Os blogs são vozes que gritam mudas, carentes de ouvidos amigos que lhes escutem, são esperanças repercutidas e incontidas que buscam e merecem a liberdade de vagar sem rumo por entre tantos outros pensamentos que nascerão em outras mentes e corações. Os blogs são pífios e quase inválidos não fossem a grandiosidade de suas almas criadoras. Os blogs são pífios porque são estanques e ferramentas passivas que se permitem ferir numa eterna observância pacata e imutável dos diversos dizeres, por vezes prolixos, por vezes sentidos, por outras renegados, que por eles saem sem que deles cheguem a sair realmente, ou que pelo menos alguma certeza forneça, seja ela qual for. Os blogs são incertezas que balançam eletronicamente dentro das possibilidades que restam na dureza que a auto-suficiência da modernidade nos impõe. Os blogs são a morte do contato, são válvulas de escape e cicatrização dos contatos necessários, mas que se tornaram perdidos por ae. Os blogs são pelas horas e horas de conversas que deveriam ter existido, mas que nunca chegaram a ser verbo algum que expressasse uma ação presente no campo das realidades. Blog é existência aleijada, pseudo - sapiência quase sem querer das coisas incompletas. Os blogs habitam absolutamente só o campo das inexistências. Os blogs são a virtualização das inexistências que arranjam meio de fazerem ao menos um relance de possibilidade. Os blogs são pobres coitados, os fotologs são vitrines de arrependimento e exposição de coisas sufocadas que vêem para ver e serem vistas nas alamedas do mundo do código binário. 1 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0. Blogs, blogs blogs, coitado dos blogs, coitados de nós, donos de blogs. Nós e eles mudos, imundos, mundanos, mudados, mutantes num sem voz em gerúndio. Não só nossos blogs, como também nós, somos uma imitação de voz. Ruídos de coisas sem muita esperança de mudança.
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