
“Não existir”
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é a única religião perfeita!
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Do livro: Existencialismo de Jacques Colette
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Página 116
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... Os grandes sistemas haviam sido constituídos sobre o fundamento da subjetividade, o ser original sendo determinado, em Schelling, como ausência de fundamento, independência em relação ao tempo e, em última instância, como QUERER.
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“As teses de Marx e do existencialismo que desempenham um papel tão importante no pensamento do século XX sustentam que o homem se engedra e se faz ele mesmo (...). Eis aí, em minha opinião, o último, em data, dos argumentos especiosos da metafísica, e ele corresponde ao acento que a idade moderna põe sobre a VONTADE, tomada como substituto do pensamento.” Resta a questão de saber quais dentre os filósofos aqui concernidos – se houver algum – chegaram a conceber e a praticar, sem inclinação tirânica, o pensamento como não-querer.
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Livro longo, de muito vocabulário, menos ações, grandes listagens. Um convento a se construir por cumprimento da promessa feita para nascimento de quem sucedesse o rei Dom João V de Portugal, eis o grande pano de fundo, daí o nome da obra. Um homem maneta, Baltazar Sete Sóis, uma mulher clarividente, Blimunda Sete Luas. Eles se amavam. Um padre brasileiro que entendia de Alquimia ou coisas do tipo, filosofava a respeito de Deus e defendia a idéia de que Ele também era maneta, afinal, se os escolhidos se sentam à sua direita, e todos somos escolhidos, de que valeria sua mão esquerda, sem relatos nas escrituras e, por isso, inexistente aos olhos da história. O Deus de Saramago é maneta. Ou melhor, era maneta. Provavelmente agora ele o veja com outros olhos. Escritor dito ateu, mas com vastíssimo repertório eclesiástico. Estranha combinação! Acho que ele fazia um tipo. Não era realmente ateu. Gostava do choque e soube chocar um bocado. Há, por exemplo, em certa passagem, descrição de uma procissão onde são listadas páginas e páginas de nomes de santos, seguido daquilo que eles auxiliam. Em geral, Saramago gostava de falar de Deus. Era um assunto caro a ele. Acredito que o ateu apenas o ignore, não se toque muito pelo tema. Saramago não. Talvez ele procurasse sanar suas dúvidas ao refleti-LO em sua literatura e, este movimento, a meu ver, está bem longe do vazio da palavra: ateísmo. Eis uma hipótese. Mas, enfim, há fatos, ainda que somente romanescos... Padre Bartolomeu, Baltazar e Blimunda constroem uma máquina de voar. A mulher aprisiona vontades vistas por seus olhos de jejum, olhos sem fundo. Estas vontades, contidas em esferas de âmbar, atadas à passarola, quando em contato com o sol, fazem a engenhoca vencer a gravidade. Assim, há vôos. E assim, há quedas. O convento se expande, o pássaro voa, o padre se vai, a filha do rei também, vem princesa de Espanha, apressam-se as obras porque o rei não quer ter a pequena glória de ter apenas mandado construir a obra maior da igreja portuguesa, quer, pois, também inaugurar e teme que a morte se inaugure primeiro em seu peito real. Inaugura-se, pois. Inaugurada foi, ainda que não totalmente acabada. Mas, como sempre questionado nas resenhas: e o autor por detrás da obra? O autor, José de Sousa Saramago, domina sua arte, como já dito, mas, me encanta cada vez menos pela quantidade desnecessária de palavras, muitas listagens, divagações e, por vezes, carência de roteiro, de fatos. O Evangelho segundo Jesus Cristo continua sendo meu preferido. Sempre vi Memorial do Convento com bons olhos, mas não me surpreendeu. Também não decepcionou, é bom que se diga. Foi mais do mesmo. O escritor, dentro da escrita que ele consolidou, é o gigante Saramago, sempre e sempre. Um Nobel da Literatura, indiscutivelmente. Voltando ao livro, os derradeiros são mortes, que aqui não terão nomes para não estragar a surpresa de alguém que venha a ler este livro depois de passar os olhos por esta “resenha ou quase”. Talvez o próximo livro dele que lerei seja Caim. A ver!
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“À tarde caiu um aguaceiro, e foi bem-vindo. Tornou a chover já quando se fechara a noite, mas ninguém praguejou. Esta é a melhor sabedoria, não ligar importância ao que o céu manda, chuva ou sol, salvo se passa a mais, e mesmo assim, que não bastou um dilúvio para afogar todos os homens, nem a seca é alguma vez tão grande que não salve um fio de erva ou a esperança de o encontrar.”
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José Saramago
Amanhecer II
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Amanhe-ser
Amanhe-sei
Amanhã-ser
Amanhã-serei
A manha sei
A manhã saberei
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Amanhã!
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Força
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Força para olhar
Força para respirar
Força para estar de pé
Força até mesmo para dormir
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Força de deixar-se estar
Força de promover a amplidão
Força de convencer-se da negação
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Força de promover
A intencionalidade mais precisa
Sem o exagero do futuro
Mas também não caindo
Na inglória do passado
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O passado faz-se de reforços
Que construímos nas gotas das horas
A cinza do tempo na memória incalculável
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Agora
Apenas deixo que a força soerga
Do dentro em breve
Para mais uma tentativa de superar o destino
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E assim
Superar aquilo
Que já era esperado que fosse
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Superar o óbvio invicto desfalque
De se tratar como um novo papel artístico a cada segundo.
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A Arte
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Superar
a
beleza
da
arte
para
não
mais
produzi-la
em
terra...
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Em mim!!!
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Ou
se
tornará
esta
uma
das
minhas
maiores
frustrações
eternas?
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Arriado
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E
quando
já
tiver
tentado
muito
e
arriado?
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É
hora
de
tentar
de
novo.
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Afinal,
o
que
é
existir
senão
um
constante
processo
de
tentativas
de
significação!?
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A música
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“Música vence o Parkinson por transpor o cérebro para um nível de integração acima do normal. Ao fazer isso, a música fornece uma corrente de intenções à qual o paciente de Parkinson pode prender suas emoções.”
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“A música bem trabalhada cria até o mundo através do qual ela viaja, satisfazendo todas as antecipações com uma graciosa resolução e, a cada virada, dando lugar a novas antecipações.”
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“Música cria previsões e depois as satisfaz num mundo paralelo e perfeito” diferente do cotidiano.
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“Onde está a vantagem do som? Sem dúvida, no fato de que ele se desloca através do tempo, de que ele se movimenta. Como já vimos, o movimento é a raison d’être de qualquer sistema nervoso. Nossas intenções são, em última instância, um ímpeto em direção ao movimento”.
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