quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Arthur Graciliano Schopenhauer Ramos - rsssss

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Considerações sobre Angústia de Graciliano Ramos
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Considerações sobre a angústia de Graciliano Ramos
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Penso em Schopenhauer. Não é um sistema filosófico. É um caso psicológico. Pretendeu ser filósofo, ensinar uma filosofia da salvação do mundo do sofrimento universal. Mas a sua personalidade o desmentiu. Ao desprezo filosófico do mundo uniu um instinto ardente de propriedade e de prazer. Dinheiro e mulheres significavam-lhe alguma coisa. Quis utilizar os homens profundamente desdenhados como meros instrumentos dos seus desejos, e quanto mais eles se recusaram, tanto mais os desdenhou. Sofria de hipocondria, de graves ataques de pavor noturno, de angústia. Teve uma misericórdia ilimitada para consigo mesmo. Como psicólogo, reconheceu que toda misericórdia para com outros é secreta misericórdia para consigo mesmo: e salvou-se moralmente pela identificação panteísta do seu eu angustiado com o mundo sofredor, pela fórmula budista: “Tat twam asi”, “Isto, és tu”. O seu supremo egocentrismo chegou até a negar a realidade do mundo exterior; considerou a vida um sonho, sonho horrível do qual existe apenas uma possibilidade de acordar: em outro sonho, na arte. Na arte, o turbilhão angustiado encontra a calma; a estabilidade do estado primitivo antes da criação é restabelecida. (Como as palavras rimam, enfim.) A arte é uma astúcia do espírito humano, para fraudar o mau Demiurgo das suas vítimas, para ironizar a criação malograda.
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A ironia é uma arma suprema. É um método para anular a obra de Demiurgo. “Revogam-se as disposições em contrário”. E tornam-se inúteis todas as revoluções.
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A misericórdia do pessimista para consigo mesmo é tão compreensiva que medita todos os meios de salvação, para deter-se apenas na última: a destruição desse mundo, para libertar todas as criaturas. “Um mundo, llamado a desaparecer”. É preciso destruir o mundo exterior para salvar a alma.
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Estas palavras do crítico constituem a chave da obra do romancista: descrevem perfeitamente a nossa situação no sonho, em que tudo é criação do nosso próprio espírito. Explica-se assim o extremo egoísmo dos heróis de Graciliano Ramos: é o egoísmo daquele que sonha e para o qual, prisioneiro dum mundo irreal, só ele mesmo existe realmente. A mentalidade extremamente amoral do sonho exclui, decerto, toda “generosidade”, mas a substitui por um sentimento mais vasto de identificação quase mística com as criaturas da própria imaginação, até a cachorrinha Baleia: “Tat twan asi”.
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O extremo egoísmo do sonho engendra o motivo principal do romancista: cobiça de propriedade.
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Otto Maria Carpeaux

Um comentário:

Anônimo disse...

É um tanto complexo pra meu pequeno e desabituado cérebro....rsss

gostei das frases:"Na arte, o turbilhão angustiado encontra a calma; a estabilidade do estado primitivo antes da criação é restabelecida. (Como as palavras rimam, enfim.) A arte é uma astúcia do espírito humano, para fraudar o mau Demiurgo das suas vítimas, para ironizar a criação malograda."

TUDO!

beijo, Gisele