quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Você



"Eu amava, como amava, um pescador que se encanta mais com a rede que com o mar..."



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Do livro: Orgulho e Preconceito



"O melhor e o mais sábio dos homens, e mesmo a mais sábia e a melhor das ações pode ser ridicularizada por quem faz da ironia o seu único fim na vida."



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Balanço de 2011



O ano já começou há alguns dias, mas faltava fazer algumas resenhas de obras artísticas que eu tomei contato no ano passado.

Agora está tudo feito!

Vamos a lista!!!




Livros

Foram 21 livros lidos, sendo que “Do fundo do poço se vê a lua” foi iniciado em 2010. Além disso, tem um livro que eu ainda não acabei, a biografia de Fernando Pessoa que, das 700 páginas, 550 eu li entre o Natal e o Ano Novo, mas não entra aqui, porque não foi finalizado.

Rei Lear e Macbeth são peças, mas como eu não fui vê-las no teatro, mas sim as li em livros, coloquei essas duas nesta categoria.

De todos, o que eu mais gostei foi Doutor Fausto, uma obra totalmente clássica. Mas o interessante é que, bem junto a esta, eu já colocaria o Pornopopéia, que é totalmente um desvario entorpecido. Ambos  os livros são muito fodas!!! A lista:

Haikais – Benita Carneiro
Marcas de um tempo real – Benita Carneiro
O homem que queria ser rei e outras histórias – Rudyard Kipling
Antologia Poética – Cecília Meireles
On the road – Jack Kerouac
O Morro Dos Ventos Uivantes - Emily Brontë
Rei Lear – William Shakespeare
Macbeth – William Shakespeare
Grandes Esperanças – Charles Dickens
Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto
Austerlitz – W. G. Sebald
Clarice, - Benjamin Moser
Memórias de um sargento de milícias – Manuel Antônio de Almeida
Pornopopéia – Reinaldo Moraes
Oito contos de amor – Lygia Fagundes Telles
O Mago (Biografia de Paulo Coelho) – Fernando Morais
Doutor Fausto – Thomas Mann
Para gostar de ler – Vol. 9
Livro: Quatro contos
Manifesto do Partido Comunista – Marx e Engels
Do fundo do poço se vê a lua – Joca Reiners Terron




Filmes

21 filmes vistos no cinema. Como eu já disse aqui, filmes que eu vejo na TV, eu não coloco resenha. Acho que dizer o melhor seria difícil, portanto vou dizer os dois melhores, na minha opinião: Cisne Negro e Melancolia. Dois filmes que me tiraram o fôlego!!!

O garoto da bicicleta
A pele que habito – Pedro Almodóvar
Melancolia – Lars Von Trier
Centésima Resenha - O Palhaço - Selton Mello
Um Conto Chinês
O homem do futuro
Medianeiras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual
A árvore da vida
Filhos de João – Admirável Mundo Novo Baiano
Meia noite em Paris
X-MEN: PRIMEIRA CLASSE
RIO
Contracorrente
VIP’S
A última estação
127 horas
Incêndios
O turista
O discurso do rei
Cisne negro
O vencedor (The fighter)




Peças

Foram cinco peças, o que eu achei até bem pouco, já que já teve épocas de eu ir muito mais no teatro. A melhor delas, na minha opinião, sem sombra de dúvidas, foi: Resta pouco a dizer!!!

Oxigênio – Ivan Viripaev
Devassa
Hipóteses para o amor e a verdade
Post 798 - Lamartine Babo (Musical dramático)
Resta pouco a dizer




Música Clássica

Tive um contato com música clássica, que foi quando fui à Sala São Paulo.

2011 - Thomas Adès – Compositor em Residência




Óperas

2 contatos com operas. Uma foi O guarani, que é uma ópera por excelência, e a outra ocasião foi apenas uma homenagem, mas entra aqui como ópera, porque possuía cantores líricos interpretando árias de óperas. O Guarani foi muito mais legal que a homenagem a Puccini.

O Guarani – Carlos Gomes
A ARTE DO CANTO - HOMENAGEM A PUCCINI



2011 - Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto

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Quando fui conferir os livros na estante, vi que havia esquecido de fazer a resenha deste que li mais ou menos em setembro de 2011.
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Portanto, vamos lá!!!
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Um livro dividido em três partes, cinco capítulos por página, mais de duzentas, ao todo.
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O livro conta a história de um anti-herói, um homem comum, que ama seu país, o Brasil, e que faz de tudo para conhecer as belezas desta nação. Lê tudo que fala sobre as terras tupiniquins, suas belezas naturais, sua imensidão, a alegria do povo, a nobreza dos simples.
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Aprende violão porque é o instrumento mais brasileiro, segundo suas idéias. Resolve comprar um sítio, porque acha que a terra do país é fértil e que dará muitos frutos. Estuda os maquinários, planta, é positivo, mas as formigas saúvas acabam, constantemente, com suas esperanças.
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Publica cartas patrióticas nos jornais da época, levando os outros a rirem de suas idéias e de sua inocência. Torna-se motivo de chacota nos meios militares e nas rodas dos botecos do Rio de Janeiro.
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Por fim, se alista voluntariamente na guerra, a favor do governo republicano da época que, após amplo apoio nacional, não consegue se mostrar muito mais eficiente do que os monarcas no governo da nação.
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Acaba triste e acabado, acho que preso, por um mal entendido, ou cilada, não me lembro, que armaram contra ele.
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Um livro histórico que vale a pena passar os olhos uma vez!
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2011 - Haikais – Benita Carneiro

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Um livro primordialmente de amor.
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UMA NOITE
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O vento ao passar...
tinha a força de quem vinha
velozmente amar.
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Temas como, a sabedoria, o sofrimento também estão presentes, mas acredito que em menor número.
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A natureza também está pincelada em singelas rimas espaçadas. E, pessoalmente, os Haikais que falam desta temática, são os que mais gosto!!!
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Dois exemplos:
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BASHÔ
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Já não basta o dia.
Canta e lindamente encanta
a sua cotovia.
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Ou
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FELIZ
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Vestida de sol
andava a flor que beijava
sempre um caracol.
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Num total de 300 Haikais. Ia definir, mais uma vez, aqui no blog, o que vem a ser um Haikai, mas deixo que as palavras da própria autora falem por mim:
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Anotação poética de um momento de elite. Curto e tradicional poema japonês de dezesseis sílabas e três versos, com título, métrica e rima. O primeiro e o terceiro versos com cinco sílabas poéticas, rimando entre si. E o segundo verso com sete sílabas poéticas, rimando o primeiro segmento desse com o último do mesmo verso.
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Gostei muito!!! A forma sucinta do Haikai me atrai bastante!!! Pena que eu não o pratico com tanta freqüência como gostaria...
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2011 - O garoto da bicicleta

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Um filme que se propõe a discutir os limites do amor, do carinho, e mesmo da caridade.
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Uma mulher se encanta por um garoto e resolve ajudá-lo.
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Este garoto, pelo que me lembro, perdeu sua mãe. O pai o abandonou, e ele fica desesperado atrás de sua bicicleta, para resgatá-la. Além disso, o que seria natural, o garoto também quer ficar com o pai.
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Este, por sua vez, não tem condições, ou mesmo não faz questão de ficar com o garoto, restando então, à mulher, uma desconhecida, pegar o garoto para criar.
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Mas o menino está muito revoltado, se envolve com pessoas de caráter duvidoso, torna-se agressivo, agride alguns próximos, some, e assim por diante.
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Neste ponto vemos a proposta de questionamento de, até onde pode ir o amor. Se por um lado, um pai legítimo abandona seu filho sem lhe dizer para onde ia, por outro, uma mulher que nem o conheci, sofre agressões, mas ainda assim, persiste do seu lado, buscando-o, apoiando-o...
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Os atores estão muito bem! Este é, pra mim, o principal ponto forte da película.
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Mesmo o garoto, que naturalmente tem menos experiência de cena, protagoniza passagens fortes, com bastante propriedade.
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Gostei!!!
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Ficha Técnica
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Título original: Le Gamin au Vélo
Gênero: Drama
Duração: 1 hr 27 min
Ano de lançamento: 2011
Estúdio: Les Films du Fleuve / France 2 Cinéma / Archipel 35 / Lucky Red / Eurimages / Canal+ / CinéCinémas / Radio Télévision Belge Francophone / Belgacom TV / Centre National de la Cinématographie / France Télévision / Taxshelter. be / Région Wallone /
Distribuidora: Imovision (Brasil)
Direção: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne
Roteiro: Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne
Produção: Denis Freyd, Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne
Fotografia: Alain Marcoen
Figurino: Maira Ramedhan Lévy
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2011 - Marcas de um tempo real – Benita Carneiro

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Um livro bastante pessoal.
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DIVAGAÇÃO
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Debruçada no passado
eu fico,
diluída no presente
eu vou
desaparecendo na neblina...
oscilante, feminina.
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Deixo marcas de um tempo real,
sem a condição intemporal,
que me agita e não define:
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O que sou, o que fui,
o que deprime?
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Um sutil relato de coisas coletadas no dia-a-dia: poesias feitas para parentes, versos que relembram amigos distantes no tempo, coisas queridas, frutos de algum acaso da rotina.
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Um mural poético de uma escritora que, quando na época da escrita desta obra, já tinha um tempo razoável de vida, de modo que, mesmo sendo mais recorrentes alguns motivos poéticos, mais caros à autora, como o amor e a saudade, vemos aqui, também abarcados, outras temáticas menos recorrentes, que auxiliaram no esgueirar deste painel de pontuais momentos de pausa artística.
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AMOR
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Você
Não me guarda,
Mas se guardasse,
Decerto que não seria
Em papéis, nem em lembranças
Limitadas.
Porque talvez
Eu ficasse além de tudo,
Nas profundezas
Pouco reveladas.
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Uma respeitável coletânea de inspirações, divagações rimadas, versos de palavreado simples, claro, fácil de entender, mas muito fortes, se declamados.
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Uma espécie de trova em potencial, calada, esperando o momento de reverberar no ouvido uno de seus leitores, convidando-os a lançá-los aos outros.
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Mas há também outros poemas mais intimistas, que pedem silêncio e resguardo, restando após sua leitura, uma espécie de sopro sem definição, como é o caso dos que falam de tristezas vividas, decepções, ou mesmo da morte. Como é o caso deste que segue:
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TRANSIÇÃO
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Se a vida
fosse vida,
e se o mundo
fosse meu,
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Se o tempo
fosse o espaço,
e esse espaço
fosse eu,
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Se a hora
fosse agora,
e o momento
fosse adeus.
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De todos os livros da Benita que já li, este, com certeza, está entre os melhores!!!
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2011 - O homem que queria ser rei e outras histórias – Rudyard Kipling

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Livro coletânea de um autor que chegou a ganhar o Nobel de literatura, por sua prosa rápida e inteligente.
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Mas eu não gostei!
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Achei que o problema estava comigo, afinal, o sujeito ganhou um Nobel, né?!
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Mas depois eu vi que era uma questão de gosto mesmo1 Eu até entendi a proposta do autor, mas não está entre as minhas preferidas.
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Achei as descrições meio vazada. Uma prosa mais do que rápida. Uma prosa carente de palavras, carente de força narrativa, de profundidade.
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Enfim, não simpatizei com as história, que são:
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- O HOMEM QUE QUERIA SER REI
- COMÉDIA À MARGEM DA ESTRADA
- MOWGLI, O MENINO-LOBO
- À BEIRA DO ABISMO
- MEU SENHOR, O ELEFANTE
- WEE WILLIE WINKIE
- O PEQUENO TOBRAH
- O TÚMULO DOS ANCESTRAIS
- GEORGIE PORGIE
- NO FIM DO CAMINHO
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É isso!!!
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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

2011 - Thomas Adès – Compositor em Residência





Um projeto fantástico da OSESP!!!

Sempre tive muita vontade de ir na Sala São Paulo, ver a orquestra sinfônica, na sua própria casa. Um sonho que guardava desde quando cheguei a São Paulo. E, enfim, no dia 19 de novembro de 2011, as 16:30 horas, depois de 8 anos e meio aqui na capital paulista, realizei-o.

E este projeto foi especialmente emocionante!

Compositores clássicos vivos (a grande maioria está morta, o que tem seu lado frustrante) apresentam suas obras, sendo que eles mesmos regem a orquestra.

Pra mim, saber que a pessoa que compôs aquela peça está ali, de pé, na frente dos músicos, coordenando a execução dos movimentos, foi realmente tocante!

As obras, como muitos clássicos modernos, são bastante complexas e desconstruídas.

Segue o programa:



Programa:

1) Leos Janácek (1854 – 1928) - O filho do Rabequeiro (1912) - 12 minutos
2) Thomas Adés (1971) – Asyla (1997) - 20 minutos

Pausa

3) Thomas Adés (1971) – Concentric Paths – Concerto Para Violinos, Op. 23 (2005) - 20 minutos
4) Thomas Adés (1971) – Polaris (Estréia Sul-americana) 2010  - 13 minutos



1) Como está escrito, a primeira música, não era do compositor que estava também regendo, por isso não vou comentar.

Mas as outras três sim.



2) Asyla

A Asyla é uma desconstrução total! Pra mim foi a mais difícil de sentir! Parece mesmo que a música nunca deslancha realmente. Há a introdução de instrumentos não convencionais na orquestra. É uma amórfica fusão de climas que caberiam totalmente como trilha para uma bela animação de suspense!

Neste link encontra-se a Asyla inteira:




Depois da louca Asyla, veio uma merecida pausa.



3) Concentric Paths

Uma obra dividida em três partes: I Rings, II Paths, III Rounds.

Durante seus 20 minutos, um homem se contorceu loucamente para dar vida ao um extraordinário solo de violino, como pode ser visto nesses dois links:

O primeiro contendo as duas primeiras partes da obra:

E este segundo contendo a terceira parte:

Foi intensamente aprisionador ver aquele sujeito totalmente tomado pela dificuldade da execução, provavelmente caminhando na fronteira máxima de sua técnica. Ele, inteiro, e até mais do que sua própria possibilidade de ser, era o total da própria música. Não restava espaço para deslizes ou grandes descansos, durante grande tempo da música. Era como se ele fosse escravo da beleza à qual se submetera voluntariamente. Restando àquele pobre ser, somente concentrar-se e seguir adiante, aprisionado ao seu instrumento e às linhas melódicas alucinantes que deveriam ser soadas naqueles minutos. Foi uma experiência muito louca!!!



4) Polaris

E por fim, a que mais me agradou: Polaris.

Pareceu-me o descanso final de todo o processo. Mas, nem por isso, soou como algo mesmo próximo dos clássicos clássicos.

Seguem dois vídeos com ela inteira:



Esta composição, composta em 2010, o que, para a música clássica e, hoje em dia, também para músicas de outros estilos, é bastante atual, tinha a proposta de apresentar um tema que seria multiplicado em cânone, vertendo todos os instrumentos (alguns até espalhados por outros pontos da sala de concerto) numa nuvem de frases que iria se avolumando e intensificando até chegar num ponto máximo. E foi isto!

Não sei se ela é uma composição dodecafônica, mas é bastante misturada.

Ao chegar neste ponto alto, toda a orquestra pára e o tema é INVERTIDO. Ou seja, o tema que deu início à música é tocado ao contrário e isto cria um novo clima que o autor foi desbravando, de maneira, novamente crescente até um novo ápice, onde todos os instrumentos estão totalmente frenéticos desenhando frases.

Após este novo clima, inicia-se a terceira parte que consiste em retomar o tema inicial, mas de uma maneira reorganizada, e mais estruturada, soando mais branda aos ouvidos sem, no entanto, se afastar demais do inicial, ao ponto de não se reconhecer o primeiro tema neste rearranjo. E daí sim a música segue até o fim, não de maneira totalmente harmoniosa, mas mais bela, sim!

Achei esta estrutura um bocado tocante, filosófica e atual!



Vejo o compositor clássico atual como o grande operário das revoluções na estética musical que ainda são possíveis atualmente. Não que isso terá grande alcance, a ponto de muitos (ou todos) tomarem contato com alguma obra clássica do século XXI e notar sua disponível inovação, mesmo após tantos séculos de compositores sublimes que esgarçaram os limites orquestrais até sua quase rebentação.

Na verdade não existe mais, muito bem estabelecida, a divisão clássico-popular. Mas, ainda sim, pelo fato dos compositores clássicos possuírem um método de trabalho mais minucioso e pormenorizado sobre todos os movimentos de suas obras, esta minúcia permite que os diversos caminhos das possibilidades criativas sejam, ainda hoje, mais percorridos que músicas feitas por outros métodos de composição. Não que o popular feito sobre partitura não possa chegar a isso também, mas que é que a partitura é, sublimemente, um instrumento de composição clássica, e o universo do clássico, que pertence muito mais do que outros estilos, a esta metodologia composicional, apresenta-se mais amplo, mais aberto e, ainda hoje, mais rico para as criações. Desta maneira, ele também se apresenta mais aberto para as inovações, mesmo se chamando: clássico.

E reiterado, os compositores clássicos são, novamente, os grandes operários das revoluções, que ainda são possíveis atualmente, na estética da música em geral.