quinta-feira, 30 de novembro de 2006

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

Pasárgada

.
Este post não tem esse nome. Tem o seu nome. Mas novamente digo: prefiro a intensidade do não dito, às falhas do explícito. Segue o texto que me refaz.
.
.
.
Como começar a colocar pra fora algo que ainda não está digerido? Como dizer um até mais ver, sendo que se ver era um instinto, quase um reflexo. Beijar era um reflexo, sorrir era um reflexo, gostar de estar era um reflexo, quase tudo era um reflexo. Reflexo por ser parte das emoções, mas também reflexo por ser conseqüência de uma escolha, um encaminhamento que não queria restrições. Já não podia mais me restringir. Meus olhos tinham perdido demais a inocência pra poder gostar de alguma coisa, aliás, nem de mim eu gostava, que dirá de outros. Mas escolhi a inocência pra poder me permitir a paixão e assim foi, como ainda é. Começou numa conversa, num beijo implorado depois de um tempo de olhares e timidez. Você caiu de cabeça, eu respirei e mergulhei convicto. Apesar da intensidade, eu me sabia ali. Não estou dizendo que você não sabia sobre você, sei apenas que eu escolhi o mergulho. E assim foi. Outubro passou parado numa nuvem de uma noite eterna e enfim, chegou doce novembro pra nos conduzir. E assim fomos entre tantos encontros lindos e despedidas demoradas. Entre tantas horas sem demora, noites de sorrisos e brincadeiras. Me sentia simplesmente ali quando estava aí. 15 dias onde eu consegui, finalmente, viver sem restrições, após meses de eternos poréns "isso" e "aquilo". Após a subida de agosto e setembro, veio enfim um primeiro patamar de cores e luzes estroboscópicas das baladas onde não havia ninguém a não ser nós. Pude respirar melhor, nos ajudávamos a respirar. Uma multidão de pessoas perambulando pra lá e pra cá, e nós em algumas cervejas, 5 para ser exato, muitos cigarros, e multidões de beijos. Os lugares estavam cheios do interior que eu havia criado. Do interior onde você morava. Os lugares estavam cheios de você. A presença continuada apesar da distância. A lembrança do beijo que me encaminhava em busca de outros. As visões do teu sono ao meu lado, que me faziam sonhar de novo. Teus olhos fechados, e a cara em meio ao travesseiro. Depois íamos acordando devagar, com carinhos de aurora, ouvíamos musica, deitávamos no sofá, dormíamos de novo. Passavam sorrisos, piadas, dizeres, ambições, sonhos de crescimento, sonhos de simplicidade, sonhos de paz interna, dizeres que faziam coisas brotarem do estômago e iam subindo até a garganta pra se abrirem num sorriso. A tua declaração e o meu consentimento no não dito que restava em meio à intensidade. 15 dias de doce novembro em que eu fui me embora pra Pasárgada. Tantas pessoas vão pra lá pra ficarem sozinhas e eu encontrei numa companhia o meu caminho pra Pasárgada, a Pasárgada que eu não encontrei nas horas de imensa tristeza. Mas deita aqui no meio peito só mais uma vez pra gente desfazer o nosso nó juntos. Não?! Mas, por que não? Já estás de saída e eu ainda sonho com o momento daquela chegada naquele dia em que alguma coisa me dizia, que se eu fosse lá, algo mudaria. Evitei aquele local por algum tempo, mas aquele dia fui e naquele dia estava lá você. Naquele dia nasceu uma semente de nós, e hoje hiberna o nosso conjuntivo. Tornou-se um aposto explicativo, semi-conclusivo ao telefone. Restou a promessa de companhia, a quinzena em Pasárgada, as músicas de Elis, Bethânia, Adriana, Milton, Chico, Celine Dion. Rssss. Mas restamos nós também acima de tudo. Eu creio no poder das palavras escritas, por isso tento fazer deste escrito o meu aposto conclusivo, para que o seu deixe de ser um semi como eu disse acima. E te conheço, boto fé em você. Eu me conheço e por isso sei onde parar e por onde ir. Mas e essa dor de coisa arrancada que está aqui dentro agora? Vai passar. Tudo passa. Me resta teus olhos, um cabisbaixo de olhares, o sorriso na lembrança daquilo que foi bom. Escolhi a inocência. Sinceramente escolhi para poder de novo me apaixonar. Fui fomos, agora paramos em primeira pessoa do plural com alguma coisa em singular, que é melhor ficar em segredo. (Você sabe...) Tinha pensado em muito mais coisas pra falar aqui. Suas virtudes, as nossas paragens, mas as coisas me fogem da memória. O que resta agora é a dor da coisa arrancada de repente, quando ainda estava germinando sossegada. Uma semente tão bela, tão bem cuidada, tão sensata. Mas passa. Digo e repito, pois sei que me persuado assim. Não vou te persuadir. Sabes do amadurecimento que por vezes acontece em meio à inocência. Novamente a inocência. Logo após nossa conversa, a primeira música que me veio à cabeça, foi justamente uma que marcou uma outra paixão que se foi e ela é mais ou menos assim: “São enfim os ciclos que passam mesmo que em memória parados estejam/ São faces que se festejam/ De forma plena em plena arena de circos vivos/ Passam anos, cores e perigos/ E que de suas histórias gratificantes glórias/ Sobrou marcado no corpo e na memória/ O tão singelo e senil final/ Pois nada que vive tem plena honra de ser imortal”. Insisto em dizer do fim, pois me refiro especificamente a isso que passou. Admiro nossa coragem, tanto no chegar quanto no sair, mas a porta está aberta e que venham as baladas pra gente fluir noite adentro, vida afora. Você marcou um ciclo, ou o começo de um ainda maior. Fez história na minha história. Arranco agora de mim a dor da companhia arrancada. Acredito no convencimento que este escrito me gera. Não acreditaria em outras épocas, mas hoje sim. Obrigado por ter me ajudado na reconquista da minha inocência. Teus olhos foram fundamentais. Mergulhamos reciprocamente num misto de azul-verde-castanho, e isso me basta. Fiquemos bem, pois estaremos em nós. Mas antes do fim, queria deixar outra música que me comove mais ainda que a citada acima e que eu já cantei ela uma vez pra você. Ela é do Milton e diz assim:
.
Se um dia a gente se encontrar
e eu confessar
que vi um filme tantas vezes
para desvendar os olhos teus.
E se a gente se falar
contar as coisas que viveu
o que esperamos do amanhã
será que pode acontecer?
Pois, paralelo ao personagem,
eu quis saber mesmo é de ti.
.
Queria que fosses feliz
uma água calma a inundar
a sua margem de carinho
um peito aberto a quem chegar.
.
Como o teu nome, diferente
Uma paisagem nos induz
Uma paisagem de inocência
Mas que se sabe e que conduz.

.
Conduz agora este momento
O pensamento e os olhos meus
brilhando de emoção e grato
alguém que só te conheceu
num filme que viu tantas vezes.
.
Este poema aconteceu.
.
.
.
Quase choro agora, mas essa virtude eu ainda não reconquistei.
.

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Oração para a reconquista da sanidade

Vira e mexe eu volto nesse tema, mas fazer o que. Cada vez ele se relaciona com alguma coisa, mas o centro é sempre o mesmo.
.
.
.
Que o senhor esteja contigo
E assim ele estará no meio de nós
Corações ao alto e avante
Cavaleiros sem casa e quase sem cabeça
.
Assim se inicia iniciamos nosso rito de sanidade
.
Mas como acalmar tudo que me rodeia
Como calar a voz para falar com deus?
Como num mundo de muitos ditos
Poderei eu ficar quieto sem me desesperar?
Ouvir tanto, ter que falar tanto
E sempre saber calar-me para ver as sutilezas?
.
Num mundo digital, como poderei eu
Desligar-me das milhões de páginas?
Pedir um indício
E ver uma borboleta pousar do meu lado
Bem no ato do desafio
Como hoje aconteceu?
.
E como saber onde mora a verdade na força que me vem
Toda vez que eu penso na companhia do que tudo sabe?
.
Como saber sobre algo que mora em energias?
Que se diz sem dizer?
Que se afirma no renegado?
Que se presencia na ausência?
Que se ama e se odeia num misto de humanidades divinas
Num misto de fraquezas que constroem fortalezas
Erguem edifícios, mas preferem morar nas borboletas?
Que são invocadas pelos corais
Mas canta no desafinar humilde do sem jeito?
Que ilumina o mundo
Mas prefere a sombra dos viadutos?
Que tem imagens adoradas por multidões
Mas que chegam de manso nas horas de solidão?
Que jorram sangue por ele
Mas que habita também com tanta intensidade
As travessias de uma criança sem religião?
Que dizem estar nos templos
Mas que só fica sossegado quando está dentro do coração tranqüilo?
DEUS???
Muitas interrogações
.
As criações craniais são submersas do mundo
Não chegam aos outros
Inofensivas aos olhos invasores
Mas mortais aos que me olham de dentro pra fora
.
Rogo a liberdade do momento em que aquietam-se meus ânimos
Em que aquietam-se nossas ansiedades
Nossos dizeres internos
Nossas razões tão próprias tão verdadeiras e sensatas
Mas tão frágeis e manipuláveis por substâncias humanas
.
As percepções são falhas por isso têm a humildade
De aceitarem serem chamadas de percepções
.
As percepções não cabem no mundo
Mas um mundo pode ser contido numa percepção
.
Por isso rogo a liberdade do esclarecimento da fé
Que fortalece a parte superior do crânio
Que dissipa as anoções de realidade
Que me fizeram tão mal.
Perderam se todas no ato de me perderem dentro de mim
.
Fomos ao fundo
Um inebriante túnel de escuridões
Que nem sei onde éramos naquelas eras de dormência
.
Perdi a todos, pois perdi-me
Por isso rogo a certeza medida da fé
Que se permite crer sem desavenças
.
Rogo a transparência da vida
A longevidade das parcerias
A mansidão do que não acaba amanhã
Rogo pelo esclarecimento
De mim a mim
Que nada é pra agora
São infinitas as possibilidades de caminhos
São tantos os caminhos que abrem em alimento para a alma sã
Como diz uma música minha que mora no meu caderno velho
.
Rogo pelos planos bons
Mas rogo antes disso
Pela tranqüilidade que pode me levar certeiro
A qualquer um dos planos construídos
E homeopaticamente conquistados em meio a ela
.
A ansiedade mata
A tristeza desespera
A dor escava o corpo
Mas fortalece a alma e pode até libertar
A tristeza não
A tristeza prende-se nela mesma
Não há saídas imediatas
Os desafios pequenos viram impossíveis
Mesmo que sejam os mais fáceis
.
Por isso os céus cobrem tudo
Você já olhou pro céu hoje?
.
Ele sempre está lá
Mas não olhamos
Não vemos
Não nos vemos
.
O manto azul está em redoma sobre os filhos
Por isso realce as felicidades
Desfoque-se do passado obscuro
As lembranças trazem realidades que podem se restaurar malignamente
.
Por isso realce
A oração do realce do que é do bem
Ferramentas temos todos
Feitios feitiços benignos
O mágico liberta-nos
Fica no limiar do palco
Ou na casca da aura
O que dá na mesma
.
Rogo santa cabeça
Que se expanda em reconquistas
Agora que tegretol não é mais necessário
Saio e prefiro acreditar na certeza inteira
Sem tantos malefícios da sensatez exagerada
Deixe-me inebriar-me de bom grado
.
Mais frágil, porém mais firme
Menos novela e mais movimento
Olhos abertos ainda que com alguns graus a mais
Por isso venha o que vier
Faço das palavras um rito de fortalecimento
Faço deste escrito uma profissão de fé
Preciso de mim muito mais do que sempre e acho que enfim posso ter
.
Aleluia, amém.

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

O mundo

.
Achei esse escrito perdido numa pasta do meu computador, e como estava muito a fim de postar, peguei ele mesmo e botei aqui. Sinceramente eu não acho essa poesia muito boa não, mas é interessante algumas brincadeiras que eu fiz com as palavras. Outra coisa, eu não fiz esse troço pra postar num blog, resolvi postar ele só agora que eu achei por acaso. Por isso vocês podem ter certeza de que ele é 100% sincero já que eu tinha escrito ele só pra mim. É claro que ele passou por uma análise agora (rsssss) antes de eu postar, mas não mudei nada. Segue aqui:
.
.
I
.
O mundo é imagético
Todos somos muito mais voz que ouvido
Mais lágrimas que abraços
Mais laços que nós
E isso é muito mais que nós (escritor – leitor)
É gênero – geral – genético – genital
.
Animal máquina que expele
Pela pele que não é mais (ex-pele)
São poros abertos de enjôo zôo
Zoológico dos infernos
Jaulas impostas e outras tantas escolhidas
Já não mais colhidas (ex-colhidas)
São recolhidas, recatadas, recatantes em:
Inércia... re – cativa.
.
II
.
Mira miragens de meus irmãos - eus
Mira miragem o umbigo que sou
Mira viagens dos sonhos inconclusos
Que saem felizes
Mas caem em deslizes
Do ser que não interage - excluso.
.
Mira viagens as voltas sem rumo
Mira coragens o covarde senhor
Vira viragens infecto – contagiosas
As bactérias mimosas, mamam nos seios
Aceios, receios, re – seios recíprocos
.
Te passo alimento, me passas rancor
Te passo rebento, não sabes quem sou
.
O alimento elemento doativo donativo
Adoecente adolescente minguante
Cantante menor de melodias lunares
A Terra mundo muda muda (voz – não)
Cansativa da persistência
Desistente da veemência
Freios estridentes ex – tridente de deuses
Gastos ainda que pedra dura.
.
III
.
Renascer do que resta, restolhos, retratos, fiapos
De forças das morças noturnas
.
O mundo dormente mente fortaleza
Respira neblinas, soletra poemas do silêncio
Amâncio amado, amado alado
A aurora te enamora, e devagar vigora
Agora rogando recados celestiais
Rasgando o Netuno noturno fundo
Da morte à vida recíproca da morte.
.
Corte de horizonte deitável delirante
Abre o sorriso luminoso numa glória
Que sorri e sorri cada vez
Engole de luzes o mundo mudo
Pois o escaldante ri – ris
.
Mas sua e re – soa os sonhos
Encharcam os olhares
E se derrete – me em pó de esperança.
.
.
Wagner Passos de Sousa Pinto
.
Não sei a data (primeiro semestre de 2006 – na faculdade)

sexta-feira, 24 de novembro de 2006

POSTAGEM 186

.
Como o post de ontem já teve 4 comentários, e eu admito que eu gosto muito de comentário no meu blog (rssss), resolvi postar esse troço aqui que pensei ontem na hora que eu estava vindo pro serviço:
.
Exercício de sua subliminarização das coisas
.
1 + 2 + 87 + 49 + rjbd = 1.349.852
.
W p k s 135 x (2423)² = §
.
(légios) – nov = 000,001
.
Calendário Escárnio & CIA
.
23 $ @ yahoo.com.br
.
Macro bióticos desfeitos
.
Sentidos% se e somente se V£ diferente de 2,5
.
123456789 / 987654321 = XXXXXXXX
.
123456789 / 123456789 = 987654321
.
.
.
Escrevi isso quase que sem passar um sentido bem feito pra cada uma das linhas na minha cabeça. Quando começava a fazer muito sentido pra mim, eu escrevia alguma coisa que não tinha nada a ver pra deixar o sentido mais nebuloso. O exercício de subliminarização das coisas foi tão bom que até de mim mesmo eu subliminarizei. Nem eu explico, mas Freud eu tenho certeza que sim. rsssss. Talvez eu também.,.,,. rsss. As verdades internas são fodas...
.

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Que tal arriscar um poema agora? Quase 6 da tarde!!!

.
Acho que vou escrever sobre o sol que brilha lá fora.
Talvez não.
Melhor escrever sobre o que passa aqui dentro
Muito mais intenso
Ou..
Muito mais horrendo
Se morrendo em morte menor.
Muito mais ascendente
Se crescente em escala maior.
Muito mais sentido
Se ouvido em tom diminuto.
Porém menos diminutivo
Se constitutivo de cada minuto.
Muito mais que morrendo
Se muito mais que assim seja.
.
Pois é,
Morrer por atrofia de banalidades
Morrer por ser sufocado pela força própria
Morrer porque só assim havemos e principalmente
Haverei de viver disse alguém.
.
Também:
.
Um dia Santo Agostinho disse que só sabe dizer não
Aquele que se constitui de permissivas humanidades.
.
Outro dia um mendigo disse que só sabe comer
Aquele que se dá ao luxo de não enojar a própria merda.
.
Mais outro dia aí disse um avô qualquer que só reclina as costas
Aqueles que têm olhos frágeis.
.
Mês passado uma girafa disse que do pó do céu
Nascerá um algodão automático que será capaz de coçar além do seu rabinho.
.
Um dia desses a flor disse que as vitrines
São bebedouros às avessas.
.
Em algum lugar do passado o futuro do pretérito disse
Que não se deixaria rebaixar a presente. Virou condição eterna sem existir.
.
No futuro certeiro a possibilidade brincou e bradou dizendo
Que vinde a mim as criancinhas.
.
E mais um etc de dizeres.
.
Faça o seu você também. Tire palavras da boca dos outros. E jure que não foi você que disse.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Poema cíclico-finito

.
.
Havia...
.
Um piano
ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
.
E então...
.
Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto da voz
no eco do ventre
no som do sonar
na valsa da noite
no espaço do mar
no fundo do abismo
na casca do olhar
no suspiro da mágoa
no choro do parto
que ecoa do quarto
da criança do lar.
.
O convite e...
.
Agora o piano
ali
parado
cantante
na hora do treino
no som do luar
na tarde faceira
nas horas ligeiras
da dama a cantar
no poema mineiro
em montanha azulada
de aura amada
tão perto do céu
reluzente em véu
mas tão longe do mar
.
Vem a brisa...
.
E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo da sala
no mudo da casa
no mudo da vida
no mudo do mundo
no resto do sonho
no grito do pranto
no leito da morte
no ventre da vida
nos braços de outro
nas preces dos teus
no barco além mar.
.
Não houve...
.
E o piano,
Que pede teus sons
Que chora no canto
Que nega teus toques
Nas teclas vibrantes
Que seca os olhos
Que queima mais um
Que sai pra balada
Que volta amanhã
Que corre na chuva
Que peca no beijo
Que vive em duplas
Que dorme aí
Que bebe e sorri
Que tantas as coisas
Que tantas nos somos
Que tantos nos eram
Que pouco propomos
Que muito sonhamos
Que nada nos fomos
Que mais poderíamos
Que outros quiseram
Que outros já não
Que eu vou me embora
Que está em boa hora
De curtir solidão...
.
Mas e o piano???
Onde está o piano???
.
ali
parado
calado
no canto da sala
no canto da casa
no canto da vida
no canto do mundo
no resto do sonho
no mudo do pranto
na hora da morte
no leito da vida
nos braços do céu
nas preces de deus
no alvo do amar.
.
Mas e então...
O que vem???
.
Umas notas
ali
plácidas
cantantes
no canto
no eco
no som
na valsa
no espaço
no fundo
na casca
no suspiro
no choro
que ecoa
da criança
.
Sei, sei... Mas???
.
Mas agora o piano
ali
parado
cantante
na hora
no som
na tarde
nas horas
da dama
no poema
em montanha
de aura
tão perto
reluzente
mas tão...
.
Vem a brisa...
Eu sei, eu sei, e daí??? As notas, cadê???
.
E as notas
ali
plácidas
caladas
no mudo
no mudo
no mudo
no mudo
no resto
no grito
no leito
no ventre
nos braços
nas preces
no barco
.
Não houve... Que pena!!!
Fiquei triste por você!!!
.
E o piano,
Que pede
Que chora
Que nega
Nas teclas
Que seca
Que queima
Que sai
Que volta
Que corre
Que peca
Que vive
Que dorme
Que bebe
Que tantas
Que tantas
Que tantos
Que pouco
Que muito
Que nada
Que mais
Que outros
Que outros
Que eu vou
Que está
De curtir
.
Mas e o piano???
Onde está o piano???
.
.
.
.
.
.
.
Responde...
.
.
.
.
.
Responde...
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
Hummmm!!!!
.
.
.
.
.
Fim...
.

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Uma postagem importante...

Já fazia um tempo que eu queria mudar a descrição do meu blog porque aquele troço de “esse é um blog do blogspot que serve só para escrever algumas coisas. Até parece que isso é verdade” tava uma BOSTA completa né, fala sério!!! Então pensei nessa frase que tá aí encima e essa postagem serve para demonstrar a amplitude de significados dela, que não é tão vasta assim, mas tem a sacada da palavra canto “de voz” e “de lugar”, e também tem o esquema dela ter duas interpretações que dizem coisas diferentes, mas as duas cabem bem para o blog e o que eu penso dele. Então, para ilustrar, eu fiz esse dialoguinho aqui debaixo, adoro fazer diálogos. Espero que ele mostre esses significados, mas é coisa tranquila, nada de mais. Falou...
.
- Olá, você sabia que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ"?
.
- É você quem está dizendo. E se está dizendo é porque deve ser, afinal, você é o dono do blog.

- Até aí, dono por dono, você também é dono desse blog, esqueceu?

- Não, não esqueci. Mas eu só queria entender uma coisa...

- Ahhh, pode dizer.

- Afinal, esse é o canto em que se fez a hora e a vez do canto, ou será que esse é o canto em que o canto fez a hora e a vez?
.
- Pra ser sincero nem eu sei. Só sei que "ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ".
.
- Tá cerrrto!!! Deixemos assim... Até mais ver, rapaz.
.
- Até mais!!!
.
.
.
.
E essa foi mais uma vez em que "ESSE FOI O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ".
.
(As frases podem-se integrar de maneira a tornarem-se quase substantivos...)
.
.
.
.
"ESSE É O CANTO EM QUE A HORA E A VEZ DO CANTO SE FEZ"

Diário de Bugrinha (Excertos)

Mais uma do Manoel de Barros (1925)
.
22.1
O nome de um passarinho que vive no cisco é joão¬ninguém. Ele parece com Bernardo.
.
23.2
Lagartixas têm odor verde.
.
2.3
Formiga é um ser tão pequeno que não agüenta nem neblina. Bernardo me ensinou: Para infantilizar formigas é só pingar um pouquinho de água no coração delas. Achei fácil.
.
23.2
Quem ama exerce Deus — a mãe disse. Uma açucena me ama. Uma açucena exerce Deus?
.
2.3
Eu queria crescer pra passarinho...
.
5.3
A voz de meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça pra baixo. Estou deslendo.
.
5.6
O frio se encolheu nos passarinhos. Ó noite congelada de jacintos! Eu estou transida de pétalas.
.
7.8
O pai trouxe do campo um filhote de urubu. Ele é branco e já fede.
.
12.8
As garças descem nos brejos que nem brisas. Todas as manhãs.
.
10.9
Um sapo feneceu 3 borboletas de uma vez atrás de casa. Ele fazia uma estultícia?
.
13.9
A mãe bateu no Mano Preto. Falou que eu não apanhava porque não dei motivo. Subi no pico do telhado para dar motivo. Aqui de cima do telhado a lua prateava. A mãe disse que aquilo não era motivo.
.
19.9
Uma égua iniciava meu irmão. O pai ralhou com ele. Meu irmão foi entrando para inseto até desaparecer. Ficou dentro do mato até amanhã.
.
1.1
O Bernardo fala com pedra, fala com nada, fala com árvore. As plantas querem o corpo dele para crescer por sobre. Passarinho já faz poleiro na sua cabeça.
.
2.2
A mãe disse que Bernardo é bocó. Uma pessoa sem pensa.
.
5.2
Sem chuvas, já reparei, as andorinhas perdem o poder de voar livres.
.
29.2
Hoje o Lara morreu picado de cobra. Fizeram seu caixão de costaneiras. Meu avô encostou no caixão. Ué, eu que morri e quem está no caixão é o Lara! Meu avô enxergava mal.
.
2.1.1926
Catre-Velho é um ser confortável para moscas. Ele nem espanta algumas.
.
12.1
Choveu de noite até encostar em mim. O rio deve estar mais gordo. Escutei um perfume de sol nas águas.
.
1.3
As árvores me começam.
.
1.4
Uma violeta me pensou. Me encostei no azul de sua tarde.
.
10.4
Os patos prolongam meu olhar... Quando passam levando a tarde para longe eu acompanho...
.
21.4
Pensar que a gente cessa é íngreme. Minha alegria ficou sem voz.
.
22.4
Hoje completei 10 anos. Fabriquei um brinquedo com palavras. Minha mãe gostou. É assim:
.
De noite o silêncio estica os lírios.
.
Extraído do "Livro Sobre Nada" (Arte de Infantilizar Formigas), Editora Record - Rio de Janeiro, 1996, pág. 29.
.

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

O Livro sobre Nada - Manoel de Barros

.
• Com pedaços de mim eu monto um ser atônito.
• Tudo que não invento é falso.
• Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.
• Não pode haver ausência de boca nas palavras: nenhuma fique desamparada do ser que a revelou.
• É mais fácil fazer da tolice um regalo do que da sensatez.
• Sempre que desejo contar alguma coisa, não faço nada; mas se não desejo contar nada, faço poesia.
• Melhor jeito que achei para me conhecer foi fazendo o contrário.
• A inércia é o meu ato principal.
• Há histórias tão verdadeiras que às vezes parece que são inventadas.
• O artista é um erro da natureza. Beethoven foi um erro perfeito.
• A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos.
• Quero a palavra que sirva na boca dos passarinhos.
• Por pudor sou impuro.
• Não preciso do fim para chegar.
• De tudo haveria de ficar para nós um sentimento longínquo de coisa esquecida na terra - Como um lápis numa península.
• Do lugar onde estou já fui embora.
.

terça-feira, 7 de novembro de 2006

Seis de novembro

Nesta data querida, além de “muitas felicidades e muitos anos de vida” digo também essa frase: “A saudade era tanta que até o céu chorava”. Realmente “quando chove, tudo faz tanto tempo” que o céu não consegue de novo se conter e despenca manso, sem pressa, molhando a gente devagar, enquanto caminhamos pelas ruas. Há um coelho logo ali, uns discos acolá, umas músicas dos dias que se passaram. Há lá também um olhar demorado cheio de sorrisos, guardado dentro de cômodos, e eu me pergunto porquê? Por que essa beleza tão certeira e digna ainda se reclina tímida pra passar despercebida pelos cruzamentos da vida? Naquele canto lá onde só a gente está, tudo parece mais brando e bom que a presença continua apesar da distância. Nesse dia que se encerra, eu me encerro com um pedaço a menos de mim, porque não estou em ti. O dia se encerra, e eu aqui ouvindo Elis emanando Milton e pensando na beleza da amizade, na pureza da paixão. Quem diria, eu dessa maneira, hein. Wagner meu filho, como você é corajoso. Avante cavaleiro, sempre. Um beijo.

sexta-feira, 3 de novembro de 2006

PaRa CoLo-RiR

.
O que é uma sexta-feira sem muito serviço, não é verdade minha gente!!! - rssss
.
.