quarta-feira, 14 de março de 2018

Músicas compostas em 2018 - VIII (Espetáculo: Noite de Reis)


Senhora Donzela, Donzela Senhora
Letra e Melodia: Wagner Passos


OLÍVIA:
Eu sou senhora donzela, donzela senhora
Eu venho dizer-te nesta mesma hora
Que sou respeitada por todos lá fora
Aqui na minha casa ou em outro lugar

CORO: É uma mulher corajosa! (É bem corajosa)

MALVÓLIO:
Eu quis te dizer que estava doente
Mas o cavalheiro não muito contente
Retrucou na porta e foi tão veemente
Que eu simplesmente pedi para entrar

OLÍVIA:
O seu patrão é bonito! (Coro: É bem bonito!)
Um cara garboso e rico! (Coro: Garboso e rico!)
Sincero, leal e amigo! (Coro: Um sujeito amigo!)
O seu negócio enriquece! (Coro: Sempre enriquece!)
Mas ele não me apetece! (Coro: Não te apetece!) – 3X

(Todos viram para o que gritou: Schhhhh)

OLÍVIA:
Minha intuição diz ser um homem de bem
Mas ando sem paciência para conhecer alguém
Então vá lá e lhe diga para ele me esquecer
Por que é tão insistente? Eu não consigo entender

VIOLA:
Minha senhora donzela, donzela senhora
Você poderia até mandar embora
Enxotando pra longe do lugar que mora
Este mensageiro que pisa seu chão

CORO: Pois ela gostou desse moço! (Gostou desse moço)

VIOLA:
Mas se eu estivesse bem apaixonado
Eu não ligaria de ser rejeitado
E não sua porta estaria acampado
Numa cabana fazendo canção

CORO:
Mas ela gostou desse moço (Resposta: Gostou desse moço!)
Sensível, sutil e formoso (Resposta: Sutil e formoso!)
E que não tem pelo no rosto (Resposta: Pelo no rosto!)
Mas a sua voz é bem fina! (Resposta: A voz é bem fina!)
Será que ele é uma menina? (Resposta: É uma menina!) – 5X

(Todos viram para o que gritou: Schhhhh)

OLÍVIA:
Diga para seu patrão que não sou tão cruel assim
Mas peça, novamente, que ele se esqueça de mim
Pois meus olhos e lábios que são tão discretos
Já fazem deste meu corpo algo bem completo


MODULAÇÃO:


ORSINO, VIOLA e OLÍVIA (Juntos):
Pois eu te quero com clamor e com urgência
E minhas mágoas em pungência
Não me deixam descansar

ALGUÉM NO CORO COMENTA:
Como eles cantam bonito!


ORSINO, VIOLA e OLÍVIA (Juntos):
E os meus caminhos, cerrados sem destino
Me clausuram pequenino
Não aguento mais te esperar

ALGUÉM NO CORO COMENTA:
Meu Deus, que confusão!

ORSINO, VIOLA e OLÍVIA (Juntos):
Os cometas e os astros no espaço
São lindos vastos traços
Que me inspiram agora a cantar

ALGUÉM NO CORO COMENTA:
Ai, isso não vai dar certo!

(Ao mesmo tempo Viola, Orsino e Olívia cantando coisas diferentes)

VIOLA:
Mas me sinto sem mágoa e te respeito
Pois eu sei que em teu peito
Outra mulher você quer amar

OLÍVIA:
Mas o meu peito cansado de desprezo
Se abre agora tão surpreso
Pois você veio enfim me libertar

ORSINO:
Mas bem distante se encontra do meu leito
E eu fico tão sem jeito
De tentar de novo te conquistar



MODULAÇÃO:


TODOS:
Neste enredo de um gostar do outro
O amor nos deixa loucos
E o peito então fenece

Mas nesta aventura que é amar alguém
Tudo volta a ficar bem
Quando o coração se aquece

Músicas compostas em 2018 - IX (Espetáculo: Noite de Reis)


Muita Bobeira
Letra e Melodia: Wagner Passos


REFRÃO: 
Bobo é quem me diz
Que não é feliz
Eu faço o que quero
Sou dono do meu nariz

Nesse mundo chato
Tão cheio de coisa errada
Ser um cara normal
É uma vida desgraçada

Correr pelado na grama
Pular bem alto na cama
É muito mais divertido
Quando quase nada faz sentido

Você vai ter que entender
Que será melhor pra você
Ser um pouco esquisito
E só tomar conta do seu umbigo

REFRÃO:
 Bobo é quem me diz
Que não é feliz
Eu faço o que quero
Sou dono do meu nariz

Nesse mundo chato
Tão cheio de coisa errada
Ser um cara normal
É uma vida desgraçada

Se dizem que sou louco
Por pensar assim
Louco é o sujeito
Que pensa ter pena de mim

Eu digo que é bem melhor
Não ser um cara normal
Se brinco de ser Deus
É porque já sei que sou mortal

REFRÃO: 
Bobo é quem me diz
Que não é feliz
Eu faço o que quero
Sou dono do meu nariz

Nesse mundo chato
Tão cheio de coisa errada
Ser um cara normal
É uma vida desgraçada

Enquanto você se esforça pra ser
Um cara correto, um sujeito normal
Deve chato demais fazer tudo sempre tão igual

Já eu, do meu lado, aprendendo a ser louco
Um ser diferente, um maluco total
Nesta sanidade que habita a loucura real

REFRÃO: 
Bobo é quem me diz
Que não é feliz
Eu faço o que quero
Sou dono do meu nariz

Nesse mundo chato
Tão cheio de coisa errada
Ser um cara normal
É uma vida desgraçada

Bobo é quem me diz...
Eu sou feliz!

Músicas compostas em 2018 - X (Espetáculo: Noite de Reis)


Feste Vigário
Letra: Adriana Coppi e Wagner Passos
Melodia: Wagner Passos


MARIA:
Meu senhor, mestre vigário
Tire essa coisa desse corpo com este escapulário
Seja bem benevolente
E defenda a gente da maldade deste ordinário

Meu senhor, mestre vigário
Eu te peço agora que me ouça nessa louvação
Recoloque a paz no corpo deste homem
Que está doente e ferve na prisão

TODOS:
E mesmo muito deprimente vê-lo
Se acabando dessa forma
Se entregando como se essa fosse a hora
Perdida no tempo de se deixar levar

E tantas são as louvações
E muitos foram os credos
Que ajoelhados sobre o concreto
Ecoaram pelo espaço sem absolutamente nada se renovar

MARIA:
Meu senhor, mestre vigário
Este homem tem lombriga, maleita, piolho
Bicho carpinteiro, carrapatos
Remela, calo-de-pé e um cisco do olho

MALVÓLIO:
Eu não tenho nada
Nem lombriga, nem dor de dente
Eu fui pego numa intriga
Tenho é muito medo dessa gente

Eu não tenho nada
Não preciso de uma oração
Quero que o senhor me ouça
E me tire agora dessa detenção

FESTE VESTIDO DE SR. TOPAS:
Sou senhor, mestre vigário
E tiro essa coisa do seu corpo com este escapulário
Tome esse forte unguento
Que esse vil tormento agora vai sentir o seu calvário

Sou senhor, mestre vigário
E exijo agora que me ouça nessa louvação
Mesmo com tanta nojeira
Beba ela inteira, minha mais esdrúxula poção 

TODOS:
Uma pitada de meleca, pernas de barata
E o olho cego de um velho pirata
Frango estragado, um papel riscado
E um pouco de água do mar

Isso tudo misturado com vidro quebrado
Feijão congelado, macarrão colado
Filtro já usado de café passado
Bife temperado com leite coalhado

Fígado malpassado, polvo adoentado
Um ovo mal fritado, dente encavalado
Coração calado, sentimento amargo
Homem mal-amado sem poder falar

FESTE VOLTA SEM DISFARCE:
O senhor, mestre vigário
Disse que Malvólio na gaiola é mesmo um canário
E falando dos teus versos
Eu quis vê-lo então de perto, preso neste campanário

MALVÓLIO:
Bobo, meu querido bobo
Sois de todos o mais gentil
Eles pensam que estou louco
Mas foi meu coração que partiu

Bobo, meu querido bobo
Peço agora que me solte
Faça-me essa gentileza
Antes que o vigário volte

Papel e tinta
Pena e vela
É tudo que preciso
Para escrever
A carta pra ela

Músicas compostas em 2018 - XI (Espetáculo: Noite de Reis)


Cantos de Cantares
Letra e Melodia: Wagner Passos
.
.
E então foi assim que tudo se passou
No equívoco de uma dama a confusão se armou
Mas a natureza agiu com compaixão
Amando um disfarce, se casou com seu irmão
.
E agora que cantamos esta canção pra vocês
Chegamos bem faceiros ao fim do “Noite de Reis”
Mas mesmo que se encerre esta programação
Continuaremos juntos nesta emoção
.
Em todos lugares vamos poder estar
Em vários teatros sempre vamos estrelar
E este povo que agora nos observa
Guardará no peito aquilo que se conserva
A memória deste encontro que chega ao fim
.
REFRÃO:
.
Viajaremos em busca de outros sonhos e lugares
A nossa trupe não vai se partir
E neste palco ou em outros tantos cantos de cantares
Nos sentiremos gratos se você
Puder aplaudir
.

Músicas compostas em 2018 - XII (Espetáculo: Noite de Reis)


Blues de Reis
Criação Coletiva – Organização: Wagner Passos
 .
 .
Senhoras e senhores
Profissionais e amadores
Moças e rapazes
Inúteis e capazes
Meninas e meninos
Puritanos e libertinos
Antes que possam contar até três
Apresentamos, pois enfim, a vocês:
 .
 “Noite de Reis”
 .
Uma história de terror?
Não, uma história de amor.
Uma história que vai te confundir
E você não saberá para onde ir.
Nossos personagens, desesperados, seguirão
Os fortes desígnios do coração.
Sem perceber, vão se perder
E irão ainda mais viver
O desespero de se apaixonar.
O rio do amor os levará!
E, no forte peito, eles sentirão
O clamor vivo de um coração
Que não é correspondido!
Que não é correspondido?
Que não é correspondido?
Que não é correspondido?
 .
.
REFRÃO:
 .
Olhe pra cá, pra cá, pra cá, pra cá, pra seu bobão
Se um olhar te engana, imagine o teu coração
Olhe pra cá, pra cá, pra cá, pra cá, pra seu bobão
Se um beijo te inflama, imagine essa canção
 .
.
Temos sorrisos e lágrimas para todos os rostos
Temos personagens para todos os gostos
Do miserável ao insuperável
Do abusivo ao mais altivo
Dos que têm bons sentimentos
Até aqueles que se exaurem em tormentos.
Mas, fiquem tranqüilos meus caros expectadores
O poeta finge suas mais deveras dores
E, sem sombra de dúvidas, eles vão te divertir
Porém depois, não mais que de repente, irão sumir
Deixando em vocês uma dúvida cruel
Que então clamem a resposta ao céu:
 .
 - Será que vale a pena ou não
Viver tamanha confusão
De um intrincado triângulo amoroso
Que mais parece um alvoroço?
 .
.
REFRÃO
 .
Olhe pra cá, pra cá, pra cá, pra cá, pra cá seu bobão
Se um olhar te engana, imagine o teu coração
Olhe pra cá, pra cá, pra cá, pra cá, pra cá seu bobão
Se um beijo te inflama, imagine essa canção
 .
.
Mas o amor é rei em terra de cegos (Resposta: Tantos planos)
E sempre vale a pena mais amar (Resposta: Mas temos medo)
Deixe então de lado seu receio (Resposta: Não respiro)
Faz-se, pois preciso se entregar (Resposta: Se encantar)
E cantamos soltos neste palco (Resposta: Aconchego)
Somos tão crianças pra chorar (Resposta: Inda é cedo)
A arte que invade este espaço (Resposta: Um regaço)
Leva-me adiante a acreditar
.

Compenetrada


Densidade


Minúscula Vida


No Flagra!


" - Ei, olha só o que eu achei..."




Rasteiro


Bio-Liquefação


terça-feira, 13 de março de 2018

Se Rio, por que choro? (Poema de meses atrás)

Acho que nunca serei 
Capaz de fazer 
Um poema para o Rio de Janeiro
Pois sempre me fazem
Como algo ressentido
Como se eu fosse um incapaz
De vivificar-me
Naquela metrópole
.
Este escrito 
Que agora sucumbo
Não é nada 
Além de lamentação
Não é nada 
Além de devaneio mínimo
Não é nada 
Que seja realmente digno
De habitar poesia
.
O Rio me é inalcançável 
Como uma miragem 
Em que toda vez que se toca
Se desfaz
Numa longitude maior
Para além da Guanabara
Para além do olhar do Cristo
.
Eu que queria bossar 
Ao som dos espaços 
Em que tantos se inspiraram
.
Eu que queria sentir a poesia 
Da arquitetura natural
Em fez poetas se sentirem além
.
Eu que queria sentir pulsando
Minhas referências musicais
Dentro do espaço dentro-fora
.
Eu que queria...
Nunca pude deixar-me levar
.
Pois
Toda vez que toco
Não me encontro
Toda vez que estou
Há fugas em meu coração
Toda vez que chego
Me esvai a paz
Toda vez que miro
Meus olhos se turvam
.
Preciso, antes, desfazer algo
Que desconheço
Que não mereço
Que não sou
Que não vejo
Que não plantei
Que não é meu
Que não escolhi
Que não é beleza
.
Mas 
Que me encharca 
E não me deixa desfrutar
Da cidade nascente
De tantas belezas 
E poéticas que me referenciam
.
Uma cidade que
Quando pequeno 
Me amedrontou
Quando jovem
Lá não fui
Quando tentei
Estava preso
Quando voltei
O abismo me aguardava
.
E quando tento sorrir:
Não Rio!
.

1997, a Música, São Paulo e Meu Pai

Eu me lembro quando, em 1997, você me apresentou Celine Dion e Yanni e, assim se nos inaugurou uma nova fase musical dentro de nossa família.
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Naquele dia de Dezembro, na saraiva Music Store do Shopping Eldorado (e acho que me lembro tão bem disso, porque algo fez isso ser marcado dentro de minha alma) você, procurando a sua maneira e em seu tempo, nos refez musicalmente e nos traçou novos horizontes sonoros, nos lançando na vanguarda da música Pop e New Age que de melhor surgia naquele momento, talvez.
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Não tínhamos repertório para tanto e nem estávamos antenados o suficiente para chegarmos perto de dois artistas tão emblemáticos para aquele tempo; cada um marcando época e fazendo escola dentro de seus respectivos estilos.  Mesmo assim, seu faro musical foi certeiro e nos alimentou por tantos outros anos vindouros de inspirações e bons momentos! 
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Tua sensibilidade foi magistral e tu foste o vetor de uma transformação muitissimamente importante que nos aconteceu. Uma modificação que, por meio da música, renovou e até mesmo regenerou-nos, num renascimento criativo e sentimental que dali surgiu!
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Assim sinto!!!
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domingo, 4 de março de 2018

Quaresma 2018

Somente o BEM construiu e mantém a possibilidade de inventarmos, dentro de nós, sentimentos e sensações.
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Somente o BEM nos permite deter aquilo que se é, na maneira boa ou mesmo má que se deseja ser!
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É também o BEM que nos assegura e mantém as bases ordenadas que nos permitem sentir o prazer de poder colocar-nos, em nos mesmos, aquilo que queremos sentir.
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Sentir aquilo que se quer!
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É o BEM que nos assegura o livre-arbítrio!
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O Oposto não nos dá segurança de nada, pois eles são incapazes de ter a força, a magia e a sabedoria para sustentarem qualquer sistema permanente que seja.
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Quem permite a liberdade é DEUS!
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O Oposto se joga no caos da própria danação por motivos minúsculos que só se mantêm porque assim o Mal prefere; e este caos só existe porque cabe dentro da criação divina.
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Senso assim, o caos ao qual o Mal se joga só é passível de existência porque, anterior ao Obscuro, uma força maior sustenta as grandes bases que garantem os espaços do Bem e também do Mal.   
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Um cosmos regido pelo Errado seria um cenário tão caótico que qualquer possibilidade de permanência e perpetuação se destruiria pela não-filosofia reinante em tamanha esculhambação!
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O Mal não sustentaria a si próprio e, é até provável que, de dentro dele mesmo, surgissem espíritos cansados de tamanha desordem, uma desordem que poderia dar nascimento a uma vontade de principiação: as primeiras bases para uma nova ordem.
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Não existe unidade, não existe paz e não existe prazer que se perpetue naquilo que se coloca no oposto de Deus!
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Não existe outra Macro-Concepção possível!
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