domingo, 8 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Estimação
A unha do dedo do gato
Marcando o passo reverso
Da pata felina esquiva
Que começa no término
E termina no início contexto
De um novo início contrário
Da unha do dedo do gato
Que rasga o traço inverso
No chão de taco repleto
Do apartamento convexo
Pelos armários contrários
E estantes estanques
Dos tanques trancados
Eletrodomesticamente pacificados
E passando pelos caminhos inócuos
Inumanos trajetos
Detalhes de traços auspiciosos
Do mapa do além chegar
Por cima e abaixo
Por entre e no sobre
Brincando reinando coragem
Do mundo a margem
Chegando chegado
Chocando a carência do espaço
E rasgando o sofá sofisma
Que eleva leve profunda ferida
E defere as muitas mais sentidas
Pancadas desfechos de punhos
Das litúrgicas vilanias do ritual
Num cotidiano de angústia viril
Do tão sapiens animal
Lançado na unha do dedo do gato senil
Sinistro bichano sensível
Que guarda seu mundo possível
Prostrada a vingança temível
Num risco possível
Na unha do dedo
Da pata da perna do gato
Vem chegando sorrateiro
Traçado ardiloso do ser
Que destina seu foco
No véu do espaço que vibra
Num vento que bate na noite
Vedando a fera do risco
Da unha do dedo do gato
Que pula e que finge
Sinceridades que fingem
Que sentem que fingem
Que sentem e que vão
Que fingem fingir
Que querem o que falta
E falta seu ponto
Persegue o ponto
O ponto riscado futuro
Pela unha do dedo
Da pata da perna do gato
Do bicho preto no escuro
Que chega pequeno soturno
Ao leito do véu e do sonho
Querendo fingido
Fingindo fingir
Querendo querer
Ao quarto fechado e abafo
Do grito oco em frangalhos
Na vestimenta em farrapos
Sobre o olho fechado
O corte felino
O porte ferido
O laminado deferido
Pela unha do dedo
Da pata da perna
Do gato espancado
Mas nunca mais
P.s: Terminantemente beber e escrever não me gera
resultados muito satisfatórios!
sábado, 16 de novembro de 2013
Generações!
Hoje, dia 16/11/2013, eu tenho EXATAMENTE a idade que meu
pai tinha quando eu nasci:
"30 anos e 10 dias"
Ou seja, hoje ele tem exatamente o dobro da minha idade, ou eu a metade da idade dele:
"60 anos e 20 dias"
Como os tempos e as coisas mudam!
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Com medidas comedidas!
Qualquer escolha encarnada, ainda que mais densa, é menos
determinista que concertos conscientes da alma após a morte.
Estamos no tempo
do risco e da vontade, o risco de ter vontades.
Estamos no reino da tentativa e
da tolerância comedida e medida por outros.
Estamos escrevendo a história
firmada e marcada para sempre, que só se remarca aqui, pois esta é a natureza
da energia...
quanto mais risco e menos consciência, maior a tolerância para com
o errante correto ou erradio.
quinta-feira, 24 de outubro de 2013
Palavras para Benita Carneiro
Texto feito a pedido da Secretaria de Turismo de Itanhandu - MG
Benita
Carneiro é uma figura única na cidade de Itanhandu. Ela retrata, em seu modo de
ser, de se portar, e também de sonhar, uma época em que nosso município vivia
uma efervescência cultural, que, a meu ver, era muito mais intensa do que a que
presenciamos nos dias atuais. Benita é a memória viva de um tempo em que o
Festival da Canção contava com a presença de todas as classes sociais; grandes
bailes e encontros literários aconteciam no CRI, atraindo para a cidade artistas
de vários ramos, como: poetas, atores, atrizes, músicos, além de políticos e
empresários.
Esta
poeta é o retrato vivo de uma nostalgia, de um Brasil onde as cabeças não se
aglomeravam nos grandes centros e nem se perdiam da paz necessária para nascer
a criação. Um passado onde os artistas não perseguiam o reconhecimento
imediatista, não se colocavam a qualquer proposta que lhes aparecessem. Um
Brasil de arte mais legítima, de poemas com mais poesia, de romances com menos
pressa de acabar para serem lidos, de música com mais toque e encanto, de
teatros com menos patrocínios tremendos que privilegiam os que não precisam
mais serem privilegiados, de obras que visavam mais a expressão do artista e
menos a reprodução de fórmulas de sucesso para que este mesmo e angustiante
sucesso seja ansiosamente alimentado, já que, viver sem ele, parece
insuportável.
Benita
não traz isso. Benita é o oposto disso. Ela é de outro tempo. Benita se
resguarda calmamente, ainda que de maneira sempre intensa, num passado recente,
mas já tão distante de nossa realidade contemporânea.
Foi,
por muitos anos, professora de datilografia, ensinando gerações a, se não a
arte do poema, pelos menos os meios para que estes possíveis poemas viessem ao
mundo. Mora, e sempre morou, numa casa bastante humilde e aconchegante na
periferia da cidade e traz poesias organizadas a décadas em livros imaginados
por ela, vivos em seu dia-a-dia.
Num
mundo em que personalidades têm suas biografias preparadas, por outros, pela
simples iminência de sua morte, sonhar por anos e anos a fio com a realização
de uma obra, e aguardá-la no aconchego do saber solitário de suas presenças, é
ir na contramão de uma realidade volátil, pretensiosa e desumana. E é justamente
neste resguardo sonhador que seu mundo se alimenta e se atualiza. Um mundo de
um tempo próprio e intrigante que nos convida silenciosamente a se aproximar e
tomar contato. E, por mais inusitado que pareça, esta senhora de mais de 80
anos mantém-se extremamente atualizada e jovial, pois seu espírito assim o é, e
por isso vai adiante.
Benita,
apesar de ter concluído seus estudos já com idade bastante avançada, nunca
deixou de escrever seus poemas sonhados, construindo assim, ao longo dos anos,
uma vasta obra, de linguagem simples e acessível, com mais de 20 livros de
poemas adultos e infantis. No entanto, a despeito desta vasta produção, apenas
dois de seus títulos foram publicados, sendo que seus exemplares se perderam
com o passar dos anos.
Sua
literatura é da simplicidade das raízes, dos sonhos nobres, de uma Itanhandu
diferente, com menos loucura e mais liberdade. Uma Itanhandu que não se perdia,
que ouvia mais e julgava menos. Uma Itanhandu menos careta. Palavras de um
tempo em que as montanhas falavam coisas para aqueles que ainda paravam para
ouvir. Palavras metrificadas e rimadas, por seu coração, e de forma natural. E
é assim que acontece com a Benita, pois, como ela mesma diz: “Eu já nasci com a
métrica e a rima dentro de mim. Quando penso num verso, ele já vem metrificado”.
Além
disso, acredito piamente que sua maneira de escrever, por estar em contraste
com a produção poética atual, mantendo um caráter simples, interiorano e tendo,
em diversos pontos, referências primordiais, bem como por trazer de volta uma
tradição de oralidade já perdida na poesia contemporânea, forma um material
extremamente rico e interessante que, juntamente com a figura da autora, se
fazem num todo tocante e de vasta sensibilização.
Se
nós, seus conterrâneos, não soubermos valorizar o que no solo de nossa terra
brotou, que valor podemos pedir que os outros nos deem. E é sempre muito bom
que este valor seja dado em vida! Que este valor seja falado, conversado,
discutido, valorizado, pois esta artista merece este espaço. Além disso,
conhecer Benita Carneiro e outros que viveram e fizeram a história de nossa
pequena cidade, pode servir de referência para que novas gerações se espelhem e
inspirem em exemplos vívidos de nosso lugar!
Wagner
Passos – 17/10/2013
terça-feira, 22 de outubro de 2013
Porão Digital
Hoje
resolvi fazer uma super limpeza no computador e rapidamente já tinha deletado quase
2 Gigas de memória. Nessa leva, foram todas as pastas das duas faculdades que
cursei: a FFLCH e a ESPM.
Notei
como as coisas da ESPM não me acrescentaram em quase nada. Um curso raso, que
poderia ser facilmente substituído por uma pós, que passaria bem mais rapidamente!
Também
percebi, revendo planilhas de notas, que fui um aluno bem melhor do que havia pensado. Fiquei contente com esta velha novidade que, de fato, desconhecia!
Abaixo,
uma capa de um trabalho de WEB II. Esse era o modelo de capa que usei para a
grande maioria dos trabalhos feitos.
Aliás, muitos e muitos trabalhos!
Mas, passou
passado!
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Pra dizer um pouco mais
Nos
últimos anos, a única música que ouvi mais de 20 vezes seguidas, um dia
desses atrás foi Estate do João Gilberto.
Ouvi numa tentativa de controle da paz.
Uma paz consciente de mim, e perdurável na sua sensação, ainda que sapiente de seu/meu estado de não-paz.
Mas Paz que se cria e se sabe manter!
Porque, como penso aqui no peito:
______________________________
- Ninguém peca
quando ouve João Gilberto.
______________________________
E eu também não me peco!
Não me perco!
Ouvi numa tentativa de controle da paz.
Uma paz consciente de mim, e perdurável na sua sensação, ainda que sapiente de seu/meu estado de não-paz.
Mas Paz que se cria e se sabe manter!
Porque, como penso aqui no peito:
______________________________
- Ninguém peca
quando ouve João Gilberto.
______________________________
E eu também não me peco!
Não me perco!
E sou grato por isso!
sábado, 7 de setembro de 2013
Estranhas Dores de um Qualquer
A dor exterior, como a de um machucado, por exemplo, a pobreza, a perda de
entes queridos, a porrada que se levou na escola, a briga com o amor da sua
vida, e outros tipos de incômodos cotidianos têm, em muitos casos, uma vantagem
em relação as dores da alma, as chamadas angústias, as depressões, o pânico, os
TOC’s, as neuroses, pois aquelas são mais visíveis e mais compreensíveis do que
estas. Por vezes, a dor interna, própria, individual e pouco reconhecida
socialmente torna-se difícil de ser assimilada pelos outros e por isso o
angustiado sofre mais sozinho, envergonhado, tendo sua dor menos legitimada.
É como se fosse mais permitido falar de dificuldades
cotidianescas do que dificuldades de sensações e das profundezas inventivas da
alma. Estas podem parecer balela, invenção de gente desocupada, viagens sem
fundamento. No entanto, esquecemos que, por vezes, elas podem ser as mais
constantes, incompatilháveis e por isso insolúveis. Dores assim podem nos perseguir
desde o momento que se levantamos, até quando nos deitamos, e podem ser as mais
difíceis de seres superadas, esquecidas ou simplesmente desinventadas.
Ano de 2000 e poucos
“O pensamento ocidental está estilhaçado. Até 1960 tivemos
grandes filósofos. Hoje é a época dos grandes cientistas. E a ciência, ou as ciências,
não pensa o que devemos ser.”
José Arthur Giannotti, numa belíssima entrevista
para a Revista E do SESC.
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Jam Jazz I
Will You Still Be Mine (Matt Dennis)
Conservatório Souza Lima
Jazz Performance II - Junho de 2013
sexta-feira, 30 de agosto de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Sim & Sim
A coisa mais importante para uma
alma é a humildade e a resignação.
A segunda mais importante é saber
se revoltar e se indignar!
Ciência Arriscada
O problema das experiências com
os espíritos é que elas não podem ainda serem realmente chamadas de científicas.
Ter as condições materiais adequadas para a realização não inibem as variáveis
mais importantes, que são aquelas que envolvem seres de planos diferentes,
dotados de inteligência e livre-arbítrio.
Ao contrário das experiências
envolvendo seres unicelulares, ou mesmo vírus, ou outros animais dotados de
inteligências distintas do padrão humano; ou ainda substâncias químicas e
coisas do tipo, que têm padrões de procedimento que podem gerar resultados
controlados; experiências como as realizadas à época da fundação da doutrina
espírita, como foi o caso das mesas que levitavam, são de natureza diferente.
Suas variáveis são abertas, são
mais sutis, não dependem unicamente de um padrão de funcionamento natural das
coisas. Dependem da escolha de uma alma, ou do conjunto de almas que pertencem
a outro plano e são dotadas de inteligência humanizada, desvinculada de
controles que sejam possíveis dentro de um ambiente laboratorial.
Não é controlando simplesmente
temperatura e pressão, ou mesmo o Ph, ou o fator do reagente químico, ou a
alimentação da cobaia, ou ainda o questionário a ser aplicado na amostra que se
consegue fechar as possibilidades de resultado.
Essas experiências envolvem
almas, que pensam, que querem, que não querem, que vêm e vão, que estão ou não
aptas a ajudar naquele momento. Além disso, estas almas podem estar sob a regência
de leis superiores que impedem certos tipos de manifestações de acordo com suas
finalidades, ou mesmo que, simplesmente não permitem certas intervenções que
podem, por exemplo, chocar e se impor como demonstrativos de uma verdade que dá
a cada um a liberdade de crer ou não.
Portanto, essas experiências não
são científicas, no entanto, não significam que não possam ter contribuído, e
muito, com os novos rumos de algumas áreas do conhecimento científico.
Além disso, este texto fala de
coisas tão arriscadas que ele pode estar totalmente errado. Principalmente no
que se refere a leis superiores que regem o plano espiritual. Às vezes, novas
posturas possam passar a ser permitidas com o passar dos anos.
Quem sabe?! Eu adoraria!
Justo. Não largo!
Terminantemente a vida não é uma
máquina de perpetuar a lógica ou a justiça. O acaso existe, nem tudo é
controlável. Aliás, as coisas são muito mais frutos de um caos organizado do
que de uma ordenação que se faz presente e maciça aqui nesta faixa de vibração
da criação.
Mesmo o livre-arbítrio, que dizem
ser o maior dos presentes, ou mesmo a maior das perdições, está cada dia mais
sendo podado pelas novas descobertas das neurociências, que segregam o homem a
um novo patamar de animalização, o que gera uma necessidade de novas colocações
sobre o que vem a ser, desde sempre, a liberdade de escolhas e ações que algumas
religiões, há tanto tempo, nos apresentam.
Apesar deste pseudo-niilismo que
vivemos, é interessante pensar como nos propõem a resignação através da crença
de algum tipo misterioso de ordenação do cosmos, a crença de que há uma justiça
silenciosa, uma organização do universo baseada na postura das pessoas, aquele discurso
de faça o bem e você receberá o bem, emane coisas boas e essas coisas boas
voltarão para você.
Por vezes é um pouco difícil
acreditar nisso. Mas também não acho tudo isso uma grande bobagem! A justiça é
por vezes tardia, ou mesmo tão tardia que só recebemos quando já não se está
mais por aqui.
Mas antes de casos extremos, acredito
sim que, em longo prazo, algum tipo de justiça silenciosa se faça presente nos
caminhos tortos de todos nós seres encarnados.
A Lei da Atração é lei, ainda que
não científica.
E isso pode, por vezes, ser
sutilmente notado. Vai de cada pessoa saber notar como.
SABER SABER!
E mais, saber ver se o que se
nota é verdadeiro, ou apenas uma tentativa de ordenação de coisas vindas ao
acaso. Corremos também este risco quando procuramos demais, ou quando, como
agora, detemos conhecimentos que pessoas de épocas passadas não tinham.
No entanto, mais do que ser
comprovada, esta justiça deve ser aceita como verdade sutil, e crescente
conforme subimos os degraus da evolução. Uma verdade que serve para
preservarmo-nos de certos tipos de angústias. Verdades voláteis que sustentam
outras mais perpétuas!
A justiça maior se faz dentro de
si e, se crer nesta justiça, ainda que tardia, nos faz pessoas melhores em nós
mesmo, e com os outros, eis então uma verdade a ser mais alimentada do que
negada ou posta a prova a todo momento.
Que dure dez, vinte, trinta dias
ou anos para que algum retorno exista, ainda assim, outros tipos de recompensas
podem estar sendo construídas dentro e fora de nós, vindo ao nosso encontro, e
já sendo vividas em partes diversas de nossas vidas. Nem sempre acontece da
maneira que esperamos ou merecemos, mas, merecer-se a si mesmo, na justiça
pessoal que se construiu dentro da própria consciência, é a maior das leis.
Bem fazer o Bem
Aquele que dá comida aos pobres
não é detentor de um grande mérito se ele faz isso simplesmente por fazer, ou
sem que haja algum ato verdadeiro de doação, de abnegação, de dispêndio de
alguma parcela de sua energia legítima para o cultivo da caridade. Não é
detentor de grande mérito aquele que realiza ações deste tipo sem que elas exijam
algum sacrifício verdadeiro de seu Eu.
Fazer isso, não é tanto colocar-se
como caridoso, mas simplesmente executar a justiça. Não é um ato de benevolência,
mas simplesmente fazer o necessário. E o necessário tem que ser feito. O
necessário não deve tanto ser aplaudido, mas realizado. Não deve ser considerado
esplendido, já que é óbvio, quase ordinário.
Quero deixar claro que não
pretendo aqui desqualificar ações diversas de doação, de qualquer tipo que elas
sejam. Quero somente revalorizar estas ações. Ações deste tipo têm que ser
feitas. Não é tanto uma questão de escolha, mas de precisão. Doar é uma tentativa
de minimizar as injustiças variadas que se multiplicam neste estágio da
existência das almas.
O MUNDO DOS ENCARNADOS NÃO É
JUSTO!
E talvez a justiça plena também
não esteja logo ali encima, mas muito mais acima do que logo ali acima de nós!
Também é necessário dizer que, piores
do que os que se encaixam no exemplo acima, são aqueles que podem realizar
algum ato minimamente altruísta, sendo ele de que espécie for e, mesmo assim, não
o fazem. Mas esses não são objeto de discussão. Estes estão errados, e em
relação a isso me parece haver certo tipo de consenso crescente.
Mas voltando aos citados mais no
início...
Dar um saco de arroz podendo
comprar outros 10; comprar comida aos pobres com algum dinheiro que já se sabe
que irá sobrar; doar agasalhos velhos ou roupas que ninguém mais quer usar
porque são de modas ultrapassadas; estas, além de outras atitudes que seguem
este mesmo tipo de postura, não demonstram nenhum desprendimento profundo, nenhuma
doação legítima, nenhum ato de grandeza que mereça realmente este título.
Têm seu valor, sim, mas podemos
fazer melhor do que isso!
Além disso, há múltiplas interpretações
a respeito dessas atitudes:
Doar aquilo que não vai fazer
falta pode ser simplesmente um ato de desovar coisas e ganhar mais espaço para
adquirir novas.
Ou mesmo, doar aquilo que não vai
faltar, pode ser somente um ato corriqueiro que ajuda a aliviar a consciência,
já que, em para algumas cabeças, fazer isso é fazer mais do que os outros, e
fazer mais do que os outros te faz melhor que a média. E afinal, quem não quer
ser melhor do que a média?! Ou ainda, por que ser realmente bom se ser um
somente medianamente correto dá menos trabalho?!
Tudo isso é uma grande mentira
maquiada!
Praticar a pseudo-caridade só te
coloca um pouco menos errado: um mero detentor de uma paz quebradiça... Se
ainda para tanto for capaz.
Não é o que se faz, mas como se
faz. Não é o quanto se faz, mas o quanto aquilo que foi feito teve a
participação legítima de teu querer, de teu sentimento, de tua doação profunda.
O tanto não importa... Pode-se doar um pouco de arroz pro vizinho pobre, e isso
ser muito mais representativo para a própria pessoa que dá, do que o caso de um
grande artista que doa Um Milhão para alguma campanha internacional.
Os casos de doação rasa, os
patrocínios interesseiros, as campanhas hiper-aclamadas, ou mesmo o quilo de
sal mais barato que se levou para o show de fulano-famoso, não devem ser
vangloriados, supervalorizados, aplaudidos ou gritados da boca para fora,
porque, mesmo o elogio direcionado ao outro, sem a ação própria da pessoa que
parabeniza, pode ser uma forma de aliviar a consciência ou melhorar a própria
moral individualista perante aqueles que nos cercam.
Ao mesmo tempo, é óbvio que alguns
atos “máximos” de doação, aparentemente inquestionáveis, não devem ser
realizados sem olhar a quem.
“Fazer o bem sem olhar a quem”
não é mais uma máxima tão impoluta assim. A falsidade usa máscaras múltiplas.
Fazer o bem é fazer bem o bem, fazer
o bem de maneira exata, correta, inteligente, e para isso é necessário ponderar
alguns fatores para saber quando, como e principalmente a quem fazer.
Por mais legítimo, belo e
profundo que seja o ato em si, se este ato for feito sem maturidade, com inocência
errada, ele pode gerar o comodismo daquele que recebe, ou o uso indevido do que
recebeu, e assim a intenção não completa seu ciclo de recebimento e realização,
de verdadeira DOAÇÃO!
A caridade medíocre ainda é um
ato de mediocridade. A caridade deve ser realizada sempre acima do possível,
com envolvimento e desprendimento daquele que a realiza. Mas deve ser planejada, bem direcionada, para
ser corretamente valorizada.
Os atos de doação ainda que
realizados, podem ser vazios de significado profundo e tendem a não alimentar
corretamente aquele que realiza. Ao que recebe, não fará tanta diferença a
intenção daquele que doa, mas para o doador, se este tiver sensibilidade
suficiente, ele saberá valorizar em si, o tamanho de sua grandeza.
E quando a grandeza é verdadeira,
ela não precisa de holofotes, aplausos, vozerio, campanhas alarmantes, basta
ser realizada, pois, em grande ou pequena escala, ela se chama e se sabe
simplesmente: GRANDEZA!!!
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Poemas para o Inverno - I
Gosto do frio! E São Paulo está
ainda mais fria que de costume!
Até onde penso, neste clima, as
únicas tarefas cotidianas que se tornam mais complicadas, são aquelas que
envolvem a água, como: lavar louça, tomar banho e eventualmente esfregar alguma
roupa. Há outras também, com certeza, mas, como eu não as executo, para mim,
não me incomoda. Aos outros, não posso dizer...
Mas, de resto, as coisas
cotidianas, como: dormir (dormindo melhor, se acorda melhor), comer, andar, tocar
piano, ir a lugares, trabalhar, vestir roupas, encontrar com amigos, namorar, e
diversas mais, quando está frio, elas se tornam muito mais prazerosas!
Por isso gosto muito desse clima
que nos convida a um resguardo, ou ao menos a uma desaceleração natural do
ritmo.
Soa como se houvesse um
recolhimento externo que nos colocasse mais interiores, mais pensativos. Não
que isso se imponha, mas, de alguma maneira, há um sutil convite a uma postura
mais comedida, mais controlada, menos expansiva, mais calma, introspectiva.
E a introspecção é um grande
convite à reflexão...
E as reflexões se fazem por palavras...
E pelas palavras se fazem os
versos...
E pelos versos se fazem os poemas...
E pelos poemas, faço-me um pouco
mais em mim!
Comecei escrevendo a poesia “O
frio (Primavera da Palavra)”, quando me ocorreu algumas outras idéias que
levaram aos poemas “Randômico Semântico (O inverso do Inverno)” e também ao
“Mendigo-eu (Me digo meu)”.
Nessa levada, lembrei-me de outra
poesia que escrevi, há bastante tempo atrás, e que falava justamente do Inverno,
mais ou menos por estes caminhos que aqui expus. Acho que me lembro do momento
que a escrevi. Eu estava na escola, estava bastante frio, e a professora Isabel
Cristina que, pelo que recordo, nesse semestre estava trabalhando com poesias,
propôs que escrevêssemos sobre o Inverno, já que ele estava para começar e
todos estávamos sentindo frio naquela sala em Itanhandu.
Essa poesia foi escrita há quase
15 anos atrás. Ou seja, ela já é mais velha do que eu era quando a escrevi.
Resolvi acrescentá-la nessa leva
e, logo depois, estão as que fiz hoje.
Acho que essa é a poesia mais
velha desse blog! Eu já tinha escrito algumas antes, mas como não coloquei
nenhuma dessas aqui, esta está sendo a mais antiga!
Ela está exatamente como foi
escrita. Apenas dividi em estrofes para ajudar no ritmo de leitura.
O Inverno
Interior e Exterior
Dias de Inverno,
Dias frios,
Dias em que nós nos resguardamos
E descobrimos mais sobre nós mesmos.
A neve vai caindo
E vagarosamente tudo fica branco,
Mas não um branco triste,
É um branco de paz,
Um branco celestial.
Nas chaminés
A fumaça sai e se perde nos ares.
Os guarda-roupas são abertos
E os velhos casacos se renovam
Depois de um banho de sol da manhã,
Esses casacos que já vestiram gerações.
As crianças brincam
Nos escorregadores improvisados,
Improvisados pelo Inverno.
O lago se congela
E por debaixo daquela camada
Ficam seres na imensa escuridão.
E por cima dela
Deslizamos devagar
Vendo a paisagem monótona,
Tudo quieto, tudo parado.
Mas, conforme olhamos
Um pouco de nós
Vai ficando naquela flor congelada,
Que seu olho se fixou,
E seu coração se apaixonou.
E então você descobre que o inverno
É muito mais que uma estação:
É um estado de espírito!
07/06/1998 - 14 anos
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