terça-feira, 12 de agosto de 2014

Só pra constar


Aos que me acham privilegiado, gostaria de deixar registrado aqui no blog que, neste Agosto de 2014, pela primeira vez depois de ONZE ANOS vivendo em SP, eu tive minha carteira de trabalho assinada.

Foram muitos anos com pouquíssimo dinheiro, muitos anos sem saber o que fazer, muitos anos levantando dia-a-dia sem ter a mínima noção do que eu poderia inventar para conseguir preencher meu dia e não ficar totalmente ocioso. Muitos anos me perguntando porquês infinitos que me escavavam o peito ainda mais fundo, aumentando meu vazio impalpável que eu nem mesmo sabia que habitava dentro de mim.

E nisso tudo, surgia uma enorme frustração diante do fracasso do que poderia ter sido, mas, ainda assim, eu frisava, disfarçando de mim mesmo, uma eterna maquiagem de interesses para conseguir calar aqueles que mais esperavam do meu futuro prometido.

Eu não tinha o que entregar, mas tive que dar ainda mais do que jamais pensei ser possível não existir dentro de minha alma!

Era a escuridão vazia saturada de coisas que não se tocam, o terror de ser obrigado a sentir um Niilismo profundo, não querendo vivenciar aquilo que me batia na cara.

Eu fui obrigado a engolir o caos e vomitar poesias e melodias!

Deslocalização total, deslocamento contraditório, arraste de pesos alheios e medidas terceiras pelas ruas e pelas noites, e pelos dias dos dias dos dias dos dias das horas sem o silencio do alívio distante que me parecia eterno em seu nunca chegar. Tudo era ruído sem margens.

Restou-me querer um sono perpétuo numa tentativa de esquecer da vida, vivendo o mínimo até poder morrer e liquidar o pesadelo, não dando alma ao corpo, segurando o alma no esquecimento do sonos sem sonhos para poder afastar a dolorida Síndrome do Pânico que me atacava todas as intermináveis vezes que eu tentava levantar.

Artimanhas para esquecer das brigas e do absurdo que um dia lhe espancou no chão da rua por aquilo que você não fez, ou por aquilo que você nem se lembrava de ter feito.

Rotinas horríveis, momentos de total desesperança e descrença, minha fé abalada e uma indignação dolorida diante de coisas profundas que me pareceram totalmente desprovidas de significado.

E mesmo hoje em dia, ainda muitos pontos permaneceram sem explicação concreta.

Enfim...

A vida não é exata e nem justa, mas não é por isso que temos o direito de desistir de tentar!

“Meu reino não é daqui” já disse o homem mais influente de todos os tempos!

Estamos no vértice máximo da densidade da energia. No vértice oposto de Deus! Não há nada mais distante do Centro de todas as coisas do que a vida de um encarnado.

O que nos resta é continuar e continuar, prosseguir e prosseguir, tentar e tentar e quando seu olhar não conseguir levantar, um pouco que seja, além do micro-cosmos pisoteado que te envolve no meio da multidão, ainda assim, ao menos mais um respiro você conseguirá dar, mesmo que ele seja mais difícil e dolorido, aprisionador e amedrontador do que qualquer pior realidade já imaginada por você baseado nas promessas que lhe disseram antes de você encarnar!

Mas valeu! Teve que valer, e eu fiz para que assim fosse!



P.s: Estou com muito sono, mas precisava escrever esse texto. Ele não ficou dos melhores. Vejo pontos que poderiam ser mudados, mas quero deixá-lo exatamente assim.

E com este texto mudo ligeiramente o nome do blog para simplesmente:

Aquilo que pode emergir. 

O “Iceberg” está cancelado!

domingo, 27 de julho de 2014

Pequenos!

Na verdade, 
todo sentimento de bondade 
é a melhor tentativa pequenina 
e paciente 
de sulcar a incólume rocha 
da energia divina 
que reside em tudo, 
e principalmente em todos nós,
em cada um,
em
ti.


Não a mim


A auto- repreensão 

pode chegar ao ponto de 

você mesmo 

não se permitir respirar.



Ouvindo Feliz com Ivânia Catarina


Acho que a vontade de seres voltarem aqui 
é a sede de uma nova primavera!




quarta-feira, 23 de julho de 2014

CAPA

Caderno de Poesias I





Wagner Passos
de
Sousa Pinto





1997 a 2000


Prefácio


Os poemas abaixo foram copiados do primeiro caderno de poesias que tive na vida. Há algumas semanas atrás resolvi digitá-los para poder colocar aqui no blog, além de, assim, poder entregar alguns para pessoas que se interessassem.

Quando iniciei o processo, vi que algumas coisas que estavam escritas precisariam ser revistas, às vezes por estarem meio truncadas, como é o caso das últimas poesias; ou com erros de quebra de frase, pontuação e detalhes do tipo, como é o caso das escritas quando eu era menor. Procurei, então, alterar elementos visando o ritmo e o entendimento.

Em geral, quando possível, optei mesmo por não mexer e fiz somente quando sentia uma real necessidade. É bom lembrar que se trata de poemas que escrevi para mim, sem a preocupação de que um dia poderiam ser lidos.

As principais modificações foram feitas na pontuação - vírgula, ponto final, exclamação, interrogação - ou inserindo algumas preposições, conjunções e detalhes do tipo, a fim de costurar melhor as frases e os assuntos. Também juntei alguns versos que estavam separados e separei alguns que estavam juntos pensando em organizar visualmente o que estava sendo dito. O objetivo foi realmente fazer os textos se tornarem mais leves e fluidos.

Neste primeiro caderno, as modificações foram ainda menores que as feitas no segundo, já que as poesias, em geral, eram mais simples. Quase a totalidade do que está aqui é exatamente o que se encontra no original, por isso, achei legítimo manter as datas das criações. Houve também poemas que não tiveram absolutamente nenhuma alteração.


Enfim, espero que agrade, afinal, foi para isso que tive todo esse trabalho!

1) Amor, um sentimento universal


O amor é como
uma cascata de estrelas
que cai para o infinito
fazendo brotar vida em
todos os confins do universo

É como as aves
que bailam ao
sabor do vento
que sopra nas alturas

É como a rosa
que é despertada
pelas gotas de orvalho
da manhã

É como a neve que cai
levemente no alto das montanhas
e delicadamente enche de paz
até mesmo a mais bruta das rochas

É como a brisa que sopra
o mundo e num segundo
enche de amor a tudo
que guerra passa para paz

Uma paz eterna que
faz cair uma chuva
doce e leve
que toca as pessoas delicadamente
e as faz pensar
como é bonito o amar


11/06/97 – 13 anos


Esta poesia foi feita depois da número 2, mas foi ela que me fez começar a escrever, por isso coloquei-a como a número 1. Foi por sua causa que pensei que poderia fazer isso por mim mesmo e não só como tarefa escolar.

2) O primeiro beijo


O primeiro beijo
é um despertar
para o amor
que une duas pessoas
num laço de carinho e amizade

O primeiro beijo
é uma carga de emoção
que é descarregada simultaneamente
quando os lábios de tocam
e o coração bate mais forte
provocando uma sensação de felicidade

Quando os olhares se encontram
frente a frente
parte de dentro de nós
uma sensação incontrolável
que se acalma com a união
através do abraço e do toque

Depois do 1º beijo
você se liberta de uma sensação de insegurança
toma mais confiança
e se sente aliviado

17/05/97 – 13 anos
 Feita em parceria com Gabriel Gil para a aula de Redação

3) Viver


No momento em que abrimos os olhos
e o ar entra em nosso interior
assim como a luz penetra nas águas profundas
começamos a viver
mas, por mais estranho
também começamos a morrer.
Cada dia que passa, descobrimos algo
Cada momento, uma lição
Cada desafio, uma recompensa
Cada perigo, um alívio
Cada emoção, uma recordação.
E todo esse conhecimento fica guardado
dentro de nós, dentro de nosso ser
e tudo isso passa por nós
no momento do adeus
no último suspiro
e então descobrimos
que o viver
é um constante aprender.



08/09/97 – 13 anos

4) Goiabeiras e Brincadeiras


De uma pequena semente
nasce uma muda
e com o sol e chuva
ele segue em frente

Quando o vento vem
com sua música ela dança suave
quando vem a tempestade
com seu rigor ela se debate

Na primavera
ela dá flores
que com suas cores
enfeitam o ar de amores

No verão
quanta animação
crianças correndo e subindo
com toda empolgação

Quando chega o outono
frutas nascendo
folhas caindo
pessoas comendo

Já no inverno
tudo parado
crianças pra dentro
tudo fechado

E assim vai crescendo
aquela semente
que mesmo sem se mexer
brica com a gente


08/09/97 – 13 anos

5) Coisas de Deus


Oh, casa
que tanto representa
pra mim
você é tão pequena
mas vale muito

Sua imagem reflete
num lago lindo
com águas claras
águas que me encantam

As montanhas
tão imponentes
todas verdes e altas
montanhas que
quantas vezes
me deram conselhos

Oh, campos verdejantes
campos onde
eu brinquei
e esqueci os problemas

Oh, vale encantado
que com sua beleza
me encantou
e no seu aconchego eu fiquei

Oh, mundo
como sou feliz
de viver aqui
e a cada dia
penso que tudo isso
é Deus

Deus nosso pai maior
Deus nosso pai do céu
Deus a quem tudo devo
e quero lhe agradecer
por tudo que já vivi

Pelos pássaros que vi
pela natureza que amo
pelo lugar onde vivo
este lugar que é o mundo
o universo
enfim, lhe agradeço
pela vida que me deu


12/09/97 – 13 anos

6) Corpo e Alma


Quando a alma
penetra no corpo
assim como a luz
nos olhos
sabemos que nasce
ali um elo
que só se acaba
quando os olhos
se fecham
pela última vez

Um elo perfeito
e gracioso
como o voo das aves
duradouro
como o diamante
onde um completa
o outro

A alma dá
vida ao corpo
e o corpo
a morada à alma

O físico e o espiritual
o Yin-yang
coisas, apenas coisas
mas juntas
se completam


12/09/97 – 13 anos

7) Horta, minha horta


Horta, minha horta
quantas histórias
você tem para contar
quanta brincadeiras
e acontecimentos você viveu

Se estas plantas
falassem poderiam
nos contar todos
um a um

Cada árvore
foi um pique
cada mato
um esconderijo

Mas vieram as casas
e pouco a pouco
tomaram seu espaço
e suas árvores
foram cortadas

Que dor
você deve sentir
quando arrancam
um pouquinho de você

Mas, mesmo assim, você vive e é feliz
porque sabe que nós gostamos de ti
e precisamos do seu verde

Porque mesmo enquanto sobrar
nem se for um pouquinho
pode ter certeza que brincaremos com você
e muitas casas nas árvores
muitas expedições ao infinito
serão feitas

Pois não podemos deixar morrer
além de você, a nossa imaginação
a nossa infância

Mas, mesmo que morra
não ligue, pois você estará
sempre viva dentro de nós
e toda vez que eu ler esta poesia
eu lembrarei de você
Minha Horta.


22/09/97 – 13 anos

8) Brasil, Terra de Deus


Brasil, como tu és grande
tão grande quanto
os rios que te cortam
e levam em tuas águas a seiva de uma nação sofrida
e de um povo sonhador.

Estes rios de sangue
sangue que em outras épocas
jorraram das costas de teus filhos negros
estes negros que por tanto tempo
sustentaram a ganância dos poderosos
estes teus filhos brancos
que mandaram retirar de tuas entranhas
o metal dourado, este, também teu filho
que por tanto tempo ficou dentro de ti.

Tuas florestas são tuas filhas maiores
filhas que enchem de verde tua face
dão abrigo e comida aos teus filhos animais
e sustento aos filhos do céu.

Brasil terra sagrada
onde tudo que se planta dá
através de tua fertilidade
os homens tiram o seu sustento
e podem se alimentar.

Brasil, tua costa é tão extensa
quantas belezas ela possui
praias sem fim
onde podemos correr livres
e observar o beijo do céu e do mar
este beijo que chamamos de horizonte.

Este mar que te banha
quantos segredos eles guardam
segredos para serem descobertos
ele desafia teus filhos
e encanta quem vem te visitar.

Céu que te cobre
este céu todo azul
que nas noites frias
é um manto que te protege
e aquece teus filhos
enquanto eles dormem.

Astros do céu
iluminem sempre meu país
porque o povo que vive aqui
é o povo mais feliz.


23/09/97 – 13 anos