quinta-feira, 20 de abril de 2006

Exercite a paciência

Esse texto é enorme, mas é muito legal, se alguém tiver paciência leia que vale a pena. Peguei no blog do Alexandre (alguns conhecem outros não). O autor se chama Krishnamurti.
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O pensamento é a origem do medo. Se não houvesse pensamento, não haveria medo. Se nenhum pensamento tivéssemos a respeito da morte (como, por exemplo, “que aconteceria se eu morresse?”) e a morte ocorresse neste mesmo instante, não teríeis medo nenhum. É o pensamento a respeito da morte que vos infunde temor — temor proveniente da experiência do passado e “projetado” no futuro. Notai, por favor, que o que estou dizendo é muito simples. Observai-o vós mesmos. O pensamento resulta do tempo; o tempo é memória. Mas não estou falando acerca do tempo; estou falando sobre o pensamento como tempo. Estamos falando a respeito do pensamento e não a respeito do tempo. O pensamento formou, por meio da experiência, reações autoprotetórias, tanto fisiológicas, como psicológicas. Quando encontrais uma cobra, há uma reação instintiva de autoproteção. Esta espécie de medo, que é autoprotetória, é necessária; porque, do contrário, seríeis destruído; de outro modo, não prestaríeis atenção a um ônibus e correríeis de encontro a ele, ou cairíeis num fosso. Há, pois, esse instinto autoprotetório, o instinto fisiológico de autoproteção, que se formou com o tempo, com a experiência, como memória. Esse instinto reage ao vos deparardes com uma cobra ou um animal feroz, ou ao verdes um ônibus em disparada. Essa reação deve existir, para a mente equilibrada, sã. Mas nenhuma outra forma de medo é saudável, porque foi criada pelo pensamento, pela reação da memória, que se acumulou através de séculos de experiência, e é “projetada” pelo pensamento.
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Assim, é necessário compreender o processo do pensar, se desejais compreender o medo e isso significa que deveis compreender o pensador ,e o pensamento.
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Notai, por favor, que o que estou dizendo é bem simples; estou dizendo que verdadeiramente penso: isto é realmente simples. Mas, se vos abeirais do que estou dizendo com o vosso condicionamento — isso é que o torna difícil. Não vos aplicais à questão, não escutais o que estou dizendo, com uma mente nova. Vindes para aqui com o que já sabeis, com aquilo que Sankara, Buda ou outro qualquer disse a respeito do pensador e do pensamento; por conseguinte, vos abeirais do que estou dizendo com uma conclusão, com a memória, com conhecimentos prévios; e é isso que torna a questão difícil. Vede-o, por favor. Bem, se desejais aprender algo a respeito do que digo, tendes de pôr de lado tudo aquilo; e só o podeis pôr de lado quando estais em contato emocional com o que se está dizendo.
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Como sabeis, segurar a mão de alguém não é um fato intelectual; quando estais em relação emocional com a pessoa, há harmonia, comunhão, há um sentimento entre as duas pessoas. Da mesma maneira, para comungarmos uns com os outros, devemos dar-nos as mãos, emocionalmente, não intelectualmente. Esse mesmo contato emocional, compassivo, afetuoso, deveis ter com o fato do medo, com o fato do pensamento, que vamos examinar. A menos que estejais emocionalmente em contato com o fato, vitalmente, diretamente em contato com ele, não passareis além das primeiras poucas palavras. Enquanto houver divisão entre pensador e pensamento, será inevitável o medo. Vede porque isso acontece: porque há contradição entre o pensador e o pensamento. O pensador está procurando guiar, controlar, moldar, disciplinar o pensamento; mas, por causa dessa divisão, há conflito, há contradição; e onde há contradição, há o impulso para dominá-la, transcendê-la — e aí está a própria essência do medo. Assim, vós tendes de compreender o processo pelo qual surge essa separação entre o pensador e o pensamento, e não aceitar o que outro qualquer disse — não importa quem seja: o mais antigo, mais iluminado dos instrutores, ou o mais moderno. Não aceiteis nada de ninguém, mas investigai sempre. Não sigais ninguém; quando seguis, sois incapaz de aprender. E só podeis aprender se estais investigando sem ter um motivo. Se estais investigando com um motivo, estais apenas adicionando, procurando resolver algo que não pode ser resolvido. Por conseguinte, não sigais o que aqui se está dizendo, nem o aceiteis como verdade evangélica — porque não o é. O que outro diz não é a verdade evangélica; vós tendes de descobrir por vós mesmo, sem nenhuma restrição. E isso só é possível quando sois livre, quando vossa mente é imaculada e compassiva.
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Há o pensador e há o pensamento. Sabemos disso. É o que fazemos todos os dias: essa divisão. O pensador é o censor, o pensador é o juiz, o pensador é o centro acumulador de conhecimento, de experiência psicológica, etc. É o pensador que reage a todo “desafio”; e sua comunhão, seu contato com uma coisa se efetua por meio do pensamento — se não pensásseis, não haveria pensador. Essa divisão, esse conflito, gera o medo. O centro, o observador, o experimentador, o pensador, está estabilizado; e o pensamento é errante, move-se, modifica-se. O centro nunca muda; ajusta-se, disfarça-se, cobre-se com novas roupagens, novo verniz, novas características; mas ele lá está, sempre. E esse centro gera o medo, porque “reage” sempre de um ponto fixo, embora possa ser flexível.
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O pensamento, pois, institui o pensador; não é o pensador que institui o pensamento; porque, se não há pensamento, não há pensador. É possível não pensar absolutamente, não ter um só pensamento que seja, e esse extraordinário estado mental é que é vazio e, por tanto, contém todo o espaço. Só é realizável esse estado pela meditação. Mas não digais: “Aguardarei o dia em que falareis sobre a meditação; então investigarei”. Não podereis fazê-lo então. Precisais lançar as bases; e para lançardes as bases, deveis estar em contato; e não podeis estar em contato se apenas vos pondes em relação intelectual ou sentimental. Deveis estar em contato totalmente, com todo o vosso ser — vosso corpo, vossos sentidos, vosso coração, tudo o que tendes.
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Portanto, deveis compreender o processo do pensamento. Pensar é reação a um “desafio”, pequeno ou grande. Essa reação promana da memória que tendes acumulado. Ao perguntar-vos se sois hinduísta, direis “sim”. Esta “resposta”, ou reação, é imediata, por que fostes criado nessa sociedade, nessa cultura denominada hinduísta, parse, etc. Todo pensar é reação da memória. E memória é associação. A memória resulta de inumeráveis experiências, conscientes e inconscientes. Vede que o que estou dizendo não é nada novo. Qualquer psicólogo, qualquer pessoa que tenha refletido um pouco a esse respeito, vos poderá dizer a mesma coisa; mas, para compreenderdes o processo do pensar e eliminardes totalmente o centro representado pelo pensador, e que gera o medo — para isso necessitais de clareza, precisais de um escalpelo intelectual, para “abrirdes” tudo o que não compreendeis completamente.
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Por conseguinte, o necessário não é ter uma autoridade — a autoridade da própria memória, ou a autoridade de vossa experiência, que foi condicionada através de séculos e que criou o “eu”, o “ego”. Enquanto existir esse centro — e esse centro cria a divisão entre si próprio e o pensamento — tem de haver medo. A questão, pois, é de como ultrapassarmos, como nos livrarmos desse centro. Não o traduzais como “ego”, e não junteis idéias de toda espécie a respeito dele; atende-vos ao fato de que existe um centro de onde julgais, avaliais, censurais. Esse centro de experiências acumuladas cria uma divisão entre si próprio e o pensamento. E quando procuramos superar essa divisão e não o conseguimos, gera-se o medo. Se puderdes juntar as duas coisas, não haverá medo; mas não podeis juntá-las, porque só existe um fato que é o pensamento, e não o pensador.
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Ao dizerdes “o pensador” — isto não corresponde a nenhuma realidade. O “eu” é um feixe de lembranças, nada permanente; não é mais permanente do que o pensamento. Mas a mente, o pensamento, deseja a segurança; o pensamento deseja permanência; por conseguinte, o pensamento se estabelece como “centro”, e esse centro fala de “Eu Superior Permanente”, “Eu Cósmico”, “Deus”, etc.; mas, tudo é ainda processo de pensamento. Assim, a menos que tenhais compreendido inteiramente o mecanismo do pensar, o medo existirá sempre. Como sabeis, há atualmente certos preparados químicos, drogas, que podem livrar-vos de vosso medo; podeis tomar um comprimido e tornar-vos completamente tranqüilo, sereno, plácido. A ansiedade, o sentimento de culpa, a inveja, e todas as coisas com que o homem vem batalhando há séculos podem ser afastadas com um comprimido. Mas, vede que tomando uma pílula, não ficais livres de vossa mente medíocre, estreita, limitada, estulta. Ela continua existente; vós apenas a narcotizastes, suspendestes o seu funcionamento. O que nos interessa não é oferecer nem tomar pílulas, mas eliminar a mediocridade da mente, quer dizer, a mediocriadade do pensamento; o pensamento é medíocre, porque o pensamento nunca é livre, porque pensamento é reação do que antes foi, em relação com o que virá a ser.
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A questão, pois, é esta: é possível, com a compreensão do medo, terminar o pensamento isto é, não deixar o pensamento projetar-se no futuro, e fazer que a mente veja o fato que surge a cada minuto, sem nenhuma “projeção”? Compreendeis? O fato é: tememos a morte. Não estamos falando acerca da morte; isso ficará para outra ocasião; estamos agora falando sobre o temor.
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Ora, o pensamento se projeta no futuro. Ele não deseja morrer; não sabe o que ele próprio virá a ser; sabe o que é no presente, com toda a agitação, dor, ansiedade, sofrimento, angústia em que vive; por isso, projeta-se no futuro e sente medo. Porque está confuso, incerto, sem clareza, ele “projeta” uma idéia de permanência, e, por conseguinte, teme não alcançar essa permanência. Tem medo à opinião pública, porque deseja ser respeitável; porque a respeitabilidade é uma coisa muito vantajosa; a sociedade a aprova, considera-a “nobre”. Por isso, ele atemoriza-se com que a sociedade possa dizer, e, assim, busca proteger-se. Tem medo de todos os incidentes conscientes e inconscientes. Mas tudo é ainda processo de pensar. Assim, pois, devemos enfrentar cada fato ao surgir, sem pensamento; observar simplesmente cada fato que surge, como num clarão.
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Agora, senhores, vou explicar isso um pouco mais, pois vejo que não sereis capazes de seguir com rapidez. Existe o fato de que tenho medo de minha mulher. O pensamento criou esse fato, minhas ações o criaram, e sinto medo. Estou tomando isso para exemplo; na verdade não tenho medo nenhum, pois não sou casado. Vós podeis pensar noutra coisa que temeis. Eu temo minha mulher. Fiz algo de que me envergonho ou que não desejo que ela saiba. Ou, ela gosta de me contrariar, e eu não quero tal coisa; portanto, acho melhor acostumar-me com ela. E acostumei-me — quer dizer, minha mente aceitou o fato, e essa aceitação se tornou um hábito; não dou mais atenção ao que ela diz. Minha mente, pois, formou um hábito. Essa aceitação (isso é, o ouvir o que ela diz sem lhe ligar importância) corrompeu-me a mente; tornou-a embotada para o fato; isso se tornou um hábito, e eu não ouso quebrá-lo, porque o quebrar o hábito supõe mudança, e eu não desejo mudar. Assim sendo, tenho medo. E esse é o fato.
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Mas, como é possível compreender o fato do temor sem interferência do pensamento? Pois o pensamento ou deseja “projetar” o fato, ou aceitá-lo, mudá-lo, modificá-lo, conforme sua conveniência. Entendeis? Como enfrentar o fato de que tenho medo, sem aquele fundo de temor, de pensamento? Porque o pensamento quererá traduzi-lo, interpretá-lo, moldá-lo, negá-lo, livrar-se dele, superá-lo. O pensamento não o compreenderá, porque o pensamento resulta da memória; só é capaz de “reagir” ao que já conhece, sendo, portanto, incapaz de enfrentar o medo. O medo sempre “vem e vai”, não é constante. Embora possa existir permanentemente no inconsciente, o medo não se manifesta continuamente, porém como que em relâmpagos. Como enfrentar esses “relâmpagos” de medo, sem pensamento?
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Os que temem permanentemente se tornam neuróticos; têm outros problemas. Mas os que são mais ou menos racionais não têm nenhum medo no inconsciente; enfrentam o medo, ocasionalmente ou freqüentemente, na presença de suas esposas. Assim, ao enfrentardes o medo, deveis enfrentá-lo sem pensamento, enfrentá-lo completamente; e isso significa ter compreendido todo o processo do pensar, intelectualmente, verbalmente, e com compaixão, a qual faculta a exatidão que possibilita o contato imediato com o fato. Enfrentar o fato totalmente significa não apenas enfrentá-lo intelectualmente, mas também emocionalmente. Esse processo de “aprender do fato” não é possível quando vos abeirais do fato com o pensamento que já conheceu, pois o pensamento promana do “conhecido”.
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Podeis enfrentar o temor sem o conhecido? Se puderdes fazê-lo, vereis que já não existe temor, porquanto é a projeção do conhecido que o torna existente. A projeção do pensamento, que é resultado ou “reação” do “conhecido”, cria o medo. O pensamento, como tempo, produz medo. E quando compreendeis todo o processo do pensamento e sois capaz de olhar o fato, de ver o fato, de estar em contato com ele emocionalmente, totalmente, então, já não vos abeirais dele com o pensamento, produto do “conhecido”; por conseqüência, vos abeirais do fato de maneira nova. Uma mente nova não teme, uma mente nova investiga.
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Dessarte, como disse no começo desta palestra, há necessidade de humildade. A humildade nunca aceita nem rejeita. É arrogância aceitar ou rejeitar. Humildade é aquela extraordinária capacidade aprender, de descobrir, de investigar. Mas, se já tendes uma acumulação de resultados de vossas investigações, então já não estais aprendendo; por conseguinte, deixais de ser humilde. Muito importa termos humildade, porque é essa qualidade essencial que tem afeição. Sem humildade, não há amor, e o amor não é uma coisa que tem raízes na mente, raízes no pensamento. Assim, só desse extraordinário sentimento de humildade resulta o sentimento de exatidão compassiva, e a clareza da mente. É só então que o medo deixa de existir. E quando o medo deixa de existir, quando o medo finda, não há mais sofrimento.
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Krishnamurti - 2 de março de 1962.
Do livro: A Mutação Interior – Cultrix

terça-feira, 18 de abril de 2006

segunda-feira, 17 de abril de 2006

Páscoa

3 dias, 300 anos ou mais, horas muito longas de sonhos acordados, esperanças confusas, pensamentos que variavam em segundos, sensações desconhecidas, colinas e mais colinas de tropeços e mato abaixo pedra acima, e eu fui fondo naqueles turbilhos de mantras inventados no improviso da certeza absoluta, ladainhas orações enladeiradas que rolavam muito e eu n`eu. Havia abraços de morça – forca muita força, choros como sempre presentes, falações e “devaneios tolos a me torturar”. Eu continuava fundo fondo indo desbravando alguns caminhos e atropelando tantas coisas que nem sei mais. Muitos dos atropelamentos germinavam atalhos e mais labirintos a serem mapeados, muitos dos rodamoinhos continham o diabo no meio dele como disse tantas vezes João (Guimarães Rosa) no meio das veredas. Acho que veredas existiam dentro e fora de todos os lugares que passei. O grande sertão é interno como o mestre também já disse. O grande sertão é quase onipresente, mas sempre existente, no fundo do mais fundo que ninguém chega existe toda a raiz do mal e do bem ou do bem o do mal e o medo beira o pânico. Rança toco pra ver mais fundo, cavulca cavalgadura em montes aos montes pra ver se estabelece toda e qualquer forma de moradia sadia dentro da escravidão da ferramenta de outrem. Sensibilize-se rapaz, mas não muito porque sensibilidade em demasia gera pinel, painel de exorbidades noite afora, rio abaixo, morro acima, gruta a dentro, poço ao fundo, céu ao léu. (Eu me forço a escrever porque se eu for esperar a hora que eu concorde com tudo que estou pensado e escrevendo pra poder escrever acho que eu não vou fazer nada por algum período de tempo). Também não queria ser medíocre e ficar no meio – termo – mau – gosto aguado esperando brotar água de pedra que secou propositalmente pra poder ir além almejando sonhos de seriedade.
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Eu conheço as pessoas da sala de jantar, algumas mais e outras vezes tantas elas sempre voltam pra me fazer sentar a mesa e encarar olhares escuros, mas um deles não tem rosto. Um deles apenas tem uma mancha de sombra na face e ele fica no lado oposto da mesa da Távola - tábua redonda dos banquetes de porcos pros porcos. Mas as pessoas da sala de jantar ainda estão senzala de sonhar, elas aparecem meio que em tentativas de comunicação de pânico, aos poucos eu sempre lembro delas, alguns velhos outros menos, mas todos e cada são muitos. Parece que a vida habita os corpos na forma mais limiar que existe. Uma forma muito mais limiar que essa que existe em nós, nas entrelinhas das palpitações do coração. Essas pessoas são ocupadas em nascer e nunca mais morrer. De pão e circo e arte elas vivem, mas por enquanto sobrevivem. E discussões absurdas fazem parte do corpo calado calejado e latejante dessas. Mas aquele sem rosto e oposto continua mudo na imensidão das palavras em cadeia. A sala de jantar fica no fim do corredor sem fim depois que todas as possibilidades de escuridão se apagaram no breu sem referências.
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300 anos. Cada cantoria dizia tanto que não seria possível lembrar nem se a memória ainda existisse. 300 anos e muito mais ainda. Mas só 3 dias, quem diria que tão pouco que pouco foi, poderia gerar tanto mesmo que esse tanto não seja quase nada.
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Não consigo mais escrever.
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Então:
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Louva – a – Deus O Cavaleiro
Em Guardanapos de Papel
Banhados dO Rouxinol
Que canta pela Janela para o Mundo,
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Mas
E Agora, Rapaz?
Todos nós ainda estamos recém Levantados do Chão
E Os Tambores de Minas já estão a soar.
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quarta-feira, 12 de abril de 2006

segunda de hoje

o homem e a mulher - victor hugo (boa idéia valdir)
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O homem é a mais elevada das criaturas
A mulher o mais sublime dos ideais
Deus fez para o homem um trono
Para a mulher um altar
O trono exalta
O altar santifica.
O homem é o cérebro
A mulher o coração
O cérebro fabrica a luz
O coração fabrica o amor
A luz fecunda
O amor ressuscita.
O homem é gênio
A mulher é anjo
O gênio é imensurável
O anjo é indefinível
Contempla-se o infinito
Admira-se o inefável.
A aspiração do homem é a suprema glória
A aspiração da mulher é a virtude extrema
A glória faz o grandeA virtude o divino.
O homem tem a supremacia
A mulher a preferência
A supremacia significa a força
A preferência representa o direito.
O homem é forte pela razão
A mulher é invencível pelas lagrimas
A razão convence
As lagrimas comovem.
O homem é capaz de todos os heroísmos
A mulher, de todos os martírios
O heroísmo enobrece
O martírio sublima.
O homem é um código
A mulher um evangelho
O código corrige
O evangelho aperfeiçoa.
O homem é um templo
A mulher é um sacrário
Ante o templo nos descobrimos
Ante o sacrário nos ajoelhamos.
O homem pensa
A mulher sonha
Pensar é ter no crânio uma luz
Sonhar é ter na fronte uma auréola.
O homem é um oceano
A mulher é um lago
O oceano tem a pérola que adorna
O lago a poesia que deslumbra.
O homem é a águia que voa
A mulher o rouxinol que canta
Voar é conquistar o espaço
Cantar é conquistar a alma.
O homem tem um farol, a consciência
A mulher uma estrela, a esperança
O farol guia
A esperança salva
Enfim:
O homem esta colocado onde termina a terra
E a mulher onde começa o céu.
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nos limiares do excel (terras dos com-fins)

terça-feira, 11 de abril de 2006

What do you have in your mind??? - Nothing

A história desse rap é o seguinte, eu e a minha prima Alícia sentamos um dia na praça de Passa Quatro pra conversar e resolvemos fazer um rap, daí saiu o refrão what do you have in your mind... Passou uns tempos, muito por sinal (eu fui fazer intercâmbio e tudo mais) e a gente sempre se cobrando que precisava acabar o rap e precisava terminar a música e tal, até que um dia, acho que era carnaval, eu fui pra Passa Quatro e a gente sentou na porta da casa da nossa tia, tava chovendo, e a gente escreveu essa letra muito louca. Eu lembro que a letra saiu muito rápido como se ela já estivesse pronta, e olha que uma coisa com esse grau de elaboração realmente precisa de anos de trabalho para ser pensada e rimada e metrificada e muita risada. Rssss Foi muito engraçado, a gente riu muito. Fazia um tempo que ela estava no bloco de notas do meu e-mail (desde 10/3/2005) e hoje eu resolvi postar. Nossa, até hoje eu ajeitando o tamanho da letra pra colocar no blog eu ainda riu muito desse rap. Com vocês: What do you have in your mind (nothing).
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What do you have in your mind??? - Nothing
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autores: alicia e wagner
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What do you have in your mind??? (4x) (em duas vozes)
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entra a batida (tum tum ps tum tum tum ps)
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(w)
I don't wanna go
With my little girl
'Cos I'm in love
With my little dog
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I'll run away
To a better place
Could you come with me?
I'll go ali.
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What do you have in your mind??? (w) - nothing (a) (4x)
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(a)
You're a little shit
I'm not a bitch
You're a big ass
'Cos you see "Jackass"
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I don't understand
Why you stopped my hand
If you love me
Come with me ali.
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What do you have in your mind??? (a) – nothing (w) (4x)
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(a e w)
I don't wanna
I don't wanna
I don't wanna
I don't wanna
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The sky is blue (a)
The see is green (w)
The sun is yellow (a)
Michael Jackson, Black or White? (2x) (a e w)
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What do you have in your mind???(4x) (a e w)
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(w)
Independence Day
Thelma e Louise
Lord of the rings
Matrix revolution
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(a)
Hum! Forrest Gump
O contador de historias
Ben hur, Kill Bill 2
Home Alone 3
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(w)
Loucademia 2,3,4
5,6,7,8,9,10
Star Wars de 1 a 5
Hum! The Thruman Show
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(a)
Eu só conheço o Show da Xuxa
Didi e os trapalhões
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(a e w)
Lua de cristal
Que me faz sonhar
Faz da minha estrela
Que eu já sei brilhar!!!
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What do you have in your mind??? (w) – nothing (a) (4x)
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quarta-feira, 5 de abril de 2006

Palhaço merrrmão......

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Eu sou revolucionário de maixxxxx mermão, eu tô poixtano uma foto desse mierrrrda aqui de Bush presidiente de uma nação capitalixxxta filha dua puta du caralho merrmão, minha vontade é de matar esse bando de filhuxxx duma égua du caralho merrrmão. Revolução etierrrna merrrmão, vamo matá todo mundo dessa mierrrda di planieta porra. Quero o anarquixxxxxmo mermão. Revolução etierna mermão.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

Posts em Série

Esses textos estavam jogados lá em cima da mesa do meu quarto e eu resolvi colocar eles no blog. Eu fiz eles em horários e ocasiões diferentes e a parte do post que tem o título de: "Frases colhidas em 2005" tem algumas "frases colhidas durante o ano de 2005" rsss. Elas são apenas frases que eu fui achando durante o ano passado e fui escrevendo na contracapa da minha agenda, depois fiquei com dó de jogar fora e agora tô colocando elas aqui só pra não ocupar espaço no meu quarto.
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Desfibrilador de Sonhos
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A canhota executa o chute
A direita faz o passe
E a cabeceada o gol
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CONTRA.
(de noite)
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A casa dos espíritos
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Quase oito horas já se foram, e ninguém arredou os pés de si. É uma pena rever cenas antigas e conhecidas voltando turbilhantes de pavores fictícios. Voltando confiantes de suas ilusões cabalísticas, de seus universos paralelos que sempre assaltam meus olhos, me revendo, me revivendo em vida os pesadelos pesados passados, mas eternos talvez. Não sei mais nada. Talvez fosse melhor se a perdição fosse a lei e o conforto; lares e mais lares de realidade fantástica, lotadas de minuciosas criações nossas que nos cumprimentariam pela permissão que nós demos para essas coisas existirem. Prazer em se conhecê-las.
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A casa existe em todos os seus cômodos. Cada quarto existe a casa. Sempre essas luzes/ sombras de casas circulares nossas. Todos são nossas, fruto-nos.
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Seria bom crer nisso. Seria simples, prático, confortável, aconchegante. Uma cama infinita de sonhos plantados em campos itinerantes, vivos. “Agá-doi-zó” – uréia num refluxo perfeito de retro-alimentação e aí mora o perigo.
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A independência das criações é crescente. A abolição da escravatura do controle foi assinada no ato do pó. O pó que habita os nossos cômodos das casas. Os quartos são os braços da proteção-travesseiro. A cozinha são as mãos. O banheiro, as genitálias. A sala de visitas são os olhos.
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A casa dos espíritos peregrina pelos corredores da cidade de deus.

16/3/06 – 22:42 (aula de WEB – II) SP

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Frases colhidas em 2005
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“Não há nada nem ninguém, que nos faça não sonhar, somos felizes num sonho”.
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“Qualquer homem de qualquer época é mentalmente equivalente a você”.
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“Cada movimentação humana, interna ou externa, tem uma reação contrária e equivalente. Viva os movimentos circulares de expansão”.
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“Não acredito em nada porque não acredito em mim. Se eu não existo, nada que pertença ao meu mundo pode existir. Somos o centro da nossa existência”.
(durante o ano passado)
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Reticências (...) – oração da libertação
(Hallelluia)
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I -Gostaria de escrever sobre tanta coisa nessa vida
Mas a maturidade fingida me impede
Me impõe aridez, me impõe cançado das intensidades
Me impõe distanciado e vergonha
Rejeição, crítica severa para si
Para mim – auto – crítica
Autó – psia propícia para acabar com meus resquícios
Dos tempos correntes em fugas
Fulgás.
Tantos foram meus dias de poeta
Tantas foram as lágrimas
Orgulhosas da liberdade do choro
Plenas por poder ser ou não ser
Quando ainda havia a questão.
Hoje há questões de descontinuidade
Questões de barreiras
Questões dos que só sabem dizer:
- Deixa pra lá.
Onde está a questão? Aqui?
Agora?
Onde está o tropical de altitude
Que aconchegava minha ânima
Onde está o Id amigo do Ego
Brigaram – discutiram – erraram
Na raridade do que é espontâneo
O espontâneo equivocou-se ao pensar
O pensamento ponderou, imperou – assassino!
Grito – gritam meus voláteis (talvez volúveis)
Grito – gritam contra ecos do calabouço – calaboca
Que ricocheteia dizeres banidos – bandidos
Heróicos honrosos – horrorosos – apenas ossos
Meu calabouço são ossos de margarida fóssil
Frágil; cuidado
Mas que fossilizou emoções, restringiu pétalas
Bloqueou vibrações, baniu-se a si mesma
Retirou corações, impediu batidas
Seco o choro, seco o alimento, secou deus.
Onde estão meus olhos, cego da cegueira
Pseudo – visionária?
Reticências final dos tempos idos
Resta – restamos – restei – eu ¾ corpo (pessoas da sala – de – jantar)
Eu ½ mente (mente sempre – pinóquio menino)
Eu 1/3 espírito (orações em ¼)
Deus 1/10 eterno (no que nega toda regra)
Onde estou, onde estais, onde estamos
Desboqueio metal, equilíbrio virtual
Virtuose virose hepática – apáticas
Estática na dinâmica das mortes
Vírus e mais vírus e bactérias elétricas
Famintas famigeradas dentições
Que devoram meus sonhos e inocências
E me mata vagarosamente
Apenas por não liberar instintos
Ex – tintos famintos mortos de fome
Come meus amigos, come!
Come o alimento arte do ato à parte
Que reparte em palavras impulsos
Reprimidos
Redimidos, redimensionadas reticências
Que procrastinam o fim além fim
Além vida, muito do que não tem fim.
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Eu invoco vozes veladas
Para vociferarem em favor do brilho
Vigor vencedor vasculhando vitórias
Vacilantes em vigorar vezes várias
Vem, vamos vivendo ventos vastos.
Vendo vidas, vitoriosas vivências
Valiosos valores, que vos vasculham vocês.
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II - Senhores passageiros do expresso poético
Gostaríamos de informar
Que a reunião vai acabar
Não vale no fim chorar
Vale vigorar, vale intra – vociferar (apenas)
Fazendo vencer o conquistar
Para novidades olhar
Claras - evidências merecer
Colegas, juntos vencer
Prazos vingar e o renascer brotar.
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Reticências reticenciando
Reticenciosas de
Reticenciar as vitórias vitoriando
Vitoriosas
De votoriar em vidas vivenciando
Vivenciosas
De vivenciar os deuses em-deusando dádivas
Dadivosas de divinizar.
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Amém.
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(31/3/2006 1:17 pm SP I.O)
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e como diz o blog da regina quando ele não quer dizer nada:
- O que é A VIDA (com entonação) não é minha gente?!
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e desculpem o tamanho do post, ele foi um depositório...
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sábado, 1 de abril de 2006

Desjejum II

É difícil acreditar em coisas que por mais impressionantes que sejam ainda sempre poderão ser fatos irreais, coincidências infinitamente repetitivas, criações da fé e da razão interna, milhões de variáveis que permeiam tanto a vida simples quanto a vida simples permeada por outras energias e planos e, se a perfeição está em não ter controle, em deixar fluir, sentir livre-mente finalmente e etc, ainda sempre sempre ficará por cima de tudo isso a dúvida (pelo menos pra mim) de que tudo pode não passar de farças pessoais e proteção de um véu escolhido e posto por nós mesmos pra encobrir fragilidades e abrandar o sol massante da realidade que queima mesmo sem dó. Não sei não, mas acho que não sei de mais nada.
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Fiz esse texto como comentário num blog de um colega, achei legal e resolvi postar aqui. Esse é o desjejum 2. Quando será que vai chegar a hora do banquete principal? Ainda tenho fome.

sexta-feira, 31 de março de 2006

Desjejum

O erro
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Com os olhos mareados de negações
Eu economizo revoltas pra poder estabilizar emoções
Organizo desejos pra evitar ereções
Estatizo sorrisos pra receber ilusões
E nego esforços pra corrigir sensações.
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Diversas e infinitas são as vielas
E vêm delas nossos sonhos em escorrer
Descendo ladeira à baixo reanimando velas
Na ânsia inconformada de poder em si me ver.
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Com os olhos economizando desvios fictícios
Eu deslizo em fios sobre vazios precipícios
Precipito gentios na esperança de um vício
Tropeço macio na cadência de um edifício
E acabo me morto-pífio beirada do comício
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Vociferam demagogias prolixas frente/rente à morte
Já que passagem passada ao passageiro noturno se deu.
Evitamos sobreviver aos orgulhos do tempo e da sorte
Pois a conseqüência eterna do erro, mesmo com o tempo, não morreu.
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Wagner - 15:20 - 31/3/06

quarta-feira, 29 de março de 2006

terça-feira, 28 de março de 2006

Dicionário Brasileiro de Prazos...

Para evitar que estrangeiros fiquem pegando injustamente no nosso pé, está sendo compilado o Dicionário Brasileiro de prazos (que já deveria estar pronto, mas atrasou ...) do qual foram extraídos os trechos a seguir:
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DEPENDE: Envolve a conjunção de várias incógnitas, todas desfavoráveis. Em situações anormais, pode até significar sim, embora até hoje tal fenômeno só tenha sido registrado em testes teóricos de laboratório. O mais comum é que signifique diversos pretextos para dizer não.
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JÁ JÁ: Aos incautos, pode dar a impressão de ser duas vezes mais rápido do que já. Ledo engano; é muito mais lento. Faço já significa Passou a ser minha primeira prioridade, enquanto Faço já já quer dizer apenas Assim que eu terminar de ler meu jornal, prometo que vou pensar a respeito.
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LOGO: Logo é bem mais tempo do que dentro em breve e muito mais do que daqui a pouco. É tão indeterminado que pode até levar séculos. Logo chegaremos a outras galáxias, por exemplo. É preciso também tomar cuidado com a frase Mas logo eu?, que quer dizer Tô fora.
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MÊS QUE VEM: Parece coisa de primeiro grau, mas ainda tem estrangeiro que não entendeu. Existem só três tipos de meses: aquele em que estamos agora, os que já passaram e os que ainda estão por vir. Portanto, todos os meses, do próximo até o Apocalipse, são meses que vêm!
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NO MÁXIMO: Essa é fácil: quer dizer no mínimo. Exemplo: Entrego em meia hora, no máximo. Significa que a única certeza é de que a coisa não será entregue antes de meia hora.
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PODE DEIXAR: Traduz-se como nunca.
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POR VOLTA: Similar a no máximo. É uma medida de tempo dilatada, em que o limite inferior é claro, mas o superior é totalmente indefinido. Por volta das 5h quer dizer A partir das 5 h.
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SEM FALTA: É uma expressão que só se usa depois do terceiro atraso. Porque depois do primeiro, deve-se dizer Fique tranqüilo que amanhã eu entrego. E depois do segundo, Relaxa, amanhã estará em sua mesa. Só aí é que vem o Amanhã, sem falta.
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UM MINUTINHO: É um período de tempo incerto e não sabido, que nada tem a ver com um intervalo de 60 segundos e raramente dura menos que cinco minutos.
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VEJA BEM: É o day after do depende. Significa Viu como pressionar não adianta?. É utilizado da seguinte maneira: "Mas você não prometeu os cálculos para hoje?" Resposta: "Veja bem..."
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XIIII...: Se dito neste tom, após a frase: Não vou mais tolerar atrasos, OK? Exprime dó e piedade por tamanha ignorância sobre nossa cultura.
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ZÁS-TRÁS: Palavra em moda até uns 30 anos atrás e que significava ligeireza no cumprimento de uma tarefa, com total eficiência e sem nenhuma desculpa. Por isso mesmo, caiu em desuso e foi abolida do dicionário.

segunda-feira, 20 de março de 2006

Fechando o Verão.,.,.,.,

Hoje eu estava saindo do serviço quando começou uma bruta chuva. Era dia 20 de março de 2006, último dia do verão, praticamente começo de outono. Então eu lembrei das águas de março que fecham o verão, mas trazem promessa de vida ao nosso coração. Daí já era. Depois de postar isso vou ouvir a música. Ela ficou na minha cabeça messssmo.
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Águas de Março
Tom Jobim
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É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma ponta, é um ponto,
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã.
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São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
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sexta-feira, 17 de março de 2006

Coisas dos outros X


Finge que isso é uma poesia
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Parabéns para o Blog
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.
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Nesta data tão especial, que na verdade é amanhã dia 18/3,
este blog vai fazer um ano.
Por isso mais uma "Coisas dos outros" pra nós
(DEZ DELAS DAQUI PRA BAIXO).
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Então:
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Parabéns pra você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida.
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O blog é tudo ou nada???
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NADA.
RSSSSSSSSSSS

Coisas dos outros IX


Caicó (Cantiga)
Milton Nascimento
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Composição: Villa Lobos e Teca Calazans

Ó, mana, deixa eu ir
ó, mana, eu vou só
ó, mana, deixa eu ir
para o sertão do Caicó

Eu vou cantando
com uma aliança no dedo
eu aqui só tenho medo
do mestre Zé Mariano

Mariazinha botou flores na janela
pensando em vestido branco
véu e flores na capela

Coisas dos outros VIII


Resumo - Apresentam-se, de forma sintética, os principais cuidados a ter na escrita de um artigo científico. Para esse efeito, descrevem-se e comentam-se, sequencialmente, as sucessivas componentes de um documento desta natureza. Pensa-se que esta abordagem constituirá um bom auxiliar para os autores que pretendam reforçar a coerência e adequação dos seus artigos científicos.
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António Dias de Figueiredo
Departamento de Engenharia Informática
Universidade de Coimbra
3030 Coimbra, Portugal
adf@dei.uc.pt

Coisas dos outros VII

A Bomba Atômica
(Vinícius de Morais)
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Dos céus descendo
Meu Deus eu vejo
De pára-quedas?
Uma coisa branca
Como uma forma
De estatuária
Talvez a forma
Do homem primitivo
A costela branca!
Talvez um seio
Despregado à lua
Talvez o anjo
Tutelar cadente
Talvez a Vênus
Nua, de clâmide
Talvez a inversa
Branca pirâmide
Do pensamento
Talvez o troço
De uma coluna
Da eternidade
Apaixonado
Não sei indago
Dizem-me todos
É A BOMBA ATÔMICA
.
Vem-me uma angústia
.
Quisera tanto
Por um momento
Tê-la em meus braços
E coma ao vento
Descendo nua
Pelos espaços
Descendo branca
Branca e serena
Como um espasmo
Fria e corrupta
De longo sêmen
Da Via-Láctea
Deusa impoluta
O sexo abrupto
Cubo de prata
Mulher ao cubo
Caindo aos súcubos
Intemerata
Carne tão rija
De hormônios vivos
Exacerbada
Que o simples toque
Pode rompê-la
Em cada átomo
Numa explosão
Milhões de vezes
Maior que a força
Contida no ato
Ou que a energia
Que expulsa o feto
Na hora do parto.
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II
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A bomba atômica é triste
Coisa mais triste não há
Quando cai, cai sem vontade
Vem caindo devagar
Tão devagar vem caindo
Que dá tempo a um passarinho
De pousar nela e voar . . .
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Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar!
Coitada da bomba atômica
Que não gosta de matar
Mas que ao matar mata tudo
Animal e vegetal
Que mata a vida da terra
E mata a vida do ar
Mas que também mata a guerra . . .
Bomba atômica que aterra!
Bomba atônita da paz!
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Pomba tonta, bomba atômica
Tristeza, consolação
Flor puríssima do urânio
Desabrochada no chão
Da cor pálida do hélium
E odor de rádium fatal
Lœlia mineral carnívora
Radiosa rosa radical.
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Nunca mais oh bomba atômica
Nunca em tempo algum, jamais
Seja preciso que mates
Onde houve morte demais:
Fique apenas tua imagem
Aterradora miragem
Sobre as grandes catedrais:
Guarda de uma nova era
Arcanjo insigne da paz!
.
III
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Bomba atômica, eu te amo! és pequenina
E branca como a estrela vespertina
E por branca eu te amo, e por donzela
De dois milhões mais bélica e mais bela
Que a donzela de Orleães; eu te amo, deusa
Atroz, visão dos céus que me domina
Da cabeleira loura de platina
E das formas aerodivinais
— Que és mulher, que és mulher e nada mais!
Eu te amo, bomba atômica, que trazes
Numa dança de fogo, envolta em gazes
A desagregação tremenda que espedaça
A matéria em energias materiais!
Oh energia, eu te amo, igual à massa
Pelo quadrado da velocidade
Da luz! alta e violenta potestade
Serena! Meu amor . . . desce do espaço
Vem dormir, vem dormir, no meu regaço
Para te proteger eu me encouraço
De canções e de estrofes magistrais!
Para te defender, levanto o braço
Paro as radiações espaciais
Uno-me aos líderes e aos bardos, uno-me
Ao povo ao mar e ao céu brado o teu nome
Para te defender, matéria dura
Que és mais linda, mais límpida e mais pura
Que a estrela matutina! Oh bomba atômica
Que emoção não me dá ver-te suspensa
Sobre a massa que vive e se condensa
Sob a luz! Anjo meu, fora preciso
Matar, com tua graça e teu sorriso
Para vencer? Tua enégica poesia
Fora preciso, oh deslembrada e fria
Para a paz? Tua fragílima epiderme
Em cromáticas brancas de cristais
Rompendo? Oh átomo, oh neurônio, oh germe
Da união que liberta da miséria!
Oh vida palpitando na matéria
Oh energia que és o que não eras
Quando o primeiro átomo incriado
Fecundou o silêncio das Esferas:
Um olhar de perdão para o passado
Uma anunciação de primaveras!
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Coisas dos outros VI


O Passeio Repentino
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Quando à noite parece ter-se tomado a decisão definitiva de permanecer em casa, vestiu-se o roupão, depois do jantar ficou-se sentado à mesa iluminada, às voltas com aquele trabalho ou jogo ao término do qual habitualmente se vai dormir, quando lá fora há um tempo inamistoso que torna natural permanecer em casa, quando já se passou tanto tempo quieto à mesa que ir embora teria de provocar espanto geral, quando até as escadas já estão escuras e a porta do prédio fechada, e quando apesar disso tudo, num mal-estar repentino, fica-se em pé, troca-se o roupão, surge-se imediatamente vestido para ir à rua, se esclarece que é preciso sair, faz-se isso depois de breve despedida, acreditando-se ter deixado maior ou menor irritação conforme a rapidez com que se bate a porta do apartamento, quando se está de novo na rua com membros que respondem com uma mobilidade especial a essa liberdade inesperada que lhes foi concedida, quando se sente, através dessa decisão, concentrada em si mesmo toda a capacidade de decidir, quando se reconhece com um senso maior que o comum que se tem mais energia do que necessidade de produzir e suportar a mais rápida das mudanças, e quando assim se vai às pressas pelas longas ruas - então por essa noite está-se totalmente desligado da família, que desvia seu rumo para o inessencial enquanto, firme de alto a baixo, os contornos com as linhas carregadas, dando tapas na parte traseira das coxas, ascende-se à sua verdadeira estatura.
Tudo fica mais reforçado quando, a essa hora tardia da noite, se procura um amigo para ver como ele vai.
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Franz Kafka (Trad. de Modesto Carone)

Coisas dos outros V


The Simpsons

Tum châ châ
Tum châ châ châ
Tum châ châ tum châ tum châ tum

Tum châ châ
Tum châ châ châ
Tum châ châ tum châ tum châ tum

Pâm râm pâm pâm râm pâm pâm pâm pâm râm râm râm
Pâm râm râm râm râm pâm rãm râm râm pâm râm râm râm râm râm

Coisas dos outros IV



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Em uma noite quando o sono se aproximava
com uma visita tal fantasma me assombrou
Eis que trazia consigo o seguinte desafio:
"Tens fé?" Ao que respondi...
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Já acreditei em Cristo e o neguei três vezes
Já acreditei em Maomé e o esqueci cinco vezes ao dia
Já acreditei em Buda e abri mão de toda minha eternidade
Já acreditei em duendes e os vendi em uma feira de domingo
Já fui judeu de vários deuses, e hindu de um deus só
Já combinei os mitos e orixás em um panteão xintoísta
Já acreditei o bastante para entender que não nasci para crer.
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Não creio em deuses encerrados;
em deuses travestidos de homens (e vice-versa);
nestas verdades impalpáveis e estáticas;
nesta mercadoria-sagrada de nossa rotina.
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Olho a Natureza e vejo nela o reflexo de nossa alma:
Creio no Homem. Homem criador.
Homem sensível. Homem livre. Homem-irmão.
Creio no Homem. Homem do belo.
Homem da paz. Homem do progresso.
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Acredito naqueles que amam; no amor das mães e das crianças;
no arrependimento dos velhos.
Acredito no talento dos cegos, surdos e mudos;
na sensibilidade dos tetraplégicos.
Acredito no mundo altista e na individualidade das massas.
Acredito na força dos que tem fome e dos que padecem.
Acredito na humanidade dos gays, das prostitutas e outros degenerados.
Acredito na fraternidade dos brancos, negros, amarelos e vermelhos.
Acredito nos que sofrem. Sofrem por amor, por ódio ou pela existência.
Sofrem porque são Deus.
Acredito naqueles que controlam a rosa-dos-ventos;
nos que atrasam e adiantam os relógios.
Acredito naqueles que mudam;
naqueles que expandem e contraem;
nos que explodem.
Acredito naqueles que não compram felicidade enlatada,
nem esperanças por telefone.
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Se perguntas: Tens fé? Tenho fé em mim e nos homens.
Os homens dos Homens. Aqueles que são.
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Leonardo de Barros

Coisas dos outros III

A Casa
.
Era uma casa muito engraçada
Não tinha teto, não tinha nada
Ninguém podia entrar nela não
Porque na casa não tinha chão.
.
Ninguém podia dormir na rede
Porque na casa não tinha parede
Ninguém podia fazer pipi
Porque penico não tinha ali.
.
Mas era feita com muito esmero
Na rua dos bobos, número zero.
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Coisas dos outros II


Dois rios
.
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
.
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
.
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão
.
O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão
.
Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
.
O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão
.
O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos
.
Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção
.
Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção
.

Coisas dos outros


Corsário
.
Meu coração tropical
Está coberto de neve, mas
Ferve em seu cofre gelado
E a voz vibra e a mão escreve: Mar.
.
Bendita a lâmina grave
Que fere a parede e traz
As febres loucas e breves
Que mancham o silêncio e o cais.
.
Roseirais! Nova Granada de Espanha!
Por você, eu, teu corsário preso.
.
Vou partir a geleira azul da solidão
E buscar a mão do mar,
Me arrastar até o mar,
Procurar o mar.
.
Mesmo que eu mande em garrafas
Mensagens por todo o mar
Meu coração tropical
Partirá esse gelo e irá.
.
Com as garrafas de náufragos e as rosas
Partindo o ar
Nova Granada de Espanha
E as rosas partindo o ar!

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quarta-feira, 15 de março de 2006

Interessante mesmo.,.,.,

Não sei se vocês perceberam, mas eu tô começando um bando de postagens de coisas que não foram eu que fiz. Espero que gostem.
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Leia o texto abaixo.
Se você conseguir ler as primeiras palavras, o cérebro decifrará automaticamente as outras...
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3M UM D14 D3 V3R40, 3574V4 N4 PR414, 0853RV4ND0 DU45 CR14NC45 8R1NC4ND0 N4 4R314. 3L45 7R484LH4V4M MU170 C0N57RU1ND0 UM C4573L0 D3 4R314, C0M 70RR35, P4554R3L45 3 P4554G3NS 1N73RN45. QU4ND0 3575V4M QU453 4C484ND0, V310 UM4 0ND4 3 D357RU1U 7UD0, R3DU21ND0 0 C4573L0 4 UM M0N73 D3 4R314 3 35PUM4.. 4CH31 QU3, D3P015 D3 74N70 35F0RC0 3 CU1D4D0, 45 CR14NC45 C41R14M N0 CH0R0, C0RR3R4M P3L4 PR414, FUG1ND0 D4 4GU4, R1ND0 D3 M405 D4D45 3 C0M3C4R4M 4 C0N57RU1R 0U7R0 C4573L0. C0MPR33ND1 QU3 H4V14 4PR3ND1D0 UM4 GR4ND3 L1C40; G4574M05 MU170 73MP0 D4 N0554 V1D4 C0N57RU1ND0 4LGUM4 C0154 3 M415 C3D0 0U M415 74RD3, UM4 0ND4 P0D3R4 V1R 3 D357RU1R 7UD0 0 QU3 L3V4M05 74N70 73MP0 P4R4 C0N57RU1R. M45 QU4ND0 1550 4C0N73C3R 50M3N73 4QU3L3 QU3 73M 45 M405 D3 4LGU3M P4R4 53GUR4R, 53R4 C4P42 D3 50RR1R!! S0 0 QU3 P3RM4N3C3 3 4 4M124D3, 0 4M0R 3 C4R1NH0. 0 R3570 3 F3170 4R314.

terça-feira, 14 de março de 2006

Alberto Caieiro – O Guardador de Rebanhos


Da Minha Aldeia
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Da minha aldeia veio quanto da terra se pode ver no Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura...
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Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
.
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos
nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

terça-feira, 7 de março de 2006

Testamento (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.
.
Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.
.
Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.
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Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!
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Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!
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(29 de janeiro de 1943)

segunda-feira, 6 de março de 2006

Querido Blog

Querido Blog, hoje o dia está chuvoso e nublado, nublado e chuvoso e vice-versa. São algumas horas da manhã e pela janela eu posso ver que a chuva do fim-de-semana foi forte o bastante pra arrancar galhos da árvore que fica aqui de frente pra janela da sala onde eu fico de frente pra janela da sala. O final de semana foi cheio de pancadas de chuva fortes ou pancada de chuvas fortes que oscilavam bastante de forma irregular e redundante feito essa frase proposital. Sabe?! Tipo aquela chuva que vem com raiva e despenca água, mas depois fica com dó e ameniza pra fazer carinho no asfalto. Nada que dure mais do que alguns instantes de piedade e logo ela já vinha com toda força de novo, e essas oscilações se repetiam e repetiam até que as nuvens se esgotavam de indecisão e morriam de vergonha correndo pra se esconder toda tímida atrás de outros prédios mais distantes. Será que elas se acham indecisas e por isso indefesas? Quem não toma partido não pode se defender. Defender-se é tomar partido de si mesmo pra sim mesmo em si.
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Mesmo???
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O fim-de-semana foi tranqüilo e novamente tão tranqüilo que só posso dizer que ele foi tranqüilo e nada mais. Sem exageros seria uma variação sem mudanças significativas (de significado). Estava acabando de se tratar de uma gripe cheia de antibióticos, tosses e etc. A gripe e suas companheiras. Algumas febres sem mais nem menos, só febres e demais. Já vi o DVD do festival de música de Itanhandu e outros, vi filmes tipo Cold Mountain, mas nada de tipo, era o próprio. Vi as ruas, minha prima e tia, nada que um fim de semana tranqüilo não possa comportar e satisfatoriamente proporcionar.
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Não dormi cedo não. Já era mais que aurora quando eu vi a dança das horas restaurar o céu azul, extinto negro. Muito poético e pouco prático. Sexta era canseira e sofá. Sábado era o quarto e suas arrumações intermináveis. Quarto só diminui com o passar dos tics das engrenagens do big-bang miniatura.
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Nossa, pra quê uma frase assim. Não seria melhor dizer que com o passar dos tempos, nossas tralhas aumentam e o quarto fica mais apertado e insuficiente pra comportar tanta coisa?
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Seria, mas aí fica a frase fica muito simples e as coisas se tornam mais corriqueiras na escrita do que no desenrolar efetivo do momento e a escrita perde seu diferencial. Escrever com beleza exagerada suas rotinas é o exercício do dejavu das maravilhas. O melhor dejavu, eu garanto. rsssss
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É uma beleza as maravilhas do dia sem nada de mais, não é mesmo?!
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Acho que sim, as maravilhas são todas bem esguias e deploráveis, mas o que seria de nós sem suas certezas momentaneamente definitivas. As maravilhas servem pra serem eternas, não infinitas posto que é chama, mas eternas enquanto dure.Propositalmente oposto.
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A maravilha plena reside na incontestável ilusão de saber se enganar só pra estar em paz numa vida de alguns minutos.
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E depois?
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Depois... que venha a morte, porque só assim poderá novamente de novo vir outra vida numa maravilha sem igual de segundinhos. O fim de semana foi assim.
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Quem disse que diálogo precisa de parágrafo travessão?????????
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Eu disse muitas coisas, mas não me lembro de ter dito isso.
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Kakakakaka, risos em conjunto.,.,.,.,.,

sexta-feira, 3 de março de 2006

Frase do dia

"Nós vamos vir a estar trabalhando na pesquisa de clima". Autor: alguém numa reunião.

quinta-feira, 2 de março de 2006

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006

:-D___:-O___:-x___8~#___3:-$___:-z

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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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O olhar não é a causa, mas sim a conseqüência. O olho não é o foco, é só alguma coisa que baila na maré. A concentração não está na visão do externo, mas na fonte de repertórios internos. A dor é uma memória, o sorriso é conseqüência de tantos outros sorrisos sinceros que habitam os anos corridos. O olho é a janela, a boca é a porta e tudo é instrumento maleável cheio de ondas e dilúvios de intensidade intuitiva que transformam o agente em passiva, o condutor em instrumento secundário submisso às transformações internas. Tudo está no ato de não saber nunca atuar, mas ser atuável. Já me disseram uma vez: “Perca o juízo, mas nunca perca o controle”.
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z
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:-D_____:-O_____:-x_____8~#_____3:-$_____:-z

terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

Peixe em banho-maria...

“- E ae Milton, como pode um peixe vivo viver fora da água fria?
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- Ahhh meu caro, não vive, definha tentando mergulhar no frescor das coisas que vem de dentro, muito belas, mas que apenas fazem lembranças de futuro do pretérito e sonhos de passados imperfeitos que só sabem resistir até nunca mais.
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- Hãããmmm, tendi tudo!!!”
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Essa foi uma conversinha que eu tive com o Milton outro dia quando eu fui lá pro interior de Minas pra descer o rio de bóia e comer rosquinha de nata com açúcar, requeijão e café... rssss
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Mas voltando ao assunto sério, o peixe – “vivo” está em banho-maria, e eu acho que algumas bóias já rodaram rio-frio abaixo.
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Definha, definhas, definhais, definhaste
Tentando mergulhar
No frescor das coisas
Que vem de dentro
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Muito belas
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Mas que apenas fazem lembranças de futuro do pretérito
E sonhos de passados imperfeitos que só sabem resistir até
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N
U
N
C
A
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M
A
I
S
S
S
S
S
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Demagogia

terça-feira, 14 de fevereiro de 2006

Vejo tua imagem refletida num misto de azuis anis febris sutis sutileza de impacto instantaniedade corriqueiro de se saber inóspito lugar de seu coração. Força cativa transparente complexa reflexa reversa transversal de tempos e espaços aquáticos que mais parecem o paraíso de veludo de nuvem. Roxa são as florestas e as flores folhagens miragens milhares de corredores vegetarianos labirintites de troncos ocos de morte vivos de cortes palmeiras paineiras videiras e paredes de paredes de clorofila fibrila rígida de seivas brutas e elaboradas. Complexos cordões que vão e vem em andanças de sangue verde e azul anil febril sutil de sutileza espalhafatosamente gigantesca. E tua imagem? Tua é reflexão de dentro que salta fora que estoura os laminados espelhos amplexos pelo transpassar de olhares piedoso e inexpressivos cabaleante crânio pênsil pêndulo casulo santo múltiplo de divindades repelentes e atrativas de simultaneidade. Lua lua e lua que é difusa exclusa exclusão da definição proibida aos pecadores que a deriva vão levando as vidas boiando em mares de sal grosso pra poderem lavar suas chagas compactas coliforme-fecalmente consumidoras de sangue advindo de outrem. Impressionante são seus desejos de além mar aquém sonhos. Semblante é pintura viva, vitrinismo humano-teatral facial. As tuas são tantas poucas várias vírgulas e pontuações de sentimentos interruptos que turbilham nossos mundos de profundezas rasas de compaixão fartas de gratidão vazias de amor. Não entendemos teus corpos não dizemos suas vontades não decoramos teu celular nem teus cômodos. Sobrevivemos sem tuas preces corremos sem tuas estradas cantamos sem tua permissão. Renovamos nossos desejos persistimos nos caminhos galgamos tuas rugas. Desenhamos nossos atalhos domamos tuas feras machucamos nossas mãos. Tapamos nossas luzes cercamos nossas vontades partimos sem perdão. Partimos sem volta e sem absorver nossos líquidos sem beber de tuas fontes sem colher as plantas podres sem olhar pros teus olhos. Sem você. Fica fica mais. Ficou. Esvaiu-se aqui e fica-ficamos lá. Espoeirou num átomo em extinção numa absoluta. Apenas numa absoluta pequena e inexistível. Tanta grandiosidade de azuis anis febris sutis pra quê? Por que éramos assim, tão indizíveis? Tanto exageros e forçosamente errados? Éramos a morte, eras as eras. Agora misturas com o fundo sucumbi aos erros pilotas os abismos enfrentas o feto morres de dor. Executa o desespero. Tanto a ser. Nada de fato.
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Vejo tua imagem refletida num misto de azuis anis febris sutis sutileza de impacto instantaniedade corriqueiro de se saber inóspito lugar de seu coração. Força cativa transparente complexa reflexa reversa transversal de tempos e espaços aquáticos que mais parecem o paraíso de veludo de nuvem. Roxa são as florestas e as flores folhagens miragens milhares de corredores vegetarianos labirintites de troncos ocos de morte vivos de cortes palmeiras paineiras videiras e paredes de paredes de clorofila fibrila rígida de seivas brutas e elaboradas. Complexos cordões que vão e vem em andanças de sangue verde e azul anil febril sutil de sutileza espalhafatosamente gigantesca. E tua imagem? Tua é reflexão de dentro que salta fora que estoura os laminados espelhos amplexos pelo transpassar de olhares piedoso e inexpressivos cabaleante crânio pênsil pêndulo casulo santo múltiplo de divindades repelentes e atrativas de simultaneidade. Lua lua e lua que é difusa exclusa exclusão da definição proibida aos pecadores que a deriva vão levando as vidas boiando em mares de sal grosso pra poderem lavar suas chagas compactas coliforme-fecalmente consumidoras de sangue advindo de outrem. Impressionante são seus desejos de além mar aquém sonhos. Semblante é pintura viva, vitrinismo humano-teatral facial. As tuas são tantas poucas várias vírgulas e pontuações de sentimentos interruptos que turbilham nossos mundos de profundezas rasas de compaixão fartas de gratidão vazias de amor. Não entendemos teus corpos não dizemos suas vontades não decoramos teu celular nem teus cômodos. Sobrevivemos sem tuas preces corremos sem tuas estradas cantamos sem tua permissão. Renovamos nossos desejos persistimos nos caminhos galgamos tuas rugas. Desenhamos nossos atalhos domamos tuas feras machucamos nossas mãos. Tapamos nossas luzes cercamos nossas vontades partimos sem perdão. Partimos sem volta e sem absorver nossos líquidos sem beber de tuas fontes sem colher as plantas podres sem olhar pros teus olhos. Sem você. Fica fica mais. Ficou. Esvaiu-se aqui e fica-ficamos lá. Espoeirou num átomo em extinção numa absoluta. Apenas numa absoluta pequena e inexistível. Tanta grandiosidade de azuis anis febris sutis pra quê? Por que éramos assim, tão indizíveis? Tanto exageros e forçosamente errados? Éramos a morte, eras as eras. Agora misturas com o fundo sucumbi aos erros pilotas os abismos enfrentas o feto morres de dor. Executa o desespero. Tanto a ser. Nada de fato.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

A maior mulher do mundo, era uma grande mulher...

Essa mulher teve um problema seríssimo causado por uma anomalia genética que se manifesta quando a pessoa tem os dois genes do crescimento recessivos e, durante a gestação, sua mãe passou por um período de muito estresse o que pode ter provocado altas taxas de adrenalinana na corrente sanguínea. Segundo especialistas, a adrenalina juntamente com a albumina, essa em níveis normais, tem a capacidade de ativar de maneira absurda esses tais genes recessivos do crescimento fazendo-os trabalhar de forma reversa o que provoca um crescimento exagerado de todas as partes do corpo. Sabe-se também que as pessoas que são acometidas por esse mal, ou melhor dizendo, por essa infelicidade, dificilmente conseguirão ativar a melanina de seus corpos, portanto, mesmo que tomem sol elas ainda continuarão muito brancas como essa mulher.
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Agora tomando em consideração somente o caso dela, pode-se notar que é ainda pior, pois além dos males causados por essa anomalia genética, ela ainda desenvolveu um pouco de calvície conseqüente dos intensos tratamentos que foi obrigada a fazer na esperança de amenizar o processo.
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Apesar de todas as dificuldades de sua vida, Maren Mcjane nunca se desesperou com a idéia de poder morrer de tanto crescer, pelo contrário, segundo familiares, ela sempre foi uma pessoa bem humorada e nesse dia em que ela entrou pro Guiness Book, até resolveu abrir as portas de sua casa para uma sessão de fotos e entrevistas coletivas. Desde essa data em diante seus depoimentos de fé, alegria e vontade de viver correm o mundo através dos e-mails e mídia eletrônica.
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Aqui embaixo temos a imagem mais famosa de Maren Mcjane. A foto está no Guinness desde 2004 e foi disponibilizada no site oficial do livro (http://www.guinnessbook.com/) no ano seguinte, ou seja, 2005.
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Gostei muito das histórias que recebi falando de seu senso de humor, sua força de vontade e então resolvi fazer esse post em sua homenagem após ter lido no site da UOL que ela havia morrido no dia 5/2/2006 domingo passado. Fiquei muito mal e enquanto não escrevi esse texto não consegui me aliviar. Muito Obrigado Maren Mcjane, porque você me fez mais feliz, mesmo sabendo que agora você não está mais entre nós.
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Coloquei a baixo sua foto mais famosa, aquela que foi disponibilizada no site do Livro dos Recordes.
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Atenção: Isso é uma brincadeira. rssss
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2006

Oh ! Santa Helena

Ouçam essa música. Eu ouvi ela ontem no rádio e ficou na minha cabeça de um jeito, ela é muito gostosa. E agora depois de um dia inteiro cantando ela na cabeça, eu resolvi postar no Blog pra ela poder ir adiante e sair daqui de dentro. Doideira da minha cabeça, mas tá valendo. Só na Cavalgadura rasante aos Montes de Relatórios. rssss
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Santa Helena
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Saiu na quarta-feira
É sexta e não chegou
Já faz uma centena
Que o meu olho te espiou.
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É luz de seis e meia
A noite anunciou
O brilho das estrelas
E você não voltou.
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Corri festa de largo,
Fitei braço e rezei
Lacei a fé no espaço
Mas eu não avistei
Ninguém ninguém.
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OH ! Santa Helena
OH ! Santa Helena
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Saiu na quarta-feira
Com meus beijos de amor
Deixou uma incerteza
De um bilhete sem flor

Botei na prateleira
O orgulho e a razão
Consultei rezadeira,
Me guiei por intuição
E ninguém ninguém...
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OH ! Santa Helena
OH ! Santa Helena
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É luz de seis e meia
A noite anunciou
O brilho das estrelas
E você não voltou
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Botei na prateleira
O orgulho e a razão
Consultei rezadeira,
Me guiei por intuição
E ninguém, ninguém
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OH ! Santa Helena
OH ! Santa Helena

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Só pra postar...

Eu sei que a imagem tá distorcida mas é assim que era pra ser, uma coisa só pra postar...