quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Um qualquer feito de nós

Daqui a pouco está a eternidade...
.
Sinto-a batendo na janela
De um quarto 
Que ainda tento habitar
.
Mas, no entanto, 
Continuo não sabendo
Como lidar comigo mesmo
Perante a infinitude de ser
.
Não sei se a enfrento
Ou se a deixo tomar-me
Feito um vasilhame velho
Que alguém caminha para banhar no mar
.
Por vezes me sinto homem
Por outras me sinto cheio de buracos
.
Por vezes me sinto menos que meu pai
Por vezes sou grande no vazio contemporâneo
.
Mas continuo na perenidade
De não saber se meu nome
É aquele que me deram quando nasci
.
Ou se me rebatizo
A cada manhã
Quando uma nova absurda sensação
Me faz um adulto inédito
De 30 e tanto anos
.
Só sei que todo poema pode ser infinito!
.
A vida NÃO.

Nenhum comentário: