quinta-feira, 26 de junho de 2008

Poesia bem loka (isso vicia)

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Já escrevi um bando de poesias esse mês no meu caderno, mas muitas não cabem aqui já que fazem parte da parte do iceberg que não pode emergir. Mas, ontem, escrevi essa daqui de baixo e achei interessante, por isso estou postando.
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30 pensamentos nunca de outrem pensados
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1. Beber vômito e xixi colabora com a sustentabilidade
2. Pentear a careca é uma forma de arar e arejar pensamentos
3. Punheta é um tipo de massagem localizada
4. O frio e o gelo podem ser considerados uma barreira temporal
5. Chuva de verão é lava-jato de mundo
6. Guarda-chuva é parêntese não ortográfico que não se fecha
7. Rir de piada é gargarejo de alegria, por isso também se dá o nome de gargalhada
8. Chorar alivia, pois cagamos pelos olhos
9. Roer unha é uma espécie de antropofagia
10. Por dois joelhos passa uma e, somente uma, reta
11. Cabeça, tronco e membros de um gordo não determinam um plano
12. Unha é uma epiderme especializada em coçar e abrir latinhas
13. Casacos sintéticos são adaptações que naturalmente perdemos
14. Cabelos que caem são como filhos rebeldes, deixam seus pais carecas de preocupação
15. Meu filho é um outro de mim com outra mãe escolhível, portanto é fruto de uma traição saudável, diria Freud
16. Pupilas são como comportas de hidrelétricas, quando mais abertas mais luz se tem
17. Cortinas grossas são noites com hora marcada
18. Cabides são corpos que ocupam lugar aumentando o espaço
19. Cubos perfeitos não possuem largura, altura e profundidade fixas
20. A esfera é um polígono já um pouco envelhecido
21. Objetos fluorescentes são museus de luz
22. O horizonte é onde o céu é mais humilde
23. O telefone é capaz de driblar a dupla natureza das ondas sonoras
24. O ângulo é um beijo lésbico e a quina é uma menage a trois
25. Depilação de buço feminino é literalmente arrancar o mal pela raiz
26. O nescafé embalado a vácuo que comprei tem um ligeiro cheiro de carne
27. Passos são doses homeopáticas do caminho
28. Árvores trazem a tona o lado negro da força
29. O som é a luz dos ouvidos e a luz é o som dos olhos
30. Pensar o que não se deve deixa devendo o que não se pensou
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terça-feira, 24 de junho de 2008

Para limpar a mesa

Se a vida não for mais bela que qualquer existência, ela não valerá a pena, não. Assim, não haverá porquê existir aqui.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Coisa loka

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Há de sempre haver, tu estarás contigo.
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Pensamentos puxam notoriedades não latentes.
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quinta-feira, 19 de junho de 2008

Modesto

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Consegui resolver um teste que dizem que Einstein formulou e estimava que só 2% da população da Terra conseguiria achar a solução. Eu acho que a porcentagem, com o passar dos anos, aumentou um pouco, pelo menos o site indica que em média uns 5% dos que tentaram conseguiram.
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Ele está nesse endereço: http://rachacuca.com.br/teste-de-einstein/
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Se alguém tentar, não conseguir e quiser o resultado, eu tenho o print screen com a resolução.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Formato

Num velho casarão de uma cidade abandonada havia alguém. Alguém velho ou novo, alguém sem jeito, alguém trêmulo, alguém que não se distinguia de si mesmo. Era um alguém nenhum. Não se satisfazia de além. O próprio lugar era um entorno só, apenas um pretexto de localização que não necessitava ser aqui. Os aquis, lá, ondes não relevavam, não conseguiam fazer estar. Não era da natureza deste, estar. Era sem maneira o existir, o pensar, o respirar, o tremular. Uma constante vibração. Não há estático para o que vibra, não há constantemente para o absoluto. Há o que se há mesmo sem estar, simples assim. Um todo de si alojado no canto esquecido do monólogo das ruas. Um paralelepípedo após o outro naquela constância monótona, monóloga, ladeiras de sem ser, vielas de não estarem, corregozinhos e pontos espaçados entre a inconstância das terras de lá. Tufos de ligeireza permeavam por entre esquinas. O barro marcado pelo pneu que não passou. O barro ainda espera naquele mesmo descalçado. E o casarão do algum em si. Lá havia vida, noutros lugares o talvez hipnotizasse o olhar, mas nada seria realmente provado. A prova estava naquela casa do canto. Entre tralhas e telhas caídas, entre papéis psicografáveis que esperavam uma mão que de si faria. Essa era a regra e nela reside a trama. Uma mão que não viria, não fosse a procura cercada de si mesma. As luas não passavam naquela não referência. Dias e mais dias se perdiam no pêndulo. O tempo se inebriava por si e não sabia mais em que ponto estaria. Vai e vem sempre. Contava inocentemente as horas pela vibração de seu tremular. Estava em si o algum convencido de que assim se pode levar, mas bastavam alguns instantes para que a contagem se dispersasse por entre pensamentos e tudo se iniciava novamente como o olho que acredita estar amanhecendo apenas porque o vento está fresco. Necessitava pensamento domado. Necessitava criar a maneira de sulcar a passagem do tempo por entre as coisas para que aquilo tudo, no seu envelhecer, determinasse a sua progressão. Mais a progressão nasceria de si. Necessitava libertar o existível. Tinha ânsia de movimento, mas enquanto não houve horas, dias, semanas e derivados, o verbo não poderia se executar. Não havia como saber quantos vibrares estava ali. Milhares deles. Espasmos escassos diversos já havia fixado em sua percepção, mas nada daquilo era suficiente para realmente abrir campo para a ação. A ação se faz no tempo, o tempo se faria no algum, e somente esse poderia ser o sentido da própria existência que ainda não existia, já que também ela se faz no tempo. Como inventar a consciência da passagem e mais passagem e mais outras para se libertar do formato atemporal que a matéria tem em si? Era necessário uma história para isso. Era necessário quem a escrevesse, era necessário que alguém reconhecesse a possibilidade do algum e assim, no auxilio mútuo, a liberdade de ambos se tornaria o próprio desenrolar da vida. Era necessário palavras para enfim possibilitar, em si, o verbo da criatura.

Pós almoço de hoje

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Eu não comi o arroz doce gratuito depois do almoço pra não estragar a sede...
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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Pós almoço

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Eu não como a geléia gratuita depois do almoço pra não estragar a cede...
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sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fina crueldade

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Apesar de tranquilos e vazios, seus traços davam impressão de motejo, como um vesgo que, triste ou alegre, seria sempre visto como vesgo.
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A maça no escuro - Clarice Lispector
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quarta-feira, 11 de junho de 2008

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Relatividade

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A minha verdade flui absolutamente mutante em minhas veias.
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Capote Valente

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(I remember the very first time I smoke the MT...) (Na verdade a frase era: I remember the very first time I smoke DMT, mas isso eu fui descobrir depois)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Lembro como só eu sou capaz de lembrar. Ninguém esteve comigo naquele instante, naquelas noites, naqueles dias e meses. Nem eu mesmo estive comigo. Acho que era inédito, achei que era sem volta e realmente era. Naquela ida por rua abaixo descendo ladeira que se arrastava como que em escalada, estive sem ter estado conscientemente. Uma pena, ou até mesmo não. Não uma pena por não ter sabido, isso não, mas talvez desse pena de se saber que por isso fora melhor o feito como foi. (???)
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Eu me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Como era estado, não! Deplorável, destituído. A lógica constitutiva de mim não estava mais em mãos ou em mentes. A mente mentia, o corpo seguia. Seguia porque não sabia mais de si. Estar em si, naquela época, era não estar, definitivamente era o não estar. Não posso dizer que também não era ser, pois o exercício deste verbo, quando solitário, é inalienável de qualquer um. Por isso não digo que não fui, mas digo que não se conjugava em mim o presente.
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Só sei que me lembro da primeira vez que desci aquela rua num meio de junho de 2006. Chovia? Não me lembro, mas minha memória construiu a certeza de que sim, estava chovendo. Era inverno, havia garoa, moletons. Uma pasta na mão esquerda enquanto a mão direita carregava o guarda-chuva. Geralmente ando assim. Desci quarteirões, acho que uns 3. Depois dobrei a esquerda. Via a luz no fim daquele passeio. Eram casas, mas não me lembro. Padarias cheias de incógnitas. Li a placa: Capote Valente. Não me fez nada de mais.
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Mas me lembro bem daquela célula do ato de descer aquela rua num meio de junho de 2006. Qualquer poço, por mais fundo que tivesse sido, não chegava aos pés ou às solas daquele que abriguei minha morada. Fiz casulo sem paredes num não lugar. Nem a instância primária do corpo era contida em mim. Eu era um ponto final que se alongava por não ter ânimo de se fazer na próxima frase. Mas tenho a semente.
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Virei à esquerda e a ladeira continuou. Aliás, já estava por meses e continuaria por muitos, mesmo que um pouco escalada. Uma ladeira sem rumo, sinuosamente descontente por entre tantos sorrisos desperceptíveis. Bati na porta, a porta falou. Pisei no hall, o hall entrou. Subi no nono andar, procurei pelo número. Hoje sei do sentimento, mas naquela hora, nada se fazia sentir. Eu havia desaprendido a arte de sentir.
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A porta abriu. Fixei-me. Pensei. Li revistas. Bebi água. Mas tudo isso é um talvez, pois de fato, não sei dos fatos. A terceira e derradeira porta se abriu. Novamente entrei e sentei frente a frente com aquele espaço que seria o início da reconstituição da caverna. Afinal, lugares não havia e era necessário novamente inventá-los.
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Naquele momento eu era um bicho. Olhando com esforço, respirando por ser automático. Apetrechos jogados por sobre tudo para, enfim, poder se concretizar depois de muitas e muitas luas e se virar para si apontando o dedo que em si mesmo já dizia: É agora...
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Mas não. Qualquer agora era incisivo demais. Mas não. Qualquer apontamento teria que ser forçadamente elaborado, pois, apesar de ser, eu havia desaprendido como era a minha maneira de exercitar satisfatoriamente esse verbo. Uma reinvenção do ser deveria ser iniciada naquele instante. Tudo que por tempos tinha sido automático e que tão longe tinha ido, estava esfarelado e perdido fora do meu alcance de não se ver. E olha, ser humano é um bicho danado de complexo. A reconstituição do crime chamado vida, é foda...
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O dedo apontando foi caindo inconsistente em mim, o se pensar tocou a pequeno casulo sem margens. Tocou o que não havia. Ou havia, pois o não haver era o que existia naquele ano. Me vi, através daquele espelho crítico, que algo estava muito pior do que eu pensava estar. O ponto final que não ia adiante, eu, assim, enfim, vi e notei. O estrago era grande. Em menos de um ano eu tinha passado do extremo maior de alegria da minha vida, para o extremo oposto.
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Um ponto um pouco acima da nuca. Era aquilo que restava.
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De tantas festas, bandas, gravações, dublagens, músicas, viagens, o que restava era um ponto alojado na parte detrás da cabeça. Era como o universo quando se contrai. A massa se torna minúscula, mas não se implode. Era o eu-mínimo, como chamam por aí. Era a instância fundamental da consciência. Era a alma.
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E da alma se pode tudo!!!
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Ali fui alma.
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Não tinha consciência suficiente do corpo. O corpo existia, pois ele existe por si. O cerebelo que o diga.
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E, daquele instante que me vi mínimo, infinitamente mínimo, comecei, como uma esfera que se racha de dentro pra fora, a esculpir solitariamente (sempre somos sozinho, no mais fundo de nós, sempre seremos assim) meu novo eu. Precisava esculpir ferro denso com unhas e dentes, ou, simplesmente, esculpir consciência, o que não alivia em nada o processo.
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Essa escalada, mais radical e urgente, durou todo o mês de julho de 2006. Não que tenha sido definitiva, mas, com certeza, foi a mais drástica e exponencial.
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Porém, ainda sim, I remember the very first time I smoke the MT.
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Era Capote Valente. Não há nome melhor para se definir aquela rua, pois lá se capota, mas não é um capote qualquer, é um capote voluntário, é um Capote Valente.
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E foi realmente um Capote Valente, sem igual.
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Acredito piamente que nenhuma dessas palavras são excessivas. Acho-as até mesmo insuficientes. Mas já basta.
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Pensei em escrever esse post há mais de 1 ano. E agora, enfim, ele está aí.
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Um desvario, vivido, de pouco mais de mil palavras.
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http://pt.wikipedia.org/wiki/DMT_(subst%C3%A2ncia)
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terça-feira, 3 de junho de 2008

Postagem 400

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Tomar decisões é uma questão de escolher ignorâncias.
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Vitais

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Já pensei profundamente por esses dias e quase nada me tranqüiliza de verdade. Acredito que as únicas coisas que realmente me acalmem sejam: a arte e o amor. Acho que fora essas duas coisas, a vida não vale profundamente à pena.
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