terça-feira, 30 de abril de 2013

O lado bom da vida



O personagem principal, Pat Solatano, interpretado por Bradley Cooper, tem que voltar a viver com seus pais após passar oito meses preso. Ele, um homem meio descontrolado, tem que manter distância de sua mulher, apesar de querer reestruturar sua vida ao lado dela.

Pat, nesta tentativa de se aproximar de sua ex, conhece a corajosa e doida Tiffany (Jennifer Lawrence). Ela está, aparentemente, disposta a ajudar Pat, desde que ele também a ajude num concurso de dança.

Daí se desenrola uma comédia, com pontos dramáticos, onde são retratados conflitos bastante contemporâneos de seres que não se encaixam, ou quando se encaixam não se acham, ou até mesmo não querem se encaixar e são marginalizados.

É uma estória de pessoas renegadas que se juntam e encontram o amor onde não esperavam haver.

Divertidíssimo! Aliás, uma comédia que é indicada aos Oscars de:

- Melhor filme
- Diretor: David O. Russell
- Roteiro adaptado: David O. Russell
- Ator: Bradley Cooper
- Atriz: Jennifer Lawrence
- Ator coadjuvante: Robert De Niro
- Atriz coadjuvante: Jacki Weaver
- Edição: Jay Cassidy e Crispin Struthers

não pode ser ruim! Pode até não ser uma grande maravilha, mas entendiante, muito provavelmente não.

Nota-se que não são Oscars técnicos. É um filme bem dirigido, cru, de atuações e climas intensos conseguidos sem grandes recursos tecnológicos.

É isso que dá o tom da obra!

Quatro atores com indicações ao Oscar, fato um pouco raro de acontecer, sendo que Jennifer Lawrence ganhou o de melhor atriz. A película é direta, bem colocada, com piadas bem contadas, cenas bem montadas, situações inusitadas, corriqueiras, banais, cotidianas de uma família norte-americana quase “normal”.


PRÊMIOS
- Em 2013, ganhou o Oscar de Melhor Atriz (Jennifer Lawrence). Também foi indicado a Melhor Filme, Diretor, Ator (Bradley Cooper), Ator Coadjuvante (Robert De Niro), Atriz Coadjuvante (Jacki Weaver), Roteiro Adaptado e Edição

- Em 2013, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Atriz - Comédia ou Musical (Jennifer Lawrence)

- Em 2013, ganhou o SAG Award de Melhor Atriz (Jennifer Lawrence)


FICHA TÉCNICA
Diretor: David O. Russell
Elenco: Jennifer Lawrence, Robert De Niro, Bradley Cooper, Julia Stiles, Chris Tucker, Shea Whigham, Dash Mihok, John Ortiz, Anupam Kher, Jacki Weaver, Montana Marks, Bonnie Aarons, Romina, Jessica Czop, Paul Herman, Matthew James Gulbranson, Jeni Miller, Luisa Diaz, Patrick McDade, Brea Bee, Vaughn Goland, Thomas Walton, Jen Weissenberg, Regency Boies, Tiffany E. Green, Marty Krzywonos, Todd Anthony, Cindy Engle, Kirk Kelly, Samantha Gelnaw, Ryan Tygh, Jade Froeder, Volieda Webb, Mihir Pathak, Rick Foster, Susanne Sulby, Phillip Chorba, Richard Clabo, Nikki Corinne, Richard Adams, Cheryl Williams, Rick Russo, John G. England IV, Jerry Perna, Robert Bizik, Alan Davis, Tom Delconte, Debra Efre, Liam Ferguson, Shawn Gonzalez, Cody C. J. Greene, Jae Greene, Andrea Havens, Ian Jarrell, Dennis Jeantet, Benjamin Kerr, JaQuinley Kerr, David Kneeream, Michael J. Kraycik, Tom Leonard, Raymond Mamrak, Erica Lynne Marszalek, Carol Anne Mueller, Jason Mullen, Luis Pacheco, Charles Pendelton, Pete Postiglione, Chuck Rayner, Vincent Riviezzo, Sherri X. Russo, Michelle Santiago, Ryan Shank, Kenny Shapiro, Rita Soto, Will Souders
Produção: Bruce Cohen, Donna Gigliott, Jonathan Gordon
Roteiro: David O. Russell, baseado na obra de Matthew Quick
Fotografia: Masanobu Takayanagi
Trilha Sonora: Danny Elfman
Duração: 122 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Paris Filmes
Estúdio: Mirage Enterprises / The Weinstein Company
Classificação: 14 anos

O Beco dos Gatos



Peça da qual faço parte.

Uma trupe de três gatos: Penélope (Daniela Mota), Edgar (Maurício Colantoni) e Mortadela (Lucas Lentini), vivem num beco junto com Seu Zé (Vitor Meneghetti), um homem já velho que entende a língua dos bichanos e traz comida para eles.

Certo dia, eles recebem a visita de uma nova gatinha vinda do interior, Socorro (Leila Bass), que resolve se mudar pra a cidade para ficar mais culta, ou, como ela mesmo diz: currrrta.

O conflito se instaura quando homens chegam e vistoriam o beco, pois pretendem construir ali um prédio. Os gatinhos não entendem o que os homens disseram, mas vendo a tristeza do Seu Zé, resolvem fazer uma peça de teatro para alegrá-lo. Para isso eles precisam de um diretor, que é quando eu entro em cena.

Meu personagem é um músico marginal que toca piano nas ruas e ensaia neste beco. Ao ver que os gatos precisam de uma solução para a peça, ele apresenta as partituras de uma musical e ensaia a gataria, sem deixar de lado Seu Zé, que neste ponto vai se saber que foi um ex-cantor de ópera muito famoso, capaz de atingir notas agudíssimas.

Enquanto todos estão apresentando o musical, novamente o conflito se instaura com a nova visita dos homens de negócios. Então Seu Zé explica a seus amigos humanos e animais o que está acontecendo e eles saem do beco tristonhos, cantando o principal tema musical da peça.

Nisso dá o grande milagre que só a arte das fábulas mágicas pode permitir. E daí por diante, não vou mais contar, pra não estragar o desfecho.

“ - Veja, nós temos público!”

É sempre emocionante, este que é o momento alto da peça, onde tudo faz sentido!

Tem muita música animada e melodiosa, jazz, samba, balada, rock, valsa, blues, interferências sonoras, trilhas compostas por mim, outras pelo diretor musical Adilson Rodrigues, há também paródias feitas por Vitor Meneguetti e ainda outras compostas por Maurício Colantoni. O texto é de Lívia Gaudencio, com grandes modificações livres feitas ao longo dos ensaios. A direção é de Juliano Barone, a preparação corporal foi feita por Bruna Longo, além das coreografias que ela ajudou a formular, juntamente com Daniela Mota e Leila Bass.

Enfim, uma grande criação coletiva que emocionou bastante todos os espectadores que nos viram até hoje. Uma apresentação que fala para as crianças, de todas as idades, de maneira direta, não infantilesca, numa linguagem ágil, inteligente e moderna!

E, pra mim, uma gostosa experiência com uma equipe muito bacana!!!



No – Adeus senhor Pinochet



Baseado na história real de um plebiscito realizado no Chile no ano de 1988, onde a insatisfação da população com o ditador estava incomodando a comunidade internacional. Para amenizar as revoltas, o governo propõe uma votação aberta a todos, onde os chilenos deveriam votar Sim (caso defendessem a permanência de Pinochet) e Não (caso quisessem o ditador fora do poder)

Nisso entra em cena René Saavedra, interpretado por Gael Garcia Bernal. René é um exilado que está de volta ao Chile, trabalha em campanhas publicitárias e é chamado para fazer parte da equipe do Não, daí o nome: No

Para isso ele tem que enfrentar seu próprio chefe, que pede que ele se cale, e o próprio governo que, percebendo ser ele um dos cabeças, começa a pressioná-lo, espionando-o. Paralelo a isso, ele tem que lidar com o fato de estar separado da mulher e seu filho ser um dos possíveis alvos dos militares.

A campanha vai se desenvolvendo, enquanto é também mostrado o universo criativo dos publicitários, suas reuniões por vezes improdutivas, as discussões vagas de idéias sem fundamentos, onde se leva em consideração somente a intuição dos criadores. Neste processo, dá-se a construção do conceito modernista que os defensores do Não pretendem levar à televisão estatal, retratando sua estética inovadora no tempo de campanha destinado àqueles que defendem a saída do ditador.

Achei um filme com mensagens bastante sutis. O personagem principal mostra ter uma insatisfação com sua profissão, pois sabe dos jogos de interesses e de quantas inverdades maquiadas são colocadas à população por meio da publicidade que ele mesmo realiza.

A campanha do Não é um hiato em sua rotina, onde ele pôde realizar, usando as ferramentas da propaganda, algo que realmente daria frutos mais nobres.

Ao fim, ele retorna a sua rotina, mostrando novamente a construção artística medíocre que rodeia algumas campanhas publicitárias.


Duração: 115 minutos
Estilo: Drama, Ficção
Direção: Pablo Larraín
Roteiro: Pedro PeiranoElenco:
Alfredo Castro (Lucho Guzmán)
Antonia Zegers (Verónica)
Diego Muñoz
Gael García Bernal (René Saavedra)
Produtores: Daniel Marc Dreifuss, Diego Luna entre outros.
Países de Origem: Chile
Estréia Mundial: 2012
Estréia Brasil: 21 de Dezembro de 2012


Itaema



Mais um livro de Benita Carneiro que tomo contato este ano. Uma boa surpresa que a própria poeta me emprestou!

Um livro de poesias maduras, de metáforas intrincadas, onde ela leva a pontos mais altos uma característica que já vi presente em outras de suas obras: o Animismo ou Personificação, onde objetos inanimados ganham vida e tomam características próprias dos humanos. Há também a Zoomorfização, que é quando animais realizam coisas que cabem aos homens. Nesta obra estas são recursos constantes. O universo escrito cresce de tamanho, justamente por esta quantidade de personagens de diversos tipos, animados e inanimados, pessoas e não-pessoas que vão passando pelos episódios vividos por Benita.

É também um livro que retrata Itanhandu de antigamente com mais detalhes. Lá estão várias passagens da cidade como: as festas da Santa Casa, a frustrante promessa de um presidente que por lá passaria, carnavais, encontros culturais no CRI (Clube Literário e Recreativo de Itanhandu), descrições do comércio local, entre outros elementos municipais que em Itaema estão mais concentrados e alinhados.

Possui 49 poemas em 65 páginas, e foi prefaciado pelo então jovem, retratado num dos poemas, Luciano Pinho Nilo, filho da saudosa poeta Dilza Pinho Nilo.

Há também um texto, nas orelhas do exemplar, assinado por Max de Figueiredo Portes, amigo de longa data da escritora.

Foi publicado em 1991, por uma editora de Belo Horizonte.

Uma obra singela, profunda e mais complexa dos que outras dela que já tomei contato.


Irmãs Jamais



Uma película filmada durante 10 anos, de 1999 a 2008.

O diretor envolveu suas irmãs e parentes de diversas gerações de sua família para retratar cenários de sua vida, a casa de sua família em Bobbio, os espaços que ele viveu, numa obra meio ficção, meio realidade, meu documentário, enovelados por uma narrativa que tem dois irmãos como centro.

Elena Bellocchio vive um personagem de mesmo nome: Elena que no início do filme tem apenas 5 anos. Sua mãe Sara (Donatella Finocchiaro), se muda para uma cidade maior (Milão), a fim de seguir carreira de atriz. Seu tio Giorgio (Pier Giorgio Bellocchio), que também vive um personagem de mesmo nome, irmão de Sara, não concorda com a atitude da irmã, que deixa a menina aos cuidados das tias, que são irmãs verdadeiras do diretor.

Enfim, um longo projeto que envolveu várias pessoas e uma mesma família que existe fora das telas.

Ao longo da narrativa, algumas coisas acontecem. Elena se muda para junto de sua mãe, e seu tio, depois de casar, descasar, se endividar, sonhar demais, gravar filmes, numa eterna insatisfação, tem que esconder de seus credores em sua cidade natal: Bobbio.

Pra falar a verdade, não gostei deste filme! Não via a hora de acabar. Achei a proposta interessante e por isso fui ver. Filmar um filme durante 10 anos, onde os personagens realmente se tornam mais velhos e diferentes pela vida que eles realmente viveram ao longo do processo, é bastante legal!

Além disso, quando são retratados alguns processos de atuação dramática dentro da própria película, como: gravação de filme, testes para elenco, entre outras coisas; essas passagens de um ator de um filme, para um ator que faz um papel de ator dentro de um filme, se dá de maneira bastante sutil e bem feita! A forma visceral e de poucos recursos tecnológicos também confere uma atmosfera mais crua aos personagens, que parecem mais vivos que os filmes convencionais

Estes são os pontos altos da obra... Mas, por incrível que pareça depois dessas colocações, eles não foram suficientes para transformar o todo numa grande contagem de estórias semi-documentais.

A narrativa maior, que envolve todos os 10 anos, é bastante monótona, sem grandes acontecimentos. Há também muitas cenas paradas, sem significância para o desenrolar da trama, coisas de difícil entendimento, ou simplesmente a utilização de recursos de desconstrução que não funcionam realmente dentro da proposta. Uma pena! Angariar recursos humanos e vitais para um projeto tão longo e pecar justamente em coisas menos difíceis como a construção do roteiro e a edição é algo imperdoável.


PRÊMIOS
- Em 2011, indicado ao David di Donatello Awards de Melhor Diretor e Melhor Edição


FICHA TÉCNICA
Diretor: Marco Bellocchio
Elenco: Pier Giorgio Bellocchio, Elena Bellocchio, Donatella Finocchiaro, Letizia Bellocchio, Maria Luisa Bellocchio, Gianni Schicchi, Alba Rohrwacher, Valentina Bardi, Silvia Ferretti, Irene Baratta, Alberto Bellocchio, Anna Bianchi, Lou Castel, Liliana Gerace
Produção: Irma Misantoni
Roteiro: Marco Bellocchio
Fotografia: Gianpaolo Conti, Marco Sgorbati
Trilha Sonora: Carlo Crivelli, Enrico Pesce
Duração: 110 min.
Ano: 2010
País: Itállia
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Filmes da Mostra
Estúdio: Rai Cinema / FareCinema / Kavac Film / Provincia di Piacenza / Comune di Bobbio
Classificação: 12 anos


Cartas Chilenas



Um dos livros mais importantes de Tomás Antônio Gonzaga e um das mais importantes obras da literatura brasileira. Gonzaga é natural de Portugal, mas viveu no Brasil na época em que éramos colônia. Inclusive esteve envolvido na Inconfidência Mineira. Residiu em Vila Rica, atual Ouro Preto e lá escreveu este grande poema narrativo, em que fantasia estar no Chile, e de lá escreve cartas para um amigo, narrando as barbaridades que ocorriam naquele local.

Gonzaga define logo no início a proposta imaginária da narrativa:

“Cartas Chilenas – Em que se contam os sucessos de todo o governo de Fanfarrão Minésio, general de Chile. Escritas na língua Castelhana pelo Poeta Critilo. Traduzidas em Português e dedicadas aos Grandes de Portugal por um anônimo.”

Os versos são brancos, de escrita relativamente simples. Não são metrificados, apesar de possuírem um ritmo de linguagem típico da poesia. As cartas são num total de 13, sendo que há partes que foram perdidas ao longo dos anos.



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As partes se intitulam como:


Prólogo

Epístola a Critilo (atribuída a Cláudio Manuel da Costa)

Carta 1: “Em que se descreve a entrada que fez Fanfarrão em Chile” (291 versos)

Carta 2: “Em que se mostra a piedade que Fanfarrão fingiu no princípio do seu governo, para chamar a si todos os negócios” (306 versos)

Carta 3: “Em que se contam as injustiças e violências que Fanfarrão executou por causa de uma cadeia, a que deu princípio” (296 versos)

Carta 4: “Em que se continua a mesma matéria” (354 versos)

Carta 5: “Em que se contam as desordens feitas nas festas que se celebraram nos desposórios do nosso sereníssimo infante, com a sereníssima infanta de Portugal” (342 versos)

Carta 6: “Em que se conta o resto dos festejos” (434 versos)

carta 7: “Em que se trata da venda dos despachos e contratos” (365 versos)

Carta 8: Sem título (incompleta) (93 versos)

Carta 9: “Em que se contam as desordens que Fanfarrão obrou no governo das tropas” (404 versos)

Carta 10: “Em que se contam as desordens maiores que Fanfarrão fez no seu governo” (319 versos)

Carta 11: “Em que se contam as brejeirices de Fanfarrão” (433 versos)

Carta 12: Sem título (incompleta) (299 versos)

Carta 13: Sem título (incompleta) (29 versos)

Há algumas versões que terminam com: Epístola a Critilo (208 versos)

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O livro tem mais de 4300 versos, se contarmos as partes iniciais. É bastante extenso e profundo em alguns pontos.

É notório o sentimento de revolta expressado por Gonzaga ao longo dos casos descritos. Ele constantemente se expressa através de palavras de fortes, de ímpeto revolucionário e interjeições sentidas, em frases que deixam claro o horror que sentia diante de todo o quadro vivenciado por ele na colônia.

É certo que o tom caricatural das descrições, ao longo do poema, abre espaço para a criação poética de tipos e passagens que não necessariamente ocorreram ou existiram da maneira como são contados. Talvez também por isso a colocação de um reino distante, uma terra eira, não pisada pelo escritor. Desta maneira ele dava a si mesmo o aval para criar livremente, não se preocupando em realizar tanto um escrito documental dos acontecidos nas antigas terras do centro de Minas Gerais. Além disso, isso também pode ter servido de uma proteção para o poeta, já que os governantes tinham suas formas de controlar a opinião pública.

Gostei muito do que li!

Pena estar faltando partes e por isso a obra não tem um fim determinado, ficando algumas estórias sem desfecho.


quarta-feira, 24 de abril de 2013

Milton Nascimento – Nada será como antes


De início algumas frases que achei na Internet, onde figuras famosas falam sobre Milton:

 - Elis Regina: "Se Deus cantasse, seria com a voz do Milton".

 - Tom Jobim: "Rei da mata brasileira, uirapuru verdadeiro".

 - Chico Buarque: "Bituca manda em mim".

 - Caetano Veloso: "Um talento na área da genialidade, uma coisa meio espiritual".





Um show com 48 músicas do Milton cantadas por belas vozes, num belo teatro, com uma bela montagem, com uma bela regulagem de som, com belos instrumentos musicais, num belo cenário tocado ao Barroco...

Mas é meio que só isso!

É como se juntasse um monte de artistas e músicos e fizessem uma Jam organizada, onde uma música vem depois da outra e depois da outra e outra e outra e assim por diante!

Houve muito pouca preocupação em amarrar os conteúdos por uma trama condutora, algo que justificasse este ou aquele canto em determinado ponto do espetáculo.

É triste dizer, mas é um espetáculo claramente comercial! Não tentam disfarçar isso! Até mesmo o casal bonitinho cantando canção de amor, enquanto trocam carícias meigas e inocentinas, está colocado no palco.

Ainda que tivessem assumido que não queriam tecer uma linha de ligação entre tudo, teria sido menos pior. Mas os diretores queriam colocar alguma temática como pano de fundo para o que seria cantado. O problema e que não convenceu!

O ciclo é baseado nas estações do ano, mas tudo se passa de uma maneira que não pareceu querer ser percebida. Primeiro que esta idéia foi mostrada somente em rápidas luzes com os nomes das estações que eram projetados no cenário. Mas nem foi isso o pior. O pior foi que as músicas não se encaixavam realmente ao que se imagina de cada uma das estações.

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“Enquanto composições que remetem a um solar imaginário interiorano ('Bola de Meia, Bola de Gude', 'Aqui é o País do Futebol') compõem o 'Verão`, 'A Cigarra', 'Um Girassol da Cor do seu Cabelo' e 'Nuvem Cigana' dão colorido à Primavera. Clássicos que atravessaram gerações ('Cais', 'Caçador de Mim', 'Encontros e Despedidas' e 'Faca Amolada') moldam o Outono e continuam pelo Inverno, com 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera'.”

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Até entendo a relação de algumas das músicas listadas com as estações, mas agora, alguém poderia me explicar por que 'Nada Será como Antes' e 'O que foi Feito Devera' retratam o Inverno? E ainda são colocadas mais pro fim do espetáculo? Essas deveriam ser a Primavera, a renovação, a esperança de um futuro melhor, de uma nova nação. Um espetáculo que termina no Inverno já não é uma boa proposta. Agora, num inverno onde são cantadas músicas de esperança, quando outras músicas de esperança foram cantadas em outras estações, daí já é estranho demais!

Havia mais músicas que não se encaixavam com a temática do momento do espetáculo, mas não me lembro agora exatamente do título de cada uma delas, afinal, o programa tinha acabado e ninguém repôs, mesmo se tratando de um espetáculo grandioso e bastante caro!

Acho que os diretores deveriam ter optado, ou por escolher melhor as músicas, ou por não colocar esta proposta de relacionar temas com estações do ano, que só serviu para enfraquecer o (não) conceito da obra.

É preciso dizer que o “Ser Minas Tão Gerais” é muitas vezes mais tocante, mais de raiz, onde são levadas ao palco crianças de comunidades carentes, uma trupe de teatro do interior de Minas e uma estória de loucos que esperam um messias que chegará e modificará suas vidas! Justamente Milton! Este sim é de arrebatar!

Mas não posso dizer que não gostei, apesar das críticas aqui colocadas!

Emocionei-me bastante, já que estavam ali músicas que gosto muito, sendo executadas com qualidade técnica e mesmo um tanto de alma!

Especialmente as vozes foram um show a parte! Todos cantavam muito bem! Alguns com mais força dramática do que outros, mas todos demonstraram muita técnica, vontade e prazer de estarem ali.


Ficha técnica

Criação e Direção:                     
Charles Möeller & Claudio Botelho

Arranjos Musicais:
Delia Fischer

Arranjos Vocais:
Jules Vandystadt

Cenografia:
Rogério Falcão

Figurinos:
Charles Möeller

Iluminação:
Paulo Cesar Medeiros

Design de Som:
Marcelo Claret

Coordenação Artística:
Tina Salles

Direção Musical:
Claudio Botelho

Direção:
Charles Möeller

Realização:
Möeller & Botelho
Geo Eventos

Elenco:
Claudio Lins
Marya Bravo
Delia Fischer
Cássia Raquel
Estrela Blanco
Jonas Hammar
Jules Vandystadt
Lui Coimbra
Pedro Aune
Pedro Sol
Sergio Dalcin
Tatih Köhler
Whatson Cardozo
Wladimir Pinheiro



Cena onde é cantada a música "Milagre dos Peixes". Pra mim, o momento mais emocionante do espetáculo!

Memórias Póstumas de Brás Cubas


Livro que está em primeiro lugar na lista, organizada pela revista Bravo, de obras essenciais da literatura nacional.

Todos sabem um pouco sobre o que é tratado neste romance. Escrito como folhetim, conta a estória de Brás Cubas, homem já morto, que resolve narrar sua vida quando tudo já havia se encerrado.

Marca o início de uma nova fase na obra machadiana. O Bruxo do Cosme Velho encontra-se, enfim, naquele tom que vai caracterizá-lo como o conhecemos hoje, além de tê-lo lançado ao ponto onde se encontravam, ou onde ainda iriam se encontrar, as vanguardas literárias do mundo ocidental.

Com esta obra, Machado colocou, um país primitivo, na linha de frente das artes letradas do mundo, fazendo-o respeitado em várias nações e dando início a um projeto de reestruturação artística.

Prefiro Machado nos contos, como já disse outra vez aqui no blog, e acho que ele perdia um pouco sua força criativa nos romances justamente por ter que escrever para folhetins. Os capítulos são curtos, uma, duas, três páginas em sua grande maioria. Sua escrita é impecável, mas talvez a obrigatoriedade de publicar diariamente o tenha podado em seu processo criativo que precisou se restringir aos formatos comerciais da época.

O vocabulário é super extenso, rico. Os personagens são esféricos, oscilando entre bondades e maldades, e principalmente Brás Cubas é retratado como um homem extremamente ordinário, comum, trivial, nem bom, nem mal, nem herói, nem vilão. Um burguês que traça sua vida da maneira mais fácil, sem grandes feitos, sem grandes erros, sem grandes coisas.

E é exatamente este delicado ponto irônico, quase imparcial, ainda que sutilissimamente irônico, sem grandes ressalvas e notáveis feitos humanos que faz desta obra um exímio retrato da sociedade do Rio de Janeiro, então capital nacional e sede da corte do Bragança, no fim do século XIX.

A ironia que soa quase inocente, por mais que isso pareça estranho!!! Mas tenho exatamente esta impressão...

Um ponto literário difícil de se conseguir, mas que Machado alcançou primeiro que todos os daqui. Firmou, perseverou, marcando seu nome como o maior escritor desta terra, ainda que, particularmente, eu não concorde.

Sem dúvida, um mestre para muitas gerações que vieram depois dele!