Ao
ver a sombra de meu rosto
Estampado
na parede
Ao
ver o contorno de meu semblante
Chapado
no muro bidimensional
Ao
ver o delineado de minha barba
Sem
o preto dos pelos
Ao
ver o desenho de meu nariz
Além
das rugas e sinais que ainda aparecerão
Enfim...
Ao
ver minha silhueta simplificada
Ali
ao meu lado
Pude
antever o senhor que serei
Pude
prever o formato
Daquilo
que, em mim, será
Como
se eu me acompanhasse
Num
amanhã projetado
Minha
sombra caminhava comigo
Estampada
na faixada de um prédio
Era
a premonição
De
meu futuro contorno físico
Caminhando
comigo pela rua
Era
o formato resultante dos anos
A
essência de meu espirito íntimo
Aquilo
que um dia serei
E
que, naquele momento
Me
fazia companhia noite adentro
Foi
como se um portal de tempo
Me
convidasse a olhar aquilo que me tornarei
A
proximidade do contorno sem idade
Me
convidando a ver o amanhã de mim mesmo
Mas não tenho certeza se gostei do que vi!
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