quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Resenhas 2013 - Cabarecht, um recital brechtiano



Espetáculo vencedor do prêmio Myriam Muniz/Funarte 2012.

Com direção musical de Cida Moreira, uma referência brasileira quando o assunto é o dramaturgo, poeta e compositor alemão Bertold Brecht, Cabarecht faz um apanhado das canções brechtianas que tanto influenciaram gerações de artistas ligadas aos mais diferentes ramos.

A direção e o roteiro são de Humberto Vieira. Ao longo de quase uma hora, quatro atores: a própria Cida Moreira (que também toca piano enquanto fuma seu charuto), Sandra Dani (uma personagem decadentista perfeita), Antônio Carlos Brunet e Roberto Camargo, se revezam e se agrupam num universo que retrata a ruína de uma sociedade que pode ser aquela da época do escritor, ou mesmo a nossa contemporânea. 


Além da decadência, o humor e a ironia são elementos constantes e auxiliam na construção deste painel boêmio feito de pessoas que se colocam tão a margem, mas ao mesmo tempo tão imersas nos percalços do mundo. São os artistas de qualquer tempo que se rebelam diante de uma realidade que não sabe se modificar e não sabe se entender pois não consegue se ver. E, como fruto deste cenário, os artistas se negam a serem inseridos nisso, e vêem suas vidas se desenrolarem a margem de um sistema incapaz de sustentá-los, pois não sustenta a si mesmo.

Foram apenas quatro apresentações entre os dias 12 e 14 de setembro no Teatro MuBE Nova Cultural, em São Paulo.

Um misto de riso e espanto!

Uma experiência bem diferente para quem não conhecia quase nada de Brecht!





quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Resenhas 2013 - Cabaré Brasil


Um espetáculo com Máscaras Balinesas e cenas envolvendo os famosos personagens da Commedia Dell Arte, como: Arlequín, Brighella, Colombina, Dottore, Os Enamorados, Pagliaccio e Pantalone.

A Commedia Dell Arte foi uma forma teatral que teve início no século XV na Europa, mais especificamente na Itália e tinha como grande característica a improvisação, onde os atores seguiam um roteiro pré-estabelecido, mas tinham liberdade para improvisarem suas falas a fim de fazer acontecer o enredo planejado. Eram trupes itinerantes, com palcos improvisados que podiam ser: praças, espaços abertos, ruas ou onde mais fosse possível encenar.

Alguns dizem que os artistas da Commedia Dell Arte foram os primeiros a conseguirem sobreviver de sua própria arte. Tenho cá minhas dúvidas se foram realmente os primeiro, mas, como pessoas, com mais experiência, afirmam este fato, quem sou eu para duvidar!

A peça foi o resultado de meses de pesquisa do diretor Augusto Marin junto aos alunos que participaram do Projeto Teatro Cidadão do Commune Coletivo Teatral e do “Ponto de Cultura”, realizado também pelo Commune, em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura do Estado de São Paulo e do MinC.

Com duração de uma hora e meia, onde os personagens se revezavam no palco contando histórias cômicas de seus cotidianos, esta peça me impressionou pela magia das máscaras usadas. É impressionante como a máscara tem força expressiva e envolve, transformando qualquer pessoa, às vezes sem muita preparação, num gigante em cena.

Por transformar a face do ator em algo encoberto, velado, misteriosos, isso nos retira um pouco a noção das expressões humanas que nos são tão conhecidas e que às vezes nos apegamos tanto para julgar se tal ator é bom ou ruim.

Ao mesmo tempo, por cima do mistério que a máscara encobre, existe a força do grotesco imutável retratado nelas. Quem já viu uma máscara de Commedia Dell Arte sabe como são bizarras suas formas. E por tanto que se faça em cena, aquele objeto imóvel, sobre o rosto do ator, torna-se uma espécie de uma entidade artística que incorporou naquela pessoa. Não vemos mais as pessoas, mas sim seres mágicos ganhando vida no meio do palco!

Cobrindo principalmente a região dos olhos e deixando a parte da boca de fora, o ator não é mais ele mesmo, mas um personagem histórico do imaginário popular, que se confunde com a trajetória do teatro no final da Idade Média. E como a magia está em tudo, provavelmente estes entes teatrais devem se fazer sentir por meio destes objetos. Mais uma das mágicas misteriosas que a arte nos presenteia!

Não sei qual é a verdade por detrás disso tudo, mas, pelo menos, eu acredito ter sentido alguma coisa diferente nesta peça. Foi uma experiência surreal!

Assim como no Projeto Delas, neste caso também fiquei responsável pela parte musical, assinando a direção, coordenando o repertório, ensaiando as cantoras e tocando piano no momento da apresentação que aconteceu no dia 12/12/2013.

As músicas foram: Abre Alas; Isso aqui o que é; Se acaso você chegasse; A história de Lily Braun; Quem te viu, quem te vê; O mundo é um moinho; Falsa Baiana e Jou Jou, meu balangandã.

Seguindo as festividades, após o encerramento, todo o teatro se transformou numa grande festa com DJ’s, muita música eletrônica dos anos 80, Samba Rock e assim por diante!

Foi uma experiência incrível!

Como estava muito perto dos atores, dentro do palco, pude sentir com mais força o encanto do universo da Commedia Dell Arte.

Certas manifestações não permanecem vivas e fortes por mais de 400 anos a toa, e pude ter certeza disso ao ver o quão tocante ainda podem ser personagens criados nos séculos XVI e XVII, num outro contexto histórico, num outro mundo humano, num outro país, mas, ainda assim, possuem força para nos absorver a uma realidade paralela: a realidade do palco!!!



Resenhas 2013 - @M@R


Este é o livro que contém os textos que deram origem ao espetáculo “Delas, um acontecimento cênico-musical”, do qual eu fui pianista e diretor musical.

Esta obra, de autoria da escritora e advogada Helga Bevilacqua, procura abarcar inspirações extraídas de seu cotidiano, de suas observações das pessoas e principalmente das figuras femininas que viviam e vivem próximas ou mesmo dentro da autora.

E foi extraindo delas que moram dentro dela que surgindo se firmou o espetáculo e, quase simultaneamente, este livro de textos rápidos, diretos, de linguagem simples, de fácil entendimento, porém com profundidade e uma riqueza de assuntos que, acredito eu, veio da despretensão do tempo de escrita, afinal, tudo começou como uma simples brincadeira esparsa.

Trata-se de um livro múltiplo onde ficção e realidade se misturam. Sendo assim, não sabemos o que foi vivido pela artista, ou o que, simplesmente foi vivido enquanto ela os imaginou no individual ato da criação.

São diversos os casos de amor e desamor que se desenrolam ao longo das quase 130 páginas, onde muitas mulheres comuns, viventes neste mundo Pós-Moderno, sofrem, gostam, desgostam, tentam, se frustram, mas renascem e seguem adiante.

Além do prefácio, escrito pela própria autora, o livro possui os seguintes textos:


  1. @M@R (que dá nome a obra)
  2. Sujeito a guincho
  3. Veloz
  4. Amor na terceira pessoa do singular
  5. Partida
  6. Vazios
  7. Manteiga
  8. Menino da chuva
  9. Ele e sua coca-cola
  10. Quadrilha Moderna
  11. O conto do abismo
  12. Rivotril
  13. Antônia
  14. Sobre a mesa
  15. A camisa
  16. A qualquer preço
  17. Amargo
  18. O beijo
  19. A raiva é um sentimento de unhas bem vermelhas
  20. Tango
  21. Cinema
  22. A sorrir
  23. Luna


Não há seqüência cronológica. O intuito foi simplesmente dar vazão a uma vontade que por tanto tempo ficou reprimida num cotidiano de um mundo corporativo, até o momento em que ela decidiu dar um basta, largar tudo e investir pesado no projeto para viver este sonho que se concretizou também por meio deste livro.

Uma leitura muito gostosa!!!



domingo, 19 de janeiro de 2014

Ideal


 - De quantas coisas a arte é a redenção?