quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Balanço de 2012

2012 foi, de longe, o ano que mais fui ao cinema! Foram 45 filmes, fora que alguns deles (talvez uns 4) foram vistos mais de uma vez, já que acompanhei algumas pessoas que queriam ver um ou outro título. Isso dá quase uma média de um filme por semana, já que o ano tem 52.

Também foi o ano que mais vi óperas, mesmo não tendo sido tantas assim: 4!

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O filme mais legal foi: Intocáveis. Mas “Gonzaga – De pai para filho” também me emocionou bastante! E documentário da Tropicália e sobre o Raul também foram muito ricos! Em geral, adoro documentários!

No teatro, o mais bonito foi: Ser Minas tão Gerais. Mas apesar de que foi um teatro com dança, meio show, musical. Este talvez pudesse ter entrado numa categoria a parte, já que não se limita a uma forma de arte.

Fora este, colocaria aqui também, por terem sido muito emocionantes: Palácio do Fim e Luis Antônio – Gabriela. Ambos eu vi a última apresentação! E estas tendem a ser especiais! Digo isso por experiência própria.

Dos shows, com certeza, Milton Nascimento em Três Pontas. Aliás, esse foi o melhor show que vi dele.

Dos livros, o que eu li com mais entrosamento foi “O retrato de Dorian Gray”. Apesar de que “Os sonhos não envelhecem” também marcou uma passagem importante do ano passado!

Mas pra ser sincero, não fiquei contente com minhas leituras. Li pouco, sem muita disciplina, parando demais, misturando títulos, deixando livros em aberto para terminar num outro momento! Mas não posso dizer que não li uma quantidade razoável de títulos.

Das danças, não consigo colocar uma mais bonita, já que nas duas idas, a segunda coreografia executada no dia me pareceu estupenda!

E nas óperas, Werther, pelo caráter dramático, foi a que mais gostei!


Enfim, segue a lista geral de 2012, e a de 2013 já está crescendo:

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Filmes

  1. 360
  2. Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge
  3. Bem amadas
  4. Cara ou coroa
  5. Headhunter
  6. Intocáveis
  7. Na estrada
  8. O gato do rabino
  9. Separados pelo inverno
  10. Tropicália
  11. A espera de turistas
  12. A primeira coisa bela
  13. Apenas uma noite
  14. Até a eternidade
  15. Deus da carnificina
  16. Fausto
  17. Febre do rato
  18. Madagascar
  19. Paraísos artificiais
  20. Um método perigoso
  21. Violeta foi para o céu
  22. Weekend
  23. Amor e dor
  24. Drive
  25. Pina
  26. Raul – O início, o fim e o meio
  27. Shame
  28. Xingu
  29. A dama de ferro
  30. A fonte das mulheres
  31. A invenção de Hugo cabret
  32. A música segundo Tom Jobim
  33. A separação
  34. Albert Nobbs
  35. As aventuras de Tim Tim
  36. A artista
  37. Os descendentes
  38. Tomboy
  39. Tudo pelo poder
  40. E se vivêssemos todos juntos
  41. 007 Operação Skyfall
  42. Argo
  43. E agora, aonde vamos?
  44. Gonzaga: De pai para filho
  45. O espetacular homem aranha


Teatros

  1. A menina que entra em livros
  2. Antígona
  3. Ser Minas tão Gerais
  4. Mameli - Canto de um jovem italiano
  5. Balaio
  6. Palácio do fim
  7. Luis Antônio Gabriela
  8. Toda nudez será castigada


Livros

  1. A rosa do povo – Carlos Drummond de Andrade
  2. Aquarela – Benita Carneiro
  3. Infância – Maksim Górki
  4. Método Prático da Guerrilha - Marcelo Ferroni
  5. O Cortiço – Aluísio Azevedo
  6. O Falecido Mattia Pascal - Luigi Pirandello,
  7. Orgulho e preconceito – Jane Austen
  8. Os sonhos não envelhecem - Histórias do Clube da Esquina – Márcio Borges
  9. Passageiro do fim do dia – Rubens Figueiredo
  10. Pétalas esparsas – Benita Carneiro
  11. Aquarela – Benita Carneiro
  12. Fernando Pessoa – Uma quase autobiografia – José Paulo Cavalcanti Filho
  13. Nasce uma flor daqui – Benita Carneiro
  14. Os Malavóglia - Giovanni Verga
  15. Uma vida sem limites – Nick Vujicic
  16. O retrato de Dorian Gray – Oscar Wilde
  17. Romanceiro da Inconfidência – Cecília Meireles


Shows

  1. Milton Nascimento em Três Pontas (50 anos de carreira)
  2. Som Imaginário - Instrumental SESC Brasil
  3. Camerata Fukuda


Danças

  1. Balé da Cidade de São Paulo (Julho)
  2. Balé da Cidade de São Paulo (Dezembro)


Óperas

  1. Pelléas et Mélisande
  2. O Elixir do Amor
  3. O Rouxinol
  4. Werther

Últimas resenhas de 2012: 007 - Operação Skyfall





Como sempre, o filme se inicia com uma longa cena de ação. São roubados dados que podem fazer vir por água abaixo a identidade secreta de diversos agentes ao redor do mundo. James Bond parte atrás do ladrão e, numa perseguição acirrada, algo sai errado.

Depois desta aparente fatalidade, dá-se uma pausa onde são apresentados os nomes do atores, diretores, roteirista e outros do tipo.

O enigma se encerra quando o M16, em Londres é atacado, e isso faz com que Bond entre em ação. A corporação está em crise, e cabe ao despreparado agente a missão de realizar a ação que pode salvar sua vida e a de outros próximos.

Com o passar das cenas, descobre-se que o vilão é alguém que conhece minuciosamente o que é ser um agente secreto, e em especial, o funcionamento do M16.

O que eu achei mais significativo, neste filme, foi o fato do herói ter que se superar (apesar de que eu achei sua superação um tanto fácil demais para um homem que se mostrou tão debilitado) para provar novamente que estava apto a realizar um trabalho bastante difícil, e assim poder salvar a corporação de agentes secretos do Reino Unido.

Além deste ponto que exigiu, além da dita superação, o perdão do personagem principal, o fato das cenas mais significativas terem se passado no lugar de formação inicial do 007 também me tocou. Eles se refugiam na sua casa de infância, e atraem o vilão (aliás, muito bem interpretado!) para o tal do sítio Skyfall, que dá nome à película. Um lugar belíssimo, à beira do mar, afastado, onde tudo volta a se ajeitar, mas não sem perdas de ambos os lados!

Neste ponto distante de tudo, onde o céu cai sobre a cabeça de todos os envolvidos, o bem triunfa sobre o mal, que estava em vantagem numérica e tecnológica, mas que não dispunha de alguns conhecimentos espaciais.

Esteticamente o filme é maravilhoso! As cenas noturnas em Skyfall, como a cena do lago iluminado, são lindíssimas!!!

Além disso, a música tema sempre me toca muito quando a ouço!

Logo que a tragédia se abate no início do filme, dá-se a já referida passagem lúdica, onde se mergulha num universo de imagens quiméricas tanto do inconsciente do personagem principal quanto em elementos que irão guiar a trama que estava apenas começando! Imagens lindas, uma música bastante tocante, numa combinação tão inebriante que cogitei ver o filme uma segunda vez!!!

Segue o vídeo com a música:


Ficha técnica

Nome: 007 - Operação Skyfall
Nome Original: Skyfall
Cor filmagem: Colorida
Origem: EUA
Ano de produção: 2012
Gênero: Aventura, Ação
Duração: 143 min
Classificação: 12 anos
Direção: Sam Mendes
Elenco: Daniel Craig, Helen McCrory, Javier Bardem, Ralph Fiennes, Judi Dench, Albert Finney

Últimas resenhas de 2012: Argo


Filme que agora começa a estourar novamente já que foi indicado ao Oscar e ganhou prêmios bastante importantes no Globo de Ouro.

Conta a história verídica de quando, sob o poder do Aiatolá Khomeini, o povo iraniano, residente em Teerã, sua capital, se revolta contra os Estados Unidos e invade sua embaixada, já que este país havia apoiado o governo do antigo Xá, homem que, sabidamente, foi bastante repressor. No entanto, seis funcionários da embaixada conseguem escapar e pedem asilo na cada do embaixador do Canadá.

Com isso começa uma corrida contra o tempo, já que é necessário retirar não só os funcionários da embaixada, como também esses seis americanos que estão, clandestinamente, alojados na casa do embaixador do país vizinho, o que poderia gerar inimizade entre o Irã e o próprio Canadá.

Tony Mendez, interpretado por Ben Affleck que, aliás, também dirigiu e produziu a película, desenvolve um plano para retirar os refugiados, e o filme se desenrola numa crescente de tensão, até as cenas finais no aeroporto.

Realmente emocionante acompanhar as situações colocadas, ainda mais quando se imagina que tudo isso aconteceu, guardadas as devidas licenças artísticas, na vida real!

Achei muito bem montado! A época, fim da década de 70, mais precisamente o ano de 1979, está muito bem caracterizado pelos objetos, pelas vestimentas, pelos penteados, pela postura das pessoas, pelas tecnologias disponíveis!

Um filme maduro!


ELENCO
Ben Affleck, Bryan Cranston, Alan Arkin, John Goodman, Victor Garber, Tate Donovan, Clea DuVall, Scoot McNairy, Rory Cochrane, Christopher Denham
ROTEIRO
Chris Terrio
PRODUÇÃO EXECUTIVA
Chris Brigham, Chay Carter, Tim Headington, Graham King, David Klawans, Nina Wolarsky
PRODUÇÃO
Ben Affleck, George Clooney, Grant Heslov
DIREÇÃO
Ben Affleck



Últimas resenhas de 2012: Balé da Cidade de São Paulo e Orquestra Sinfônica Municipal



Foram dançadas duas coreografias:


Ter_Alado (“Ter ao lado”)

Nesta coreografia, há constantemente o princípio de uns guiando outros colocando suas mãos sobre suas cabeças, bem como encaixes de corpos e um constante testar e trocar de intenções que se dá principalmente pelo toque, pelo apoio e muito pelo suporte que um corpo pode dar ao outro, proporcionando a outrem o alar-se, o soltar de si mesmo.

Achei bem interessante, mas, dotado de uma narrativa demasiadamente aberta, com pouca concatenação de elementos, deixando o todo disperso demais e sem um foco que poderia, não restringir, mas implementar uma singularidade objetiva através de uma mensagem mínima, indo além do simples mote de colocar corpos dançando uns com os outros!

O coreógrafo defendeu a idéia da não linearidade, ou mesmo da ausência de um ciclo, temporalmente organizado, de ação e conseqüência, mas não me agradou totalmente, pelo já dito aqui.



T.A.T.O (Tecidos Abertos por Tensões Opostas)

Nos dois espetáculos de dança do Balé que fui ver em 2012, a segunda coreografia era mais bonita! E eles estão certíssimos de colocar dessa maneira!

A “T.A.T.O” me deu novamente a impressão que outra coreografia deste corpo de dança me passou: há idéias que são melhor traduzidas pela dança, mais do que por qualquer outro tipo de arte!

Idéias amplas que, se verbalizadas, por exemplo, pela Literatura, pelo Cinema, pelo Teatro, pela Ópera, pela Poesia, pela Canção Popular, tenderiam, bastantemente, a restrição da liberdade imaginativa de cada um que tomasse contato com a obra!

Também não caberiam numa pintura, pois precisaria do movimento para expressar a narrativa, a busca, a conquista, a modificação de algo mais profundo!

E a música, a dita rainha de todas as artes, perderia também neste contexto, pois careceria da imagem humana, do arquétipo básico do corpo do homem e sua contextualização comunal de movimento e expressividade!

Já a dança, liberta-se do verbal restringente, da pintura estática e da música pouco imagética real!

Ou seja, tem coisas que a só a dança pode expressar!

A T.A.T.O abre um painel amplo sobre as relação com a morte, os entes queridos, o trabalho energético que se dá pelos pêndulos posicionados sobre o palco.

Fiquei super encantado!

Foi interessante reparar como a movimentação dos pêndulos era difícil antes da superação da morte. Já após as cenas fatais, os dançarinos passaram a movimentar suas bases com muito mais facilidade, num indicativo de transcendência dos limites palpáveis do entorno físico quando instigados pelo mistério ou talvez quando alimentadas suas resignações pela certeza do desencarne!

Houve muito os gestos dos bailarinos tentado se libertar de algo, crescer além do próprio peito, soltar de algumas amarras corporais e esgarçar a realidade à qual eles (Nós) estavam todos encarcerados.

A figura dos pêndulos no palco ilustrava justamente a ritualística sutil que guia o descobrir humano das energias superiores, bem como a construção de pontes que nos satisfaçam nossa necessidade de contato com o além!

Os pêndulos foram diversas vezes movimentados, às vezes chegando próximos de outros corpos, por vezes se elevando e distanciando do plano onde se encontravam os bailarinos, outras vezes eram tocados diretamente fazendo-os girar, parar, balançar.

Agora, como representar idéia de uma sutileza tamanha, senão pela dança, apoiada pela música?!

Fiquei emocionado pela cena final, onde um bailarino está caído (morto) debaixo de um pêndulo e outro solitário numa outra extremidade do palco, inicia, lentamente, o arraste da base pendular, a fim de tocar o outro corpo, de estabelecer a ponte entre a vida e a morte, e assim as luzes se apagaram e as cortinas se fecharam, no momento final do contato entre as duas realidades pungentes!

Por último, não posso tentar dizer sobre a música desta coreografia, por isso deixo o link para audição:


Todos aplaudimos de pé por um bom tempo! Muito muito emocionante!


Balé da Cidade de São Paulo
Ter_Alado - T.A.T.O.
Theatro Municipal de São Paulo
13 qui 21h, 14 sex 21h, 15 sab 20h e 16 dom 17h
Balé da Cidade de São Paulo (duração total com 1 intervalo 1h20’)

“Ter_Alado” 23’
Música – Heitor Villa Lobos
Coreografia – Renato Vieira 
Figurinos – João Pimenta
Desenho de luz – Binho Schaefer        
(intervalo 20’)

“T.A.T.O.” 35’
(estreia de nova coreografia, com a participação da Orquestra Sinfônica Municipal)
Música – A. Schoenberg: “Noite Transfigurada” op. 4
Coreografia – Jorge Garcia
Regência – Luís Gustavo Petri
Cenografia – La Tintota
Desenho de Luz – Ari Buccioni
Figurino – João Pimenta




Últimas resenhas de 2012: E agora, aonde vamos?


Um filme um tanto comédia, outro tanto drama.

Um grupo de mulheres muçulmanas e cristãs, moradoras de um pequeno vilarejo afastado, cercado por minas terrestres, localizado no Líbano, resolve tomar atitudes para diminuir os conflitos entre seus maridos, devotos das duas diferentes religiões já citadas. Elas pretendem, assim, diminuir as perdas e mortes numa região já bastante castigada por guerras já inexplicáveis!

Com isso, elas começam a armar esquemas que sirvam de uniam entre os dois lados.

Chamam dançarinas da Ucrânia para distrair os homens e tirá-los da rotina entediante, a fim de que surjam outros assuntos nas rodas de conversa que não sejam as antigas divergências em relação a Deus.

Servem biscoitos com haxixe a fim de apaziguar os ânimos numa festa promovida na comunidade!

Os planos parecem ir muito bem, até que uma tragédia maior se abate e elas resolvem radicalizar ainda mais: trocam suas vestimentas! As cristãs se vestem como as muçulmanas e vice-versa!

Não me lembro mais exatamente como terminou, mas acredito que a ultima cena se passe no cemitério onde todos se reúnem para enterrar o corpo de um ente querido e diante do cenário de tantas mortes, os homens se tocam e se reunificam!


FICHA TÉCNICA
Diretor: Nadine Labaki
Elenco: Nadine Labaki, Claude Baz Moussawbaa, Leyla Hakim, Yvonne Maalouf, Antoinette Noufaily, Julian Farhat, Ali Haidar, Kevin Abboud, Petra Saghbini, Mostafa Al Sakka, Sasseen Kawzally, Caroline Labaki, Anjo Rihane, Mohammad Aqil, Gisèle Smeden, Khalil Bou Khalil, Samir Award, Ziad Abou Absi, Adel Karam, Oxana Chihane, Anneta Bousaleh, Olga Yerofyeyeva, Yulia Maroun, Oksana Beloglazova, Fouad Yammine, Cendrella Yammine, Sami Khorjieh, Mounzer Baalbaki, Marlein Ziadeh, Marie Skeif, Georgina El-Zaitrini, Mona Moukarzel, Joëlle Najem, Mohamad Al Sakka, Chady El-Teeny, Kassem Istanbouli, Ahmad Hafez, Georges Khoury, Georgio Ghawi, Mohammad Raad, Elie Abou Zeid, Moustapha El Masri, Ali Baajour, Paola Sleiman, Angelica Saleh, Issa Abboud, Reslan El-Karra, Georges Abi Khalil, Abdel Rahman Billoz, Suzane Talhouk, Nathalie Abi-Habib, Karin Dor, Frederick Stafford
Produção: Nadine Labaki, Anne-Dominique Toussaint
Roteiro: Rodney Al Haddid, Jihad Hojeily, Nadine Labaki, Sam Mounier, Thomas Bidegain
Fotografia: Christophe Offenstein
Trilha Sonora: Khaled Mouzannar
Duração: 110 min.
Ano: 2011
País: França, Líbano, Egito, Itália
Gênero: Comédia Dramática
Cor: Colorido
Distribuidora: Vinny Filmes
Estúdio: Pathé / France 2 Cinéma / Chaocorp / The Doha Film Institute / Canal+ / CinéCinéma / France Télévision / Les Films de Beyrouth / Les Films des Tournelles / United Artistic Group / Prima TV / Ginger Beirut Productions
Classificação: 14 anos




Últimas resenhas de 2012: E se vivêssemos todos juntos?



Um grupo de 3 senhores e 2 senhoras, Albert interpretado por Pierre Richard, Jeanne interpretado por Jane Fonda, Jean por Guy Bedos, Claude por Claude Rich e Annie por  Geraldine Chaplin, resolve morar juntos quando começam a notar que suas saúdes estão ficando bastante debilitadas e que um asilo talvez fosse uma alternativa para seus últimos dias.

Com esta resolução, a amizade de mais de 40 anos vai se mostrar ainda cheia de novidades que vêm a tona com o passar das cenas. Desta maneira, descortinam-se alguns fatos obscuros do passado, e outros bastante hilários que adornam a velhice com cores pouco imagináveis.

Além destes cinco, um jovem se junta ao bando e pode contrapor suas idéias e pouca maturidade com a de senhores joviais.

Um painel humano muito simpático, sutil, sem grandes estrondos cinematográficos!

A cena final é encantadora! É quando o desvario engloba os seres numa procura quase poética, conseguinte de uma opção conjunta pelo companheirismo acima de qualquer sanidade medíocre!


FICHA TÉCNICA
Diretor: Stéphane Robelin
Elenco: Guy Bedos, Daniel Brühl, Geraldine Chaplin, Jane Fonda, Claude Rich, Pierre Richard, Bernard Malaka, Camino Texeira, Gwendoline Hamon, Shemss Audat, Gustave de Kervern, Laurent Klug, Lionel Nakache, Stéphanie Pasterkamp, Caroline Clerc, Philippe Chaine, Gaëlle Billaut Danno, Lili Robelin, Tom Robelin, Alexandre Robelin, Marie Bruncher
Produção: Christophe Bruncher, Philippe Gompel, Aurélia Grossmann
Roteiro: Stéphane Robelin
Fotografia: Dominique Colin
Trilha Sonora: Jean-Philippe Verdin
Duração: 96 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha
Gênero: Comédia
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Studio 37 / Les Films de la Butte / Rommel Film / Manny Films / Home Run Pictures
Classificação: 12 anos

Últimas resenhas de 2012: Gonzaga – De Pai para Filho





Do mesmo diretor e da mesma roteirista de “Dois Filhos de Francisco”: Breno Silveira e Patrícia Andrade.

A fórmula é bastante parecida: a humanização de ícones musicais do Brasil interiorano por uma narrativa, em sua grande maioria, cronológica, onde são mostrados conflitos e lutas internas no meio familiar, em contraposição a lutas externas, de campo, a fim de firmar uma carreira musical!

Apesar de “Gonzaga – De Pai para Filho” ser pouco original, se pensado desta maneira, achei o foco humanístico escolhido para ser trabalhado: o conflito entre pai e filho, algo bastante tocante e emblemático.

Comecei o texto com uma crítica, mas, no fundo, gostei demais do filme e me emocionei mais de uma vez!

Tudo começa quando a empregada de Luiz Gonzaga chama Gonzaguinha para ajudar o pai que já havia caído no esquecimento e que por isso passava por dificuldades financeiras. O filho, nesta época, um ícone da música brasileira, resolve não só ajudá-lo levando um contrato para novos shows, como também aproveita o momento para acertar contas de um passado quando, querendo fazer bem ao filho, Gonzagão esquece seu primogênito, delegando sua educação a outras pessoas e instituições. Este encontro dá início a narrativa da história do Rei do Baião.

Os atores estão muito bem!

O conflito de gerações fundadas em realidades tão diferentes vem até o espectador por meio de passagens capitais e diálogos fervorosos! Dois artistas de personalidade forte, dois amantes da música, dois homens públicos de inegável talento, juntos numa fazenda no interior de Pernambuco, acertado as contas e deixando fluir um carinho esquecido e maltratado pelo tempo!

Parece-me que na vida real a coisa foi mais complicada!

O filme foi feito em homenagem ao centenário de nascimento de Luiz Gonzaga (1912 – 2012).


FICHA TÉCNICA
Diretor: Breno Silveira
Elenco: Adelio Lima, Chambinho do Acordeon, Land Vieira, Julio Andrade, Giancarlo di Tomazzio, Alison Santos, Nanda Costa, Silvia Buarque, Luciano Quirino, Claudio Jaborandy, Cyria Coentro, Olivia Araújo, Zezé Motta, João Miguel, Cecília Dassi, Domingos Montagner
Produção: Breno Silveira, Marcia Braga, Eliana Soárez
Roteiro: Patricia Andrade
Fotografia: Adrian Teijido
Trilha Sonora: Berna Ceppas
Duração: 130 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme
Estúdio: Conspiração Filmes / Globo Filmes / Teleimage
Classificação: 12 anos


Últimas resenhas de 2012: Luis Antônio - Gabriela


“A paisagem é uma, as janelas são várias.”




A peça é um documento vivo que o escritor e diretor Nelson Baskerville escreveu a fim de dar vazão a acontecimentos vividos por ele em sua infância, bem como redimir-se de dores cravadas fundas em sua alma no início de sua vida.

A companhia de teatro Munguzá dá vida à criação.

É narrada a história de Luis Antônio, um homossexual nascido em Santos no ano de 1953. Após um novo casamento de seu pai, duas famílias se juntam e o diretor Nelson vai viver, ainda pequeno, junto de Luis Antônio.

Daí começa a relação entre as duas crianças, bem como de Luis Antônio com seu pai que finge tê-lo adotado e o espanca com freqüência a fim de “curar o defeito” do filho.

Em vão!

Cruamente mostrada num palco repleto de parafernálias, numa estética poluída e embaraçada, a narrativa se desenrola envolvendo a platéia num universo dolorido, lançando-nos aos olhos os conflitos de uma família desestruturada, primitiva, incapaz de lidar com as diferenças presentes no seu ventre.

Quando começa a crescer, Luis Antônio inicia a transformação de seu corpo, por meio de hormônios femininos e enxertos de silicone, e a desconstrução física do homem tem início para dar expressão à alma que, como é repetidamente mostrado a nós: nasceu no corpo errado!

Impossibilitado de continuar onde estava, ele se muda para a Espanha, onde vai viver como travesti na cidade de Bilbao e adota o nome de Gabriela, tornando-se um famosa cantora da noite.

São projetadas fotos, documentos, filmagens, coisas reais deste ser acolhido pelo terceiro sexo!

Há muita música executada em cena pelos atores, onde são mescladas uma crueldade e uma comicidade por vezes irônica, o que causa um estranhamento nos espectadores! Cenas de espancamento, agressões físicas e verbais, encenações de relações sexuais, cenas sentimentais, meigas, dores resignadas de um ser humano que, segundo o diretor, seu irmão, era de uma bondade incrível!

Um horror, e ao mesmo tempo um espetáculo teatral grandioso, do qual é impossível sair ileso, não tocado, não impactado, ou minimamente incomodado por tamanha tristeza de uma realidade que chega, por meio da arte, mas não uma arte qualquer, encatatória, mas sim pelo teatro que traz a vida vívida e que foi vivida pelo próprio diretor e escritor.

Com merecimento, ganhou diversos prêmios!

E os atores estavam especialmente inspirados, afinal, seria a última apresentação de uma série de quase 300, acho, para, enfim, eles entrarem de férias, depois de quase 2 anos em cartaz!

Um dos melhores espetáculos que vi em 2012!


Segue um vídeo: Clipe do Espetáculo 


FICHA TÉCNICA:

Luis Antonio – Gabriela
A partir do argumento de Nelson Baskerville
Intervenção dramatúrgica de Verônica Gentilin

ELENCO: Marcos Felipe, Lucas Beda, Sandra Modesto, Verônica Gentilin, Virginia Iglesias; Day Porto

DIREÇÃO: Nelson Baskerville
DIRETORA ASSISTENTE: Ondina Castilho
ASSISTENTE DE DIREÇÃO: Camila Murano
DIREÇÃO MUSICAL, COMPOSIÇÃO E ARRANJO: Gustavo Sarzi
PREPARADOR VOCAL: Renato Spinosa
TRILHA SONORA: Nelson Baskerville
PREPARAÇÃO DE ATORES: Ondina Castilho
ILUMINAÇÃO: Marcos Felipe e Nelson Baskerville
CENÁRIO: Marcos Felipe e Nelson Baskerville
FIGURINOS: Camila Murano
VISAGISMO: Rapha Henry – Makeup Artist
VÍDEOS: Patrícia Alegre
PRODUÇÃO EXECUTIVA: Sandra Modesto e Marcos Felipe
PRODUÇÃO GERAL: Cia Mungunzá de Teatro


Luis Antônio Gabriela