terça-feira, 23 de abril de 2013

As Aventuras de Pi




“Assim também é com Deus!”

Uma daquelas frases que fazem todo o ciclo narrado fazer sentido e o engrandece de maneira simples e absoluta!

Como no filme Cisne Negro, quando a protagonista diz: “Eu senti... a perfeição! FOI PERFEITO!”, ou como no filme “O Artista” quando o próprio diz, no único momento em ouvimos sua voz: “With pleasure!”

Frases marcantes que valem por todo o tempo que passamos vendo a história sendo passada diante de nós.

Pi Pattel, um indiano de múltiplas religiões, sofre um acidente e se vê lançado no meio o Oceano Pacífico num barco cheio de animais. Assim ele tem que se encontrar para poder prosseguir e sobreviver!

Uma metáfora interessantíssima sobre a existência, a força interna que nós desconhecemos estar dentro da alma, o Deus e o Deus dos homens, que são coisas bastante diferentes e o como nós inventamos artimanhas mentais para sobreviver a um naufrágio, ou mesmo aos corriqueiros cotidianos!

Vi o filme três vezes, uma no cinema, e outras duas num DVD. E é interessante ver de novo para pegar os vários simbolismos colocados ao longo da narrativa. Os paralelos visuais e comportamentais, os momentos significativos e os diálogos que mais pra frente terão seus sentidos amarrados!

O protagonista cumpre sua promessa: fazer alguém acreditar em Deus! E acho que não só o personagem ouvinte sofreu esta mudança. Na vida real, outros também devem ter sido tocados!

Um filme pra todas as idades e para todos os gostos: da aventura à filosofia de vida!



PRÊMIOS
- Em 2013, ganhou os Oscars de Melhor Diretor, Melhor Fotografia, Melhor Efeito Visual e Melhor Trilha Sonora

- Em 2013, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Trilha Sonora



FICHA TÉCNICA
Diretor: Ang Lee
Elenco: Irrfan Khan, Gérard Depardieu, Suraj Sharma, Adil Hussain, Ayush Tandon
Produção: Ang Lee, Gil Netter, David Womark
Roteiro: David Magee, baseado na novela Yann Martel
Fotografia: Claudio Miranda
Trilha Sonora: Mychael Danna
Duração: 129 min.
Ano: 2012
País: EUA
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Fox Film
Estúdio: Fox 2000 Pictures / Rhythm and Hues
Classificação: Livre



Amor


Até quando dura o amor? O que o amor é capaz de fazer pelo outro?

Essas são perguntas que este filme se propõe a questionar.

Um casal de velhos professores de música, que vivem sozinhos, provavelmente em Paris, tem suas vidas modificadas por um acidente. A rotina, até então bastante calma, passa a se tornar incômoda e coloca a prova justamente a tolerância que um dos dois tem pelo outro.

A meu ver, a fatalidade foi feita num momento de desespero por ver a outra pessoa num sofrimento do qual ela não sairia jamais. Frente a isso, e a uma vida inteira passada juntos, a mente se modificou, cogitou e realizou o desespero.

Um filme francês, de bastantes silêncios, atuações naturais, o olhar dizendo muito mais, como sempre diz.

Um final com pinceladas delirantes, embebidas de culpa, solidão e escape!



PRÊMIOS
- Em 2013, ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Também foi indicado a Melhor Filme, Atriz (Emmanuelle Riva), Diretor e Roteiro Original

- Em 2013, ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro

- Em 2013, ganhou o César de Melhor Filme, Melhor Atriz (Emmanuelle Riva), Melhor Ator (Jean-Louis Trintignant), Melhor Diretor e Melhor Roteiro

- Em 2013, ganhou os prêmios de Melhor Filme, Melhor Diretor (Michael Haneke) e Melhor Atriz (Emmanuelle Riva) da National Society Of Film Critics

- Em 2013, indicado ao Bafta Awards de Melhor Diretor (Michael Haneke), Melhor Atriz (Emmanuellle Riva), Melhor Filme em Língua Estrangeira e Melhor Roteiro Original

- Em 2012, venceu a Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes

- Em 2012, recebeu os prêmios do Cinema Europeu de Melhor Filme, Diretor, Ator e Atriz

- Em 2012, ganhou o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do Círculo de Críticos de Cinema de Nova York

- Em 2012, ganhou os prêmios de Melhor Filme e Melhor Atriz da Associação dos Críticos de Cinema de Los Angeles



FICHA TÉCNICA
Diretor: Michael Haneke
Elenco: Jean-Louis Trintignant, Emmanuelle Riva, Isabelle Huppert, Alexandre Tharaud, William Shimell, Ramón Agirre, Rita Blanco, Carole Franck, Dinara Drukarova, Laurent Capelluto, Jean-Michel Monroc, Suzanne Schmidt, Damien Jouillero, Walid Afkir
Produção: Stefan Arndt, Margaret Ménégoz
Roteiro: Michael Haneke
Fotografia: Darius Khondji
Duração: 127 min.
Ano: 2012
País: França, Alemanha, Áustria
Gênero: Drama
Cor: Colorido
Distribuidora: Imovision
Estúdio: Les Films du Losange / X-Filme Creative Pool / Wega Film
Classificação: 14 anos




A Luz do Tom



Tudo que envolve Tom Jobim me interessa bastante!

Fui ver “A música segundo Tom Jobim” e gostei demais, mesmo sendo (talvez) duas horas de filme sem que uma única palavra seja dita. Foi fantástico!!!

A luz do Tom é um pouco enfadonho, mas informativo, além de ser interessante ouvir as gravações para piano e voz que o próprio Tom fez para muitos de seus clássicos!

Já neste, o mesmo diretor optou por colocar três mulheres da vida do maestro soberano, a irmã, a primeira e a segunda esposa (Helena Jobim, Tereza Hermanny e Ana Lontra Jobim) contando casos da vida do compositor: sua maneira de ver as coisas, a natureza, as passagens de quando era adolescente, o como ele não gostava de dar aulas de piano e levava os alunos pros bares, o quanto ele estudou harmonia e a sonoridade das palavras.

Aliás, esta era a grande obsessão do compositor: o casamento entre melodia e letra. Uma obsessão predestinada se considerarmos que ele é tido como o maior compositor de canções populares da história da música moderna, segundo palavras do meu professor de piano, que entende bastante do assunto.

Enfim, é interessante notar o passar das fases da carreira dele e de como a paixão pela música e pela composição, aliada a um esforço de trabalho contínuo, o levou a construir um cancioneiro esplêndido!

Ele é também colocado como um homem misterioso e meio mágico, principalmente pela sua irmã, autora do livro que deu origem a este filme. Ela dizia que ele, quando jovem, ficava olhando para o nada, pensando, ouvindo alguns sons, às vezes acordava com melodias na cabeça. Ao fim, ela diz que também gostaria muito de poder ouvir e ver as coisas que ele conseguia enxergar e perceber.

Vale ressaltar que os lugares onde foram filmadas as entrevistas são LINDÍSSIMOS!!! Jardins, baías, praias afastadas! Fui atrás para saber quais são estes lugares: Lagoa da Conceição, Praia da Joaquina, Praia do Moçambique, Sítio Brejal em Itaipava, além do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foram escolhidos por remeterem ao Rio da época da juventude do compositor.


FICHA TÉCNICA
Diretor: Nelson Pereira dos Santos
Elenco: Helena Jobim, Thereza Hermanny, Ana Lontra Jobim
Produção: César Cavalcanti
Roteiro: Miúcha Buarque de Holanda, Nelson Pereira dos Santos
Fotografia: Maritza Caneca
Trilha Sonora: Paulo Jobim
Duração: 88 min.
Ano: 2012
País: Brasil
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: RioFilme/ Bretz
Estúdio: Regina Filmes
Classificação: Livre



A Caça





Um filme extremamente angustiante, justamente porque o protagonista, apesar de muito aparentemente ser inocente (muitas rimas!), não reage às acusações que a comunidade da pequena cidade (outra rima!) onde mora faz contra sua pessoa.

Ele, um homem considerado comum, que perdeu o emprego, trabalha numa creche, cuidando de crianças, até que uma pequena menina confunde as referências colhidas em diferentes lugares (vídeo pornô do irmão + paixão platônica pelo professor), mistura tudo em sua cabecinha, e acusa o protagonista de mostrar seu órgão sexual para ela.

O que dizer contra uma declaração de uma menina pequena?!

Primeiramente todos acham que é uma verdade indiscutível!

Isso gera o ciclo de injustiças que desmantela a vida do sujeito e o coloca numa enrascada que ele parece não ter forças para sair ou, pelo menos, acha aquilo tudo tão absurdo que não reage às ofensas verbais e físicas que começa a sofrer.

Com o passar das cenas, a própria platéia vai sentido raiva contra os acusadores e, eu particularmente, senti raiva até mesmo dele, por não dizer, não reivindicar a verdade que sabe estar consigo.

Acho que a grande força dessa película está nisso. A justiça que vai gradativamente ficando mais distante justamente pela apatia daquele que não tem culpa de nada.


A CAÇA

Diretor - Thomas Vinterberg

Atores e atrizes

Mads Mikkelsen - Personagem: Lucas
Thomas Bo Larsen - Personagem: Theo
Annika Wedderkopp - Personagem: Klara
Lasse Fogelstrom - Personagem: Marcus

Produção - Thomas Vinterberg
RoteiristaS - Tobias Lindholm, Thomas Vinterberg
Distribuidor brasileiro (Lançamento) - CALIFORNIA FILMES
Produção - Zentropa Entertainments
Co-produção - Film i Väst

A Cabana



Livro de William P. Young que trata de uma experiência dita real, pela qual passou seu amigo Mack Allen Phillips. Este, um homem bom, pai de família, um pouco fechado, um cidadão aparentemente normal, vê sua vida transformada num pesadelo quando sua filha Missy é raptada e assassinada brutalmente por um maníaco. O rapto acontece debaixo de seu nariz, quando ele foi com seus filhos a um acampamento de fim de semana, numa região rural do Canadá, se não me engano.

Após este acontecido, o homem perde sua fé, cai no que ele chama de “A Grande Tristeza”, que pode ser visto como um quadro de depressão, e entra num ciclo de questionamentos doloridos que têm como centro a seguinte pergunta: Se Deus existe, por que ele não salvou sua filha?

Ele, depois de um tempo, recebe uma carta assinada como Papai, convidando-o a ir a tal Cabana onde sua filha havia sido assassinada. Pelo rearranjo natural do destino, as coisas acontecem de maneira que ele consegue se dirigir até lá na data marcada. Apesar de cético e revoltado com a possível ironia daquele que se autodenominou Papai, ele vai e daí a história sofre um salto mágico, lançando a trama a uma extensa e interessantíssima experiência espiritual e mediúnica!



Na tal cabana, ele se encontra com três figuras principais:

O que se coloca como o Pai: uma negra africana.

O Filho: um homem judeu, de pele parda, como eram os homens do Oriente Médio na época de Jesus.

E o dito Espírito Santo: uma mulher oriental feita de energia mutante e muito sutil que parece transmutar constantemente.



Estas três figuras travam diálogos maravilhosos com Mack, onde explicam de maneira clara e objetiva algumas questões existenciais que o assolavam.

Além destas três figuras, uma quarta aparece para ele: uma mulher que se coloca como a Filosofia e possui uma postura mais provocativa que o instiga com perguntas e explicações mais diretas.

Após esta passagem, que não vou contar como termina, Mack sai renovado e tem muitas de suas questões respondidas, e suas dores amenizadas.

Além destes quatro personagens, ele encontra com outros espíritos importantes na sua vida, mas isso não precisa ser revelado aqui.

Eu, que tenho crenças espíritas, e sonho constantemente com seres diversos, acredito que o que se passou com ele foi um profundo tratamento espiritual, acontecido pela visita de seres de muita luz, que não são realmente os formadores da Santíssima Trindade original, obviamente, mas que trazem um simbolismo muito profundo e interessante, pelas figuras que assumiram.

Os diálogos vão, com muita propriedade, além do lugar comum, e se encaixam num nível de profundidade que ultrapassa, e muito, o banal, sem, no entanto, cair num sistema dialético complexo ao ponto de não se fazer entender pelas grandes massas.

Aliás, tive uma dúvida pessoal razoavelmente esclarecida durante a leitura, por esta frase que se segue:

“Perdoar não significa esquecer.”

Oscilei por muitos anos entre o perdoar que se subentende o esquecer e o perdão que não necessariamente esquece! Achava, ultimamente, que o perdoar necessariamente levava ao esquecer, pois o perdoar me parecia fácil, já o esquecer, por vezes, quase impossível. Sendo assim, achei que o perdão profundo deveria chegar, sim, ao esquecimento, já que perdoar era um ato de intensa grandeza!

Mas então, depois de ler, pensei melhor e cheguei a seguinte conclusão, que descrevo desta maneira, apesar de eu não gostar de lidar diretamente com a misteriosa figura do Supremo: se Deus sabe de tudo, isso significa que ele sabe de nosso erros, ou seja, ele não os esquece. Ao mesmo tempo, ele tem uma misericórdia infinita, por isso os perdoa, sem, no entanto, podermos dizer que ele esquece nossos caminhos passados.

Há diálogos lindíssimos, com explanação de fundamentos religiosos universais, apesar de calcados em figuras do Cristianismo. Há passagens mágicas, onde a clarividência do personagem principal é aguçada e as coisas se transformam num lindo ritual de formas e cores mágicas que inundam a criação e nos mostra que TUDO É ENERGIA!

O livro é um Best-seller desde seu lançamento! Senti-me tocado pela narrativa! Achei forte, verdadeira, bastante além do trato comum das idéias, e acredito que, dentro de alguns parâmetros espirituais, ela é bem possível de ter acontecido, apesar de ter lido algumas críticas quanto a sua veracidade! Enfim, tudo que toca o divino, tende a ser polêmico.

Seguem algumas frases do livro, para embelezar esta corriqueira resenha:

_______________________


"Jamais desconsidere a maravilha das suas lágrimas. Elas podem ser águas curativas e uma fonte de alegria. Algumas vezes são as melhores palavras que o coração pode falar."

"O perdão existe em 1º lugar para aquele que perdoa, para libertá-lo de algo que vai destruí-lo, que vai acabar com sua alegria e capacidade de amar integral e abertamente..."

“Viver sem ser amado é como cortar a asas de um pássaro e tirar sua capacidade de voar.”

"Não é da natureza do amor forçar um relacionamento, mas é da natureza o amor abrir um caminho."

"- Isso significa que todas as estradas levam a você?
- De jeito nenhum. (...) A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que EU VIAJAREI POR QUALQUER ESTRADA PARA ENCONTRAR VOCÊS."

"Submissão não tem a ver com autoridade e não é obediência. Tem a ver com relacionamentos de amor e respeito."

“Só porque você acredita firmemente numa coisa não significa que ela seja verdadeira.”

"O ser transcende a aparência! Assim que você começa a descobrir o ser que há por trás de um rosto muito bonito ou muito feio, de acordo com seus conceitos e preconceitos, as aparências superficiais somem até simplesmente não importarem mais..."

Fonte: Pensador (UOL)




A Busca



Theo Gadelha, personagem interpretado por Wagner Moura, é um homem incomodado com a figura de seu pai que, para ele, não foi o modelo de patriarca capaz de abrir-lhe as portas da vida. Negando este passado, ele procura colocar-se como um pai preocupado em fazer de seu filho um vencedor. No entanto, Pedro (Brás Antunes) não se sente tampouco satisfeito com Theo, já que tem suas vontades de auto-afirmação sufocadas.

Paralelo a isto, o menino trava contato justamente com seu avô paterno, Sal (Lima Duarte). Numa cena intensa, Theo tem uma reação exagerada e magoa severamente o garoto, que aproveita seu aniversário de 15 anos para fugir de casa, usando uma identidade falsa.

Branca (Marina Lima), sua mãe, prepara uma festa para o garoto, que finge ir viajar com um amigo no fim de semana, mas, no domingo, Pedro não aparece e Theo se vê lançado numa Busca atrás de pequenas pistas que o levem a encontrá-lo.

Neste caminho, ele descobre facetas de seu garoto, aprende a respeitá-lo, além de ter de lidar com ele mesmo e seus fantasmas do passado e do presente.

Isto o leva até o interior do Espírito Santo, onde há um singelo e significativo encontro de gerações.

É aquela bela passagem daquela bela canção: “Atrás do filho, vem o pai e o avô”!!! - Nando Reis.

A carga simbólica do filme de cenários passageiros, onde o que é constante são os personagens em mutação, é extremamente tocante! Fiquei emocionado pelos climas das situações, as paisagens e a movimentação das almas que querem se encontrar e, apesar de não saberem como, tentam e vão conseguindo com o passar dos passares!


“Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar.”

Antônio Machado



TÍTULO ORIGINAL - A Busca
DIREÇÃO - Luciano Moura
COPRODUÇÃO - Globo Filmes, O2 Filmes
DISTRIBUIÇÃO - Downtown Filmes

ELENCO
Wagner Moura - Theo
Lima Duarte - Sal
Mariana Lima - Branca
Brás Antunes - Pedro

FICHA TÉCNICA
Roteiro - Elena Soarez
Produtor - Fernando Meirelles, Andrea Barata Ribeiro, Bel Berlinck
Produção Executiva - Bel Berlinck
Diretor de Fotografia - Adrian Teijido
Produção de Elenco - Francisco Accioly
Direção de Produção - Fernanda Polastri
Montagem - Lucas Gonzaga
Direção de Arte - Marcelo Escañuela
Som - Paulo Ricardo Nunes
Figurino - Andrea Simonetti
Maquiagem - Martin Macias



sexta-feira, 12 de abril de 2013

Ciranda Coragem Ciranda


A poesia me dá coragem
E quando escrevo não tenho medo
De quase nada além de mim
Sou capaz de desenhar planos em paralelo
Fazer e desfazer castelos secundários
Olhar e esquecer por aquilo que leva adiante
Tentar sentir, fazer passar
Trazer aos poucos, colocar-me nadas
Tratar pesadelos esquecidos
Pensar sobre meus fantasmas
Sem que eles me atemorizem
Nestes tantos resquícios de vida
Pois sei que posso
De qualquer maneira
Prosseguir adiante
Pelo caminho redigido longínquo
Continuando meus versos
Infinitamente nestes instantes
E sei que isso irá sempre restabelecer
A secreta e silente paz momentânea
Que agora me parece eterna
Pois a poesia me dá coragem
E quando escrevo não tenho medo
De quase nada além de mim
Sou capaz de desenhar planos em paralelo
Fazer e desfazer castelos secundários
Olhar e esquecer por aquilo que leva adiante
Tentar sentir, fazer passar
Trazer aos poucos, colocar-me nadas
Tratar pesadelos esquecidos
Pensar sobre meus fantasmas
Sem que eles me atemorizem
Nestes tantos resquícios de vida
Pois sei que posso
De qualquer maneira
Prosseguir adiante
Pelo caminho redigido longínquo
Continuando meus versos
Infinitamente nestes instantes
E sei que isso irá sempre restabelecer
A secreta e silente paz momentânea
Que agora me parece eterna
Pois a poesia me dá coragem
E quando escrevo... você já sabe


Coragem Ciranda Coragem
Ciranda Coragem Ciranda
Coragem Coragem Ciranda Coragem
Ciranda Ciranda Coragem Coragem
Ciranda Coragem Ciranda Coragem
Coragem Ciranda Ciragem Coranda
Coranda Ciragem Ciranda Coragem
Ciranda Ciranda
Coragem Coragem


Pois a poesia é a catarse controlável
O colocar-se por medidas
Debruçar-se em regras escolhidas
A estética da expressão manuscrita
Com ou sem compromisso de rima ou destino
E mais delicada que a bobagem falada
É a alma corajosa e registrada
Pausada, acelerada, compassada
Errática, mas agora muito menos errada
Sem precisão de divulgação
Para fazer rimar com o coração, ou não
Mas cada qual será de seu tempo
E quem escreve é sem tempo
Adiante renovado futuro encantador
Amanhece descansado o prosador
Ainda que varando por versos a manhã

E nenhum poema será ruim
Se aos olhos de quem o redige
Convier-lhe a apaziguadora realização
Do destino por eles proposto
E que foi seguido de rosto a rosto
Se encarando no verso proposto
E encerrando-se no expressado deposto
Que muito apruma a alma mal-tratada
Enobrece o passageiro instante da jornada
Feito humano após bela briga por tantos travada
E que agora, desta vez, se fez por mim
Mostrando-me o prazeroso fim, enfim
Posto na virtual folha encharcada  
Por esta lágrima da pupila embargada



Pois a poesia me dá coragem 
A poesia me dá 
Ciranda Coragem Ciranda
E quando escrevo...

Você já sabe
.
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