sexta-feira, 29 de abril de 2005

Tudo e Todos............

Todo espaço é formado de vários espaços. Nada realmente ocupa um espaço que não possa ser ocupado por outras tantas coisas, tanto ao mesmo tempo quanto em tempos diferentes, tanto no mesmo plano quanto em planos diversos, tanto numa mesma forma de manifestação da existência, quanto em formas distintas.
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O espaço não é plano nem curvo, ele possui tantas dimensões que não há dimensão. A grande quantidade, a anarquia e a fusão das diversas dimensões forma uma e, portanto nenhuma, pois a noção de dimensão não é mais aplicável à restante.
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Cada um de nós pertence ou influencia de alguma maneira em todas “elas”. Podemos por tempos passar a estar mais presente em uma que em outra em razão de redirecionamentos energéticos causados por múltiplos elementos possíveis, como a saudade, o desejo, as lembranças, ou seja, pensamentos em geral.
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Quem pode garantir que quando estamos sonhando, nossas almas não estão representando teatros relativos às nossas vidas e que essas representações não estão sendo feitas em outras dimensões onde há outras formas de existir. E quem pode negar que essas almas não estão em lugares que ocupam os mesmos espaços relativos aos nossos quartos. Ou seja, o teatro das almas é o nosso quarto e a primeira poltrona da platéia é a nossa cama.
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Às vezes nos sentimos pequenos dentro de nosso corpo ou asfixiados dentro das nossas carcaças, são exemplos de situações onde sentimos a nossa existência em outros estágios (não necessariamente superiores ou inferiores), são apenas momentos que não perdemos a percepção de um estágio, mas mesmo assim a redividimos entre os outros demais.
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O todo nada mais é do que pedacinhos de tudo e de todos que se intercomunicam.

Os fantasmas me vêm atordoar.
Perambulando pelos cômodos da casa
Carentes de energia.
São erros passados, de gerações passadas
Ou futuras
Talvez?!
Sinto a presença e o movimento de alguns.
Alguns são explosões energéticas
Que ainda não se aquietaram.
Outros são desbaratinados
E carentes desejos de seres diversos
Tudo é...
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Temos tanta ligação com Deus quanto ele conosco!!!!!!!

terça-feira, 26 de abril de 2005

Sentido Nenhum!?...........

Atenção, não houve nenhuma grande intenção ao escrever isso.
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“Ontem mesmo eu já não precisava mais de nada. Então deitei à toa no vazio pra murmurar por entre as horas alguns segredos que me gritaram no passar dos anos, mas que naquele momento não me eram mais relevantes. Era estranho ir revendo as secretas confissões coletivas sendo derramadas escada à baixo parecendo uma calda que se pensava calada, mas na verdade fazia um barulho ensurdecedor. Era irônico pra mim perceber o desperdício de vidas ali morrendo no meio fio do mais baixo da rua de baixo, aquela que pertencia a Terra. Aqueles dizeres tão universais se desfazendo, entrando no esgoto sem dó. Eu falava: “Não, segura os olhos dos homens, a gente merece ter tudo isso de volta”. Mas que nada. Tudo se ia. Na verdade não havia como barrar todo aquele mundo que se suicidava. Fazer o que, né. Não sei se realmente eu queria tudo aquilo de volta. Parecia mais leve a rua quando a calda já tinha morrido e aí eu podia ficar a toa ali no vazio como no princípio.
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Fiquei um tempo olhando uns restos que havia sobrado entre os paralelepípedos. Meu Deus que coisa estranha. Parecia que aquelas sobras ainda vigiavam o ar. Nem sei explicar, mas não me era estranho que pouco a pouco me vinha uma impressão de proximidade. Uma impressão que nada tinha sido definitivo e que por mais determinista que a gravidade seja, ainda restavam umas exceções muito fortes que tinham a coragem de peitar as leis do mundo e vir rastejando em direção ao nada. O nada era o topo da ladeira. Aqui e mais à cima tudo é cabível, porque no nada tudo é pertencente, ou melhor, tudo pode pertencer. Acho que é por isso que eu estou aqui. Eu me sinto pertencido. Me sinto parte de algo que não é nada, mas que é o nada. Bom, eu acho que eu estou aqui porque me sinto espaçoso pra ver as caldas do que já me foi, aquelas que eu vi rolando ladeira à baixo. Graças a Deus eu parti dessa pra outra”.
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Esse é um depoimento do Papa João Paulo II gravado logo após sua morte quando ainda se podia ver rolando nas escadarias da Catedral de São Pedro no Vaticano uma gosma de responsabilidade.

Cegos do Castelo...........

Esse poema foi inspirado no livro “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago. Ele não significa que eu não seja cego, não é isso, sou tanto quanto ou mais que muita gente. Mas é que não é preciso ser perfeito pra falar das imperfeições que batem na nossa cara. Isso nem é revolta nada, foi só uma vontade de escrever alguma coisa legal, o que não significa que não seja legítimo. Vale a pena ler Saramago. E esses pontos significam que há uma divisão entre as estrofes. Eu não sei que merda que deu no Blogspot que ele não pula mais linha.

Esgoto à Céu Aberto

No meio de tanta gente
Não sinto nada que sente
Nem vejo algo do ventre
Que plante uma flor ou semente
No meio da terra ardente
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Concreta casca insana
Que barra da lágrima humana
A força que transpira e emana
A nova vivência mundana
Que em nada nos é transparente
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Não sei por que os espelhos
Me negam meu próprio reflexo
Talvez eu seja um anexo
Auxente a este grande complexo
Que em nada me é contundente
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No vazio do meu apartamento
Me afogo num mar de tormento
São olhos que visam meu dentro
E invadem o todo que centro
Mas nunca me cessam em mente
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Sim caríssimos irmãos.
Qual seria o valor dos olhos
Na terra dos cegos?
De um dente na terra da fome?
Do amor na terra do ódio?
É sufocante transpirar piedade
Por pobres maldosos humanos
Que secam os rios da graça
Por inveja de Deus.
Oh! Pai e Filho sem espírito
A trindade defeituosa
Não é capaz de ver
Nem com toda sua tolerância
Uma brecha reluzente
Por onde possa perpetuar um amém.
Não, não queremos amém
Não, não diremos amém
Até que o final nos seja perfeito
Não rogaremos a nenhum Deus
De pureza duvidosa
Qualquer perdão.
Não cremos em nada
Não queremos nada
Que não seja imediato
Prático.
Queremos algo de volta
Queremos o que não temos
E temos somente aflição.
Apalpamos o ar
Buscamos o ar
A saída do hospício
Que carregamos fechado
Falsamente lacrado
Por cima dos ombros.
Não queremos mais luz
Já basta a internaIntensa
Já basta a própria
Que teimamos
Quase inconscientemente
Em cultivar
Rios que fazem bem ao Ego
Maldito Ego hipertrofiado
Que nos ofusca.
Teimosia é burrice
E burrice teimosa é caráter
Caráter?!
Não...
Seja o que for
Desde que seja o que queremos que seja.
Não queremos estar cegos
Nem queremos apenas ver.
O espelho é objeto amigo
Se o reflexo perplexo
Te conta segredos
Indulgências religiosas
Que tu te escondes de ti mesmo
Do contrário é pura escória
Que faço questão de levar comigo.
Moralismo falsificado
Faz parte do meu serviço
Pois missa rezada
É grana embolsada
Graças a Deus!
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Revolução de neurônios tresloucados inertes mas instáveis e imersos num mundo aquático de desvairadas palavras lotadas de desânimos disfarçados de sorriso
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Sorrisos desanimados lotados de brilho opaco que passam serenamente exaustos e estranhos a todo o externo que teima em não enxergar
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Olhos esbranquiçados ofuscados de idéias frustradas que escorrem ladeira a baixo perambulando perdidamente modernos por camaratas de impessoalidade humanitária
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O homem nos sara-esmagando Josés Joãos Mulheres de Médicos Marias num espaço de um ônibus qualquer que perambula feito minhocas
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Sim
Somos
Minhocas
Sem cara
Sem rosto
Sem visão
Que rastejam
Perdidas
Piradas
Tonteadas
Errantes
Sem destino
Que caem
Rolantes
Em escadas
Por lojas
Que alojam
Os sonhos
De punhos
Que apóiam
Cabeças
Sem peças
Pensantes
Mas pesam
Passados
Presentes
Calçadas
Passeios
Simplórias
Andanças
Procuras
Profundas
De seres
Em série
Que sofrem
A luta
De olhos
Tremidos
Molhados
Piedosos
Por falta
Do pão
.
Não vejo
No olho
De outrem
Visão
Deste ser
Que agora
Vos fala
.
Nem quero
Saber
Que a voz
Violada
Vacila
Perante
A vitória
.
Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.
.
Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.
.
Nem vê
A desgraça
Que aterra
O clarão
Sem noção
Da demência
Passiva
Que aterra
A escória
Que escorre
No esgoto
A céu aberto
De almas
Imundas
Desmundas
Mudadas
Moldadas
Por forças
Sem pena
Dos filhos
Carentes
Carecas
Sem dente
Sem pêlo
Nem pente
Sem vez
Sem hora
Que fora
Do ninho
Não passa
Nem rinho
Nem piam
Piedade
Pois cegos
Caídos
Não voam
Nem vêem
Só vivem
E morrem
Perdidos
Banhados
De luz.
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Se na terra do cego o olho é do rei
Majestade tristonha não vence a massa.

segunda-feira, 18 de abril de 2005

Bom dia Dia................

Eu quero dormir. Mas quem disse que a cabeça pára. Quem disse que meu relógio biológico me obedece. Me falta força de vontade, me falta disciplina, me falta sono, me sobra vontade de fazer coisas, de inventar, de ficar à toa escrevendo, lendo, ou pensando sem compromisso. Não tem jeito, eu sou da noite, me sinto bem à noite, me sinto vivo, mais desperto, bem disposto e não ligo de ficar sozinho comigo mesmo. Não me sinto sozinho, me sinto apenas comigo mesmo e por horas isso me basta, ou melhor, isso é o que eu quero. Eu gosto de ficar sozinho, não de viver sozinho. Há horas que o que mais quero é ficar uma tarde e, se eu me permitir sem peso na consciência como agora, uma noite inteira tranqüilo, sem abrir a boca pra nada, principalmente pra ninguém. Me basta estar conversando sem som, sem ruído, como diz meu avô: “quieto, quieto, quieto”. Me basta passar horas silenciosas e noites proveitosas só fazendo coisas de voz interna. È meio novo pra mim escrever isso e também sentir isso, mas eu me sinto tão espaçoso dentro de mim. Me sinto livre pra ir e vir por entre pensamentos e vontades, livre pra pensar comigo sem restrições, sem assuntos meus que me sejam estranhos ou que me sejam difíceis de tratar dentro das minhas formas de pensar. Eu estou achando tão estranho falar isso pra mim mesmo, que minhas feições enquanto eu escrevo esse texto são interessantes. Se uma pessoa me visse com essa cara de incredulidade, acharia que eu estava lendo uma mentira, mas eu não estou. O que eu escrevo, eu penso e concordo. É muito engraçado essas coisas nossas, essa relação de nós pra nós mesmos. Se eu lesse esse texto me julgaria louco, no bom sentido é claro, mas como eu conheço quase muito bem meus pensamentos isso faz pleno sentido pra mim, ainda bem. É muito louco pensar como muitas vezes a gente também não faz sentido algum pra nós mesmos. Se tudo que a gente fizesse tivesse uma explicação oral pelo menos, tudo seria um pouco mais aceitável. Mas o ser humano é um bicho complicado. Todos nós somos complicados. Como é difícil nos explicarmos ou simplesmente estarmos satisfeitos e em paz com tudo que rodeia nossas vidas. Por que é tão difícil aquietar os desejos e as reclamações para apenas desejar com intensidade o que se tem? Um dia um professor disse numa aula que a diferença do oriental pro ocidental é que enquanto os ocidentais (nós) frente a um desejo buscamos saciá-lo; os orientais (nosso irmãos que ficam acordados nas mesmas horas que eu) buscam não desejar. Não consigo julgar qual é a maneira mais certa de se viver, até porque eu só conheço muito bem um lado da moeda, já o outro me foi muito válido em algumas horas. Na verdade esse postado foi só pra passar o tempo e esperar dar a hora de começar o dia, mas me foi muito proveitoso pelo começo, quando senti aquele conforto em poder passar por vários assuntos que fazem parte da minha bagagem, que por vezes me foi tão pesada. São 6:30 da manhã e acho que agora posso me engrenar nos afazeres das horas iluminadas pelo sol. Bom dia, Dia.....

sexta-feira, 15 de abril de 2005

A Riqueza de quem pensa...

Urubu? Um lugar, um baiano lugar, com as ruas e as igrejas, antiqüíssimo – para morarem famílias de gente. Serve meus pensamentos. Serve, para o que digo: eu queria ter remorso; por isso, não tenho. Mas o demônio não existe real. Deus é que deixa se afinar à vontade o instrumento, até que chegue a hora de dançar. Travessia, Deus no meio. Quando foi que eu tive minha culpa? Aqui é Minas; lá já é Bahia?Estive nessas vilas, velhas, altas cidades... Sertão é sozinho. Compadre meu Quelemém diz: que eu sou muito do sertão? Sertão: é dentro da gente. O senhor me acusa? Defini o alvará do Hermógenes, referi minha má cedência. Mas minha padroeira é a Virgem, por orvalho. Minha vida teve meio-do-caminho? Os morcegos não escolheram de ser tão feios tão frios – bastou só que tivessem escolhido de avoaçar na sombra da noite e chupar sangue. Deus nunca desmente. O diabo é sem parar. Saí, vim, destes meus Gerais: voltei com Diadorim. Não voltei? Travessias... Diadorim, os rios verdes. A lua, o luar: vejo esses vaqueiros que viajam a boiada, mediante o madrugar, com lua no céu, dia depois de dia. Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul e não se parta de sua água – carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende. Por que é que todos não se reúnem, para sofrer e vencer juntos, de uma vez? Eu queria formar uma cidade da religião. Lá, nos confins do Chapadão, nas pontas da Urucúia. O meu Urucúia vem, claro, entre escuros. Vem cair no São Francisco, rio capital. O São Francisco partiu minha vida em duas partes. A Bigrí, minha mãe, fez uma promessa; meu padrinho Selorico Mendes tivesse de ir comprar arroz, nalgum lugar, por morte de minha mãe? Medeiro Vaz reinou, depois de queimar sua casa de fazenda. Medeiro Vaz morreu em pedra, como o touro sozinho berra feio; conforme já comparei, uma vez: touro preto todo urrando no meio da tempestade. Zé Bebelo me alumiou. Zé Bebelo ia e voltava, como um vivo demais de fogo e vento, zás de raio veloz como o pensamento da idéia – mas a água e o chão não queriam saber dele. Compadre meu Quelemém outrotanto é homem sem parentes, provindo de distante terra - da Serra do Urubu do Indaiá. Assim era Joça Ramiro, tão diverso e reinante, que, mesmo em quando ainda parava vivo, era como se já estivesse constando de falecido”.
Esse é um trecho tirado do livro Grande Sertão: Veredas do Guimarães Rosa. Eu acho que todas as pessoas que falam português deveriam lê-lo pra poder ter noção do quão mais ampla e mais rica uma língua pode-se tornar quando usada com maestria. O autor passa por vários assuntos complexos ou não, e tem a capacidade de botar tudo isso na boca de um jagunço de nome Riobaldo que conta a história de grande parte da sua vida para um ouvinte que eu ainda não descobri quem é porque ainda tô na metade. Esse livro é um milagre e acho que é o melhor que eu já li na vida, não o que eu mais me envolvi, mas tenho quase certeza que é o melhor. É um milagre...

quinta-feira, 14 de abril de 2005

Um Post qualquer...

Hoje não estou a fim de escrever nada de muito sério, só quero escrever pela necessidade de se desenhar palavras livres num papel (ou nesse caso num blog)........Isso não importa, o que me importa é deixar rolar o que vem na cabeça e conceder a vinda de algumas palavras e fluxos de pensamentos para o mundo visível, tudo na mais santa paz do agora exato. Não sei quanto tempo durará, mas está uma delícia ficar aqui no quarto sentado em frente à tela do computador escrevendo umas coisas soltas sem ordem e sem vontade de ter ordem, ou melhor, sem vontade de ter propósito de existir ou de se localizar em algum lugar qualquer da internet.
É tão legal isso, eu nunca tinha escrito falando do ato de se escrever pra por na internet. É esquisito juntar certos termos na mesma frase como quando eu disse que só queria escrever pra por na internet, é tão não-poético escrever isso. Se eu tivesse pelo menos escrito que eu estava escrevendo pra por num caderno ou que eu estava escrevendo simplesmente pra vida teria sido mais melódico (acho que esse adjetivo tá legal). Bom, de qualquer maneira é algo novo pra mim.
Eu tô com a minha mesa cheia de escritos antigos que eu estava passando a limpo e conforme eu ia escrevendo, parecia que eu ia relembrando as coisas que eu pensei quando estava escrevendo tudo aquilo. È tão louco, parece que o eu daquela época, o rapaz de 14, 15, 16 e 17 descia e era ele quem escrevia pra mim. Era quase algo como uma reencarnação, só que fora do sentido mais carregado da palavra; o rapaizinho vinha, me pedia licença e vagarosamente me induzia a uma volta ao lugar onde aquele escrito se originou. Foi muito legal.
Essas viagens assim são muito doidas e o interessante é que essas coisas nos levam horas do dia que a gente não tem nada pra fazer e às vezes não quer conversar, não quer nada nada nada, são horas que só ficar quieto e pensar à vontade é o que nos satisfaz. É claro que há momentos em que essas viagens vem em horas sérias como uma reunião ou um trabalho e isso não é muito proveitoso. Mas não quero saber disso agora.

A liberdade de soltar as rédeas dos neurônios
Pra ficar a toa olhando
Só observando suas reações e ligações
É algo intrigante
Quase um passa-tempo.

Nada é bloqueado,
Nada é premeditado ou censurado.
A censura só leva ao círculo permitido pelos valores próprios.

Meus valores não me fazem falta nessas horas,
Só mediocrizam minhas loucuras
E isso não me agrada em nada.

Cada volta nos rodopios do além
São Fronteiras diversas que se alaceiam
É a corda gigante que quase arrebenta
Pra fortalecer mais meus limites.

É bom explorar limites sem perigo de vida.

Aí oh, eu escrevi de boa esse pseudo-poema falando de viagens. Quero um pouco mais desse descompromisso pro meu dia-a-dia, queria poder amaciar as horas com esses pensamentos que me rondam a cabeça agora, mas não sou capaz disso, essa merda que me comanda e que obedece mais as suas vontades que as minhas é teimosa e apesar de já ter melhorado bastante ainda me dá muito trabalho pra sossegar. Se alguém se sente dono da própria cabeça, essa pessoa ou está num estágio de evolução muito alto ou está bem iludida, o que mostra que não é dona da sua cabeça. Sendo uma ou sendo outra essa pessoa não iria me entender, mas acho que nós os semi-esclarecidos nos entendemos.
É impressionante como somos medíocres até nas horas em que não queremos nada, ou melhor, somos medíocres até para sermos o que somos.
Bom, Boa Noite, acho que vou ler um pouquinho pra controlar um pouco a minha cabeça.

quinta-feira, 7 de abril de 2005

(Eu)Biose.........

Sou ignorante perante certos assuntos, mas acho que isso me deixa mais à vontade pra dizer coisas que penso e que sou capaz de julgar dentro dos meus critérios meio inferiores, mas que concordo não porque alguém me disse ou porque eu li em alguma carta contendo ensinamento de um homem muito sábio representante de divindades aqui na terra (JHC-pra resumir não só o nome como também sua representação), mas porque me são próprios. Bom, vamos parar de escrever nas quase-entre-linhas e passar a dizer mais abertamente coisas que penso e que acredito porque fazem parte de situações ou fatos que vivi e absorvi.
A crença nas coisas divinas que se fazem humanas deveriam ser olhadas, analisadas, pensadas e sentidas antes de serem tomadas como verdade e mais, antes que você deixe que essas coisas interfiram na sua vida. Não vamos confundir amor com admiração cultivada em relação a possíveis papéis que achamos que pessoas exercem neste mundo de meu Deus. Não vamos declarar nem olhar algo aqui na Terra como destino irreversível só porque sonhamos ou falaram pra nós que seria assim. Não vamos prender energia, agüentar sofrimentos sonhando fechar um ciclo que já vem de outras gerações de nós mesmos.
Também não vamos brigar por segredos preciosos que no fundo não passam de belos ensinamentos de um ser que é especial acima de tudo por ser pensador, contemporâneo em seu tempo e extremamente sensível (balanço das inclinações). O conhecimento só vai gerar crescimento quando chegar aos ouvidos de todos, preparados ou não, que filtrarão esses dizeres e absorVERÃO (verão, olharão, enxergarão, sentirão) aqueles que lhes fizerem sentido e que lhes tocarem de forma diferente, ou melhor, aqueles que lhes completarem como seres-humanos e que os prepararem melhor para alcançar as formas diversas de paraíso que existem em cada imaginação e crença e que, por isso, se tornam alcançáveis.
É claro que uns se tocariam mais, outros menos, mas as sementes teriam sido plantadas e germinariam vários pequenos frutos que valem muito mais que grandes árvores que se acham frondosas. Além do mais, a peneira das multidões é perfeita, o povo é sábio, a soma dessas sapiências tem muito mais a acrescentar pra gente do que a gente pensa. É egoísmo guardar conhecimento.
As crenças são necessárias para nos dar segurança, e não o contrário. As crenças são para nos fazer mais fortes, confiantes, para exercitar nossa fé, nossos sentidos, apoiar nossos sentimentos, nos fazer querer viver mais para acreditar mais, para buscar mais essas crenças em mais detalhes de nossas vidas e de nós próprios, e não nos impedir de caminhar. As crenças foram feitas para nos aproximar mais do bem estar divino, mas não de uma divindade imposta ou sugerida como sendo a correta, ou pior, uma divindade dita a mais verdadeira, ou a divindade que realmente merece nossas crenças e nossas energias por ter sido indicadas por pessoas bem esclarecidas ou "algumacoisa-videntes".
Um Deus qualquer deve ser formado aos poucos, não vem pronto. Você deve ir até ele por vontade própria, descobri-lo, vivenciá-lo como um todo bom de se crer. Eu acredito que seja necessário experimentar formatos de divindades porque na minha opinião é autoritarismo impor divindades prontas que não cumpram seu papel principal que é o de lapidar as fraquezas de nós humanos, fortalecendo-nos, aperfeiçoando-nos como um todo pra podermos alcançar o prometido Céu.
Eu acho que uma divindade é capaz de se modelar á partir das crenças de um qualquer, porque se Deus é tudo e tudo pode, não seria correto pensar que ele teria a forma que faria melhor para o ser que crê nele? Será que quem crê em outras formas de divindades está errado, ou talvez esteja crendo em formatos e definições de divindades que não seria A VERDADEIRA? Qual é a verdadeira? Mesmo quem vê ou sente algum tipo de imagem, como poderia afirmar que aquela é a imagem definitiva de um ser que pode tudo? Quem pode dizer que Deus é um, ou que são vários espalhados em ordens, ou mundos diversos? Eu acredito que a melhor forma é crer em algo que te faça bem, que te faça sentido dentro da lógica de suas crenças mais internas e básicas que não necessariamente precisam ter a lógica formal, ou talvez crer em algo que você sinta que seja aquilo(e) o seu Deus; mas não imponha esse Deus como verdade nem para seu cachorro. Eu queria perguntar como, depois dessa indagações, podemos classificar ou dizer que um Deus é melhor de que outro? Se Deus é a nossa imagem e semelhança, Deus se parece com "Fulano" ou com "Um outro aí específico e convencionado" ou nós seríamos cópias reais de nossos Deuses?
Deus tem que fazer bem e eu acredito que seja necessário ponderar muito com sentimentos e pensamentos antes de deixar alguma crença divina interferir em nossas vidas mundanas. Cuidado para não confundir as intuições e as crenças divinas com o que há de mais essencial, imediato e menos questionável na vida (pelo menos é menos que esses assuntos que eu disse): as coisas mundanas...
Não sou nada de mais, mas acho que o mundo não estaria preparado para grandes mudanças no âmbito religioso. Estão ocorrendo mudanças vagarosas, captadas em percepções humanas e sentidas por sentidos ainda sub-desenvolvidos. Essas mudanças se percebem conversando com gente na rua, com parentes ateus ou com quem quer que seja. O mundo está mais espiritual, o tempo está gerando desenvolvimentos diversos em vários níveis, e pessoas estão se ligando de diversas formas a um Deus sabe lá qual seria o de cada um ou como ele seria?!. Quem diria que essas pessoas estão erradas ou equivocadas? Será que elas merecem uma doutrinação feita por outros que se dizem mais esclarecidos e privilegiados? Eu repito, reter conhecimento é egoísmo, mas impor informações também.
Eu também acho que é necessário tomar cuidado com o deslumbramento. Eu acredito que o conhecimento adquirido por nós mesmo é o mais legítimo. È claro que conhecimento se adquire de diversas formas: sentindo, vendo, meditando, lendo, extravasando, pensando, observando sutilezas e outros tantas formas por aí que seriam necessárias estar para ser.
Bom, por fim, é por tudo isso que tenho minhas opiniões, e é por essa falta de preparo geral que acredito na sutileza das demonstrações. É claro que há contatos mais intensos e que eu não ousaria questionar para o ser que o vivenciou, exatamente pelo respeito que eu acho que deve se ter com cada Deus de cada ser e a convivência entre essas duas formas de existência. Mas as sutilezas, para mim, existem. Acredito nas mensagens pequeninas, nas coincidências sem razão de ser, nos sentimentos inesperados e inexplicáveis por vezes, nas mensagens. Eu acredito na formação de núcleos leves e mais compatíveis com a realidade do mundo. Uma divindade só tem razão de ser se sua essência for comunicável com seus filhos que habitam sua criação.
É por isso que acredito muito mais na validade do pronto socorro espiritual das igrejas evangélicas que são completamente atuais e condizentes com a realidade de quem vive a dificuldade de ser o fruto da criação, que em seitas e credos isolados que não servem a quem realmente deve ser servido, ou seja, QUALQUER um de nós.
A Eubiose seria melhor se se parecesse mais com a Igreja Universal do Reino de Deus (é claro que temos nossas críticas) e menos com um saco inútil que só serve para guardar em mistério grandes conhecimentos válidos para a humanidade. Não esperem que um Deus venha aqui na Terra para iniciar o cultivo da divindade que existe dentro de cada um dos seres-humanos. CADA UM DE TODOS NÓS.
Isso é o que eu acredito. Não vou me impor a ninguém e penso que apenas pelo fato de eu crer nisso tudo, esses elementos já se tornam realidade em algum ponto da existência.

terça-feira, 5 de abril de 2005

Boa noite Dia...........

Como a liberdade é vasta. Correr por aí sem desvios nem quebras de destinos, sem escolhas de minutos, só correndo a muitos passos por horas. A vontade é de ultrapassar-se e ir mais além que o além nos permite, e olha que muito nos é permitido, acho que no fundo sim. Mas certas horas inesperadas nos vêm como sonhos que não seríamos capazes de sonhar algo tão alto naquele instante e são nesses instantes ocorridos que a gente se vê jogado em alta velocidade no vento noturno, nas ruas que correm e nos distorcem as luzes fugazes que de pontos se fazem em riscos azuis, amarelos e vermelhos diversos que passam gritando coisas que nem queremos que façam sentido, não queremos o sentido, apenas queremos que o nosso sentido esteja desimpedido pra vagarmos em linha de desejos diversos, que pode ser reta, curva, ou lotadas de esquinas esquisitas e milhares de prédios em cultivos, plantações de sinais, placas e pessoas recém acordadas que bocejam o sono que ainda não me coube, mas não me importa. O que eu quero é vagar sem rumo que me pertença por entre os labirintos dinâmicos de um ser de 17 milhões de outros seres tão complexos quanto, que engole e regurgita vermes mil, que fertiliza de miragens e cores olhos e mais olhos, órfãos de pai-e-mãe. Mas não, nada disso me interessa agora, porque a liberdade é ainda mais vasta nos momentos que o destino escolhe algo além, que o controle se vai ao longe, lá atrás onde ficou o resto de mim que ainda planejava. Se é pra não haver controle, que eu não queira nenhum também. Corre, pode correr muito mais rápido que se for pra deixar pra trás talvez essa seja a maneira mais prática, no mínimo. Corre, corre muito porque o agora já não é aqui, nem será pouca coisa à frente, o agora só me é no momento em que eu estiver no lugar do futuro, lá na frente, talvez a alguns quarteirões daqui, ou depois que algumas esquinas já tiverem virado dobraduras pintadas por pneus. É tão bom a constante mudança do aqui nesse agora que está logo ali. È tão belo ver nesse tempo e espaço tresloucados as figuras homogêneas que se formam num mundo que está quase parado, perdido em algum lugar entre o momento que vejo e o momento que percebo o que já foi e nem me é permitido mais reconquistá-lo. Isso me foi liberdade por incrível que pareça. Era o momento de não saber onde estava, e se alegrar por isso, era o momento de fazer de músicas desconhecidas, melodias amigas pra simplesmente cantar sem ter nem a prisão de já se saber o próximo acorde. Acorde disso – Não, eu não vou acordar. Eu durmo muito bem acordado num lugar eqüidistante dos meus caminhos e de minhas perdições (que ainda não foram botadas dentro dos meus caminhos). Eu vôo muito mesmo. Eu vôo rente ao chão, rente aos pés pesados das marchas compassadas, mas não marcho agora, só levito de boa. Eu curtia a felicidade daquele vento urbano, daquelas ruas e avenidas que não pertenciam a minha memória e que por mim sempre continuariam daquele jeito, alheio, porque aquela falta de controle me tirou o peso das coisas pensadas. Eu apenas peguei emprestado por instantes, mas já devolvi. Depois disso eu tomei café e fui dormir dentro dos caminhos e instantes planejáveis do meu dia-a-dia. Boa noite Dia!!!!!