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sábado, 28 de outubro de 2023

NOSSO TIO MÁ, MEU PRIMO BOM!

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I
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Todas as coragens têm suas prévias fontes
As conhecemos desde o início de nossas encarnações
E a esses chamamos de pais, avós ou ancestrais
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Mas há também coragens
Que se resguardam
Anteriores ao conhecimento prévio
Fixados em gerações similares
Programados na morada da possibilidade futura
E a esses chamamos: PRIMOS!
.
Pensando nisso, digo agora que
Há almas trans-parecidas
Antes de se transparecerem
Há almas pré-conhecidas
Antes de se conhecerem
.
Há sensibilidades
Que se encaminham anteriores ao conhecer
Vão indo pelo mesmo caminho
Apesar de estarem tantos anos apartadas
.
Há forças
Que moravam na casa da possibilidade
Na promessa de, em algum dia
Virem a estar em conjunto
.
Há pessoas
Que eram para se encontrarem
Há determinações familiares
Que são furtivamente inescapáveis
.
Ou mais...
.
Há espiritualidades
Que agradecemos por terem vindo antes!
.
II
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São posturas comuns, olhares fortes
Jeitos arcados de coluna
Adentrares de famílias tradicionais
Inteligência e esgarçar de espaços
Que devemos agradecer
E baixar a cabeça
Por terem vindo antes
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São espíritos admiráveis e de grande valia
Por terem desbravado contextos anteriores a nós
Contextos anteriores a mim
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E acho que almas foram feitas para vencerem juntas!
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Almas foram feitas para se olharem
Em estado de graça
Naquilo que chamamos, agora, de vida
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São pessoas de imaginação fértil
De coragem cortante
De perseverança incorruptível
Pessoas de se dizer:
Meu Deus, como sou também assim!
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Palavras fortes
Posturas veementes
Verdade acima de tudo
Verdade acima de tudo
Verdade, verdade
Nada além da verdade
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Nós queremos a VERDADE!
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Não suportamos a mentira
Pois queremos o correto
Queremos a vida inteira
A vida verdadeira
Dentro daquilo que as almas dignas
Têm direito de ter
.
III
.
Mas diga, diga-me o que você sente!
.
Sinta, sinta-se na música que você ouve!
.
Conte, conte-me o que pensas dela!
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Fale-me sobre a verdade maior do momento
Comova-me sobre aquilo que estás sentindo
Pois eu irei junto contigo
Eu irei para sentirmos juntos!
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E façamos uma nova verdade
Façamos uma novidade inventada
Façamos a revolução da masculinidade familiar
Façamos a justiça
.
Calemos o machismo
Provemos que o mundo pode ser mais colorido
Provemos que o mundo pode ser mais irreverente
Provemos que existe uma força diferente
Uma força vinda
Como dito anteriormente
Também daqueles que nasceram antes de nós
.
Vamos fazer vingar a valentia
Pelos olhos da dignidade
Pelos poros da integridade
.
Vamos fazer vingar a rebeldia
Em nome, em homenagem
E pela inteireza dos delicados homens
Que nos emprestaram seus genes:
Alfredo e Ademar
.
IV
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Somos de gerações diferentes
Mas com sentidos iguais
Saídos de um mesmo familiar ventre
Cada qual com seus escolhidos amores:
PEDRO E FERNANDO
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E vamos continuar amando
Estes nossos tão parceiros
Pois o amor é direito intrínseco
Das almas minimamente divinas
Mas sublimemente vivas!
.
Enfim
Obrigado meu primo
Obrigado por vir antes
Obrigado pelo caminho que traçastes
Com a postura que também prefiro ter em mim
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MUITO OBRIGADO!!!
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4:03 A.M – 19/10/23
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quarta-feira, 12 de julho de 2023

OURO PRETO (Segunda Milésima Quingentésima Postagem - Post 2.500)

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I
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Ouro Preto
Vir aqui foi passeio
Há alguns anos sonhado
Em noite de imaginário alado
.
Ouro Preto
Andar por tuas ladeiras
Foi presente dourado
Um gritante regalo calado
Vindo de um remoto passado
.
Ouro Preto
Caminhar por teus traçados
Foi fazer vivo em nossos corações
O que já há tanto tempo aqui existe
Mas que, às vezes, nos esquecemos
.
Fomos singelos passageiros
De tua calma eternidade
E sei que nós morreremos
Mas nunca o significado desta cidade
.
II
.
Nesses cinco dias
Pudemos sentir
O retorno dos teus contornos
Vivemos teus entornos
E sentimos cada encanto
Dos teus delicados recantos
.
Sentamos em tuas praças
Suamos em tuas ladeiras
Rezamos em tuas igrejas
Pecamos em teus barrocos
Escravizamo-nos ao revés
Em libertação
Sentindo as raças que aqui sofreram
E que fizeram
Neste local
O início de um futuro possível Brasil
.
No entanto, agora
É triste sentir
Que ainda tentamos ser
A nação que aqui sonharam
E ainda tentamos ter
A dignidade e a coragem
De alguns dos seres
Que aqui nos antepassaram
.
III
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Ouro Preto
Tu és Tiradentes que acreditou
Num Brasil que queria existir
E que talvez seja
Um Brasil que ainda não é
.
Ouro Preto
Tu és Tiradentes que
Ao ter seu corpo despedaçado
Fundou o início de nossa junção
.
Ouro Preto
Tu és Tiradentes que
Ao ser desmantelado
Fez soar os sinos invisíveis
Conclamando silenciosamente um povo
Nos primórdios da nossa união
.
Ouro Preto
Tu és Tiradentes que
Ao esquartejarem seus membros
Ao espalharem a morada de sua alma
Criou a fértil semente de um conjunto
Personificou a figura de um mártir
E fez delinear os traçados
De um herói unificador
.
IV
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Ouro Preto
Também és milagre do chão
Milagre do subsolo rincão
Foste formada pelos homens que perseveraram
Pelas mulheres que resistiram e rezaram
Tu és a pátria-solo arrancado que
Por exploração
Nos pariu
.
Ouro Preto
Também és desenho humano
Escorrendo ladeiras
Elevando mundos
Efervescendo profundo
Resistindo enquanto eterna colônia
Acreditando ser possível nação
.
Ouro Preto
Foste labirinto humano
Se fazendo realidade
Um Brasil se desenhando
Descendo e subindo
No lombo de labutadores
Que pelos pés fincados no chão
Fizeram física
A proposta primeira de um país que
Ainda hoje
Se faz meio eterna promessa
.
V
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Mas
Acima de tudo
Como dizem:
“O Brasil nasceu aqui”
.
O Brasil começou aqui
Pelos dedos carcomidos
Do exaurido Aleijadinho
Médium autodidata
Filho de arquiteto e escrava
Nascido na periferia humana
Mas que depois se moldou
Escola escultural do mundo
.
Aleijadinho
Teus dedos se enrijeciam
E tuas extremidades se esvaiam
Enquanto fazias existir
O maior conjunto
Do Barroco arquitetônico mundial
.
É como se
Um pouco da vitalidade de teus dedos
Tivesse transpassado
Para o inanimado de tuas obras
E nelas habita até hoje
No formato pétreo de uma vida sempiterna
.
Teu corpo sumia
Enquanto fazias nascer
Tua obra para a eternidade
.
E eu
Chorei em teu túmulo!!!
.
VI
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Também digo que
O Brasil começou aqui
Pelos traçados coloridos de Mestre Ataíde
Homem de dedos leves
Artista milagre da barbárie escravocrata
.
O Brasil foi parido aqui
Pelo metal dourado
Arrancado do coração mineiro
Metal que fez a glória da colônia medíocre
E que serviu de sustento indireto
Para a Revolução Industrial
Do "Unido Reino" explorador
.
VII
.
Mas nada disso importa
Pois, Ouro Preto
Nós te amamos
E em tuas ladeiras fomos felizes!
.
Teu traço que escorre
Desde a praça aconchegante
Nos elevou o coração
Nos amalgamou a alma
Nos convidou a contemplação
Nos fez movimento de dentro-fora
.
Ouro Preto
Teu céu tão próximo
Quase ao alcance das mãos
Nos arrebatou em redenção
E nos fez bem
.
Saímos daqui alimentados
Saímos daqui banhados de Brasil
.
Sentiremos saudades
E retornaremos
Pois sabemos
Que nossa nação em brasa
Ainda faz sentido
Quando sentida AQUI
.
MUITO OBRIGADO E ATÉ BREVE...
.
.
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terça-feira, 23 de maio de 2023

VITRÔ

No reflexo inverso do espelho
Que a janela etérea me impacta
Vejo-me sendo a cidade
Feito ríspida simbiose análoga
E emergo-me intrínseco do sendo
Um escravo côncavo do trato
Perplexo restrito do descaso 
.
Em mim, sou o que não ocupo
Nela, sou o que não me caibo
Em sendo, sinto que não destoou
Se tendo, sinto que não possuo
.
Faço-me feito um desfato
Finjo-me pleno descaso
Planto-me feito feto incauto
Colho-me vítreo análogo
.
Sou indigesto percalço
Um despedaço granulado
Quase um espaço opaco
Que preservo escravo de fato
Posto que pouco me cravo

quarta-feira, 19 de abril de 2023

O Convite da Chuva (Poema Processo)

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PARTE I
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Sibilante invólucro sonoro
Que se infiltra pela atmosfera etérea
Deste apartamento em ressonância
Convidando-me a algo que ainda não sei
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Constante e cadenciado burilar de pétalas líquidas
Que me lembra de tantas experiências longínquas
Esquecidas no porão das memórias renegadas
Mas que me agarram os calcanhares
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Desfolhar denso e descendente da lótus celestial
Que, em sua polirritmia, acalma corações e mentes
Neste desenrolar constante da noite em escuridão
E que me instiga o imaginário neste momento
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Auscultando o coração da madrugada
Que se ventila nesta cortina invisível em sua liquidez
Coloco-me prostrado defronte aos vocábulos
Esperando a deliciosa agonia da inspiração
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PARTE II
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Faço-me pouco neste instante
E resigno-me neste amálgama de espaços
Para pulsar calidamente minha interioridade
E reacender espaços inexplicáveis 
Entranhas de um vasto inexprimível
Salões incalculáveis de minha autocaverna
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Minimalizo-me como que numa concha invisível
Lançando minha imaginação voluntariamente
Rumo a um passado de dor e criação
E tento tragar por meio destas palavras
O fôlego motriz capaz de me colocar
Novamente em ebulição
.
Procuro desesperadamente espelhar-me
Nestas singelas gotas altivas 
Que recaem expandidas em coragem
Lançando-se de encontro ao chão do mundo
Fecundando o seio da terra de tamanhos erros
Mas que continua sendo
Nosso único e inescapável destino
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PARTE III
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Preciso-me assim
Anseio-me por ser gota de coragem
Pranteio-me de tentativas
Revolvo-me em contorcências 
.
Mas, qual o que?!
.
Falta-me tudo e tanto e tato
Falta-me a força, a fé e o foco
Portanto
Canso-me de mim
Desisto-me assim
E retorno-me outrossim
À lamentação que me encharca
.
CHEGA DE PROCURAR INSPIRAÇÃO!
Vou apenas falar do que tenho aqui dentro agora...
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PARTE IV
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Oh tampa de mediocridade
Que se deitou por sobre minha cabeça
Enclausurando meus pensamentos disformes
Que não conseguem mais se alimentar
Da expansão revolucionária da livre imaginação
.
Oh dor de negação das capacidades
Que se sobrepõe à convicção da qualidade própria
E me faz não gostar daquilo que posso fazer
E que, por isso mesmo, não me alimenta
No caminhar cambaleante do literato instante
.
Deveras irrisório é o poema que de mim parte
Repartindo-me em postas mínimas 
E sem brilho capaz de reluzir aos olhos de outrem
.
Inconclusas formas literárias de dor 
Recendendo uma inútil insistência fétida
Agora saem pelas pontas dos meus dedos
Em frases oblíquas de poética inepta
Mas que prefiro dolorosamente expandir
Como fosse um autosadismo 
Ou talvez um disfarçado vitimismo
.
Persevero nesta colocação ferina
Na esperança de me contrair ao tamanho real
Na busca por me colocar humildemente
Na minguada envergadura exata
Que a inércia passada me condenou
.
PARTE V
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Sou 
O zero absoluto 
De um processo 
Que há tantos anos 
Se iniciou
Mas
Que se refreou 
Pela incredulidade geral
Ou pela crença 
De que ele 
Não me levaria 
A lugar algum
.
Sou
Neste instante 
O tamanho exato 
Daquilo 
Que não me fiz
.
Sou
Nesta hora morta
A forma derretida 
De uma proposta 
Apartada no tempo
Esquecida no espaço
Esvaída no vácuo
Carcomida no caos
Atrofiada pelos dias
Atropelada pela rebeldia
Afogada pelo materialismo
Desmantelada pelo cotidiano
E morta em alguma lembrança
Que não consigo mais resgatar
.
PARTE VI
.
Enfim
Neste instante sem par
Não pude responder dignamente
Ao convite que a chuva se me lançava no ar...
.
.
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sábado, 8 de abril de 2023

UNIDOS NO AMOR

 - Sinto a chuva sobre minha memória 

 - E sigo lembrando de cheiros e cores de minha infância 

 - Refletindo sobre o passado que ainda não chegou 

 - E, na beira do Rio Verde, a vejo passar 

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 - A lembrança de um homem e uma mulher Pinto de Sou❤️a me concretizam agora

 - Me fazendo cada vez melhor

 - E, mesmo chegando tarde neste lugar, sinto que faço parte desta jornada 

 - Somos diferentes, muitas cores e formas, mas unidos no amor

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Diva, Márcio, Wagner e Lucas

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08/04/2023 - 3:56 a.m

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

FRASES DO CELULAR - 2022 - 02/10/2022

TATUAGEM
De repente
Impôs-se o vazio
Fecharam-se todos os caminhos
Apagaram-se todos os holofotes
Calaram-se todas as ruas
E silenciaram-se todos os palcos
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De repente
Restou o ruído dos famintos
O lamento dos enlutados
O choro dos perdidos
O tumulto interno dos criativos
E os estranhos ganharam ainda mais força
.
De repente
Os bravos perderam seus iguais
Os iguais perderam sua bravura
A bravura perdeu sua igualdade
E as encruzilhadas estavam fechadas
Para aqueles que ousavam sonhar
.
Mas tudo na vida tem seu oposto
Para cada ação
Sempre haverá uma reação
E para cada realidade
Sempre haverá uma resposta
.
E foi, numa noite de inquietude
Que alguém, vendo num filme
O retrato de nossos semelhantes
Teve, numa práxis improvável,
Sua epifania, semente de uma nova desordem
.
Havia, enfim, um plano
Uma ideia que traçava o paralelo 
Entre universos tão distantes
Porém tão iguais
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Havia uma nova esperança
Gerando, pela estilosa pobreza de criativa falta
Aquilo que viria a invadir
O palco do principal prêmio
Do teatro musical brasileiro
.
Tatuagem é um ponto dentro de uma força infinita
Uma força que alimenta o sonho dos resistentes
Alimenta a resistência dos nossos iguais
Alimenta a igualdade das nossas quimeras
.
Tatuagem colocou em frente à ribalta
Peitos novamente acesos pelo teatro 
Um teatro assinalado e assinado por todos 
Junto às nossas cicatrizes
.
Marcamos o chão
Com pontiaguda risca
Para celebrar nossos antecessores 
Para celebrar aqueles que colocaram em palco
Suas plumas e paetês
Seus corpos e seus suores
Suas paixões descaradas, sem medo
.
Celebramos os marginais da arte
Que, assim como nós, vivificaram
No recanto de uma urbanidade
Seus gritos tão legítimos
.
E foi, por meio destes gritos
Que a Companhia da Revista 
Frutificou seu novo marco 
E nos arrebatou para além da fumaça
Que se elevou das massas
Consumidas pela fogueira 
Que JAMAIS será a derradeira 
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quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

FRASES DO CELULAR – 2022 - 24/01/2022

Ao ver a sombra de meu rosto
Estampado na parede
Ao ver o contorno de meu semblante
Chapado no muro bidimensional
Ao ver o delineado de minha barba
Sem o preto dos pelos
Ao ver o desenho de meu nariz
Além das rugas e sinais que ainda aparecerão
 
Enfim...
 
Ao ver minha silhueta simplificada
Ali ao meu lado
Pude antever o senhor que serei
Pude prever o formato
Daquilo que, em mim, será
 
Como se eu me acompanhasse
Num amanhã projetado
Minha sombra caminhava comigo
Estampada na faixada de um prédio
 
Era a premonição
De meu futuro contorno físico
Caminhando comigo pela rua
 
Era o formato resultante dos anos
A essência de meu espirito íntimo
Aquilo que um dia serei
E que, naquele momento
Me fazia companhia noite adentro
 
Foi como se um portal de tempo
Me convidasse a olhar aquilo que me tornarei
A proximidade do contorno sem idade
Me convidando a ver o amanhã de mim mesmo
 
Mas não tenho certeza se gostei do que vi!

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Caio em mim (Caio em si)



Desço as escadas 
Passo pelos andares 
Fluo por entre o movimento dos seres
Seus compromissos corriqueiros
E suas formas próprias 
De ocupar o intervalo entre o nascimento
E o momento de se esvair
 
Adentro o subterrâneo desta construção 
Abro a porta de seu recanto musical
E lá dentro
Estou eu mesmo
Quieto menino
Me esperando solitário

Vou então em minha direção!

Chego calmo
Me olho vasto
Sento-me mínimo defronte ao instrumento
Amigo sonoro
E espelho deste instante tão único

Neste local de luzes esparsas
Que clareiam meu ser profundo
E delimitam minha pequena consciência de mundo
A dimensão dos ruídos ressoa ao longe

Meus iguais prosseguem remexendo seus cotidianos
Meus divergentes pouco me importam
E a velocidade da infinita realidade torna-se fútil 
Pois agora quero estar somente aqui
Quero somente estar defronte a mim

Desligo-me do universo externo
Do turbilhão desconexo
Rebaixo minha fronte em direção a fonte dos sons
Estou recôncavo em minha ânima

O canto de minha interioridade 
Ressoa nas galerias de meu inconsciente
Ecos longínquos de tantas coisas
E neste interim próprio
Me embalo de todas elas
Para me encontrar naquilo 
Que em mim quero conhecer

Minhas mãos procuram uma melodia familiar
Uma intuição pueril 
Que me assalta de recônditos passados 
Feito uma base vivida e vívida 
Que se me leva adiante

Tateio velhos caminhos pitorescos
Onde uma doce canção infantil
Serviu de álibi para cantar 
E pelejo com meus erros e acertos
Até conseguir completá-la

 - Não é assim também com a vida?! – Pergunto-me

Sem que eu tenha consciência
Neste momento tão nuclear
Eu sou a metáfora de todo meu ser
Eu sou a metáfora de minha existência em expansão

Neste momento tão nuclear
Sem que eu realmente saiba
Tudo o que agora estou
É a representação física
De um menino defronte à vida
De um homem defronte à Deus!

Agora eu sou
A tentativa íntima
A labuta própria
O momento da sutil interioridade

Agora eu sou
A realidade e seus ruídos
A busca pela cadência interna
A procura por afinar a vital melodia 

Agora eu sou
A minha biografia em construção
Os sons que devo emitir ou calar
O início, o fim e o meio

Agora eu sou inteiro naquilo que estou

AGORA EU SOU UM ESPÍRITO
DENTRO DA MACROESTRUTURA DE TUDO

Encosto minha face no punho cerrado
Dando apoio a mim mesmo
E por sobre meus ombros
Possibilidades transversais de um futuro 
Perpassam rápidas 

Neste momento
Mil realidades se me delimitam
Num horizonte que sempre virá
Mas elas nem chegam ao meu campo do verbal

Não consigo detê-las em vocábulos
Não consigo apanhá-las pelos ares 
Mas pressinto inconscientemente
Estar senhor de uma outra pulsação 

Mexendo minhas mãos sobre teclas de metal
Jogo os búzios de uma outra dimensão
E prevejo 
Sem tomar plena conhecimento
Que existe um lugar mais amplo
Dentro deste meu ser de tão pouca idade

Por que o poeta não me revela o que agora vê?
Por que ninguém agora vem ao meu encontro
Trazendo em suas mãos
As chaves da interpretação deste isto que não sei?

Estou sozinho
Sou menino tão só
Sinto frio e quietude
Me sinto vasto 
Porém indefinível nesta amplidão

O que me espera no futuro?
Serei feliz ou somente humano?
Viajarei por inúmeros lugares
Ou a vida não me será tão ampla?

Terei amores 
Ou minguarei na solidão 
De mundo pós-moderno em desconstrução?
Caminharei com meus iguais
Ou dormirei estanque 
Numa clausura silenciosa e imutável?

Eu não sei!
Eu não sei!
Eu não sei!

 - Oh poeta, por que me abandonaste?

quarta-feira, 20 de julho de 2022

VIAGEM 1 - AMOR

Num passado não muito distante
Num instante que ainda pouco me cercou
Eu olhava firmemente nos teus olhos
Mas tua face, em não me sorrindo, desbotou
.
Numa cercania que mesmo ontem me detinha
Num local do espaço-tempo onde-quando me encontrava
Eu tentava inutilmente encontrar teu vago espírito 
Mas tua alma, feito água, esvaindo evaporava
.
Numa tentativa de realidades sob a qual me restei
Num átomo de ex-agoras que em mim inda conservo
Permanece a esperança de poder o que nem sei
Resguardando um terno amor que em mim sutil preservo
.

VIAGEM 2 – LITERATURA 1

Tantos foram os dias que vaguei
Sem saber ao certo para onde elevar meus olhos
Sem saber como e por quem rezar 
Sem saber o modo que me permitiria
Sentir-me um pouco mais liberto
.
Tantos foram os dias que vaguei
Nesta imensidão raquítica
De instáveis ignorâncias 
Que se me assentavam numa estranha obediência 
Não me permitindo encontrar o atalho que me salvaria
.
Por isso eu fui apenas indo
Passando os dias como quem não se sabe
E fui mirando somente o mínimo necessário
Adaptando-me ao que me não cabia 
Esmagando-me no vão de um estreito horizonte
Formando, momentaneamente, o espaço de não me bastar
.
E foi assim que aconteceu
Pois a realidade fica estranhamente silenciosa
Quando se se dedica menos a escrita da vida
Quando as palavras passam em vão 
Num largo equidistante de perdição 
.
Quando não se escreve e apenas se sobrevive 
Os ruídos profundos não chegam claros aos ouvidos internos
E tudo parece uma constante escuridão amórfica
Que está aparentemente em silêncio
Mas resguarda um perigoso buraco de nunca se escutar
.