É interessante pensar que, após
dois, ou três, ou quatro, ou até mesmo cinco anos de ostracismo involuntário;
que perduraram pelos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010; no início de 2011,
quem me trouxe de novo a atualidade da cultura POP, que tanto gosto de saber e
sentir, foi um pequeno menino que tinha apenas nove anos na época: meu aluno
João.
Nestes ditos cinco anos de vaga
vida, passei por dias e espaços sem ter noção exata do que acontecia no mundo, morei
numa Kit-net onde só pegava um canal de TV e vivi, constantemente, sem respiro
ou validez, não só pela falta de informação, mas pela falta de degustação da
própria realidade diária. Eu estava totalmente desligado e não sabia por onde, nem
como suprir esta minha necessidade de pertencimento.
E foi em 2011, após começar a dar
aula para este que, na época era só um menino, que voltei a ter noção de coisas
corriqueiras do momento, das notícias, de quem estava acontecendo no instante,
das novas músicas, dos sucessos, dos programas, o que ouvir, o que ver, onde
procurar saber, quais eram os comportamentos, que novo artista me agradava, o
que estava sendo respirado, como algumas tribos se comportavam, coisas instantâneas;
e também coisas mais próprias e individuais, o que eu aprovava, o que eu não
gostava, onde eu queria ir, como eu queria ser, onde era possível estar, o que
emanava do momento e assim, novamente, eu senti o frescor de ser atual, o sabor
de estar acontecendo em conjunto com a atualidade.
Às vezes precisamos que estendam
alguma ponta para que possamos reiniciar o desembaraço de um novelo estancado
há tantos anos. Um novelo que envolvia o interno e o externo, num misto de frustrações
que me embaçava a visão e me retirava os passos por qualquer calçada que eu
tentasse caminhar.
Resolvi escrever esse texto por
se tratar novamente de uma simples e pequena criança. Foi mais um momento em
que a energia da criança esteve presente na minha vida abrindo espaços e
trazendo renovação. Esta foi uma época muito boa, que muito me fez renascer: o
primeiro semestre de 2011 e suas continuidades. Tenho saudades desse tempo!
Dia-a-dia um novo vídeo, um novo
artista, uma nova música, um novo sucesso, um site de atualidades, as mais
vendidas do ITunes, um novo Remix, uma nova informação sobre algo que ainda seria
lançado, os eventos para promover os novos álbuns, as trilhas dos filmes mais
vistos, o temas dos novos super heróis, as novas músicas da Adele, o DVD no Royal
Albert House, a belíssima Skyfall, o lado B da Amy Winehouse, o que havia de
bom e de ruim nos lançamentos da Rihanna, Kate Perry, Nicki Minaj, Ke$ha e
outras e outros (mas isso eu mesmo concluía dentro da quantidade de músicas que
surgiam), as loucuras da Lady Gaga na mídia e as várias boas músicas do álbum Born
this Way, os resultados da premiação da MTV, da Billboard, da Rolling Stones, as
apresentações feitas nas premiações, o som diferente da Florence + The Machine,
LMFAO, um clipe qualquer no canal VEVO, um vídeo novo do Cifraclub, a lista dos
mais ouvidos do Vagalume e um universo inteiro que se abriu de maneira tão espontânea.
Sou e serei sempre grato pela
naturalidade recíproca do aprendizado. Eu levando a teoria e ele vindo com a
prática. A Teoria da Música e a Prática do POP da década de 10 deste nosso
século tão ensandecido por obsessivas experimentações vazias.
Foi bom viver aquilo e ainda é bom estar
em exercício de atualidade!

