sábado, 30 de agosto de 2008

A maçã no escuro.

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Nem sei direito o que dizer sobre este livro. Um livro profundo, louco, com páginas e mais páginas de pensamentos e devaneios que por vezes se contradizem, cortados por pequenas ações físicas às vezes banais e, se jogadas soltas, não fariam sentido. Como é o caso de frases ditas em voz alta numa situação que, depois de muitas páginas, se repetem num contexto que já estaria além. Os que ouvissem pensariam que o dono da voz estaria louco, mas, o que leu, e se deixou levar, também entendeu que o mais fútil era a ação de dizer, já que o pensar se fazia absoluto e maravilhoso por toneladas de palavras magistrais. Por isso falar era o de menos. É um livro metafísico, mas não pela beleza e inexatidão desta palavra. É um livro metafísico por desconstruir o tempo da ação em meio à própria ação. O tempo não é relevante na trama e, se caso ele se passasse no tempo que o tempo tem, o livro se tornaria impossível. E, como a possibilidade existe, ao contrário da realidade, quando apenas se vislumbra, este livro inventa um mundo com diferentes leis físicas e por isso é metafísico. Não é exagero comparar a literatura de Clarice a uma espécie de feitiço. Porque o feitiço literário pode-se fazer pela beleza sufocante, pelo sentir-se transcrito, pelo temor constante de ler ali um segredo guardado, em si mesmo, de si mesmo. Temor por saber ser possível se pensar como se pensava nos momentos de perdição. O temor e a maravilha de se ver não inédito. Ainda nunca inédito e, talvez, jamais. Clarice registra, nunca inaugura, mas registra uma gama imensa de possibilidades e, dentro desse pensamento, podemos dizer que ela faz bem aos homens. Ela deixa marcado um pouco da grande amplidão que é ser humano e, caso alguém algum dia se esqueça ou duvide, basta ler que um pouco muito lá estará. A amplidão no livro também se mostra como perdição, afinal, autora e, conseguintemente (ou não), personagens se distorcem e se deformam nesse mundo de tempo elástico. O mundo do tempo do pensamento. Mas não vamos ser injustos dizendo simplesmente que a autora se perdeu dentro da própria criação. Ela se perdeu sim, mas sabia-se neste estado e, portanto, menos nele. Por isso avisa que entender não é fundamental, já que o viver vai além disso. E, complementando, o criar, dependendo da beleza, se basta pela que contem. Talvez apenas um sobre-humano criasse criaturas tão complexas, sem se perder no meio delas. Para criar como foi criado o criado, é necessário, antes de tudo, doação, despudor de si e, obviamente, coragem e disciplina na procura de se indisciplinar para encontrar o novo. E ela teve. Os diálogos, aqueles que acontecem muito pouco, quando acontecem, são impressionantes. Bem cortados por observações do narrador, eles mostram uma riqueza exageradamente humana. É de se ler e pensar: Meu Deus, é assim mesmo que os ricos diálogos acontecem!!! O livro tido como mais louco da autora mais louca do Brasil não desapontou, pois, multiplicando todos esses elogios e considerações, estão as 321 páginas da obra. Ou seja, se, por um acaso, pareceu, por esse pequeno texto, que a coisa é das ferrenhas, imagine isso multiplicado e habitando constantemente os muitos papéis que se vira. É loucura... Cada nova frase é um novo e bom susto, um convite para reiniciar a sensação de surpresa e, às vezes, até mesmo, de êxtase. Outra coisa que me passou pela cabeça, é que, depois de ler o que li, eu não duvido que um bom autor, como Clarice, possa inverter tramas, alterar a lógica e se utilizar maquiavelicamente do perigosíssimo poder da dialética. Por sorte ou sadismo, esse poder tende a ter como sua principal vítima a própria pessoa, pois, a quem muito é dado muito será cobrado. Clarice Lispector que o diga, afinal, ela morreu cansada de si, triste e, talvez, temendo a loucura. Talvez por isso duvidasse tanto das conclusões, se limitava ao pouco e deixava os devaneios para a arte, o lugar permitido e reservado para tanto. Talvez, talvez e talvez nada mais definitivo que um talvez. Assim como nada é mais presente que a certeza de que se sente fome quando se sente fome. E nada é mais irredutível que “esse modo instável de pegar no escuro uma maçã – sem que ela caia.” O refúgio no que é simples, pois nele está o átomo da sanidade.
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quarta-feira, 27 de agosto de 2008

PECADO

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Acho que John Lennon estava certo e por isso morreu... Deus não admitiu a verdade...
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Os Beatles são mais conhecidos do que Deus e não sou eu, nem ele quem estamos dizendo.
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Quem afirma isso é a vossa santidade: THE GOOGLE - The God of the new world!!!
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Resultados para Deus: 71.400.000
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Resultados para Beatles: 88.000.000
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Viu?!?!
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Espero que ninguém morra "acidentalmente" assassinado por essa constatação!!!
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p.s: há um erro horrível na lógica deste post ridículo mas, se eu contar, ele perde a graça nenhuma que tem.
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terça-feira, 26 de agosto de 2008

Hamlet

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Atual como tudo que é universal emocionante lancinante sufocante gigantesco lágrimas rolaram lá e cá diálogos fortes monólogos magistrais questionamentos loucura mortes iluminações perversões maldade traições energia velocidade contemporaneidade gritos altíssimos rodopios suicídios palavras bem colocadas idéias expostas identificação humano divino 5 atos duas etapas mais de 3 horas euforia verdade ego ânima id genialidade ser ou não ser esta é a questão há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha nossa filosofia adaptação essência sublime nudez velada representação afogamento filmagem fantasma ronda alturas quedas cenário vilão final trágico alegria ironia fingimento atuação mais de quatrocentos anos pai mãe tio sobrinho filho veneno luta espadas xamã viagens fugas navio coroa crítica deus homem feitos piratas enterros crânios bobo da corte lembranças travessuras amor ódio peso roupas suor lágrimas saliva exacerbação grandiloqüência fantasia papéis múltiplos trono coberto castelo rei rainha príncipe dinheiro ambição caráter patrocínio teatro.
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Fui ver Hamlet no dia 15 de agosto. Como gosto de colocar aqui algumas coisas que me tocam, precisava escrever sobre essa peça. Não estava conseguindo, mas confesso que foi só uma questão de tentar com um pouco mais de força.
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Obviamente que minhas expectativas eram altas, afinal, o elenco era bom, o texto bem traduzido, segundo li na internet e, a obra em si, dispensa comentários.
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Entrei de sola na sala às oito horas da noite num teatro chique demais.
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Logo de início, em sua primeira grande fala, o Wagner Moura já deixou brotar algumas lágrimas que, como TODA lágrima, ajudam a dar uma força incrível à verdade transmitida. Depois disso, começou um ciclo de diálogos lindos e monólogos eternos que constantemente levaram os atores e o público ao êxtase.
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Mas, pra mim, a cena que mais marcou foi uma que não aconteceu em cena, mas no canto do palco. Depois de falar uma das grandes divagações solitárias de Hamlet, o Wagner Moura foi pro canto do palco, chorando sem parar e ele ficou tentando estancar a emoção pra poder voltar pra uma nova cena. Aquela pequena não-cena ali no canto foi o máximo. Aquilo não era mais o personagem. O foco da cena não estava mais nele. Ele já havia desmontado e, portanto, tudo aquilo que restou, escapou, superou, era puramente verdade.
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A verdade que pertence àquelas pessoas que amam a palavra oral.
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As atuações em geral foram muito boas. O irmão da amada de Hamlet, que se suicida, foi muito bem interpretado por um outro ator que eu não sei o nome. A própria amada estava bem no papel. Por sinal, cantou muito bem em cena. Tonico Pereira estava natural, verdadeiro e o mesmo de sempre, o que, no caso dos velhos medalhões, a gente deixa passar.
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Mas a noite foi mesmo do meu chará. Rsss. Impressionante!!! Verdades atrás de verdades, verdadeiramente construídas para um momento de arte sublime. Suor absurdo, lágrimas que vinham de repente, belo domínio da palavra em forma de som, pausas bem colocadas, tons mais baixos e variáveis, ritmos naturalmente moldados que ajudaram no processo. Esses instantâneos ajudam no processo de encenação. Mas é um risco, porque quando mal executados podem piorar aquilo que, no automático bem treinado, funciona perfeitamente. Mas enfim, não foi caso da apresentação que eu vi.
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Confesso que no fim da peça eu já queria que ela acabasse, mas de boa... Ela é a peça mais longa de Shakespeare, mas Shakespeare pooooodeeee. rsss
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Sobre Hamlet, li o seguinte :
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“Quando Shakespeare escreveu a primeira versão de Hamlet, Hamnet – seu filho – estava com três ou quatro anos. Entre a primeira e a segunda versão, em 1596, Hamnet morre, e próximo à segunda versão morre o pai do autor – John Shakespeare. O autor era ao mesmo tempo o filho órfão e o pai que perdeu o filho. Este duplo vínculo do autor – como filho e como pai – com as questões em torno da morte, durante os anos em que escreve e revisa a peça, parece ter efeito direto na montagem dos personagens, tornando vigorosa a afirmativa freudiana de que “o inconsciente de Shakespeare compreendeu o inconsciente de seu herói”.”
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Pelo jeito o autor estava realmente embebido em mortes de figuras masculinas ligadas a si.
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Era o homem certo, no lugar certo, envolto de situações ruins, porém as mais frutíferas para tal tipo de criação. Há males que vem pra bem e, nesse caso, pro bem da humanidade.
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Não é exagero dizer que a peça fez bem pra humanidade.
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Ela foi responsável pelo resgate do teatro como forma de pensar o teatro (esse é seu grande pano de fundo), o teatro como objeto de transformação social, coisa que na antiguidade clássica existia, mas que, na idade média, foi perdida.
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O teatro é a arte que procura expor o homem ao homem e assim conseguir uma mudança profunda. As peças deveriam funcionar como uma catarse. Os antigos apelavam para os deuses (Dionísio/ Baco) transformando a encenação num ritual religioso e energético. Já Shakespeare questionou incisivamente Deus, fazendo da razão o elemento provocador da transformação. Uma adaptação da arte aos novos moldes do mundo e da ciência que instaura a dita VANGUARDA.
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Acho que nem ele mesmo sabia como seria desbravadora e indispensável essa sua criação. Talvez soubesse que algo muito grande e único estava sendo feito, mas, a noção exata da repercussão, acredito que não passou pela cabeça dele. Shakespeare poooodeeee. Rssss
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Enfim, foi bom tomar contato com algo tão universal. Me senti mais vivo e relevante. Contemporâneo de hoje e compatível com os homens de ontem
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“... um homem, seja qual a época em que viva ou tenha vivido, é mentalmente contemporâneo doutro homem duma outra época qualquer.” O evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago.
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O Youtube táááááá beem loko!!!!!!!!!

Olha o jeito que ele baixou essa música...
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quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Agora sim

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Acabei de postar a poesia de baixo e me veio essa idéia na cabeça.
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Agora sim escrevi uma poesia que eu me agradou...
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Divindade
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Se o perigo representado por toda mulher
Fosse apenas o de ser facilmente amável,
Acreditaria eu enfim no céu
Posto que o viver se tornaria ainda mais insuportável.
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Não te querias assim

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Não gostei dessa poesia, mas, como queria postar algo novo no blog e estava com preguiça de escrever, resolvi colocá-la aqui.
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O título do post faz referência à poesia que eu gostaria que tivesse saído bonita. Já o título da poesia faz referência às frases ditas pelo eu-lírico feminino.
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Enfim, ao contrário de mim, espero que gostem...
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Não te querias assim
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Não te querias assim,
Mas de que adianta examinar teus atos
Se tua falha está no consentimento
E na manifestação sincera de se reprimir inexato.
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Não te querias mutante
Nem tampouco latente
Não deverias ser tão minguante
Como para disfarçar teu estado pungente.
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Não te querias tão avulso
Tão perplexo a se arrastar
Não te querias intimidado ou pequeno
Sem saber onde podes repousar.
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Não te querias corcunda
Para assim esconder teus incômodos
Não te querias tão único
Desse teu formato mais anômalo.
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Não te querias assim
Mas também não iria querer de outro jeito
Já que estando desligado de mim
Sabes bem, onde e como, (de)terminar-se (im)perfeito.
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quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ao que foi

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A luz da aurora envergonhava o quarto, mas nenhum de seus contornos se deixou abater. Todos os ângulos continuaram imóveis, valentes, afinal a alma que ali repousava acordaria ao menor sinal de temor. Os cantos se entreolharam calados. Cantavam o silêncio para impedir que o ruído fizesse seu reino naquele novo dia. Dois sons não ocupam a mesma atenção do esparso. E esparso estava aquele. Plano e desfeito de consciência.
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Perambulava com preguiça no labirinto venoso uma resistente que restara da noite anterior. Cinco copos de bebida, três xícaras de chá de farinha, misturado ao descaso por si. Nunca falhava. Sentia-se menos vulgar, mas nunca se lembrava de que ao término do aquecimento, toda a receita desandava e assim era feito seu mais novo bolo.
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Sempre era e não sabia mais como se deter. Deixava estar, por reflexo. Era como andar. O itinerário, os pés sabiam por si. Simples, medíocre, mas pelo menos tinha o direito e a saudade de sempre voltar àquele ponto. Como quando se ouve uma música e uma das partes traz êxtase. Assim era o escuro e esquivo de seu já resignado sentir.
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quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Diga!!!

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Há duas maneiras da literatura, ainda a ser feita, se tornar relevante.
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Primeira: por brilhantes sacadas expressas em palavras bem escritas e/ou tramas magníficas.
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Segunda: por obras que mostrem o esforço de criação do escritor.
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Caso haja confluência, melhor.
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Fora isso, não vejo outras alternativas para fazer os que se arriscam sair da mediocridade.
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p.s: Notem que mediocridade e relevância não têm nada a ver com sucesso e reconhecimento...
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sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Sem poesia.

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Não há mais músicas
Que definam
Nem as que eu mesmo faço
Não há mais palavras que bastem
Que me pareçam bonitas, feias
Não tenho mais vontade
De poetizar os momentos
Não há mais nada
Além das milhões de histórias
Não sinto vontade
De pedir pelo retorno
Nem pelo afastamento
Nada
Fico na minha
Na medida exata
Que há alguns meses estou
Quem vai e volta
E mexe e vira
E fala e acha ruim
E inicia a reclamação
E implora
E tenciona novamente cativar
E tem esperança
E diz-que-diz
E tenta de diversas maneiras
Não sou eu
É você
Eu estou aqui
Na minha
Andando no meu caminho
Independentemente
Indo bem
Muito bem
Obrigado
Sem deixar me afetar por nada
Nada que tanto me afetava
Me causa algo agora
Apenas reajo
Pontualmente
A cada relance e disparidade
Que sai aos montes
Do alheio tão próximo
Mas logo passa
E já vai longe
Quem está sem nada
No meio disso tudo
Sou eu
E não você
Você tenta estar sem nada
Mas não consegue
Porque o que sente
Desde sempre
Foi mais forte
Eu me afetava
Por signo, talvez
Mas agora nem por isso
Sei do que vem
Do que vai
Do que volta
De tudo
Não há mais novidades
Esgotamos as possibilidades
Todas as socializações
Sentimentos
Reações
Causas
Opiniões
E conseqüências possíveis
Já se esgotaram
Por isso me resta o meio
O medíocre
O insípido
A apatia frente às revelias
Elas me vem
As sinto com preguiça
Depois logo passam
E morrem sem deixar rastros
Cicatrizes
Não crio expectativas
Pelo menos nesses nossos pontos
Sem nada estou eu
E só eu
Você não
Por isso um poema
Tão assim
Sem nada
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Sem poesia
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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

No escuro, a maçã

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Todas as cores se concordam no escuro.
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Fracis Bacon
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A maçã no escuro II

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Por Deus, se não criássemos um mundo, este mundo apenas divino não nos receberia.
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Clarice Lispector
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domingo, 3 de agosto de 2008

Um poema que basta

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O céu se repleta de nuvens
Que povoam o ar com o reflexo das luzes.
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Por sobre as senhoras
Uma ou outra estrela se encanta
No ar derradeiro da chuva
Que acalma aqueles que se deixam perceber.
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Entre os altos, anoitece tranqüila a cidade
Uma grande e fervorosa disparidade
Esculpida de relevos concretos
E pequenos senhores de si
Engarrafados de informações
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Somos nós... Muito prazer!!!
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Noutro canto da minha janela
Uma senhora grita sem pena da voz
E vem arrastando cobertores
Que secam o asfalto
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Quanto ódio, pergunto eu...
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Não entendo por mim
Mas sinto por ela
Pois seus gritos enchem Maria Antônia de verdade
A verdade de cada, mas que poderia ser de todos
Bastaria meia dúzia de coragens contemporâneas.
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Bastou meia dúzia de gotas
Para o céu respirar em seus filhos humanos.
Basta uma dúzia de grãos
Para fazer meu jardim sair de seu sono.
Bastaria três anos a menos
Para eu me corrigir por completo.
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Mas agora já é tarde demais...
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E o que me resta são os mesmos antigos poemas
Saídos de uma mente que procura sua continuidade
Sem poder achar-se por si.
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Um poema que basta.
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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Do contra (para inaugurar agosto)

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Como falar bem é muito fácil, vou falar mal. rsss
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O filme possui incoerências. Aliás, uma grande incoerência que é base para muitas partes da trama.
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Vamos lá.
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Um personagem tão central e tão racional que toma atitudes que levam a bons resultados, mesmo não sendo as mais corretas, não teria uma má reputação tão instaurada como as cenas mostram. Mesmo que uma parte da mídia o denegrisse, isso não seria uma regra, afinal, a mídia adora polemizar e se todos falassem contra ele, fatalmente algum veículo se levantaria contra a impossível unanimidade e construiria uma idéia oposta, ou seja, uma boa idéia, uma boa imagem. Além disso, os resultados falam por si e eles são positivos.
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Outra forma de incoerência que envolve essa idéia sobre o personagem principal diz respeito à nossa relação com o filme. O filme procurar mostrar um personagem humano, não simplesmente heróico (e sabemos que isso é uma jogadinha que ocorre com certa freqüência nos dias de hoje), mas mesmo assim ele não toma atitudes que desagradam realmente os milhões de espectadores (os roteiristas não chegariam a esse ponto). Então me pergunto, se eles constroem um personagem que agrada as enormes bilheterias do filme, por que esse mesmo personagem não agradaria aqueles que vivem no seu mundo? O fator mídia (o quarto poder) já está descartado pelos 2 argumentos do parágrafo de cima.
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O próprio filme é uma mídia e ele se nega, afinal ele nos fez gostar do personagem. Ele gera o embrião da sua incoerência.
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Com isso temos que a cidade não precisaria de outro herói como o Promotor e muito do filme gira em torno disso. O personagem principal torna-se uma espécie de retaguarda não necessariamente heróica, pois o povo que “precisa de um herói com cara”, já tem o seu. Isso dá uma espécie de aval para ele ser menos ético, mas esse aval se baseia indiretamente num fato que não existiria caso as coisas fossem friamente analisadas.
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Um filme que se propõe a ser tão inteligente e até mesmo filosófico, se baseia numa falácia que só faz sentido num mundo supostamente avulso (nenhuma cidade da Terra tem 30 milhões de habitantes), mas que deveria ser igual ao nosso, pelo menos num ponto tão importante que é a lógica da mídia e do próprio ser - humano em primeira instância.
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Todas essas idéias me vieram a partir de uma sensação / pergunta que o filme me trouxe, e é: Por que Batman, o cavaleiro das trevas, não seria um herói?

Fiquei com essa sensação.

Ele é um herói, sim, pois apesar de tomar atitudes supostamente (não totalmente, já que os roteiristas não são loucos de denegri-lo, afinal o salário deles depende da sua moral. rsss) criticáveis, essas atitudes não são condenáveis, já que em casos especiais “os fins justificam os meios”. Claro que depende dos fins e dos meios, mas bons fins podem se justificar por meios pontualmente usados. Isso é delicado, mas da maneira como foi colocado no filme, acho que ninguém se oporia, afinal os roteiristas não são doidos, como já disse.
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Fora tudo isso, o vilão ser chinês não me agradou. Por que não colocaram um suíço, um italiano? Afinal, há mais banqueiros e mafiosos nesses países que na China, o ameaçador e populoso dragão comunista e emergente do oriente.
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São argumentos bem amarrados, mas que não me convencem, afinal eu achei o filme FUDIDO. Aconselho a ver e também aconselho ligar os botões reservas da atenção porque é preciso. Primeiro porque o filme tem quase 3 horas de duração e não é simples ter uma noção geral de tudo que já aconteceu e suas diversas implicações, e segundo que ele está recheado de bons diálogos e falas com frases marcantes e bem colocadas e / ou repetidas como: “às vezes a fé precisa de recompensas” (bonita e bem colocada), “a noite sempre é mais escura antes do amanhecer” (essa é velha, mas é bonita e bem colocada) e “ou você morre como herói, ou vive o bastante para se tornar um vilão” (bem colocada e bem repetida).
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Enfim, gostei.
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Continuando, pois estou com vontade de escrever hoje.
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Achei irônico o fato de o principal vilão ter sobrevivido no filme ou sobrevivido AO filme, e o ator ter morrido na vida real. O vilão sobreviveu ao filme, mas o ator não. Na maioria das vezes acontece o contrário. Talvez o ator tivesse que tomar umas aulas de força ou loucura com seu personagem. Talvez se tivesse aprendido a rir desvairadamente com o Curinga, ele estaria vivo. Tirar proveito da insanidade é uma arte das mais difíceis. Equilibrar os benefícios que o desequilíbrio traz, não é para qualquer um.
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E como estou do contra, vou elogiar o vilão.
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O Curinga se mostrou inteligente, explorou as fraquezas do sistema coercitivo fazendo ele se virar contra ele mesmo. Enfraqueceu as bases do oposto de si usando o que havia de comum entre o bem e o mal, que é o fator humano. Mostrou o poder da simplicidade (“sabe o que há em comum entre eles. Eles são baratos“ – disse isso enquanto queimava uma pilha gigantesca de dinheiro que ele não precisaria, pois pólvora e gasolina não custam caro); a força da loucura, que o colocava em vantagem em relação a seus oponentes, afinal ele não temia a morte; mostrou também verdades que os próprios heróis não viam, serviu de substância reveladora de índoles e, pensando por esse lado, até trouxe benefícios para a polícia que sofreu uma espécie de filtração.
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Ponto para os roteiristas que não são nada bobos e sabem que vilões comuns não convencem mais como há décadas atrás. Como já dito, o salário deles depende disso. rssss
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Tem muito pra se falar bem do bem, mas não quero. Estou do contra.
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Resumindo:
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O filme prova, por ele mesmo, que a obra se baseia num argumento incoerente. Ele se torna seu próprio contra argumento. Possui um herói bizarro com orelhinhas toscas e que finge ter uma voz igualmente tosca só pra não descobrirem sua identidade. O vilão se mostra mais são que o próprio ator que o interpretou (sacanagem, isso – rssss). A atriz que faz a suposta musa é feia. Batman cai do qüinquagésimo andar e não sofre nada, nem ele e nem a mulher que estava com ele. Coringa não tem dinheiro, mas acaba com todos (a simplicidade tem seus limites). O Duas caras é horrível, e nenhuma moeda se queima e fica marcada com cinzas que não possam ser limpadas com um esfregar de mãos. E ele esfrega as mãos nela.
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Enfim, com tudo isso, só posso continuar com uma opinião em relação ao filme, afinal, ser do contra permite certas incoerências:
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ELE É FUDIDO...
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E fim de papo..........................................
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