quinta-feira, 30 de junho de 2016

Coisas Guardadas (Mantiqueira Paulistana)

Gosto de sentir a língua do vento lambendo minha nuca
Sôfrego elemento em sua direção única
Mas que quando apalpando minhas cercanias
Se me multiplica em novas formas nos dias
.
Elemento amórfico
Gaseificado liberto
Escudo utópico
O que, em mim, se faz moldura decerto
.
O vento quebra a curva no meu cotovelo
Desenha os ângulos retos dos meus passos
Transpassa ligeiro os meus sutis rastros
Suplantando a saudade do lugar que não estou
.
E feito um casulo novelo
Ando eu
solto
pela rua
Aconchegado em seu ventre errante
Sorrindo em meu aerado semblante que flutua
.
Sortido sou traçado múltiplo do espaço urbano
Fluxo de gás e gente se esgueirando sem lugar
Ampliado é o ser que vive
Amalgamado pelo ar.
.

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