sábado, 22 de março de 2014

Enfim, Balanço de 2013


Demorei, mas consegui terminar as resenhas do ano passado.

Não resenhava nada por aqui desde o dia 29 de Maio de 2013.

Depois disso se iniciou um período bastante agitado na minha vida.

Junho com as manifestações nas ruas e as mudanças de algumas coisas.

Julho com a continuação das mudanças já ditas.

E de Agosto em diante, eu tive uma rotina mais ortodoxa, de diariamente ter que trabalhar em horário comercial, coisa que não acontecia comigo há muito tempo; peças e viagens diversas, ensaios até muito tarde e etc!

Por essas e outras coisas que acabei escrevendo menos no blog, vendo menos filmes, lendo menos.

Mas, como eu não consigo viver sem essas coisas, acabei encontrando um tempinho para conciliá-las!

Agora tá aí!

Logo mais coloco alguma coisa sobre o ano de 2014...

Seguem as listas:




Filmes 
  1. A busca
  2. A caça
  3. A luz do Tom
  4. Amor
  5. As aventuras de Pi
  6. O lado bom da vida
  7. No – adeus Pinochet
  8. Irmãs jamais
  9. Lincoln
  10. Infância clandestina
  11. Dentro da casa
  12. O quarteto
  13. Os miseráveis
  14. Theresé D
  15. Uma garrafa no mar de Gaza
  16. O sonho de Wadjda
  17. Tatuagem
  18. Elena
  19. Depois de Maio
  20. Capitão Phillips

  

Livros 
  1. A cabana
  2. As meninas
  3. As teorias selvagens
  4. Itaema
  5. Cartas chilenas
  6. Memórias póstumas de Brás Cubas
  7. Macunaíma
  8. O livro dos espíritos
  9. Para decorar
  10. Girassóis
  11. Carrossel
  12. Bill
  13. Antologia poética (Fernando Pessoa)
  14. O Vermelho e o Negro
  15. O Encontro Marcado
  16. Pelo Solimões
  17. Palavras Desavisadas de Tudo – Vol. I
  18. Palavras Desavisadas de Tudo – Vol. II
  19. Clara Nunes – Guerreira da Utopia
  20. Marília de Dirceu
  21. @M@R

  

Peças e Musicais 
  1. As barcas
  2. O beco dos gatos
  3. Nada será como antes
  4. Nossa cidade
  5. Mínimo Contato
  6. Delas - “Um acontecimento cênico e musical sobre as desconexões do amor moderno”
  7. Cabarecht, um recital brechtiano
  8. Cabaré Brasil



Óperas 
  1. The turn of the Screw (A Volta do Parafuso)
  2. La Bohéme
  3. Falstaff



Shows 
  1. Rose Santana canta Pra Ser Feliz
  2. João Bosco no Centro Cultural Banco do Brasil


Resenhas 2013 - The turn of the Screw (A Volta do Parafuso) - Ópera


Esta é uma ópera com prólogo e dois atos composta pelo inglês Benjamin Britten. Foi montada no Theatro São Pedro para comemorar os 100 anos de nascimento do compositor.

O libreto é de Myfanwy Piper, que se baseou no famoso romance de Henry James que leva o mesmo nome e se tornou, com o passar dos anos, um clássico do suspense.

O romance, já resenhado aqui (http://viajantesdoinfinito.blogspot.com.br/2010/11/outra-volta-no-parafuso-henry-james.html); e que como disse na resenha, eu não gostei, pois promete mais do que cumpre; se tornou objeto de estudos devido a suas passagens ambíguas e enigmáticas, que são algumas vezes contraditórias. Isso levou, com o passar dos estudos, a interpretações diversas, chegado mesmo a não serem compatíveis umas com as outras.
  

Isso se deve ao fato da fonte do mal ser turva, não muito bem delimitada. Além disso, pelo que me lembro, o desfecho é vago! Por tudo isso, os acadêmicos que se debruçaram sobre o romance, não conseguiram chegar a um acordo sobre alguns pontos da obra, optando por dizer que uma de suas qualidades é mesmo o fato dela não poder ser interpretada de uma maneira só!

A ópera, que se propôs a não eliminar nenhuma das passagens da obra original, também é carregada deste peso dramático vindo de um terror que não se sabe bem o foco: se está nas crianças, se está nos fantasmas, se tudo não passa de uma invenção dos meninos, ou se tudo aquilo que dizem é verdade; se as crianças são mentirosas e maldosas, ou se estão verdadeiramente assustadas.

Enfim, este clima de terror disperso também paira na ópera!

A estória se passa no século XIX, numa residência no interior do Reino Unido, na cidade de Bly.

Um casal de irmãos fica órfão depois que seus pais morrem na Índia. Um homem rico, seu tio, fica encarregado de criá-las, no entanto ele não possui a menor aptidão para isso. Visando solucionar o problema, o tio contrata uma tutora que é assassinada em circunstâncias bastante sinistras.

Nisso ele contrata uma segunda mulher que chega e se depara com este cenário absolutamente sorumbático.

Para piorar a situação, o contrato assinado por ela prevê três clausulas:

1) Não é permitido interpelar o tio/tutor com notícias de nenhuma espécie.
2) Nunca ir a busca das estórias da Bly House, local onde se passa a trama.
3) E nunca deixar as crianças.

Assim se inicia esta prisão voluntária com direito a torturas mentais dotadas de requintes de crueldade!

Gostei dessa ópera! A figura da preceptora me tocou bastante pelo seu sofrimento, pela sua situação aparentemente insolúvel!

Além disso, só de entrar no teatro, sentar, ler o libreto, andar pelas salas, ver a orquestra, sentir a interpretação dos personagens e do maestro que me toca muito, tudo isso cria uma experiência que dificilmente se torna desagradável!

Ir a ópera é uma espécie de terapia para mim, por mais suspense que ela contenha!


Dados Gerais:

Steven Mercurio - direção musical e regência
Livia Sabag - direção cênica
Nicolás Boni - cenários
Veridiana Piovezan - figurinos
Wagner Pinto (Eu?) - iluminação
Luísa Kurtz - soprano (The Governess)
Céline Imbert - soprano (Mrs. Grose)
Luciana Bueno - mezzo-soprano (Miss Jessel)
Juremir Vieira - tenor (The Prologue / Peter Quint)
TBA - menino-cantor (Miles)
TBA - soprano (Flora)




Resenhas 2013 - Tatuagem (Filme)




O filme se passa em Recife, nos idos dos anos 70.

Conta a estória da trupe de teatro Chão de Estrelas que se apresenta num espaço que leva este mesmo nome.

Em pleno Regime Militar, Clécio Wanderley (Irandhir Santos) que mantém um relacionamento com Paulete (Rodrigo Garcia), e mais um turma de personagens fora do eixo, vivem a margem de uma sociedade, criticando-a por meio de personagens caricaturais, grotescos, drag-queens, travestis, transformistas e outras variedades de figuras do meio gay.

Certo dia, Paulete, que é uma das divas da trupe, recebe a visita de seu cunhado, o Fininha (Jesuíta Barbosa), filho de uma família super tradicional e que, naquele momento, estava servindo ao Exército Brasileiro.

Clécio se encanta com a juventude e a pureza de Fininha, enquanto Fininha vê naquele meio uma forma de poder dar vida a um lado de sua alma que estava adormecido. Assim, ambos começam um romance enquanto Fininha tem que se equilibrar entre a vida como militar e as participações nos espetáculos do Chão de Estrelas.

Achei o filme um tanto despropositado!

Senti falta de uma estória firme que conduzisse e justificasse todo o universo criado naquele espaço marginal, um foco que levassem todos a um fim, uma condução que nos fizesse imergir com mais intensidade em todo aquele conto!

Pra mim soou como um belo conjunto de cenas bizarras e tocantes de um diretor que precisava fazer um filme que soasse marginal e que conseguisse chamar atenção e chocar o público. Pareceu-me que houve um descaso excessivo em relação ao roteiro, em relação a amarração dos acontecimentos.

Entendo que isso possa ter sido uma opção do criador, mas, para mim, não agradou.

Achei o som bem editado. Os atores, na sua maioria, estavam bem. As músicas criadas são interessantes. O figurino, que foi criado para parecer que foi criado pelos próprios integrantes da trupe, possui elementos muito criativos.

Mas... E o tocante em si? E o que é de tudo isso? O que de profundo que fica depois do que se vê?

Falando um pouco sobre as cenas...

Tem uma passagem bizarra em que a trupe canta sobre o CÚ, ou, menos vulgarmente falando, sobre o Ânus. Ao final da música, todos mostram a bunda, ou mais precisamente, seus próprios CÚS para a platéia!

Cenas deste tipo se mesclam com outras mais categóricas como a que Irandhir Santos interpreta, vestido de mulher, uma música que acredito ter sido gravada por Maria Bethânia. Uma cena belíssima!

Enfim, tem passagens lindas, outras engraçadas, e um cotidiano de artistas marginais que procuram viver da sua arte, na periferia de um país subdesenvolvido, em meio a uma ditadura careta e burra!

É bem interessante!

Mas volto a dizer que faltou um propósito artístico mais elevado, ou melhor, um foco narrativo mais profundo!

________________________________


Prêmios:

Agora, só pra desqualificar minha própria opinião, vou colocar a lista dos prêmios recebidos pelo longa:


Kikito de Melhor Filme - Festival de Gramado.
Melhor Trilha Musical - DJ Dolores - Festival de Gramado.
Melhor Ator - Irandhir Santos - Festival de Gramado.
Prêmio Especial do Júri - Ficção - Festival de Cinema do Rio.
Melhor Ator - Jesuíta Barbosa - Festival de Cinema do Rio.
Melhor Ator Coadjuvante - Rodrigo García - Festival de Cinema do Rio.
Melhor Longa-metragem Ficção - Prêmio do Público - Festival de Cinema do Rio.
Prêmio FIPRESCI de Melhor Longa Latino-Americano - Festival de Cinema do Rio.

________________________________


Ficha Técnica:

Diretor e Roteirista - Hilton Lacerda

Atores e atrizes
Irandhir Santos - Personagem: Clécio Wanderley
Jesuíta Barbosa - Personagem: Soldado Araújo "Fininha"
Rodrigo Garcia - Personagem: Paulete
Rafael Guedes - Personagem: Depressílvio
Sílvio Restiffe - Personagem: Professor Joubert
Sylvia Prado - Personagem: Deusa
Ariclenes Barroso - Personagem: Soldado Gusmão
Nash Laila - Personagem: Integrante da trupe teatral
Integrante da trupe teatral: Clébia Souza
Integrante da trupe teatral: Mariah Teixeira

Produtor - João Vieira Jr.
Diretor de fotografia - Ivo Lopes Araújo
Montador - Mair Tavares
Diretora de Arte - Renata Pinheiro
Produção - Rec Produtores Associados Ltda.
Distribuidor brasileiro (Lançamento) – IMOVISION




Resenhas 2013 - O Encontro Marcado


Este é o primeiro romance de Fernando Sabino, um escritor mineiro nascido em BH no dia 12 de Outubro de 1923 e falecido no Rio de Janeiro, no dia 11 de outubro de 2004, as vésperas de completar 81 anos.

Não sei se por ter nascido no dia das crianças, ou não, mas Sabino pediu que, no seu Epitáfio, estivessem escritas as seguintes palavras:

"Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino!"

Acredito que a escolha do autor não se deva somente por causa disso, mas acho que isso possa ter o influenciado de alguma maneira.

O livro, O Encontro Marcado, é um tanto autobiográfico. Em suas páginas o autor descreve as passagens da vida de Eduardo Marciano, um jovem nascido em BH, e que sonha em ser escritor.

Além destes pontos principais em comum, diversas dedicações do personagem também foram de seu criador. Ambos se dedicavam a escrever matérias para jornais, ambos eram exímios nadadores, vencendo competições no nado Costas.

Estes fatos evidentes se mesclam com outros mais sutis que não sabemos ao certo se Sabino se baseou em experiências próprias para recriá-las em sua literatura.

Por exemplo, há um relato extremamente interessante sobre o encontro de Eduardo Marciano com um homem, todo vestido de preto, que entra num bar vazio onde ele estava, e neste exato momento o relógio pára, marcando meia-noite. Este homem puxa conversa com ele, ninguém mais entra no bar, e os dois travam um diálogo pontual, que iria orientar o personagem daquele momento em diante em sua busca por ser escritor.

Mais adiante na narrativa, o personagem principal cruza novamente com este sujeito que fala com ele como se o conhecesse há muito tempo sem que, no entanto, Eduardo o reconheça de algum lugar.

Fiquei pensando se não ocorreu algum fato paralelo com o próprio Fernando Sabino para que ele se inspirasse e resolvesse relatar isso em uma de suas mais importantes obras. Se realmente ele não encontrou com algum ser místico, um aparente desconhecido que o conhecia tão bem, que chegou de preto, falou coisas exatas sobre sua pessoa, como se viesse realmente para orientá-lo em algum momento em que o autor estivesse muito mal, como foi o caso de Eduardo Marciano.

Além disso, a bebida e suas conseqüências caóticas também é uma constante no livro,  e acredito que também possa ter sido na vida real do autor. Confusões diversas, traições, casamento que não dá certo, noitadas longas de bebedeiras homéricas e coisas do tipo permeiam várias passagens da obra.

Pode ser que o próprio autor também tenha sido um homem de noitadas regadas a alguns tipos de bebidas, afinal, sua morte, acontecida em sua casa no Rio, foi causada por um T.A.F, Trauma Abdominal Fechado que atacou seu fígado. Tendo justamente atacado seu fígado, há uma hipótese do personagem/autor terem arcado com as conseqüências da literatura/ vida. Não acho que Sabino tenha necessariamente se arrebentado tanto quanto o personagem, mas que um ponto principal de inspiração existiu, isso eu acho que sim!

O livro tem mais de 280 páginas que passam rápidas.

Muitos diálogos interessantes se desenrolam entre Eduardo e diversos amigos de literatura e de copo. A boemia, as confusões, as mulheres da vida, encrencas com policiais.

Os pais do personagem, principalmente o pai, é uma figura muito interessante e compreensiva com seu filho. Em várias passagens Eduardo é apoiado por ele, mais de que por sua mãe. Em relação ao pai, pelo que me lembro, há uma passagem muito bonita no livro que fala justamente de sua morte. Agora não sei se foi na morte do pai ou da mãe, mas, Eduardo pressente o acontecimento que depois se confirma pelo telefonema de algum conhecido.

É legal como este livro permeia alguns caminhos das coisas inexplicáveis! Tudo com muito cuidado para não soar apelativo, mas também reservando espaço para uma crença silenciosa naquilo que a ciência não torna experimentável, mas que nem por isso deixa de ser experienciável!

Outras passagens tratam de seu primeiro casamento com uma garota mais nova e de uma posição social superior que se torna um fiasco.

Já outra constância de suma importância é o sonho do livro permeia toda obra, mas que nunca se concretiza. No entanto, no paralelo arte/vida, para o autor, o relato de um personagem que não consegue concretizar seu livro serviu de base para que ele próprio concretizasse o seu, baseando-se em sua própria busca enquanto escritor iniciante na arte do romance.

O não-livro do fruto da recriação de si mesmo deu, ao escritor real, seu livro realizado pelo ato de se encontrar na fantasia!

É interessante! É a vida se realizando ao se reinventar por meio da arte!

__________________________________________


O todo se divide da seguinte forma:

Primeira parte: A Procura

I – O Ponto de Partida
II – A Geração Espontânea
III – O Escolhido

Segunda Parte: O Encontro

I – Os Movimentos Simulados
II – O Afogado
III – A Viagem

__________________________________________


Por fim, pelo que entendi, o tal encontro marcado, que é o objeto do título, é um encontro do personagem com ele mesmo, mas que se mescla um pouco com o encontro de Eduardo com Mauro, um amigo de adolescência que falta a um encontro marcado há anos atrás. Este Mauro, no desenrolar da trama, se torna monge. Assim, este tal encontro marcado é o encontro da pessoa consigo que se permeia da figura do divino, afinal, o desfecho não se faz em outro lugar senão as portas de um mosteiro.

Tem um significado profundo neste desfecho!

Eduardo, ao se encontrar, pela segunda vez, com Mauro, agora monge, não tem a menor idéia de como será o dia seguinte de sua vida e o outro e o outro, mas isso, para ele, deixa de ter sentido, deixa de incomodá-lo. Suas conversas com Mauro o fazem se assentar um pouco mais, o fazem refletir sobre outros pontos até então impensados!

Este superar do incômodo, deixar simplesmente as coisas acontecerem, demonstra um amadurecimento, uma superação do imediatismo da vida, um trabalho com sua própria ansiedade.

Quando ele retorna ao mosteiro para uma nova conversa com Mauro, Eduardo foi ao encontro de si mesmo, ou o si mesmo que se encontrava naquela figura de um velho amigo que havia traçado um caminho de vida totalmente diferente do seu, e que por isso trazia o já conhecido e o novo, o familiar juntamente com um sopro de renovação, além de um pouco de cristandade e quietude para sua alma!

E assim se fez “O Encontro Marcado”!



quinta-feira, 20 de março de 2014

Resenhas 2013 - Show "Rose Santana canta Pra Ser Feliz"




Fiz parte deste show que ocorreu no dia Primeiro de Dezembro do ano passado.

Em três ensaios regados a cerveja, cachaça e vinho, numa casa muito aconchegante localizada na Lapa, nós, uma equipe de cinco músicos e mais a cantora, preparamos, com muita diversão, um repertório de músicas brasileiras de diversos estilos.

Foi um tremendo prazer fazer parte deste projeto!

Direto, sincero, bem resolvido e de qualidade!

Adorei! 




Resenhas 2013 - Nossa Cidade


Sob direção do lendário Antunes Filho, “Nossa Cidade” conta a rotina de uma comunidade americana do início do século passado, mais precisamente das famílias Gibbs e Webb, procurando nos mostrar como o mundo que conhecemos e vivemos atualmente, ainda é bastante reflexo daquele universo surgido nos Estados Unidos pós-crise de 1929.

Para manter o clima original criado pelo autor Thornton Wilder, ou seja, pouco cenário, valorização do trabalho do ator, mímica, ausência de alguns objetos, Antunes optou por transferir ao palco o cenário usado para os ensaios. Já o narrador onisciente tornou-se ator presente em cena, que entra justamente para delimitar aspectos gerais das ações que estão para acontecer.

Mais uma vez senti que o Antunes teve um trabalho magistral na preparação dos atores e na adequação destes atores aos papéis a serem interpretados. As peças do CPT passam uma naturalidade de atuação que sempre me toca bastante! Realmente, quando vejo uma peça deste núcleo, me parece que, antes mesmo de serem todos grandes atores, todos os que estão em cena parecem bastante sinceros, bastante adequados aquilo que estão fazendo!

É estranho falar isso, mas senti a mesma sensação nas três (acho!) peças que vi de lá. Alguns atores em cena parecem mesmo que são os personagens, como é o caso da protagonista da peça objeto desta resenha. A menina, interpretada lindamente pela delicada atriz, parecia continuar na pessoa mesmo após o término do espetáculo, naquele momento em que todos voltam para agradecer pelos aplausos.

Este personagem fundamental é o contraponto geral da peça. Com os acontecimentos, pelo que ela se torna e também pelo como ela é, cria-se um contraste muito grande entre a rotina grosseira da comunidade retratada, e a sutileza do sofrimento daquela garota que a tudo observa, mas que não pode ser vista. Talvez ela personifique a própria vida, ou tudo aquilo que as pessoas não conseguem ver e assim deixam escapar de seus sentimentos, sensações, sentidos e sentidos.

Não achei uma suuuuuper peça!

A falta de diretriz, de um foco único, a opção por múltiplos focos, rotineiros, visando retratar a realidade de pessoas comuns, não é a forma de narrativa que mais me agrada, apesar de saber que foi a escolha do autor e do diretor.

Mas isso é simplesmente uma opinião própria, e não uma crítica a qualidade do espetáculo em si.


FICHA TÉCNICA

NOSSA CIDADE de Thorton Wilder
Reconstrução de Antunes Filho

Elenco (por alfabética):
Amanda Mantovani  (Sra. Soames)
Antonio de Campos  (Prof. Willard Schünemann e Johnson)
Carlos Sério  (Sr. Marshall)
Diego Melo  (Howie Newsome e Sam Craig)
Ediana Souza  (Rebecca Gibbs e um Índio)
Fagundes Emanuel  (Wally Webb)
Felipe Hofstatter  (Simon Stimson e uma Professora)
Gui Martelli  (Dr. Gibbs)
Leonardo Ventura  (Diretor de Cena)
Lucas Rodrigues  (George Gibbs)
Luiz Gustavo Lopes  (Joe Crowell Jr.)
Luiza Lemmertz  (Sra. Webb)
Mateus Carrieri  (Sr. Webb)
Naiene Sanchez  (Sra. Gibbs)
Nelson Alexander  (Guarda Warren e Joe Stoddard)
Sheila Faermann  (Emily Webb)

Diretor de Palco - Felipe Hofstatter
Assistentes de Direção - Felipe Hofstatter e Carolina Erschfeld
Diretor de Arte - Hideki Matsuka
Figurinos e Adereços - Camila Nuñez
Assistentes - Tainara Dutra e Carolina Franco
Costureira - Noeme Costa
Cenografia e Adereços - Sandra Pestana
Assistente - Mariana Mattar
Painéis Cenográficos - Luiz Gustavo Lopes
Painéis de Cena de Publicidade - Érico Peretta
Cenotécnico - Cesar Rezende
Pesquisa de textos e imagens do Programa - Thiago Brito
Trilha Sonora - Raul Teixeira (CPT)
Assistente e Operação de Som - Lenon de Almeida
Iluminação - Edson FM e Elton Ramos
Assistentes - Fábio Albino e Marcio Martins
Preparação de Corpo e Voz - Antunes Filho
Professora de Canto - Solange Assumpção
Produção Executiva - Emerson Danesi
Fotos - Emidio Luisi
Assessoria de Imprensa - Ofício das Letras - Adriana Monteiro
Secretaria do CPT - Ligia Alves de Lima
Direção Geral - Antunes Filho


Agradecimentos:

Sebastião Milaré, Klaus Kuhn, Nara Chaib Mendes, Lee Taylor, Thiago Brito, Telumi Hellen e ao CEM – Centro Experimental de Música do SESC Consolação.


SERVIÇO:
Nossa Cidade, de Thornton Wilder
Direção de Antunes Filho
Estreia – 04 de outubro, 21h
Até quando – 08 de dezembro, domingo
Sexta e sábado, 21h e domingo, 18h
Preços – R$ 32, R$16, R$ 6,40
Faixa etária – 16 anos
Duração – 90 minutos

Local: Teatro Anchieta – Sesc Consolação



terça-feira, 18 de março de 2014

Post 1210 - 9 anos de blog


Q
U
A
S
E

U
M
A

D
É
C
A
D
A

  

A
D
A
C
É
D

A
M
U

E
S
A
U
Q