Os vazios tendem a se abrir nos corações daqueles que procuram demais, nos corações daqueles que não valorizam o que tem e, principalmente, nas interioridades daqueles que não têm fé.
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O vazio surge no vácuo do presente não vivido, junto ao passado pouco marcado e também com o futuro exageradamente almejado.
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Ou seja, nunca se está no exato momento de ser e, portanto, perde-se a alma em ansiedade.
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Agora, junto deste pensamento, recordei-me de outro...
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Às vezes suponho que, talvez, a fé seja o sentimento mais vital ao espírito encarnado.
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Mais importante que o tão famigerado amor, a fé seja, talvez, o mais basilar sentimento humano.
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O amor surge noutro brilho, a fé surge da escarrada porrada da vida.
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Para o amor é necessário um pouco de paz e elaboração de alma. Para a fé não. Basta sentir dor e admitir sua finitude, sua necessidade de misericórdia.
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O amor surge e resiste como beleza da qual não se aparta, mas a fé é o próprio instinto imediato advindo do maltrato natural da injustiça que sempre nos rodeia.
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Potanto, parafraseando Paul Verlaine:
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ANTE DE TUDO A FÉ...
E TODO O RESTO É AMOR!
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