segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Impressões
domingo, 28 de setembro de 2008
Vidas passadas não movem moinhos
...
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Considerações
1
.
O sacrifício é antes uma forma de auto-glorificação, auto-valoração de si para si. O que basta se de menos por saber-se a mais. O sacrifício em si não traz resignação e satisfação. É a contrapartida da premiação da consciência que faz isso. É errado desprover o sacrifício divinizado de uma instância ligeiramente maquiavélica. O alvo do arqueiro é ele mesmo e, nesse caso, pode ser literalmente ele mesmo.
.
- Ohh, que flecha dolorida. Mas vejam vocês como sou forte por agüentá-la em minha carne.
.
.
2
.
A humildade não é se considerar pouco, mas se considerar corretamente. Arrogância é uma forma de ignorância, de consideração errada de si. Ser humilde com poucos feitos é mais difícil que com muitos. A glória pessoal facilita a simulação profunda da humildade. Quanto maior a glória, mais fácil a simulação. Mas como enganar-se profundamente é uma forma de tornar efetiva a transformação pessoal:
.
- Ave minhas glórias. Com o peso de suas luzes, eu me curvo humildemente já que os holofotes da fama ofuscam minha visão.
.
.
p.s: vale a provocação
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
(Milton + Ouro Preto) = Eu fui!!!
Saí de São Paulo na sexta às 23:30, rumo à Itanhandu, rumo à Ouro Preto, rumo ao domingo, rumo à praça Tiradentes, rumo à Milton Nascimento.
.
Assim foi que aconteceu.
.
Valeu a pena ficar em pé em frente ao palco das 14:30 às 22:30 de um domingo lindo.
.
Levantamos de manhã, ajeitamos as coisas no quarto e descemos pra cidade. Rodamos muito tempo pelas ruas daquela cidade linda.
.
Almoçamos e fomos pra praça Tiradentes.
.
Lá tocou a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais acompanhando alguns cantores muito bons.
.
Depois disso, os instrumentos foram trocados, entrou em cena a banda e, por fim, Milton Nascimento.
.
Cantou algumas conhecidas e depois chamou dois jazzistas dos Estados Unidos: Ron Carter no baixo e Wayne Shorter no sax soprano. Improvisaram lindamente. A praça lotadíssima até onde os olhos iam. Uma festança só. A cidade estava em festa. Mui alegria, gente cantando, clima um pouco friozinho.
.
Teve Caxangá, Nos bailes da vida, Ponta de areia, Canção da América (tinha achado o vídeo, mas perdi)
.
Encontros e Despedidas (acho que dá pra ver minha cabeça – rssss)
.
http://www.youtube.com/watch?v=Vc8Z-VtIhtU
.
Ana Maria, Milagre dos Peixes,
.
http://www.youtube.com/watch?v=jHRsArO9IpY&feature=related
.
Lilia
.
http://www.youtube.com/watch?v=BlQHJb_fI7o
.
Canção do sal
.
http://www.youtube.com/watch?v=_dtML-SfDQw&NR=1
.
Vera Cruz e mais outras que eu não conhecia.
.
Depois de alguns minutos de instrumental, o Milton chegou devagar no microfone e disse para cantarmos um vocalize que ele iria improvisar com a voz. Só ele, o violão e nós. Depois a banda entrou aos poucos. E assim foi.
.
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
.
Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...
.
Travesseiro dos meus braços
Só não faz se quiser
Um travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser...
.
Sustenta palavra de homem
Que eu mantenho a de mulher
Sustenta a palavra de homem...
Que eu mantenho a de mulher
.
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
.
Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...
.
A praça inteira fazendo o vocalize dessa música, e ele improvisando e cantando: “GIROUUUUU”.
.
Olha ae o começo:
.
http://www.youtube.com/watch?v=NXnTMRNiLiY
.
Olha ae o finalzinho:
.
http://www.youtube.com/watch?v=Z_bLOUPKYy0&feature=related
.
E realmente girouuuuuuu.
.
A gente cantava muito alto. Ele largou o violão e ficou só na voz.
.
Os músicos da banda olhando aquilo (eu vi a cara deles - rssss), o povo cantando com força e o Milton cantando: GIROUUUUU!!!
.
Foi lindo demais!!! O momento mais intenso do show pra mim.
.
Acho que esse vocalize é um mantra. rssss
.
Depois disso a banda agradeceu e terminaram a apresentação enquanto as pessoas começaram a cantar o vocalize de Maria Maria que desde tarde a gente estava cantando pra pedir o começo do show. Então a banda voltou e tocaram Maria Maria. Daí foi pouco pro povo sair pulando. rsss
.
Vejam esse vídeo do meio da música. Ele dá uma noção do que aconteceu lá.
.
http://www.youtube.com/watch?v=q1enUam1f4U
.
Minha mãe pediu tanto um beijo pra ele durante o show que conseguiu no fim. Ele mandou um beijo pra ela, enfim. Rsss
.
Depois de terminado, fomos comer e dormir.
.
Como o Milton disse, aquela noite iria ficar marcada na vida deles e nós sabíamos que iria ficar nas nossas. Também disse que ele gostou muito de poder retribuir a Ouro Preto as coisas que ela já tinha lhe dado e que estávamos todos nós, palco e platéia, em casa, porque era tudo de Minas, “é tudo nosso”.
.
AAAAAAAAHHHHHHHHH, coisa poka...
.
Já que estou colocando vários vídeos, vou colocar o vídeo de promoção do festival. Ele foi em homenagem ao Milton.
.
http://www.youtube.com/watch?v=IB6PzPS-LFM&feature=related
.
E por último só pra mostrar mais uma música bonita. Rsss
.
Cais
.
http://www.youtube.com/watch?v=4TlvMFdyUXI&feature=related
.
Milton Nascimento + Ouro Preto = Eu fui!!!
.
Depois de mais de 8 anos esperando essa união, eu consegui ir ver. Quando eu ainda estava em Itanhandu, ouvi dizer que ele iria fazer o show Tambores de Minas lá, mas acabei não indo. Desde essa vez que eu e minha mãe comentamos que quando tivesse show dele em Ouro Preto nós iríamos, e assim se fez.
.
Por último, uma foto pra provar... rsss
.
Foi foda!!! E quero mais... rsss
.
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Dom Casmurro
.
Depois de Clarice Lispector, Machado de Assis fica fácil.
.
É isso mesmo!!!
.
Enquanto Clarice lota páginas de frases magníficas e complexas, Machado se coloca aqui e lá, vez ou outra, com frases de beleza relativa. Mas, falar mal de Machado sem embasar é perigoso demais e, comparar dois como esses, é desnecessário. Também não posso deixar de dizer que já li mais Clarice que Machado, tenho preferência por ela e isso influencia minha opinião. Posso dizer no máximo que escrevem de maneira diferente.
.
Mas...
.
Ela é melhor.
.
Pronto, falei...
.
Precisava falar.
.
Dom Casmurro é interessante e leve. Ler dez páginas de “A maçã no escuro” é um sacrifício maravilhoso. Ler 20 de Dom casmurro é legal, faz o tempo passar tranqüilo, mas não encanta como a leitura do outro livro.
.
Bom, mas esse post não é pra comparar. Já deixei claro que ela escreve melhor que ele e como não se deve simplesmente falar mal de Machado, vou falar mal, mas com argumentos. A razão também tem seu poder.
.
Dom Casmurro possui alguns aspectos que vão além do livro. A estória faz um paralelo com o Rio de Janeiro daquela época. Escobar e Capitu representam os emergentes, Bentinho a velha aristocracia. A “História dos subúrbios”, que poderia ser considerado o título oculto do livro, se realiza em Dom Casmurro com alegorias, já que faltaram fatos e documentos, como diz o próprio Bento, escritor de sua própria trama.
.
Isso aumenta um pouco a graça da obra, mas ainda assim não é muito. Adoro essas simbologias, mas, esta que li agora a pouco na internet, não bastou pra obra crescer até o ponto que eu esperava que ela estaria quando terminasse de ler, como aconteceu há alguns minutos.
.
O ponto tido como o principal da trama, não é bem trabalhado. Minha expectativa era que a dúvida em Bentinho iria ser negada a aprovada por diversos capítulos e acontecimentos, o que enriqueceria a trama e daria uma beleza maior à leitura. A medição das palavras para a sustentação do enigma, coisa que Guimarães Rosa faz com maestria em torno de Diadorim em Grande Sertão: Veredas, não acontece aqui em Dom Casmurro.
.
Machado de Assis simplesmente divide o livro em duas partes, o que facilita o desenrolar das palavras.
.
Na primeira e longa parte, ele constrói uma Capitu bela, singela, viva e reta. Uma boa mulher.
.
Na segunda, de repente, ele se mete a falar mal dela. Estava protegido pela desculpa de não ser ele mesmo o escritor, mas um personagem criado por ele. Esse distanciamento criou o conforto da parcialidade, um elemento que pode mostrar a covardia e o comodismo do escritor. Vixi!!!
.
Dentro desse conforto de não ser ele mesmo o dono das idéias, ou seja, ele não respondia como Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho se esquivou da responsabilidade levar seus leitores a concordarem com ele. Não era a capacidade de análise dele mesmo que estava em jogo, mas sim a de Bentinho. Isso é um elemento simplificador. Não era a inteligência e a astúcia de Machado de Assis que estava sendo posta a prova naquelas páginas. Não era e não foi.
.
Ou quase?!?!
.
Eu tinha a expectativas de encontrar na obra diversas passagens que me deixassem em dúvida. Um mistério constante que iria me angustiar. Eu queria me angustiar. Queria passagens que confirmassem, outras que negassem.
.
Capitu tinha tudo para ser adequada a essas possíveis cenas. Era por vezes meiga, sincera, sempre trabalhadora e boa dona de casa. Era mais esperta que Bentinho e poderia muito bem se sair coerentemente de diversas situações. Mas isso não ocorreu. As situações foram pouquíssimas e as crises não descritas.
.
Machado constrói por tantas páginas uma boa pessoa e personagem (são coisas diferentes) e depois simplesmente descamba em falar mal dela, tendo como centro a simples e inegável semelhança entre Ezequiel e Escobar.
.
Pô Machado, esperei mais de você!!! Foi um recurso fraco...
.
Cheguei logo à conclusão de que Capitu traiu Bentinho. Ferreira Gular também acha isso. rssss
.
Bento não estava tão mal do juízo a ponto de construir tão forte e falsa impressão em relação ao filho. Ele era parecido com Escobar, sim. Capitu mesmo disse isso. E Bento, apesar de casmurro, tinha sua sanidade e seu olhar para as coisas.
.
No início, esperei por diversas páginas o início da confusão que chegou bem tarde e bem simplória. Achava que Capitu não iria trair Bentinho, pela sua personalidade, mas no final aceitei o fato de que ela traiu sim.
.
Fazer eu mudar de idéia foi uma coisa interessante, mas o problema é que a DÚVIDA, esta dúvida que dura mais de 100 anos no Brasil, não existiu na própria obra em si e, mesmo que persista em outras pessoas, ela não foi bem construída.
.
O centro da dúvida não faz jus ao seu tamanho e repercussão.
.
A obra não trabalha NA dúvida ou COM a dúvida do personagem.
.
O livro não está recheado de fatos oblíquos e dissimulados, como esperei.
.
O autor trabalha com a simples construção e desconstrução de um personagem apoiado na desculpa de que o livro era uma visão parcial. Tudo bem, que seja parcial, mas mesmo este parcial poderia se banhar de mais dúvidas, mais questionamentos. Este encanto não existe.
.
Retirando esse fator da dúvida, que não ouve ou que está no máximo bem mal construída, qual a beleza literária de Dom Casmurro?
.
Aí, que pecado perguntar isso!!!
.
Mas é verdade. Dom Casmurro hoje em dia não causaria rebuliço. A história fez o livro porque a estória não tem nada de mais. Era a época certa para lançá-lo talvez. Hoje em dia não seria a metade do que foi e é.
.
Guimarães Rosa é eterno, sendo lançado quando foi, hoje ou daqui há 100 anos. Aposto. Sua beleza está além do tempo. Clarice Lispector também. Eles são eternos. Isso é literatura de primeira grandeza. Dom Casmurro, na minha opinião, não é. E ainda consideraram ele, juntamente com Grande Sertão, os maiores romances da literatura brasileira. Saiu na Folha Ilustrada de uns meses atrás.
.
O tempo e os críticos fizeram o livro. Que ele tem valor pra literatura brasileira, ninguém discute, mas que ele pode ser bem frustrante, isso também é verdade.
.
Talvez Machado de Assis não tivesse dúvidas sobre a traição e talvez nem pensou nela como o grande motor do livro, pelo menos assim parece ao ler. Mas, um certeza eu tenho: ele não tinha a mínima idéia de como iriam especular em torno desse fato.
.
Queriam fazer barulho e agora o barulho já está muito bem feito. Não se silencia mais.
.
Em resumo...
.
Adoro escrever um parágrafo pra resumir... rsss
.
Em resumo, a dúvida é pequena e, principalmente, mal construída. A trama não é tão elaborada assim. Capitu morreu na praia por ser desperdiçada enquanto personagem. Bento é chifrudo, mas não louco, por isso podemos crer nas suas fortes impressões. E eu, apesar de criticar Machado de Assis, não sei se conseguiria escrever a estória como imaginei que ela seria antes de lê-la.
.
Aquela beleza que só a literatura é capaz de criar e curtir, não houve nesta obra.
.
Frustrou...
.
.
.
.
.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Post 456 - I'll take you there

I know a place
Ain't nobody cryin'
Ain't nobody worried
Ain't no smilin' faces
Mmm-mmm, no, no
Lyin' to the races
Help me, come on, come on
Somebody, help me, now
(I'll take you there)
Help me, y'all
(I'll take you there)
Help me now
(I'll take you there)
Oh, mmm-mmm (I'll take you there)
Oh, oh, mercy
(I'll take you there)
Oh, let me take you there
(I'll take you there)
.
Oh-oh-hoooo, let me take you there
(I'll take you there)
.
Play it Mary, play your
Play your piano now
All right
Aaaaaah, do it, do it
Come on now
Play on it, play on it
Big Daddy, now
Daddy, Daddy, Daddy
Play your, ummmmm
.
Ooh, Lord
All right now
Baby, little lady, easy now
Help me now
Come on, little lady
All right
Dum-dum-dum-dum
Doin' sockin' soul
.
Aaaaaaah, oooh, aaaaah
I know a place, y'all
(I'll take you there)
Ain't nobody cryin' there
(I'll take you there)
Ain't nobody worried, y'all
(I'll take you there)
No smilin' faces
(I'll take you there)
Uh-uh
(Lyin' to the races)
(I'll take you there)
Oh, oh, no
Oh
(I'll take you there)
Oh, oh,
(I'll take you there)
Mercy now
(I'll take you there)
I'm callin' callin' callin' for mercy
(I'll take you there)
Mercy, mercy
(I'll take you there)
You gotta, gotta, gotta let me
Let me take you, take you
Take you over there
.

.
HOW???
terça-feira, 9 de setembro de 2008
A ilha a centenas de milhas daqui
Há músicas que têm gosto de noite, sabor de madrugada, som de escuro, aconchego de silêncio. Há músicas que tocam sem fazer barulho, que desenrolam sem se perceber, que não se importam em passar longe dos ouvidos. Há músicas que saem dormindo no ar e logo se desmancham no chão. Limpam o quarto e o momento. Não chegam à consciência, mas acariciam a alma. Nos fazem chorar pensando que choramos por nós. Mas deixe que seja assim. Vêm sutis, sem impactos, percorrem o vazio como o mais tímido dos acordes e se esquecem de nos lembrar de sua beleza. Isso não faz falta, pois sabemos, quase sem querer, que elas se fazem do todo e do máximo e, como todo máximo, é intocável da carne, para melhor ser.
.
A ilha (Djavan)
Intérprete: Chico Buarque
.
Um facho de luz
Que a tudo seduz por aqui
Estrela cadente reluzentemente
Sem fim
E um cheiro de amor
Empestado no ar a me entorpecer
Quisera viesse do mar e não de você
Um raio que inunda de brilho
Uma noite perdida
Um estado de coisas tão puras
Que movem uma vida
E um verde profundo no olhar
A me endoidecer
Quisera estivesse no mar e não em você
.
Porque seu coração é uma ilha
A centenas de milhas daqui
.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
A maçã no escuro I (desta leva)
A maçã no escuro IV
“... e eles se amaram como casados se amam quando perderam um filho.”
.
A maçã no escuro
.
Senti ele em mim e concordei por compaixão e desejo
Seguimos loucos, dotados de dor e desespero
Como se aquele ato nos fizesse novamente aquele dia
Como se aquilo nos trouxesse de volta o que foi
Como se pudéssemos estancar a morte que ainda esvaia
E resguardar o que restasse daquele ah-rebento
Dentro de mim
.
Nos amamos em fuga, num escape de nós
Nos amamos por medo da calma e do silêncio
Procurando a menor distância
Aquela que possibilitasse a extinção eterna
Da solidão humana
.
Haveríamos de nunca mais estar só
Haveríamos de sucumbir às multidões
E nunca mais deparar com o que nos persegue
Até mesmo em sonho
.
Tragamos pelo corpo o prazer que degola a consciência
Gozamos por raiva do mundo
Invejávamos o consentimento
E por isso provocamos a inveja das almas
Que não poderiam sentir, como nós, este nosso sufrágio mútuo
.
Rebentamos o ridículo e definhamos convictos
Satisfeitos da vingança
De poder sorrir ao menos
Quando o mundo nos obrigou a chorar
.
Posto isso, nossas lágrimas rolaram unas
Naquele tempo que resistiu o olhar
.


