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sexta-feira, 18 de julho de 2014

CAPA

Caderno de Poesias II
(Poesias Passadas a Limbo)




Wagner Passos
de
Sousa Pinto





2000 a 2003



Prefácio


Os poemas abaixo foram copiados do segundo caderno de poesias que tive na vida. Há algumas semanas atrás resolvi digitá-los para poder colocar aqui no blog, além de, assim, poder entregar alguns para pessoas que se interessassem.

Quando iniciei o processo, vi que algumas coisas que estavam escritas precisariam ser revistas, pois estavam muito truncadas e empoladas. Procurei, então, alterar elementos visando principalmente o ritmo e o entendimento.

Em geral, quando possível, optei mesmo por não mexer e fiz somente quando sentia uma real necessidade. É bom lembrar que se trata de poemas que escrevi para mim, sem a preocupação de que um dia poderiam ser lidos.

As principais modificações foram feitas na pontuação - vírgula, ponto final, exclamação, interrogação - ou inserindo algumas preposições, conjunções e detalhes do tipo, a fim de costurar melhor as frases e os assuntos. Também juntei alguns versos que estavam separados e separei alguns que estavam juntos pensando em organizar visualmente o que estava sendo dito. O objetivo foi realmente abrir mais os textos para que eles se tornassem mais leves e fluidos.

Além disso, fiz alguns cortes em partes muito complexas que se tornariam chatas, caso quem lesse não soubesse realmente o que estava sendo dito ou a maneira como foi desenhado o assunto abordado.

Também coloquei comentários adicionais para auxiliar no entendimento, mas isso não entrou no corpo dos poemas. Ficaram separados.

Fora estes pontos, 99% do que foi digitado é exatamente o que está neste meu caderno antigo de poesia, por isso, achei legítimo manter as datas das criações. Houve também poemas que não tiveram absolutamente nenhuma alteração.

Enfim, espero que agrade, afinal, foi para isso que tive todo esse trabalho!

73) Casas Mentais


Coisas de nada
Não sei de onde retiradas
Lugares, situações
Sensações, psicoestradas
Que mesmo iluminadas
Continuam nas escuridões
Presas por paredões
No mais profundo
Afogado no mundo
Dos internos pensamentos
Nos infernos sentimentos
Dos homens computadores
Dos raciocínios geradores
Que encarna e agarra
Em neurônios materiais
Formados pelas garras
Das matérias neurobrutais

Por que tanto pensamos
Se os lugares que chegamos
Já foram por outros explorados
Ocultos, mesmo registrados
E quando de lá saímos
Olhamos para trás e rimos
Ao vermos a escuridão
Tomar conta de todo o salão
E a bruma baixar dos ares
Adormecendo todos os lugares
Esquecidos no pântano na sugação inerte
Imersos numa situação que quase não se reverte?

Filosofia, a ciência do obscuro
Filosofia, a ciência que quebra barreiras e muros
Filosofia, a ciência do que se é
Mesmo talvez não sendo aquilo que seria
Se fosse o que deveria ter sido

Lá se vão as vontades necessárias
As rédeas direcionadoras diárias
Mesmo sendo ela a libertadora
Dos instintos, a propulsora
A mãe do crescimento por si só
A mente liberta e “desdá” o nó
Supera os pesos das coisas reais
Levantando ao plano das coisas divinais
Aquilo que pode flutuar ao vento
Aquilo que é tudo: O pensamento

Coisa racional vira impulsiva
Coisa emocional vira instintiva
Coisa pensada vira rotina
Coisa desvendada vira sina
Coisa cotidiana desaparece
Coisa leviana enrijece

Filosofia, filosófica, filantrópica, filogênita
Fisiologia, filotáctica, filomática, filamênita

Transtornação, Renovação, Imaginação, Nostalgia
Inspiração, Oposição, Alienação, Coisa arredia
Controlação, Indecisão, Meio razão, Pensar nos dias
A mente é a casa, o tudo da filosofia!

Becos secos, passagens sem pastagens
Postes, estradas rasgadas, países, crises
O mundo seu, auto-mundo, você é Deus
Controla, degola, mexe, remexe, “não se avexe”
Use no total, explore o potencial
Cresça usando seus recursos neuronais
Faça do pensar um de seus atos naturais
Sua melhor escolha é você
Dê trabalho à psique
Ilumine ambientes, destrua correntes
Permaneça neles, alimente-se deles
Não os jogue fora, sua vida os adora 

02/08/2000 

74) Saio a caminhar


Saio a caminhar
Por essa estrada
De luminosas estrelas enlamaçadas
E grandes heróis derrotados
Arregaçados, triturados
Que quando éramos pequenos
Eram heróis, sim!
Seres da mais pura perfeição
Mas, o discernimento,
Companheiro da vivência
Fez-nos ver que, de heróis,
Não tinham nada
Não eram coisa alguma
E que heróis mesmo
Éramos e somos nós
Que estamos a caminhar
A lutar e persistir
Nessa lida diária.

Saio a caminhar
Por essa estrada
De cabeça baixa,
Não por vergonha,
Mas pra ver onde piso!
Carros estacionados nos cantos
Barracas, fumaças
Pessoas cumprimentam-se:
 - Oi, como vai?
 - Bem, anda, anda e nunca vai.
 - Como vai?
 - Vou andando.

Luzes de postes
Neblina a baixar
Encobre e estrada
O caminho a se ir.
Pensamentos perambulam
Fazem a cabeça dos pensamentos.
Some o caminho
Mas caminho!

Anda estrada infinitezimal
De numerais romanocardinais
Numera e conta a tudo
Espalha e toma conta de tudo.
És infinito como
As estrelas enlamaçadas.
Cadê meu fim, oh infinito?
Alguém já chegou aí?
E continuo a caminhar
E pensar!...

Oh humanidade
Seja a humanidade
Humano sem idade.
Flutuante massa de multidões
De poderes inumerais.
Grande fraternidade
Aglomeração de aglomerados
Homens soldados
Manipulados do sistema
Exclusão dos que não se encaixam
Não maleabilidade de compartimentos.

Ofuscação da visão ao fosco noturno
Queima de olhar
Réplica da luz, não iluminável
Luz misteriosa, luz negra.
 - Vai anoitecer?!
 - Precisamos passar nossos protetores noturnos!
Luzes artificiais
Sóis a 5 metros de altura
A iluminar o caminho.
Cadê o caminho por aonde vim?!

Já estou nesta estrada
A caminhar: sempre ou quase
A sorrir: quase ou nunca
A lutar: sempre, só sempre
Nunca quase; ou nunca nunca!

Terminaram as capacidades sólidas
De áreas onde se pisa com firmeza
A areia e lama já afogam os dedos
Mais inferiores que o inferno.
Já nos é afundado até o fim das pernas
E a descida gradativa da esperança
Desespera os olhos que se debulham
E aumentam a solução de águas e terras.
A descida continua
Até quando não tenho certeza.
Qual será a exata hora do afogamento?
A ladeira que vai dar em coisa alguma
Submersa em coisa que é nada.

Estrada de horizontes horizontais
Perpendicular ao beijo do céu e mar
Infinitos quilômetros de um caminho sem fim
Que vai em direção de não sei onde.
Mas vai, sempre em um fluxo eterno
De cabeça em direção do Próprio.
Seres completamente acabados
Tirando forças de não sei onde
Pra não sei o que.
Por quê?!

Olhos sem brilho algum
Carne sem sangue veloz
Pois o propulsor coração já não existe.
Um caminho que se estreita
Um monte que se amontoa
Tentando entrar, no final da existência,
Na bola de fogos, incan-decentes, ascendentes.
Em sua proximidade os olhos se queimam
E no aperto final já somos apenas levados
Pela gravidade da massa tão volumétrica
Que nos engolem, e todos somem.

Etapas do caminho que começou por começar
Passos temerosos que passaram sem passar
Estrelas enlamaçadas que se mudam sem cessar
Sóis a 5 metros que iluminam sem iluminar
Fazes da viagem da existência unicelular
Dores mentalizadas pela falta do raciocinar
Humanidade sem humildade pela carência do amar
Complexidade de conhecimentos, só porque “Saio a caminhar”.


25/09/2000 – (Voltando da exposição de madrugada)

75) Vômito da Feliztristeza


Nunca escrevi uma poesia de felicidade estando feliz.
Sempre tudo vem com a tristeza.
Mas, agora não,
Não foi e não é!

A felicidade toma conta de mim
Porque, em poucas vezes
Em minha vida,
Fui tanto feliz, como sou.
A vida inteira lutamos por ela
E agora a tenho.
Este ano, que coisa boa,
Foi demais. Mudanças
Descobertas, coragens adquiridas
Experiências novas
Romper barreiras por mim mesmo postas
Liberdade, atitudes, amizades.
Sim, amizades, vivências
Vida, vida, vida!

Renovação interior crescente.

Mas, o tempo passa,
Sempre passará
E, assim como não pára no ruim,
Não pára nos bons
E sempre vai. Por quê?

Um ano biológico
3 espirituais.
Sim, foi!
Manhãs e noites
Semanas e encontros
Meses e sonhos risonhos
Ou risos choramingosos.

Onze de Outubro de 2000

Ah! 2000
Como te amo e sempre amarei.
Vai ficar sempre aqui dentro
Como lembranças esculpidas
No paredão da memória.
É mais que a minha felicidade,
É a felicidade que creio
Termos conquistado juntos
Neste ano que passou!
Por quê? Por que, meu Deus?
Pára o relógio universal
Que o tempo não pode ir.
Quero ficar, não, não!
Fica vida, fica momento!
Quero-te como a tudo de bom,
Pois é a própria bondade
Que faz rir e chorar.
Agora não pode ir
Não vá, fica...
Queria te abraçar
Encarnar para sempre
Ficar aqui...
Mas tens que ir moinho de mentes.
Talvez outra vez em minha vida
Seja tão feliz como fui
E ainda sou por pouco tempo.

Ah, noites infindas nas ruas de Itanhandu.
Conversar, trocar ideias com todas as pessoas,
E lembrar da primeira paixão.
Paixão que tive
E que não é mais,
Não retribuída
Apenas alimentada!

Mas tudo foi bom!

Até o que não foi, foi!

Mas acaba que, mesmo que não,
Acaba que acaba!
É, né!
Poesia instintiva
Palavras vindas
Vomitadas quase sem sentido.
Necessidade foi e fez-se necessária.
A letra nem sei se vou conseguir ler,
Esgarranchada.
Sobre a ex-paixão, se foi,
Mas é um segredo quase público.
Se ela ficar sabendo
Não tem importância!
O que importa é que está tudo acabado.

Ah, nem me lembro quantas vezes
Voltei pelas ruas de Itanhandu, sozinho,
Feliz, iludido e me crucificando
Pela covardia de algo que só eu sabia.
 “Alta noite já se ia”
Quando um misto de felicidade e tristeza
Me confundia.
Só sei que foi bom
Mesmo sem nada ter sido.
Ah! Foi de um jeito meio assustador
Que quando vi... Passou.

Por que na sina uns conseguem outros não?
Por que é uma poesia de felicidade
E, pela essência que brotou
De uma pessoa triste eternamente,
Tornou-se triste de forma irreversível?

Ah! Meu Deus!
Por que não agüento mais indagar?
Dúvidas à vontade
Quase no fim de um ano tão esclarecedor.

Agora, mais uma dúvida:
Por que tantas voltas?

Não liga não, ela é mesmo minha, nem tenta ver algo que se vai indo e indo ao longe. Tchau 2000!!!


11/10/2000

76) Enfim, o infinito!


Coisa macabra
Urbanoindustrial
Mistério dos mistérios capitais
Quase pecados
Pedaços de erros
Dias chuvosos por detrás da bruma
Obscuro
Enfim, o infinito

Tudo que tem
Vazios enorbitais sem órbitas reais e definidas
Ele que vaga nele
Tudo por aí sem lugar
Coisas gigantes
Todas minúsculas iluminárias
Merdas de energia
Explosões tonelosas
Não há nada que fique do tamanho que se é
Enfim, o infinito

Grande Mentecapto
Loucura ter-se em ti
Sugações sugadoras
Sulcadoras sulcos
Grandes valas
Velas que espalham a escuridão e chupam a luz
Não querem a luz
Anti-luz
Lunático
Hepático
Leva-se aonde
Em que lugar se dá
Mistérios
Enfim, o infinito

Como pensar que há pedaços de nada no que é tudo?
Vácuos absolutos contidos na totalidade de todas as coisas?
Há confins confinados no que não tem fim?
Como pensar que algo é tido como sem fim
Sendo que não se pode medi-lo?
Como pode haver algo eterno 
Contido num relapso de instante 
Sendo que, na verdade, não existe tempo nenhum?
Como imaginar todo o espaço possível
Sendo feito de um local sem lugar?
Enfim, o infinito

19/10/2000 – 16 anos


P.s: Essa poesia fala sobre o Universo. Modifiquei bastante essa última estrofe porque achei que tinha ideias interessantes, mas que estavam muito mal dissolvidas no texto. De resto a poesia foi feita como está aqui.