são e, por isso, assim batizados estão. Caso contrário chamariam dogmas, regras, planilhas, pílulas, cabides, acordes fixos, arranjos clássicos, semáforos, doenças, antidepressivos, internet, Orkut, MSN, e-mail, enfim, outros nomes teriam que não o sigma de desvario. Desvarios são para se terem por horas, em horas pontuais, pílulas de desvarios contidos apenas espacialmente. Aquieto-te aqui nesse sem sentido. Aquieta-te aqui, meu caro. Desvarai-vos neste sem sentido neste pedaço medíocre que vos dou. Terás a eternidade de te sentir próprio de si. Tu és dono dos teus dizeres. Eu não sou. De outros amigos sim, mas destes teus não. Estás vivido e condenado a ser o que te imponho. E te imponho a liberdade de possuir teus dizeres. Te crio no ato de criares a ti próprio. Vá. Faça como fores. Seja como fizeres. Queira como podes. Sinta como poucos. Sinta-se sintaxe pura, uma gramática de tempos verbais anômalos. Um desquasímodo de palavrões. És assim porque assim podes ser. Uma fórmula para não se ter fórmulas. Mesmo os disformes pertencem à categoria deles. Mesmo os errados e fugidios são cercados se si. Mesmo nós, temos nossas formas e estamos circunscritos em regras da física, nem que seja da física quântica. Espiritualismo careca de se saber excessivo. Quandos e quantos assim não foram e por isso pior se fizeram. Ao menos no de menos, se sente demais. Uma invenção descaracterística de normalidades. Há preços a serem de complacência. Aliás, é o que mais havemos de haver nesses tantos monumentos de coisificação de desejos. Assim o mundo se define. Uma eterna, mutável e absoluta coisificação de desejos. O mundo é pior que muitos por aí, mas não há nada melhor que coisificar e ajustar realizações. Não é sempre que se está por essas bandas. Já condenaram a coisificação das coisas e nem sabemos por onde começaram a fazê-las, nem o que de pior se chamaram deste entorno, mas, fato é que coisas sempre foram tornáveis, já que a existência é uma eterna permissão de sis. A repressão é apenas um adio, um ódio. Mas logo se fará coisa além e posto em terra posto que em terra deveria já estar. Transforma-te sem realizar!!! Não conseguirá. A mudança mundana impera. O transtorno transfôrmo é no absoluto do verbo de ligação. Trans-forma-ação. Muitas delas nos somos. Diversas. Desvairadas. Já nem sei, sou em demasia, mas pelo menos se vivo, convivo, e estejo. A existência é uma eterna permissão de sis. Morrerás de tanto não ser, se assim se fizer e quiser e puder fazer. O que posso não quero e nem o contrário disso. Haveríamos de detestar, mas, como sentimos e pensamos como aquilo que queremos ou não, não quero e por isso o contrário se faz. Sou negação, pois só assim construo a desconstrução que me faz melhor. Caminha-te para a luz e te fará cego. Caia na escuridão e poderás, pela falta de outras, imaginar as mais belas luzes que te guiarão por onde quiseres. O caminho sempre te será real se o mais profundo de ti assim crer. Assim é o desvario. Um acúmulo de dizeres que, como vejo, quanto mais se acumula, mas volumoso se fará quando assim permiti-se de ser. Coitado dos desvarios e dos seus feitores, não tão bem feitores assim. Mal feitores. Somos condenáveis por quem seja, mas principalmente por nós mesmos. Haveremos de condenados ser, já que não há alternativa melhor para enumerar. A lógica irracional deve ser limiar da cadencia degradativa do racional absurdo para poder ser minimamente novamente caminhável. E esse limiar razão – desrazão, não é feito de pequenos atos e atuações. Linha tênue e inexistente, por mais excludente, apesar do e, que a ordem inebria. Palavras são constelações quando pospostas. Propostas que nascem e acrescentam-se inevitavelmente num desenrolar casado. Se vão, em vão, mas vão por vãos, ainda sim, que cada um de nós nos propomos a abrir. Caso queiramos, caso assim se faça. Só se faz se se faz. Caso contrário não há de se fazer. Há palavras que não pedem permissão, mas nenhuma delas invade sem haver uma mínima porta. Olhos e olhares são como são e por eles, seres diversos em si, temos nós o nosso direito de barrar, prosseguir. Sempre há uma escolha mediana que seja. Uma variação de caminho. Um qualquer módulo. Uma qualquer qualquer. Os desvarios são tardes. Sempre tardes demais. Quase nunca se está dono do tempo. Nem eles, nem nós. Quando descobre-se que as palavras são armas mortais, daí já é tarde demasiada. Nove palavras me restam agora. Escassez de armas. Mil. Basta!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!