quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Resenhas 2013 - Palavras Desavisadas de Tudo – Vol. I


85 autores fazem parte deste primeiro volume da Antologia Scortecci de Poesias, Contos e Crônicas.

Um projeto lançado em 2013 pela editora que dá nome ao conjunto.

Foi um longo período de recebimento, correção e editoração do material.

O lançamento foi em 17 de Agosto, numa casinha próxima a Vila Madalena, aqui em São Paulo. O local era meio apertado, mas bem aconchegante!

Como toda antologia neste formato, há escritos bonitos, outros muito fracos, o que seria de se esperar, afinal, muitos nunca haviam publicado alguma coisa na vida.

No entanto, é interessante a leitura geral para notar por quantos caminhos os escritores esperam chegar a um resultado satisfatório, para os outros, ou simplesmente para eles próprios.

Por vezes se utilizam da simples confidência de passagens da vida, noutros textos nota-se um esforço de elaboração que podem soar exagerado, noutros uma procura de uma identidade literária ainda não madura.

Alguns conseguem resultados muito tocantes, até mesmo, pela forma amadora como expõem suas idéias.

Mas todos têm o direito de sonhar, de tentar ser escritor, de ter alguma coisa publicada em larga escala. E isso deve ser sempre respeitado!

Afinal, como bem diz o chefe da editora, João Scortecci:

“Palavras Desavisadas de tudo
são palavras escritas
no tempo literário de cada autor.
Façamos delas o entendimento
que a vida nos fala”.



Resenhas 2013 - Palavras Desavisadas de Tudo – Vol. II


Neste segundo volume, são 69 escritores.

Alguns de nomes anônimos, por mais estranho que esta combinação possa parecer.

Como é o caso de, por exemplo, o autor dos textos “Quem é esse homem?” e “Qual a sensação de ser feliz?” que assina como APP.

Ou como é o caso também dos autores: AGP Brasil, J. C. Maranhão e P. Viajei.

Enfim, é um território livre para a experimentação, afinal: “Tô pagando”!!!

Mas, independente disso, participar de um projeto como este, é fixar seu nome numa comunidade que nunca se encontrou, mas partilhou da concretização de um sonho comum, que se firma num mesmo objeto, num mesmo momento, mesmo que muitos de nós nunca tenhamos nos conhecido.

Digo tenhamos, pois, também participei dessa Antologia.

Meu nome é o último (mais uma vez) deste Segundo Volume, ou seja, meu nome é o último dentre os 154 publicados.

Isso ocorreu, não pela ordem alfabética, afinal, no volume I tem até uma Yara e uma Zilda, mas, pelo acaso da vida, acabou que fiquei lá no fim.

E foi interessante! Quando, na ocasião do lançamento, me perguntavam onde estava meu escrito, eu simplesmente falava que era o último de todos! E assim logo achavam minha criação!

Ia enviar uns poemas, mas quis mudar um pouco. Enviei, depois de algumas revisadas, meu conto que, já há um tempo, está aqui no blog.

Pra facilitar, copio-o aqui, novamente.

Mas antes, para finalizar, gostaria de dizer que é muito satisfatório pegar um livro que, dentre suas muitas páginas, algumas delas levam algo saído de dentro de mim.

Foi uma grande alegria!!!


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O CACHORRINHO E A DONA SUA


Uma volta. Uma ligeira volta na rua. Um frio de paulistano. Seco. Noite de início. O fluxo de carros era intenso. Corria sempre a vontade de chegar logo. Eu também. Fui comprar crédito na farmácia mais próxima. Nem sinal do sistema. Andei mais alguns momentos procurando outro ponto. Mas o sistema estava realmente: nem sinal. Resolvi. Então. Voltar.

Como se pudera existir em seu ombro um bocado de ternura que arfasse, a dona seguia seu animal pelas ruas escuras do bairro Vila Buarque. Colocou-o no chão, entre travecos, futebol e bêbadas travessuras de universitários de classe média. Seu todo corpo rebaixado, e do tempo que lhe escorria no vão cansaço da consciência, consentia. Ela quase olhava seu cão. Experimentava olhá-lo. Não olhava nada realmente. Resignava não conceber. Reclinava num aspecto de carinho por aquele bichinho pequeno que vestia roupas mais coloridas que as dela, e continuava seu semblante estático pelas ruas lotadas de jovens no início da noite de uma pré-sexta-feira.

Refleti-me dela: o tempo é o senhor da verdade! Disso todos nós saberemos, mais cedo ou mais tarde e, talvez, por apropriação indigesta e embriagada, tentamos nos fazer dele segundo nossas corriqueiras vontades. É a razão e sua escória jogatina. Brinquei uma vez com um amigo de infância sobre sua crença profunda de que não existia Deus e de como seu Niilismo era fanático religioso. A crença no não crer jamais, de maneira alguma, nunca. Ele, por sua vez, vendo minha ironia primitiva, pegou-me de surpresa ao dizer que eu não tinha talento suficiente para uma liberdade descompromissada como aquela. E pra ser sincero, ainda não sei se tinha razão!

O cachorro nunca se desviava de sua falta de compromisso libertino. Quanto talento, meu Deus! Mancava em três pernas. Fixava-se sobre sua própria Trindade. Não tinha rabo e nem porque preservá-lo. Tropeçava em alguma lajota solta, cheirava, lambia alguma poça e continuava seu caminho, guiando a dona sua, cegos da velhice. Arfava de esforço, teimava com ganas de vencer na vida pequena de sua memória instantânea, e ditava, a duras penas, o ritmo da descoberta conjunta. Tentava, por sobremaneira, chegar a qualquer custo monocromático do seu restrito universo de estímulos, e sempre, sempre era capaz de almejar. Um grande vencedor! O macho da casa! O dono da dona!

 - Oww dona, me vê um pão?
 - Não posso. Totó adora o tempero do padeiro!

Um real tempero do desespero. A canil esperança que sobrepuja a hierarquia das espécies. Acredito que esta contra-força meu antigo amigo não conhecia em si. Cachorros que seguem. Humanos que arcam.

Encarregada até as últimas fraquezas com sua falta de gente, continuava a dona acompanhando, sem deixar rastro. Ela também cheirando aqui e ali, ainda que dotada de menos felicidade. Somos muitos iguais! Cutucava uma lata, mexia numa folha, experimentava uma poça. No fundo, todos fazemos isso, com a diferença de que alguns acreditam nas latas, nas folhas e nas poças. Mas ela relutava não latir. Também roía unhas como ato de manutenção independente, coisa que até hoje nunca vira um cão fazer. Restolhos líquidos de uma tátil sanidade roída a custo de solidão. Sua humanidade estava na ponta dos dedos, mas, ainda assim, rosnava de cansaço por algum motivo que lhe afligira há alguns ditames atrás. Ecos da prisão não-verbal e seu calabouço de sensações inconclusas que podem nos levar a balbuciar palavras muito próprias no meio de uma avenida lotada. Era o corpo todo resquício, os seios sem vírgula, a barriga servindo de apoio para as costas, que se apoiavam na barriga, que se apoiava no ventre, que descia aos joelhos e aos não-pés. A personificação do tempo. Era o próprio tempo que ali escorria, sem vírgula, no rosto onde não couber mais. Acalentaria-se, se soubesse, em algum respiro que nunca deu.

O que seriam aquilo?! Cabelos mal tingidos. Raízes brancas de grosso calibre. Mãos inválidas, mas firmes. A derradeira humanidade. Do cachorro ela não se escaparia... Mas nunca completava. Não consegui captar seu olhar, tamanha a distância que lhe parecia existir entre seu mundo e este outro que não é de ninguém. Já o cachorro era o rei. Animalzinho que alavancava uma felicidade o mais profundo que pudesse. Era todo ele um êxtase que demarcava seu território reinado. Encontrou qualquer coisa que o satisfez e seus olhos brilharam no meio das sombras noturnas das árvores ainda possíveis. Assim puderam de novo prosseguir e passaram por mim.

Eles vadiavam no vazio da idade daquele bairro tão conhecido por todos nós. O cachorrinho labiríntico e os subsequentes de si, a dona seguinte, a próxima e a outra, e ele, e mais uma nova, e ainda outra que não se lembrava de nenhuma das suas nas quais ela mesma havia se sentido. Os desdobramentos imediatos do vocabulário sublingual tão comum aos que se esquecem de como se faz para lembrar. Todos dois tão quase iguais, tão diametralmente infelizes. Iam indo, sem se haverem para outros de nós.

Fiquei olhando, só. Já estavam longe por aquelas grades todas enferrujadas da Praça do Rotary. Um grande corrimão do desvão fastio naqueles arredores. O desvão bemol. Era o fumódromo mais soberano e/ou o mictório mais sagrado. As cercanias do cão e sua senhora que ali não restaram, perto da Biblioteca Monteiro Lobato, num país São Paulo que se faz de homens-livros que vencem: futuros velhos de estimação adotados por seus bichos. O tempo é mesmo o senhor da verdade. Mais cedo, saberemos disso mais tarde!

Depois que os senti, não havia mais crianças e nem jovens jogando bola, nem universitários, nem travecos, nem bares. Nem pressa. Não havia mais ninguém. Havia somente uma pessoa de casaco preto que passava de madrugada e agora escreve. Fez-se o fim em mim!

 - Quantos anos tinha o cachorro?! Não sei. Talvez a mesma idade dela! Existe aquela fórmula humano-canina de multiplicar por sete a idade do animal pra descobrir quanto ele teria se fosse gente. Paralelos temporais. Mas isso é mentira, pois se fosse gente já teria morrido igual a senhora. Só acredita viver porque é cachorro e tem a covardia de crer num Niilismo feliz que se esgueira por entre buracos, poças e lixos jogados na calçada de uma praça desvão. Meu amigo venceu! Eu. Não...

O cachorro prosseguiu até o ponto de táxi mais próximo. Eu olhava de longe e a velha sempre olhava assim: de longe. Perguntou algumas coisas pros taxistas passados que não estavam mais. Virou a esquina, e indo, se foi. Só eu estive lá. Latia. Seu cachorro queria continuar. E ela obedeceu. Eu também. Não os vejo nunca mais. E pra dizer a verdade, às cinco da manhã de sexta-feira, nem sei se eram realmente de se existir.



Resenhas 2013 - Marília de Dirceu


Famoso livro do inconfidente e poeta, formado em Direito: Tomás Antônio Gonzaga.

Trata-se de um conjunto de poemas que Gonzaga fez para a brasileira Maria Dorotéa Joaquina de Seixas, de quem fora noivo na época em que morou na Vila Rica, atual Ouro Preto.

Publicou a obra em Portugal quando partiu para seu exílio em Moçambique. Fora deportado, pois, ainda que pequeno, teve envolvimento com a Inconfidência Mineira.

Marília de Dirceu pertence ao Arcadismo, um movimento que prezava por versos simples, que narrassem uma vida sem luxos, ligada a natureza, rebanhando ovelhas, no alto das montanhas e procurava tratar com a realidade, sem grandes assombros romantinescos.

No entanto, segundo alguns lugares que li, Gonzaga, neste livro, já se aproximou um pouco da tendência que sucederia este movimento: o próprio Romantismo, pois ia contra o movimento vigente ao idealizar a mulher amada.

Há uma grande preocupação com a forma. A maioria dos versos são rimados e, mesmo sem ter parado para escandir, acredito que todos eles sejam metrificados.

O livro é dividido em três grandes partes, totalizando 93 poemas:

A primeira delas contém 33 liras, de ritmos semelhantes e frases que se repetem em diversos pontos, dando uma idéia de canto, algo para ser cantado, declamado, acompanhado de algum instrumento, talvez!

A segunda, maior delas, possui 38 liras, que acreditam terem sido escritas na prisão. Nesta parte um teor menos romântico toma conta do escritor. Aqui ele fala um pouco mais da vida, da situação do amor que não pôde se realizar, mas que fica guardado dentro de seu peito.

Já a terceira parte contém, além de 9 liras, uma forma diferente de poema: os sonetos, que totalizam 13.

Apesar de prezar pela simplicidade, ainda assim, o autor mostra um vocabulário extenso e rico em metáforas. É tocante o colorido das palavras de Gonzaga, o quanto ele se mostra engajado na arte da poesia, o quando se preocupa com o bem fazer poético, mostrando um discurso com começo, meio e fim, que se desenrola sutilmente ao longo das liras.

Passagens de narrativas ricas em detalhes da vida, mostrando uma sabedoria inspirada, que nos encanta pela forma como são postas as observações. A incansável exposição de um amor, inserido num contexto, por vezes desestimulante, devido às intempéries da vida e que acabam por levar o autor a um lugar muito distante de sua amada, firmando, na realidade, aquilo que viria a ser um dos temas do Romantismo que se avizinhava.

Alguns a consideram a obra máxima de Tomás Antônio Gonzaga.

E Manuel Bandeira, em suas pesquisas, chega a dizer que nenhum poema escrito em língua portuguesa, a não ser Os Lusíadas de Camões, teve tantas edições.

Apesar de ter sido lançada em Lisboa, no ano de 1792, e ter sido escrita por um português, é considerada um das obras fundadoras da literatura brasileira, pois grande parte da inspiração se deve a uma brasileira e também ao local onde ela fora idealizada: Ouro Preto, a nossa Arcádia, a terra dos poetas pastores brasileiros.

Segue o penúltimo poema do livro, o Soneto XII, onde Gonzaga fala de Vila Rica:


Obrei quanto o discurso me guiava,
Ouvi aos sábios quando errar temia;
Aos bons no gabinete o peito abria,
Na rua a todos como iguais tratava.

Julgando os crimes nunca os votos dava,
Mais duro, ou pio do que a lei pedia:
Mas devendo salvar ao justo ria,
E devendo punir aos réu chorava.

Não foram, Vila Rica, os meus projetos,
Meter em ferro cofre cópia de ouro,
Que farte aos filhos, e que chegue aos netos:

Outras são as fortunas, que me agouro,
Ganhei saudades, adquiri afetos,
Vou fazer deste bens melhor tesouro.




Resenhas 2013 - La Bohéme


A famosíssima ópera de Giacomo Puccini, numa montagem do Theatro Municipal de São Paulo, sob a regência do famoso maestro, fundador da OSESP: John Neschling.

Fui ver no dia 29 de Dezembro de 2013.

A última sessão possível.

Comprei um dos últimos ingressos, no último domingo do ano, numa São Paulo já bem mais vazia do que o habitual.

Fui a pé até lá.

Na saída, passei em frente ao Mc Donnald’s e até ele estava fechado. Estava rolando uma confraternização regada a muito Funk de baixíssima qualidade, afinal, nem só de Ópera vive o mundo!

Os dias de apresentação foram:

10 ter às 20h | 12 qui às 20h | 14 sáb às 20h | 15 dom às 18h | 17 ter às 20h | 19 qui às 20h | 21 sáb às 20h | 22 dom às 18h | 26 qui às 20h | 28 sáb às 20h | 29 dom às 18h

A obra canta o amor de Rodolfo e Mimi.

Ele, um poeta pobre que vive com amigos em locais boêmios de Paris.

Ela, uma florista que sofre de tuberculose.

Neste contexto, se desenrola uma bela e trágica vivência do amor, com muitas passagens de extremo romantismo, sofrimento e músicas belíssimas que vão conduzindo, durante mais de duas horas, ao triste desfecho.

Não há realmente tantas ações sendo desenroladas. O que acontece gira em torno da vida noturna e do amor arrebatador de um homem noturno por uma singela dama que adoece cada dia mais.

Ele descobre um novo sentido de vida que está prestes a acabar. Ela vê seu coração tomado por um sentimento belo, mas que não pode seguir adiante.

Dois universos diferentes unidos por um sentimento único.

As depravações da boemia e a singeleza da flor

O romantismo de um poeta e a inocência de uma mulher de vida simples.

E a unidade saída de dois cantos de uma mesma cidade, de duas formas de vida tão distintas que se unem para cantar o amor impossível. Impossível não pela não aceitação das partes envolvidas, mas incompreensão do destino que tão rápido os fez apaixonarem-se quanto rápido os faria se despedirem pela última vez!

A direção cênica ficou a cargo do francês Arnaud Bernard.

E aliás, os cenários deram um show a parte.

O palco era ligeiramente reclinado, o que ajudava na visualização do conjunto. No fundo, uma colocação de luzes dava a impressão de que o cenário não tinha fim.

Houve momentos do espaço estar coberto de rosas vermelhas, outros de estar forrado com um monte de papel. Este amplo espaço decorado, juntamente com a iluminação, impressionava o público a cada vez que a cortina se abria novamente.

A personagem Mimi foi interpretada pela soprano grega Alexia Voulgaridou e também pela alemã Susanne Braunsteffer.

Já Rodolfo ficou a cargo do paraense Atalla Ayan, do também brasileiro Fernando Portari e do francês Jean-François Borras.





terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Resenhas 2013 - Falstaff


Trata-se de uma comédia, de três atos, numa montagem feita pelo Teatro São Pedro para comemorar os 200 anos de nascimento de Giuseppe Verdi. Essa é sua última ópera e, na época de sua composição, o autor já havia completado 77 anos de idade. Falstaff é sua segunda ópera cômica e, como outros trabalhos deste compositor, trata-se de uma obra baseada num texto de William Shakespeare: As Alegres Comadres de Windsor.

Falstaff é um sujeito meio mau-caráter, que sevicia mulheres casadas, passa a perna em uns e outros, gerando a insatisfação de algumas pessoas que moram na mesma cidade. Aos poucos, estes que foram lesados pela postura do protagonista, resolvem se unir para se vingarem e darem uma lição no safado.

A ópera conta justamente isso:

A confabulação do povo para conseguir realizar o plano, a armação da tocaia, a realização da vingança e, no final, todos cantam juntos sobre a vida, onde devemos mesmo é não levar as coisas a sério, rir mais, não se incomodar com as miudezas.

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É dividida em três atos, sendo que cada um possui duas cenas.

Ato I
CENA 1 - A Taverna e Hospedaria da Jarreteira
CENA 2 - Um jardim, perto da casa de Ford

Ato II
CENA 1 - Uma sala no Garten Inn
CENA 2 - Um quarto na casa de Ford

Ato III
CENA 1 - O exterior da Taverna da Jarreteira
CENA 2 - O Parque de Windsor à noite

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É nessa última cena que se dá a vingança contra Falstaff.

Diversos personagens fantasiados de fadas, bruxas e seres fantasmagóricos, assustam, beliscam, zombam de Falstaff, num crescente que chega a dar dó do velho. Até que o capuz que cobre a cabeça de Bardolfo cai e a farsa se encerra.

Na confusão de fantasiados e mascarados, além desta vingança, outro plano estava em andamento: o de fazer Ford abençoar o casamento de sua filha com Fenton e não com o Dr. Caius, que era com quem ele realmente queria que ela se casasse.

E é nessa confusão toda que todos cantam e se divertem dizendo que o melhor é viver a vida com um sorriso. Até mesmo Falstaff também se sente vingado quando sabe da confusão dos matrimônios e diz a boa e velha frase, tão conhecida de todos:

"Ri melhor quem ri por último!"

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29 de novembro, 01, 05, 07, 11, 13 e 15 de dezembro

Emiliano Patarra - direção musical e regência
Teresa Longatto - regente do coro
Stefano Vizioli - direção cênica
Nicolás Boni - cenários
Elena Toscano - figurinos
Wagner Freire - iluminação


Personagens: 

Sir John Falstaff
Jason Budd / Lício Bruno

Ford
Rodrigo Esteves / Igor Vieira

Alice Ford
Tati Helene / Elisabete Almeida

Mrs. Quickly
Alessia Sparacio / Caroline Jadach

Nanetta
Chiara Santoro / Roseane Soares

Fenton
Luciano Botelho / Aníbal Mancini

Meg Page
Mere Oliveira / Meghan Dawson

Dr. Cajus
Flávio Leite
Bardolfo

Giovanni Tristacci
Pistola
Gustavo Lassen



Resenhas 2013 - Elena



Um dos documentários mais simples, verdadeiros e tocantes que já vi em toda minha vida!

Elena é uma carta a vida e um sussurro de sensibilidade!

Um manifesto de coragem escrito e filmado pela cineasta Petra Costa, que vai a busca de sua irmã desaparecida em Nova York, cidade que ela escolheu para viver, procurando aquilo que sua mãe não conseguira ser: atriz de cinema!

Elena retrata de maneira dolorida os complexos sentimentos daqueles que ficam, diante daquele que se vai!

Mas também retrata com leveza, uma leveza que emana dos olhos dos personagens filmados, da maneira de falar, dos vídeos caseiros mostrados, da câmera próxima, dos cenários naturais, das casas simples...

É difícil realmente exprimir o impacto do filme!



Material caseiro, depoimentos cabisbaixos, falas sinceras, e uma trajetória de limpeza de uma alma, limpeza que se confunde com a própria execução da obra!

Elena toca fundo no tema do suicídio!

O sonho, a busca, a frustração de uma menina e seu desaparecimento!

A saudade, a busca, o sofrimento de sua irmã e sua mãe!

O encontro com a verdade, o sentimento de vazio, a tristeza e o lento e penoso processo de avaliação da covardia e do egoísmo daquele ser tão venerado pela diretora, afinal, Elena era sua irmã mais velha!


E como complemento de tudo isso, a imagem de Ofélia boiando nas águas.

Mas essas também podem ser águas que lavam, que limpam, que ajudam a refrescar e enxergar a realidade da vida que deve prosseguir!

Que lavam a mágoa, que lavam o espírito humano no espírito do tempo no tempo da vida!

E restam os corpos boiando, os corpos renovados, mas que guardam as cicatrizes daquilo que aconteceu!


Elena, por que fizeste isso?! 

Por que ao menos não tentaste compartilhar tua dor?!

Por que?!




Direção - Petra Costa
Produção - Busca Vida Filmes
Roteiro - Petra Costa, Carolina Ziskind
Idioma original - Português
Cinematografia - Janice D'Avila, Will Etchebehere, Miguel Vassy
Edição - Marilia Moraes, Tina Baz


Elena


Resenhas 2013 - Depois de Maio


Um filme francês, passado na década de 70, mostrando o universo dos jovens engajados na luta política da época, sua busca por liberdade, pelo encontro com suas próprias vontades, a vivência do amor, da arte que os permeia e das descobertas diversas que a juventude pode trazer.

O clima é bastante natural!

A iluminação é diferente, amarelada, os atores realmente parecem não estarem sendo filmados e os conflitos são triviais, sem os grandes alardes hollywoodianos.

Gilles, o personagem principal, é artista e, imerso neste universo, acaba indo viajar para a Itália e o Reino Unido, onde vive passagens e conflitos que o fazem mudar de vida, mudar sua concepção de mundo e, deixar de lado, aquele universo quimérico que ele e sua namorada viviam, de festas, drogas, artes e discussões políticas sobre um mundo com suas regras tão distantes do que prega a teoria ufanista.

É como se a efervescência da juventude tivesse ido por terra quando ele se depara com outras passagens que o mostram o quão longe da real realidade ele estava.

Por isso o “Depois de Maio”!

Depois daquele maio, ele nunca mais foi o mesmo!

Nem ele, nem sua namorada,agora já ex, nem seus amigos mais próximos, restando apenas alguns no seu círculo mais próximo.

Gosto dessa temática anos 70, os Hippies, as descobertas da juventude e por isso o filme me agradou bastante!



Diretor: Olivier Assayas

Atores e atrizes:
Clément Métayer
Lola Creton
Félix Armand
Léa Rougeron
Martin Loizillon
André Marcon
Johnny Flynn

Produtor de set -  Nicola Giuliano
Produtora de set - Francesca Cima
Produtor - Nathanaël Karmitz

Roteirista - Olivier Assayas

Equipe técnica
Diretor de fotografia - Eric Gautier
Montador chefe - Luc Barnier
Distribuidor brasileiro (Lançamento) - IMOVISION
Produção - MK2 Productions
Co-produção - Vortex
Co-produção - France 3 Cinéma

Distribuidor no exterior (Lançamento) - IFC Films