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Este post não tem esse nome. Tem o seu nome. Mas novamente digo: prefiro a intensidade do não dito, às falhas do explícito. Segue o texto que me refaz.
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Como começar a colocar pra fora algo que ainda não está digerido? Como dizer um até mais ver, sendo que se ver era um instinto, quase um reflexo. Beijar era um reflexo, sorrir era um reflexo, gostar de estar era um reflexo, quase tudo era um reflexo. Reflexo por ser parte das emoções, mas também reflexo por ser conseqüência de uma escolha, um encaminhamento que não queria restrições. Já não podia mais me restringir. Meus olhos tinham perdido demais a inocência pra poder gostar de alguma coisa, aliás, nem de mim eu gostava, que dirá de outros. Mas escolhi a inocência pra poder me permitir a paixão e assim foi, como ainda é. Começou numa conversa, num beijo implorado depois de um tempo de olhares e timidez. Você caiu de cabeça, eu respirei e mergulhei convicto. Apesar da intensidade, eu me sabia ali. Não estou dizendo que você não sabia sobre você, sei apenas que eu escolhi o mergulho. E assim foi. Outubro passou parado numa nuvem de uma noite eterna e enfim, chegou doce novembro pra nos conduzir. E assim fomos entre tantos encontros lindos e despedidas demoradas. Entre tantas horas sem demora, noites de sorrisos e brincadeiras. Me sentia simplesmente ali quando estava aí. 15 dias onde eu consegui, finalmente, viver sem restrições, após meses de eternos poréns "isso" e "aquilo". Após a subida de agosto e setembro, veio enfim um primeiro patamar de cores e luzes estroboscópicas das baladas onde não havia ninguém a não ser nós. Pude respirar melhor, nos ajudávamos a respirar. Uma multidão de pessoas perambulando pra lá e pra cá, e nós em algumas cervejas, 5 para ser exato, muitos cigarros, e multidões de beijos. Os lugares estavam cheios do interior que eu havia criado. Do interior onde você morava. Os lugares estavam cheios de você. A presença continuada apesar da distância. A lembrança do beijo que me encaminhava em busca de outros. As visões do teu sono ao meu lado, que me faziam sonhar de novo. Teus olhos fechados, e a cara em meio ao travesseiro. Depois íamos acordando devagar, com carinhos de aurora, ouvíamos musica, deitávamos no sofá, dormíamos de novo. Passavam sorrisos, piadas, dizeres, ambições, sonhos de crescimento, sonhos de simplicidade, sonhos de paz interna, dizeres que faziam coisas brotarem do estômago e iam subindo até a garganta pra se abrirem num sorriso. A tua declaração e o meu consentimento no não dito que restava em meio à intensidade. 15 dias de doce novembro em que eu fui me embora pra Pasárgada. Tantas pessoas vão pra lá pra ficarem sozinhas e eu encontrei numa companhia o meu caminho pra Pasárgada, a Pasárgada que eu não encontrei nas horas de imensa tristeza. Mas deita aqui no meio peito só mais uma vez pra gente desfazer o nosso nó juntos. Não?! Mas, por que não? Já estás de saída e eu ainda sonho com o momento daquela chegada naquele dia em que alguma coisa me dizia, que se eu fosse lá, algo mudaria. Evitei aquele local por algum tempo, mas aquele dia fui e naquele dia estava lá você. Naquele dia nasceu uma semente de nós, e hoje hiberna o nosso conjuntivo. Tornou-se um aposto explicativo, semi-conclusivo ao telefone. Restou a promessa de companhia, a quinzena em Pasárgada, as músicas de Elis, Bethânia, Adriana, Milton, Chico, Celine Dion. Rssss. Mas restamos nós também acima de tudo. Eu creio no poder das palavras escritas, por isso tento fazer deste escrito o meu aposto conclusivo, para que o seu deixe de ser um semi como eu disse acima. E te conheço, boto fé em você. Eu me conheço e por isso sei onde parar e por onde ir. Mas e essa dor de coisa arrancada que está aqui dentro agora? Vai passar. Tudo passa. Me resta teus olhos, um cabisbaixo de olhares, o sorriso na lembrança daquilo que foi bom. Escolhi a inocência. Sinceramente escolhi para poder de novo me apaixonar. Fui fomos, agora paramos em primeira pessoa do plural com alguma coisa em singular, que é melhor ficar em segredo. (Você sabe...) Tinha pensado em muito mais coisas pra falar aqui. Suas virtudes, as nossas paragens, mas as coisas me fogem da memória. O que resta agora é a dor da coisa arrancada de repente, quando ainda estava germinando sossegada. Uma semente tão bela, tão bem cuidada, tão sensata. Mas passa. Digo e repito, pois sei que me persuado assim. Não vou te persuadir. Sabes do amadurecimento que por vezes acontece em meio à inocência. Novamente a inocência. Logo após nossa conversa, a primeira música que me veio à cabeça, foi justamente uma que marcou uma outra paixão que se foi e ela é mais ou menos assim: “São enfim os ciclos que passam mesmo que em memória parados estejam/ São faces que se festejam/ De forma plena em plena arena de circos vivos/ Passam anos, cores e perigos/ E que de suas histórias gratificantes glórias/ Sobrou marcado no corpo e na memória/ O tão singelo e senil final/ Pois nada que vive tem plena honra de ser imortal”. Insisto em dizer do fim, pois me refiro especificamente a isso que passou. Admiro nossa coragem, tanto no chegar quanto no sair, mas a porta está aberta e que venham as baladas pra gente fluir noite adentro, vida afora. Você marcou um ciclo, ou o começo de um ainda maior. Fez história na minha história. Arranco agora de mim a dor da companhia arrancada. Acredito no convencimento que este escrito me gera. Não acreditaria em outras épocas, mas hoje sim. Obrigado por ter me ajudado na reconquista da minha inocência. Teus olhos foram fundamentais. Mergulhamos reciprocamente num misto de azul-verde-castanho, e isso me basta. Fiquemos bem, pois estaremos em nós. Mas antes do fim, queria deixar outra música que me comove mais ainda que a citada acima e que eu já cantei ela uma vez pra você. Ela é do Milton e diz assim:
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Se um dia a gente se encontrar
e eu confessar
que vi um filme tantas vezes
para desvendar os olhos teus.
E se a gente se falar
contar as coisas que viveu
o que esperamos do amanhã
será que pode acontecer?
Pois, paralelo ao personagem,
eu quis saber mesmo é de ti.
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Queria que fosses feliz
uma água calma a inundar
a sua margem de carinho
um peito aberto a quem chegar.
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Como o teu nome, diferente
Uma paisagem nos induz
Uma paisagem de inocência
Mas que se sabe e que conduz.
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Conduz agora este momento
O pensamento e os olhos meus
brilhando de emoção e grato
alguém que só te conheceu
num filme que viu tantas vezes.
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Este poema aconteceu.
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Quase choro agora, mas essa virtude eu ainda não reconquistei.
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