terça-feira, 30 de novembro de 2010

Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

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O último filme de Wood Allen, até agora.
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Leve, despretensioso, um elenco muito bom (uns melhores do que outros, obviamente!), piadas gostosas de ouvir, um roteiro se solução final, nos remetendo de volta à vida.
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Há uma cena feita em uma única tomada que acho que dura quase 10 minutos. Adorei! A câmera vai, volta, aproxima de um, abre pra dar passagem pra outro e assim vai por bastante tempo. Não sei bem exatamente quanto foi, mas me impressionou. Isso acontece por mais de uma vez e consegue nos aproximar bastante do clima do set de filmagem.
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Há um pouco de crítica social, crítica ao quanto o ser-humano pode se envolver e se enganar, além de outras críticas mais passageiras, tudo leve e divertido!
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Gostei!
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XxXxXx


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Ali-há-dois
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Aliados
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O cérebro

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A estrutura cerebral é uma metalinguagem do pensamento.
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É a base física de apoio e representação "visível" da natureza pensante.
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Vegetação rasteira anaeróbica: o poema


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I (sufoco)
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Num esforço épico de auto-expressão
De tentativa de ser o que sou
Eu esgarço desopilar
O que há de irretratável em mim
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Mastigando aquilo que já pensava digerido
Remoendo as entranhas das tentativas
Que agora sei, fracassadas
Eu perdôo-me
Tento-me
Desesperadamente
Perdôo-me meus erros
E auxilio recausá-los
Para poder
Diferentemente
Convivê-los
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A convivência incisiva de uma insistência solitária
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Teimosia solidária!
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Assim faço neste instante de fim de ciclo
Fim de ano
Fim de ponto
Ponto final
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Fugindo às fugas e seus opostos
Fugindo aos meios e seus escapes centrifugo-desesperáveis
Fingindo não fugir fingido
Desmistifico
Qualquer possibilidade de categorização
Causaria-me recalques de culpa
Semblantes de subordinação
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O mais longínquo horizonte é asfaltado!
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Um simples sorriso sem vontade ou voltagem
Já seria suficientemente repugnante
Ao mínimo contraído deste ser-enclaustro
O asco incauto de ter me concedido erro tal
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II (respiro)
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Invasivo infinito insígnico intolerável instável insosso inconcluso incrustado inspirado
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Externo estético exímio escolha estrutura espuma escarro estrada expiração
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III (suspiro)
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O próprio da tolerância
O campo aberto da paz
Me traz
Como que por vocação
Missão
À minha auto-concepção interna
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Um ciclo desprovido de vontades
Um circuito fechado dominante
Uma lei inquebrável de exaustão
O trajeto mínimo dos dias
O colapso programado do sorriso
O soturno vicioso do mínimo-ser
O escondido recôndito que nunca quisera
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IV (teimoso)
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Almas e mais almas inquietas
Requebram ao som
Das mais descartáveis músicas
Enquanto isso
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Eu observo a predominância
Das miniaturas que brotam do concreto
E ejaculam suas secreções por entre as classes
Os níveis escolares das besteiras
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Eis o porquê de meus poemas!!!
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São as ervas daninhas que vociferam
Estridentes tentativas de expressão vencida
A raiz contrária dos parasitas sem genética
O defeito estanque uterinamente trazido
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Eis a definição dos meus poemas!!!
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A má formação formidável da esmola em potencial
O real não modelável desta vã sabatina satânica
O um real imprestável de outro sujeito sujo
A vegetação rasteira anaeróbica que prolifera nos não-lugares
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Eis para onde vão meus poemas!!!
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Adeus-me!!!
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Outra volta no parafuso – Henry James



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Livro que promete demais, mas não cumpre!
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No início é dito que será contada a história mais assustadora que um determinado personagem havia ouvido. Então, após esperarem trazer o manuscrito, dá-se início a leitura, em torno do fogo.
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Mas não é legal! É chata!
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A personagem principal tira conclusões estranhas dos fatos, conclusões que não me convenceram. As crianças presentes, que no início, eram exageradamente bondosas, depois se tornam estranhas, mas um estranho que não faz sentido dentro do que poderia ser estranho. Não faz sentido tamanho silêncio delas perante os acontecimentos do casarão e muito menos sentirem medo e não dizerem nada. Também não faz sentido o excesso de admiração que a babá tinha pelos 2 infantes.
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Senti um desencaixe muito grande de idéias. Muitas coisas ficam abertas, sem explicação. Senti-me um pouco lendo Kafka! Aquela coisa de não saber se o autor teve a intenção de causar estranheza ou se simplesmente causa sem saber. Causa por ser, ele mesmo, estranho!
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Não me cativou!
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O ritmo narrativo não absorve o leitor e todo o sofrimento da personagem principal, a já referida babá, não convence. Não convence a determinação dela em vencer o acontecido, não convence os conflitos internos dela diante de uma situação que não tem nada de tão extraordinária e aprisionante assim. Até estão presentes elementos extraordinários, mas não faz sentido que ela tenha tanto temor pelas 2 crianças. São crianças apenas, por mais espertas que pareçam! Bastaria chegar até elas e perguntar abertamente sobre os acontecidos!
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Vira um clima meio “crianças demoníacas”, sem, no entanto, causar medo algum!
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O que dizem ser um ponto forte do autor, o alongamento do suspense, não é nada atrativo. Eu, pelo menos, não ficava com tanta vontade de saber quais eram as soluções para os pontos que ele havia deixado em aberto!
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Outra coisa... Há um ligeiro excesso de idéias colocadas como apostos, enxertados. Exemplo:
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- Eu vou, sim, até ali – senti-me demasiadamente heróica ao dizer isso – não preciso da tua opinião.
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Não me agradou essas quebradas em que a própria personagem principal traçava comentários sobre a história que estava contando. Pareceu-me uma mulher pouco cativante!
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Enfim, é só uma história estranha, chata!
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domingo, 21 de novembro de 2010

Todo!!!

Todo homem se faz comum nas lágrimas

sábado, 20 de novembro de 2010

Consolou-me!!!

Faça


as


coisas


certas


por


gostar


da


beleza


e


não


por


medo


de


errar


e


ser


punido


!!!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu não vejo misericórdia em Deus!!!


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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Vejo somente um amórfico silêncio que empurra significações avulsas para que interpretemos ao gosto e capacidade de nossas criatividades. É sabedoria? Não... São apenas inverdades cristalizadas, temporárias, que duram o suficiente para serem substituídas por outras ignorâncias menores.
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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Vejo somente o não-ver, uma pluralidade medíocre de caminhos desconexos e caminhantes perplexos, perdidos, olhando para cima, imaginando uma grandiosidade que não faz questão nenhuma de aparecer e acalentar.
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Eu não vejo misericórdia em Deus.
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Não vejo docilidade nas coisas do céu. Para mim, é muito difícil ver alento naquele que nos olha de cima, ver brandura real naquele que, por tantas e tantas eras, nos fora apresentado como amálgama da vida.
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Eu não sinto misericórdia em Deus.
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Não sinto pelo tudo que passei, pelo tudo que senti e o muito que ainda sinto. Pelo que sei que passaram, pelo que sei que sentiram e pelo que sei que ainda sentem, pessoas próximas ou distantes.
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Eu não ouço a misericórdia de Deus.
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Só ouço a inquietude nascente de um silêncio brutal que enclausura uma ignorância dolorida. Dolorida e que por isso tentamos quebrar por invenções que nós mesmos temos que trabalhar, puxar raízes em possibilidades de vidas passadas, em palavras tortas que ouvimos e que insistem em nos calar.
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Eu não ouço novidades sobre Deus.
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Não sei porque carregamos tantas ignorâncias, porque desconhecemos tantas forças que agem sobre as multidões ou especificamente sobre cada um de nós. Não acredito que os pesos seriam aliviados caso soubéssemos, de relance, nossos carmas e coisas do tipo. Não consigo vislumbrar um porquê duradouro para o fato de ignorarmos, com tanta força, nossas vidas passadas. Na grande maioria dos casos, não nos chega nem um átomo daquilo que seria uma ponte importante para entendermos nossas dificuldades. Nada! Um silêncio mortal, estridente dentro de cada um. Por que é tão difícil atingir os critérios para receber algum esclarecimento desta natureza?
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Eu não vejo misericórdia em Deus. Vejo uma tentativa de justiça, uma intenção de justiça.
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A razão pode entortar tanto as coisas. Por que o livre-arbítrio não pode ser visto como simplesmente uma maneira do superior lavar suas mãos? Não me lembro de ter escolhido existir! Não me lembro de ter escolhido escolher!
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Eu não consigo vislumbrar a misericórdia de Deus.
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Nós somos os grandes heróis da existência. Não há nenhum herói maior a um ser, do que ele mesmo. O ser é sozinho, profundamente sozinho e, enquanto sozinho, pode ser chamado de Deus de seu próprio universo. Não há ninguém mais importante para uma pessoa do que ela mesma.
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Existir não passa de eternas tentativas de ordenar o caos, o cosmos, atribuir leis de convívio nos mais diversos estágios, traçar procuras individuais de auto-transformação. Existir não passa de um tentativa de conquistar a adaptação de uma alma para adequar-se às silenciosas leis do útero da criação.
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Como são silenciosas essas leis!
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Eu não confabulo com esse silêncio vindo dos céus, com essa maneira de aparecimento pelas beiradas. Mas eles estão por aí - alguém poderia dizer! Mas, se pegarmos a realidade mais cabível ao encarnado, os contatos são muito espaçados, pontuais, sutis demais. Não entendo o porquê de tanta sutileza. Muitas hipóteses referentes à liberdade de crer ou não crer, livre-arbítrio e coisas do tipo, poderiam ser levantadas, mas, não poderiam ser elas apenas maneiras de se conformar com aquilo que se tem?! Não seria mais uma vez a criatividade humana agindo para apaziguar a realidade?!
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São assuntos delicados!
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Não sinto misericórdia em Deus!
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Sinto que apenas se trata de um sistema de leis, imutáveis, e, porque não, leis criadas para estruturar o caos primitivo, leis que não servem à misericórdia, mas sim, à justiça das almas solitárias que buscam, pelo convívio com as outras, encerrar sua clausura, trabalhar os processos interiores que cabem somente a elas movimentar e assim se adaptarem aos padrões rigorosos de existência.
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Isso não pode ser chamado de misericórdia. Isto é uma máquina de processamento de luz!
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Por isso repito: não sinto misericórdia em Deus, sinto um silêncio profundo, e uma tentativa de justiça por parte daqueles que estão acima de nós.
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Uma busca onde todos tateiam, às cegas, pelos caminhos, criados, também às cegas, por outros que vieram antes...
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O caos é a ordem! E a ordem é o caos!
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Assim é!!!
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Rituais de Passagem

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Deixe-me falar sobre uma coisa que me aconteceu no terceiro domingo de Agosto deste ano, dia 15. Sei que foi o terceiro porque aconteceu exatamente uma semana depois do segundo domingo daquele mês, data de comemoração do dia dos pais.
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Neste dia, pela primeira vez, eu perdi uma pessoa que realmente era próxima de mim. Já perdi minha bisavó, que era muito chegada, mas, na época, eu tinha apenas 6 anos de idade e a noção de morte não me era tão clara. Lembro que chorei, senti sua falta, e até me aconteceu um episódio diferente no meio da noite de sua morte, quando acordei chorando, de repente, num horário próximo de seu óbito, mas, excluindo essas coisas, não foi uma morte tão presente.
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O que não foi o caso, desta vez...
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Já há 40 dias meu avô Menote Pinto de Sousa (na ocasião do registro de óbito, descobrimos que seu Sousa TAMBÉM não era com Z, como o de minha mãe, o meu, da minha tia e de meus primos, ao contrário do que pensávamos) estava muito mal, na UTI de São Lourenço, sobrevivendo somente devido à ajuda de aparelhos.
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Na sexta-feira, dia 13 de agosto, uma entidade do centro de Umbanda que freqüento, havia me dito que ele já estava bem mais inclinado ao plano espiritual, que ao plano carnal e que entes queridos já o esperavam, o que indicava que ele desencarnaria em breve.
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Mas realmente nós, da família, já estávamos bem apaziguados em relação à possibilidade disto acontecer.
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No sábado, dia 14, fui a um festival de Jazz no Ibirapuera. Estava tomando umas cervejas com alguns amigos quando minha mãe me ligou e avisou que meu avô estava muito mal e que era bem provável que ele não resistisse. Fiquei alerta!
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Nesta mesma semana, uns dias antes, minha mãe resolveu levar minha avó para visitá-lo na UTI, porque todos acreditávamos que ele estava somente esperando a visita de sua GRANDE companheira de uma vida toda, para poder ir embora. Minha avó, quando estava do lado dele, lhe disse que poderia ir e que tudo ficaria bem. Segundo minha prima, nessa ocasião ele balançou a cabeça, afirmativamente, como se, mesmo do fundo daquele coma aparente, ele tivesse ouvido e entendido o recado.
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À partir daí ele começou a piorar totalmente, numa velocidade muito maior!
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Mas mesmo com tudo isso, a notícia da morte é pesada. Mesmo com o todo o cenário que foi se montando ao longo dos 40 e poucos dias de internação, ouvir a notícia é um baque...
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Voltando ao dia 14. Acabado o festival de Jazz, fui pra casa, deitei na cama e, perto das 11 e pouco da noite, meu celular tocou. Era minha mãe me dando a notícia de que meu avô Menote, o GRANDE Menote (quem o conhece sabe como ele era um grande homem), tinha morrido.
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Eu ouvi, disse que iria pra Itanhandu logo cedo, no dia seguinte, desliguei o celular e chorei por alguns minutos. Mas choro sem dor, choro sem lamentação, nem revolta. Era só um choro de tristeza silenciosa.
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Conversei um pouco mais com a pessoa que estava comigo e, depois de um tempo, dormimos...
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No dia seguinte, logo cedo, toca meu telefone, era meu pai me avisando que um tio estava saindo pra Itanhandu em algumas horas. Ajeitei-me, e fui.
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Lá chegando, fui direto pra casa, deixei minhas malas, e fui pra casa da minha avó. Ela estava lá, toda de preto, muito elegante, como sempre. Eu a abracei, falei pra ela ter força, abracei minha prima que estava com os olhos inchados e fui pro velório municipal.
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Era, apesar de tudo, um dia lindo! Muito claro, um vento forte, um ligeiro friozinho e a cidade estava em festa. Era a abertura da exposição de gado do município. Achei aquilo bonito! O dia da morte do meu avô era um dia de festa, de alegria, afinal, ele sempre havia sido um homem que trazia alegria para todos. São apenas significações que nos passam pela cabeça e que ajudam a embelezar as passagens da vida.
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O velório foi enchendo de gente, enchendo mais e mais. Empregados, que haviam trabalhado com meu avô no posto, choravam, familiares se abraçavam, amigos de pescaria, o próprio prefeito municipal, parentes distantes. Na rua os cavalos desfilavam, os carros de bois carregados de crianças rangiam longamente pela avenida principal. Ventava muito, levantando rodamoinhos no meio da rua.
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Foi chegando a hora de ir para a missa e fechar o caixão.
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Pode até parecer que não, mas estava um clima muito leve no velório. Uma calma pairava no ar. Um silêncio de respeito. Manifestações de carinho, abraços, beijos, muitas conversas, a cidade se esvaziando, após a passagem da comitiva, um clima de paz até que chegara a hora de partir.
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O caixão foi fechado, houve choro e despedidas. Eu, meu primo Eric e minha mãe Heleni fizemos questão de carregá-lo até o carro que o levaria até a igreja. O carro partiu e nós o seguimos logo atrás. Fui de mãos dadas com minha mãe. Na minha cabeça passavam significados bonitos pra todo aquele ritual de passagem tão necessário e inevitável a todos nós.
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A cidade em silêncio, só o vento se fazia ouvir. Uma claridade imensa, algumas portas semi-abertas daqueles comércios que abrem aos domingos. O cortejo em passos lentos. A ritualística da vida quando se encerra.
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Chegada à igreja, eu e meu primo, novamente, fizemos questão de carregar o caixão até a frente do altar. Sentei-me do lado da Benita Carneiro, minha amiga e ouvi toda a missa com atenção. A igreja estava cheia. Devia ter umas 400 pessoas, ou mais, nos bancos. A maestrina do coral municipal, Marialva, e o Luiz Fernando, outro grande cantor da cidade, cantaram as músicas: Ave Maria e Canção da América. Até meu tio Zé Nilton, irmão do meu pai, cantou.
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A Ave Maria foi maravilhosa, e soou no tempo exato para todas as pessoas que comungaram naquela ocasião.
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Eu olhava sempre minha avó, minha mãe e minha tia. Ocupava-me em observar e pensar na beleza da vida que eles construíram juntos. Eu não ficava procurando pensar em coisas bonitas, significações belas para tudo aquilo. Eu simplesmente pensava. Era natural pra mim, naqueles instantes, pensar coisas bonitas. O que nem sempre acontece!
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Depois da missa, ajudamos novamente, eu e meu primo, a carregar o caixão na saída da igreja. Saída foi um momento de extrema beleza que, mesmo a simples lembrança, já me emociona.
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Era aquele entardecer sereno, o vento forte balançando as árvores, o dia claro que se encerraria em algumas horas. Era lindo! Todas as pessoas saindo em silêncio, o sol iluminando a igreja inteira pelos vitrais e também pelas portas principais, a praça vazia, as ruas se enchendo com as pessoas do cortejo.
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Avistei minha professora de piano e lhe dei um abraço.
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Segui para o cemitério. Uma fileira enorme de carros, as pessoas subindo a ladeira, estacionando os veículos. Cheguei até bem perto do túmulo e fiquei observando.
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Eu sentia paz!
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Permaneci abraçado com meu pai e minha mãe. A Gláucia, minha prima, minha tia Enedir e minha avô Cândida estavam juntas. O Eric permanecia próximo, junto da sua namorada.
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O coveiro que é meu amigo e tem o apelido de Febre, um punk muito loko, mas de um coração imenso, nos olhava e só sabia repetir: É foda, né, Wagner!
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Foi subindo a mureta, concretando a última visão do caixão. As pessoas foram saindo. Eu fui um dos últimos a sair. Já estava bem próximo de começar a anoitecer.
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Desci a ladeira do cemitério, entrei no carro, em uma hora eu deveria voltar pra São Paulo, pois tinha um artigo para terminar e enviar por email até a meia noite do domingo, além de um outro trabalho que deveria ser terminado e entregue na segunda.
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Fiquei pensando sobre a importância de viver esses rituais de passagem. Me lembro que não fui ao enterro do meu avô Chichico, pai do meu pai e isso me fez muita falta.
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Parti para São Paulo com a certeza de ter feito minha parte que era velar o corpo do meu avô, levá-lo até a sepultura, estar junto com meus parentes e, principalmente, da minha avô, sua companheira de uma vida inteira.
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Foi muito bonito! Se tivesse sido feio, dolorido, intragável, eu não teria escrito aqui.
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Parecia-me que eu estava numa cena de um dos filmes do Fellini. Uma atmosfera meio Amarcord, comunidade interiorana, uma realidade banhada de arte, a ritualística da vida e da morte.
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Pensei muito, durante aquelas horas, que não havia nada o que lamentar, pois temos a plena, PLENA convicção de que nada se acabou. Tudo terá uma continuidade em algum outro lugar. A história escrita por ele, Menote Pinto de Sousa, foi bela, extremamente bela. Passou-me pela cabeça que nós, seus parentes mais próximos, que ficamos aqui na Terra, devemos manter a honra do seu nome, continuar seguindo seu exemplo de vida, fazendo valer, respondendo e preservando sua imagem de homem.
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Isso me fez chorar por algumas vezes durante aquelas horas. Chorei pela beleza da vida de um homem que tenho o orgulho e o privilégio de chamar de meu avô.
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Não havia quem não gostasse dele.
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Me lembro da última vez que ele foi cortar cabelo. Havia um menino, de uns 13 anos, sentado lá no barbeiro. Meu avô logo que chegou, sentou perto do garoto e começou a puxar assunto. O garoto não deu muita bola de início, mas meu avô não se intimidou. Continuo a fazer piadas e brincadeiras, até que ele foi se soltando, se soltando e, em 15 minutos, ele estava conquistado. Ao ir embora, o próprio rapazinho se adiantou em despedir e cumprimentar meu avô.
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Agora, o mais comovente foram suas últimas palavras...
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Umas semanas antes de ele morrer, eu, o Eric e a Gláucia (os 3 netos) fomos ao hospital para vê-lo. Nessa ocasião, ele já estava muito mal e estava meio sedado pra não sofrer com as dores causadas pelas feridas abdominais que ele tinha. Quando ele foi sair da UTI para entrar na sala de operações, a médica parou a maca, ele abriu os olhos, estava completamente debilitado, nem sei se ele tinha consciência de onde estava, de quem eram aquelas pessoas em volta dele, mas, MESMO ASSIM, ele virou, e disse uma coisa bonita, agradável e de bom humor. Nos elogiou dizendo que ali havia muitas pessoas bonitas. Não sei se sabia que éramos seus netos, não sei se tinha consciência do espaço, o que passou na cabeça dele, mas isso não importava. Tocou-me o fato de, mesmo antes de entrar numa mesa de cirurgia, estando completamente debilitado, ele disse uma coisa bonita, pura e que nos fez bem.
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A última frase dele foi: “Nossa, quanta gente bonita!” Depois disso acho que ele nunca mais falou... Essa foi a última frase que ouvi dele, um elogio!!!
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Lindo demaaaaais!!!
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Os rituais de passagem
Deixar que o rio curta seu percurso
Indo além de onde podemos acompanhar
É a ritualística da vida
Os limites do espaço e do tempo
Os limites das fases que pertencemos
Somos sem fim e devemos assim crer
Um ciclo feito vida
O maior de todos os rituais
O homem enquanto templo de sua jornada
A alma enquanto resultado de si mesma
Ela que antes estabelecida dentro de um casulo
Fez-se mais e melhor
Foi capaz de tanto
Até que este casulo se desfaz
Descartável pelos momentos de crescimento
Desnecessário em pontos mais distantes
Dá-se a passagem
Saltos maiores são lançados
São os rituais de passagem
Os rituais de passagem
Rituais de passagem
De passagem
Passagem
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Passou!!!
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Mas aqui dentro sempre ficará!!!
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Aniversário

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Hoje Saramago faria 88 anos.
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José e Pilar

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Conta a história de amor de José de Sousa Saramago e de sua esposa Pilar Del Rio durante a escrita de seu penúltimo romance: A Viagem do Elefante.
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Um filme que alterna momentos intimistas e outros de extrema agitação, mostrando a agenda lotada de compromissos de um senhor, acompanhado de sua mulher, bem como de uma senhora batalhadora acompanhada de seu marido.
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Atmosferas meio paralelas são montadas em algumas partes, mostrando o casal em cenários diferentes, numa edição de imagem diferenciada, lançadas em palavras narradas por eles mesmos, o que me agradou bastante. Gosto desse clima meio “realismo fantástico”!
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Reflexões sobre a vida, a morte, Deus, sua existência ou melhor, na opinião dele, (in)existência, são uma constante em torno da figura do escritor. Já Pilar fala sobre a força das mulheres, feminismo, a garra necessária para viver, a importância da razão vencendo as lágrimas, numa visão otimista da vida.
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Saramago me parece um pouco pessimista. Não diria realista. Acho que ele se conformou com suas idéias de vida. Idéias duras que, naquela altura final, não o perturbavam, mas também não o acalentavam.
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Sua figura é muito envolvente, muito simpática. Um senhor perspicaz, único Nobel da Língua Portuguesa, possuidor de um misto de placidez e inquietação constantes e que ele naturalmente exercia. Era possuidor de uma grande capacidade de falar de coisas existenciais de maneira muito simples e muito tocante. Suas palavras carregavam o peso de serem suas palavras.
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Acredito que qualquer coisa, por mínima que ele dissesse, seria tocante!
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Fazendo uma passagem geral sobre a película, há também relatos de muitas entrevistas concedidas tanto por um quanto por outro, é retratada a oficialização do casamento dos dois, ligeiras conversas sobre política, homenagens e mais homenagens ao escritor, o dia-a-dia de Pilar que era seu braço direito (e esquerdo), alguns percalços de saúde que atingiram Saramago, cenas de peças de teatro, exposições, autógrafos e mais autógrafos, óperas baseadas em sua obra, Saramago jogando paciência no computador.
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É um documentário sobre a rotina de um casal ocupado.
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Pilar era um pilar, não é difícil chegar a esse trocadilho! O autor precisava dela, sentia-se necessitado de sua proteção. Foi bonito ver essa troca. A todo tempo ela chamava por seu nome.
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Na saída, diversas pessoas estavam chorando. Achei tocante!
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Na última cena aparece Saramago, dizendo: “Pilar, te encontro em outro sítio”, ou alguma coisa assim. Sua feição ao dizer isso não estava muito boa. Acho que ele disse isso, um pouco, a sua revelia, mas posso ter tido uma falsa impressão.
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José e Pilar II

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O amor é sentimento, sim:
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O amor se sente, sim, não há como negar este fato que todos sabemos:
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Mas ele é mais do que isso:
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Não é estático:
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Ele se realiza no desenrolar dos dias:
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Não é só o que se sente, mas o como é CONvivido:
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Sente-se algo, como um diamante plantado, mas ele é muito mais:
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Ele é, sim, um processo:
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É isso que ele é:
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Um processo de horas que escolhemos exercer:
Com aquele ser que colhemos:
Com aquele ser que sentimos:
Com aquele ser que somos:
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Amor é processo que exige abertura e individualidade:
Firmeza, força e docilidade:
Auto-exercício e profundidade:
Declaração e silêncio:
Certeza e inquietação:
Descoberta e procura:
O cais e o saber da hora de se lançar:
O imutável mais profundo:
E a metamorfose crítica e conjunta de dois seres ao longo do tempo:
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Um misto constante de forças:
Que poderiam até soar incompatíveis:
Não fosse a fusão suprema do conceito:
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Amor:
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Tropa de elite II

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Um ótimo filme, muito bem montado, bem realizado, com atuações de peso, inclusive, é claro, a do Wagner Moura, um monstro da dramaturgia.
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É uma estória de ação inteligente que não perde pra nenhum hollywoodiano do mesmo estilo.
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É ficção com muitas pitadas de realidade, sabendo, no entanto, explorar a “carta branca” que só a própria ficção poderia proporcionar. Um documentário não teria o mesmo privilégio!
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Esta carta branca, a meu ver, recai principalmente sobre a figura do personagem principal, o capitão Nascimento, um policial incorruptível, um manto de moral em meio a um mar de canastrões. Daí os benefícios da liberdade ficcional. Existiria um capitão Nascimento fora das telas?!
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Ele é praticamente um Rambo Tupiniquim!!!
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Falei isso pros meus pais, no meio da sessão, e eles morreram de rir!!!
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Mas é verdade, ele tem um lado meio Rambo, de fazer justiça com as próprias mãos, a figura de um homem capaz de lutar contra um exército. Foi até capa da Veja. Estavam falando sobre a possível construção do primeiro herói nacional, vindo da ficção. Acho um pouco exagero, mas, é uma observação interessante!
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Voltando ao filme, possui uma pesada carga de denúncia, contundente com o cenário atual, e que realmente tem força para envolver o espectador e lançá-lo a conclusões que poderiam parecer clichês, não fosse a maneira como a trama é conduzida.
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Tecer palavras sobre a corrupção, dizer que tudo está contaminado, traçar diretrizes sobre o que chamam, no filme, de “sistema”, falando que o interesse financeiro está por trás de tudo, que os interesses são individualistas, que estamos cercados de ladrões e etc, seria uma repetição entediante daquilo que sabemos, não fosse o ritmo imprimido pelas cenas.
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Aí mora um grande mérito, na minha opinião!
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Não foi o que se disse, mas como se disse; não é o discurso, mas o ambiente criado para dizê-lo.
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Gostei!
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Se a arte deve ter, por vezes, uma pegada declarativa e engajada, esse filme conseguiu. Sei que, como muitos outros, os interesses comerciais balizaram os passos, mas isso não apaga o brilho do resultado.
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Acho que em alguns anos será filmado o Tropa de Elite III. O fim desta segunda parte deixa bem indicado a intenção de não concluir, por enquanto...
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Vamos aguardar!!!
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sábado, 13 de novembro de 2010

Os sofrimentos do jovem Werther – J. W. Goethe

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Meio meloso demais! Não gostei muito.
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É um livro pertencente ao movimento “Tempestade e Ímpeto”, uma coisa meio romântica demais. Meio ultrapassada!
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Na época de seu lançamento, o livro levou diversas pessoas a se suicidarem na Europa, mas não pela sua chatice, sondern pelo extremo pessimismo, característica marcante de Werther.
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É um livro importante da literatura. Li, não recomendo e não pretendo ler de novo.
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sábado, 6 de novembro de 2010

Meu aniversário: 06/11

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Meu presente:
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Os 6 volumes de “A Doutrina Secreta”
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de Helena Petrovna Blavatsky.
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Além,
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é claro,
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de uma baladinha com alguns amigos!!!
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Estate – João Gilberto


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Que música mais linda!!!
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Que arranjo magnífico!!!
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O modo João Gilberto de cantar me tocou fundo desta vez!!!
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E o vídeo é muito bem feito!
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http://www.youtube.com/watch?v=gjYydYlV1uQ
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p.s: Estate significa verão...
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