quarta-feira, 18 de novembro de 2020

Ponto de Ebulição (Menção Honrosa no Concurso da Editora Noveland)

A cidade encontrava-se dormente apesar do lindo sol outonal que insistia em nos lembrar de um hodierno passado, um passado onde tudo estava meio avesso, mas, ainda assim, um pouco mais familiar do que este presente repentino que se nos acorrentou. A tal luminosidade convidava à recordação de que as ruas apenas nos esperavam para um futuro itinerário renovado, uma nova caminhada em potencial que ainda iria acontecer nos dias vindouros, num amanhã mais possível.
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Era uma cidade estranhamente calma e silenciosa a despeito da quarta-feira comum que se arrastava pelas ruas e praças. Havia uma amarga proposta de cativeiro, sutilmente apocalíptica, que fazia entornar, no ofuscante chão, o desespero silencioso que vibrava dentro das vidraças, dos cômodos, dos becos; uma quietude inumana que se amordaçava, conscientemente, a espera de um desfecho para a tragédia pandêmica.
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No entanto, via-se, sob a redoma reluzente da aldeia hibernada, por entre incontáveis restos que foram sendo descartados, um relance movediço de frangalhos. Via-se, juntamente a muitos despejos esquecidos, um homem e uma mulher.
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UM HOMEM E UMA MULHER!
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Na verdade, eles sempre haviam estado nas mediações do Largo do Paissandu, mas, tornara-se dificultoso demais notá-los em meio a tantos transeuntes, tantas mercadorias, tantas formas de consumir a vida no centro de SP; superficialidades diversas que, nesta quarentena, se recolheram, deixando transparecer o óbvio que perpetrava entre nós.
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Mas, seriam aqueles que ali restavam, realmente, um homem e uma mulher? Seriam estes dois seres, que haviam brotado no solo plano dos anônimos, exemplares legítimos da espécie dominante?
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Por vezes, assemelhavam-se a pedaços de trapos dotados de movimento, amontoados de farrapos que cambiavam de posição, feito acúmulos esquecidos que ocasionalmente são trocados de lugar. O casal parecia mais uma montanha de vestimentas sujas em constante procrastinação, como se uma pessoa tentasse, em vão, dar jeito na bagunça de um lar sem paredes; pedras de um deserto que se esgueiram quando embebidas pela miragem. 
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Mas era uma mulher, sim! E era um homem, sim! Eram dois idosos feitos de panos e escamas de restolhos que sobrevinham a eles por meio do itinerário das calçadas, origamis frágeis e leprosos dobrados por mãos feitas de concreto armado. 
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Notava-se, neste canto, pedaços de alguma ex-coisa qualquer, mantas esculpidas por buracos, uma pétala eterna a circundar seus cabelos, copos de plástico gastos pela utilização secular, restos de comida de uma antiga encarnação, pseudo-roupa-pseudo-travesseiro-pseudo-colchão multiuso, corpos incorruptíveis em sua condição mínima, dedos sujos por fissuras expostas, almas abissais. Um microcosmo meio biológico, meio inanimado que vivia embriagado de sua conturbação própria. Acredito até ter sido possível observar seus quatro olhos por entre os escangalhos amórficos que margeavam seus contornos. 
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Estavam entre alguns bancos vazios a amontoar pertences múltiplos, remexendo percalços e trivialidades que materializavam suas consciências pequenas, dando lastro e âncora às almas que necessitavam, apesar de tudo, ocupar o vazio de suas encarnações.
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O vírus não ousaria chegar até lá! A Covid-19 os esquecera após tantos meses de mortandade naquele fatídico começo da década de 20 do milênio terceiro.
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Estavam imunes, imundos, submundanos, mudos, imutáveis em sua perenidade santa, suas consciências castas, longe de qualquer pecado possível, equidistantes do bem e do mal. Sobreviventes e justos. Eles já estavam aquém das coisas, além dos homens, similares aos santos.
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Remexiam feito bichos seus pertences, até que o senhor, com um simples soslaio, indicou à mulher que eles deveriam arranjar algo comestível:
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 - Vamo. A gente tem de encontrar coisa. Tô com fome.
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 - Vamo ali embaixo – respondeu a última dama do caos. - A gente consegue alguma coisa. 
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Deixaram seus pertences esparramados como estavam - quem os roubaria?! - e seguiram por alguns metros pela praça, descendo uma pequena rampa que mostrava a direção do Vale do Anhangabaú. Após uma breve, porém exaustiva caminhada, chegaram na encruzilhada derradeira:
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 - Tem lixo novo aqui – disse o homem, indicando com o queixo. 
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 - Faz tempo que num vejo lixo fechado. Todo lixo tá aberto. 
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E se colocaram a rasgar o plástico preto que envolvia o desconhecido que lá dentro os esperava. O saco era resistente, mas eles se engalfinharam com unhas e dentes à massa pesada e preta até conseguirem um pequeno orifício. Depois deste primeiro rasgo, o material se abriu com mais facilidade e um bafio de mundo, um absurdo odor niilista, um cheiro resultante de todas as coisas possíveis infestou o ambiente, ainda que uma leve brisa flanasse por sobre os caminhos que dividiam os canteiros do largo iluminado. 
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Chegaram mais perto e observaram lacrimosamente a interna paisagem turva que teimava em ferir o mínimo ocular de seus nervos gastos.
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 - É grande! – disse a senhora.
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 - Abre mais. Tem muita coisa aí. - e puderam, enfim, vislumbrar melhor o que lá dentro estava. 
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Puseram-se a remexer os dejetos, os erros e também as grandes obras desgastadas pela mediocridade comum. Era um caldeirão com infinitos desejos e frustrações de uma espécie que pagava a conta de seus excessos, o preço dos egos, a clausura da ganância, o inchaço do materialismo; a silenciosa autocrueldade de um capital absoluto que se apodera de tudo e de todos, amarrando-nos em sua lógica inescapável. A mais poderosa religião que jamais houve!
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Nas profundezas daquele abismo descartável encontravam-se insondáveis fósseis de uma era de atropelamentos, tentativas agônicas, escarros primitivos, erros rupestres, insatisfações cristalizadas: um infinito passado feito até mesmo de coisas que não chegaram a existir. Naquele momento viral, o futuro havia se esvaído. 
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Retiraram papéis picados, o poema de um escritor que morrera enquanto feto, oferendas para Iemanjá, papelotes ilícitos, um horário de escola com as iniciais W.P.S.P, um barquinho desenhado de mar em traços trêmulos de clamor, o cachimbo de Crack de todos os ex-homens, a culpa de Judas, uma foto de Assis Chateaubriand, papel higiênico usado com diversas formas de excrementos, o Bhagavad Gita, um compêndio da literatura russa, comprovantes de pagamento de uma dívida moral, manuscritos de Bach, a vontade de vencer, extratos de banco, tocos de velas, uma chaga de Cristo, o Karma de Nelson Rodrigues, comprimidos coloridos com desenhos psicodélicos, exemplares únicos de todos os elementos da Tabela Periódica, a certidão de nascimento de Matusalém, as pirâmides submersas, a agonia de Nietzsche, um autógrafo de Tônia Carrero, ESTAMIRA, a declaração de amor de Diadorim, livros técnicos sobre objetos futuros, as chaves da Atlântida, restos do Muro de Berlin, a melodia que ninguém imaginou, as sobras do Socialismo, o elo perdido, cinzas de Gandhi, clássicos nunca dantes folheados, entradas para um show de John Lennon marcado para 9 de dezembro de 1980, imagens de santos esquecidos, um cartaz do filme “Cidade Baixa”, a consciência de Sidarta Gautama, o boletim universitário de Freud, mandalas de Jung, uma cruz com as inscrições: “aqui jaz também Édipo”, 3.000.000.000 Cruzados grudados com porra, as tábuas da lei, Santa Dulce dos Pobres, um estojo com tocos de lápis marcados com o nome “Jorge”, psicografias de Chico Xavier, punhados de maconha, “Nada a perder” de Edir Macedo, a sensação de plenitude, a sanidade de Virgínia Woolf, o sonho de Martin Luther King, a cura da AIDS, o pecado de Eva, uma assinatura de Carlos Adão, um carnê de mercadorias do Baú, um quadro com a imagem de Piolin, os olhos de Homero, ferragens do Enola Gay, um abadá ainda úmido de cerveja, os braços da Vênus de Milo, restos mortais de Tutancâmon, metade da barata ingerida por G.H, a última rubrica de Stephen Hawking, o cachimbo de Manuelzão, o mapa da Biblioteca de Babel, um compêndio final da filosofia exaurida, a vacina que nos libertaria, uma nova versão da Verdade e...
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UMA CARTA!
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Sim, uma carta... uma carta intacta. Ilesa. Perfeita. Nítida. Impávida. Alva. Encantadora. Incrivelmente límpida. Quase vítrea. Até mesmo translúcida e endereçada a João dos Santos Nunes e Rosa Bernardes dos Santos Nunes.
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 - É a gente! - exclamaram quase simultaneamente.
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Abriram o envelope com um vigor que há muito e muito tempo não se expressava em nenhum de seus movimentos. Abriram a carta com sofreguidão, com ânimo, com um quase desespero, uma ansiedade já extinta pelo resignado e medíocre cotidiano que os fizera baixar os olhos há tantos anos. Suas quatro mãos tremiam como que querendo esgarçar o futuro, revalidar as possibilidades, desenclausurar a esperança, fazer viver o restolho da vontade e chorar os rios internos que haviam secado há tantas Primaveras. 
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Desvencilharam-se do invólucro e abriram a folha pautada que se encontrava uniformemente dobrada dentro daquele insuspeitável tesouro. 
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Eis o conteúdo:
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Senhoras e Senhores que aqui restaram,
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Com quantas voltas se faz um mundo? Quantos homens por aqui ainda deverão andar antes que superemos, definitivamente, os fantasmas que nós mesmos criamos por meio de nossas urgências? 
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Quantos tipos de máscaras usaremos para afastar a doença, proteger as fraquezas, perpetuar a vaidade e instigar a inveja? Quantas gargantas roucas ainda tentarão vociferar a realidade antes que alguma espécie de transmutação definitiva se faça sentir nos rincões da alma? 
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Como bem sabemos, na dor, todo homem é profundamente igual!
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É triste, mas, necessário dizer que o mundo não é feito para outro fim, senão o da superação pela passagem, além da preservação daquilo que se deixa. O mundo não possui objetivo em si. O mundo não é mundo. O mundo é meio, caminho, inexatidão. 
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Enganamo-nos quando fundamos nossas almas naquilo que se firma com as mãos ou quando alimentamos nossos olhos com a superfície que primeiro se fixa no olhar. É necessário cambiar a visão. É necessário chegar ao ponto de ebulição dos transtornos para destilar nossas matérias numa renovada solidez. 
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A pressa do vazio, a gula do instinto e o raquitismo da interioridade nos causaram desmoronamento. Esquecemos demais e, por isso, fez-se urgente relembrar, fez-se urgente adoecer. 
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Mas, levantem agora seus olhos e vejam do que ainda somos capazes. Observem a sua volta. Caminhem em direção daquilo que realmente vos convida e encarem o mesmo novo sol que vibra por sobre esta primitiva quarta-feira.
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Assinado: Um outro alguém...
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E foi então que perceberam que o lugar já não estava, a paisagem havia cambiado em outro sentido e apenas a brisa leve se mantinha intacta em seu movimento suspirante.
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O senhor e a senhora entreolharam-se ternamente. Aquela carta modificara suas escuras realidades e, enfim, limpos, descansados, saciados das necessidades, o amargo retrato de nosso mundo adentrou convictamente a imensa luz que emanava numa diagonal suspensa. Seus contornos quebradiços se emolduraram de claridade e, junto deles, manchas descomunais foram tragadas do orbe, posto que o tempo já não as queria aqui.
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Aos poucos, em torno daqueles corpos caídos no canto de uma SP abandonada, aglomeramo-nos e nos reconhecemos defronte àqueles cadáveres sorridentes que se encontravam rodeados de nossas infinitas particularidades: lembranças, glórias esquecidas, restos de erros, possibilidades inacabadas e mais de cinquenta séculos de história despejados na esquina. Estávamo-nos ali, expurgados de nós mesmos.
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Do chão, lotado de tentativas, um novo espelho humano se fez pressentir, materializando-se por sobre aquele colossal mosaico que descansava após ter sido resignificado por senhores tão singelos; seres que personificavam o estado real de tudo e de todos, mas que agora restavam somente em sorriso. 
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Ao morrerem, nos deram nova vida!
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Outros sentidos se fizeram em torno de profundos corações e, ali, foi fundada o que viria a ser uma nova tentativa. Havíamos superado, tocados pelo doce semblante daqueles cadáveres, o passado movediço que teimava em nos asfixiar. Nossos erros estavam suplantados juntamente com os farrapos que todos nós, um dia, fôramos. A pandemia havia desnudado a fraqueza de nossas antigas convicções.
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 - SERÁ?! – questionou o narrador...
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sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Atitude de agora

Na vida, nós temos o que é o errado, nós temos o que é o justo e nós temos o que é o BOM.
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Todas as atitudes realizadas se resumem a esta simples, porém dilatada trindade de categorização das ações humanas.
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Eu tendo muito a prezar pelo justo, mas hoje, após muito silêncio e ponderação, fui além, por mais que tenha me negado...
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E me parece que o mundo não pode se bastar à beleza luminosa do que é simplesmente justo.
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O mundo precisa, SEMPRE URGENTEMENTE, daquilo que é bom.
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Não o sorriso exato, mas o sorriso despretensioso e gentil.
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Não o olhar medido, mas a visão que perpassa e vai além.
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Não o julgamento correto, mas o perdão e a gentileza, apesar de tudo. 
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Não a forma exata, mas a extravagância absoluta de se manter na latência daquilo que por vezes parece absurdo, mas que, na verdade, é o que faz a eternidade ser tolerável.
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Eu me prefiro assim. Eu me tento assim. Eu me procuro por esta diretriz, apenas de ser difícil e, para tantos, ser um tanto idiota.
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Mas sei que desse jeito não pode ser.
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Sei que assim não é.
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Sei que assim nunca foi.
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E sei que NUNCA SERÁ!
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NUNCA!!!
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