sábado, 7 de setembro de 2013

Estranhas Dores de um Qualquer


A dor exterior, como a de um machucado, por exemplo, a pobreza, a perda de entes queridos, a porrada que se levou na escola, a briga com o amor da sua vida, e outros tipos de incômodos cotidianos têm, em muitos casos, uma vantagem em relação as dores da alma, as chamadas angústias, as depressões, o pânico, os TOC’s, as neuroses, pois aquelas são mais visíveis e mais compreensíveis do que estas. Por vezes, a dor interna, própria, individual e pouco reconhecida socialmente torna-se difícil de ser assimilada pelos outros e por isso o angustiado sofre mais sozinho, envergonhado, tendo sua dor menos legitimada.


É como se fosse mais permitido falar de dificuldades cotidianescas do que dificuldades de sensações e das profundezas inventivas da alma. Estas podem parecer balela, invenção de gente desocupada, viagens sem fundamento. No entanto, esquecemos que, por vezes, elas podem ser as mais constantes, incompatilháveis e por isso insolúveis. Dores assim podem nos perseguir desde o momento que se levantamos, até quando nos deitamos, e podem ser as mais difíceis de seres superadas, esquecidas ou simplesmente desinventadas.

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