domingo, 28 de fevereiro de 2010

((()))

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Alguém já pensou que a palavra zorra, quando lida ao contrário, vira arroz???
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ZORRA – ARROZ
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Arruaça

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Ainda que dentro da cidade
Ainda sim à margem dela mesma
A margem de mim se desfaz facilmente
Sou peneira poeira
Zueria zuada
Permeado constantemente
Por elementos que não controlo
Um vácuo sem linhas
Um vão não angular
Carente de divisão promissora
Sou tomado pelo que fecho
Sou tomado pelo que desconheço
Sou tomado por mim mesmo
Andando pelos becos
Olhando seco pelas vidraças
Desvio de tudo que observo
Desfaço minhas feições
Nos recreios dos humanos
O humano não se sabe
E eu ainda menos por eles
Procuro reconhecer o vazio
O vazado inócuo
Que enche de malandragem
Os desvios desta vida
Procurando complicar
O que seria simples
Mas simples é complicado demais
Não sou
E acho que nem sou pra ser
Não é ainda minha sina
Sou metáforas de metáforas
De metáforas de metáforas
Um secundário promissor
Um acorde diminuto
Sem esperança nele mesmo
Lotado de nós
Desavenças plantadas
Para que deste desatar
Desacatem minhas sapiências
Explodindo convictas
Estilhaçando meus recantos
Que plantados fracos
Em mim mesmo deverão vingar
E ir e ir e ir
Mas eu não vou
Também não fico
Arrasto convicto
Sabendo que estático
Morro posto que intenso
Meu maior sereno
O sono
Minha maior guerra
O agora
Meu maior medo
O eterno
Minha maior dor
O corpo
Meu maior lamento
A infância
Minha maior risada
O caos
Meu maior sinal
O chão
Minha maior caminhada
O tombo
Isso sou
Nem todos somos
Mas muitos serão
Credulidade peculiar
Calada
Que extravasa
Nos pontilhados semânticos
Sonoros e soníferos
Sentidos todos são
Meus sentidos são demasiados
Um assalto constante
Pedante pré-paz
Exaurido extraio
Minha alma de mim
Caio no sublime esquecimento
Demoro plácido de reviver
Abro olhos e poros
Não quero
Não vou
Volto
Mas o dia renasce
E eu junto dele
Renasço por compromisso
Compromisso do dia
Libertinagem noturna
Rotina arredia
Caminhada soturna
É isso
Não é isso
Não deveria
Mas assim é
Assim faço
Desabo
Desfaleço vivendo
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Poeminha sobre poeminhas

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Um bom começo é o que basta
Um nó no peito
Uma frase bem colocada
Algum conjunto mínimo de palavras
Que me traga a sensação
De que vale a pena prosseguir
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Isto basta para redigir um poema mediano
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Os poemas não gostam de se saberem medianos
Eles gostam todos de sentir
Que você os acha o máximo
Assim eles crescem mais vistosos
Mais corados
Brotam com mais força
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É necessário acreditar nos poemas
Tanto os que os escrevem quanto os que os lêem
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As palavras são ariscas
Elas gostam de se esconder
Caso o ambiente esteja em tumulto
Elas caem em desuso
Se esquecem propositalmente
E fingem uma rebeldia ilustrada
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No fundo elas gostam de vir à tona
Deixarem-se registrar no peito
No papel ou no virtual
Jorrarem frondosas
Flexíveis, reinventadas
Potencializadas por elas próprias
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Gostam de sentir a liberdade do ser criado
Do ser jogado em cantos
Em movimento
Ou mesmo no repouso
Do silencio orgânico
No tempo crucial
Este senhor relativo da sabia memória
Que não pertence a nenhum de nós
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Palavras são como senhoritas virgens
Mocinhas no derradeiro botão da vida:
Potencialmente safadas
Mas também
Sinceramente frágeis!!!
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Poemas são para existirem
Precisamos sempre esvaziar “A Terra dos Poemas em Potencial”
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hierarquia

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Toda hierarquia é temporária. TODA!!!
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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Quarta-feira de cinzas


Ela desatinou, viu chegar quarta-feira

Acabar brincadeira, bandeiras se desmanchando

E ela inda está sambando

Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias

Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando

Ela não vê que toda gente, já está sofrendo normalmente

Toda a cidade anda esquecida, da falsa vida, da avenida

Onde

Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias

Os dias sem sol raiando e ela inda está sambando

Quem não inveja a infeliz, feliz

No seu mundo de cetim, assim,

Debochando da dor, do pecado

Do tempo perdido, do jogo acabado

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Perspectiva Poético-filosófico-suburbana da Causalidade Pós-moderna

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Se pá
Cê pum
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Nunca nada




Conselhos escritos

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Escrevi esses conselhos pra alguém. E como não queria perder as coisas ditas aqui, resolvi postar no blog.
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Vi você falando de depressão, obsessão, controlar pensamentos e etc.
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Sobre assuntos assim, as conclusões que cheguei até hoje são:
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Pensamento dificilmente se controla com pensamento ou com a falta dele. A não ser em casos de meditação e coisas do tipo. No dia a dia não rola muito bem. Não adianta muito tentar tirar a coisa da cabeça colocando outra. É algo mais profundo. O movimento deve vir do QUERER. O querer é a energia mais profunda que pode ser controlada por uma pessoa. O seu querer é o seu objeto mais profundo de transformação. Você deve querer MUITO tirar certas coisas da cabeça. Não é querer pouco não, é querer muito muito muito mesmo.
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Comece colocando no papel, razões são ótimas para nos balancear, mas elas nem sempre resolvem. Não desista. Não tenha preguiça de pensar friamente sobre as coisas que te atormentam. Seja o mais claro possível a respeito de suas obsessões.
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Outra coisa: vigilância!!! Trabalhe pontualmente com suas obsessões. Antes de dormir é uma boa hora. Pense nelas sem desvios, foque nelas quando estiverem muito latentes e teimosas. Cristalize, sinta em si suas melhores conclusões. No resto, seja vigilante com sua mente. É MUITO FODA ISSO!!! É difícil pra caramba, mas a gente deve sempre tentar, sem lamentar por não estar conseguindo. Vigilância é se policiar, constantemente, para não pensar naquilo que trás dor. Complete seu cotidiano com atividades que te agradam, pense em coisas boas se as obsessões vierem. Pense com muita força: “AGORA EU NAO QUERO PENSAR NISSO e eu tenho o direito de não QUERER isso”. Mas nunca fique bravo com você mesmo por estar pensando certas coisas. Ficar bravo consigo só diminui o valor que nos damos e, se estivermos em déficit com nós mesmos, estamos ferrados, pois, eternamente teremos nossa companhia e profunda solidão que pode ser somente amenizada pelo preenchimento interno de nós mesmos, dos nossos vazios. Nunca fique bravo consigo.
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Até agora dois pontos: primeiro, procurar pensar com clareza nos fatos que nos atormentam (se possível escrever sobre eles); segundo, vigilância com a mente.
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Outra coisa que pode ajudar.., Pense num dia de cada vez, pense com muita força: SÓ POR HOJE EU NÃO TEREI CRISES DE ANSIEDADE E OBSESSÕES SE AVOLUMANDO NA MINHA CABEÇA. Se elas vierem, OK, procure passar por cima e começar do zero com a maior esperança do mundo. Não estou dizendo que seja fácil, mas é um caminho de tentativas.
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Quarto e mais importante conselho: REZE. Reze com clareza antes de dormir, peça pelo fim desses tormentos, peça praquele que você mais confia. Reflita com clareza, com força, com firmeza, peça que retirem suas obsessões, que elas sejam varridas da sua memória, dê esta permissão. E ajude colocando os pensamentos nos seus devidos lugares. Reze com força, esmiúce o problema, delimite os pontos principais do seu pedido, seja específica, isso ajuda. Eles nos ouvem. Acenda uma vela, sei lá, pra quem você quiser. Velas são cartas de amor que escrevemos para as almas, já ouvi isso uma vez.
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Já teve diversas vezes que eu fiz isso, rezei com força antes de dormir e ao acordar estava bem melhor. Alguma coisa dentro de mim, que fugia ao meu controle, estava mudada. É muito louco isso!!!
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Quatro pontos principais coloquei aqui:
- Encarar de frente as obsessões e as dores
- Ter vigilância com a mente
- Tentar um dia de cada vez
- Rezar com clareza
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Se o pensamento fosse a instância final do homem, estaríamos perdidos. Seríamos um caos desvairado de seres mutantes e escravos dos pensamentos. A mente é livre, sim, os budistas pregam isso, e isso é maravilhoso, essa é uma condição inalienável dela. Mas, a mente sofre influências de camadas mais internas de nosso ser. O sentimento é uma delas, mas só uma dentre outras.
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Sei que você não acredita, mas preciso falar: a energia que nos colocamos ou que, simplesmente está em nós pelos nossos estágios de evolução de alma, são pontos básicos e anteriores às nossas mentes. Estão mais diretamente ligadas aos nossos sentimentos, mas, mesmo em relação a eles, são anteriores.
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Por exemplo, tem-se obsessões diversas, mas, consegue-se passar um dia bem, fazendo o que for, lendo, estudando, andando pra lá e pra cá, sem cair nas obsessões. De repente começa-se a pensar em coisas desagradáveis, e pensa, e pensa, e pensa mais, e mais e mais e daí já era. Você foi trazendo, pouco a pouco, novamente para a sua memória de curto prazo, para a sua energia, para o seu ser, tudo aquilo que estava adormecido e parcialmente sob controle. Se você conseguir reverter esse processo, usando-se da vigilância, por exemplo, você pode escapar das obsessões.
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E pra finalizar: NUNCA tema suas obsessões. Este é um ponto muito importante. Não sei se te serve de alguma coisa. O medo paralisa, enrijece, enfraquece, nos faz mais medíocres para enfrentar as coisas, nos poda nossas forças. Se o medo vier, caia matando encima dele. Bata de frente com ele.
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Agora pra finalizar messsmo... O ano de 2009 foi pesadíssimo. Há mais de 30 anos que não tínhamos um ano de energia tão carregada. Cada religião explica à sua maneira, outras não se importam com isso. 2010 será mais brando, um ano de prosperidade. Sinta isso em você. Isso também te influencia. Não estou dizendo para acreditar em nada, estou dizendo para sentir suas próprias sutilezas, coisas que escapam ao nosso controle.
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É isso!!! Tente sempre!!!!!!!!!!!!!!!! Mas também saiba o momento de desabar. Desabar também é preciso. O valor do luto, que já defendia Freud. Me disseram sobre isso: a importância do LUTO, se permitir o LUTO, se permitir ser fraco. Mas então, como saber a hora de ceder, de tentar, de esbravejar?!?! Isso são as sutilezas da vida. Para isso é necessário sabedoria. A nós, nos resta tentar. Suicídio é algo extremamente condenável e egoísta... Não rola essa alternativa.
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Temos a obrigação de viver!!!!!!!
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Wagner
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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Memória

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Como é que podemos ter a sensação de que estamos chegando perto de alguma informação esquecida na memória? Se nós não lembramos o que é, essa sensação de estar QUASE lembrando, não deveria existir, afinal, não temos um referencial certo de chegada. É aquele pensar anterior ao pensar claramente. Aquele mais ligeiro, mais volátil. Um pensar ainda não verbal, talvez.
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Novidade

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Criei a oitava divisão de posts. Chama-se: Haikais. Assim eu me forço a escrever mais nesse formato.
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Translucidez

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Madrugada vã.
Impressionante apresso.
Penetro a manhã.
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Pansexualismo

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Madrugada vã.
Impressionante apresso.
Penetro a maçã.
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Nicotina quase Neo-barroca

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Fiz uma poesia. Ficou daquele tipo de poesia meio concretista que não faz questão alguma de ser compreendida. Fica naquele jogo de palavras que às vezes só faz sentido praquele que escreve. Talvez, por isso, essas poesias concretistas sejam admiradas, mas não realmente (decl)amada. São obras de arte, mas não de vida, não de arte-vida, de arte-viva, de arte vivida, vivível. Vai saber!!! São complexas demais, enfim...
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Trago em mim um trago

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Trago em mim um trago
Trago um trago
E trago um trago
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Trago em mim um trago
Persistente pendente
Presente nas minhas veias
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Trago em mim um trago
Que desato num destrato
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Trago em mim um trago
Que me lança em negação
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E então
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Nego a luz
Nego a voz
Nego o passo
Nego o trago
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Nego-me
Desatado destrato
Mas trago em mim um trago
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Um trago que me lança
No vão vácuo da negação
No vértice voz da alucinação
No vínculo voraz da criação
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Vazio compasso
Vasto passo
Que não sinto nos pés
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Escuro esquivo
Esquisito esquema
Sentido sensitivo
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Um passo no vão vil
Do trago que trago em mim
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No escuro esquivo
Que não escapo
Escasso descalço
Caminho contínuo
Por cômodos canônicos
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Nego o trago que trago
Nego o passo que passo
Nego o olho que olho
Nego o ouvido ouvido
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Flutuo etéreo
Do trago que trago
Reparto e reparo
Meu passo pacífico
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Meu passo não passa
Meu passo não prova
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Flutuo vazio
Flutuo valente
Flutuo inexistente
Flutuo de querências
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Demências
Do trago que trago
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Compasso de escarro
Ex-carro corrido
Num trago insano
No dorso do ver
Escuro esquecer
Do esquivo doer
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Agora
Flutuo medroso
Flutuo melindre
Futuro maciço
Furado se extingue
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Agora
Fato quebradiço
Factível nato
Fictício inteiriço
Não passo
Não passo
Fato
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Agora
Trago em mim um trago
Que trago
Pois
Trago de mim
Neste trago
O que não trago de mim:
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O meu intragável
Mal posto
E maldito
Sim!!!
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Sons

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Noite mal dormida.
Ouço, caindo no poço,
Soluços de vida.
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Benita Carneiro
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CARAÇA


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I
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A noite é silêncio bruto que não se deve lapidar…
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Aqui, ali, acolá
O Caraça dorme e se fecham-nos os olhos
Para outros se abrirem em melhor olhar.
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Nos desvãos miúdos, a ninar
Que as matas nos propõem ocultar
Palpitam rincões efervescentes do natural
Seja ele lobo, jaguatirica ou coral
Que cobra, de seu igual-rival
O espaço feito, em si, seminal
De um berço singular
E que agora
Em boa hora
A lua cheia vem banhar.
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No Caraça é bem fácil ver; se ver; se olhar...
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Nesta madrugada, o difícil é enxergar...
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Mas a noite é mesmo silêncio bruto que não se deve lapidar...
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II
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Aqui é mais difícil enxergar:
O minúsculo recôndito
O perplexo centímetro
O trêmulo centígrado
O irrequieto atômico
O calado a caçar.
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Sim, agora é mais fácil se ver do que enxergar...
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À noite, o santuário transpira arisca claridade
O mistério cintilante no ar
Uma luminosidade invisível
A natalidade do silêncio indizível
Na pauta pausada do firmamento-harmonia
De uma transcrita sinfonia
Regida pela maestrina lunar.
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Esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
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O improviso educado dos insetos
O respiro brando dos humanos
E o sino da igreja marcando
O compasso amplo e inalterável do Criador.
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Sim, esta noite é silêncio bruto que não se deve lapidar...
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III
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Já tocam as doze badaladas
Toco eu agora a meia-noite, clamo-a
E, assim, vem densa dama faceira
Ler, por sobre meus ombros, primeira
Estas palavras que tento rimar.
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O Caraça me embala de vida...
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Se Deus é um amplo e profundo silêncio
Palavras podem-me errar
Portanto, para manter este frágil quebradiço sereno
Detenho-me agora, inteiriço pequeno
Na precisão do canto agudo de se calar.
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Afinal, a noite é mesmo um silêncio divino-bruto que não se deve lapidar...
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No Santuário do Caraça - Dia 30/01/10 às 00:15 a.m
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Meu segundo Haikai

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Aproveitando o embalo, modifiquei o primeiro e fiz o segundo.
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Se tentas dizer
Embalas, vil, do que falas.
Sonoro sofrer.

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Meu primeiro Haikai

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Se negas dizer
Embalas, vil, no que calas.
Calado sofrer.
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Este é um Haikai Guilhermino. Além do esquema de 5 – 7 – 5, o primeiro verso rima com o terceiro, e o segundo verso possui uma rima interna (A 2ª sílaba rima com a 7ª sílaba). Seu difusor foi o poeta Guilherme de Almeida, daí a definição de Haikai Guilhermino. É bastante praticado no Brasil.
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