A dor exterior, como a de um machucado, por exemplo, a pobreza, a perda de
entes queridos, a porrada que se levou na escola, a briga com o amor da sua
vida, e outros tipos de incômodos cotidianos têm, em muitos casos, uma vantagem
em relação as dores da alma, as chamadas angústias, as depressões, o pânico, os
TOC’s, as neuroses, pois aquelas são mais visíveis e mais compreensíveis do que
estas. Por vezes, a dor interna, própria, individual e pouco reconhecida
socialmente torna-se difícil de ser assimilada pelos outros e por isso o
angustiado sofre mais sozinho, envergonhado, tendo sua dor menos legitimada.
É como se fosse mais permitido falar de dificuldades
cotidianescas do que dificuldades de sensações e das profundezas inventivas da
alma. Estas podem parecer balela, invenção de gente desocupada, viagens sem
fundamento. No entanto, esquecemos que, por vezes, elas podem ser as mais
constantes, incompatilháveis e por isso insolúveis. Dores assim podem nos perseguir
desde o momento que se levantamos, até quando nos deitamos, e podem ser as mais
difíceis de seres superadas, esquecidas ou simplesmente desinventadas.
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