sábado, 30 de novembro de 2013

Estimação


A unha do dedo do gato
Marcando o passo reverso
Da pata felina esquiva
Que começa no término
E termina no início contexto
De um novo início contrário
Da unha do dedo do gato
Que rasga o traço inverso
No chão de taco repleto
Do apartamento convexo
Pelos armários contrários 
E estantes estanques 
Dos tanques trancados
Eletrodomesticamente pacificados
E passando pelos caminhos inócuos
Inumanos trajetos
Detalhes de traços auspiciosos
Do mapa do além chegar
Por cima e abaixo
Por entre e no sobre
Brincando reinando coragem
Do mundo a margem
Chegando chegado
Chocando a carência do espaço
E rasgando o sofá sofisma
Que eleva leve profunda ferida
E defere as muitas mais sentidas
Pancadas desfechos de punhos
Das litúrgicas vilanias do ritual
Num cotidiano de angústia viril
Do tão sapiens animal 
Lançado na unha do dedo do gato senil



Sinistro bichano sensível
Que guarda seu mundo possível
Prostrada a vingança temível
Num risco possível
Na unha do dedo
Da pata da perna do gato
Vem chegando sorrateiro
Traçado ardiloso do ser
Que destina seu foco
No véu do espaço que vibra
Num vento que bate na noite
Vedando a fera do risco
Da unha do dedo do gato
Que pula e que finge
Sinceridades que fingem
Que sentem que fingem
Que sentem e que vão
Que fingem fingir
Que querem o que falta
E falta seu ponto
Persegue o ponto
O ponto riscado futuro
Pela unha do dedo
Da pata da perna do gato
Do bicho preto no escuro
Que chega pequeno soturno
Ao leito do véu e do sonho
Querendo fingido
Fingindo fingir
Querendo querer
Ao quarto fechado e abafo
Do grito oco em frangalhos
Na vestimenta em farrapos
Sobre o olho fechado
O corte felino
O porte ferido
O laminado deferido
Pela unha do dedo
Da pata da perna
Do gato espancado



Mas nunca mais






P.s: Terminantemente beber e escrever não me gera resultados muito satisfatórios!


sábado, 16 de novembro de 2013

Jazz com colegas I



Speak No Evil - Wayne Shorter


Jazz com colegas II



Chitlins con Carne - Kenny Burrell



Jazz com colegas III



Epistrophy - Thelonious



Generações!


Hoje, dia 16/11/2013, eu tenho EXATAMENTE a idade que meu pai tinha quando eu nasci:

"30 anos e 10 dias"

Ou seja, hoje ele tem exatamente o dobro da minha idade, ou eu a metade da idade dele:

"60 anos e 20 dias"

Como os tempos e as coisas mudam!


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Com medidas comedidas!



Qualquer escolha encarnada, ainda que mais densa, é menos determinista que concertos conscientes da alma após a morte.

Estamos no tempo do risco e da vontade, o risco de ter vontades.

Estamos no reino da tentativa e da tolerância comedida e medida por outros.

Estamos escrevendo a história firmada e marcada para sempre, que só se remarca aqui, pois esta é a natureza da energia...

quanto mais risco e menos consciência, maior a tolerância para com o errante correto ou erradio.



quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Palavras para Benita Carneiro



Texto feito a pedido da Secretaria de Turismo de Itanhandu - MG


Benita Carneiro é uma figura única na cidade de Itanhandu. Ela retrata, em seu modo de ser, de se portar, e também de sonhar, uma época em que nosso município vivia uma efervescência cultural, que, a meu ver, era muito mais intensa do que a que presenciamos nos dias atuais. Benita é a memória viva de um tempo em que o Festival da Canção contava com a presença de todas as classes sociais; grandes bailes e encontros literários aconteciam no CRI, atraindo para a cidade artistas de vários ramos, como: poetas, atores, atrizes, músicos, além de políticos e empresários.

Esta poeta é o retrato vivo de uma nostalgia, de um Brasil onde as cabeças não se aglomeravam nos grandes centros e nem se perdiam da paz necessária para nascer a criação. Um passado onde os artistas não perseguiam o reconhecimento imediatista, não se colocavam a qualquer proposta que lhes aparecessem. Um Brasil de arte mais legítima, de poemas com mais poesia, de romances com menos pressa de acabar para serem lidos, de música com mais toque e encanto, de teatros com menos patrocínios tremendos que privilegiam os que não precisam mais serem privilegiados, de obras que visavam mais a expressão do artista e menos a reprodução de fórmulas de sucesso para que este mesmo e angustiante sucesso seja ansiosamente alimentado, já que, viver sem ele, parece insuportável.

Benita não traz isso. Benita é o oposto disso. Ela é de outro tempo. Benita se resguarda calmamente, ainda que de maneira sempre intensa, num passado recente, mas já tão distante de nossa realidade contemporânea.  

Foi, por muitos anos, professora de datilografia, ensinando gerações a, se não a arte do poema, pelos menos os meios para que estes possíveis poemas viessem ao mundo. Mora, e sempre morou, numa casa bastante humilde e aconchegante na periferia da cidade e traz poesias organizadas a décadas em livros imaginados por ela, vivos em seu dia-a-dia.

Num mundo em que personalidades têm suas biografias preparadas, por outros, pela simples iminência de sua morte, sonhar por anos e anos a fio com a realização de uma obra, e aguardá-la no aconchego do saber solitário de suas presenças, é ir na contramão de uma realidade volátil, pretensiosa e desumana. E é justamente neste resguardo sonhador que seu mundo se alimenta e se atualiza. Um mundo de um tempo próprio e intrigante que nos convida silenciosamente a se aproximar e tomar contato. E, por mais inusitado que pareça, esta senhora de mais de 80 anos mantém-se extremamente atualizada e jovial, pois seu espírito assim o é, e por isso vai adiante.

Benita, apesar de ter concluído seus estudos já com idade bastante avançada, nunca deixou de escrever seus poemas sonhados, construindo assim, ao longo dos anos, uma vasta obra, de linguagem simples e acessível, com mais de 20 livros de poemas adultos e infantis. No entanto, a despeito desta vasta produção, apenas dois de seus títulos foram publicados, sendo que seus exemplares se perderam com o passar dos anos.

Sua literatura é da simplicidade das raízes, dos sonhos nobres, de uma Itanhandu diferente, com menos loucura e mais liberdade. Uma Itanhandu que não se perdia, que ouvia mais e julgava menos. Uma Itanhandu menos careta. Palavras de um tempo em que as montanhas falavam coisas para aqueles que ainda paravam para ouvir. Palavras metrificadas e rimadas, por seu coração, e de forma natural. E é assim que acontece com a Benita, pois, como ela mesma diz: “Eu já nasci com a métrica e a rima dentro de mim. Quando penso num verso, ele já vem metrificado”.

Além disso, acredito piamente que sua maneira de escrever, por estar em contraste com a produção poética atual, mantendo um caráter simples, interiorano e tendo, em diversos pontos, referências primordiais, bem como por trazer de volta uma tradição de oralidade já perdida na poesia contemporânea, forma um material extremamente rico e interessante que, juntamente com a figura da autora, se fazem num todo tocante e de vasta sensibilização.

Se nós, seus conterrâneos, não soubermos valorizar o que no solo de nossa terra brotou, que valor podemos pedir que os outros nos deem. E é sempre muito bom que este valor seja dado em vida! Que este valor seja falado, conversado, discutido, valorizado, pois esta artista merece este espaço. Além disso, conhecer Benita Carneiro e outros que viveram e fizeram a história de nossa pequena cidade, pode servir de referência para que novas gerações se espelhem e inspirem em exemplos vívidos de nosso lugar!


Wagner Passos – 17/10/2013

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Porão Digital


Hoje resolvi fazer uma super limpeza no computador e rapidamente já tinha deletado quase 2 Gigas de memória. Nessa leva, foram todas as pastas das duas faculdades que cursei: a FFLCH e a ESPM.

Notei como as coisas da ESPM não me acrescentaram em quase nada. Um curso raso, que poderia ser facilmente substituído por uma pós, que passaria bem mais rapidamente!

Também percebi, revendo planilhas de notas, que fui um aluno bem melhor do que havia pensado. Fiquei contente com esta velha novidade que, de fato, desconhecia!

Abaixo, uma capa de um trabalho de WEB II. Esse era o modelo de capa que usei para a grande maioria dos trabalhos feitos. 

Aliás, muitos e muitos trabalhos!

Mas, passou passado!




segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Pra dizer um pouco mais


Nos últimos anos, a única música que ouvi mais de 20 vezes seguidas, um dia desses atrás foi Estate do João Gilberto.

Ouvi numa tentativa de controle da paz. 

Uma paz consciente de mim, e perdurável na sua sensação, ainda que sapiente de seu/meu estado de não-paz. 

Mas Paz que se cria e se sabe manter!

Porque, como penso aqui no peito: 

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 - Ninguém peca 
quando ouve João Gilberto. 

______________________________

E eu também não me peco! 

Não me perco!

E sou grato por isso!




sábado, 7 de setembro de 2013

Estranhas Dores de um Qualquer


A dor exterior, como a de um machucado, por exemplo, a pobreza, a perda de entes queridos, a porrada que se levou na escola, a briga com o amor da sua vida, e outros tipos de incômodos cotidianos têm, em muitos casos, uma vantagem em relação as dores da alma, as chamadas angústias, as depressões, o pânico, os TOC’s, as neuroses, pois aquelas são mais visíveis e mais compreensíveis do que estas. Por vezes, a dor interna, própria, individual e pouco reconhecida socialmente torna-se difícil de ser assimilada pelos outros e por isso o angustiado sofre mais sozinho, envergonhado, tendo sua dor menos legitimada.


É como se fosse mais permitido falar de dificuldades cotidianescas do que dificuldades de sensações e das profundezas inventivas da alma. Estas podem parecer balela, invenção de gente desocupada, viagens sem fundamento. No entanto, esquecemos que, por vezes, elas podem ser as mais constantes, incompatilháveis e por isso insolúveis. Dores assim podem nos perseguir desde o momento que se levantamos, até quando nos deitamos, e podem ser as mais difíceis de seres superadas, esquecidas ou simplesmente desinventadas.

Ano de 2000 e poucos


“O pensamento ocidental está estilhaçado. Até 1960 tivemos grandes filósofos. Hoje é a época dos grandes cientistas. E a ciência, ou as ciências, não pensa o que devemos ser.” 

José Arthur Giannotti, numa belíssima entrevista para a Revista E do SESC.



quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Jam Jazz I


Will You Still Be Mine (Matt Dennis)


Conservatório Souza Lima 




Jazz Performance II - Junho de 2013


Jam Jazz II


Scrapple From The Apple (Charlie Parker) 

Conservatório Souza Lima




Jazz Performance II - Junho de 2013



sexta-feira, 30 de agosto de 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sim & Sim


A coisa mais importante para uma alma é a humildade e a resignação.


A segunda mais importante é saber se revoltar e se indignar!



Ciência Arriscada


O problema das experiências com os espíritos é que elas não podem ainda serem realmente chamadas de científicas. Ter as condições materiais adequadas para a realização não inibem as variáveis mais importantes, que são aquelas que envolvem seres de planos diferentes, dotados de inteligência e livre-arbítrio.

Ao contrário das experiências envolvendo seres unicelulares, ou mesmo vírus, ou outros animais dotados de inteligências distintas do padrão humano; ou ainda substâncias químicas e coisas do tipo, que têm padrões de procedimento que podem gerar resultados controlados; experiências como as realizadas à época da fundação da doutrina espírita, como foi o caso das mesas que levitavam, são de natureza diferente.

Suas variáveis são abertas, são mais sutis, não dependem unicamente de um padrão de funcionamento natural das coisas. Dependem da escolha de uma alma, ou do conjunto de almas que pertencem a outro plano e são dotadas de inteligência humanizada, desvinculada de controles que sejam possíveis dentro de um ambiente laboratorial.

Não é controlando simplesmente temperatura e pressão, ou mesmo o Ph, ou o fator do reagente químico, ou a alimentação da cobaia, ou ainda o questionário a ser aplicado na amostra que se consegue fechar as possibilidades de resultado.

Essas experiências envolvem almas, que pensam, que querem, que não querem, que vêm e vão, que estão ou não aptas a ajudar naquele momento. Além disso, estas almas podem estar sob a regência de leis superiores que impedem certos tipos de manifestações de acordo com suas finalidades, ou mesmo que, simplesmente não permitem certas intervenções que podem, por exemplo, chocar e se impor como demonstrativos de uma verdade que dá a cada um a liberdade de crer ou não.

Portanto, essas experiências não são científicas, no entanto, não significam que não possam ter contribuído, e muito, com os novos rumos de algumas áreas do conhecimento científico.

Além disso, este texto fala de coisas tão arriscadas que ele pode estar totalmente errado. Principalmente no que se refere a leis superiores que regem o plano espiritual. Às vezes, novas posturas possam passar a ser permitidas com o passar dos anos.

Quem sabe?! Eu adoraria!


Justo. Não largo!


Terminantemente a vida não é uma máquina de perpetuar a lógica ou a justiça. O acaso existe, nem tudo é controlável. Aliás, as coisas são muito mais frutos de um caos organizado do que de uma ordenação que se faz presente e maciça aqui nesta faixa de vibração da criação.

Mesmo o livre-arbítrio, que dizem ser o maior dos presentes, ou mesmo a maior das perdições, está cada dia mais sendo podado pelas novas descobertas das neurociências, que segregam o homem a um novo patamar de animalização, o que gera uma necessidade de novas colocações sobre o que vem a ser, desde sempre, a liberdade de escolhas e ações que algumas religiões, há tanto tempo, nos apresentam.

Apesar deste pseudo-niilismo que vivemos, é interessante pensar como nos propõem a resignação através da crença de algum tipo misterioso de ordenação do cosmos, a crença de que há uma justiça silenciosa, uma organização do universo baseada na postura das pessoas, aquele discurso de faça o bem e você receberá o bem, emane coisas boas e essas coisas boas voltarão para você.

Por vezes é um pouco difícil acreditar nisso. Mas também não acho tudo isso uma grande bobagem! A justiça é por vezes tardia, ou mesmo tão tardia que só recebemos quando já não se está mais por aqui.

Mas antes de casos extremos, acredito sim que, em longo prazo, algum tipo de justiça silenciosa se faça presente nos caminhos tortos de todos nós seres encarnados.

A Lei da Atração é lei, ainda que não científica.

E isso pode, por vezes, ser sutilmente notado. Vai de cada pessoa saber notar como.

SABER SABER!

E mais, saber ver se o que se nota é verdadeiro, ou apenas uma tentativa de ordenação de coisas vindas ao acaso. Corremos também este risco quando procuramos demais, ou quando, como agora, detemos conhecimentos que pessoas de épocas passadas não tinham.

No entanto, mais do que ser comprovada, esta justiça deve ser aceita como verdade sutil, e crescente conforme subimos os degraus da evolução. Uma verdade que serve para preservarmo-nos de certos tipos de angústias. Verdades voláteis que sustentam outras mais perpétuas!

A justiça maior se faz dentro de si e, se crer nesta justiça, ainda que tardia, nos faz pessoas melhores em nós mesmo, e com os outros, eis então uma verdade a ser mais alimentada do que negada ou posta a prova a todo momento.


Que dure dez, vinte, trinta dias ou anos para que algum retorno exista, ainda assim, outros tipos de recompensas podem estar sendo construídas dentro e fora de nós, vindo ao nosso encontro, e já sendo vividas em partes diversas de nossas vidas. Nem sempre acontece da maneira que esperamos ou merecemos, mas, merecer-se a si mesmo, na justiça pessoal que se construiu dentro da própria consciência, é a maior das leis.

Bem fazer o Bem


Aquele que dá comida aos pobres não é detentor de um grande mérito se ele faz isso simplesmente por fazer, ou sem que haja algum ato verdadeiro de doação, de abnegação, de dispêndio de alguma parcela de sua energia legítima para o cultivo da caridade. Não é detentor de grande mérito aquele que realiza ações deste tipo sem que elas exijam algum sacrifício verdadeiro de seu Eu.

Fazer isso, não é tanto colocar-se como caridoso, mas simplesmente executar a justiça. Não é um ato de benevolência, mas simplesmente fazer o necessário. E o necessário tem que ser feito. O necessário não deve tanto ser aplaudido, mas realizado. Não deve ser considerado esplendido, já que é óbvio, quase ordinário.

Quero deixar claro que não pretendo aqui desqualificar ações diversas de doação, de qualquer tipo que elas sejam. Quero somente revalorizar estas ações. Ações deste tipo têm que ser feitas. Não é tanto uma questão de escolha, mas de precisão. Doar é uma tentativa de minimizar as injustiças variadas que se multiplicam neste estágio da existência das almas.

O MUNDO DOS ENCARNADOS NÃO É JUSTO!

E talvez a justiça plena também não esteja logo ali encima, mas muito mais acima do que logo ali acima de nós!

Também é necessário dizer que, piores do que os que se encaixam no exemplo acima, são aqueles que podem realizar algum ato minimamente altruísta, sendo ele de que espécie for e, mesmo assim, não o fazem. Mas esses não são objeto de discussão. Estes estão errados, e em relação a isso me parece haver certo tipo de consenso crescente.

Mas voltando aos citados mais no início...

Dar um saco de arroz podendo comprar outros 10; comprar comida aos pobres com algum dinheiro que já se sabe que irá sobrar; doar agasalhos velhos ou roupas que ninguém mais quer usar porque são de modas ultrapassadas; estas, além de outras atitudes que seguem este mesmo tipo de postura, não demonstram nenhum desprendimento profundo, nenhuma doação legítima, nenhum ato de grandeza que mereça realmente este título.

Têm seu valor, sim, mas podemos fazer melhor do que isso!

Além disso, há múltiplas interpretações a respeito dessas atitudes:

Doar aquilo que não vai fazer falta pode ser simplesmente um ato de desovar coisas e ganhar mais espaço para adquirir novas.

Ou mesmo, doar aquilo que não vai faltar, pode ser somente um ato corriqueiro que ajuda a aliviar a consciência, já que, em para algumas cabeças, fazer isso é fazer mais do que os outros, e fazer mais do que os outros te faz melhor que a média. E afinal, quem não quer ser melhor do que a média?! Ou ainda, por que ser realmente bom se ser um somente medianamente correto dá menos trabalho?!

Tudo isso é uma grande mentira maquiada!

Praticar a pseudo-caridade só te coloca um pouco menos errado: um mero detentor de uma paz quebradiça... Se ainda para tanto for capaz.

Não é o que se faz, mas como se faz. Não é o quanto se faz, mas o quanto aquilo que foi feito teve a participação legítima de teu querer, de teu sentimento, de tua doação profunda. O tanto não importa... Pode-se doar um pouco de arroz pro vizinho pobre, e isso ser muito mais representativo para a própria pessoa que dá, do que o caso de um grande artista que doa Um Milhão para alguma campanha internacional.

Os casos de doação rasa, os patrocínios interesseiros, as campanhas hiper-aclamadas, ou mesmo o quilo de sal mais barato que se levou para o show de fulano-famoso, não devem ser vangloriados, supervalorizados, aplaudidos ou gritados da boca para fora, porque, mesmo o elogio direcionado ao outro, sem a ação própria da pessoa que parabeniza, pode ser uma forma de aliviar a consciência ou melhorar a própria moral individualista perante aqueles que nos cercam.

Ao mesmo tempo, é óbvio que alguns atos “máximos” de doação, aparentemente inquestionáveis, não devem ser realizados sem olhar a quem.

“Fazer o bem sem olhar a quem” não é mais uma máxima tão impoluta assim. A falsidade usa máscaras múltiplas.

Fazer o bem é fazer bem o bem, fazer o bem de maneira exata, correta, inteligente, e para isso é necessário ponderar alguns fatores para saber quando, como e principalmente a quem fazer.

Por mais legítimo, belo e profundo que seja o ato em si, se este ato for feito sem maturidade, com inocência errada, ele pode gerar o comodismo daquele que recebe, ou o uso indevido do que recebeu, e assim a intenção não completa seu ciclo de recebimento e realização, de verdadeira DOAÇÃO!

A caridade medíocre ainda é um ato de mediocridade. A caridade deve ser realizada sempre acima do possível, com envolvimento e desprendimento daquele que a realiza.  Mas deve ser planejada, bem direcionada, para ser corretamente valorizada.

Os atos de doação ainda que realizados, podem ser vazios de significado profundo e tendem a não alimentar corretamente aquele que realiza. Ao que recebe, não fará tanta diferença a intenção daquele que doa, mas para o doador, se este tiver sensibilidade suficiente, ele saberá valorizar em si, o tamanho de sua grandeza.

E quando a grandeza é verdadeira, ela não precisa de holofotes, aplausos, vozerio, campanhas alarmantes, basta ser realizada, pois, em grande ou pequena escala, ela se chama e se sabe simplesmente: GRANDEZA!!!

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poemas para o Inverno - I


Gosto do frio! E São Paulo está ainda mais fria que de costume!

Até onde penso, neste clima, as únicas tarefas cotidianas que se tornam mais complicadas, são aquelas que envolvem a água, como: lavar louça, tomar banho e eventualmente esfregar alguma roupa. Há outras também, com certeza, mas, como eu não as executo, para mim, não me incomoda. Aos outros, não posso dizer...

Mas, de resto, as coisas cotidianas, como: dormir (dormindo melhor, se acorda melhor), comer, andar, tocar piano, ir a lugares, trabalhar, vestir roupas, encontrar com amigos, namorar, e diversas mais, quando está frio, elas se tornam muito mais prazerosas!

Por isso gosto muito desse clima que nos convida a um resguardo, ou ao menos a uma desaceleração natural do ritmo.

Soa como se houvesse um recolhimento externo que nos colocasse mais interiores, mais pensativos. Não que isso se imponha, mas, de alguma maneira, há um sutil convite a uma postura mais comedida, mais controlada, menos expansiva, mais calma, introspectiva.


E a introspecção é um grande convite à reflexão...
E as reflexões se fazem por palavras...
E pelas palavras se fazem os versos...
E pelos versos se fazem os poemas...
E pelos poemas, faço-me um pouco mais em mim!


Comecei escrevendo a poesia “O frio (Primavera da Palavra)”, quando me ocorreu algumas outras idéias que levaram aos poemas “Randômico Semântico (O inverso do Inverno)” e também ao “Mendigo-eu (Me digo meu)”.

Nessa levada, lembrei-me de outra poesia que escrevi, há bastante tempo atrás, e que falava justamente do Inverno, mais ou menos por estes caminhos que aqui expus. Acho que me lembro do momento que a escrevi. Eu estava na escola, estava bastante frio, e a professora Isabel Cristina que, pelo que recordo, nesse semestre estava trabalhando com poesias, propôs que escrevêssemos sobre o Inverno, já que ele estava para começar e todos estávamos sentindo frio naquela sala em Itanhandu.

Essa poesia foi escrita há quase 15 anos atrás. Ou seja, ela já é mais velha do que eu era quando a escrevi.

Resolvi acrescentá-la nessa leva e, logo depois, estão as que fiz hoje.

Acho que essa é a poesia mais velha desse blog! Eu já tinha escrito algumas antes, mas como não coloquei nenhuma dessas aqui, esta está sendo a mais antiga!

Ela está exatamente como foi escrita. Apenas dividi em estrofes para ajudar no ritmo de leitura.



O Inverno Interior e Exterior


Dias de Inverno,
Dias frios,
Dias em que nós nos resguardamos
E descobrimos mais sobre nós mesmos.


A neve vai caindo
E vagarosamente tudo fica branco,
Mas não um branco triste,
É um branco de paz,
Um branco celestial.


Nas chaminés
A fumaça sai e se perde nos ares.


Os guarda-roupas são abertos
E os velhos casacos se renovam
Depois de um banho de sol da manhã,
Esses casacos que já vestiram gerações.


As crianças brincam
Nos escorregadores improvisados,
Improvisados pelo Inverno.


O lago se congela
E por debaixo daquela camada
Ficam seres na imensa escuridão.


E por cima dela
Deslizamos devagar
Vendo a paisagem monótona,
Tudo quieto, tudo parado.


Mas, conforme olhamos
Um pouco de nós
Vai ficando naquela flor congelada,
Que seu olho se fixou,
E seu coração se apaixonou.


E então você descobre que o inverno
É muito mais que uma estação:
É um estado de espírito!



07/06/1998 - 14 anos