sexta-feira, 18 de março de 2016

Poranduba (Ópera) – Resenhas 2015

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Poranduba, segundo o dicionário, significa narrativa de fato histórico.
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E, neste caso, trata-se de uma obra embasada por um conjunto de lendas indígenas que têm no Fogo o elemento que as une.
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Uma ópera moderna que estreou no ano de 2007 em Manaus no Festival Amazonas de Ópera e que teve sua primeira montagem em São Paulo no Theatro São Pedro em 2015.
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Poderia ter sido um espetáculo surpreendentemente diferente de tudo que já vi, mas acredito que tenha sido um dos momentos de arte que menos me agradou no ano passado!
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A ópera “Um homem só”, já resenhada neste blog, conseguiu explorar um pouco melhor a linguagem e o universo lírico, chegando assim, num resultado mais agradável.
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Poranduba não!
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Misturar linguagem indígena com orquestra e vozes líricas é um processo um tanto arriscado. Colocar elementos de universos tão distintos, tentar fazer disso uma espécie de narrativa, torcendo o conjunto para caber no palco de um teatro clássico pode ser uma grande furada. E assim foi!
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A obra soou, na grande maioria do tempo, como uma miscelânea desencaixada de vertentes, uma estranha apresentação presunçosa de elementos folclóricos das raízes amazônicas.
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“O Guarani” de Carlos Gomes também trouxe o universo indígena para os palcos dos teatros líricos, mas foi uma obra escrita em Italiano que, na verdade, não passa de mais uma belíssima estória de amor, uma linda ópera romântica.
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Ou seja, Carlos Gomes caminhou por trilhas artísticas seguras já exploradas por tantos e tantos que vieram antes dele. O diferencial dO Guarani esteve simplesmente no par romântico formado por uma mulher branca e um índio brasileiro.
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Além da mistura de folclore indígena com ópera, o lírico em português é algo difícil de engolir. Mesmo “Um homem só” do Guarnieri soou um tanto estranha!
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Não sei como é para os italianos ouvirem ópera na língua deles, ou para os alemães tomarem contato com ópera no seu idioma de origem, ou mesmo para os franceses que possuem obras na língua nativa.  Talvez tenham se acostumado com o passar dos anos ou talvez a estrutura profunda desses idiomas se adapte melhor ao formato do canto narrativo presente na ópera.
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Para mim, ópera em Português é algo realmente muito estranho! As montagens ditas nesta resenha, e que têm a nossa querida língua de Camões como o idioma base, soam, na grande maioria do tempo, como desajeitadas declamações empoladas que se arrastam ao longo dos longos minutos que insistem em perdurar.
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Não consigo concluir muito sobre isso, mas, em geral, o Português possui uma qualquer coisa que dificulta sua musicalização. Pode-se notar este preciosismo idiomático também na música popular quando se compara com a linguagem usada pelos compositores de língua inglesa, por exemplo.
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Enfim, realmente esta é uma diferenciação sobre a qual me é difícil conseguir tirar alguma conclusão definitiva!
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Sei que, se é necessário tomar bastante cuidado ao se escrever letras populares em Português, o cuidado deve ser ainda maior no momento de formular longas estrofes de caráter poético-narrativo que irão servir de linha condutora para uma obra de extensa duração.
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Sinto que a libretista não encontrou seu caminho adequado! O linguajar soou bastante estranho, ainda mais quando colocado como estória cantada por vozes liricamente empostadas.
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Um todo que soou extremamente descabido diante do contexto explorado pela obra.
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Além disso, não achei uma boa montagem. Alguns figurinos estavam bastante malfeitos e algumas vozes deixaram a desejar.
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Ao final, as palmas demonstraram educadamente a amornada receptividade da plateia! 
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Ficha Técnica:
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Direção musical e regência - André Dos Santos
Direção cênica - Caio Zaccariotto Ferreira e Roberto Rebaudengo
Direção de arte, cenografia e iluminação - Atelier Marko Brajovic e Roberto Rebaudengo
Figurino e visagismo -Teka Brajovic
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Elenco:
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Poranduba - Leonardo Neiva - barítono
Saracura - Roseane Soares - soprano
Kanassa - Eduardo Fujita - barítono
Iacy - Aline Lobão - mezzo-soprano
Ceucy - Gabriella Pace - soprano
Jurupari - Eric Herrero - tenor
A Mãe - Céline Imbert - mezzo-soprano
O Pai - Eduardo Amir- barítono
Coreografia e performance- Eduardo Fukushima
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Coral Infantojuvenil da Escola de Música de São Paulo - Regência Regina Kinjo
Coral Lírico Paulista -Regência Nibaldo Araneda
Orquestra do Theatro São Pedro
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