quarta-feira, 30 de junho de 2010

Pensei-pensado-passado


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“Não existir”
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é a única religião perfeita!
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segunda-feira, 28 de junho de 2010

E novamente o QUERER


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Do livro: Existencialismo de Jacques Colette
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Página 116
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... Os grandes sistemas haviam sido constituídos sobre o fundamento da subjetividade, o ser original sendo determinado, em Schelling, como ausência de fundamento, independência em relação ao tempo e, em última instância, como QUERER.
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“As teses de Marx e do existencialismo que desempenham um papel tão importante no pensamento do século XX sustentam que o homem se engedra e se faz ele mesmo (...). Eis aí, em minha opinião, o último, em data, dos argumentos especiosos da metafísica, e ele corresponde ao acento que a idade moderna põe sobre a VONTADE, tomada como substituto do pensamento.” Resta a questão de saber quais dentre os filósofos aqui concernidos – se houver algum – chegaram a conceber e a praticar, sem inclinação tirânica, o pensamento como não-querer.
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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Memorial do Convento – José Saramago

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Livro longo, de muito vocabulário, menos ações, grandes listagens. Um convento a se construir por cumprimento da promessa feita para nascimento de quem sucedesse o rei Dom João V de Portugal, eis o grande pano de fundo, daí o nome da obra. Um homem maneta, Baltazar Sete Sóis, uma mulher clarividente, Blimunda Sete Luas. Eles se amavam. Um padre brasileiro que entendia de Alquimia ou coisas do tipo, filosofava a respeito de Deus e defendia a idéia de que Ele também era maneta, afinal, se os escolhidos se sentam à sua direita, e todos somos escolhidos, de que valeria sua mão esquerda, sem relatos nas escrituras e, por isso, inexistente aos olhos da história. O Deus de Saramago é maneta. Ou melhor, era maneta. Provavelmente agora ele o veja com outros olhos. Escritor dito ateu, mas com vastíssimo repertório eclesiástico. Estranha combinação! Acho que ele fazia um tipo. Não era realmente ateu. Gostava do choque e soube chocar um bocado. Há, por exemplo, em certa passagem, descrição de uma procissão onde são listadas páginas e páginas de nomes de santos, seguido daquilo que eles auxiliam. Em geral, Saramago gostava de falar de Deus. Era um assunto caro a ele. Acredito que o ateu apenas o ignore, não se toque muito pelo tema. Saramago não. Talvez ele procurasse sanar suas dúvidas ao refleti-LO em sua literatura e, este movimento, a meu ver, está bem longe do vazio da palavra: ateísmo. Eis uma hipótese. Mas, enfim, há fatos, ainda que somente romanescos... Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda constroem uma máquina de voar. A mulher aprisiona vontades vistas por seus olhos de jejum, olhos sem fundo. Estas vontades, contidas em esferas de âmbar, atadas à passarola, quando em contato com o sol, fazem a engenhoca vencer a gravidade. Assim, há vôos. E assim, há quedas. O convento se expande, o pássaro voa, o padre se vai, a filha do rei também, vem princesa de Espanha, apressam-se as obras porque o rei não quer ter a pequena glória de ter apenas mandado construir a obra maior da igreja portuguesa, quer, pois, também inaugurar e teme que a morte se inaugure primeiro em seu peito real. Inaugura-se, pois. Inaugurada foi, ainda que não totalmente acabada. Mas, como sempre questionado nas resenhas: e o autor por detrás da obra? O autor, José de Sousa Saramago, domina sua arte, como já dito, mas, me encanta cada vez menos pela quantidade desnecessária de palavras, muitas listagens, divagações e, por vezes, carência de roteiro, de fatos. O Evangelho segundo Jesus Cristo continua sendo meu preferido. Sempre vi Memorial do Convento com bons olhos, mas não me surpreendeu. Também não decepcionou, é bom que se diga. Foi mais do mesmo. O escritor, dentro da escrita que ele consolidou, é o gigante Saramago, sempre e sempre. Um Nobel da Literatura, indiscutivelmente. Voltando ao livro, os derradeiros são mortes, que aqui não terão nomes para não estragar a surpresa de alguém que venha a ler este livro depois de passar os olhos por esta “resenha ou quase”. Talvez o próximo livro dele que lerei seja Caim. A ver!
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

Novamente Memorial do Convento

“À tarde caiu um aguaceiro, e foi bem-vindo. Tornou a chover já quando se fechara a noite, mas ninguém praguejou. Esta é a melhor sabedoria, não ligar importância ao que o céu manda, chuva ou sol, salvo se passa a mais, e mesmo assim, que não bastou um dilúvio para afogar todos os homens, nem a seca é alguma vez tão grande que não salve um fio de erva ou a esperança de o encontrar.”
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José Saramago

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Celso Frateschi


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Celso Frateschi é um MONSTRO!

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Com certeza é um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos!!!

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Postagem 701 - Adorei!!!


sábado, 19 de junho de 2010

Painel Humano XV

Um poema chamado: “Poema”
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Poema
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Tudo é cedo demais para concluir
Quantos poemas se perdem por falta de disciplina e egoísmo
Somos um perigo necessário
Pessoas sem sonhos vivem do empréstimo das horas
Se eu revelo, é pra poder manter mais guardado
Eu não sei saber se sei saber o que sei saber
A chama é sempre nova e sempre a mesma
Som é como um vento ainda menos palpável
Posso se repasso o passo pronto pra passar pro passo profundo
Teatro pode causar “Brain Damage”
Poliglota é uma alteração genética que causa a multiplicação exagerada da epiglote
Os homens têm pés e os sapatos são patas sintéticas
Virei duas noites pensando que poderia viver mais por isso
Dia primeiro de junho fez 14 anos que eu tive minha primeira aula de piano
Eu gosto das pessoas
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Um poema chamado: “Um poema chamado, um poema chamado, um poema chamado Poema”
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Um poema chamado: “Um poema chamado, um poema chamado Poema”
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Um poema chamado: “Um poema chamado Poema”
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Um poema chamado: “Poema”
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“Poema”
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Pô, que pena!!!
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Painel Humano XIV

Amanhecer I
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Abra os olhos como quem não espera formas,
Ouve teu mundo com a pureza de um surdo,
Espreguiça-te como quem desdenha o mundo,
Levanta-te como quem não quer nada,
Tome café com a fome do almejo ao colostro,
Sirva-te de sabores constantemente inéditos,
Descubra a água com a sabedoria das coisas sem forma definida,
Abra as janelas refletindo sobre o sol que apenas brilha.
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Não pense!
Não fale!
Não seja!
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Seja o que quiser!
Fale o que dever!
Pense como puder!
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Seja o ensejo de estar não sendo nada perene,
Abra a porta da rua como quem transpassa um vulto,
Caminhe os passos do improviso caminhante,
Dobre esquinas numa curva sem força,
Escoe pelos lábios os bom-dias feito pétalas,
Desenvolva o fluxo mais vivível,
Não acate o desacato da polidez convicta,
Vá pelo verbo ir e volte pelo verbo sentir.
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Não pule!
Não cerque!
Não chore!
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Chore a lágrima mais concisa!
Volte para casa quando quiser cercar-se de amor!
Pule o desespero desnecessário de estar só!
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Cada dia, é dia!
Ser dia, é ser!
E mesmo que em teoria,
Ser, é um eterno amanhecer!
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Painel Humano XIII

Amanhecer II
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Amanhe-ser
Amanhe-sei
Amanhã-ser
Amanhã-serei
A manha sei
A manhã saberei
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Amanhã!
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

Saramago


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Eu senti a morte do Saramago. Fiquei muito triste! Com certeza ele foi, é e continuará sendo um marco da literatura em Língua Portuguesa!
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Painel Humano XII

Painel Humano
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Havia tempo que eu estava fazendo estes textos que integram o Painel Humano. Este nome foi uma idéia antiga que eu tive e desde então guardo escritos numa pasta aqui no computador. Mas eu ficava com preguiça, escrevia um pouco, parava, escrevia, parava. Hoje resolvi acabar o máximo que eu conseguisse. Saíram 11. Faltam outros, mas eu termino mais pra frente. Espero que não apareçam outras novas idéias para início de texto.
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Painel Humano XI

Obsessões
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Eu me faço senil
dividindo
meu perfil
entre duas metades
complementares
e eqüidistantes de mim.
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Assim
elas
se digladiam
entre a força
e a demência
entre o caos
e a cientificidade
entre o mundo
e o interno
numa guerra sem fim.
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Vão fazendo explosão
Saltitando de repente
com qualquer pouca conclusão
retirada do instante demente
são lançadas aos ares
no repentino arredio
de suplício arrepio
em pensar nos meus pesares
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E fazem ricochetear
debatendo-se nalgum lugar
do côncavo cranial abissal
no profundo dum osso oval
deixando-se por ali estar.
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Ou por vezes escoam
e de dor em dor que doam
descem ao corpo
como enxurradas
de desgostos
rodopiando na vida
dentro em cômodos
pelas ruas e avenidas
insistentemente obcecadas
aqui dentro bem alojadas.
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Eu possuo
obsessões pouco biodegradáveis!
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Painel Humano X

O Medo
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Medo de tudo, quase. Um quase mediano. Supremo na mediocridade. Pequeno na vontade. Medo de levantar, de olhar, de estender as roupas, de arrumar a casa, de sair pra rua, de ler, de cantar, de andar, de esquecer a lógica de respirar, medo de dormir, de sonhar, de digitar, de silenciar, medo de visitar seus rincões, medo de viajar, medo de arrumar a casa, de pensar convulsivamente, medo de tentar, medo de desistir, medo de existir, medo do agora, medo de ter medo, medo de mim.
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Há constante do medo paralisando toda possibilidade de amplitude venial que não se caracteriza por este ser, fazendo dele, ainda um pouco menos provável em vida, sendo apenas sobrevivência consternada, contristada da cabeça aos pés, dos paralelos feito braços, dos topos e solos feito ápice e substância, dentro em núcleo: o abissal coração. Todo medo mede ao coração, remete ao que pulsa e doloriza-se dentro. Todo medo se mede no coração, assim como todo homem se mede pela intenção.
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Desdenho aqueles que têm coragem. Desdenho o destemido vagante, o esquecido convicto, eu não esqueço do que se faz em mim, não me lembro de esquecer, não esqueço de lembrar de todas as constrições do temor, casulos de desejos amalgamados pela neblina macabra que enovela meus olhos após uma centena de momentos imaginados.
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Painel Humano IX

Força
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Força para olhar
Força para respirar
Força para estar de pé
Força até mesmo para dormir
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Força de deixar-se estar
Força de promover a amplidão
Força de convencer-se da negação
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Força de promover
A intencionalidade mais precisa
Sem o exagero do futuro
Mas também não caindo
Na inglória do passado
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O passado faz-se de reforços
Que construímos nas gotas das horas
A cinza do tempo na memória incalculável
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Agora
Apenas deixo que a força soerga
Do dentro em breve
Para mais uma tentativa de superar o destino
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E assim
Superar aquilo
Que já era esperado que fosse
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Superar o óbvio invicto desfalque
De se tratar como um novo papel artístico a cada segundo.
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Painel Humano VIII

O foda-se geral!
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Quanto tempo levaria um foda-se geral na sua vida?!
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Uns pequenos minutos, um dia, uma semana, um ano?!
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Acredito já ter experimentado este foda-se geral!
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Um foda-se geral esvazia-se facilmente. É um vazio estranho, meu sem cheiro, sem sensações mais consistentes. Não se sente nem medo, nem angústia, nem felicidade.
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É um silêncio opaco, como se tivesse sido esterilizado por dentro.
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Suas entranhas não reagem a sentimentos, nem pensamentos mais pensados. Os estímulos são rasos, arrastam-se na superfície do físico e se dão por comandos disformes da alma.
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Senta, levanta, caminha, come, fala, dorme, reza automático.
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Deitado, uma vez, há tempos atrás, eu senti isto!
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Fumei, deixei de lado o cigarro, tomei café, parei no meio, escovei os dentes, rodei insosso pela casa, e então deitei de novo pra me dar conta do que estava acontecendo.
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Era o foda-se geral!
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Uma solidão murcha.
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Os olhos se bastam em olhar, sem nenhuma espécie de desenvolvimento.
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Boca parada. Cara senil. Carne por ela mesma.
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Havia paredes brancas, cortinas fechadas, o ruído constante de um gerador de um hospital.
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Nada de vida, nem de humano!
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Era uma auto-desumanidade absurda.
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Como se nada importasse, nem você mesmo.
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Não posso dizer que tenha sido cansativo ou desesperador, ou simplesmente bom. Coisas desse tipo não me passavam pela cabeça.
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Era só um interior congelado.
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Fiquei assim por alguns minutos, não achando coisa alguma, tentando criar alguma resposta sobre a sensação de nenhum nada nunca não, no oposto de extremos, na negação inexistente, o silencioso frio supérfluo.
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Morto.
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Era uma espécie de morte. Ou talvez nem isso, mas, com certeza não era a vida!
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Para quebrar este estado, fui ouvi música!
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Passou!!!
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Painel Humano VII

Energia
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Energia é tudo.
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Tudo é energia.
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O que atraímos em nossa direção
Salvo alguns poucos casos
É fruto de nós mesmo.
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Retirando alguns poucos centímetros
De que temos consciência
Todo o resto de nossa construção de ser
É fruto do querer.
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Um querer querido
Num passado distante de não lembrar
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Um querer profundo
Um querer raso
Um querer que não queremos
Ou nem sabemos que queremos.
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Às vezes,
Não sabemos querer as coisas.
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Às vezes
Queremos sem saber que queremos certas coisas.
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Como julgar melhor um homem
Senão por aquilo que ele quer?!
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O que você quer
É quase tão importante
Quanto aquilo que você é!
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O seu querer
É o seu ser em realização.
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Realizando-se aos poucos
Modificando-se aos poucos
Fazendo-se aos poucos
Construindo histórias aos poucos.
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A vida é homeopática!
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A vontade
É o núcleo mais profundo
Passível de ser modelado.
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Estar à vontade
Ao saber das vontades!
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É bom dizer que as vontades não são completamente modeláveis.
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E
Para ser um pouco ainda mais vago...
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Digo que
Deus assegura as rédeas da criação
Nos dispondo
Aos poucos
O controle de estruturas ainda mais profundas da alma.
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Vamos controlando conforme podemos
Conforme nos deixam
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São regalos pelo valor
Do que se criou
Com o suficientemente complexo
Para ocupar tantas vidas
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O querer é o mais profundo controle
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De resto
Somos um coletivo amórfico!
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Painel Humano VI

Cota de arte
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Cota de poemas
De romances
De canções
De pinturas
De esculturas
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Cota para ver coisas belas
Ver coisas harmoniosas
Ou harmoniosamente desconstruídas
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A vida precisa de uma cota de arte
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Algum bocado
Alguma gota
Alguma cota
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Descontos do dia-a-dia
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Um devaneio pequenino
Deixar estar simples
Simples sim
Deixar criando
Criar deixando
Sem mínimas exigências desnecessárias
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Criar somente
O exato padrão
Da sensibilidade
Melhor colocada
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Realizar
Da rima
Ou do não
Da volta
Ou meia
Do semblante vendo
Ou dos olhos fechados
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Esclarecer
Ou
Obscurecer
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Fazer valer
Um descanso de pausa
No silêncio que silencio
.
Ou
Berrar o estardalhaço veraneio
Do incontido recôndito
Mais bendito
Que maneirado
.
Cota de poemas
De romances
De canções
De pinturas
De esculturas
.
Cota para ver coisas belas
Ver coisas harmoniosas
Ou harmoniosamente desconstruídas
.
A vida precisa de uma cota de arte
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Sempre!
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Sempre!!
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Sempre!!!
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p.s: esta é a centésima poesia deste blog.

Painel Humano V

A Arte
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Superar
a
beleza
da
arte
para
não
mais
produzi-la
em
terra...
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Em mim!!!
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Ou
se
tornará
esta
uma
das
minhas
maiores
frustrações
eternas?
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Painel Humano IV

Arriado
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E
quando

tiver
tentado
muito
e
arriado?
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É
hora
de
tentar
de
novo.
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Afinal,
o
que
é
existir
senão
um
constante
processo
de
tentativas
de
significação!?
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Painel Humano III

A teoria dos nós e a consciência humana
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Os estudiosos do cérebro defendem que a memória se baseia num sistema de “nós” que armazenariam, em rede, informações adquiridas pelos seres-humanos. Essa teoria parece bastar para explicar o funcionamento do consciente e mesmo do inconsciente, partindo do princípio de que tudo seria fruto da atividade neuronal sub-julgada à estrutura física das sinapses, sem que, no entanto, chegássemos a ter consciência de toda a atividade.
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Desta maneira, a grande maioria das re-significações dos fatos se daria de forma voluntária, guiadas pela emoção e pela atenção. Esta é a hipótese defendida pela psicanálise, reforçada pelo avanço das neurociências e que rege a lógica profunda de uma análise feita no divã de um psiquiatra.
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No entanto, algumas vezes, deparamos com situações em que esta engrenagem não se aplica.
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No caso, por exemplo, de uma prece, de uma reza, de um pedido, de uma vela acesa. Muitos já passaram por isso! Depois de uma noite de sono, no dia seguinte, acordamos completamente mudados e re-significados em relação a um determinado fato ou incômodo que tínhamos.
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A ciência diz que o cérebro utiliza-se da vigília para organizar suas informações. Mas essa reorganização está submissa a uma ordem física de formação, reestruturação e mesmo destruição de sinapses, e isto demanda tempo para que o sistema seja reformulado. Algumas horas de sono não bastariam para o cérebro modificar uma estrutura, no entanto, grandes mudanças podem ser notadas em curtos espaços de tempo.
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Pergunto eu: a teoria dos “nós” neuronais é realmente suficiente para explicar o funcionamento do cérebro?! O funcionamento do cérebro seria suficiente para explicar o funcionamento da mente?! Como explicar a precisão de algumas modificações da consciência ocorridas de forma involuntária durante o sono?!
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Painel Humano II

A música
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“Música vence o Parkinson por transpor o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ao fazer isso, a música fornece uma corrente de intenções à qual o paciente de Parkinson pode prender suas emoções.”
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“A música bem trabalhada cria até o mundo através do qual ela viaja, satisfazendo todas as antecipações com uma graciosa resolução e, a cada virada, dando lugar a novas antecipações.”
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“Música cria previsões e depois as satisfaz num mundo paralelo e perfeito” diferente do cotidiano.
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“Onde está a vantagem do som? Sem dúvida, no fato de que ele se desloca através do tempo, de que ele se movimenta. Como já vimos, o movimento é a raison d’être de qualquer sistema nervoso. Nossas intenções são, em última instância, um ímpeto em direção ao movimento”.
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Painel Humano I

A carne
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O sexo é o significante mais profundo da carne. Nada tem seu valor absoluto de bom ou de ruim enquanto coisa física, estímulo físico, movimentação. Nenhuma sensação é absolutamente boa ou ruim.
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Sensações nos chegam automaticamente adjetivadas pela estrutura carnal, há um consenso sobre o que é bom sentir, o que é ruim, um tapa, um beijo, andar descanso na areia. Mas é bom que se diga que este processo não é estável.
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Nem tudo é sempre bom, assim como nem tudo é sempre ruim.
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Sensações boas podem se tornar horríveis, sensações horríveis podem se tornar boas.
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A significação torna-se consciente pela mente do sujeito, pela alma, pelo que quiser que seja, ou queiram chamar. Mas, os brotamentos profundos, vêm das profundezas da carne e a carne é regida pela libido durante uma ampla época da vida.
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O corpo tem sua lógica, a alma pode ir contra ela, mas isso exige um esforço exageradamente constante, perigoso e desgastante.
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Qualquer movimento, atividade física, arrumar a casa, tentar dormir, tomar banho, lavar roupa, andar, pode se tornar um martírio. Mesmo um carinho pode se tornar insuportável, e criações pode ir e vir em questão de instantes.
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São as quebras nas estruturas basais do ser humano.
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Trituradas as bases pelo mau uso da matéria, podem ocorrer lapsos de sensações boas em momentos inesperados ou coisas ruins criadas ao bel prazer do acaso, tem-se assim: a insuportável convivência com a matéria.
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A libido serve de um encaixe seguro, uma base de apoio que estabiliza as depravações da animalidade, pacifica as infinitas possibilidades resultantes da relação alma-corpo. É a libido que não deixa os órgãos se revirarem de nojo das coisas, de dor por apenas estar em determinado estágio de densidade, de prazer.
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É um cadeado de feras que, deve ser aberto de tempos em tempos, senão, podemos cair em outras paragens e essas mesmas feras podem surgir com outros contornos de diferentes auto-violências.
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domingo, 13 de junho de 2010

Baleia

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O pior não é a tristeza, mas a tristeza que não se quer triste!
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p.s: eu não estou triste! Essa é só uma frase que me ocorreu há alguns dias.