quarta-feira, 31 de dezembro de 2014
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
Registrando a Limpo
É interessante pensar que, após
dois, ou três, ou quatro, ou até mesmo cinco anos de ostracismo involuntário;
que perduraram pelos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010; no início de 2011,
quem me trouxe de novo a atualidade da cultura POP, que tanto gosto de saber e
sentir, foi um pequeno menino que tinha apenas nove anos na época: meu aluno
João.
Nestes ditos cinco anos de vaga
vida, passei por dias e espaços sem ter noção exata do que acontecia no mundo, morei
numa Kit-net onde só pegava um canal de TV e vivi, constantemente, sem respiro
ou validez, não só pela falta de informação, mas pela falta de degustação da
própria realidade diária. Eu estava totalmente desligado e não sabia por onde, nem
como suprir esta minha necessidade de pertencimento.
E foi em 2011, após começar a dar
aula para este que, na época era só um menino, que voltei a ter noção de coisas
corriqueiras do momento, das notícias, de quem estava acontecendo no instante,
das novas músicas, dos sucessos, dos programas, o que ouvir, o que ver, onde
procurar saber, quais eram os comportamentos, que novo artista me agradava, o
que estava sendo respirado, como algumas tribos se comportavam, coisas instantâneas;
e também coisas mais próprias e individuais, o que eu aprovava, o que eu não
gostava, onde eu queria ir, como eu queria ser, onde era possível estar, o que
emanava do momento e assim, novamente, eu senti o frescor de ser atual, o sabor
de estar acontecendo em conjunto com a atualidade.
Às vezes precisamos que estendam
alguma ponta para que possamos reiniciar o desembaraço de um novelo estancado
há tantos anos. Um novelo que envolvia o interno e o externo, num misto de frustrações
que me embaçava a visão e me retirava os passos por qualquer calçada que eu
tentasse caminhar.
Resolvi escrever esse texto por
se tratar novamente de uma simples e pequena criança. Foi mais um momento em
que a energia da criança esteve presente na minha vida abrindo espaços e
trazendo renovação. Esta foi uma época muito boa, que muito me fez renascer: o
primeiro semestre de 2011 e suas continuidades. Tenho saudades desse tempo!
Dia-a-dia um novo vídeo, um novo
artista, uma nova música, um novo sucesso, um site de atualidades, as mais
vendidas do ITunes, um novo Remix, uma nova informação sobre algo que ainda seria
lançado, os eventos para promover os novos álbuns, as trilhas dos filmes mais
vistos, o temas dos novos super heróis, as novas músicas da Adele, o DVD no Royal
Albert House, a belíssima Skyfall, o lado B da Amy Winehouse, o que havia de
bom e de ruim nos lançamentos da Rihanna, Kate Perry, Nicki Minaj, Ke$ha e
outras e outros (mas isso eu mesmo concluía dentro da quantidade de músicas que
surgiam), as loucuras da Lady Gaga na mídia e as várias boas músicas do álbum Born
this Way, os resultados da premiação da MTV, da Billboard, da Rolling Stones, as
apresentações feitas nas premiações, o som diferente da Florence + The Machine,
LMFAO, um clipe qualquer no canal VEVO, um vídeo novo do Cifraclub, a lista dos
mais ouvidos do Vagalume e um universo inteiro que se abriu de maneira tão espontânea.
Sou e serei sempre grato pela
naturalidade recíproca do aprendizado. Eu levando a teoria e ele vindo com a
prática. A Teoria da Música e a Prática do POP da década de 10 deste nosso
século tão ensandecido por obsessivas experimentações vazias.
Foi bom viver aquilo e ainda é bom estar
em exercício de atualidade!
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Livro: Para Benita
Prefácio
Por mais que tente se superar, a Literatura sempre
será a mais frustrada de todas as artes, já que Deus transcende o verbal. Não
conheço arte mais dura que a Literatura. Mesmo as esculturas em mármore trazem,
com mais facilidade, a leveza da aura da forma lapidada que, por meio da palavra
escrita, não se atinge com tanto silêncio e perfeição.
É mais acessível a expressão profunda por meio da Dança,
por exemplo. A Dança deixa fluir todo o caminho da sabedoria corporal que, por ela,
vem à vida com mais força. Também a Música e seus contornos melódicos podem
tecer, com mais facilidade, sensações que nos lançam a lugares que desconhecemos.
Uma criança, antes de escrever algo com o intuito de
expressar “qualquer-coisa” que habite dentro dela, com muita certeza, já se utilizou
de outras artes para isso. Antes de escrever, já dançou por vontade própria, já
cantarolou porque sentiu vontade, já pintou qualquer relance de arte abstrata,
ou mesmo já teatralizou alguma coisa para convencer alguém. Qualquer arte se
fluidifica e nos é mais natural que esta que sai estritamente por meio de vocábulos
mumificados.
Nossa base de trabalho é o significante mais duro
dos seres humanos: a palavra; o verbo que foi o princípio e será o fim de todo
erro. E, nesse meio, erram infinitos poetas trabalhando solitários para tecerem
algum painel que possa nos retirar desta posição de sub-produto daquela que é o
mais maravilhoso segmento de expressão do espírito humano: A ARTE!
E, talvez por esta densidade, a palavra seja a mais
basilar ferramenta da Psicanálise. Seu peso significante é a massa pela qual
nossa parte mais imperfeita se molda na vida. Somos aglomerados de palavras que,
por raras vezes, transcendem o verbalhesco e se nos lança a esferas mais sutis
de humanidade.
As palavras ainda nos são inalienáveis, no entanto,
toda palavra é quase nada. Toda frase é mínima, todo parágrafo é medíocre, todo
texto é falho e, todo livro, um simples relapso irrisório de algo inexplicável.
A somatória do texto é uma construção de migalhas
que, por vezes, mesmo somadas, ainda não fluem, não coexistem ou não se tornam
eternas. Não fazem valer, não tocam ninguém além do escritor, se tornam
esquecidas, se fazem supérfluas, se colocam ao esquecimento, se confundem com
qualquer coisa, passam simplesmente como perda de tempo de um ser que tentou fazer-se
além da morte num cômico ato de arrogância.
Porém, o que nos leva a escrever está além da razão,
além do entendimento. A escrita é o entendimento em processamento. Todo poeta é
um fracassado, iludido em si, até que se prove o contrário. Mas, qual a
importância disso?! O esmiuçar sofrível das coisas sem lugar, a tradução
inexprimível das memórias do Universo, o desembaraçar inconcluso da rede esfarrapada
que nos prende, a transpiração voluntária dos processos primários desta
infinita caminhada de cegos, essas coisas fazem todo sentido para as insanas almas
dos seres que escrevem.
Escrever é quase um processo sádico que preferimos
prosseguir como um átomo desesperado de auto-indulgência.
Tentar quebrar o desvão insígnico do vácuo que nos lota
de ecos do além, vencer a trêmula existência de nossos corpos inoperantes que
teimam em não nos obedecer, erguer os olhos para além das montanhas e
metrópoles e respirar o canto do mundo que mais nos pertence: o canto das
folhas, das canetas, das máquinas de escrever ou de suas modernas
versões, tudo isso somos nós, Benita!
Lutar
corpo a corpo com nossos destinos de perdedores, arrancar do silêncio nosso
grito mais belo, e ainda fazer isso constantemente. Sim, constantemente se
colocar a prova, pois, a cada velho texto superado, um novo desafio maior se
forma. E então, como que por não ter mais nada tão imperfeito a se fazer na
vida, novamente nos arriscamos a tentar quebrar as correntes dos intocáveis tesouros
de Deus e iniciar uma nova jornada que nos ocupará por horas, dias, meses ou
anos sem, no entanto, sabermos se tanto trabalho terá valido a pena para nos
salvar do mistério sem fim!
Boa
leitura, minha amiga!
Wagner Passos
terça-feira, 12 de agosto de 2014
Só pra constar
Aos que me acham privilegiado,
gostaria de deixar registrado aqui no blog que, neste Agosto de 2014, pela
primeira vez depois de ONZE ANOS vivendo em SP, eu tive minha carteira de
trabalho assinada.
Foram muitos anos com pouquíssimo
dinheiro, muitos anos sem saber o que fazer, muitos anos levantando dia-a-dia
sem ter a mínima noção do que eu poderia inventar para conseguir preencher meu
dia e não ficar totalmente ocioso. Muitos anos me perguntando porquês infinitos
que me escavavam o peito ainda mais fundo, aumentando meu vazio impalpável que eu
nem mesmo sabia que habitava dentro de mim.
E nisso tudo, surgia uma enorme
frustração diante do fracasso do que poderia ter sido, mas, ainda assim, eu
frisava, disfarçando de mim mesmo, uma eterna maquiagem de interesses para
conseguir calar aqueles que mais esperavam do meu futuro prometido.
Eu não tinha o que entregar, mas tive
que dar ainda mais do que jamais pensei ser possível não existir dentro de minha
alma!
Era a escuridão vazia saturada de
coisas que não se tocam, o terror de ser obrigado a sentir um Niilismo profundo,
não querendo vivenciar aquilo que me batia na cara.
Eu fui obrigado a engolir o caos
e vomitar poesias e melodias!
Deslocalização total,
deslocamento contraditório, arraste de pesos alheios e medidas terceiras pelas
ruas e pelas noites, e pelos dias dos dias dos dias dos dias das horas sem o silencio
do alívio distante que me parecia eterno em seu nunca chegar. Tudo era ruído
sem margens.
Restou-me querer um sono perpétuo
numa tentativa de esquecer da vida, vivendo o mínimo até poder morrer e
liquidar o pesadelo, não dando alma ao corpo, segurando o alma no esquecimento
do sonos sem sonhos para poder afastar a dolorida Síndrome do Pânico que me
atacava todas as intermináveis vezes que eu tentava levantar.
Artimanhas para esquecer das
brigas e do absurdo que um dia lhe espancou no chão da rua por aquilo que você
não fez, ou por aquilo que você nem se lembrava de ter feito.
Rotinas horríveis, momentos de
total desesperança e descrença, minha fé abalada e uma indignação dolorida diante
de coisas profundas que me pareceram totalmente desprovidas de significado.
E mesmo hoje em dia, ainda muitos
pontos permaneceram sem explicação concreta.
Enfim...
A vida não é exata e nem justa, mas
não é por isso que temos o direito de desistir de tentar!
“Meu reino não é daqui” já disse
o homem mais influente de todos os tempos!
Estamos no vértice máximo da
densidade da energia. No vértice oposto de Deus! Não há nada mais distante do Centro
de todas as coisas do que a vida de um encarnado.
O que nos resta é continuar e
continuar, prosseguir e prosseguir, tentar e tentar e quando seu olhar não
conseguir levantar, um pouco que seja, além do micro-cosmos pisoteado que te
envolve no meio da multidão, ainda assim, ao menos mais um respiro você
conseguirá dar, mesmo que ele seja mais difícil e dolorido, aprisionador e
amedrontador do que qualquer pior realidade já imaginada por você baseado nas
promessas que lhe disseram antes de você encarnar!
Mas valeu! Teve que valer, e eu
fiz para que assim fosse!
P.s: Estou com muito sono, mas
precisava escrever esse texto. Ele não ficou dos melhores. Vejo pontos que
poderiam ser mudados, mas quero deixá-lo exatamente assim.
E com este texto mudo ligeiramente
o nome do blog para simplesmente:
Aquilo que pode emergir.
O “Iceberg” está cancelado!
domingo, 27 de julho de 2014
Pequenos!
Na verdade,
todo sentimento de bondade
é a melhor tentativa pequenina
e paciente
de sulcar a incólume rocha
da energia divina
que reside em tudo,
e principalmente em todos nós,
em cada um,
em
ti.
é a melhor tentativa pequenina
e paciente
de sulcar a incólume rocha
da energia divina
que reside em tudo,
e principalmente em todos nós,
em cada um,
em
ti.
quarta-feira, 23 de julho de 2014
Prefácio
Os
poemas abaixo foram copiados do primeiro caderno de poesias que tive na vida.
Há algumas semanas atrás resolvi digitá-los para poder colocar aqui no blog,
além de, assim, poder entregar alguns para pessoas que se interessassem.
Quando
iniciei o processo, vi que algumas coisas que estavam escritas precisariam ser
revistas, às vezes por estarem meio truncadas, como é o caso das últimas
poesias; ou com erros de quebra de frase, pontuação e detalhes do tipo, como é
o caso das escritas quando eu era menor. Procurei, então, alterar elementos
visando o ritmo e o entendimento.
Em
geral, quando possível, optei mesmo por não mexer e fiz somente quando sentia
uma real necessidade. É bom lembrar que se trata de poemas que escrevi para
mim, sem a preocupação de que um dia poderiam ser lidos.
As
principais modificações foram feitas na pontuação - vírgula, ponto final,
exclamação, interrogação - ou inserindo algumas preposições, conjunções e
detalhes do tipo, a fim de costurar melhor as frases e os assuntos. Também
juntei alguns versos que estavam separados e separei alguns que estavam juntos
pensando em organizar visualmente o que estava sendo dito. O objetivo foi
realmente fazer os textos se tornarem mais leves e fluidos.
Neste
primeiro caderno, as modificações foram ainda menores que as feitas no segundo,
já que as poesias, em geral, eram mais simples. Quase a totalidade do que está
aqui é exatamente o que se encontra no original, por isso, achei legítimo
manter as datas das criações. Houve também poemas que não tiveram absolutamente
nenhuma alteração.
Enfim,
espero que agrade, afinal, foi para isso que tive todo esse trabalho!
1) Amor, um sentimento universal
O amor é como
uma cascata de estrelas
que cai para o infinito
fazendo brotar vida em
todos os confins do universo
É como as aves
que bailam ao
sabor do vento
que sopra nas alturas
É como a rosa
que é despertada
pelas gotas de orvalho
da manhã
É como a neve que cai
levemente no alto das montanhas
e delicadamente enche de paz
até mesmo a mais bruta das rochas
É como a brisa que sopra
o mundo e num segundo
enche de amor a tudo
que guerra passa para paz
Uma paz eterna que
faz cair uma chuva
doce e leve
que toca as pessoas delicadamente
e as faz pensar
como é bonito o amar
11/06/97 – 13 anos
Esta poesia foi feita depois da número 2, mas foi
ela que me fez começar a escrever, por isso coloquei-a como a número 1. Foi por
sua causa que pensei que poderia fazer isso por mim mesmo e não só como tarefa
escolar.
2) O primeiro beijo
O primeiro beijo
é um despertar
para o amor
que une duas pessoas
num laço de carinho e amizade
O primeiro beijo
é uma carga de emoção
que é descarregada simultaneamente
quando os lábios de tocam
e o coração bate mais forte
provocando uma sensação de felicidade
Quando os olhares se encontram
frente a frente
parte de dentro de nós
uma sensação incontrolável
que se acalma com a união
através do abraço e do toque
Depois do 1º beijo
você se liberta de uma sensação de insegurança
toma mais confiança
e se sente aliviado
17/05/97 – 13 anos
Feita em parceria com Gabriel Gil para a aula de Redação
3) Viver
No momento em que abrimos os olhos
e o ar entra em nosso interior
assim como a luz penetra nas águas profundas
começamos a viver
mas, por mais estranho
também começamos a morrer.
Cada dia que passa, descobrimos algo
Cada momento, uma lição
Cada desafio, uma recompensa
Cada perigo, um alívio
Cada emoção, uma recordação.
E todo esse conhecimento fica guardado
dentro de nós, dentro de nosso ser
e tudo isso passa por nós
no momento do adeus
no último suspiro
e então descobrimos
que o viver
é um constante aprender.
08/09/97 – 13 anos
4) Goiabeiras e Brincadeiras
De uma pequena semente
nasce uma muda
e com o sol e chuva
ele segue em frente
Quando o vento vem
com sua música ela dança suave
quando vem a tempestade
com seu rigor ela se debate
Na primavera
ela dá flores
que com suas cores
enfeitam o ar de amores
No verão
quanta animação
crianças correndo e subindo
com toda empolgação
Quando chega o outono
frutas nascendo
folhas caindo
pessoas comendo
Já no inverno
tudo parado
crianças pra dentro
tudo fechado
E assim vai crescendo
aquela semente
que mesmo sem se mexer
brica com a gente
08/09/97 – 13 anos
5) Coisas de Deus
Oh, casa
que tanto representa
pra mim
você é tão pequena
mas vale muito
Sua imagem reflete
num lago lindo
com águas claras
águas que me encantam
As montanhas
tão imponentes
todas verdes e altas
montanhas que
quantas vezes
me deram conselhos
Oh, campos verdejantes
campos onde
eu brinquei
e esqueci os problemas
Oh, vale encantado
que com sua beleza
me encantou
e no seu aconchego eu fiquei
Oh, mundo
como sou feliz
de viver aqui
e a cada dia
penso que tudo isso
é Deus
Deus nosso pai maior
Deus nosso pai do céu
Deus a quem tudo devo
e quero lhe agradecer
por tudo que já vivi
Pelos pássaros que vi
pela natureza que amo
pelo lugar onde vivo
este lugar que é o mundo
o universo
enfim, lhe agradeço
pela vida que me deu
12/09/97 – 13 anos
6) Corpo e Alma
Quando a alma
penetra no corpo
assim como a luz
nos olhos
sabemos que nasce
ali um elo
que só se acaba
quando os olhos
se fecham
pela última vez
Um elo perfeito
e gracioso
como o voo das aves
duradouro
como o diamante
onde um completa
o outro
A alma dá
vida ao corpo
e o corpo
a morada à alma
O físico e o espiritual
o Yin-yang
coisas, apenas coisas
mas juntas
se completam
12/09/97 – 13 anos
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