sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Postagem 282 - Saudades de mim

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Acabei de dar uma passada de olho por cima de todos os posts do meu blog. Relendo alguns e lembrando de todos, uma sensação de saudade muito forte foi me batendo no peito, e realmente o peito dói, é impressionante. Daí logo que eu estava acabando, eu fiquei pensando em como eu mudei nesses tempos. Eu mudei pra CARALHO. O Wagner de março de 2005 era outro e isso não é demagogia. Repetindo, eu mudei pra caralho. To impressionado e, ao mesmo tempo, orgulhoso de mim. É legal isso. Mas quem lê esse post pode pensar: “pô, dois anos e meio é chão e é natural que você mude”, mas eu pensando, percebo que esse período de tempo contido no blog foram os 2 anos e meio de maior mudança interna de toda a minha vida e isso não é uma simples impressão, é conclusão pensada. Acho que as pessoas mais próximas e que têm contato mais intenso vão concordar com isso. To impressionado, repito. Estou achando muito legal!!! Também estava pensando, imaginem daqui a 10 anos, eu vou ter um registro fudido da minha vida aqui nesse blog, isso se eu continuar com ele até lá, claro. Não sei, estou muito contente com o meu blog.
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- Parabéns viu, senhor Cavalgadura!!!
- Ahh, não tem de que Wagner, estou sempre às ordens...
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akakaka, eu adoro um diálogo doido.
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Boa noite!!!
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p.s: “Recordar é viver” e ajuda a ampliar a vida, e a vida ampliada traz paz. Amém... Schiiiuuu, silêncio...
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quarta-feira, 26 de setembro de 2007

30 minutos na aula da Marilena Chauí (anotações e etc)

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Eu estava na FFLCH e já fazia algumas segundas-feiras que eu queria entrar na sala da Marilena Chauí só pra poder dizer que eu já vi uma aula dela. Akakaka. Gente famosa e que fez história, né. Rssss.
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Daí essa segunda, eu peguei um papel e uma caneta e fui lá ver. A sala estava lotada, mas tinha uma carteira livre no fundo. Eu me sentei lá e comecei a anotar tudo que eu conseguisse. Quando ela deu a entender que iria entrar em outro assunto, eu me levantei e saí porque as coisas que ele dizia eram muito interessantes e estavam me prendendo lá, mas eu tinha que voltar pra minha aula de Max Weber. Quando eu saí da sala tive a idéia de passar tudo pro Word e publicar no blog, e aqui está. Pura doidera interessantíssima. Eu gostei pra caramba.
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As anotações:
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Exemplos de Modo infinito são as leis da física e as operações cognitivas. Spinozza diz que isso pode ser a idéia de Deus.
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Atributo pensamento leva a todos os outros atributos.
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A partir desse momento, no texto da obra, o autor passa a chamar Deus de idéia.
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Ser formal – é a essência, ou seja, existência real.
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Idéia é um ser, um acontecimento real e não só psíquico. Idéia é causada por Deus, mas um Deus enquanto coisa pensante ou atributo pensamento. Se Deus for explicado por outro atributo, então não será Deus.
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“Explicare” no sentido ontológico (é igual) a desdobrar-se .
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Explicar-se (é igual) desdobrar-se (é igual) expor-se (é igual) desenvolver-se.
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A realidade de uma idéia é o “atributo pensamento”.
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O desdobrar-se de Deus forma o “atributo pensamento”.
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A causa de uma idéia não é o objeto dela, mas sim a potência do pensamento. Nossa potência de pensar, ou seja, o “atributo pensamento”.
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A causa não é o ideado ou a idéia formada, mas sim a força, o ímpeto.
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Uma idéia é um ser e não só uma operação mental.
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A idéia de uma mesa é formada a partir das informações que ela mesma nos fornece e os sentidos capturam e assim se forma a idéia da mesa em nós, mas Spinozza diz que não. A idéia da mesa é formada em nós pelo meu intelecto e não pelo objeto.
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Não há causalidade externa. Nega-se a idéia como representação de uma coisa externa.
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Deus é coisa pensante porque ele forma a sua própria idéia, a sua própria essência. Deus é coisa pensante por ele ser a coisa pensante por excelência.
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Deus não é a idéia que ele faz dele mesmo, mas sim a potência formadora do seu pensamento.
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Aula sobre a obra “Ética I de Espinosa”.
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Deus em Espinosa cria a ilusão de transcendência, uma dica é trocar a palavra Deus pela palavra substância. Espinosa usa a palavra Deus como fotografia da época.
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O mal não existe e o bem é ser livre, é ser a causa interna total do seu todo.
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O atributo que causa idéias é Deus. Deus é o poder de ideação. Deus é coisa pensante por excelência e por essência.
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O atributo extensão é referente ao corpo.
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Os 3 atributos são:
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1 – Pensamento
2 - Extensão
3 - ???
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O conhecimento intuitivo das essências singulares é o terceiro... (talvez atributo)
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Há uma diferença real e uma autonomia causal entre os atributos. Há uma profunda diferença entre eles. Cada um dos atributos é infinito, autárquico, e se um deles sofrer influência de outro, ele se torna finito. Cada atributo possui a potência para formar ele mesmo e só ele mesmo.
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A idéia se exprime através da manifestação do atributo pensamento, e só pode ser causada por ele.
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Exclui-se a idéia como representação, porque ela depende do ideado. Uma idéia não vem de uma sensação nem é uma representação absoluta. Idéia é uma causalidade interna, vem do atributo pensamento.
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Fim das anotações.
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Eu comecei a escrever o nome do filósofo errado (Spinozza – S mudo e 2 Z`s), mas depois eu vi na capa do livro de um aluno que estava do meu lado que não é Spinozza e sim Espinosa. Quando eu vi a capa também descobri que a obra se chamava Ética I. Ta anotado isso aí encima.
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Enfim, filosofia, ao que me pareceu, são pensamentos ou uma tentativa de tradução de sensações já existentes, ao mesmo tempo em que essas mesmas sensações são causadas pelos pensamentos e suas respectivas traduções gerais que fazemos, ou seja, qualquer coisa que fique no limiar da intuição e, por ser circular, isso tende a crescer e fazer a pessoa querer sempre mais e mais. É um exercício de descoberta muito lindo.
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Eu acho que filosofia é um exercício de puxar intuições para o campo das coisas pensáveis e, por labuta, transformá-las em coisas pensadas. Pelo menos nesse caso foi isso que eu achei.
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Foi muito louco.
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sábado, 22 de setembro de 2007

Sábado bom

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Por mais duro que algumas coisas me fazem, às vezes ainda sou capaz de chorar de felicidade.
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quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Dito por dizer

Quando eu era pequeno, bati a cabeça com força na parte de trás, mas abriu uma ferida no meio da testa. Desde então, nunca mais me foi dada uma felicidade pura, livre de auxílios. Eu era tão pequeno e aquilo já era o fim do que mal havia começado. Há coisas que se fazem por nós.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Manuelzão e Miguilim, enfim... (No Mutum e na Samarra)

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Será que conseguiremos? Me pergunto agora pois não sei como se farão de mim essas palavras já vívidas em algum lugar.
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Bom, Manuelzão e Miguilim, ou seria melhor dizer, Miguilim e Manuelzão. Todo começo começa no início, nem que esse início já seja formado no eterno. É assim que se mostram as primeiras páginas dessa uma das maravilhas narradas por Guimarães.
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Guimarães é início e fim com propriedade. Transpõe-se para o interior tão conhecido de todos que se sejam capital e de lá começa uma semente meio gente, inteiro menino, no calado do parto depois do parto primeiro, ou seria o derradeiro, já que foi o primeiro e único a ser realmente escolhido. Não sei e assim nos fazemos corretos.
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E assim é menino bom, menino comum. Miguilim aos poucos chega e te olha com inocência. Não pede permissão, por ser tímido, mas ainda assim intimida pelo não olhar. Miguilim piquininim, choroso, pensativo. Menino bom, repito. Tem no irmão menor uma alma de se admirar. Sábio Dito que se foi antes do nosso amigo e deixou dias de dores em cama. Saudade que só se é expressável no português tropical do Mutum.
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Lá tem Mãitina, negra de saberes e embriagez de porão. Sua fogueira do calor vindo do não-quero-saber balbucia o que não se contradiz.
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Também tem Pai e mãe, pessoas respeitáveis. Amor de mãe, respeito de pai. Natural vivível.
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Lá há irmãos de renca, soltos no terreiro, no alpendre humilde. Pequenos, ligeiros, fracos, mas inteiros na mínima infância que tem o pé e a cabeça rente ao chão. Tombos servem de renascença cíclica e cada vez mais.
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Lá vive passarada, cantoria, pássaros que declamam o oculto da mesa do café. Meã avoada que se canaliza no bom humor do que não se deve levar em conta.
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Lá tem tio da traição. Tio de amor no peito. O que é feitível contra o amor? Carta sincera nas mãos e mães do menino. Sim, Miguilim cresce no pedido pedido por ele.
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Mas valha-me pai respeitável, como dito e como o Dito. Vem trabalho no roçado. Lida de família, homem humano, nunca demasiado humano.
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Vem acontecimentos ligeiros, acontecimentos no nem-se-sabem. Chegam e soltam verdades por via das dúvidas. E assim menino vai, no meio do meio, permeando permeado por tudo que por cima proclamou, mas confesso ainda sim que “Chorável, chorei”.
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E um dia muito muda, noutro trabalha sem esbarrar, noutro cresce sempre como em todos, noutro outros se vão, noutros tio volve por conseqüência do amor que contra tudo se faz e nada se há de fazer.
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E, um dia, no fim da cantoria literária, Miguilim se expande para além dos olhos meus, mas resta-se em memória, porto seguro e frágil da vida volátil.
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Então, vira-se página e depara-se com senhor de meia idade. Seria Miguilim no desgaste da dureza da vida. No fim, inicia-se novamente um senhor e sua muito respeitável história. Não acredito que seja digno do quase sinônimo sem h.
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O Manuelzão de fato houve. Personagem visto nas andanças de João, anotado e eternizado nessa uma das tantas estórias - histórias do corpo em bailado ou Corpo de baile, como dizem oficialmente.
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Na Samarra Manuelzão apresenta-se desconfiado, luxuoso de seu pequeno mundo de grandes conquistas. Altivo no cavalo amigo e de lá ele é focado pelas palavras do também grande homem. Iniciam-se as peculiaridades muitas do único acontecimento. Único naquela vida de retidão e boiadas feito corpos maciços na destreza do bem pensar.
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Nele poucas palavras e muitos olhares. Felicidade madura e, por pena, felicidade ceifada. Homem na ferrugem do sentir e por isso cada minimalidade é linda.
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Preparou uma festa de inauguração de uma capela. Capela perto da ida mãe. Promessa dita em pensamento, posta em vista no decorrer dos anos.
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As pessoas chegam de todas as paragens. Um listado enorme de nomes inéditos. João Urugem, Seu Camilo, José-José e muitos vistos, tantos não vistos. O interior se agita na chegança pra festança e o interior dentro do interior também.
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Senhor pensa nos outros, pensa em si. Pensa seu filho também de poucas palavras, mas maldades que podem não poupar. Sua mulher, boa mulher. Admira o conquistado pela geração vinda. Netos esguios de não se conversar.
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Velho Camilo sua insignificância bem-vinda. Sentado nas soleiras, bebida de água ruim. Mas em revoltoses se transforma no bem dizente contador da fantástica história do boi falante que reluzia indomação. Eterno velho de um amor cristal que se estancava no “dizquedizque”, como diz o autor.
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Cristal de Joana Xaviel, mulher de não se achegar. Natural e arredia liderança.
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E assim, com todos esses permeios, rolam-se 3 dias de festanças. Pessoas cantáveis, sanfonas, violas, repentes, versos, rimas rápidas, churrascos, estórias, causos, gente faceira, gente pequena, gente que passa, dormência de gentes, missa de padre, batismo, casório, crismáveis, cânticos, ladainhas, procissão, morro acima, morro abaixo, cachaça, homem bambo, comilança, graúdos, os menos, os mesmos, pensamentos aqui e acolá, ansiedade, conversa em pé de fogueira, ouvidos atentos, roda noite, roda dia, roda vida, chora povo, raia horas, vence medo, fala o filho, vem boiada, “passa galho - de ingazeira - debruçado - no riacho”, nasce ninho, corre monte, soa sino, sua corpo, sente mente, pensa resto, fim de festa, chora gente e em rabeira “ – A boiada vai sair!” Êêêê João, como sempre infinito. Travessia...
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Últimas estórias

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No princípio do mundo, acendia um tempo em que o homem teve de brigar com todos os outros bichos, para merecer de receber, primeiro, o que era – o espírito primeiro.
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Manuelzão - página 255 - João Guimarães Rosa
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segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Háááááááááááááááááá

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Hum! Deus fará absurdos contanto que a vida seja assim.

Sim, um altar onde a gente celebre tudo o que ele consentir.

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quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Semente de construção dramática

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Por anos havia inventado estórias. Era um ser só e só um ser, por isso inventava. Lia contos e catalogava personagens, depois, com todos os corpos estirados sobre a escrivaninha numa cartolina vermelha, compunha seu círculo familiar ideal tentando pensar na maior possibilidade de variáveis possíveis dentro do humano de cada um e em como essas variáveis melhor se encaixariam. Era um ser só e só um ser, por isso inventava. Dava sempre o melhor de si, mas sempre acontecia dele estar andando na rua e um dos seus laços imaginados o repreendia de súbito. - Puta merda, isso não vai dar certo. Diadorim não vai amar Joana - e então seu conflito era intenso como os de outras Veredas e Corações Selvagens.
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Faça você mesmo a sua continuação, a semente está aqui.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Uma folha de Word contando com o título (TNR 12, espaçamento simples)

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João disse que sairia de casa naquele dia. Sairia por sair. Há semanas que estava guardado no fundo de seu sonho, dormindo, embernando, comendo, sonhando, inventando coisas para si. Era deus do perímetro João. Faça-se a luz. No seu início não era o verbo, mas o não verbo, seu verbo era João. Coisas das mais diversas possíveis. Coisas avulsas nascentes em João. Gostava de sair ao quintal e ver estrelas caindo, imaginava ruídos, caia-se em si, estrelas queimavam sua nuca no repente, sustos. Soltava gritos de dor e gargalhadas avulsas que ecoavam na sua cabeça, não por ser vazia, mas por ser em demasia. João de Nada se chama. Ninguém o chamava. Ele era seu próprio substantivo. Não era cordial, resquícios, não era vulgar, não era nada, João de Nada. Não pensava nas definições de si, nem no seu sobrenome desfeito. Pairava plano pelos cômodos, dormitava de olhos vesgos e estalados, estalava dedos, ouvia batuques. Ficou assim por dias e dias, à toa, vivendo seu total. Tomava banho, saia de si, rodava por fora, rodava por dentro, entorpecia-se de variáveis químicas só pelo gozo da falsidade dolorida e assim ligava-se no ato do sorriso sem razão. Depois de saber-se em folha, fora embora pra fora. Vestiu vestimentas não escolhidas, calçou proteções porque necessitava delas. Quando tempo o tempo tem quando não se está no tempo que o tempo tem? Quanto muda a mudança nas vezes que mudamos longe dela? Só se muda a mudança de si no tempo que lhe é apropriação. Mas não sabia do limítrofe, por isso o carapuçar de sua ligeireza. Não se sabe a velocidade exata do instável daqui até que atrite qualquer. Não se sabe o aquém ou porém até o defronte de uma barreira de multidão. Mas foi-se. Fechou a casa no receio da chuva, passou rápido o portão no receio da fuga da fuga da fuga da fuga, um pendulário dotado no afogo de si. Ganhou os traços do social. Tudo foi-se naquele sem relance de ir sem volta. Veio o foi-se, e veio-se delineando o entorno da paranóia estampada incrustada na sapiência inventada. Antes assim, que perdida sem caminhos de retorno. Fez-se seu caminho em cada homeopática destreza e hesitação. Ganhou a avenida e seus rastros. Velocidade medíocre aquela que passava por todos os ângulos, não?! Mas sentia-se ali. Não explicava-se, mas o contínuo prosperou na vaguidão da geometria concreta. Andou ladeira acima, um descampado de sensação, ladeira abaixo, um baixio sem adjetivação. Continuou reacendendo-se a cada ato de invólucro, e assim fez-se fermata. Tuim num canto alegre. O quintal da meninice. Chorara naquela vez, lembrava-se disso. Chorara ao ler o som do triste canto do tuim. Nunca soube bem porquê, mas naquele triste canto do choro da palavra bonita, brotou-no algo da letrário. Não sabia nunca até que de repente sabia e estava conciso, formado, digerível e saltava dentro de si. Por fora estava encapuzado. Não sabia nunca quase, mas estava firme na desavença de outrem e por isso inteiro no aconchego notívago. Era noite num querer, e num instante estava no mesmo si. Prosperou agitado naquilo que amadurecia. Era bem estar assim de si. Restava o felicidade feito homem nele. Personificação é o artigo da troca. Sentia-se âmplido e teve a certeza, enfim certeza de gente, que ele restaria no conforto do estatuto. Não teve mais medo, concluiu-se o finalmente para o felizmente vigorar no concluo do pensares. Aquilo era a instância do corpo, fenômeno sagaz que trazia de si desde sempre. Era o privativo não localizado, uma paragem sem pontos. Era pixel do sorriso aos céus naquele instante que ameaçava enveredar fixo na garra do sólido. Formatava-se no cercado azul vagante. Um ponto eqüidistante entre a inocência e o rugoso, mas nem por isso mediano sem extremidades. Era extremo de contentação. Contentemente de seus brilhos. Navegou baixo ainda tentando experimentar o salto súbito da tristeza, mas o silêncio gargalhoso lotou sua inexatidão. Olhou pras suas mãos, chorou de amor pela conquista, sim
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P.s: Detalhe, não pude colocar o ponto final depois do "sim" porque senão o final do texto pularia para a segunda folha. akakaka. Façam o teste. Pelo menos aqui no meu Word foi assim que aconteceu.
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terça-feira, 4 de setembro de 2007

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Quando produzires arte, não se esqueça que a arte maior é o amor sincero. Não se alimente somente de arte, ela é capaz de florear a vida como o amor ou a companhia verdadeira, mas o ser humano não nasceu para viver só. Há instâncias ainda mais internas a serem alimentadas.








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segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Não sei

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Estava a fim de escrever hoje. Não sei, me passam muitas coisas na cabeça, mas eu até agora (3 da manhã) não tive o ímpeto de começar qualquer texto. Não sei de novo, mas agora me passou pela cabeça que eu poderia falar sobre um jardim. Uma poesia sobre um jardim. Lá vai:
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Título: O jardim
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Comecei um jardim hoje.
Olhei pra terra, pobre.
Olhei pro céu, seco.
Olhei pra flor, murcha.
Mas vi a esperança nos 3 em desencontro.
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Comecei um poema agora.
Olhei pra folha, pálida.
Olhei pra tinta, cínica.
Olhei pra mim, trêmulo.
Mas vivi a beleza dos 3 em desavença.
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Por isso,
Salta o jardim florido do meu olhar
E trepida o poema apoiado no meu dedilhar.
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Da beleza inventada, o poema sorriu,
Da vontade forjada, a palavra se abriu.
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Um jardim em declamância ligeira.
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