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Hora marcada para amar o amor, para sentir o odor do sexo, do úmido das mãos/ Para sentir o indizível, o não dito, redundo, eunuco, redondo, brincadeira de palavra, riso de criança/ É na tenra idade que descobrimos a naturalidade do riso fácil, riso que mais tarde irá custar, sairá por vezes sem vontade nem por quê/ Riso tido, riso mentido, que a cortinas ocultam, que a janela encerra, no contido dos corpos, que a roupa engana. Desterra nossas candices, tolices, imposto - na sociedade, que abafa a pouca idade/ puberdade reprimida, quem não a teve, e passamos um longo período, e ai sim, nos despojamos... Dos ditos tão tolos, tão ditos, são mitos, são caras, são bocas. Na maturidade as besteiras ditas são aceitas, são receitas de aceitação, são quimeras, no jogo dos olhos/ Da boca tão tola que diz, que não diz, que contradiz, somos crianças... Diante do mundo e do conhecimento, do momento, da inteligência, da cultura, esta fada, que nos trai a cada novo conhecimento/ A cada tropeço, esta traidora, que quer nos dizer, que nada sabemos, que somos, que parecemos, somos a interrogação/ e que 'ela' floresça, sem vergonha nem culpa, para assim, diante das cortinas do mundo, da janela da humanidade/ Nos despamos das capas de Jung, couraças guardadas, saiamos do comum, sem sermos diferentes/ E sim comuns, contentes descontentes, comendo o pão e bebendo água, jogando bola e ouvindo música/ Pretensa intenção que descobramos a pedrea filosofal, querelas, quimeras, se descobrimos o pano, das cortinas de nõs mesmos/ Tecidos grossos da nossa infância, dos erros paternos/maternos, choros engolidos, já bastará/ Talvez assim consigamos viver o nosso real personagem, neste teatro, que é viver, vida louca e bela insana, profana, vida de viver.
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Hideraldo.
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Daí eu gostei da idéia, escolhi a frase “pensar o que não se deve deixa devendo o que não se pensou” e fiz o texto que está aqui embaixo.
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Daqui de mim...
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Não, não é assim que funciona. Não meu filho. Você está errado, oh pequeno observador oxossiano, choroso filho de Iemanjá. Não se deve gostar de todos como se fossem apenas seres de outros cantos e assim se bastar no inconcluso e incômodo (incomum modo) de si, que tão comum lhe é. Nem todos são coração, nem todos acalentam a tolerância, nem todos são calmarias. Cada um é um. Cada um é cada. Cada um deles é aquilo que é. É um pouco daquilo que foi, mas um pouco condicionante. Um pouco-tanto-farto que trouxe de momentos em que foram como nós: almas que olham pros céus sem saber bem ao certo onde ele está. Sem saber que está mais próximo do que pretendemos. As histórias e seus indivíduos trazem em si a essência intensa do momento de ser melhoramento mesmo inserido em tanta ignorância, cegueira. A ignorância, a inocência tem poderes fortíssimos de comoção, de LEGITIMAÇÃO. A conquista no escuro tem força para te levar além com grande propriedade. É como um cego e um normal duelando compativelmente ao piano. Quem te impressionaria mais? Hein?! A cegueira espiritual, a condição da alma in-matéria potencializa-se também pela ignorância, pela luta contra ela ou simplesmente pela compaixão por nós que estamos nesta tal maneira. É mais ou menos como a fé que não tem comprovações. O puro da fé, aquela que existe sem pegas, sem apoios, o miolo da fé, o primordial que se mantém apenas no apoio incerto do interno. Creio porque creio, pois creio posto que crendo estou sendo eu crendo e apenas assim, simples assim, bonito assim. A fé no escuro, a maçã no escuro, a ignorância bendita. É “aquele modo de pegar a maça no escuro sem que ela caia”, como bem disse Clarice num entorpece verbal de si. Oh, bendita ignorância!!! Sempre bendita, quando legítima. Conhecimento é um caminho sem volta. Se te afundas, nunca mais conseguirás voltar à tona com os mesmos olhos. Como já disse há uns tempos, o dinheiro te dá uma liberdade rasa, o conhecimento te dá uma prisão profunda e, agora que mergulhastes, não tentes nadar nos mares de anos atrás. Tu te tornaste um pouco mais aquilo que tu és, ou melhor, sempre foi e, assim, não podes mais retornar a teu porto seguro e querer deitar em tua velha cama nos braços dos idos sonhos de frescor e abundância corriqueira, facilitada. Mantiqueira, a serra que chora. Mas, permita-me, ou melhor, permita-te, imploro-me que nunca deixes de olhar para cima, pois “enquanto eu puder olhar para cima, eu não serei grande demais para minha cama”. Ainda que não seja mais aquela velha cama do tamanho de tudo, mas que continue sendo pelo menos ao tamanho exato da minha volúvel paz que lá ainda creio poder encontrar. Quero o aconchego de saber-me em mim, querida cama que carrego há décadas. Mas e as entidades? Elas são tantas e eu, aos calos e calados, vou aprendendo a engolir para transformar em força em mim o som que, com resignação, eu mantive aqui. Um vibrato que entope, que sufoca, mas que se aquece em energia, como tudo aquilo vibra. Entropia espiritual. É física alucinada!!! Mas, enfim... Repito. Não, não é assim que funciona oh pequeno observador oxossiano, choroso de mamãe Iemanjá. Pensas demais, ages de menos. Há coisas que não se entende, apenas se deixa fluir. E lembre-se, “pensar o que não se deve deixa devendo o que não se pensou”. Adapte-se a cada novo ponto, nova linha. Restitua-te de tua angústia novata. FODA-SE...
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Ai, ai, escrever é uma delícia!!!
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