Hoje, depois de tanto tempo sem escrever alguma coisa pro blog, resolvi que já estava na hora de produzir algo novo e fresquinho pra por aqui. Os últimos 4 textos foram feitos antes, e o último desses 4 nem era pra entrar no blog. Daí eu tava pensando sobre o que escrever, pensei em falar de uns assuntos bem polêmicos como o que tá no post “Sentido nenhum II” – leiam ele, por favor - mas aí ontem à noite eu acabei de ler “A hora da estrela” da Clarice Lispector e não teve como, eu tinha que falar da Macabéia. Aí vai:
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“Eu vou ter tantas saudades de mim quando eu morrer”.
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Quando eu li essa frase eu parei de ler com um aperto no coração que já me irritava num misto de tudo quanto é sentimento que me passou agora na cabeça pra dizer. Eu deixei o livro de lado e fui passar ela para uma folha que eu tenho no meu caderno onde eu escrevo frases que eu li e que eu achei que valiam a pena entrar nessa folha. No fundo eu acho que eu queria era dar um tempo pra todo aquele mundo da Macabéia que já tava em cada ruguinha das paredes do meu quarto. A Macabéia personagem principal parecia que saltava do livro toda vez que eu pegava ele pra ler mais um pouco, pedindo pra mim, sem pedir nada, que eu olhasse pra ela, que eu sentisse dó dela, mas tudo isso sem pedir nada. Ela era tão inocente por falta de escolha, por falta de poder escolher o que ela queria ser na vida, que parecia que na sua fraqueza infinita ela ia apertando o nosso peito e apertando mais e mais, de um jeito que chegava a sufocar. Eu sabia que ela era só uma personagem, que nada daquilo era real, pelo menos não exatamente daquele jeito, ou não numa realidade que fosse possível dentro aqui desse mundo. Ninguém viveu tudo aquilo e é impossível existir uma pessoa chamada Macabéia em algum lugar da existência que tenha vivido tudo o que a Macabéia do livro viveu, assim eu espero pra ficar mais tranqüilo. Mas que me importava, o que eu queria sem querer nada daquilo, era viver o imenso aperto no coração que me nascia e agigantava a cada palavra daquela mulher que não queria nada da vida porque se achava indigna de ter alguma vontade, ou porque simplesmente não as tinha. Que se achava completa e feliz por poder ouvir “a rádio relógio” e pensar coisas lindas como a saudade que ela teria dela mesma quando morresse. Que se achava feliz apenas porque dizia que tinha vocação para a felicidade. Macabéia é uma anti-heroína heróica que vai tomando conta da cabeça e do coração de uma maneira que machuca demais, mas a gente acaba se assustando com o quão masoquista a gente pode-se tornar por admiração em relação àquilo que não tem nada de admirável. A Macabéia representa o ralo do homem. A merda maior que não se sabe ser uma merda e que isso é tão apaixonante. Mulher de idéias ralas, de cabelos ralos, de unhas pintadas e roídas e pintadas e roídas de novo. Era raiva, mas era dó. Era raiva porque era impossível alguém ser daquele jeito, era raiva de quem tinha permitido que a Macabéia fosse daquele jeito, era raiva da capacidade que ela tinha de não pensar em nada, ou de apenas não pensar e só. Era inveja do fato de alguém ser capaz de não querer ou ter nada e ser feliz ainda por cima. Era raiva das Macabéias que existiam como presença de Deus. É, acho que é isso. A perfeição e a santidade se mostravam na mediocridade daquela mulher. A ignorância profunda fez nascer o equilíbrio de tudo que, ali, era o nada. Não peca quem não sabe o que há de errado nas coisas. Não peca quem não pensa maldade simplesmente por não pensar em nada. Macabéia é substantivo e adjetivo. A Macabéia é real, existem Macabéias por aí pelo mundo, e Macabéia é coisa grande e infinita que se camufla no quase nada que é ser macabéia. Macabéia é ser pífia, ser inconclusa, meio escória e ser, por isso, tudo o que todos deveriam ser. O mundo seria bom se a gente fosse macabéias. Macabéia é admiração pela conquista de não se conquistar nada, Macabéia é um estado de espírito onde o segredo é não haver nem estados e nem segredos, só espíritos. Macabéia é desejar aquilo que aparecer ao alcance das mãos, sorrir porque o sorriso é simples e fácil, ou apenas sorri porque se sorri. Macabéia é acreditar no homem por não pensar no que é um ser-humano. Ser apenas um corpo andante e sorridente e mais nada. Um fantoche biológico, que faz tudo por inércia, que só é assim porque escolheu em algum outro lugar que a simplicidade de apenas ser e mais nada era o caminho pra passar ileso pela vida da carne. Ser macabéia é tão simples que é impossível escrever muito sobre como é um(a) macabéia. Macabéia é um adjetivo que o homem só vai adquirir quando voltarmos a ser um feto, quando a evolução já tiver sido toda percorrida e regredida pelo fato da regressão ser parte da evolução. O homem só será macabéia quando os sentimentos forem alguma meio sem nome ainda, quando nossa memória for apenas do agora, quando formos pontinhos de areia e quando textos como esses existirem apenas porque fazem as pessoas rirem. O homem mostra o tamanho da merda que ele é de acordo com a distância que falta para ele ser bosta nenhuma. É tão complexo ser simples pra realmente ser-mais-humano.
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“Eu vou ter tantas saudades de mim quando eu morrer”.
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Quando eu li essa frase eu parei de ler com um aperto no coração que já me irritava num misto de tudo quanto é sentimento que me passou agora na cabeça pra dizer. Eu deixei o livro de lado e fui passar ela para uma folha que eu tenho no meu caderno onde eu escrevo frases que eu li e que eu achei que valiam a pena entrar nessa folha. No fundo eu acho que eu queria era dar um tempo pra todo aquele mundo da Macabéia que já tava em cada ruguinha das paredes do meu quarto. A Macabéia personagem principal parecia que saltava do livro toda vez que eu pegava ele pra ler mais um pouco, pedindo pra mim, sem pedir nada, que eu olhasse pra ela, que eu sentisse dó dela, mas tudo isso sem pedir nada. Ela era tão inocente por falta de escolha, por falta de poder escolher o que ela queria ser na vida, que parecia que na sua fraqueza infinita ela ia apertando o nosso peito e apertando mais e mais, de um jeito que chegava a sufocar. Eu sabia que ela era só uma personagem, que nada daquilo era real, pelo menos não exatamente daquele jeito, ou não numa realidade que fosse possível dentro aqui desse mundo. Ninguém viveu tudo aquilo e é impossível existir uma pessoa chamada Macabéia em algum lugar da existência que tenha vivido tudo o que a Macabéia do livro viveu, assim eu espero pra ficar mais tranqüilo. Mas que me importava, o que eu queria sem querer nada daquilo, era viver o imenso aperto no coração que me nascia e agigantava a cada palavra daquela mulher que não queria nada da vida porque se achava indigna de ter alguma vontade, ou porque simplesmente não as tinha. Que se achava completa e feliz por poder ouvir “a rádio relógio” e pensar coisas lindas como a saudade que ela teria dela mesma quando morresse. Que se achava feliz apenas porque dizia que tinha vocação para a felicidade. Macabéia é uma anti-heroína heróica que vai tomando conta da cabeça e do coração de uma maneira que machuca demais, mas a gente acaba se assustando com o quão masoquista a gente pode-se tornar por admiração em relação àquilo que não tem nada de admirável. A Macabéia representa o ralo do homem. A merda maior que não se sabe ser uma merda e que isso é tão apaixonante. Mulher de idéias ralas, de cabelos ralos, de unhas pintadas e roídas e pintadas e roídas de novo. Era raiva, mas era dó. Era raiva porque era impossível alguém ser daquele jeito, era raiva de quem tinha permitido que a Macabéia fosse daquele jeito, era raiva da capacidade que ela tinha de não pensar em nada, ou de apenas não pensar e só. Era inveja do fato de alguém ser capaz de não querer ou ter nada e ser feliz ainda por cima. Era raiva das Macabéias que existiam como presença de Deus. É, acho que é isso. A perfeição e a santidade se mostravam na mediocridade daquela mulher. A ignorância profunda fez nascer o equilíbrio de tudo que, ali, era o nada. Não peca quem não sabe o que há de errado nas coisas. Não peca quem não pensa maldade simplesmente por não pensar em nada. Macabéia é substantivo e adjetivo. A Macabéia é real, existem Macabéias por aí pelo mundo, e Macabéia é coisa grande e infinita que se camufla no quase nada que é ser macabéia. Macabéia é ser pífia, ser inconclusa, meio escória e ser, por isso, tudo o que todos deveriam ser. O mundo seria bom se a gente fosse macabéias. Macabéia é admiração pela conquista de não se conquistar nada, Macabéia é um estado de espírito onde o segredo é não haver nem estados e nem segredos, só espíritos. Macabéia é desejar aquilo que aparecer ao alcance das mãos, sorrir porque o sorriso é simples e fácil, ou apenas sorri porque se sorri. Macabéia é acreditar no homem por não pensar no que é um ser-humano. Ser apenas um corpo andante e sorridente e mais nada. Um fantoche biológico, que faz tudo por inércia, que só é assim porque escolheu em algum outro lugar que a simplicidade de apenas ser e mais nada era o caminho pra passar ileso pela vida da carne. Ser macabéia é tão simples que é impossível escrever muito sobre como é um(a) macabéia. Macabéia é um adjetivo que o homem só vai adquirir quando voltarmos a ser um feto, quando a evolução já tiver sido toda percorrida e regredida pelo fato da regressão ser parte da evolução. O homem só será macabéia quando os sentimentos forem alguma meio sem nome ainda, quando nossa memória for apenas do agora, quando formos pontinhos de areia e quando textos como esses existirem apenas porque fazem as pessoas rirem. O homem mostra o tamanho da merda que ele é de acordo com a distância que falta para ele ser bosta nenhuma. É tão complexo ser simples pra realmente ser-mais-humano.
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Ser-humano = Ser-simples
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Ah coitado........
Ser-humano = Ser-simples
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Ah coitado........
2 comentários:
Eu me considero uma "macabéia" se eu entendi direito este post e o que vc quis dizer. lógico q o lado bom da macabéia...
gostei muito do post. lispector+wagner é uma mistura instigante!
beijo
até o festival!
Gisele
Fala Wagninho! Legal essa Macabéia, tanto no lado "ruim" quanto no lado "bom"... hehehehe... lógicamente minha vida não é igual a dá Macabéia, mais acho um "pouco bem" parecida. Valeu pelo seu comentário no meu blog, e gostou da imagem xik, né? hehhheehehe.... estado meditativo, asas abertas, brilho intenso, e logo logo começa a voar... hauahaua.... tô "viajante do infinito" na imagem..... rsrs....
Falow, abraços! Dorg!
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