Livro de William
P. Young que trata de uma experiência dita real, pela qual passou seu amigo Mack
Allen Phillips. Este, um homem bom, pai de família, um pouco fechado, um
cidadão aparentemente normal, vê sua vida transformada num pesadelo quando sua
filha Missy é raptada e assassinada brutalmente por um maníaco. O rapto
acontece debaixo de seu nariz, quando ele foi com seus filhos a um acampamento
de fim de semana, numa região rural do Canadá, se não me engano.
Após este
acontecido, o homem perde sua fé, cai no que ele chama de “A Grande Tristeza”,
que pode ser visto como um quadro de depressão, e entra num ciclo de
questionamentos doloridos que têm como centro a seguinte pergunta: Se Deus
existe, por que ele não salvou sua filha?
Ele, depois de
um tempo, recebe uma carta assinada como Papai, convidando-o a ir a tal Cabana
onde sua filha havia sido assassinada. Pelo rearranjo natural do destino, as
coisas acontecem de maneira que ele consegue se dirigir até lá na data marcada.
Apesar de cético e revoltado com a possível ironia daquele que se autodenominou
Papai, ele vai e daí a história sofre um salto mágico, lançando a trama a uma extensa
e interessantíssima experiência espiritual e mediúnica!
Na tal cabana, ele
se encontra com três figuras principais:
O que se coloca
como o Pai: uma negra africana.
O Filho: um
homem judeu, de pele parda, como eram os homens do Oriente Médio na época de
Jesus.
E o dito Espírito
Santo: uma mulher oriental feita de energia mutante e muito sutil que parece
transmutar constantemente.
Estas três
figuras travam diálogos maravilhosos com Mack, onde explicam de maneira clara e
objetiva algumas questões existenciais que o assolavam.
Além destas três
figuras, uma quarta aparece para ele: uma mulher que se coloca como a Filosofia
e possui uma postura mais provocativa que o instiga com perguntas e explicações
mais diretas.
Após esta
passagem, que não vou contar como termina, Mack sai renovado e tem muitas de
suas questões respondidas, e suas dores amenizadas.
Além destes
quatro personagens, ele encontra com outros espíritos importantes na sua vida,
mas isso não precisa ser revelado aqui.
Eu, que tenho
crenças espíritas, e sonho constantemente com seres diversos, acredito que o
que se passou com ele foi um profundo tratamento espiritual, acontecido pela
visita de seres de muita luz, que não são realmente os formadores da Santíssima
Trindade original, obviamente, mas que trazem um simbolismo muito profundo e
interessante, pelas figuras que assumiram.
Os diálogos vão,
com muita propriedade, além do lugar comum, e se encaixam num nível de
profundidade que ultrapassa, e muito, o banal, sem, no entanto, cair num
sistema dialético complexo ao ponto de não se fazer entender pelas grandes
massas.
Aliás, tive uma
dúvida pessoal razoavelmente esclarecida durante a leitura, por esta frase que
se segue:
“Perdoar não
significa esquecer.”
Oscilei por
muitos anos entre o perdoar que se subentende o esquecer e o perdão que não
necessariamente esquece! Achava, ultimamente, que o perdoar necessariamente
levava ao esquecer, pois o perdoar me parecia fácil, já o esquecer, por vezes,
quase impossível. Sendo assim, achei que o perdão profundo deveria chegar, sim,
ao esquecimento, já que perdoar era um ato de intensa grandeza!
Mas então,
depois de ler, pensei melhor e cheguei a seguinte conclusão, que descrevo desta
maneira, apesar de eu não gostar de lidar diretamente com a misteriosa figura
do Supremo: se Deus sabe de tudo, isso significa que ele sabe de nosso erros,
ou seja, ele não os esquece. Ao mesmo tempo, ele tem uma misericórdia infinita,
por isso os perdoa, sem, no entanto, podermos dizer que ele esquece nossos
caminhos passados.
Há diálogos
lindíssimos, com explanação de fundamentos religiosos universais, apesar de
calcados em figuras do Cristianismo. Há passagens mágicas, onde a clarividência
do personagem principal é aguçada e as coisas se transformam num lindo ritual
de formas e cores mágicas que inundam a criação e nos mostra que TUDO É
ENERGIA!
O livro é um
Best-seller desde seu lançamento! Senti-me tocado pela narrativa! Achei forte,
verdadeira, bastante além do trato comum das idéias, e acredito que, dentro de
alguns parâmetros espirituais, ela é bem possível de ter acontecido, apesar de ter lido algumas críticas quanto a sua veracidade! Enfim, tudo que toca o divino, tende a ser polêmico.
Seguem algumas
frases do livro, para embelezar esta corriqueira resenha:
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"Jamais
desconsidere a maravilha das suas lágrimas. Elas podem ser águas curativas e
uma fonte de alegria. Algumas vezes são as melhores palavras que o coração pode
falar."
"O perdão
existe em 1º lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai
destruí-lo, que vai acabar com sua alegria e capacidade de amar integral e abertamente..."
“Viver sem ser
amado é como cortar a asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar.”
"Não é da
natureza do amor forçar um relacionamento, mas é da natureza o amor abrir um
caminho."
"- Isso
significa que todas as estradas levam a você?
- De jeito
nenhum. (...) A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso
significa é que EU VIAJAREI POR QUALQUER ESTRADA PARA ENCONTRAR VOCÊS."
"Submissão
não tem a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos
de amor e respeito."
“Só porque você
acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira.”
"O ser
transcende a aparência! Assim que você começa a descobrir o ser que há por trás
de um rosto muito bonito ou muito feio, de acordo com seus conceitos e
preconceitos, as aparências superficiais somem até simplesmente não importarem
mais..."
Fonte: Pensador (UOL)