sábado, 28 de fevereiro de 2009

Sim!!!

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Pra tudo se acabar na quarta feira...
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sim!!!

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E um dia,
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afinal,
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tinham direito
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a uma alegria fugaz,
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uma ofegante epidemia
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que se chamava carnaval...
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Mais João

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“Tem horas em que, de repente, o mundo virá pequenininho, mas noutro de-repente ele já torna a ser demais de grande, outra vez. A gente deve de esperar o terceiro pensamento.”
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Nenhum, nenhuma – Primeiras estórias – J. G. Rosa
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Como assim?!?!

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No fundo o pensamento comanda, mas não é soberano. Comanda em conjunto com diversas coisas como: as atividades que fazemos, o sentido que essas atividades têm para nós, como nos sentimos por fazê-las e assim sermos como somos. As coisas têm que ter razão de ser para as pessoas, senão as coisas ficam ocas. Não ver razão é não ter razão pra ser. E não ter razão pra ser não é ser - realmente. Ser sempre se é, mas ser - realmente é muito danado. Não se escapa de ser, mas ser - realmente é bem difícil. O ser - humano está preso nesta condição. Não se pode deixar de ser, mas ser - realmente também não se pode ser sem algum (ou muito) esforço. Penso logo existo, né!!! Penso logo existo e assim posso ser!!! E se é pensando que se existe, se existe pelo que se pensa. Pensar faz existir, pensar configura a existência, constrói o que se é, o como existir. Pensar constrói o ser - realmente, mas pode também destruir o simplesmente ser que se achava ser o ser - realmente. Precisamos de razão profunda e, quanto mais se pensa, mais as razões se tornam complexas e mais difíceis de serem encontradas e também mais difíceis de serem mantidas (acho que isso não é uma constante, mas tudo bem). As razões são, em geral, mais difíceis de serem mantidas porque são de natureza mais frágil. Sentimentos são mais orgânicos, tendem a serem mais duradouros quando contidos em si. Sentimento estabiliza, tem natureza mais perene e reina em terrenos mais estáveis, pois envolve muito mais. Sentimento é físico-químico. Já as razões são elétricas. Deve haver alguma verdade na comparação feita nessas duas últimas frases. As razões vêm como se vão, em geral. Podem ser bem volúveis. Isso não é uma regra, mas é uma tendência. As razões mais profundas das pessoas são parecidas e são duradouras, essas sim. Mas razões corriqueiras, dessas de cada momento, existem aos montes e correm ligeiras. A felicidade seria a base comum, a razão comum, dessas que duram, mas os caminhos pra se chegar até ela são infinitos e escorregadios, feitos de razões esgueirantes. São tantos caminhos quantos forem os seres pensantes que já existiram e irão existir por aqui. Acho que felicidade, no fundo, também é razão. Sentimentos são razão?! Acho que um bom bocado deles, ou todos, sim, porque sentimentos têm razão de ser, se fazem de razão. Ninguém sente porque sente. Não acredito nisso. Mesmo o amor, o tão admirável amor, aquele sentimento sublime, não é assim. Não se sente amor porque se sente. Se sente porque você tem alguma razão para senti-lo, ele faz sentido profundo pra você. É claro que o amor pode entrar numa espiral ascendente e, num determinado momento, se bastar por si, e daí ele se torna incorruptível, mas daí já é um estágio mais além. Ainda assim, nesse estágio, acredito que ele estará se baseando em razões, ainda que elas não sejam mais levadas em conta e se tornem descartáveis e irrisórias. Sentimentos são razões sentidas. Mas também poderia ser a razão uma sensação pensada? Pode ser, mas isso vai de pessoa pra pessoa. E agora, seria a razão um sentimento racionalizado? O ovo ou a galinha? Acho que isso é uma questão de tempo, questão temporal. Em cada situação isso pode ocorrer numa ordem. O que posso dizer é que pra mim as razões geram sentimentos e assim se inicia o processo. Mas o desenrolar é um fuzuê de ambos sincronizados no sem controle. Acho que eles são para serem mesmo juntos e assim guiar o homem por caminhos tão delicados como os da moral, da fé, da ética e assim por diante. Novamente a maça no escuro. Os caminhos de ser do ser. Caminhos do ser ser.
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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Música alternativa é o seguinte…

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Duas alternativas:
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Primeira -
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Você pode tentar convencer as pessoas de que seus experimentos sonoros são legítimos e de qualidade. Uma maneira de fazer isso é fingir não se importar com os outros e lançar obras doidas. Mas só finge que não liga, viu!!! Porque elas gostam disso. As pessoas que buscam música alternativa gostam de artistas que parecem não se importar com a fama. Mas aconselho só fingir porque, na verdade, é bom fazer um som que agrade os outros. Não vai sair peidando no microfone ou gravando grunhidos de mais de 20 segundos ou coisas caóticas e muito desvairadas que isso tende a encher o saco.
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Depois de estabelecido esse esquema (conseguiu que o povo tivesse compromisso com o seu aparente descompromisso), você vai arranjando meios de manter o posicionamento de marca do grupo, lembrando-se sempre que tudo aquilo que envolve você e os integrantes tem capacidade de falar em nome desse grupo. Também é aconselhável aumentar o número de ouvintes com divulgações maiores, abarcando aquelas pessoas que vão na onda dos mais cults, afinal os cults se debandam com rapidez, enquanto os outros tendem a ser mais estáveis.
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Um forte posicionamento de marca respeitável sustentado por sucessivas obras vindas de viagens alucinadas porém controladas e que têm, no fundo, a preocupação voltada para o ouvinte, esta é uma alternativa.
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Uma observação antes da segunda proposta:
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- Tocar é naturalmente muito mais divertido que ouvir e isso pode ser bem perigoso. Lembre-se sempre disso!!!
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Segunda -
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Você pode fazer um som que tenha grande capacidade de envolver os ouvintes logo de cara. Coisas felizes, com ritmo legal, sonoridades que pareçam sofisticadas ou que tragam sensações agradáveis e calmas, que façam facilmente sentido a ouvidos exteriores ao processo criativo (chame pessoas de fora para ouvir), são tipos de sons que podem agradar de primeira e isso é muito bom.
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Essa segunda vai no caminho contrário da primeira. O compromisso é com o ouvinte, e isso é deixado às claras.
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Descompromisso demais é arriscado. Pode não agradar nos tempos atuais e isso não é novidade nenhuma. Poucos conseguem fazer do descompromisso e do desvario uma bandeira convincente. Já passou a era da desconstrução desvairada. A música tem elementos que indicam qualidade independente do estilo, como: a técnica dos músicos, a capacidade da mensagem ser claramente transmitida pelo formato-conjunto da obra, coisas assim que aumentam as chances da coisa dar certo.
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Pode parecer esquisito esse comentário, mas músicas que pareçam SINCERAS e diretas tendem a agradar e convencer.
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O que é sincero convence. Sucesso é questão de convencimento. Sucesso é resultado de persuasão.
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Enfim, são essas duas as maneiras que pensei enquanto escrevia esse texto e ouvia músicas alternativas:
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Ou se amacia a tolerância do ouvinte convencendo-o de que a banda é Cult de verdade e que ele deve ter paciência para digerir seu som, ou se mostra uma solução clara e equilibrada.
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Simplicidade é e sempre será uma ótima alternativa para a música alternativa.
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Fiz uma poesia só pra mim - II

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2.648 palavras compõem, até agora, meu "Frevo arredio de pensamentos espatifados."
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

São Paulo é assim:

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Enquanto acontece alagamento em alguns pontos, noutros se pode ainda ver o sol...
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São Paulo tem dessas coisas!!!
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Será?!

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— "Representar é aprender a viver além dos levianos sentimentos, na verdadeira dignidade."
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Doutor Perdigão - Pirlimpsiquice - Primeiras Estórias - J.G.Rosa
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Falando coisas arriscadas

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Quando li Dom Casmurro, escrevi aqui no blog que não gostei do romance e expliquei o porquê. Mas justiça seja feita. Se critiquei algo dele que não me agradou, acho justo e necessário elogiar o que causou boa impressão. Aliás, muito boa impressão.
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Terminei esses dias uma coletânea de contos do mesmo autor e me impressionei com a variedade de temas e o domínio da técnica. Aquela fina ironia, dessa vez, não me desagradou. Houve momentos de muito bom humor, finais inesperados e, nem por isso, frustrantes. Também houve finais esperados, mas muito bem escritos, como no caso d”O Alienista”.
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“Um homem célebre” também é uma delícia de ler, aliás, todos são. Os personagens são bem descritos diretamente, e também indiretamente por pequenas passagens de sutileza incrível. Muitos geram empatia e o mago barbudo é bem esperto no controle e velar das intenções.
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Os contos eram: “A cartomante”, “Uns braços”, “Conto de escola”, “O alienista”, “O espelho”, “Um homem célebre” e “A causa secreta”.
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Sei que não é novidade dizer que Machado tinha um domínio muito grande de uma maneira de escrever que ele desenvolveu e destrinchou longamente, mas isso é bem verdade e merece ser repetido porque tem muita relevância; tanto o desenvolver quanto o destrinchar longamente.
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Talvez seja justamente por essa diferença na extensão da obra que muitos o consideram o melhor escritor brasileiro, o que não acontece com tanta freqüência com a figura de Guimarães Rosa.
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Isso é uma suposição. Não sei se é só por causa disso, mas arrisco dizer que não. Há outros fatores a seu favor.
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Acho que não porque comecei a ler “Primeiras estórias”, livro lançado seis anos depois de Grande Sertão: Veredas, o melhor romance já escrito por um brasileiro na minha opinião, e os contos que já li não são nada de outro mundo. É apenas a mesma linguagem de Rosa, só que em doses homeopáticas, o que a faz perder força.
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Me parece que Machado de Assis dominava um modelo de escrita que se encaixava em mais formatos literários, o que não acontece com o estilo de João. Também acho que Machado era melhor na construção de tramas pequenas, no trabalho com roteiros.
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A força de Guimarães está na inventividade lingüística, no caminho, palavra por palavra, de seus textos e nisso ele é imbatível (não coloco Clarice pra não complicar a situação). Mas, em textos curtos, isso perde intensidade. Já Machado tem a força na precisão lingüística e também no brilho das situações propostas que resistem melhor aos diferentes formatos.
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A fórmula de Machado é mais versátil que a de Guimarães, mas, Grande Sertão: Veredas é um acontecimento único na literatura mundial, ao contrário de Dom Casmurro, por exemplo. João é superior em longas narrativas. João consegue ser incessantemente poético, mas perde força quando perde espaço. Machado é cirúrgico, inventivo nas tramas, versátil, embora menos mágico.
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E então, quem é melhor?
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Pra mim, Machado é melhor contista, mas Guimarães escreveu um romance superior a todos os escritos por Machado.
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E, quem seria o melhor escritor, independente do formato?
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Não sei. Aliás, dois dos maiores (ou os maiores) não caberiam numa comparação tão pequena.
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Sei que são dois monstros. Dois presentes para nós brasileiros.
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Sei também que quando se fala coisas arriscadas, corre-se o risco de não falar nada direito.
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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Daqui de mim de lá de outros...

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Mandei a poesia que está no dia 26/06/2008 (
http://viajantesdoinfinito.blogspot.com/2008/06/poesia-bem-loka-isso-vicia.html) pra uns colegas que gostam de escrever e um deles achou tão interessante as frases que deu a idéia de escrever textos encima delas. Ele escolheu a: “Cortinas grossas são noites com hora marcada” e escreveu esse texto:
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Hora marcada para amar o amor, para sentir o odor do sexo, do úmido das mãos/ Para sentir o indizível, o não dito, redundo, eunuco, redondo, brincadeira de palavra, riso de criança/ É na tenra idade que descobrimos a naturalidade do riso fácil, riso que mais tarde irá custar, sairá por vezes sem vontade nem por quê/ Riso tido, riso mentido, que a cortinas ocultam, que a janela encerra, no contido dos corpos, que a roupa engana. Desterra nossas candices, tolices, imposto - na sociedade, que abafa a pouca idade/ puberdade reprimida, quem não a teve, e passamos um longo período, e ai sim, nos despojamos... Dos ditos tão tolos, tão ditos, são mitos, são caras, são bocas. Na maturidade as besteiras ditas são aceitas, são receitas de aceitação, são quimeras, no jogo dos olhos/ Da boca tão tola que diz, que não diz, que contradiz, somos crianças... Diante do mundo e do conhecimento, do momento, da inteligência, da cultura, esta fada, que nos trai a cada novo conhecimento/ A cada tropeço, esta traidora, que quer nos dizer, que nada sabemos, que somos, que parecemos, somos a interrogação/ e que 'ela' floresça, sem vergonha nem culpa, para assim, diante das cortinas do mundo, da janela da humanidade/ Nos despamos das capas de Jung, couraças guardadas, saiamos do comum, sem sermos diferentes/ E sim comuns, contentes descontentes, comendo o pão e bebendo água, jogando bola e ouvindo música/ Pretensa intenção que descobramos a pedrea filosofal, querelas, quimeras, se descobrimos o pano, das cortinas de nõs mesmos/ Tecidos grossos da nossa infância, dos erros paternos/maternos, choros engolidos, já bastará/ Talvez assim consigamos viver o nosso real personagem, neste teatro, que é viver, vida louca e bela insana, profana, vida de viver.
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Hideraldo.
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Daí eu gostei da idéia, escolhi a frase “pensar o que não se deve deixa devendo o que não se pensou” e fiz o texto que está aqui embaixo.
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Daqui de mim...
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Não, não é assim que funciona. Não meu filho. Você está errado, oh pequeno observador oxossiano, choroso filho de Iemanjá. Não se deve gostar de todos como se fossem apenas seres de outros cantos e assim se bastar no inconcluso e incômodo (incomum modo) de si, que tão comum lhe é. Nem todos são coração, nem todos acalentam a tolerância, nem todos são calmarias. Cada um é um. Cada um é cada. Cada um deles é aquilo que é. É um pouco daquilo que foi, mas um pouco condicionante. Um pouco-tanto-farto que trouxe de momentos em que foram como nós: almas que olham pros céus sem saber bem ao certo onde ele está. Sem saber que está mais próximo do que pretendemos. As histórias e seus indivíduos trazem em si a essência intensa do momento de ser melhoramento mesmo inserido em tanta ignorância, cegueira. A ignorância, a inocência tem poderes fortíssimos de comoção, de LEGITIMAÇÃO. A conquista no escuro tem força para te levar além com grande propriedade. É como um cego e um normal duelando compativelmente ao piano. Quem te impressionaria mais? Hein?! A cegueira espiritual, a condição da alma in-matéria potencializa-se também pela ignorância, pela luta contra ela ou simplesmente pela compaixão por nós que estamos nesta tal maneira. É mais ou menos como a fé que não tem comprovações. O puro da fé, aquela que existe sem pegas, sem apoios, o miolo da fé, o primordial que se mantém apenas no apoio incerto do interno. Creio porque creio, pois creio posto que crendo estou sendo eu crendo e apenas assim, simples assim, bonito assim. A fé no escuro, a maçã no escuro, a ignorância bendita. É “aquele modo de pegar a maça no escuro sem que ela caia”, como bem disse Clarice num entorpece verbal de si. Oh, bendita ignorância!!! Sempre bendita, quando legítima. Conhecimento é um caminho sem volta. Se te afundas, nunca mais conseguirás voltar à tona com os mesmos olhos. Como já disse há uns tempos, o dinheiro te dá uma liberdade rasa, o conhecimento te dá uma prisão profunda e, agora que mergulhastes, não tentes nadar nos mares de anos atrás. Tu te tornaste um pouco mais aquilo que tu és, ou melhor, sempre foi e, assim, não podes mais retornar a teu porto seguro e querer deitar em tua velha cama nos braços dos idos sonhos de frescor e abundância corriqueira, facilitada. Mantiqueira, a serra que chora. Mas, permita-me, ou melhor, permita-te, imploro-me que nunca deixes de olhar para cima, pois “enquanto eu puder olhar para cima, eu não serei grande demais para minha cama”. Ainda que não seja mais aquela velha cama do tamanho de tudo, mas que continue sendo pelo menos ao tamanho exato da minha volúvel paz que lá ainda creio poder encontrar. Quero o aconchego de saber-me em mim, querida cama que carrego há décadas. Mas e as entidades? Elas são tantas e eu, aos calos e calados, vou aprendendo a engolir para transformar em força em mim o som que, com resignação, eu mantive aqui. Um vibrato que entope, que sufoca, mas que se aquece em energia, como tudo aquilo vibra. Entropia espiritual. É física alucinada!!! Mas, enfim... Repito. Não, não é assim que funciona oh pequeno observador oxossiano, choroso de mamãe Iemanjá. Pensas demais, ages de menos. Há coisas que não se entende, apenas se deixa fluir. E lembre-se, “pensar o que não se deve deixa devendo o que não se pensou”. Adapte-se a cada novo ponto, nova linha. Restitua-te de tua angústia novata. FODA-SE...
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Ai, ai, escrever é uma delícia!!!
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