quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Poema Raso (de como não se faz uma poesia)

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Iniciar poema sem inspiração
Iniciar poema sem poesia
Poema raso no mínimo linear
Da linha quebradiça esguia
Destituído de se sentir mais próximo
Demente tentativa dispersiva
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Mas...
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Nascente minúscula sob vontade
Prazer sensível redigente
Morada vocálica da madrugada
Que nasce apenas
Pelo simples digitar
Pela simples convicção
De que palavras são capazes
De por si mesmas
Envolverem-me
Enovelarem-se de si
Ao ponto de cascatearem-se
Num processo retro-alimentável
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Portanto...
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Imbuído casulo lexical
Sintaxe emergente do vácuo
Influxo em potencial vívido
Espalhados vocábulos colhidos
Dizeres recém nascidos
A beleza de mínimo parto redentor
A simbiose de probabilidades
Ímpeto do fazer descartável
O lixo agônico que deslancho
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O nada pó poético
Poeira convicta platônica
Encarnada nos versos
Debandados da simples hipótese
Convergentes nesta oração senil
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Do sermão renasce a voz
Do senão desfaz-me o peito cálido
E pelo verso converso raso
Silêncio convertido de mim
Sou convexo de frases sinceras
Dialógico intrínseco
Sinceramente impostos
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Agora...
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Eis o isto indo além do aqui
O oposto poético neste inteiriço prolixo
A arte desatada da inspiração
Neste despovoado mediocrecídio
Que sigo adiante por pedante ser
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Eu...
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A destreza do enovelar palavro
Faz-se potente pelo contrário
Sendo, no entanto
Impotente barbárie minguante
Do escrevente indigno do agora
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Das palavras a caça pífia
São delas as linhas sem retorno
Encantadas cegas perplexas
Pelos caminhos de minúcias
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Somentemente por elas
Exclusivamente verbal apoético
Abrem-se as deslíneas então
Delineada infantilidade tentátil
O prosa surda da gota curva da vida curta
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Epitáfio...
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Da arte a memória recôndita
Vocabulário gasto desfeito
O despertar inútil de sensações
Pelo verso em calmaria sem jeito
Que agora se desfaz resignado
Neste peito redigido passado
Arfante e provável arrependido
Deste desmanche soslaio sem sentido
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Fim...
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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Marquez



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Continuando os posts que falam de livros que já li, mas não resenhei, vou falar um pouco sobre o Cem anos de solidão.
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Há tempos escrevi um texto vago sobre ele. Escrevi porque o livro me tocou bastante na época, a ponto de me levar a sonhos (mais de um) em que via os personagens andando pela casa que eu morava na Vila Mariana.
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O patriarca da família que fora amarrado a uma árvore, estava lá.
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A matriarca intensamente idosa, lúcida e misteriosa estava lá.
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O filho que fazia peixes de ouro para depois os desfazer e recomeçar infinitamente o trabalho, vezes e vezes, também estava lá.
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E eu, no meio de tudo aquilo, observava o trabalho do tempo permeando o dia-a-dia de todos.
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Até onde me lembro, este foi o primeiro e único livro que me levou a sonhar com seu enredo.
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Para mim, ele tem um dos inícios mais belos da literatura. Que é o seguinte:
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“Muitos anos depois, em frente ao pelotão de fuzilamento, o coronel Aureliano Buendia haveria de recordar aquela tarde remota em que o seu pai o levou a conhecer o gelo.”
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Ele apresenta um convite muito gostoso a mergulhar no universo real-fantástico que esta obra mostrou ao mundo, abrindo as portas globais para literatura latino-americana. Ou seja, a nossa literatura.
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Basicamente, a história se passa dentro de uma casa antiga, em que vive uma família condenada à solidão. A solidão está como pano de fundo dos semblantes, das passagens, dos encontros e desencontros dos Buendía.
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A quantidade de personagens é enorme. Há mapas na internet que auxiliam na leitura, localizando os muitos e muitos Buendía, seus agregados e gerações a fim de localizar o leitor neste mar de caracteres humanos. No entanto, é mais interessante ler sem estes controles. Segue um mapa:
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Como alguns supõem acontecer na vida real, também neste romance, as histórias se repetem de geração em geração. Alguns papéis familiares são cíclicos e surgem novamente na pele de um outro Aureliano (são muitos), de um outro Buendía, de um outro soldado, de um outro desgarrado, de uma outra mulher calada, de uma outra postura e vivência.
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E estes ciclos vão enovelando o leitor a ponto de nos perdermos no meio de tantas referências. Aliás, acho que esta era mesmo a intenção de Gabriel Garcia Marques: fundir pessoas numa dimensão extra corporal a fim de moldar o verdadeiro clima de um bloco de almas condenadas a cem anos de solidão.
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O fantástico permeia o real de maneira muito espontânea, e eis aí o núcleo do realismo fantástico. As passagens trafegam pelo limiar existente entre as possibilidades de realidade. A magia é parte de tudo!
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Lembro-me bem de uma parte em que um dos Buendía chega em casa, depois de muitos anos fora, e está cercado, cortejado por borboletas amarelas, entre as quais ele se enovela numa imagem alada e iluminada: o eterno retorno do filho ao ninho dos pais!
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Há passagens em que a chuva foi constante por anos e anos. A cidade na qual se situa a casa, Macondo, no início é apenas uma aldeia, depois se desenvolve, mas por uma série de pestes, vai minguando, minguando e declinando, encerrando e evaporando-se por completo da existência a ponto de não podermos afirmar se ela realmente existiu. São mais ou menos estas as palavras do autor.
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Como faz oito anos que li, não me lembro de tantos detalhes. As coisas aqui relatadas são, principalmente, diretrizes gerais da obra.
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Mas ainda sim, resta em mim o prazer de ter lido um livro que, durante todo meu intercâmbio, ficou na minha cabeça como uma das primeiras coisas que iria fazer quando voltasse pro Brasil.
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Isso aconteceu porque a música da Ana Carolina, Violão e Voz, que ouvi muito, diz: “Ficar sozinho é pra quem tem coragem/ Eu vou ler meu livro 100 anos de solidão.”
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E no intercâmbio, eu realmente tive que ter coragem de ficar só.
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Quando voltei pro Brasil, e depois de ter passado na faculdade, fui até a biblioteca e peguei o livro logo nos primeiros meses de aula.
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Foi uma experiência muito boa!
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É um dos livros mais bonitos que já li!
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Ensaio sobre a cegueira – José Saramago




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Li este livro pra faculdade, porque uma professora de português do terceiro semestre, acho, pediu que trabalhássemos com ele. Isso foi em 2004, talvez.
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Achava que seria difícil ler Saramago, mas até não foi tanto.
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Como muita gente sabe, Ensaio sobre a Cegueira narra a estória de uma epidemia de falta de visão que se espalha rapidamente.
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A linguagem de Saramago é muito interessante! A narrativa dos casos do caos, a clareza que ele consegue nos conduzir, apesar daquele emaranhado de falas que vão se sobrepondo, é fantástico!
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Saramago não é difícil, basta seguir com atenção!
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Pra mim, este livro questiona, dentre outras coisas, a fragilidade da sociedade e do próprio ser humano, elemento base das relações cotidianas.
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Uma cegueira branca é capaz de fazer vir à tona o animal que existe dentro de nós, aflorando nossos medos escondidos, nossas barbáries irrefreáveis, nossos flagelos, nossa incapacidade de adaptação a certas deficiências.
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O romance mostra a tênue linha de recursos sobre as quais nos mantemos e levamos nossas vidas de maneira tão cíclica e pequena.
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A personagem principal, uma mulher, é uma senhora que não perde a visão, mas escolhe fingir estar cega para poder continuar ao lado de seu marido que é levado para uma zona de isolamento.
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De olhos “saudáveis”, ela pode presenciar todas as cenas por um ângulo único, e é exatamente por ela que Saramago mostra suas questões pessoais a respeito do mundo.
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Um livro atual! Saramago na veia!
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Evangelho segundo Jesus Cristo – José Saramago



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Este livro também tem uma das melhores frases de início de romance, na minha opinião:
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“O filho de José e Maria nasceu como todos os filhos dos homens, sujo do sangue de sua mãe, viscoso das suas mucosidades e sofrendo em silêncio. Chorou porque o fizeram chorar, e chorará por esse mesmo e único motivo.”
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Aqui, apesar de ateu, a meu ver, Saramago coloca Jesus como forte e humano, em contraposição ao Cristo sublime e perfeito traçado na bíblia. Ele chorou porque o FIZERAM chorar, e chorará por esse MESMO e ÚNICO motivo. Ou seja, Jesus chorava porque o faziam chorar. Ele chorava pelos outros. Era forte e bom!
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Esse início também mostra uma outra faceta interessante: Jesus nasceu sujo de sangue e mucosidades como qualquer ser.
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Jesus não nasceu de um ventre virgem, nem nasceu como um Deus, mas como um homem com uma missão divina, o que é bem diferente. E, a propósito, muito mais bonito!
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Basicamente o livro passa pelas passagens dos evangelhos de maneira muito crítica e romanesca, o que seria de se esperar de Saramago.
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Maria Madalena é chamada de Maria de Magdala, como o espiritismo a coloca. Ela é a mulher de Jesus e Jesus é colocado como um grande revolucionário, com idéias a respeito de Deus que estavam a frente de seu tempo.
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Nesta levada Jesus cresce e o Cristo se forma dentro dele.
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Uma das passagens mais bela é quando Jesus entra num barco com o Diabo e um anjo para uma discussão teológica interessantíssima a respeito dos mais diversos pontos da religião e da existência.
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Quando esta passagem metafísica termina, dá-se conta de que se passaram 40 dias, ou seja, foi a forma que Saramago encontrou para colocar as ditas provações que Jesus teve que passar para se preparar para retornar e iniciar definitivamente a conquista do merecimento de poder sentar no trono do governo espiritual da humanidade na era que estava se iniciando e que alguns dizem, não o próprio autor, ter sido a era de Peixes.
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É extremamente intrigante os diálogos travados entre estes três personagens! Jesus se mostra como o mais inexperiente de todos! O Diabo é impressionantemente esperto! Já o anjo é algo mais sublime, sem tantos traquejos, até onde me lembro. E assim se desenrolam páginas e mais páginas de tirar o fôlego.
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Já li três passagem relacionadas à figura do Diabo e todas as três foram muito boas.
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Em ordem cronológica:
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A primeira foi esta mesmo.
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A segunda foi o pacto de Riobaldo faz com o tinhoso em Grande Sertão: Veredas.
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E o terceiro e mais recente foi o pacto feito pelo compositor Adrian Leverkühn.
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Na verdade o livro Fausto I também tem uma passagem com o Diabo (Mephistófeles), mas eu não me lembro muito bem!
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Todas as três passagens são de uma perspicácia incrível!
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Gostei demais!
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Mas continuando, após a quaresma o livro entra num ritmo de narrativa muito empolgante, culminando nas histórias tão conhecidas dos católicos, evangélicos e espíritas em geral!
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Pra mim, este é o melhor livro de José Saramago! Já li uma meia dúzia, e nenhum chega nem aos pés desta obra!
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Fausto (primeira parte) – Johann Wolfgang von Goethe



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Um livro acima da Terra! Acima do tempo! Imortal!
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Uma das maiores obras da humanidade, com muitíssima certeza!
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Goethe escreveu Fausto ao longo de sua longa vida de mais 82 anos. Foi responsável por modernizar, engrandecer e cristalizar este personagem mitológico antiqüíssimo.
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Goethe é reconhecidamente um gênio! Dizem que seu Q.I era altíssimo e ele possuía a capacidade de permear com muita propriedade por diversas áreas do conhecimento humano. E Fausto é sua obra de vida, onde ele deposita grande parte de suas convicções, suas iluminações e esclarecimento a respeito da humanidade.
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É um painel humano de proporções colossais!
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Goethe desenhava, lia sobre filosofia, biologia, foi um intelectual reconhecido em seu tempo, trabalhou pro governo alemão, se não me engano; falava muitas línguas, possuía livros de diversos assuntos e os devorava com brilhantismo incontestável!
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Ninguém melhor do que um sujeito assim para escrever a maior obra de uma língua repleta de grandes escritores.
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Fausto narra a estória de um médico que abocanhara todo o conhecimento possível a fim de conseguir alguma iluminação. Partira mesmo para as magias, mas nada o fazia transcender as condições da carne. Nada o alimentava e satisfazia um vazio profundo de respostas, seu vácuo inexistente, latente e pulsante!
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Após muito meditar, ele sai para dar uma volta e se depara com um cão. Ele leva o animal para casa e ao questionar a si mesmo sobre o início do Evangelho de São João (“No princípio era o Verbo”) o cão se transforma em Mephistófeles daí a história flui.
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O fôlego narrativo da obra é indescritível. Somente tomando contato com ela para entender o que uma avalanche de versos magistrais é capaz de causar na gente!
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Lembro-me que comecei a ler bem de noite e não conseguia parar. O livro foi me tirando o sono, me dando calor. Eu fui tirando a coberta, tirando a blusa e quando vi eu estava totalmente tomado.
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Fausto foi publicado em três etapas:
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Ur Fausto, uma primeira versão.
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Fausto I que é este desta resenha.
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E Fausto II, ainda maior, que já comprei mais ainda não tive coragem de começar.
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Toda a estória é escrita em versos rimados. A tradução brasileira da Editora 34 é muito muito boa! Possui uma página em alemão e outra em Português, sendo que uma corresponde à outra
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Não é fácil de ler e entender, mas vale muito a pena se esforçar para ir adiante.
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Intermitências da morte – José Saramago


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Mais um livro de Saramago em que um acontecimento muda o cotidiano das pessoas!
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Não me lembro muito bem dos pormenores, mas conta o caso de um país em que as pessoas param de morrer. Este país sofre um embargo dos países visinhos, temerosos de que esta epidemia se alastre por suas terras. Sendo assim, seus dirigentes vêem suas relações diplomáticas cortadas.
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As pessoas envelhecem, ficam caducas, incapacitadas, às portas da morte, mas não morrem.
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Acho que este livro, como outros do Saramago, procura mostrar algumas verdades que se escondem por detrás de regras vitais que, por serem tão naturais, não somos capazes de enxergar. Serve para mostrar, como é importante este fato tão natural e desnecessariamente temido pelo ser humano: a morte.
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No fim as coisas se normalizam e a vida volta ao normal, num patamar de esclarecimento um pouco mais elevado.
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É o bom e velho Saramago em mais uma de suas loucas viagens narrativas, nos convidando e pensar sobre fatos intimamente ligados à nos humanos.
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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

ITANHANDU - Autora: Benita Carneiro


Moro numa cidade colorida,
Bem no meio das montanhas escondida.
Ela é cheia de encantos, toda poesia.
É tão linda a minha terra, uma alegria!

Cheia de frutos, fértil, apetecida.
Das alterosas é muito querida.
Viver aqui, meu Deus, quem não queria?
Ter sempre paz, amor e sabedoria.

Passaram por ela homens elevados,
Intelectuais famosos, admirados
Por toda parte hoje, em nosso país.

Por tudo, eu penso que nasci com sorte.
Não vou trocá-la nem depois da morte,
Pois longe dela sinto-me infeliz.

SONETO - Autora: Benita Carneiro


É a nossa forma de dizer um nada,
Que modifica a nossa vida em tudo.
Porque depende do jeito do nada,
Para entendermos nessa vida tudo.

Se o nada surge do silêncio, agrada,
Quando o silêncio vem do amor, é tudo!
Mas se nos tomam a pessoa amada,
Nada é mais triste pra quem perde tudo.

Se consolamos dizendo: não é nada!
Quando a tristeza vem muito avançada,
E se fez tudo pra evitar o adeus,

É que sentimos o valor do nada,
Dentro de tudo que o poder estraga,
Quando esquecemos de pensar em Deus.