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No amanhecer ignóbil
De uma cidade escarrada
Brota o olhar bestial
De um homem de qualqueres.
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Tudo nele são qualqueres!
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Qualqueres sonhos
Qualqueres hábitos
Qualqueres caminhos e religiões
Qualqueres palavras
Qualqueres convicções e olhares.
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Qualqueres são as coisas
Que brotam deste ser:
Uma máquina regurgitante
De influências instáveis.
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A minimalidade
De seu semblante apequeninado
Juntamente a seus olhares
Recurvos e entronizados
Expõem
A incapacidade de boquejar suas ausentes coisas muitas
Expandem
A incomunicabilidade de seus pensamentos
Aclaram
A inferioridade de suas rasteiras sublimações
A bestialidade
De seus fétidos contentamentos
O hebetismo
De suas elaborações quiméricas de anteconceitos
A inépcia
De sua inventividade de vulgarios bestas
A estultice
Da inimaginação que desvela, ao oposto, seu caminho.
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Eis a horripilante alma aspirante
De seus horizontes poucos
Que caminha por uma trivial
E passável manhã consecutiva
Feito o exemplar de uma sintomática vida
Fruto do recém levante de uma rotina senil.
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Suas vontades não escolhem a certeza
Seu coração não rastreia o amor
Suas mãos tateiam precipícios
Sua cabeça tomba ao mínimo embate
Seu sorriso amarela-se esquivo.
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Suas costas são conchas inoperantes
Que envergam a derrota de encontro ao solo
Crivando de respeito o pedregulho cáustico
Que serve de sustentáculo do cotidiano.
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Eis o soldado putano do capital primário
O macaco desencaixado do Darwinismo reverso
O inaproveitamento ordinário de recursos genéticos
O escarro último da modernidade líquida.
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Eis a metáfora de todos nós
Batizada com nome e sobrenome
Ao mal gosto daquilo que seus pais quiseram.
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Seus olhos fitam o sucateado alvorecer
Que teima no amanhecimento
E que destrincha as nuvens
Enquanto seus pés solapam
O solo urbanamente orvalhado
E as arestas são descortinares
Erráticos de futuros esquivos.
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Cada esquina
Mostra o acorrentamento
Ao qual seus passos
Subjugados estão
Cada nova rua
É o encarceramento
De tuas vontades
A perseguição infinita
Por algo que lhe satisfaça
Cada esquina
Apresenta o novo palco
Através do qual
Sua alma se arrastará
Em venenosas cedências
Aflorando cada vez mais
Suas chagas humanoides
De bicho sôfrego do nada.
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Este homem de nós
É o retrato irrisório dos medíocres
A raça escassa
Das maiorias humanas depravadas
A inumanidade alastrada dos homúnculos.
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Este homem de nós
É a espécie escolhida por Deus
Para arruinar
As coisas físicas de uma bola d´água isolada.
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Este homem de nós
É o desperdício constante
Daquilo que se acreditava ser
Um amanhã inquebrantável.
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Este homem de nós
Que caminha como quem não se desata
Tem seus pés perfazentes
Das reentrâncias biológicas egoístas
Retratos intensos e internos dos seres
Que somos todos os que por aqui estão.
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Este homem sou eu!
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Este homem é você!
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Este universo narrativo está em mim!
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Esta cidade é aqui!
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Esta cidade
São pedras e ares
De uma extrema carência de libertação
Tudo nesta cidade
É indigno de liberdade duradoura
Todas os contornos da metrópole
São reféns de algum passado
Que não mais se pode tocar.
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Todas os angulares trajetos
São resquícios
De um saudoso arcaísmo impoluto
E os contornos concretos
Escondem a desordenança
A incompletude avassaladora
Da matéria manufaturada
As fisicalidades moldadas
Pela força da penúria
As formatações enrijecedoras
De seres incompreensíveis.
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Este homem de nós
E esta cidade aqui
Não são dignos
De prosseguirem em criação literária...
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