Esta ópera trágica de Strauss é
baseada nos escritos de Oscar Wilde, que por sua vez se baseiam nos Evangelhos de
Mateus e Marcos. Basicamente, a ópera é a dramatização da decapitação de São
João Batista, e os acorridos antes e depois desta tragédia.
Salomé se sente atraída pelo
profeta prisioneiro Lokanaan (São João Batista) e se insinua para ele. Este,
por sua vez, não demonstra interesse algum pela mulher que se sente ofendida. Numa
festa, após uma dança em que a protagonista seduz o Rei Herodes, Salomé consegue
que este lhe prometa dar absolutamente qualquer coisa que ela quiser, então,
ela pede a cabeça do profeta, numa clara atitude de vingança.
O rei tenta dissuadi-la desta
escolha oferecendo uma série de outras possibilidades, mas ela se mantém
irredutível. Então o combinado se concretiza. São cenas pesadíssimas, de uma
densidade extrema. A música é muito forte, marcante, e as vozes são trabalhadas
de maneira a realçar os gritos, o sofrimento, as intenções sórdidas dos
personagens. Grandes crescentes e discussões acirradas, com extensas
argumentações, num clima meio apocalíptico e depravado.
Após esta passagem, inicia-se uma
série de cenas onde a insanidade de Salomé fica evidente, crescente, atingindo
níveis vergonhosos, como a passagem em que ela se enrosca com a cabeça decapitada
do profeta, desejando aquele mero objeto, beijando, se roçando, consumindo-se
no ato obsessivo de consumo de algo que não lhe pertenceu.
O libreto é de Hedwig Lachmann e a
montagem original estreou em Dresden na Alemanha, no ano de 1905.
A montagem que fui ver ficou em
cartaz no Theatro Municipal de São Paulo de 06 a 20 de Setembro de 2014.
Pelo que me lembro, o palco possuía
o chão inclinado, havia colunas em ruínas, indicando que ali aconteceu alguma
guerra e que o império estava em decadência. Neste cenário único, havia duas
passagens: uma que levava para fora do palco e uma entrada subterrânea onde
ficava enclausurado o profeta.
O cantor que interpretou Lokanaan possuía
um peso cênico e um timbre de voz forte marcante, conseguindo realmente dar a força
necessária para um personagem tão denso quanto o de um profeta que é considerado
o precursor de Jesus Cristo, o responsável pelo seu batismo e conversão, além
de ser peça fundamental de algumas renovações ocorridas no Judaísmo e que
posteriormente influenciaram os rituais cristãos que se espalharam por todo
mundo.
Ficha:
Temporada: Terça, quinta e sábado
20h | domingo 18h
06 a 20 de Setembro de 2014
SALOMÉ - RICHARD STRAUSS
Orquestra Sinfônica Municipal de
São Paulo
John Neschling – Regência
Livia Sabag – Direção Cênica
Nicolás Boni – Cenografia
Veridiana Piovezan – Figurinos
Wagner Pinto – Desenho de Luz
André Mesquita – Coreografia
Salomé
Nadja Michael (dias 06, 09, 11 e 14/09)
Annemarie Kremer (dias 16, 18 e
20/09)
Herodes
Peter Bronder (dias 06, 09, 11, 16
e 20/09)
Jürgen Sacher (dias 14 e 18/09)
Herodias
Iris Vermillion (dias 06, 09, 11,
16 e 20/09)
Alejandra Malvino (dias 14 e 18/09)
Jochanaan
Mark Steven Doss (dias 06, 09, 11,
16 e 20/09)
Michael Kupfer (dias 14 e 18/09)
Narraboth
Stanislas De Barbeyrac (dias 06,
09, 11, 16 e 18/09)
István Horváth (dias 14 e 20/09)
1º Judeu
Paulo Chamié–Queiroz
2º Judeu
Rubens Medina
3º Judeu
Eduardo Trindade
4º Judeu
Miguel Geraldi
5º Judeu
Sérgio Righini
1º Nazareno
Carlos Eduardo Marcos
2º Nazareno
Sérgio Weintraub
1º Soldado
Saulo Javan
2º Soldado
Paulo Menegon
Capadócio
Jessé Vieira
Pajem de Herodias
Lídia Schäffer
Escravo
Elisabeth Ratzersdorf









