sexta-feira, 31 de março de 2006

Desjejum

O erro
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Com os olhos mareados de negações
Eu economizo revoltas pra poder estabilizar emoções
Organizo desejos pra evitar ereções
Estatizo sorrisos pra receber ilusões
E nego esforços pra corrigir sensações.
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Diversas e infinitas são as vielas
E vêm delas nossos sonhos em escorrer
Descendo ladeira à baixo reanimando velas
Na ânsia inconformada de poder em si me ver.
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Com os olhos economizando desvios fictícios
Eu deslizo em fios sobre vazios precipícios
Precipito gentios na esperança de um vício
Tropeço macio na cadência de um edifício
E acabo me morto-pífio beirada do comício
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Vociferam demagogias prolixas frente/rente à morte
Já que passagem passada ao passageiro noturno se deu.
Evitamos sobreviver aos orgulhos do tempo e da sorte
Pois a conseqüência eterna do erro, mesmo com o tempo, não morreu.
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Wagner - 15:20 - 31/3/06

quarta-feira, 29 de março de 2006

terça-feira, 28 de março de 2006

Dicionário Brasileiro de Prazos...

Para evitar que estrangeiros fiquem pegando injustamente no nosso pé, está sendo compilado o Dicionário Brasileiro de prazos (que já deveria estar pronto, mas atrasou ...) do qual foram extraídos os trechos a seguir:
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DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.
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JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa Passou a ser minha primeira prioridade, enquanto Faço já já quer dizer apenas Assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito.
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LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase Mas logo eu?, que quer dizer Tô fora.
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MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!
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NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.
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PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca.
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POR VOLTA: Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer A partir das 5 h.
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SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro, deve-se dizer Fique tranqüilo que amanhã eu entrego. E depois do segundo, Relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o Amanhã, sem falta.
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UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.
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VEJA BEM: É o day after do depende. Significa Viu como pressionar não adianta?. É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..."
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XIIII...: Se dito neste tom, após a frase: Não vou mais tolerar atrasos, OK? Exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.
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ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 30 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Fechando o Verão.,.,.,.,

Hoje eu estava saindo do serviço quando começou uma bruta chuva. Era dia 20 de março de 2006, último dia do verão, praticamente começo de outono. Então eu lembrei das águas de março que fecham o verão, mas trazem promessa de vida ao nosso coração. Daí já era. Depois de postar isso vou ouvir a música. Ela ficou na minha cabeça messssmo.
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Águas de Março
Tom Jobim
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É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta, é um ponto,
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã.
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São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
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sexta-feira, 17 de março de 2006

Coisas dos outros X


Finge que isso é uma poesia
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Parabéns para o Blog
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.
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Nesta data tão especial, que na verdade é amanhã dia 18/3,
este blog vai fazer um ano.
Por isso mais uma "Coisas dos outros" pra nós
(DEZ DELAS DAQUI PRA BAIXO).
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Então:
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Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.
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O blog é tudo ou nada???
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NADA.
RSSSSSSSSSSS

Coisas dos outros IX


Caicó (Cantiga)
Milton Nascimento
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Composição: Villa Lobos e Teca Calazans

Ó, mana, deixa eu ir
ó, mana, eu vou só
ó, mana, deixa eu ir
para o sertão do Caicó

Eu vou cantando
com uma aliança no dedo
eu aqui só tenho medo
do mestre Zé Mariano

Mariazinha botou flores na janela
pensando em vestido branco
véu e flores na capela

Coisas dos outros VIII


Resumo - Apresentam-se, de forma sintética, os principais cuidados a ter na escrita de um artigo científico. Para esse efeito, descrevem-se e comentam-se, sequencialmente, as sucessivas componentes de um documento desta natureza. Pensa-se que esta abordagem constituirá um bom auxiliar para os autores que pretendam reforçar a coerência e adequação dos seus artigos científicos.
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António Dias de Figueiredo
Departamento de Engenharia Informática
Universidade de Coimbra
3030 Coimbra, Portugal
adf@dei.uc.pt

Coisas dos outros VII

A Bomba Atômica
(Vinícius de Morais)
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Dos céus descendo
Meu Deus eu vejo
De pára-quedas?
Uma coisa branca
Como uma forma
De estatuária
Talvez a forma
Do homem primitivo
A costela branca!
Talvez um seio
Despregado à lua
Talvez o anjo
Tutelar cadente
Talvez a Vênus
Nua, de clâmide
Talvez a inversa
Branca pirâmide
Do pensamento
Talvez o troço
De uma coluna
Da eternidade
Apaixonado
Não sei indago
Dizem-me todos
É A BOMBA ATÔMICA
.
Vem-me uma angústia
.
Quisera tanto
Por um momento
Tê-la em meus braços
E coma ao vento
Descendo nua
Pelos espaços
Descendo branca
Branca e serena
Como um espasmo
Fria e corrupta
De longo sêmen
Da Via-Láctea
Deusa impoluta
O sexo abrupto
Cubo de prata
Mulher ao cubo
Caindo aos súcubos
Intemerata
Carne tão rija
De hormônios vivos
Exacerbada
Que o simples toque
Pode rompê-la
Em cada átomo
Numa explosão
Milhões de vezes
Maior que a força
Contida no ato
Ou que a energia
Que expulsa o feto
Na hora do parto.
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II
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A bomba atômica é triste
Coisa mais triste não há
Quando cai, cai sem vontade
Vem caindo devagar
Tão devagar vem caindo
Que dá tempo a um passarinho
De pousar nela e voar . . .
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Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar!
Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar
Mas que ao matar mata tudo
Animal e vegetal
Que mata a vida da terra
E mata a vida do ar
Mas que também mata a guerra . . .
Bomba atômica que aterra!
Bomba atônita da paz!
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Pomba tonta, bomba atômica
Tristeza, consolação
Flor puríssima do urânio
Desabrochada no chão
Da cor pálida do hélium
E odor de rádium fatal
Lœlia mineral carnívora
Radiosa rosa radical.
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Nunca mais oh bomba atômica
Nunca em tempo algum, jamais
Seja preciso que mates
Onde houve morte demais:
Fique apenas tua imagem
Aterradora miragem
Sobre as grandes catedrais:
Guarda de uma nova era
Arcanjo insigne da paz!
.
III
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Bomba atômica, eu te amo! és pequenina
E branca como a estrela vespertina
E por branca eu te amo, e por donzela
De dois milhões mais bélica e mais bela
Que a donzela de Orleães; eu te amo, deusa
Atroz, visão dos céus que me domina
Da cabeleira loura de platina
E das formas aerodivinais
— Que és mulher, que és mulher e nada mais!
Eu te amo, bomba atômica, que trazes
Numa dança de fogo, envolta em gazes
A desagregação tremenda que espedaça
A matéria em energias materiais!
Oh energia, eu te amo, igual à massa
Pelo quadrado da velocidade
Da luz! alta e violenta potestade
Serena! Meu amor . . . desce do espaço
Vem dormir, vem dormir, no meu regaço
Para te proteger eu me encouraço
De canções e de estrofes magistrais!
Para te defender, levanto o braço
Paro as radiações espaciais
Uno-me aos líderes e aos bardos, uno-me
Ao povo ao mar e ao céu brado o teu nome
Para te defender, matéria dura
Que és mais linda, mais límpida e mais pura
Que a estrela matutina! Oh bomba atômica
Que emoção não me dá ver-te suspensa
Sobre a massa que vive e se condensa
Sob a luz! Anjo meu, fora preciso
Matar, com tua graça e teu sorriso
Para vencer? Tua enégica poesia
Fora preciso, oh deslembrada e fria
Para a paz? Tua fragílima epiderme
Em cromáticas brancas de cristais
Rompendo? Oh átomo, oh neurônio, oh germe
Da união que liberta da miséria!
Oh vida palpitando na matéria
Oh energia que és o que não eras
Quando o primeiro átomo incriado
Fecundou o silêncio das Esferas:
Um olhar de perdão para o passado
Uma anunciação de primaveras!
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Coisas dos outros VI


O Passeio Repentino
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Quando à noite parece ter-se tomado a decisão definitiva de permanecer em casa, vestiu-se o roupão, depois do jantar ficou-se sentado à mesa iluminada, às voltas com aquele trabalho ou jogo ao término do qual habitualmente se vai dormir, quando lá fora há um tempo inamistoso que torna natural permanecer em casa, quando já se passou tanto tempo quieto à mesa que ir embora teria de provocar espanto geral, quando até as escadas já estão escuras e a porta do prédio fechada, e quando apesar disso tudo, num mal-estar repentino, fica-se em pé, troca-se o roupão, surge-se imediatamente vestido para ir à rua, se esclarece que é preciso sair, faz-se isso depois de breve despedida, acreditando-se ter deixado maior ou menor irritação conforme a rapidez com que se bate a porta do apartamento, quando se está de novo na rua com membros que respondem com uma mobilidade especial a essa liberdade inesperada que lhes foi concedida, quando se sente, através dessa decisão, concentrada em si mesmo toda a capacidade de decidir, quando se reconhece com um senso maior que o comum que se tem mais energia do que necessidade de produzir e suportar a mais rápida das mudanças, e quando assim se vai às pressas pelas longas ruas - então por essa noite está-se totalmente desligado da família, que desvia seu rumo para o inessencial enquanto, firme de alto a baixo, os contornos com as linhas carregadas, dando tapas na parte traseira das coxas, ascende-se à sua verdadeira estatura.
Tudo fica mais reforçado quando, a essa hora tardia da noite, se procura um amigo para ver como ele vai.
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Franz Kafka (Trad. de Modesto Carone)

Coisas dos outros V


The Simpsons

Tum châ châ
Tum châ châ châ
Tum châ châ tum châ tum châ tum

Tum châ châ
Tum châ châ châ
Tum châ châ tum châ tum châ tum

Pâm râm pâm pâm râm pâm pâm pâm pâm râm râm râm
Pâm râm râm râm râm pâm rãm râm râm pâm râm râm râm râm râm

Coisas dos outros IV



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Em uma noite quando o sono se aproximava
com uma visita tal fantasma me assombrou
Eis que trazia consigo o seguinte desafio:
"Tens fé?" Ao que respondi...
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Já acreditei em Cristo e o neguei três vezes
Já acreditei em Maomé e o esqueci cinco vezes ao dia
Já acreditei em Buda e abri mão de toda minha eternidade
Já acreditei em duendes e os vendi em uma feira de domingo
Já fui judeu de vários deuses, e hindu de um deus só
Já combinei os mitos e orixás em um panteão xintoísta
Já acreditei o bastante para entender que não nasci para crer.
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Não creio em deuses encerrados;
em deuses travestidos de homens (e vice-versa);
nestas verdades impalpáveis e estáticas;
nesta mercadoria-sagrada de nossa rotina.
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Olho a Natureza e vejo nela o reflexo de nossa alma:
Creio no Homem. Homem criador.
Homem sensível. Homem livre. Homem-irmão.
Creio no Homem. Homem do belo.
Homem da paz. Homem do progresso.
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Acredito naqueles que amam; no amor das mães e das crianças;
no arrependimento dos velhos.
Acredito no talento dos cegos, surdos e mudos;
na sensibilidade dos tetraplégicos.
Acredito no mundo altista e na individualidade das massas.
Acredito na força dos que tem fome e dos que padecem.
Acredito na humanidade dos gays, das prostitutas e outros degenerados.
Acredito na fraternidade dos brancos, negros, amarelos e vermelhos.
Acredito nos que sofrem. Sofrem por amor, por ódio ou pela existência.
Sofrem porque são Deus.
Acredito naqueles que controlam a rosa-dos-ventos;
nos que atrasam e adiantam os relógios.
Acredito naqueles que mudam;
naqueles que expandem e contraem;
nos que explodem.
Acredito naqueles que não compram felicidade enlatada,
nem esperanças por telefone.
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Se perguntas: Tens fé? Tenho fé em mim e nos homens.
Os homens dos Homens. Aqueles que são.
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Leonardo de Barros

Coisas dos outros III

A Casa
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Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão.
.
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali.
.
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero.
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Coisas dos outros II


Dois rios
.
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
.
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
.
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
.
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
.
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
.
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
.
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
.
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.

Coisas dos outros


Corsário
.
Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: Mar.
.
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais.
.
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso.
.
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar.
.
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo e irá.
.
Com as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!

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quarta-feira, 15 de março de 2006

Interessante mesmo.,.,.,

Não sei se vocês perceberam, mas eu tô começando um bando de postagens de coisas que não foram eu que fiz. Espero que gostem.
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Leia o texto abaixo.
Se você conseguir ler as primeiras palavras, o cérebro decifrará automaticamente as outras...
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3M UM D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R!! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 4R314.

terça-feira, 14 de março de 2006

Alberto Caieiro – O Guardador de Rebanhos


Da Minha Aldeia
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Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
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Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
.
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

terça-feira, 7 de março de 2006

Testamento (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
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Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
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Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
.
Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
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(29 de janeiro de 1943)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Querido Blog

Querido Blog, hoje o dia está chuvoso e nublado, nublado e chuvoso e vice-versa. São algumas horas da manhã e pela janela eu posso ver que a chuva do fim-de-semana foi forte o bastante pra arrancar galhos da árvore que fica aqui de frente pra janela da sala onde eu fico de frente pra janela da sala. O final de semana foi cheio de pancadas de chuva fortes ou pancada de chuvas fortes que oscilavam bastante de forma irregular e redundante feito essa frase proposital. Sabe?! Tipo aquela chuva que vem com raiva e despenca água, mas depois fica com dó e ameniza pra fazer carinho no asfalto. Nada que dure mais do que alguns instantes de piedade e logo ela já vinha com toda força de novo, e essas oscilações se repetiam e repetiam até que as nuvens se esgotavam de indecisão e morriam de vergonha correndo pra se esconder toda tímida atrás de outros prédios mais distantes. Será que elas se acham indecisas e por isso indefesas? Quem não toma partido não pode se defender. Defender-se é tomar partido de si mesmo pra sim mesmo em si.
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Mesmo???
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O fim-de-semana foi tranqüilo e novamente tão tranqüilo que só posso dizer que ele foi tranqüilo e nada mais. Sem exageros seria uma variação sem mudanças significativas (de significado). Estava acabando de se tratar de uma gripe cheia de antibióticos, tosses e etc. A gripe e suas companheiras. Algumas febres sem mais nem menos, só febres e demais. Já vi o DVD do festival de música de Itanhandu e outros, vi filmes tipo Cold Mountain, mas nada de tipo, era o próprio. Vi as ruas, minha prima e tia, nada que um fim de semana tranqüilo não possa comportar e satisfatoriamente proporcionar.
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Não dormi cedo não. Já era mais que aurora quando eu vi a dança das horas restaurar o céu azul, extinto negro. Muito poético e pouco prático. Sexta era canseira e sofá. Sábado era o quarto e suas arrumações intermináveis. Quarto só diminui com o passar dos tics das engrenagens do big-bang miniatura.
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Nossa, pra quê uma frase assim. Não seria melhor dizer que com o passar dos tempos, nossas tralhas aumentam e o quarto fica mais apertado e insuficiente pra comportar tanta coisa?
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Seria, mas aí fica a frase fica muito simples e as coisas se tornam mais corriqueiras na escrita do que no desenrolar efetivo do momento e a escrita perde seu diferencial. Escrever com beleza exagerada suas rotinas é o exercício do dejavu das maravilhas. O melhor dejavu, eu garanto. rsssss
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É uma beleza as maravilhas do dia sem nada de mais, não é mesmo?!
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Acho que sim, as maravilhas são todas bem esguias e deploráveis, mas o que seria de nós sem suas certezas momentaneamente definitivas. As maravilhas servem pra serem eternas, não infinitas posto que é chama, mas eternas enquanto dure.Propositalmente oposto.
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A maravilha plena reside na incontestável ilusão de saber se enganar só pra estar em paz numa vida de alguns minutos.
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E depois?
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Depois... que venha a morte, porque só assim poderá novamente de novo vir outra vida numa maravilha sem igual de segundinhos. O fim de semana foi assim.
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Quem disse que diálogo precisa de parágrafo travessão?????????
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Eu disse muitas coisas, mas não me lembro de ter dito isso.
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Kakakakaka, risos em conjunto.,.,.,.,.,

sexta-feira, 3 de março de 2006

Frase do dia

"Nós vamos vir a estar trabalhando na pesquisa de clima". Autor: alguém numa reunião.

quinta-feira, 2 de março de 2006