segunda-feira, 16 de maio de 2005

Viagem ao Infinito

Hoje me vi diferente, meio outro. É verdade, eu tava andando pela rua e foi quando olhei eu andando e olhando distraidamente pra mim que era eu. Foi uma sensação esquisita, parecia que eu tinha ficado indefeso por completo porque aquela era a única pessoa que sabia tudo de mim que eu sabia, ou seja: eu. Eu não podia nem pensar que aquele cara sabia tanto dele mesmo, quer dizer, de mim mesmo que ele era capaz de apontar todos os defeitos e virtudes que “eu” já fui capaz de decifrar. Ele andava, apesar de distraído, um pouco bravo e meio rápido até que ele me viu e sem precisar falar nada a gente já sabia que o que o outro queria falar era que a gente já se conhecia de algum lugar, e já fazia muito tempo que a gente precisava se encontrar de novo. “Eu” me convidou pra ir tomar um suco de acerola com laranja e “ele” aceitei. Fomos numa padaria perto da minha casa, lá “eu” pediu dois sucos e “comeceimos” a conversar sobre algum assunto qualquer até que chegamos no assunto “Nós”. É, esse assunto não é fácil de se tratar, ainda mais quando tem-se que verbalizar as entranhas pra uma pessoa que você sabe exatamente como irá te julgar, o engraçado é que “eu” sabia que pra ele era tão difícil quanto estava sendo pra “ele”:
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- Sabe, às vezes acho que você é uma pessoa meio confusa, que não sabe tomar decisões e que fica adiando várias coisas na sua vida e acaba perdendo tempo por causa disso?
- Mas eu também acho que você soube por vezes tomar várias decisões nas horas certas, e soube passar por situações inesperadas ou mesmo meio planejadas que hoje em dia eu olho pra traz e penso que se talvez você tivesse que viver tudo aquilo de novo eu não desse conta.
- Em todo caso é inconstante a sua constância, mas pelo menos o sangue frio “eu” teve.
- Teve nada, você é um cara super ansioso e várias vezes perdeu a cabeça por coisas que não eram tão dramáticas assim. Você é um fraco que não sabe de nada, perde o controle em situações que qualquer um, menos nós, perderia.
- Ah fraco, fraco sim. Você não sabe quanta coisa “você” agüento. Alias, sabe sim, mas não leva a sério.
- Mas são tantas coisas né, que nem vale a pena dizer aqui.
- É melhor você não falar muita coisa porque eu tava pensando em botar essa nossa conversa num blog.
- Ah, o viajantes do infinito. Eu criei ele há uns tempos atrás porque...
- Não precisa falar o motivo porque você já sabe que “você” sei.
- É verdade.
- Nossa, é tão legal conversar com outros de você mesmo, ou sei lá.
- É, talvez com você mesmo só que em outros corpos que não são seus, mas são você.
- Não cara, são seus, mas não é você. Porque pensa bem, eu não sou você, mas esse corpo é o seu.
- De jeito nenhum cara. Você é eu, eu sou você, mas esse corpo não tem nada de meu, eu não tenho ele.
- Tem ele sim, ou você acha que eu tô vagando pelo ar. Apesar de eu não ser você, esse corpo é o seu. Olha, é igualzinho.
- Acho que você não entendeu. Alias você nunca entende nada do que eu digo não é.
- Hâm, olha quem fala. Quanta coisa eu sou obrigado a explicar de novo pra você pra você poder pegar o espírito da coisa. Pelo amor de Deus né caboco.
- Caboco, acho que só eu chamo os outros de caboco e agora vem uma pessoa e me chama assim, tá certo que sou eu mesmo, mas é esquisito.
- Oh, chama eu de caboco pra mim.
- Ta certo. E aí caboco!...
- Hahahahaha, é engraçado mesmo sabe. Você vive falando pros outros e quando falam pra você parece que foi você mesmo quem falou, como se fosse um eco.
- Êhhhrrrrrrr, mas foi você...
- Ê bosta, já não entendo mais nada.
- Hâ, imagina eu então.
- Puta merda, tem tanta coisa que a gente poderia falar.
- É verdade, mas como é que...
- Oh, a gente poderia fazer uma poesia.
- Olha, eu tava pensando em te perguntar como é que a gente poderia falar de mais coisas?
- Hummmmmmmmmmmm, e não é que eu pensei que isso tava passando pela sua cabeça.
- A gente poderia fazer ela e botar no blog.
- Só que a gente faz um Post falando de toda a conversa e bota a poesia no fim.
- É, um Post como esse que as pessoas estão lendo agora.
- Eis a minha poesia...
- Sua é???!!!
- É, o que é meu é seu..
- Nossa senhora da cacunda brava.........Essa poesia poderia ser uma declaração final sobre nossa conversa.
- Concordo.........
- É, até que enfim você concorda comigo. Ou seria eu que concordei com você?????
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Cada vez que o espelho me assalta
Jogando um alguém de encontro aos meus olhos
O reflexo ao reflexo é de fuga.
É extremamente difícil encarar meus dizeres
Os olhos nos olhos rasgam as nossas carcaças.
O toque mental é capaz de gritar uma verdade atrás da outra
É capaz de despencar alguns defeitos e vivências esquecidas
Que abalam nossas estruturas.
Nenhum dos meus me conhece
Nem o mais eu de todos.
Verbalizar e sentir as cavernas
É uma dádiva questionável
De validade duvidosa.
As fugas em disparada
São loucas tentativas de preservar a integridade
De preservar a sanidade superficial e primeira
Sanidade social, vamos dizer assim.
“Vamos” mais do que nunca ou sempre (se Deus quiser).
Vamos negar o esclarecimento excessivo
A cegueira da luz superesCLARECEDORA
Mas que só nos leva ao desespero
Vide Saramago.
Vamos brindar a ignorância parcial
Essencial a nós humanos
Essencial ao mundo em todos os aspectos.
Viva os meus eus que nos aceitam.
Eu preciso dessa aceitação.
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Hoje me vi diferente, meio outro como dissemos no começo
Mas graças a Deus não era eu de verdade
Era apenas um outro de mim
Que me aceitava
Que me completava
E que teve paciência para conversar comigo.
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É por isso que eu (nós)digo:
Viva os que se felicitam com o capitalismo
Com o Brasil
Com suas rotinas diárias de trabalho e vida.
Viva os sorrisos do geral
Os meus amigos
A amizade que eu tenho por eles
A mensalidade das escolas
Os preços nos supermercados
As juras de amor eterno
Tudo o que eu vejo
Tudo o que eu julgo ser absoluto.
Viva os teus sorrisos momentâneos
A inquestionabilidade de Deus
Minhas poesias
Meu dia-a-dia
Os dizeres de coletividade
Vários apertos de mão
Vários dizeres de bondade
Vários ensinamentos de Dalai Lama.
Viva a bíblia e afins
A história
A nossa sanidade.
Viva a dita verdade
A superioridade da filosofia
A unidade das famílias
A necessidade da verdade
A perfeição das artes
A beleza da lágrima
Os casamentos infinitos e os que se acabam
Viva a felicidade
O amor
A compaixão
As crenças
Os valores
O sentimento que vem do coração
E etc no plural.
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Enfim, viva tudo aquilo que se baseia em mentiras
Buscando transparecer verdades
Buscando transparecer sanidades
Pra poder levar em frente
Coisas que valham a pena
Fazendo da demagogia
O refúgio para um mundo possível.
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Mas viva acima de tudo
A capacidade de se alegrar com as meias verdades
Já que o ser humano é um bixo complicado
Mas viciante.
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Assinado: eu e mais eu, ou seja, os VIAJANTES. Esse é o motivo de eu assinar como viajantes no plural. Ou seja, todos nós somos vários, formados de verdades, mentiras e partes desconhecidas que se alteram no desenrolar da vida.
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(BASEADO EM FATOS REAIS.)

6 comentários:

Anônimo disse...

Interessante este texto wagner, muitas das vezes nos precisamos ter uma conversa séria com nos mesmo, o ato de refletir, se questionar, e se auto responder nos faz seguir adiante. Afina das contas quem melhor pra enterder agente do que agente mesmo? Essas duvidas e agonias que sentimos em nossos corações de vez en enquando, sabe aquelas perguntas de que como eu poderia fazer diferente, podem ser semelhante aos das outras pessoas, mas nunca vai ser igual. Essa é a individualidade de cada individuo.
Gostei deste post!!!!!!
Davi.

Anônimo disse...

Viajantes,
este texto seu, ou seja, seus, está muito bom...só pra aumentar sua modéstia.
ve se me escreve e posta no meu blog, tá?
gisele

Anônimo disse...

Do seu texto gostei muito eu,CLARECEDORA essa conheço que acho eu..

Jão

Anônimo disse...

Bem,acho q existem vários "eus" dentro de vc.A poesia foi muito bem elaborada sr Viajantes...
Rubens Reies Pontes

Anônimo disse...

Fala Wagner!!!!!!!!!!!!!!
Q saco! tava sem tempo pra acesar teu blog!!! muito loko!
heheheheheheh ó ve se aparece em Bunhandu pra gente infernah e bebeh até morreh....brincadeira:!
até mais e ve se naum perde o contato basico!

Anônimo disse...

Primo! Saudade!!!
Bom...caraca....precisamos conversar...faz anos que não nos falamos....e sempre que dá eu passo aqui no seu blog e vejo q tenho muito oq aprender com vc! Nós combinamos primoo! Ou melhor, irmão!!!
Te amo!
Bjaum! e vê se não me esquece! Se cuida!