PRIMEIRA MULHER:
Prostramo-nos agora com entusiasmo
Diante do futuro que neste instante geramos
Diante da celebração que neste momento nos abduz
Ao abrirmos os volumes destes livros ancestrais
Ao adentrarmos os sutis pórticos da dramaturgia
SEGUNDA MULHER:
E, enfim, desenclausurarmos, pois, as palavras
De um conto tão pouco por outrem contado
Tão pouco por outrem encenado
Um solo de espaços movediços
E que, por isso, desvirginamos com necessária cautela
TERCEIRA MULHER:
Pendemos nossos olhos para outra realidade
E vos convidamos a acompanhar
Este despretensioso e efêmero encontro
Que em instantes, neste local, irá se iniciar
Para tão logo, novamente, se esvair
QUARTA MULHER:
Oh língua morta, linha vida
Mas não poderíamos dar vazão a tal acontecimento
Sem antes saldar sua fonte preambular
O homem de inúmeras quimeras atemporais
Nosso mais doce Bardo
PRIMEIRA MULHER:
Tu cravaste em definitivo
No sublime panteão dos Deuses da Arte
A dramaturgia dos tempos e dos temperamentos
SEGUNDA MULHER:
Sublimando para além das eras e dos homens
O TEATRO:
Templo da realização humana que mais vivifica
A amplitude do exercício de nossa temporária condição
TERCEIRA MULHER:
Tu foste a pedra angular
Daquilo que viríamos a ser
Daquilo que iríamos nos transformar
QUARTA MULHER:
Somos forças motrizes
Da energia SAPIENS exercida sob vontade
O ser palpável em seu esgarçar constante
De nascimento, de morte e de seus gerúndios intermediários
PRIMEIRA MULHER:
Cunhaste a base para a imitação da nossa própria condição
Moldando-a, eternizando-a pela palavra escrita
E que, talvez, somente por isto
Ela nos permita brincar de Deuses
SEGUNDA MULHER:
Brincar de controlar nossas interioridades
Jogar com o fluxo vivo das claritudes e escuridões
Intrínsecas a todos nós
Pulsantes em cada um de nós
TERCEIRA MULHER:
Acredito naquilo que faço
E faço porque quero, porque gosto
Gosto do gosto do risco de me jogar
Risco o rosto com o traço
QUARTA MULHER:
No intuito de me transformar
Me transmutar naquelas tantas possibilidades
Que minha alma resguarda e revive
A meu bel prazer
UMA MULHER EM CADA FRASE:
1) Oh língua morta, linha vida,
TODAS - Nosso mais doce Bardo
2) Peço permissão para adentrarmos teu caudaloso universo
3) De heróis, vilões ou simplesmente humanos
4) E que possamos,
TODAS - Ainda mais uma vez
1) Transfigurar nossa insistente realidade
2) Numa luminosidade outra
3) Fugaz, pequena, incompleta, quase irrisória
TODAS - Mas única e nossa
4) Única, nossa e sincera
1) E que ela seja capaz de fazer
2) Aqueles que aqui se encontram
3) Guardarem o que desejarem
4) Se as vossas almas ensejarem


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