quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Registrando a Limpo


É interessante pensar que, após dois, ou três, ou quatro, ou até mesmo cinco anos de ostracismo involuntário; que perduraram pelos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010; no início de 2011, quem me trouxe de novo a atualidade da cultura POP, que tanto gosto de saber e sentir, foi um pequeno menino que tinha apenas nove anos na época: meu aluno João.

Nestes ditos cinco anos de vaga vida, passei por dias e espaços sem ter noção exata do que acontecia no mundo, morei numa Kit-net onde só pegava um canal de TV e vivi, constantemente, sem respiro ou validez, não só pela falta de informação, mas pela falta de degustação da própria realidade diária. Eu estava totalmente desligado e não sabia por onde, nem como suprir esta minha necessidade de pertencimento.

E foi em 2011, após começar a dar aula para este que, na época era só um menino, que voltei a ter noção de coisas corriqueiras do momento, das notícias, de quem estava acontecendo no instante, das novas músicas, dos sucessos, dos programas, o que ouvir, o que ver, onde procurar saber, quais eram os comportamentos, que novo artista me agradava, o que estava sendo respirado, como algumas tribos se comportavam, coisas instantâneas; e também coisas mais próprias e individuais, o que eu aprovava, o que eu não gostava, onde eu queria ir, como eu queria ser, onde era possível estar, o que emanava do momento e assim, novamente, eu senti o frescor de ser atual, o sabor de estar acontecendo em conjunto com a atualidade.

Às vezes precisamos que estendam alguma ponta para que possamos reiniciar o desembaraço de um novelo estancado há tantos anos. Um novelo que envolvia o interno e o externo, num misto de frustrações que me embaçava a visão e me retirava os passos por qualquer calçada que eu tentasse caminhar.

Resolvi escrever esse texto por se tratar novamente de uma simples e pequena criança. Foi mais um momento em que a energia da criança esteve presente na minha vida abrindo espaços e trazendo renovação. Esta foi uma época muito boa, que muito me fez renascer: o primeiro semestre de 2011 e suas continuidades. Tenho saudades desse tempo!

Dia-a-dia um novo vídeo, um novo artista, uma nova música, um novo sucesso, um site de atualidades, as mais vendidas do ITunes, um novo Remix, uma nova informação sobre algo que ainda seria lançado, os eventos para promover os novos álbuns, as trilhas dos filmes mais vistos, o temas dos novos super heróis, as novas músicas da Adele, o DVD no Royal Albert House, a belíssima Skyfall, o lado B da Amy Winehouse, o que havia de bom e de ruim nos lançamentos da Rihanna, Kate Perry, Nicki Minaj, Ke$ha e outras e outros (mas isso eu mesmo concluía dentro da quantidade de músicas que surgiam), as loucuras da Lady Gaga na mídia e as várias boas músicas do álbum Born this Way, os resultados da premiação da MTV, da Billboard, da Rolling Stones, as apresentações feitas nas premiações, o som diferente da Florence + The Machine, LMFAO, um clipe qualquer no canal VEVO, um vídeo novo do Cifraclub, a lista dos mais ouvidos do Vagalume e um universo inteiro que se abriu de maneira tão espontânea.

Sou e serei sempre grato pela naturalidade recíproca do aprendizado. Eu levando a teoria e ele vindo com a prática. A Teoria da Música e a Prática do POP da década de 10 deste nosso século tão ensandecido por obsessivas experimentações vazias.

Foi bom viver aquilo e ainda é bom estar em exercício de atualidade!