Um
espetáculo com Máscaras Balinesas e cenas envolvendo os famosos personagens da Commedia
Dell Arte, como: Arlequín, Brighella, Colombina, Dottore, Os Enamorados, Pagliaccio
e Pantalone.
A
Commedia Dell Arte foi uma forma teatral que teve início no século XV na Europa,
mais especificamente na Itália e tinha como grande característica a
improvisação, onde os atores seguiam um roteiro pré-estabelecido, mas tinham
liberdade para improvisarem suas falas a fim de fazer acontecer o enredo
planejado. Eram trupes itinerantes, com palcos improvisados que podiam ser:
praças, espaços abertos, ruas ou onde mais fosse possível encenar.
Alguns
dizem que os artistas da Commedia Dell Arte foram os primeiros a conseguirem
sobreviver de sua própria arte. Tenho cá minhas dúvidas se foram realmente os
primeiro, mas, como pessoas, com mais experiência, afirmam este fato, quem sou
eu para duvidar!
A
peça foi o resultado de meses de pesquisa do diretor Augusto Marin junto aos
alunos que participaram do Projeto Teatro Cidadão do Commune Coletivo Teatral e
do “Ponto de Cultura”, realizado também pelo Commune, em parceria com a
Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo e do MinC.
Com
duração de uma hora e meia, onde os personagens se revezavam no palco contando
histórias cômicas de seus cotidianos, esta peça me impressionou pela magia das
máscaras usadas. É impressionante como a máscara tem força expressiva e
envolve, transformando qualquer pessoa, às vezes sem muita preparação, num
gigante em cena.
Por
transformar a face do ator em algo encoberto, velado, misteriosos, isso nos
retira um pouco a noção das expressões humanas que nos são tão conhecidas e que
às vezes nos apegamos tanto para julgar se tal ator é bom ou ruim.
Ao
mesmo tempo, por cima do mistério que a máscara encobre, existe a força do grotesco
imutável retratado nelas. Quem já viu uma máscara de Commedia Dell Arte sabe
como são bizarras suas formas. E por tanto que se faça em cena, aquele objeto
imóvel, sobre o rosto do ator, torna-se uma espécie de uma entidade artística
que incorporou naquela pessoa. Não vemos mais as pessoas, mas sim seres mágicos
ganhando vida no meio do palco!
Cobrindo
principalmente a região dos olhos e deixando a parte da boca de fora, o ator
não é mais ele mesmo, mas um personagem histórico do imaginário popular, que se
confunde com a trajetória do teatro no final da Idade Média. E como a magia
está em tudo, provavelmente estes entes teatrais devem se fazer sentir por meio
destes objetos. Mais uma das mágicas misteriosas que a arte nos presenteia!
Não
sei qual é a verdade por detrás disso tudo, mas, pelo menos, eu acredito ter
sentido alguma coisa diferente nesta peça. Foi uma experiência surreal!
Assim
como no Projeto Delas, neste caso também fiquei responsável pela parte musical,
assinando a direção, coordenando o repertório, ensaiando as cantoras e tocando
piano no momento da apresentação que aconteceu no dia 12/12/2013.
As músicas foram: Abre Alas; Isso aqui o que é; Se acaso você chegasse; A história de Lily Braun; Quem te viu, quem te vê; O mundo é um moinho; Falsa Baiana e Jou Jou, meu balangandã.
Seguindo
as festividades, após o encerramento, todo o teatro se transformou numa grande
festa com DJ’s, muita música eletrônica dos anos 80, Samba Rock e assim por
diante!
Foi
uma experiência incrível!
Como
estava muito perto dos atores, dentro do palco, pude sentir com mais força o
encanto do universo da Commedia Dell Arte.
Certas
manifestações não permanecem vivas e fortes por mais de 400 anos a toa, e pude
ter certeza disso ao ver o quão tocante ainda podem ser personagens criados nos
séculos XVI e XVII, num outro contexto histórico, num outro mundo humano, num
outro país, mas, ainda assim, possuem força para nos absorver a uma realidade
paralela: a realidade do palco!!!